CAPITULO 16. IGUAL A ANTES?

Caía a tarde quando Haruka se deu conta de que a casa estava mergulhada em um profundo silêncio. Setsuna se encontrava, desde dias atrás, nas Portas do Tempo e Hotaru estava lendo em seu quarto. Escutou um leve ruido na cozinha e uma suave voz e caminhou nessa direção. A cena que viu diante dela foi impactante, deixando-a com um nó na garganta quando a emoção se apoderou dela. Michiru estava amamentando Kei. Tinha a cabeça levemente agachada e o cabelo escondia quase toda sua feição, mas adivinhava-se um sorriso em seu rosto e um olhar imensamente doce. Tinha a blusa aberta e Kei se aferrava a seu alimento como se sua vida dependesse disso, provocando leves queixas em Michiru. Haruka sorriu com orgulho. Michiru estava belíssima e ela não se atrevia a romper a magia da cena entrando na cozinha, interrompendo aquele ato simples e ao mesmo tempo fascinante.

"Não fique aí na porta, entra", soou a voz de Michiru em um sussurro e seus olhos azuis a olharam rapidamente.

Assim que havia sido vista, depois de tudo. Haruka entrou silenciosamente e se sentou frente à ela, deixando a cabela sobre as mãos, em cima da mesa.

"Não queria te atrapalhar", contestou suavemente, hipnotizada.

Michiru sorriu e a olhou nos olhos. Que olhar tão doce, que sorriso tão terno, que felicidade que aquela jovem transmitia...

"Alex ainda não comer, quer tentar você?", perguntou Michiru, apontando para a cadeirinha onde se encontrava a menina, levantando os braços impacientemente.

"Eu?", perguntou Haruka, surpresa. "Mas se..."

"Não posso amamentar os dois ao mesmo tempo, não tenho leito suficiente, assim que preparei uma mamadeira para ela. Já faz um tempo que está pronta, eu estava esperando que esse guloso", sorriu apontando com a cabeça a Kei, que seguia mamando. "acabasse, mas já que você está aqui, poderia faze-lo. Sei que você sente falta, depois de tanto tempo..."

Haruka concordou, ruborizando-se. Fazia tempo que não tinha uma mamadeira nas mãos. Desde que Hotaru era um bebê, precisamente. Pegou a mamadeira e comprovou que a temperatuda do leite era a correta. Segurou Alex nos braços e sentou-se junto a Michiru.

"Se comportaram bem pela tarde?", perguntou Haruka deixando que Alex se aferrasse com força a mamadeira. "Eh, com calma, com calma", riu ao perceber.

Michiru riu suavemente e assentiu. "Dormiram toda a tarde", sussurrou levantando-se da cadeira. Deixou Kei em uma das cadeirinhas e abotoou a camisa. Caminhou até Haruka e se situou detrás dela, apoiando as mãos nos ombros da jovem loira. "Pensei em voltar para a Orquestra e seguir com o programa de paresentações".

Haruka sorriu inclinando a cabeça para olhar Michiru momentaneamente.

"Fico feliz que você volte a sua rotina. Primeiro com a pintura, agora com a música... Te admiro, eu não sei se seria capaz de seguir com tanta naturalidade depois de tudo.", confessou, ruborizando-se ligeiramente.

Michiru lhe deu um beijo no rosto. "Não acredito que será facil, mas acho que poderemos cuidar nós duas dos gemeos e seguir mais ou menos com nossa vida normal", sussurrou.

"Participarei em menos corridas este anos, assim poderá ir de turnê", disse Haruka, assentindo. "Poderiamos ir ver você tocar, certeza que nasceram com bom gosto para a música".

"Pode ser", riu Michiru. "Sabia que está muito sexy com a mamadeira na mão?".

Haruka riu abertamente e Michiru tapou sua boca, apontando para Alex, que havia soltado a mamadeira e a olhava assustada.

"Desculpe", sussurrou Haruka, "Por que me distraiu?"

Michiru se separou dela e sentou-se a seu lado, olhando-a intensamente.

"Só disse o que penso", murmurou Michiru inclinando-se até ela. "O papel de pai combina com você, amor".

"Eu pensava o mesmo de você quando entrei na cozinha", contestou Haruka piscando o olho. Quando Alex acabou com a mamadeira, Haruka a colocou no ombro, suavemente, para provocar a eliminação de gases. Deixou a menina na cadeirinha ao lado de seu irmão e caminhou lentamente até Michiru, ajoelhando-se diante dela. Apoiou os braços em suas pernas e sorriu. "Quer sair pra dar uma volta?", perguntou e olhou de soslaio as cadeirinhas dos bebês. "Eles vão dormir por um bom tempo, não sentirão nossa falta por pelo menos quinze minutos".

Michiru concordou. Haruka se colocou de pé e extendeu a mão, que a jovem de cabelo azul esverdeado aceitou, encantada.