N/A. A todos os leitores fofos que acompanhavam essa fic, mil perdões, faz um longo tempo que não subo ela. Mas o jogo de rpg no orkut que ela foi baseada acabou. Vou compartilhar com vocês os últimos turnos que Kaorih e eu tivemos. (Saudades eternas do meu Draquinho)

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~ Harry ~

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Não se recriminava por suas últimas ações. Longe disso. Não estava se afundando em auto piedade ou depressão. O fato de estar sozinho em sua casa, tomando o seu quinto copo de Firewhiskey, às cinco da tarde, não influenciava em nada. Sua mente vagou para o último mês e constatou o quão estúpido havia sido. E Hermione deixara claro, em cada reunião após o sucedido. "Como você pode fazer isso Harry? Usar um feitiço em uma muggle."

Ah sim, sua adorável amiga fez questão de lhe passar um sermão completo de sua atitude impulsiva e idiota. E tudo o que poderia ter acarretado à sua carreira de auror. E tudo por quê? Pelo simples fato de ter sido levado pelas suas emoções e certo loiro idiota que não conseguia manter a boca fechada. O que poderia ter feito? Toda aquela conversa havia lhe tocado profundamente, não tinha o coração para deixar a menina naquele hospital.

Quando jogou o obliviate na enfermeira e levou a criança daquele hospital muggle, estava quase certo de que havia feito o melhor. Malfoy o acompanhou durante todo o percurso. Mas então, haviam se visto apenas naquela semana. O resto dos dias foram gastos com Hermione interferindo em suas ações impulsivas e livrando sua pele de uma possível reprimenda. A garotinha, Desdemona, como Malfoy lhe dissera anteriormente, era uma bruxa.

E pelas analises do St. Mungus a pequena estava mesmo doente. Ao menos a doninha não estava tão errada assim. Suspirou cansado e tomou o resto Firewhiskey em seu copo. Já fazia quase um mês que não via Malfoy, estava negligenciando seu trabalho como agente de condicional. A menina estava sendo tratada no hospital, e os Healers estavam sendo positivos quanto ao seu caso. Mas Harry sentia um leve aperto em seu peito.

Naquela manhã Hermione veio lhe visitar, informando o estado da pequena, e também sua agenda para a próxima semana. No último mês havia fugido de Malfoy, mas não podia continuar a ser um covarde idiota. Levantou-se do sofá e foi tomar um banho. Em seguida se dirigiu ao Hospital Saint Reneé, certo garotinho naquele lugar deveria estar se sentindo um pouco solitário.

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~ Draco ~

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Rolou os olhos enquanto eles não se sentavam de uma vez. Era estranho, mas havia... Se acostumado a sair todos os dias e fazer o longo caminho até o Hospital. Muggle. Cheio de criancinhas sem nenhum traço de sangue bruxo e doentes. Já havia se passado a hora diária que ele cumpria ali, e até agora: Nada de Potter. Estava fazendo tudo como a sentença previa – enquanto não conseguia revogá-la junto ao tribunal, mas não viu mais Potter depois do episódio de seu primeiro dia.

Desdemona talvez tivesse mais sorte do que seu nome previa, agora estava entre os dela e assustava os visitantes com seus olhos vítreos e suas palavras duras. Sabia disso porque foi visitá-la mais de uma vez. Simples curiosidade, só isso. A enfermeira veio até ele com passos vagarosos e o mesmo sorriso complacente que apresentava todos os dias. Era uma mulher frágil, se esquecera do primeiro dia pelo Obliviate – demasiadamente forte – de Potter, mas o tratava com toda a gentileza, sem associar seu nome ao do auror.

— Bem, seu horário por hoje terminou Senhor Malfoy.

Draco se limitou a acenar entendendo a mensagem, mas não se retirou de imediato. Sempre tinha uma despedida diferenciada de uma criança em especial.

— Eu vou falar com James e então eu vou.

Ela sorriu com ainda mais ânimo – se é que isso era possível – e o deixou livre para falar com o garotinho que tentava (sem sucesso) reler o livro daquela tarde sozinho. Gostava do empenho dele, uma pena que fosse muggle, daria um bruxo excelente.

— James?

Ele ergueu os olhos curiosos, mas não sorriu. Malfoy só ia falar com ele quando estava na hora de ir embora. Misteriosamente não era mais tão agradável dizer que 'voltava no outro dia' parecia uma desculpa tosca. — Você volta amanhã, sim?

Afirmou com um gesto silencioso e os olhos verdes sorriram... O que diabos estava fazendo? Pegou-se fitando o garotinho sentado não chão e se perguntando por que ainda fazia questão de aparecer no Hospital todos os dias. Se Potter não fazia questão, não era obrigado, certo? Certo. Era isso, estava sendo influenciado pelo clima de amor e esperança idiotizante que Potter o transmitiu no primeiro dia. Alguns dias de férias e não iria mais sentir falta dali. Se bem... Que não tinha ido embora ainda, tinha? Ao contrário havia achado um lugar para sentar-se perto de James enquanto o menino discorria sobre qualquer assunto sem importância. Estava aprendendo a ouvi-lo. Isso não poderia ser bom.

De repente os olhos de James mudaram de direção e ele parou de falar. Fitava a porta antes de sair correndo e deixar Barney – o dinossauro – nas mãos de Draco. Virou-se lentamente para ver quem havia chamado tanto a atenção do pequeno. Sua surpresa foi vê-lo agarrado nos ombros de Potter.

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~ Harry ~

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Antes de ir para o hospital, Harry tomou uma boa dose de poção para ressaca. Tudo o que precisava para estar completamente acordado. Passou pelo escritório de Hermione, para recuperar o protocolo de Malfoy, deveria saber o que o outro estava fazendo em sua ausência. Iria deixar de ser tão negligente com seu trabalho. A surpresa fora grande ao descobrir o que o outro andou fazendo em sua ausência. Aquele loiro arrogante realmente estava fazendo visitas diárias ao hospital muggle? Ora, que estranha surpresa.

Com uma decisão renovada, Harry se dirigiu ao hospital, antes dera uma passada em uma loja de artigos mágicos para crianças. Comprou uma linda boneca de porcelana que ria quando escovavam seus cabelos, e um pequeno dragão de pelúcia branco de olhos cinza que ronronava quando era abraçado. Deixou a boneca com Desdemona, no St. Mungus e prometeu à pequena que sempre iria visitá-la. A menina sorriu docemente e lhe entregou um desenho. – Dê ao James, por favor, Sr. Potter.

Harry afagou seus cabelos vermelhos e assentiu. Iria cuidar de seu caso bem de perto. Ron o havia alertado sobre um grupo de adoção, que estaria disposto a encontrar uma boa família para a garotinha. Alguns minutos depois, quando Harry chegou ao hospital muggle, fora saudado por um efusivo abraço. James praticamente saltara ao seu encontro. Com um sorriso divertido recolheu o pequeno em seus braços e lhe proporcionou algumas cócegas.

– Ei pequeno, me desculpe por demorar tanto. Aqui... isso é pra você.

A criança riu com as cócegas e apertou a bochecha esquerda do adulto que a segurava.

– Tudo bem Sr. Harry, eu sabia que você ia voltar.

Um minuto depois olhou para o pequeno dragão que lhe era entregue e o sorriso mais adorável adornou sua face.

– Pra mim? Ele é... ele é lindo, obrigado Sr, Harry.

Abraçou o pequeno dragão, encantado. Harry levantou o olhar e ficou surpreso ao ver Malfoy naquele lugar. O horário de visitas já havia terminado, afinal. Harry apenas burlara algumas regras. James voltou sua atenção para Draco e acenou alegremente para ele, mostrando o dragãozinho branco.

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~ Draco ~

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E agora mais aquela. Desviou os olhos rapidamente – talvez ele não o tivesse reconhecido. — DRACO, DRACO! - bem, todas as chances de não ser reconhecido se esvaíram com o escândalo que James fazia. E ainda chamando-o pelo primeiro nome. Tentou ignorar, mas o pequeno praticamente enfiou o dragão no seu rosto. — Olhe o presente que eu ganhei!

Ele se abraçou ao bicho que soltou um rugido resoluto. Provavelmente Potter havia comprado aquilo no Beco Diagonal, lembrava-se de ter algo parecido quando criança. Draco limitou-se a erguer as sobrancelhas tentando parecer o mais distante possível. Claro que crianças eram compradas com presentes, o que mais podia esperar? Só não esperava que Potter usasse desse artifício para conquistar os pequenos, achava que a conclusão óbvia havia sido só sua. Pela primeira vez prestou atenção no que James dizia, ou melhor, lhe perguntava tão avidamente.

— E então... Eu posso chamá-lo de Draco? É Dragão não é? E ele tem olhos assim feito os seus...

Ele ainda se lembrava? Aquilo era notável para uma criança com a quantidade de informação que ele recebia por dia.

— Pode chamá-lo como quiser, ele é seu, não é?

James cantarolou que 'é sim' e saiu para mostrar a nova aquisição para as outras crianças. Gostava dele, o moleque sabia jogar na cara dos outros que ele possuía algo e eles não. Tipicamente... Tipicamente nada. Era apenas um muggle. Mais um. Aproveitando que ele se afastara, levantou-se e ajeitou as vestes, não que elas estivessem fora do lugar, só não sabia como iria até Potter para perguntar por que diabos ele havia desaparecido no último mês. Não era da sua conta, era? Nem pensar. Só queria saber se aquele mês ia ser descontado da sua sentença ou não. Caminhou meio indeciso até o auror que não parecia tão deslocado quando ele.

— Bom dia - começou cortês. Ia tratar apenas de negócios.

— Se você falar com a enfermeira vai saber que eu não faltei as visitas, pode marcar isso no seu relatório... Isso é, se você ainda estiver fazendo um, visto que nem se preocupou em vir até aqui durante todo esse tempo.

Era inevitável. Tinha que alfinetá-lo, não era sempre que podia – com razão – bronquear com Potter.

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~ Harry ~

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Riu com a atitude de James. O menino tinha uma presença tão única. Recriminou-se pela ausência nas últimas semanas. E tudo por uma culpa idiota, causada por um loiro mais idiota ainda. E que naquele momento estava sendo mais humano e adorável, conversando com aquela criança inocente. Balançou a cabeça, tirando os pensamentos incoerentes de sua mente. Ao mesmo tempo em que Malfoy se aproximava de si. O olhou com certa expectativa, mas não sabia exatamente o motivo.

As palavras do ex sonserino chegaram ao seu ouvido e suspirou baixinho, não podia replicar, o outro de alguma maneira estava certo. Ron o internaria no St. Mungus se o visse admitindo uma coisa dessas.

– Eu sei... acho que temos que conversar, Malfoy.

Disse baixo e voltou a encarar aquelas íris azul. No dia em que deixasse de ser impulsivo, seria o dia em que deixaria de ser Harry Potter, afinal. Acenou para James que brincava alegremente com as outras crianças.

– Desdemona está reagindo ao tratamento muito bem, ela é uma menininha bem forte.

Comentou ao acaso e retirou do bolso da jaqueta uma folha dobrada, entregou-a para Malfoy. Era um desenho infantil de uma casa enorme, com árvores ao redor, e quatro pessoas acenando. O desenho fora pintado com tinta mágica e as figuras se mexiam. Uma menininha de cabelo ruivo brincava com um menino menor, enquanto um rapaz de cabelo espetado acenava, mas havia um capricho bem maior no desenho do outro rapaz loiro, que sorria e acenava também.

– Ela me mandou entregar a você, fez um para o James também, mas eu tirei a mágica da tinta.

Foi até o garotinho, lhe entregando o desenho e lhe confidenciando que sua amiguinha logo ficaria boa. Os olhinhos de James brilharam com a notícia, e fez Harry prometer que viria mais vezes, assim como Draco. Harry afagou seus cabelos e prometeu.

– Agora James, preciso conversar com o Draco, nos vemos depois ok?

O menino acenou e com uma vozinha curiosa perguntou. – É uma conversa de adulto? -Harry acenou com a cabeça e o menino riu.

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~ Draco ~

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Potter sempre saía por cima, não importava em que situação, era relapso durante um bom tempo com suas obrigações e agora era praticamente recebido com um santo por ter voltado. Aquilo era ridículo, de fato. Fez um som desrespeitoso sobre o 'Temos que conversar' e mordeu a língua para não declarar que Potter parecia uma menininha falando com o namorado. Não ia ficar bem, não depois de todos os maus entendidos que já haviam ocorrido.

Quando ele falou de Desdemona quis mandá-lo a merda, mas pensou que não seria tão elegante quando o olhar cortante que podia dirigir ao espetado auror de baixo QI. Ele sabia como Desdemona estava porque a havia visitado, mais do que Potter talvez! E era pra ele que ela entregava o desenho? Tentou não demonstrar interesse. Mas... até que ela tinha talento. A não ser pelo sorriso atravessado de um lado ao outro do rosto do loiro, ela nunca tinha visto um daqueles e duvidava muito de que um dia iria. Duvidava que alguém iria. — Agora James, preciso conversar com o Draco, nos vemos depois ok?

Ele estava debochando. James lançou um último olhar divertido para a dupla antes de sair correndo, ainda abraçado com o dragão – o qual ele repetia: o nome era Draco. Só o que lhe faltava, realmente. Deixou que as crianças se afastassem, não queria que nenhuma presenciasse as palavras de baixo calão que poderiam vir a ser ditas durante uma conversa entre os dois. Cruzou os braços e encarou Potter como quem espera uma boa explicação, exatamente sua situação, de fato.

— É bom você voltar a me tratar pelo sobrenome Potter, não quero lhe dar ilusões de amizade.

Eram poucos os passos que os separavam do corredor. Acenou brevemente para a enfermeira enquanto passava pela porta, não iria conversar dentro da sala de terapia, lógico. Sentia-se patético em pedir explicações, mas era a coisa mais lógica a se fazer! E se Potter resolvesse não descontar àquelas horas? Ou pior, dizer que ele não estava cumprindo a sentença? Tinha certeza que Weasley ia adorar ver o loiro novamente em Askaban e deveria estar dando palpites a todo o momento sobre isso para Potter. O pior era que sabia o quanto o idiota podia ser influenciável, afinal, não havia outra desculpa para o comportamento maníaco suicida que ele apresentou na época da Guerra.

— Pode começar. - acenou como se fosse um professor, aguardando uma resposta de um aluno incapacitado. Nem deveria estar tão interessado na resposta. Não deveria.

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N/A. E o jogo de rpg no orkut terminou exatamente nesse turno. Talvez eu refaça essa história algum dia, com final. Obrigada a todos que leram sz