CAPITULO 7. AS PRIMEIRAS MUDANÇAS

Levava mais de meia hora conversando com o vaso sanitário. Os vômitos matinais eram apenas uma dos numerosos sintomas que afetavam Michiru por dois meses.

Seu corpo doía, se sentia cansada, sofria vários enjoos e, cada manhã, justo alguns minutos depois de levantar da cama, tinha um encontro diário com o lavabo. Sentiu uma mão fria em sua testa e, respirando fundo, tentou colocar-se de pé. A mão que havia acariciado sua testa como uma brisa primaveral a ajudou a levantar-se.

"Já está melhor?", sussurrou uma profunda voz detrás de si.

Michiru se recostou sobre Haruka, respirando fundo e fechou os olhos por um momento, esperando que seu estomago deixasse de doer.

"Acho... Acho que sim", respondeu.

Caminharam até o lavabo e enxaguou a boca para desfazer-se da recordação nefasta do começo da manhã.

"Suponho que hoje tampouco terá vontade de comer", murmurou Haruka, passando a mão delicadamente pelo seu rosto, colocando para trás as mechas úmidas que tapavam seus olhos azuis, vermelhos pelo cansaço.

Michiru se esforçou para sorrir.

"Voltou a acertar, mas um chá me cairia bem", sussurrou, antes de notar a seguinte oleada de náuseas invadindo seu corpo.

Haruka a ajudou chegar ao lavabo e a segurou para evitar que não caísse quando ficou sem forças. Voltaram para o quarto e Haruka ajudou Michiru a deitar-se.

"E pensar que apenas se passaram dois meses...", suspirou Michiru.

"Quem dera eu pudesse evitar tudo o que está passando".

Michiru levantou a mão e acariciou sua bochecha. Sorriu.

"Não se preocupe. Já sabíamos que teríamos de passar por isto", fechou os olhos durante um instante e suspirou. "Só não achei que fosse tão difícil." Com a ajuda de Haruka se colocou de pé e lhe piscou o olho. "Ademais... Como poderia evitar o que acontece? Acaso gostaria de ser você a que engravidasse?"

Michiru começou a rir e levou a mão a costela quando notou uma pontada.

Haruka franziu a testa.

"Por acaso acredita que não seria capaz de suporta-lo?", perguntou, desafiando-a.

Michiru deu de ombros.

"Não imagino com a barriga enorme, dentro de um carro de corrida... Acharia comico".

"Rá, rá, muito divertido", respondeu Haruka. Se levantou da cama e caminhou até a porta. "Bom, vou fazer um pouco de chá, tudo bem?", Michiru assentiu. "Não se mexa da onde está", avisou Haruka.

Michiru voltou a assentir. 'Como se tivesse forças para me mover', pensou.

Haruka sorriu e fechou suavemente a porta detrás de si, descendo a cozinha.

Encontrou com Hotaru tomando café da manhã sozinha, sentada calmamente enquanto mastigava uma torrada untada de geleia e lia um livro sobre gravidez.

"Michiru-mama voltou a ter náuseas matutinas, não?", perguntou, levantando os olhos do livro.

Haruka assentiu e colocou a chaleira com agua no fogo. Se sentou com Hotaru e se serviu uma xicara de café quente.

"Pelo menos enfrenta com bom humor", murmurou Haruka.

"Isso mudará, Haruka-papa. Aqui diz que as mudanças de humor são constantes durante toda a gravidez... Ainda que... A boa noticia é que os vômitos somente tem lugar nos primeiros meses... E não ocorre com todo mundo."

"Pois parece que o estomago de Michiru não opina o mesmo. Ami disse que é normal, mas me preocupa que comece o dia passando mal"

Hotaru se colocou de pé e tirou a chaleira do fogo, preparando uma xicara de chá.

"Não se preocupe, Haruka-papa, Michiru-mama é forte e suportará. Eu só me alegro que a grávida seja ela e não você", dissimulou uma risada.

Haruka se colocou de pé, na defensiva.

"Oye! Por que isso? Acaso você e Michiru se juntaram para me criticar? Está insinuando que eu não seria capaz de aguenta-lo?"

Hotaru começou a rir, colocando a xicara de cha sobre uma bandeja, com biscoitos.

"Bem... Eu... Mhm... Ha, ha, ha... Haruka-papa! Se cada vez que você menstrua você arma uma revolução e falta morrer!"

Haruka levantou a sobrancelha e franziu a testa, visivelmente ofendida.

"Você não imagina o que é ter q... Ack!", fez uma pausa, ruborizando-se levemente. "Acredito que você SIM pode imaginar como seja..."

Hotaru assentiu, rindo, pegando a bandeja com uma mão e acariciando o braço de Haruka com a outra.

"Fique calma, Michiru-mama é mais forte do que imagina".

Hotaru saiu da cozinha deixando uma Hruka confusa para trás.