N/A. A todos os leitores fofos que acompanhavam essa fic, mil perdões, faz um longo tempo que não subo ela. Mas o jogo de rpg no orkut que ela foi baseada acabou. Vou compartilhar com vocês os últimos turnos que Kaorih e eu tivemos. (Saudades eternas do meu Draquinho)
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~ Harry ~
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Foi parcialmente distraído pelas crianças daquela sala. Adorava estar na presença daqueles pequenos anjinhos. Talvez sentisse um pouco de falta disso em sua vida, poder cuidar de alguém e amá-lo incondicionalmente. E ser amado de igual maneira. Um sorriso genuíno adornava sua face enquanto olhava para cada um daqueles rostinhos. Talvez em uma próxima visita pudesse convidar Ginny a acompanhá-lo, com certeza sua doce e adorada noiva iria ficar encantada com o convite. E obviamente não estava pensando em Ginny para poder afastar imagens mentais pouco ortodoxas de sua mente, que envolviam certo loiro arrogante e malditamente sexy.
E definitivamente não achava que Malfoy fosse sexy. Seus olhos tão pouco comuns, aquele sorrisinho sarcástico e os fios quase platinados. Nada em Malfoy era sexy. E em nome de Merlim aquela maldita palavra casal não estava surtindo efeito algum em sua mente. "Continue negando companheiro, isso pode se tornar verdade." - Sim Ron, vou negar até o dia em que você reunir coragem suficiente para pedir Hermione em casamento.
Deveria estar fazendo algum tipo de expressão engraçada, por que quando finalmente voltou à realidade, duas meninas de nove anos mais ou menos o olhavam e continham a vontade de rir. Harry sorriu um pouco sem graça e acenou para elas. A enfermeira se aproximou de si e com voz doce lhe indicou os livros de história que deveriam ler para as crianças. – Naquela prateleira próxima à janela... - o ex-grifano acenou afirmativamente.
– Obrigado!
Andou até os livros e analisou alguns. Deveria procurar Malfoy, afinal a tarefa de leitura era exclusivamente dele. Não precisou de muito tempo afinal. O loiro estava vindo em sua direção. Harry apreciou a cena à sua frente com certo fascínio, não era todos os dias que poderia ver Malfoy interagindo com algumas adoráveis crianças, sem estar gritando ou proferindo maldições. Olhou para o garotinho que agarrava firmemente a mão do ex-sonserino e um leve calor passou por seu peito. A cena em si era estranha e adorável.
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~ Draco ~
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Aquele era um sacrifício que Draco não tinha muita certeza se estava disposto a fazer. Aguentar o moleque agarrado a ele era mais penalização do que havia esperado. Puxando o menino pela mão, aproximou-se de Potter. Agora só tinha que livrar-se do pequeno incômodo que atendia por James.
— Potter, esse é James. James esse é Harry Potter e eu preciso falar com ele.
Esforçou-se ao máximo para que não houvesse muita irritação em sua voz, para que não assustasse a criança e ele saísse berrando e chorando. Aparentemente havia conseguido, uma vez que o menino sorria seu sorriso sem dentes. — Olá senhor Potter. - olhando daquele angulo... Ele era até engraçadinho. Merlin, o que estava pensando.
— James, porque você não vai brincar com a Desdemona e me deixa falar com Potter.
— É uma conversa de adultos? - ele questionou e Malfoy rolou os olhos.
— É sim, agora... Vai. - disse, soltando da mão do garotinho, que ainda lançou mais um olhar cumprido na sua direção, como um cachorrinho abandonado, antes de ir para a companhia da menininha assustadora e bruxa.
— Serei objetivo. Largue esse livro porque nós temos que sair daqui agora. - tentou, ao menos. Mas é claro que tudo aquilo soava como uma desculpa para se ver livre daquele lugar o mais rápido possível. Passou a mão pelos cabelos, lançando um olhar discreto as crianças que conversavam.
— Desdemona é um nome comum entre trouxas? Porque... 'Desafortunada' não soa como Muffin e Britney.
Mas Potter não era bom com indiretas e ele tinha que se lembrar disso antes de falar. Rolou os olhos impaciente. Será que teria algum momento em que a genialidade adormecida em Potter iria acordar e se mostrar para o mundo? ... Nah, sem chance.
— Aquela pirralha ruiva é uma bruxa, Potter. Ela não deveria estar aqui... Crianças bruxas fazem coisas... Engraçadas, e os trouxas não veem isso muito bem. Ela pode se machucar.
Não havia pensado muito antes de dizer a última frase. Não era como se estivesse preocupado com ela. Nada disso, era só... Ah esqueça.
— Se ela está doente, nós temos que levá-la ao St. Mungus. - pontuou para finalmente calar-se. Já havia dito mais do que era necessário e mostrado mais preocupação do que o saudável.
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~ Harry ~
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Desconcertado seria uma palavra interessante para se usar naquele momento. Harry não sabia exatamente o que pensar ou como agir. Não conhecia aquele Malfoy à sua frente. Ele parecia tão humano. Era tão mais fácil interagir com um Malfoy estúpido e insensível. Dentro de si a confusão era palpável.
– Olá James, me chame só de Harry okay? - sorriu para a criança.
O menino merecia seu respeito, afinal havia conseguido arrancar algo de humanidade de Malfoy. Não pode negar que o nome da criança mexeu consigo, e o sorriso inocente e encantador o fez pegar uma simpatia imediata. Observou a criança se afastar e voltou a focar a atenção no ex-sonserino. Nunca pensou que Malfoy pudesse falar tanto em tão pouco tempo. Falar e mandar. "— Serei objetivo. Largue esse livro porque nós temos que sair daqui agora.
Cruzou os braços e apenas olhou para o outro, tentando entender a atitude tão demandante. – Espera Malfoy, nós não va...
Suas palavras morreram antes mesmo de serem proferidas. O que o outro lhe disse em seguida o deixou perdido. Malfoy realmente se importava com outra pessoa que não era ele? Uma criança. O mundo estava se tornando um lugar estranho e caótico.
– Como pode ter tanta certeza? - falou mais para si mesmo do que o outro. Olhou para a menina ruiva e pensou no que o sonserino havia lhe dito. Aquilo não parecia uma desculpa para sair do hospital, nem mesmo Malfoy iria usar uma criança como desculpa. Mas se o que ele estava dizendo era verdade, não poderiam deixar a menina naquele lugar.
– Olha Malfoy, nós não podemos ir embora agora. Você ainda tem que ler essas histórias, ou vai decepcionar as outras crianças e o James. - disse um pouco incerto, ainda se sentindo perdido naquela situação.
– Mas se o que você disse for sério, então vamos tirar ela daqui, mas por meios legais. Vou contatar a Hermione, ela vai saber o que fazer.
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~ Draco ~
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Às vezes se pegava perguntando se toda aquela ignorância de Potter era realmente ignorância, ou era ingenuidade. De qualquer coisa, não era uma característica que um homem adulto devesse continuar conservando. O mundo não era para os inocentes, era para aqueles que entendiam rapidamente pequenas sutilezas dos processos de uma sociedade decadente. E o crédito por essas palavras era de Lucius. — Mas se o que você disse for sério, então vamos tirar ela daqui, mas por meios legais. Vou contatar a Hermione, ela vai saber o que fazer.
Talvez, e apenas talvez, Potter fosse realmente tão inocente quanto parecia. Meios legais? De quem ele estava falando?
— Potter, você nunca prestou atenção nas aulas de História de Magia? - perguntou em um tom mais baixo, para que não fossem escutados.
— Da última vez que uma doença bruxa se espalhou pelo muggles, cerca de setenta e cinco milhões de trouxas morreram. Ou você nunca ouviu falar da 'Peste'? Então você pode me explicar porque você parece não estar levando isso a sério?
Seu tom era sério e as palavras eram ditas muito rapidamente, então era possível que Potter tivesse perdido algum detalhe no caminho. Bem, sempre era provável, tratando-se de quem se tratava. Draco já havia considerado, se a grande vitória do 'Eleito' não havia sido apenas um golpe de sorte do grifano.
— Se você conseguir viver com o peso de milhares de mortes nas suas costas, vamos em frente e lemos essa maldita história. Mas se você quer fazer alguma coisa que realmente importe, eu acho melhor começar a arranjar um jeito de levar essa garota daqui. Agora.
Talvez um pouco dramático, mas a parte das mortes havia sido simplesmente, genial.
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~ Harry ~
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A situação em si era no mínimo curiosa. E naquele momento não poderia culpar ninguém. Ou talvez sim. Culparia Ron pela ideia brilhante de fazer Malfoy pagar serviços sociais. Culparia Hermione por obrigá-lo a ser o tutor de condicional de Malfoy. E culparia a doninha loira por ser tão idiota e dramático. Uma possível enxaqueca estava lhe fazendo companhia, enquanto o ex-sonserino ainda falava consigo.
Mas na medida em que as palavras saíam dos lábios do outro, o mundo de Harry começou a ruir. Talvez estivesse sendo dramático, ou não. Mas o fato era que algo dentro dele começou a se quebrar. Se ele alguma vez prestou atenção nas aulas de História da Magia? Claro que não! Pergunta idiota. Mas talvez devesse ter prestado. Peste? Mortes? Do que exatamente Malfoy estava falando? Harry sentiu algo dentro dele começar a quebrar. Estava se sentindo 'doente' com a mera hipótese de causar ainda mais mortes.
Mordeu o lábio inferior e sentiu o gosto metálico de seu próprio sangue. Aquilo havia sido um golpe baixo, muito baixo. Mas ele não tinha argumento algum. Abaixou a cabeça, deixando a franja cobrir seus olhos e respirou profundamente, enquanto escutava as crianças ao seu redor conversarem e rirem. Seu coração se apertou dolorosamente em seu peito. 'Não vai haver mais mortes, não...'
Levantou o olhar para o outro com uma expressão ilegível em sua face, e aquela falta de brilho em seus olhos. Velhas cicatrizes eram impossíveis de se fecharem, principalmente quando teimavam em reabri-las. Naquela noite os fantasmas de Harry iriam lhe fazer companhia.
– Pegue a menina, Malfoy. Estamos saindo daqui. - disse sem emoção alguma, enquanto se dirigia até a enfermeira e a levava para fora daquele recinto.
– Harry? O que você queria falar de tão importante? - a jovem enfermeira o olhava curiosa. Estavam parados do lado de fora da pediatria, a porta estava fechada e não havia mais ninguém ali. O jovem auror a olhava sério.
– Me desculpe. "Obliviate".
Ergueu a varinha e lançou o feitiço na mulher, esperava sinceramente que aquilo não lhe causasse sequelas. Se sentiu miserável por aquelas ações. Modificou suas memórias, para que pudesse tirar a criança dali, sem problemas. E voltou para dentro da pediatria, procurando por Malfoy e a menina.
– Vamos Malfoy.
