Capítulo. 12 - Nem tudo são flores.

O som do tiro paralisou a todos, durante os segundos mais duradouros da vida de todos. Quem não havia sido alvejado sentiu o coração revirar-se no peito pelo próximo. O coração de alguém batia tão forte que qualquer um escutaria, se prestasse atenção. Houve o som de queda, houve o som de passos.

Cuddy e House abriram seus olhos no mesmo tempo e se depararam com a realidade.
Tiler West, ou o que sobrara dele, estava estirado no canto da sala, jazindo numa poça de sangue que aumentava a cada segundo. Havia um buraco enorme na sua costa. Um buraco de bala.

E na direção contrária do corpo, estava ele. Vestindo jeans, tênis, e uma Mossberg Persuader de acessório. House olhou para ele, confuso com a cena em si e fechou os olhos. Cuddy correu e abraçou o amigo.

"James." - E ela desmanchou-se em lágrimas. Ela também estava surpresa em saber que seu amigo oncologista sabia manusear uma arma de calibre 12, mas isso era irrelevante. Tudo o que ela sabia era que estava viva, já que depois daquele tiro Tiler West deixara de existir. Wilson a apertou contra si, jogando a arma no chão e abraçando-a fortemente.

"Está tudo bem, acalme-se."

"Cud.. dy... ajude." - o grunhido doloroso de House interrompeu entre eles.

Cuddy desvencilhou-se do amigo e correu até House, ajoelhando-se nas suas pernas. Com todo cuidado, ela começou a dificil tarefa de desamarrá-lo. House respirava com dificuldade. Assim que Cuddy retirou a última amarra, com o rosto lavado pelas lágrimas, House tombou em seu corpo.

Ele estava muito, muito mal. Havia perdido uma quantia considerável de sangue. Cuddy temia o pior, enquanto o mantinha contra o seu corpo, na tentativa de manter o calor.

Do outro lado, Wilson agachou silenciosamente, pegou o celular de Tiler e colocou no bolso.

"Preste atenção, Lisa. Pegue a avenida principal. Vai chegar mais rápido ao hospital."

"Wilson, leve-o, por favor, eu estou com tanto medo... Por favor, venha comigo."

Apertando o volante até os dedos ficarem esbranquiçados, Cuddy ainda chorava. Ela não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Wilson, do lado de fora, lhe dava as instruções. Ao seu lado, House estava inconsciente, preso ao banco pelo cinto de segurança. Ela estava com o sistema nervoso no limite.

"Calma, Lisa! Você tem que ter calma. Você precisa chegar sã e salva naquele hospital ou os dois vão morrer, entendeu? Dirija com cuidado. Por favor."

"James..."

"Vou esperar pela polícia. Apenas vá."

Cuddy colocou o pé no acelerador.

"James, eu... Nós... Obrigada por salvar minha vida."

Ele deu alguns passos para trás e sorriu para ela enquanto apontava para House:
"Agora é a sua vez de salvar a dele."

E ela acelerou, deixando-o para trás.

Wilson ficou parado enquanto observava o carro ficar cada vez menor, até que finalmente desapareceu. Ele olhou para o portão enorme do galpão, olhou ao redor e deu-se conta de que estava absolutamente sozinho ali.

Calmamente, caminhou até o carro. Tirou a chave do bolso, abriu o porta-malas e retirou um balde e um frasco de alvejante. Na lateral esquerda do portão principal havia uma torneira e ele encheu o balde enquanto assoviava uma pequena canção natalina.

Wilson parou próximo ao portão, despejou o alvejante no balde e jogou uma pequena escova dentro da solução. Tirou um par de luvas de látex do seu bolso e vestiu-as.

Ele tinha uma bagunça a limpar.


ALGUNS DIAS DEPOIS...

"Como ele sabia onde nós estávamos, House?"

House estava sentado na cama, lendo o jornal. Ele virou a cabeça lentamente e a encarou. Ela vestia um robe lilás mal amarrado, suas pernas faziam jus ao brilho do sol e pareciam esculpidas por algum artista espanhol. Sentada na janela com aquele cabelo desalinhado, ela estava maravilhosa.

"Não sei, Cuddy. O importante é que ele estava lá e é por isso que estamos vivos."

"Eu sei, mas... Como? E desde quando ele manuseia armas como aquela?"

"Cuddy. Eu vou perguntar para ele assim que nós voltarmos ao hospital, ok? Esqueceu que já faz mais de uma semana que eu não compareço?"

Ela levanta sorridente e senta na cama, bem perto. Tão perto que ele sente o cheiro de morango do seu novo shampoo. Ele tenta se concentrar na leitura, mas ela o encara e ele fica incomodado. House coloca o jornal sobre a cama e acena, direcionando sua atenção.

"Nós nunca falamos sobre aquele dia."

"É necessário?" - Perguntou ele. Não estava sendo sarcástico ou agressivo, mas temeu que ela pensasse isso.

"Claro que é, House. Você manteve um assassinato em segredo por mim. Nós não tínhamos um relacionamento."

"Não é porque você não era minha namorada que eu não poderia te amar."

Ela sorriu e ele baixou os olhos. Era constrangedor para ele ficar se declarando, mesmo que fosse para ela. Cuddy ficou sorrindo por algum tempo até que lágrimas cortaram o sorriso e ela começou a soluçar. House afastou o jornal e confuso, puxou-a até ele, deitando-se na cama e trazendo-a consigo.

"Calma, calma. Está tudo bem, Lisa. Acabou."

"Eu sofrí tanto por causa daquele homem, House. Eu passei noites em claro sentindo o cheiro dele sobre mim, suas mãos sobre meu corpo, era extremamente horrível. Eu fiquei com tanto medo que ele machucasse a Rachel, eu..."

Os soluços aumentaram novamente. Ele a pressionou ainda mais contra seu corpo.

"Cuddy, escute uma coisa. Você tem que viver, amor. Ficar amarrada ao que aconteceu no passado, aos erros cometidos, aos arrependimentos não vai ajudar em nada. Todo mundo comete erros e eu sei melhor do que ninguém. Mas você merece toda a felicidade do mundo e não vai ser possível com você remoendo essas porcarias."

"Mas, House..."

"House o quê? Qual seu argumento? Você tentou matá-lo, mas eu tive escolha entre ajudá-lo e deixá-lo morrer. Eu poderia salvá-lo se quisesse. Mas eu não quis. Eu não quis porque isso significaria colocar você em perigo e eu jamais aceitaria isso. Se você não tivesse injetado aquela morfina ele iria morrer de qualquer jeito porque eu jamais o deixaria sobreviver."

"Isso faz de você um..."

"Assassino. Eu sei."

"Isso é sério, House."

Ela estava debruçada sobre o tórax dele o encarando, séria. Seus olhos azuis pareciam feridos, as bordas vermelhas de tanto chorar. Ela ainda estava encantadora.

"O que eu sinto por você é bem mais sério que isso. Prefiro te ver do lado de fora de uma cela do que dentro de um caixão."

"Eu te amo mais do que é apropriado amar alguém, Gregory House."

"Você ainda tem essa mania ridícula de fazer o que é apropriado?"

"É graças a essa mania que você ainda tem um emprego, seu idiota presunçoso."

"É graças à minha presunção idiota que eu tenho você."

Com isso ele a puxou para cima e seus lábios se encontraram. Com a mesma rapidez com que se encontraram eles se despediram, arrancando de House um breve resmungo. Cuddy levantou-se do tórax dele e pousou os joelhos em torno da sua cintura, mantendo-o preso entre suas pernas e sentando-se sobre a boxer preta.

As mãos dele deram a volta na sua cintura e começaram a deslizar sobre a costa dela, apenas acariciando. Por mais que ele quisesse continuar, a vontade de deixá-la livre para fazer o que quisesse com ele era bem maior. Cuddy estendeu a mão e roçou a maçã do rosto dele com o polegar, num gesto demoradamente romântico. Ela não precisou dizer nada, ele já sabia. Era uma troca de olhares carregada de sentimentos que não precisavam ser traduzidos.

Um pouco depois a mão dela carinhosamente escorregou para a nuca dele e reclamou seus lábios, puxando-o. House ergueu-se prontamente e a beijou. Forte e carinhoso, sem luta, sem pressa. Os punhos dele agarraram o quadril dela, pressionando-a contra si, fazendo uma deliciosa pressão. Ela suspirou, cerrando os olhos.

Cuddy desceu os dedos carinhosamente pela camisa e chegou à barra, então a puxou para cima e a lançou para longe deles. House encostou sua testa na dela e eles aproveitaram o calor do hálito do outro enquanto ele delicadamente desatava o nó de seu robe, tirando-o do caminho.

Os lábios dela alcançaram a linha do maxilar dele e ela foi generosamente feliz enquanto descia por ali com beijos molhados e mal intencionados, arranhando o pescoço dele com os dentes e apaziguando com a língua. House fechou os olhos e gemeu, ele estava adorando cada segundo disso. Cuddy deslizou um pouco mais pelo corpo dele, chegando à clavícula e enfim ao seu tórax. Deus, ela queria contar com a língua cada gominho daquele abdômen. Suas mãos seguraram firmemente a barra da boxer; ela dera o último beijo indecoroso na linha do umbigo dele. Ela notou todos os pêlos do corpo dele se eriçarem.

"Cuddy, pare de provocar ou eu vou acabar com isso rápido demais."

A voz dele estava tão reprimida, tão controlada que ela não pode reagir de outra maneira - a não ser rindo. Ele olhou para ela com um tom desafiador. Ela subiu pelo corpo dele como uma leoa sensual, a costa arqueando e o sorriso maligno.

Voltando à posição inicial, ela sentou-se sobre a ereção dele - que agora já estava mais do que perceptível - e ele passou os dois braços pela cintura dela, prendendo-a ali enquanto ela deslizava os dedos pelo cabelo dele, bagunçando-o.

"Greg, me promete uma coisa?"

"O que você quiser."

Os lábios dele se enterraram no pescoço dela, mordendo-a levemente. Ela se esforçou para responder.

"Me prometa que nunca vai ir embora. Prometa que vai ficar até o fim."

Ele subiu a mão pela nuca dela, deslizando cuidadosamente e massageando o belo cabelo. Aquilo era tão... Gostoso. Quente e relaxante.

"Eu prometo que nunca haverá um fim."

Ela não precisava de mais do que isso. Seus dedos deslizaram pelos ombros dele e ela sentiu o relevo que gritou pelo seu olhar. A cicatriz. O tiro. A lembrança de que ele preferiu que ela o ferisse do que ter que perdê-la. House também percebeu o que ela estava olhando e seus olhos brilharam de paixão. Cuddy debruçou-se e deixou os lábios encontrarem aquela prova física da abnegação dele. Um beijo para selar aquele sacrifício.

Isso deixou House orgulhoso, que girou na cama prendendo-a debaixo dele. Ela deu uma risada maravilhosa e ele tomou seu lábios novamente. O beijo agora não estava tão preguiçoso. Ele apertou-a contra a cama mais e mais, enquanto Cuddy encaixava-o no meio das suas pernas através de gemidos murmurados.

House dedicou tempo e atenção a aquela pequena torre de marfim que era o pescoço dela, mas não ousou deixar marcas. Ela iria matá-lo se isso acontecesse. Sua língua deslizava excitada pelo pescoço, e contornando a clavícula, chegou ao seu tão esperado prêmio: os seios.

Enquanto massageava um deles com ternura, sem violência; ele colocou o outro na boca, chupando e acariciando docemente. Cuddy mantinha os dedos acariciando-lhe o cabelo e incentivando-o a continuar. Ele deu uma leve mordida no mamilo esquerdo dela e Cuddy gemeu contorcendo-se mais forte por baixo dele.

Sorte dele que ela estava com os olhos fechados. Ela não percebera seu sorrisinho sacana.

Cuddy não tinha mais forças para agüentar a tortura. Com as mãos apoiadas em cada um dos ombros dele, ela o empurrou para baixo, determinada a ter o que queria. House deu um meio sorrisinho, entendendo a urgência dela.

"Ok, chefe, você é quem manda..."

House deslizou pelo corpo dela, segurando os finos tornozelos e afastando-os, abrindo a brecha necessária para seus planos. Ele deslizou a calcinha dela pelas pernas gentilmente e a jogou no chão. E não ficou provocando. Cuddy queria aquilo rápido e ele assim o faria. Seus lábios penetraram o núcleo de prazer dela e ele pôde sentir o quanto ela estava pronta. House afastou os grandes lábios com os dedos e deixou a língua patinar por ali, massageando, lambendo, chupando. Os gemidos dela estavam cada vez mais altos. Mais e mais altos e ele percebeu que ela já estava erguendo o quadril na direção dele, louca para ele finalizar aquilo com prazer.

House deixou que um dedo deslizasse para dentro dela, invadindo-a.

"Greg, maaaaais... Ande logo."

Ele sorriu enquanto deslizava mais um dedo e começava um ritmo moderado de penetração, fazendo com que a costa dela formasse um arco e ela agarrasse o lençol para manter sua excitação sob controle. Ele continuou com o movimento e agarrou o clitóris dela com os lábios, dando-lhe uma vigorosa chupada. Ele sentiu que isso havia quebrado as barreiras que a mantinham sã, ela deu um grito e seu corpo explodiu em espasmos, ondas de prazer que faziam com que o tórax delicado dela subisse e descesse rápido, a respiração ofegante.

Ele subiu através do corpo dela e ela passou a mão no cabelo dele, deixando que o dedo indicador descesse entre as sobrancelhas dele, pelo nariz, pelos lábios, até que chegou o queixo e ela girou o dedo formando um gancho, puxando-o alegremente até seus lábios.

Meu Deus. Ele era apaixonadamente perdido pelos lábios dela. Seus beijos eram... Não poderia descrever. Era uma mistura de forças opostas, como calor e frio, fogo e gelo.

House deitou por cima dela e ela girou-o, ficando por cima novamente. Ele deu um sorrisinho, vencido.

"Você estava esperando por esse momento, não é?"

"Claro. Eu sou a chefe aqui."

Ele deslizou a mão pela coxa dela, arranhando-a de leve e ela segurou a mão dele, levando-a a boca. Segurando um dedo, ela o introduziu em sua boca, fechando os lábios ao redor dele enquanto sua língua brincava de massageá-lo. Ela o chupou por toda a extensão mantendo no rosto a expressão mais safada que já ousara fazer.

"Não faça isso." - Ele suplicou, mas ambos sabiam que ele quisera dizer justamente o contrário. Cuddy desceu até as pernas dele e puxou a boxer com toda a delicadeza possível. Ela segurou o membro que a essa altura já estava ereto e massageou seu comprimento duas vezes, antes de introduzi-lo na sua boca. Ela decidiu que ia destruí-lo, fazê-lo gemer seu nome repetidamente. Sua língua deslizou por todo o comprimento dele, e ela sugou, fazendo força com os músculos bucais.

"Cu..d-ddy. Cuddy, por fa..vor."

Ela sorriu com a dificuldade dele em montar uma frase. Ela apertou um pouco mais a base e retirou-o da boca, deslizando externamente com a língua e sugando suavemente os testículos. House mordeu um travesseiro na tentativa de abafar sua derrota. Quando ela voltou a abocanhá-lo, House segurou o lençol com fúria, gemendo consideravelmente.

"Lisa... fuck! Cuddy, você está... me m-m-matando, oh my..."

House não conseguiu mais se controlar. Ele levantou-se e a puxou para cima, deitando-a por baixo dele e abrindo-lhe as pernas. Num movimento coordenado, rápido e forte ele a penetrou, e ela deu um gemido gutural enquanto ria orgulhosa por baixo do tórax ofegante dele.

"Do que você está rindo?"

"Da sua falta de controle, Gregory House."

Ele sorriu para ela. Bruxa. Seus lábios caíram fortes sobre os dela, num beijo apaixonado. House puxou os pulsos dela para cima e os manteve ali, imóveis, enquanto o movimento da sua pélvis aumentava de velocidade rapidamente.

"Oh, House, mais forte, go."

Só podia se ouvir o som dos corpos em atrito. House preenchera a boca dela com sua língua, deixando que ela gritasse e gemesse no meio dos beijos afrodisíacos que recebia. Ele podia sentir ela ficando cada vez mais apertada ao redor dele, percebeu que ela não tinha mais forças para manter os olhos abertos e então soltou um de seus pulsos e deixou que o dedo alcançasse o clitóris intumescido dela. Não precisou massageá-lo. O simples toque ali fez com que ela gritasse, as unhas enterradas no ombro dele, os dedos do pé se dobrando e os espasmos pressionando o órgão dele ali. A pressão que o corpo dela fez sobre ele descontrolou-o, logo ele apertou-a contra ele enquanto urrava de prazer, os lábios enterrados no cabelo cheiroso dela.

Ele rolou pela cama e deitou-se, puxando-a para si. Cuddy deitou a cabeça no ombro dele, apenas aproveitando aquela sensação de relaxamento e esperando sua respiração estabilizar-se novamente. House adorava observá-la após o sexo, ela ficava tão perfeitamente vulnerável e calma, quase um anjo. Ela percebeu que ele a estava encarando e levantou-se, pegando o robe do chão e amarrando-o na cintura.

Ela deitou-se de bruços na cama, os cotovelos enterrados na cama enquanto os pés balançavam no ar. Ele amava quando ela ficava deitada assim, lhe proporcionava uma visão maravilhosa daquele traseiro esculpido por deuses. Os olhos dela estavam mais azuis, por algum motivo. Ele endireitou-se na cama, sentando e encostando sua costa na cabeceira da cama, enquanto puxava o lençol para cobrir seu colo.

"Você está querendo me perguntar alguma coisa, Greg?"

House olhou para ela, confuso. Ela estava aprontando alguma, o que podia se ver pelo modo como o sorriso dela tinha um toque de zombaria explícito. Mas ele não estava entendendo. Enfim, House deu de ombros.

"Não que eu saiba."

"Então, para que você escondeu uma caixinha da Tiffany's dentro do piano? Você achou que eu não ia encontrar?"

House demonstrou uma pequena surpresa, mas logo a disfarçou. Ele deu um risinho envergonhado.

"Quem mandou você mexer no que não é da sua conta, sua folgada?"

Ela levantou-se e ele foi atrás dela, pegando-a pela cintura e girando-a. Cuddy deu uma gargalhada genuína e ele a beijou. Ele a apertou pela cintura e as mãos dela cruzaram-se por trás da nuca dele.

"Eu te amo, sua intrometida. Agora, me dê a caixinha."

Cuddy sorriu como uma menina. Ela debruçou-se, abriu o criado mudo e pegou a pequena caixa azul com um laço branco. Ele deu uma breve olhada e questionou:

"Você não abriu?"

"Não, House. Eu não quis estragar a surpresa."

Ele foi até o pé da cama e vestiu a boxer, depois voltou para a frente dela, onde ele se ajoelhou. Olhando-a nos olhos, ele abriu a pequena caixinha e retirou dali a aliança mais linda que ela já vira. Feita de ouro maciço, havia uma rosa aberta no canto, com as folhas caindo e as pétalas azuis. Uma rosa azul.

"Azul como seus olhos."

Os olhos dela brilhavam elucidados por toda aquela cena. Era perfeito demais.

House segurou os dedos dela sobre os seus e perguntou:

"Você gostaria de ser chamada de Lisa Cuddy-House para o resto da sua vida?"

"Com absoluta certeza."

Ela o puxa para cima, abraçando-o com todo o carinho que sequer já imaginou sentir por alguém. Ele segura ela pega cintura gentilmente, desliza o polegar pela corada maçã do rosto dela e a beija com amor.


Primeira classe do Voô 371 - Veneza.

"Claro que eu vou estou viajando à trabalho, Mariana. Eu estou indo à uma palestra internacional de neurocirurgia, é uma reunião dos mais conceituados pioneiros da medicina neurológica. Eu tenho que ir, querida."

Uma morena deslumbrante entrou na primeira classe, carregando sua maxi-bolsa Louis Vulton e procurando seu assento. Ele abaixou os óculos e deu uma conferida. Calça Diesel grudada no corpo, uma jaqueta de couro típica da Balmain e saltos Louboutin. Seria o começo de uma ereção?

"Ok, Nana. Eu te ligo quando o avião pousar. Beijo."

A morena misteriosa encontrou seu assento, que por benção dos deuses mitológicos, era ao lado dele, apenas separados pelo corredor. Ele retirou os óculos e colocou no porta-copo, e a encarou. Deus do céu, ele poderia fazer yoga naquele corpo.

Ela deu uma breve olhada para ele e sorriu. Cílios azuis e unhas vermelhas. Ela tinha um quê de rebeldia que o intrigava. Após sentar-se, ela passou a mão pelo cabelo castanho escuro, liso e brilhante. Ele continuava olhando enquanto bebericava uma dose de whisky.

"Você vai ficar me encarando até o avião pousar ou vai falar comigo de uma vez?"

Ele engasgou com a bebida e sorriu. Selvagem, perigosa, determinada. Ela era como ele.

"Você está com uma atração violenta por mim e eu tenho que te abordar?"

Ela deu um sorriso discreto e jogou o cabelo para trás. Ela debruçou-se até sua mão tocar a dele e ela acariciou-lhe, tirando o copo de sua mão. Enquanto bebia, ela o mantinha sob a mira e sorria. Quando terminou, ela disse:

"Não sou eu que estou com a barraca armada."

Ele cruzou as pernas, envergonhado. Ela devolveu o copo e se manteve debruçada na direção dele, dando-lhe um ângulo interessante do seu decote.

"Acho que esse vôo vai ser melhor do que eu pensava."

"Eu também acho" - disse ela, umedecendo os lábios e mordendo levemente o inferior - "muito prazer, sou a Fernanda Demas."

Os olhos dele refletiram um brilho fosco de prazer enquanto ele apertava a mão dela, firme.

"O prazer é meu. Sou Tiler West."

Ele está vivo.