N/A. A todos os leitores fofos que acompanhavam essa fic, mil perdões, faz um longo tempo que não subo ela. Mas o jogo de rpg no orkut que ela foi baseada acabou. Vou compartilhar com vocês os últimos turnos que Kaorih e eu tivemos. (Saudades eternas do meu Draquinho)

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~ Harry ~

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Ah sim, o bom e velho Malfoy. As belas e ferinas palavras estavam quase de volta. Faltava tão pouco para estar completo. Sentia falta daqueles insultos que somente Malfoy poderia proferir. Masoquista? Talvez.

Ignorou completamente os comentários do outro sobre horários e sua criação trouxa. Quem ligava para horários afinal? Não era conhecido por ser o mais pontual, deixaria isso para os cavalheiros de plantão. Não que Malfoy fosse um cavalheiro, era apenas um menininho mimado, filhinho de papai e completamente fresco.

O ponto de ônibus estava vazio para sua sorte e pode dar mais atenção ao loiro que se aproximava de si. - Potter, o que é um ônibus? - Havia pergunta mais doce e divertida? Ah, como iria se divertir naquele dia. Seu sorriso aumentou ainda mais ao ouvir a indagação do ex-sonserino. Era um sorriso maroto e seus olhos brilharam por trás das lentes ao finalmente dar a explicação que o outro ansiava.

– Conhece o Nôitibus Andante, Malfoy? - Começou a falar pausadamente, usando um tom que geralmente se usa com uma criança pequena, tentando lhe ensinar algo muito importante.

– É mais ou menos parecido. Um meio de transporte coletivo muggle. Mas será muito mais esclarecedor para você ver um de perto. E veja... parece que nosso ônibus já está chegando. - Enquanto falava, o ônibus que esperavam realmente se aproximava, era vermelho e possuía dois andares. Harry deu sinal para que parasse e esperou pelo mesmo.

Olhou com o canto dos olhos para Malfoy e sorriu internamente. Ron iria adorar aquela informação. Um Malfoy andando de ônibus, rodeado por muggles de classe social baixa. Havia humilhação melhor? Quando o transporte parou à sua frente, o moreno esperou que a porta se abrisse e subiu. Olhou para trás e indicou ao outro que o seguisse. Pagou ao cobrador as duas passagens e se sentou em um dos bancos que ficava no final do veículo. A viagem não seria tão longa. Mas talvez para o ex-sonserino fosse uma viagem para o inferno.

– Aproveite o passeio e a vista.

Queria ter uma câmera em suas mãos, queria imortalizar aquela cena tão linda. Por breves segundos teve saudades de Colin e sua inseparável câmera. Como ela fazia falta em momentos assim. Poderia evitar tudo aquilo e poderia ter simplesmente pego um táxi, seria bem mais confortável para o loiro oxigenado. Mas então perderia toda a diversão.

Malfoy não precisava saber da existência do táxi, pelo menos não por enquanto. Talvez comentasse em um momento posterior. Aquela cena que se desenvolvia diante de seus olhos era tão surreal. Nunca em um milhão de anos acreditaria se lhe dissessem que um dia teria que "supervisionar" aquele maldito filhinho de papai. Mas talvez ser babá não fosse assim tão, iria se divertir infernizando a vida daquela doninha. Aproveitaria cada momento em que estivesse no controle. Uma doce e maravilhosa palavra. Controle.

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~ Draco ~

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Por mais que Draco estivesse se esforçando ao máximo, aquela conversa simplesmente não estava rendendo bons frutos, de fato, fruto nenhum. —Conhece o Nôitibus Andante, Malfoy? — Resmungou o 'Não' aparentemente constrangido, que passou em branco pelo entendimento de Potter, o que não deixava de ser uma vantagem para o loiro, afinal, passar-se por estúpido em frente ao detestável que o acompanhava não era o que tinha em mente com aquele 'passeio'. Não que ele tivesse planejado alguma coisa.

— Mas será muito mais esclarecedor para você ver um de perto. E veja... parece que nosso ônibus está chegando. — Draco inclinou-se, tentando ver do que diabos Potter estava falando. A compreensão bateu tão forte nele que ele imaginou que tivesse sido o ônibus. O GIGANTE, VERMELHO E MULGGLE ônibus! Potter não poderia obrigá-lo a entrar em uma coisa daquelas. E as doenças?! Muggles tem doenças e iriam fazer com que ele ficasse doente também!

Oh, mas Potter estaria muito morto se Draco ficasse doente. Voltaria do inferno só para puxar a perna daquele... AH! MUGGLES! Potter estava entrando no ônibus e pretendia deixá-lo ali! Seguiu – com extremo desgosto por estar sendo obrigado a fazer isso – o rapaz moreno. Potter havia entregue alguma coisa ao homem sentado ali.

— Vocês se conhecem? — Perguntou ao homenzinho atarracado que o fitou como se ele fosse louco.

— Passe de uma vez, está atrapalhando. — Uma criatura pronunciou-se fazendo com que Draco virasse para fitá-la. Não deveria tê-lo feito, a velha era mais feia do que um filhote de basilisco manco. E basilisco nem tinham pernas! Além de tudo, mais isso!

Um Malfoy não deveria ser exposto a um lugar com pessoas feias, porque todo Malfoy é perfeito, e incrivelmente modesto, por natureza! E aquela velha – será que era uma mulher? – não era digna de andar na rua para assustar criancinhas, quanto mais para dirigir a palavra a um Malfoy.

Antes que ele pudesse revidar, e colocá-la no seu lugar merecido, o homenzinho (aquele, amigo do Potter) juntou-se a velha fazendo uma carranca. Bem, contra feiura não há argumentos. Draco marchou batendo os pés o mais forte que conseguia, até onde Potter havia se sentado, ocupando o banco do lado. Aquela não era uma viagem confortável.

E havia um grupinho de muggles cheio de espinhas olhando para eles. Certamente para ele já que Potter não tinha atrativo, ou carisma suficiente. Mesmo assim elas eram irritantes, muggles e cheias de espinhas e a risada delas estava começando a irritá-lo.

Aparentemente ele e Potter manteriam o silêncio mortal até que chegasse ao trabalho estipulado pelo ministério. Não que ele estivesse achando ruim. — Eu sou uma senhora idosa. — O 'monstro' havia surgido quando ele estava muito ocupado ofendendo Potter, que parecia apreciar a vista – suja, imunda e ridícula – da viagem, e ela estava falando novamente com ele. Já era demais para ficar calado. O que diabos ela queria, ressaltando um fato óbvio da natureza? Ela deveria ter conhecido Merlin quando ele era criança.

— Não é minha culpa, reclame com Deus quando encontrá-lo, Não vai demorar mesmo...

Draco se sentiu como se tivesse tatuado um hipogrifo no rosto. O ônibus fitava-o em choque, e a velha parecia a beira das lagrimas. Pensando bem a viagem era até divertida.

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~ Harry ~

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Olhava a cena a sua frente com extrema satisfação, e poderia dizer que estava fazendo um esforço sobre-humano para não se matar de rir ali mesmo. A situação era demasiada engraçada, hilária. Não havia castigo mais divertido para um Malfoy do que interagir com Muggles.

Quando viu a cara de horror de Malfoy, ao olhar àquela senhora idosa, quase engasgou em seu próprio riso. Estaria sendo muito mal ao deixá-lo sozinho naquele mundo desconhecido? Nem um pouco, era bem merecido que o outro sofresse algumas provações. Mas Harry jamais esperou os acontecimentos que se seguiram alguns minutos depois e se bateu mentalmente.

Deveria ter ficado um pouco mais atento, afinal aquele idiota mimado não estava acostumado a lidar com as pessoas. E esperar um pouco de tato, era pedir muito daquele ex-sonserino arrogante. Ao ouvir a resposta estúpida e desprovida de solidariedade por parte do outro, Harry lhe deu um tremendo cutucão na costela, enquanto se virava para a velha senhora e tentava remediar a situação difícil que havia se instaurado naquele ônibus.

– Me desculpe senhora, meu amigo aqui realmente não quis dizer isso. Acabamos de receber uma notícia ruim e ele ainda está em choque. Não releve suas palavras, por favor.

Olhou para o companheiro de viagem claramente o desafiando a dizer qualquer outra idiotice, para prejudicar aquela pobre velhinha. Obviamente não fora necessário mais nenhum alarde dentro daquele transporte, pois a parada que deveriam fazer estava próxima. Harry se levantou e permitiu que a senhora idosa sentasse em seu lugar, lhe sorriu gentilmente enquanto voltava a pedir desculpas pelos maus modos do "suposto amigo".

– Vamos Malfoy, nós descemos no próximo ponto.

Voltou a andar para a frente do ônibus, dando sinal para que o motorista parasse no próximo ponto. Talvez ser a babá de Malfoy não fosse tão divertido afinal, se aquele tipo de situação voltasse a se repetir.

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~ Draco ~

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Aquela situação ridícula já começava a passar de uma situação ridícula simples para uma situação ridiculamente grifinória! Desde quando um Malfoy tem que conviver com tipos como aquele monstro? E quando foi que aqueles ogros horríveis receberam o status de ser humanos? Muggles eram decepcionantes. Potter também. Draco deixou uma exclamação escapar dos lábios quando sentiu o cotovelo de Potter se chocar contra suas costelas.

O que ele estava pensando?! Nunca tinha notado o quão branca era a pele de um Malfoy? Aquilo iria deixar um hematoma gigantesco e roxo pelas próximas semanas ou até mesmo meses! E se Draco sofresse uma hemorragia interna? Quem iria arcar com as conseqüências? Potter? Oh não, nunca 'Potty-eu-não-morro'. Pensou em devolver a agressão, mas a idéia de empurrá-lo na descida do ônibus parecia ainda mais fascinante para o jovem Malfoy.

— Me desculpe senhora, meu amigo aqui realmente não quis dizer isso.

— Não sou seu amigo, e eu sei exatamente o que eu quis dizer. — Respondeu insolentemente, em voz baixa, não arriscando-se a levar outra cotovelada do recém descoberto sádico que Potter era.

Deixou que Potter continuasse falando e assim que a velha sentou-se ao seu lado, quase pulou no colo da mulher sentada do outro lado. O quanto mais longe, melhor. Agora ele já sabia o que era um ônibus, era um lugar cheio de muggles, onde animais decrépitos afirmam sua condição pré-histórica e onde Potter tem amigos, amigos para quem ele deve dinheiro. Essa poderia vir a ser uma informação com algum valor, futuramente. Informação é a chave do poder, seu pai sempre havia dito-lhe isso.

Por um momento Draco distraiu-se com a paisagem. Não era um lugar inteiramente ruim. Possuía casinhas exageradamente insignificantes e quase amontoadas de tão perto que eram construídas uma da outra, porém, era até mesmo... bucólico. Porém aquele provavelmente não era o seu destino, Potter nunca o levaria para um lugar minimamente aceitável, ele se vingaria dos anos que sofreu com a perseguição dos sonserinos. Novamente os pensamentos do loiro eram interrompidos pela voz de Potter.

— Vamos Malfoy, nós descemos no próximo ponto. — Aparentemente ele encontrava-se... CANSADO! Ora pois, era exatamente o que Draco desejava, ia se livrar do castigo do ministério cansando Potter. E aparentemente atitudes como as que ele teve com a velha – perfeitamente aceitáveis, quando se é um Malfoy – ajudariam nesse processo. Ele só tinha que ser ele mesmo nada mais adorável. Levantou-se, seguindo as instruções de Potter e o seu sorriso completo mostrou-se mesmo que a sua mente não estivesse processando nada exatamente ortodoxo.

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~ Harry ~

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Maldito loiro oxigenado. Quem exatamente ele pensava que era, com aquele sorrisinho insuportável e perfeito estampado em sua face – não que achasse o maldito sorriso perfeito – ah, mas ele não sabia onde estava pisando. Harry iria se divertir, e muito, mostrando para aquele sonserino seu pequeno castigo. Ao finalmente descer do ônibus, esperou por Malfoy. Olhou ao redor, verificando o trafego de pedestres muggles no local. Não havia muitos, para a sua sorte. Voltou a focar sua atenção naquele loiro estúpido e o analisou por alguns minutos.

– Vamos deixar as coisas claras por aqui Malfoy, você não irá usar magia no lugar onde estamos indo. É um hospital muggle, muitas daquelas pessoas foram afetadas pela nossa guerra, de alguma maneira direta ou indireta. Não seja um furão idiota, aja com mais amabilidade.

Disse sério, demandando uma atitude mais madura do rapaz a sua frente – algo seriamente difícil – mas que ele estava disposto a conseguir. Depositou sua atenção em um prédio do outro lado da rua. Era um prédio novo e relativamente grande, com uma pintura em um tom pastel, algumas pessoas transitavam por ali. Saint Reneé era um hospital com ótimas referencias, apesar de ter sido inaugurado há apenas quatro anos. Tinha um ótimo atendimento e um bem feitor oculto que sempre estava ajudando.

– Vamos, é aquele edifício logo ali.

Apontou para o prédio e se dirigiu para o mesmo. Não demorou para chegarem, o local estava um pouco calmo, tranquilo. Harry parou próximo à porta giratória e voltou sua atenção para o loiro, precisavam esclarecer alguns mínimos detalhes.

– Ah... e quanto a sua tarefa de hoje, terá apenas que ler alguns contos, não é difícil.

Estava em uma batalha mental, aquela idéia dos contos foi de Hermione, mas ele não estava tão certo assim. Deixar Malfoy na área da pediatria, lendo contos para crianças pequenas seria no mínimo – catastrófico – Teria que ter uma atenção redobrada. Não deixaria a doninha estragar tudo, como sempre.

"Vamos Harry, não seja paranóico, Malfoy vai apenas ler algumas histórias... não tem como ele estragar isso. O que poderia acontecer de tão ruim?" Seus pensamentos tentavam ao menos lhe passar algum otimismo, e estranhamente tinham a vozinha irritante de Hermione. "Tudo pode acontecer. É a doninha, afinal" Balançou a cabeça negativamente para limpar sua mente. Ter as vozes de Mione e Ron em sua cabeça, lhe dando conselhos era uma tortura que não precisava naquele momento.

– Alguma dúvida? - Perguntou após alguns minutos de silêncio.

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~ Draco ~

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Vamos deixar as coisa bem claras aqui, Potter: Problema seu. Ah como ele gostaria de poder usar tais palavras livremente. Toda aquela conversa sobre 'as pessoas afetadas, blábláblá, whiskas sachê, blábláblá, eu tenho que salvar o mundo porque eu não morro...' era realmente cansativa. Quantas vezes havia escutado que o Eleito havia ajudado os feridos de guerra, que tinha ido visitar um orfanato, que tinha participado de um evento beneficente...

Na opinião de Draco aquilo tudo era fachada, Lucius sempre fez parte de grandes investimentos em prol da sociedade bruxa, mesmo que aquilo fosse só para dar a ideia de que os Malfoy estavam envolvidos com causas sociais, com Potter deveria ser a mesma coisa, ele havia se acostumado com a fala, logo, não aguentava ficar longe dos holofotes. Apesar de a teoria ter sérios furos, como o fato de que os Harry Potters das fotografias fugiam das fotos ao invés de ficar acenando como retardados – assim como o Potter em pessoa – Draco ainda defenderia sua teoria, secretamente.

Bem, não era de todo o mal Draco estava esperando algo do tipo visitar aurores para servir de saco de pancadas, então um hospital trouxa lhe pareceu levemente mais agradável. Se é que isso fosse possível. — Ah... e quanto a sua tarefa de hoje, terá apenas que ler alguns contos, não é difícil. — Oh, isso dependia de para quem essa tarefa fosse demandada, afinal se fosse um Weasel ou Longbottom provavelmente não seria assim tão fácil, eles poderiam ficar perdidos com tantas letras grandes juntas. HAHA. Okay, menos.

Potter queria saber se havia 'alguma dúvida' bem, haviam milhares delas! O que ele achava que estava acontecendo na cabeça de Draco? Porque se Potter esperava que ele fosse calmo e obediente a ele durante o resto daquele ano, estava muito enganado... Porque estava pensando isso mesmo?Deixe pra lá.

— Por quanto tempo eu vou ter que fazer isso Potter?

Pelo simples fato de que Potter era seu 'agente da condicional' – como Zabini havia citado, mesmo que ele não soubesse explicar exatamente o que era isso – Draco não poderia se expressar de uma maneira completa, se pudesse, ele estaria soltando insultos e avisando que não ia perder o dia todo com aquela bobagem de trouxas... Espera, se pudesse não faria isso, estaria fora dali no mesmo minuto. Não perderia tempo com Potter e seus belos olhos verdes... Oh, risque isso por favor, foi um lapso! Draco nunca havia reparado em Harry Potter! Nem nos olhos verdes e muito menos no traseiro arr...

Oh céus! Draco meneou a cabeça levemente, livrando-se de uma incomoda imagem mental. Iria fazer qualquer comentário grosseiro para sentir-se melhor, mas a voz fina e excitada chegou aos seus ouvidos. — Senhor Potter, o senhor veio!

Mordred seja justo, que coisinha feia era aquela garota. Enfermeiras deveriam ser bonitas, não? Não era um tipo de fetiche trouxa? — E vejo que trouxe um amigo...

Draco podia jurar que viu a coisa ronronar, tentando parecer... sexy? Tentativa falha. — Ele também é voluntário? — Não, estou aqui porque era isso ou voltar para uma cela de dois por dois em Askaban por um crime que eu não cometi, era a resposta que Draco tinha em mente, mas não deixou que as palavras tornassem-se audíveis. Ao contrário sorriu para a ruiva de cabelo espetado.

— Claro! Eu sou Draco, só quero ajudar. — E daria metade do dinheiro dos Malfoy para saber como Potter reagiria.