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Disclaimer: Os personagens pertencem a criatura infeliz e malditamente milionária da J.K. E essa fic foi escrita sem fins lucrativos. É mero divertimento. E um jogo de RPG que está se desenvolvendo no orkut atualmente.

N.A/¹ Obrigada a todas que deixaram tantos reviews fofos *---*

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Capitulo II

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~ Harry ~

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Conseguiu voltar a respirar normalmente assim que saiu daquela sala, ou melhor, assim que saiu daquele prédio. Harry se afastou do Ministério da Magia o mais rápido que pode e logo aparatou em sua casa, um apartamento em um bairro Muggle. Queria entender o motivo de estar tremendo daquele jeito, o motivo de estar tão nervoso e confuso. Deveria estar feliz, bem consigo mesmo, afinal havia feito mais uma boa ação, agiu como seu complexo de herói sempre lhe mandava agir.

Se dirigiu com passos lentos até a sala e se jogou no sofá, tomando uma profunda respiração. Estava satisfeito, claro. Agora não precisava mais se preocupar com essa pequena parte de seu passado, de sua vida. Malfoy está livre. E o melhor de tudo, não teria pesadelos com ele, não se preocuparia com ele, não o veria nunca mais.

- Malfoy terá sua vida de volta, vai se casar... ser feliz... e eu não vou ver o seu rosto angustiado novamente em meus sonhos...

Não viu Kreacher se aproximar, lhe oferecer chá e biscoitos e se retirar novamente, deixando a bandeja do seu lado. Adormeceu ali mesmo na sala, tentando aliviar sua mente do estresse dos últimos meses. Horas, talvez minutos haviam se passado, não estava sonhando ainda, mas estava escutando alguém proferir seu nome, uma voz distante e ao mesmo tempo tão perto.

- Harry....

- Hm... mais cinco minutos... - Balbuciou de forma sonolenta e preguiçosa.

- Vamos companheiro, acorde logo.

Abriu os olhos contra sua vontade somente para ver uma cabeleira ruiva lhe observar com certo humor. Se sentou no sofá, percebendo uma ligeira dor no pescoço, fruto de uma posição desconfortável, uma nota mental lhe afirmou que sofás não eram bons para dormir.

- O que foi Ron?

Tentou conter um bocejo e esfregou os olhos, percebendo que Hermione também estava na sala, e olhava de uma maneira como se estivesse tentando compreender algo que tivesse deixado escapar.

– Por que saiu da audiência sem nos esperar, Harry? - Sua amiga o perguntou de maneira cuidadosa, o grifindor revirou os olhos e deu de ombros, nem ele mesmo sabia afinal. Só não queria voltar a ver Malfoy naquele estado tão... lamentável, lhe produzia uma sensação ruim... estranha.

- Realmente não sei Mione, acho que estava cansado... - Ron deu alguns passos pela sala enquanto avaliava o amigo, sua expressão era séria.

- Deveria ter nos dito que defenderia o furão naquela audiência... por que não o deixou apodrecer em Azkaban? Era a melhor escolha.

Alguma coisa dentro de si se mexeu desconfortavelmente, aquelas palavras, de alguma maneira o estavam deixando irritado e demonstrou essa irritação em sua voz. -Você também estava lá Ron... você sabe tanto quanto eu que Malfoy é mesmo inocente, eu não poderia deixá-lo em Azakaban. O amigo bufou e afastou o olhar de si.

- Pelo menos a justiça ainda vai ser feita. - Ronald tinha um olhar vitorioso em sua face, uma criança que acabara de ganhar um doce. Harry o olhou com uma grande interrogação na face, alternou seu olhar entre o amigo e Hermione, a mesma simplesmente deu de ombros e balançou a cabeça negativamente, reprovando a atitude do noivo.

- Ron incluiu um pequeno castigo na sentença de Malfoy... ele terá que... terá que fazer serviços sociais no mundo mágico e muggle.

Harry a olhou por breves segundos e sorriu, aquilo seria interessante de se ver, o herdeiro Malfoy, se humilhando.

- Eu pagaria pra ver. - Ante suas palavras, sabia que algo estava errado, o olhar que Ron e Hermione cruzaram lhe dizia isso, e momentos depois soube a razão.

- Bem companheiro, você verá.

- O que? - Estava confuso, muito confuso.

- Harry, você foi designado para acompanhar Malfoy nesses "serviços sociais". - Hermione dizia com cautela, como se estivesse falando com uma criança pequena, tentando não causar um trauma. -O que? Mas... por quê? Se levantou e deu alguns passos em direção aos amigos, as mãos fortemente fechadas, aquela situação não estava em seus planos, definitivamente.

- Você o defendeu em primeiro lugar, alguns membros do conselho acharam justo você avaliar Malfoy naqueles servicinhos. - Disse Ron, tranquilamente.

- Isso é uma piada, não é? - Merda, por que sempre com ele?

- Você não pode recusar, Harry.

- Sim eu posso. - Cruzou os braços de maneira infantil, sua amiga revirou os olhos.

- Não pode, essa decisão já foi tomada.

- E veja pelo lado bom companheiro, você vai poder transformar a vida do furão num inferno durante esse ano...

Queria entender como Ron poderia achar aquela situação divertida, e Hermione lhe jogar na cara que mais uma vez decidiram parte de sua vida por si. Saiu da sala sem olhar para os amigos e subiu os degraus até seu quarto, batendo a porta em seguida, precisava pensar.

- Até que ele levou a noticia muito bem... pensei que quebraria alguma coisa por aqui. - Ron estava impressionado. Sua noiva rodou os olhos e foi em direção a lareira.

- Cale-se Ronald.

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~ Draco ~

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Estava livre. Repetiu mais uma vez, só para colocar em sua cabeça que não estava sendo enganado de nenhuma maneira por ninguém do ministério. Livre significava fim do confisco monetário o sorriso de sua mãe era certamente por esse motivo em particular. Agora todos os Malfoy estavam fora de Askaban e tinham sua fortuna de volta. Podia ser melhor que isso? Ah sim... podia sim. Potter. Potter e serviços à comunidade, sem esses dois fatores não haveria problema que um bom banho não resolvesse. E cortar os cabelos.

Levantou os olhos platinados para Zabine, o ex-colega de turma caminhava com um sorriso que parecia que iria saltar dos lábios. Draco tinha certeza que Zabine não havia movido sequer um dedo para defende-lo, assim como Pansy que nem sequer fora vê-lo no dia do julgamento, mesmo assim o moreno caminhava até ele como um advogado que conseguira fazer um milagre para o cliente.

— Finalmente mon ami! Livre!

Nesse caso Draco normalmente perguntaria o que Zabini estava ganhando para ficar tão feliz com sua liberdade. Não o fez. Sorriu ao ouvir a sua condição de homem livre vindo da boca de outra pessoa e não da voz de sua mente. Anuiu com um gesto curto e o alargar do sorriso. Era realmente um homem livre. Talvez fosse o olhar perdido dele que fez com que Zabini voltasse a falar

— Estamos planejando uma festa, Pansy na verdade, por isso ela não veio.

A última coisa que lhe atrairia no momento era uma festa. Pior, uma festa organizada por Pansy.

— Hoje?

— Claro! E como não?

Zabini praticamente urrou, dando-lhe um tapa que quase o desequilibrou. Pronto. Esse era o limiar entre a utopia de um Draco que não se importava com nada a não ser sua tão sonhada liberdade e o antigo – e amado – Draco que se irritava com as idiotices do colega de escola. Segurou a língua apenas porque viu a funcionária oriental que havia o chamado para audiência caminhando em sua direção. Os olhos a queimaram, e ela sentiu isso perfeitamente. Quando aproximou-se, a figura miúda da mulher praticamente desapareceu colocada ao lado do monstro que Zabini era.

— Senhor Malfoy...

Havia muita cautela na voz daquela mulher, isso fazia Draco estar perto de entrar em combustão.

— ...aqui está o seu cronograma de atividades e também o endereço do eu tutor pelos próximos meses. Ah... meus parabéns senhor Malfoy.

Ele pegou o pergaminho que ela havia estendido, e meneou a cabeça como forma de demonstrar que havia entendido as instruções. Quanto aos 'parabéns' preferiu ignorar aquela parte.

— Tutor? Ah... os trabalhos forçados.

Draco limitou-se a puxar o ar com força, como se estivesse se esforçando para não socar Zabini ali mesmo. No pergaminho oficial estavam horários absurdos — antes das nove da manhã! — e lugares ainda mais absurdos, como orfanatos de abortos, ajuda à nascidos trouxas que perderam a família na guerra, o departamento de reabilitação de aurores no St. Mungus! Eles queriam que Draco se transformasse em Dumbledore, ou coisa do tipo? Aquilo era demais para a cabeça loira entender. Deixou os ombros caírem, aquele seria um ano mais complicado do que ele havia imaginado.

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As mãos pequenas de Narcissa começavam a irritar-lhe.

— Mas ainda é tão cedo, tem certeza que você viu o horário corretamente querido?

Lucius sentado à mesa mostrava desagrado na sua expressão. Sete horas da manhã não era assim tão cedo para pessoas acostumadas à ter o que fazer. Para Draco, era praticamente de madrugada. Ele havia tomado uma decisão, ia sair da Mansão Malfoy. Agüentar os cuidados da mãe que o tratava como um garotinho de dez anos não facilitava sua recuperação. Segurou os pulsos finos da mulher delicadamente, afastando-os dos cabelos.

— Sim, eu chequei o horário duzentas vezes, mãe. Eu tenho que ir.

A sua única falha em relação ao comportamento humano era Narcissa. Afinal todos deveriam ter sua dose de grosseria e sarcasmo, menos sua mãe. Fora treinado para isso. Uma semana fora de Askaban, e a diferença era tão gritante em sua aparência que poderiam achar que um substituto fora enviado à prisão em seu lugar. A tez de alabastro já não apresentava manchas ou sequer vestígio de poeira, até mesmo as 'bochechas coradas de querubim' – como Narcissa, vergonhosamente, classificava – estavam lá.

Os cabelos foram cortados, os fios platinados ainda que mais cumpridos do que o usual estavam de perfeito acordo com a figura angular e esguia, inteiramente trajado em negro. Draco Malfoy finalmente. Quando aparatou n'O Caldeirão Furado torceu o nariz para a clientela e para a pocilga onde fora mandado. Potter tinha que morar por ali. Era tão a cara dele. O endereço distanciava-se algumas quadras, teria que cruzá-las andando, já que o 'escolhido' havia comprado uma casa na região trouxa.

Cada passo dado em meio aos muggles era uma maldição nova na qual ele pensava para Potter. Finalmente – depois das maldições terem se esgotado – ele chegou ao prédio indicado, Potter estava... ATRASADO! Ele havia levantado de madrugada para encontrar o imbecil da testa rachada e ficaria esperando? Não poderia nem mesmo esmurrar a porta do idiota até que ele acordasse porque não haviam lhe dado o número do apartamento do imbecil. Havia batido mais um recorde, o de quantas vezes pode-se xingar uma mesma pessoa.

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~ Harry ~

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Uma maldita semana onde havia passado um verdadeiro inferno. Harry ainda tentou por todos os meios possíveis se livrar daquele castigo. Mas desgraçadamente estava sozinho nessa, e não conseguiu resultado algum. Iria ser a babá de Malfoy durante um maldito ano. Não iria ser bonzinho, ah não mesmo, iria transformar a vida daquela doninha num verdadeiro inferno.

Ron estava se divertindo, e muito, com toda aquela história. Até mesmo Hermione, de alguma forma se divertia. Somente Harry não conseguia ver a graça naquilo. Estava estressado, com o trabalho e com sua vida pessoal. Fazia um mês inteiro que não via sua namorada afinal, e ele não era de ferro.

Três dias antes de se encontrar com aquele loiro oxigenado, Harry recebeu seu tão amado cronograma. Teve uma imensa vontade de rir e apostaria sua firebolt como Malfoy o estava amaldiçoando naquele momento.

- Ah mas será tão lindo ver aquele filhinho de papai cuidando de crianças.

Guardou o pergaminho na gaveta próximo à sua cama e se dirigiu à cozinha. Viver sozinho tinha suas vantagens, mas às vezes era tão solitário. Harry sentia falta de contato humano. Ron e Hermione sempre estavam presentes em sua vida, mas ainda assim, algo lhe faltava. Talvez uma verdadeira família.

Olhou para a louça suja empilhada na pia e suspirou, não estava com animo para trabalhos manuais naquele momento, e abdicou de elfos domésticos quando fora viver naquele apartamento muggle, menos de Kreacher, claro . Virou a face em direção à sala, um barulho em sua lareira lhe indicou que alguém estava querendo falar consigo. Seus passos foram rápidos e em poucos segundos Harry via os lindos cabelos ruivos de sua namorada.

- Ginny! - Correu para a lareira e teve vontade de abraçá-la, mas a garota ainda estava em outro país, jogando seu tão amado Quadribol.

- Olá Harry, sentiu minha falta? - A garota sorriu animadamente e mandou um beijinho para o outro.

- Você não sabe o quanto... Ginny quando você volta? - Precisava tanto dela, precisava senti-la perto de si.

- Ah amor, ainda fico fora mais quinze dias, tenho mais dois jogos importantes. Mas não fique preocupado, logo eu volto.

Tentou lhe passar conforto e sorriu, Ginny era uma talentosa jogadora de Quadribol, e Harry a apoiava, ficava feliz por ela estar se dando tão bem no que fazia. Mas não deixava nunca de sentir falta dela próxima a si.

- Fiquei sabendo do Malfoy... o Ron me contou todos os detalhes. Harry amor, não tenha piedade, faça aquele riquinho idiota aprender a ser homem.

O rapaz somente ouvia, Ginny continuou a falar como estava sendo sua aventura naquele novo país, todos os jogos que participava. Falava somente dela, e de vez em quando dizia algumas palavras de ofensa sobre Malfoy. O resto da semana passou rápido demais. Harry queria prolongar mais aqueles últimos dias, mas infelizmente tinha uma responsabilidade. Deveria aprender a manter sua boca fechada.

- Maldito Malfoy, por que ainda mexe tanto comigo?

Os raios de sol atravessavam as cortinas de sua janela e tocavam sua face. Harry abriu os olhos lentamente e pegou seus óculos na cabeceira da cama. Ao olhar para o relógio constatou que faltavam apenas meia hora para se encontrar com Malfoy. Ele provavelmente iria até o seu apartamento. Maravilhoso, o encontro que tanto sonhou. E a ironia era totalmente clara naqueles pensamentos.

Se levantou de forma preguiçosa e foi até o banheiro, o banho o reanimou um pouco, e em quinze minutos já estava pronto. A roupa era informal e confortável, os cabelos como sempre estavam desorganizados. Harry pegou uma maçã e saiu do apartamento, tinha alguns minutos ainda e definitivamente não tinha pressa alguma. No elevador o rapaz se encontrou com uma simpática senhora e a ajudou a carregar suas compras. Alguns minutos depois e já estava fora daquele lugar. Próximo passo, procurar aquela doninha tão gentil e educada.

Não demorou muito para avistar aquela silhueta tão conhecida, e a cada passo sentia seu coração acelerar estranhamente. Sua surpresa foi grande ao finalmente olhar para Malfoy tão de perto, aquela semana o modificou, e muito.

– Me esperando Malfoy?

O olhou de cima a baixo, avaliando-o descaradamente. Deu uma última mordida em sua maçã e a jogou numa lixeira próxima. Lambeu os lábios vermelhos e bagunçou os cabelos ainda mais.

– Caiu da cama? Então deve mesmo estar animado com os trabalhos.

Tinha coisa melhor do que provocar Malfoy tão cedo, naquela hora da manhã? Ah, seu dia estava começando de forma maravilhosamente encantadora.

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~ Draco ~

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Perto da porta havia uma mancha. Uma mancha escura e grotesca na qual Draco havia fixado os olhos alguns minutos atrás. O que ele estava fazendo olhando para uma mancha grotesca, escura e nojenta na frente do apartamento de Harry Potter? Amaldiçoando. Se ao havia Potter, ele poderia amaldiçoar aquela mancha horrível que estava na frente do maldito prédio, daquele grande imbecil que já estava dez minutos atrasado. DEZ MINUTOS! Quando em sua vida inteira um Malfoy havia esperando tanto tempo por alguém? Nem mesmo em casamentos e nos casamentos dos Malfoy as noivas valiam a pena, e Potter não seria uma noiva que valesse a pena, com certeza.

O loiro levou as mãos as têmporas, fechando os olhos momentaneamente. Podia se imaginar longe dali... talvez no interior, melhor, na França, isso, na França em uma das mansões que seu pai tinha por lá, longe da empoeirada, suja e fabril Londres que acoplava uma ralé tão miserável de muggles. E Potter. O pior defeito de toda a Inglaterra era aquele parasitinha asqueroso que atendia por Potter.

E o pior? Teria um dia amaldiçoado – qualquer que fosse a tarefa designada pelo Ministério, todas eram abusivas e terríveis de alguma forma, umas piores que as outras – e para começar esse dia ( que tinha tudo para dar errado ) ele estava esperando Potter, porque o cabeça rachada não tinha a capacidade de acordar no horário certo.

Me esperando Malfoy?

A voz o pegou de surpresa. Ergueu os olhos para o recém-chegado. Queria poder segurar o pescoço do ex-grifinório e apertá-lo até que o ar não conseguisse mais chegar aos malditos pulmões. E o pior? Nem mesmo poderia responder a altura da sua raiva, Potter era a sua 'babá' , uma palavra dele para o ministério e Drco não tinha certeza se continuaria em liberdade. Principalmente se dissesse tudo o que tinha em mente para o moreno. Apertou os dentes, cerrando a mandíbula em uma tentativa crassa de acalmar-se. Que não deu certo.

Caiu da cama? Então deve mesmo estar animado com os trabalhos.

'Tanto quanto para arrancar os seus olhos com os estilhaços dos seus óculos' completou mentalmente destravando a mandíbula aos poucos, cauteloso em demasia na escolha das palavras. Potter deveria estar treinando em casa, era nada mais do que um amador na arte de irritar. Apesar de conseguir tirar um profissional do sério suas técnicas não eram das mais sofisticadas, aliás, nada era exatamente sofisticado em Potter. Mesmo assim Draco precisava controlar sua língua, não poderia ser grosseiro ou agressivo, mas ninguém nunca havia sido preso por usar de ironia. Graças a Merlin.

— Eu não poderia estar mais ansioso.

Isso seria completamente verdade se ansioso fosse o sinônimo de 'enojado'. Valia a mesma coisa em uma ironia, de qualquer forma.

— Você tem algum problema... — Mental? — ... com relógios Potter? Porque para sua informação, você está atrasado.

Isso era o máximo de palavras controladas que conseguia reunir em apenas uma frase. Soava estranho, faltavam os apelidos para Potter, os insultos, a maldade. Era muito condensado na opinião de Draco. Mas novamente as palavras que ele gostaria de utilizar para caracterizar a inutilidade de Potter quanto aos horários estabelecidos não cabiam naquela situação. Não ainda. Se aquele testa-rachada filho de uma mudblood achava que ele iria agüentar um ano daquela palhaçada... ele estava muito enganado.

Um mês ou dois, esse era o prazo máximo para a sentença como Lucius havia dito. Em pouco tempo todas as conexões que a família Malfoy possuía estariam definitivamente refeitas e aí então... aí então ele diria com todos os belos e gentis adjetivos tudo o que pensava sobre Harry Potter. E quando Potter chorasse ele iria rir. Talvez não rir, mas esboçar um sorrisinho. Draco tomou um fôlego baixo e voltou a tomar a palavra, erguendo o rosto de forma esnobe, pela falta de uma definição mais... Malfoyniana para sua expressão. Mas é claro que Draco não era esnobe, os únicos que tinham essa errônea perspectiva eram parte do lixo que o cercava por todos os lados.

— Já que você está atrasado, suponho que devêssemos partir agora.

No modo de falar até parecia que era ele quem estava no comando.

— Para onde nós temos que ir afinal? Não queremos deixar os coitados esperando, certo?

Esboçou um sorriso venenoso, aqui, 'coitados' significava 'malditas baratas que não morrem nunca', claro, subjetivamente.

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~ Harry ~

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Definitivamente Malfoy não havia mudado em nada. Todos aqueles anos em Azkaban não serviram para lhe tirar a arrogância. Esta parecia ter permanecido intacta. Estranharia se fosse diferente. Em certo modo apreciava aquele Malfoy, era de seu total estimo e agrado que não houvesse mudado. Mas havia algo fora de lugar. Talvez o fato do outro estar se contendo nas palavras ferinas.

Onde estavam os insultos e agressões verbais que tanto apreciava? Não era um masoquista, claro. Mas sentia falta das pequenas discussões com aquele sonserino mimado e débil. Sorriu ironicamente ao ouvi-lo falar e olhou em seu relógio de pulso por dois ou três segundos. Atrasado. Mas haviam se passado apenas dez minutos. Malfoy era uma rainha do drama.

– Meu relógio está em perfeitas condições, Malfoy. Você simplesmente não conseguia ficar um minuto a mais sem me ver?

Espetou-o propositalmente e deu alguns passos à frente.

– Dez minutos sem mim te matariam, não é mesmo? Admita.

Mais três passos e estava diante dele, quase poderia sentir sua respiração. Não era idiota ou bobo, mas muitas vezes suas atitudes impulsivas o metiam em problemas. Na maioria das vezes, aliás. As palavras do ex-sonserino atingiram seus tímpanos e abriu um meio sorriso. Aquelas palavras, a atitude tão típica, querendo estar por cima e controlar a situação. Certas coisas nunca iriam mudar.

– Não está no comando aqui, doninha. E até onde eu sei, nunca seria capaz de estar.

Declarou altivamente. Sim, aquele loiro arrogante não mandava em nada. Quem estava no controle definitivamente era ele. E Harry adorava aquela situação, tiraria o máximo de proveito ali.

– Curioso? Não fique... logo estaremos lá...

Começou a andar em direção à um ponto de ônibus e esperou que o outro o seguisse.

– Fica em um bairro muggle, não podemos aparatar, e meu carro está na oficina. Se contente com um ônibus.

Riu baixinho, enquanto apreciava a reação do outro.

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~ Draco ~

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'Quanto mais desse inferno será necessário?', a pergunta assolava o jovem Malfoy. Já não fosse mais do que o suficente estar preso naquela burocracia que o empurrava direto para as ordens de Potter, Draco ainda tinha que se manter submisso – e essa palavra causava calafrios – à todas as oportunidades de ferir o moreno. Alguma coisa havia mudado com Potter... talvez depois de ter visto a guerra tão de perto e perder alguns daqueles que ele considerava importantes – ora!quem liga pra um Weasel a mais ou a menos no mundo? Há tantos deles! – ele estivesse 'aproveitando' a sensação de poder ter a situação sob controle novamente. Não que fosse durar muito, na visão de Draco Malfoy. Um esgar cínico tomou os lábios com as constatações de Potter, nem com o seu autocontrole beirando a perfeição Draco ignoraria tais palavras.

— Ao contrário de você Potter... — E ao pronunciar 'o' nome aquilo assemelhou-se muito ao desprezo usado pelo professor Snape na época do colégio — ... eu tenho alguma educação e a noção de que atrasos são intoleráveis. Bem, mas o que se esperar de alguém que foi criado por...

Deu os ombros ao invés de terminar a frase. Pegando pesado? Não para um Malfoy. Ao que parecia Potter – e Merlin!Até mesmo pensar no nome trazia desprezo à mente – estava contente com a sua posição de 'poder'. Draco segurou os xingamentos ao ser chamado de 'doninha' o 'Garoto-irritante-que-não-morre-de-jeito-nenhum' estava tentando irritá-lo. E conseguindo com louvores.

Apertou as mãos em punho, quando o moreno começou a caminhar na direção contrária. Ainda não havia lhe dito para onde estavam indo e a curiosidade de um Malfoy, como é bem sabido, é um dos defeitos que assolam toda uma família, que diferentemente dos outros reles mortais, não demonstra esses defeitos. Draco preparava-se para lançar outra pequena observação, desta vez sobre o lugar deplorável onde Potty havia se instalado, mas foi interrompido pelo outro. Até nisso Potter era desagradável.

Fica em um bairro muggle, não podemos aparatar,

Certo, ficava em um bairro muggle – como já era esperado – mas a capacidade mínima de raciocínio de Potter não havia o lembrado de dizer o que ficava no maldito bairro muggle! Draco adiantou seu passos, ainda em silêncio para não perder o seu tutor de vista. Potter continuo o seu pequeno monólogo, já que Draco estava negando-se à alguma interação verbal no momento.

e meu carro está na oficina.

Carros eram aquelas coisas muito estranhas que os muggles haviam inventado para se locomoverem. Draco não tinha um carro já que aparatar era mais rápido e carruagem eram incomparavelmente mais elegantes. Mas sabia o que era um carro, claro.

Se contente com um ônibus.

Ônibus? Draco apertou as sobrancelhas e uma ruginha – mínima e praticamente imperceptível – se formou entre os olhos azuis. O que diabos era um ônibus. Ergueu os olhos para Potter que o fitava com certa diversão, esperando – certamente – por alguma reação de sua parte. O grande problema era que ele não tinha idéia do que era um ônibus. E pela satisfação de Potter ao dizer-lhe isso, achava que não gostaria nada do ônibus. Pigarreou enquanto uma muggle velha passava por ele e esperou ela estar longe o suficiente para perguntar em um tom baixo, porém perfeitamente audível.

— Potter, o que é um ônibus?

Não era como se ele estivesse orgulhoso de perguntar alguma coisa ao 'Testa-rachada-que-não-morria' mas ele não tinha o mínimo conhecimento sobre artigos trouxas. Sabia o que eram carros porque o Ministério os usava, sabia o que eram Motos porque segundo sua mãe um de seu tio possuía uma – mesmo que ele não fosse um tio e que tivesse saído da árvore da família Narcissa não perdia a oportunidade de falar de Sirius Black. Mas ônibus? Nem mesmo nas aulas do Carrow isso chegou a ser mencionado. Se bem que os Carrow não eram exatamente muito instrutivos. Potter deveria explicar-lhe o que eram essas coisas então. Um grande... carro vinha se aproximando pelo outro lado da rua, coisa que Draco não deixou de notar... talvez porque era vermelho berrante. De extremo mal gosto, na sua opinião.

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Continua...