CAPITULO 14. DE NOVO EM CASA
Quando Michiru chegou em casa o primeiro que viu foi o enorme ramo de rosas brancas junto à porta. Ruborizou-se e beijou o rosto de Haruka, que levava um dos gêmeos. Setsuna, que levava outro, entrou na casa e Hotaru pegou o outro que estava com Haruka para subir com Setsuna até o quarto do jovem casal. "Não via a hora de voltar", suspirou Michiru, deixando-se cair pesadamente sobre o sofá. Haruka, solicita, acudiu ao seu lado e tirou seus sapados, aplicando uma massagem relaxante nos pés doloridos de Michiru, que lhe agradeceu imensamente com só um olhar. "Você está bem?", perguntou a loira, preocupada. Michiru sorriu e acariciou o curto cabelo de Haruka com ternura. "Claro que sim, já me perguntou uma dezena de vezes. Quando deixará de se preocupar tanto comigo?" "É que eu..." "BEM VINDA, MICHIRU!", soou um grito uniforme detrás do casal. Michiru virou a cabeça para trás e se encontrou com as sorridentes caras de Usagi, Chibi-Usa, Mamoru, Rei, Ami, Makoto, Minako, Luna e Artemis, um enorme ramos de rosas e um gigantesco cartaz de boas vindas.
"Se empenharam em vir e serem os primeiros a te receber", murmurou Haruka, envergonhada. Michiru riu levemente.
"Onde estão os gemeos?", perguntou Minako entusiasmada.
"Morro de vontade de ve-los!", exclamou Rei com excitação.
"Garotas, seria melhor que não façam tanto barulho", avisou Ami, tentando colocar um pouco de ordem no ambiente. "Certamente Michiru está cansada e..."
"Não se preocupe, Ami, estou bem", respondeu Michiru, colocando-se de pé e deixando-se abraçar por todos. Setsuna e Hotaru desceram do quarto e foram recebidas por numerosas perguntas de toos, que queriam saber se os gemeos dormiam, como eram, a quem pareciam mais e seus nomes.
"Ainda não pensamos nos nomes", recordou Haruka, olhando Michiru, culpada.
Michiru passou o braço pela cintura de Haruka e suspirou resignada.
"Tudo foi tão depressa".
"Podemos ve-los?", perguntou Usagi, entusiasmada.
Michiru sorriu e assentiu. Usagi quis começar a correr até o segundo andar da casa, mas Mamoru a deteve, obrigando-a a caminhar, como as demais, até o quarto de Haruka e Michiru.
"Qual é o menino e qual é a menina?", perguntou Rei, confusa.
Michiru caminhou até o berço.
"Olha, se você perceber, este, o menino, tem uma pequena mancha rosa no pescoço. Sua irmã, não", explicou, deixando os bebês descobertos para mostrar sua mancha de nascença.
"Que coisa, hein, Haruka?", disse Mamoru, tentando brincar com a jovem loira.
"A verdade é que são como duas gotas d'aguas, se não fosse por essa manca, quando estão vestidos são completamente iguais.", confessou Haruka, ruborizando-se levemene, envergonhada.
"Logo serão menos parecidos", disse Rei rindo e dando uma palmada no braço.
"Haruka tem razão, também tenho dificuldade para diferencia-los quando estão no berço como agora", murmurou Michiru, ruborizando-se levemente.
"os dois são loiros... Se parecem a Haruka", disse Chib-Usa colocando-se nas pontas dos pés para poder ver melhor os gemeos.
"Têm os olhos de Michiru", contestou Haruka, sorrindo com orgulho.
"Mas herdaram seu carater", murmurou Setsuna, rindo suavemente. "Ontem me custou bastante conseguir que parassem de chorar".
"Melhor, assim ninguem duvidará que Haruka é o pai", respondeu Michiru, brincalhona.
Haruka começou a tossir.
"Er... Será melhor que desçamos, os gemeos estão cansados da viagem e precisam dormir um pouco", disse, tirando-os do quarto.
Michiru piscou o olho com cumplicidade quando saiu da habitação.
A praia estava deserta, mergulhada na escuridão. O murmuro das ondas acariciava os pés desnudos da jovem que caminhava pensativa pela areia, ainda quente. A lua cheia brilhava, iluminando seu caminho e milhares de estrelas lhe faziam companhia, observando seu passeio e a acompanhando com a ferocidade de um fiel cão guardião. Uma fresca brisa salgada e penetrante se levantou para acariciar seus cabelos, para voltar a encontrar-se com ela depois de tanto tempo de solidão. A mulher desfrutava de seu passeio como se fosse a primeira vez que caminhava descalça sobre a areia e, na verdade era, já que fazia semanas que não passeava àquelas horas da noite.
"Fazia tempo que não te via tão feliz", soou uma voz feminina a alguns metros dela.
Se girou e sorriu, reconhecendo à curta distância que as separava, a alta mulher que se encontrava na praia com ela.
"Pode ser", respondeu, respirando fundo, deixando que o aroma marinho inundasse seus pulmões. Sentiu frio, assim que subriu mais seu echarpe para cobrir os ombros. Sua acompanhante caminhou até ela lentamente, disfrutando também do passeio noturno. Ao chegar até Michiru, lhe ofereceu o braço para a jovem se apoiar nela, pensava que, sem dúvida, deveria estar cansada depois de um dia longo. A jovem de cabelo cor de mar começou a rir e aceitou o braço encantada e, até certo ponto, agradecida pelo gesto. O cansaço, efetivamente, começava a afeta-la aquelas horas.
"Tinha que ver Haruka. Agora está com os gemeos. Está sentada em frente aos dois berços, olhando as crianças com cara de tonta", sussurrou a recém chegada, tocando o braço de Michiru, agora apoiado no seu.
"Isso não me surpreende, Setsuna. Os olhos de Haruka brilham sempre que vê Hotaru, imagine agora.", sorriu Michiru.
"Você também está radiante", murmurou Setsuna com orgulho.
"Obrigada", ruborizou-se levemente Michiru. "Foi Haruka que te enviou aqui? Você não é de sair para passeios noturnos..."
"Ninguém me enviou, desconfiada. Vim por iniciativa própria. Estive nas Portas do Tempo recentemente e vi algo que não me deixou feliz. Tenha cuidado."
Michiru se separou de sua amiga bruscamente, alarmada.
"Vai acontecer algo de mal com os gemeos?"
Setsuna sorriu para tranquilizar Michiru.
"Não têm nada a ver com eles, é só um conselho para que tenha cuidado e que vigie Haruka. Dentro de alguns dias terei que retornar às Portas do Tempo para controlar o que está acontecendo durante minha ausência e estou um pouco preocupada, mas não se trata de nada que não poderão resolver", piscou-lhe o olho com confiança.
Michiru suspirou aliviada.
"Olha, Setsuna, não posso evitar sentir o coração na boca quando me diz essas coisas. Antes era com Hotaru e me preocupava muito com ela, mas agora não é só com ela, também com os gemeos, que são dois e..."
"Não é o mesmo um filho adotivo que um biológico, é isso, verdade?"
Michiru assentiu, visivelmente envergonhada.
Setsuna se deteve, olhando-a nos olhos.
"É normal que se sinta assim, levou esses dois bebês durante nove meses em seu ventre, seu vinculo com eles é maior do que o que tem com Hotaru. Ademais, Hotaru teve um crescimento precipitado, não tivemos a possibilidade de disfrutar de sua infância...", disse com voz amarga.
Michiru riu.
"Hotaru é uma garota excepcional, é verdade", murmurou.
As duas guardaram silêncio durante os minutos que passaram até que chegaram em casa. Michiru estava absorta em seus pensamentos, pensando no conselho que Setsuna havia dado. O que iria acontecer? Setsuna, por sua parte, também estava encismada, recordando como havia sido curta a infância de Hotaru e o quanto havia desfrutado daquela época. Sabia perfeitamente que aqueles sentimentos eram o mais próximo da maternidade que iria sentir em muito tempo e sofria pensando que tudo havia passado com a rapidez de um suspiro.
