Capítulo 10

"O dia depois de Megumi"

Kiyomaro Takamine é um jovem de 17 anos, frequenta o ensino médios, tem alguns poucos amigos e tira notas muito acima da média. Mas nada disso servia para descrevê-lo naquele momento, agora ele era só um garoto que daria tudo para pode dizer que o dia de ontem nunca aconteceu.

Kiyomaro sempre foi um jovem um tanto quanto diferente do resto, o que resultou em um vida de isolamento que, ao longo dos anos, acabou gerando uma pequena depressão que ele carregava em suas costas. Só que o menino não se lembra de jamais ter se sentindo pior do que se sentia agora.

Não era para menos, pois era a primeira vez que o jovem sentia a dor de um coração partido.

Ainda deitado na cama ele abriu uma pequena fresta entres os braços que usava para cobrir o rosto, com relutância abriu um de seus olhos só o suficiente para descobrir que horas eram. O rádio relógio em cima de sua escrivaninha anunciava que já eram 15:20.

Ele tentou calcular mentalmente quanto tempo já se passará desde que sua mãe tentara, sem sorte nenhuma, tirá-lo do quarto. Umas duas ou três horas atrás... quem sabe? Não fazia mesmo muita diferença. Só murmurara algo como "Estou doente" para espantar ela.

Sua mãe provavelmente não acreditou nele, mas depois de tantas vezes que ele já fingiu estar doente para fugir de suas obrigações, ela não deve nem ter estranhado o comportamento do filho. Era quase como em um daqueles conto infantis que os pais adoram ficar martelando de novo e de novo na cabeça de suas crianças, o menino que gritava lobo.

Só que Kiyomaro não gritava, justamente ao contrário, ele comprimia essa voz. E era esse silêncio que acabava com ele. Em todos os sentidos.

Pensando bem em relação a isso o que o jovem estranhava é que seu pequeno amiguinho loiro ainda não havia entrado em seu quarto e pulado em sua cama. Foi então que ele percebeu o quão mal ele deveria estar, pois estar triste é uma coisa. Agora, estar triste ao ponto de que até mesmo o Gash conseguia perceber que você estava triste era literalmente estar no fundo do poço depois de cruzar a rua da amargura.

Seu raciocínio foi interrompido pelo som da manivela abrindo. Ótimo, era só pensar naquele pestinha que ele se enfocava do nada para começar a atazanar a paciência dele. Num movimento brusco, Kiyomaro cobriu os olhos com os braços mais uma vez e virou-se para o lado esperando que isso passasse para Gash a clara mensagem de que hoje ele realmente só queria ser deixado sozinho.

Mas isso não deu certo, e Takamine sentiu o sangue ferver quando uma mão pousou em seu ombro. Esse leve gesto gerou um reação catastrófica dentro do rapaz, ele pode sentir todas as emoções acumuladas dentro de si revirarem o seu estômago e serem liberadas em forma de raiva. Ele arrancou os braços da cara pronto para descontar toda aquela raiva em Gash, mas quando ele abriu os olhos não eram as orbes azuis do mamodo que o encaravam.

"Desculpe, Takamine-Kun..." Respondeu a amiga ruiva com medo refletido no olhar.

"Mizumo" Disse ele surpreso "O que diabos você está fazendo aqui? Você não tinha... Um show para ir hoje?" A última parte dessa frase saiu com um certo sacrifício da boca do moreno. Suzume mordeu o lábio ao perceber esse fato. Então, era verdade mesmo. Ela já não podia mais enganar a si mesma achando que Kiyomaro não nutria de sentimentos por Megumi, porque ele tinha. Estivera na cara dela em todos os momentos.

"Eu tenho sim. É justamente por isso que estou aqui... Porque você também tem que ir!"

" Acho que não vai dar..."

" Por quê? Você está muito ocupado aqui deitado na sua cama para não conseguir ir ao show?" Kiyomaro escorreu seu olhar tentando que dessa maneira eles pudesse ignorar a verdade.

"Que saber? Você é um idiota Kiyomaro!" Explodiu a ruiva. Ao retornar seu olhar rapidamente ele viu algo que nunca julgara possível, Mizumo com raiva.

"Você é um idiota... Um imbecil completo... E você nem se dá conta..." A menina balançava a cabeça. Parecia estar falando aquilo muito mais para ela mesma do que para Kiyomaro. O menino observava atentamente tentando descobrir onde aquilo iria chegar. Por fim, Suzume bufou e resolveu tirar de seu peito tudo que está lá acumulado por tanto tempo "Eu te amo! Te amei desde o primeiro dia em que te vi. Você era tão distante e misterioso, para completar você ainda faltou quase todos os dias de aula que seguiram aquele mês. E... E eu só conseguia pensar em como eu queria te conhecer melhor. Queria saber o porque de você faltar tanto, queria saber o porque de você nunca falar com nenhum dos seus colegas de sala... Queria saber porque sempre parecia tão triste. Só que você, obviamente, nunca retribui . Agora... Agora eu tenho que aceitar que você ama outra pessoa. Que você ama a Megumi."

Kiyomaro ficou sem reação ao que a ruiva acabara de dizer. Ela o amava? Ela sabia de seus sentimentos por Megumi? Ele era tão transparente assim? Como ele pode ter sido tão estúpido a ponto de nunca ter percebido que todas as irritantes ações da amiga eram na verdade sua melhor demonstração de afeto? Só que antes que qualquer uma dessas perguntas tivesse a chance de percorrer a distância entre o cérebro e a boca de Kiyomaro, Suzume prossegui. Se agora era a hora, ela não queria deixar nenhuma palavra aprisionada em seu coração.

"Não tente negar. Eu sei disso. Você também sabe, só não quer admitir para si mesmo. Eu vi o jeito como você olha para ela. Todo mundo viu, na verdade..." Disse Suzume já pensando em como Marylou passaria os próximos três dias evitando a amiga por fazer o que estava fazendo, mas a ruiva sabia que essa era a coisa certa a se fazer. Ver Kiyomaro em um estado tão deplorável quanto aquele em que ele estava agora acabava com ela. " Todo mundo também viu o jeito que ela te olha Kiyomaro. Inclusive você! Então eu não entendo porque você está aí sentido pena de si mesmo quando poderia..."

" Quando poderia o quê?" Cortou Kiyomaro. "Estar com a Megumi? Por favor, Suzume, eu sei que você é desliga, mas até você é capaz de ver que isso nunca daria certo." Kiyomaro finalmente levantou da cama em um surto de raiva, não de Suzume, mas de si mesmo. Ele esfregava as mãos por seus cabelos como se isso pudesse servir de alguma forma de punição pessoal, só que nem mesmo ser atropelado por um carro resultaria na mesma dor que ele estava sentindo por dentro. "Mas você quer mesmo que eu admita? É isso que vai te fazer feliz? Ok, então lá vai... Eu estou apaixonado pela Megumi. Eu... Amo ela." Depois de falar isso Kiyomaro recuou um pouco, cada uma dessas palavras escorregou para fora de sua boca pensando não menos que 100kg cada uma. Quando levantou o olhar sentia um pouco melhor por ter aliviado daquele peso todo. "Espero que você esteja prestes a dar pulinhos de felicidade por conseguir o que queria."

"Não estou feliz, Takamine-Kun. Eu estou com raiva."

"Por que diabos você está com raiva?"

" Você estava me ouvindo?" Retrucou a ruiva indignada "A sua felicidade está a um passo de distância, mas parece que você quer fugir dela! Deus, para um gênio você é bastante burro, sabia?"

"Eu você não estava me ouvindo?" Disse o moreno encostando na escrivaninha. Ele olhou para baixo e escaneou suas gavetas com o olhar. Seu olhar parou especificamente na terceira gaveta esquerda. Dentro dela jazia um CD autografado de Megumi que dizia 'Obrigada por vir ao concerto. Desculpe por não ter podido conversar mais com você, mas meu empresário estava me apresando para fazer uma entrevista. Queria que pudéssemos passar mais tempo juntos. Beijos, Megumi-Chan'. Esse era o problema. Megumi era uma mulher muito requisitada e cheia de ocupações. Por mais que ele quisesse acreditar que estava errado, ele sabia que não havia espaço na correria que ela chamava de vida para um cara qualquer como ele.

"O que você acha que eu quero dizer com isso? Que a Megumi também te ama, seu lesado. Olha só a burra desse quarto deveria ser eu tá?" Mal sabia Suzume que boas notas não têm nada a ver com a articulação sentimental de uma pessoa. Se você esse o caso, Newton com certeza não teria morrido virgem.

"O que eu já disse. Não nunca daria certo." Disse Kiyomaro em tom de derrota "Ela é famosa. Ela é mais que famosa. Ela é A Megumi Oumi! A menina dos sonhos de 6 entre 5 japoneses. Todos os homens querem ela, todas as meninas querem ser ela. Ela tem uma nação inteira a seus pés. E eu sou bem... Sou só eu."

"Você é muito idiota mesmo. Um idiota completo." Suzume balançava a cabeça em frustração. "Você não entende que foi justamente por isso que ela se apaixonou por você e não por esses 6 entre 5 japoneses? Por você ser só você. Por que você é uma pessoa incrível." Sua última frase saiu em um suspiro de lamento e, antes que ela pudesse se controlar, as lágrimas já escorriam para fora de seus olhos.

"Droga. Desculpa. Eu tinha prometido para mim mesma que não iria chorar. Bem, meu plano inicial era te amarra com uma corda e ir te arrastando pelos cabelos até o show dela, mas como parece que esse plano já está um pouco fora de cogitação eu vou fazer isso" Disse Suzume enquanto levantava um pedaço de papel colorido e brilhante, não muito maior que o lencinho de papel, depois de certificar-se que Kiyomaro deu uma boa olhada no objeto, ela o pousou sobre a escrivaninha dele. "Vou deixar ele aqui. Você pode decidir o que vai fazer daqui para frente."

Ela estava prestes a sair do quarto, apesar das lágrimas que teimavam em queimar no canto de seus olhos ela sentia-se leve como nunca havia se sentido antes. Só que para que ela pudesse dar um ponto final naquela história e pudesse finalmente seguir em frente e começar uma nova página na sua vida ainda existia uma coisa que ela precisava dizer:

"Sabe o que me deixou mais triste com tudo isso? Foi perceber que não estou triste pela razão que deveria estar ou, pelo menos, pela razão que eu acreditava que deveria estar. Porque depois de todo esse tempo que eu gastei suspirando por você, descobri que, na verdade, nesse tempo todo eu só queria ser sua amiga, Takamine-Kun. Eu quero saber porque você falta tanto, porque não fala com os seus outros colegas, porque eu realmente quero falar com você. Mas principalmente quero saber qual é a razão de você estar triste. Por que aí eu posso fazer alguma coisa para te ajudar. Eu acho que tudo que eu sempre quis foi poder estar perto de você para te ajudar. Ser sua amiga."

"Você é." Respondeu Kiyomaro balbuciando depois de alguns segundos de silêncio. "Você é minha amiga."

Suzume soltou o sorriso mais honesto que ela conseguiu.

"Não posso te obrigar a ir para o show, mas... Acho que seria importante se você fosse." Disse Suzume virando as costas.

A ruiva fechou a porta e Kiyomaro ficou sozinho. Em questão de segundos ele abriu aquela terceira gaveta da forma mais bruta e rápida que conseguia para pegar o CD. Ele passará horas observando aquele objeto, mas, agora, por algum motivo sentia que nunca havia prestado atenção nele como deveria.

Antes, ao segurar aquilo, tudo que ele conseguia ver era o belo e refrescante sorriso de Megumi. Mas, agora, ele conseguia perceber uns pequenos detalhes que lhe passaram em branco.

'Queria que pudéssemos passar mais tempo juntos.' Dava para perceber que fora escrito depois. Provavelmente ela demorara muito tempo para decidir se escreveria aquilo ou não. Como ele pode ter sido tão insensível a ponto de não perceber isso?

Ele apoiou o CD na mesa e encarou o ingresso. Podia sentir que esse olhar era reciproco. Seu futuro estava bem ali na sua frente. Nele existiam várias possibilidades. Algumas eram boas, outras más. Em algumas ele conseguia o que ele queria, e na maioria deles ele agonizava no sofá da casa da sua mãe aos 40 anos com 30 mil gatos tendo que aturar Gash no auge da rebeldia adolescente?

Não era exatamente a imagem do futuro que tinha planejado para si. A partir daquele momento ele não sabia mais o que poderia acontecer.

Ele só sabia uma coisa: ele não passaria seu futuro se perguntando o que poderia ter acontecido.

Sabe quando você é uma criança e sua mãe te leva para a feira pela primeira vez e tudo lá te incomoda? Dos vendedores barulhentos à quebra de leis básicas da física, como a que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Só que a pior sensação é, de longe, quando você olha ao seu redor e vê aquele mar multidão de desconhecidos ao seu redor e sentir que a qualquer momento ele vão te afogar.

Kiyomaro lembrou muito bem dessa sensação enquanto encarava a faixada do Miyazaki Concert Hall. Ele não sabia o que iria fazer, nem o que dizer. O vislumbre daqueles olhos castanhos de Megumi no cartaz pendurado na entrada já o deixava completamente desconcertado. Mas ele já havia chegado até ali, nada mais impediria ele.

Só talvez o chefe da segurança do camarim de Megumi...

"Mas eu já falei para você, eu sou amigo da Megumi!" Insistia Kiyomaro pela décima quinta vez. "Olha só eu tenho até mesmo a pulseira do backstage para provar que eu posso estar aqui!"

"Olha só, moleque. Eu tenho certeza que uma menina linda como a Megumi-Chan tem MUITOS AMIGOS, mas ela não quer ver nenhum deles quando está se concentrando para um de seus shows." Respondeu o segurança grosseiramente.

"Só que é muito importante que ela saiba que eu estou aqui antes de entrar nesse palco! Porque..."

"Que gritaria é essa aqui fora? Vocês não sabem que estão estressando a Megumi antes de um momento muito importante?" Por uma fresta da porta surgiu um pequeno tufo de cabelo cor de rosa, que Kiyomaro rapidamente identificou como sendo Tio, interrompendo a discussão deles.

Também não demorou muito até que a rosada reconhecesse, surpresa, a presença do amigo.

"Kiyomaro, o que você está fazendo aqui?"

"Eu vim ver a Megumi." Respondeu Kiyomaro, mas não antes de lançar um olhar para o segurança dizendo 'Viu como eu estava falando a verdade?'

"Tio, eu preciso muito falar com a Megumi agora, será que você poderia chamar ela para mim?" Pediu Kiyomaro pondo-se na altura dos olhos da menina.

Entretanto, antes mesmo que Tio pudesse ter qualquer reação, a morena apareceu atrás dela e Kiyomaro teve a sensação de que seu coração falhou por alguns segundos. Megumi era uma menina linda, não haviam dúvidas sobre isso, mas, ainda sim, Kiyomaro não consegue se lembra de ter vista a menina tão linda quando naquele figurino para o show, até mesmo nos anúncios publicitários que ela fazia. Ela usava uma blusa preta bufante transparente e brilhante, por baixo uma regata também preta. A roupa era completada por uma mini-saia rosa-choque e um par de botas com salto agulha. Kiyomaro levantava lentamente pois sabia que com isso provavelmente a menina estava mais alta que ele, e isso fazia com que ele se sentisse um pouco envergonhado.

"Tio-Chan, vamos. O show está prestes a começar!"

"Megumi-Chan" Chamou Kiyomaru.

"Kiyomaro-Kun..." Suspirou Megumi dando seu primeiro sorriso sincero naquela noite. Só a presença de Takamine era capaz de acalmá-la em uma situação como essa. "... Você veio."

"Megumi-san, eu preciso te dizer uma coisa." Disse Kiyomaro decidido.

"Não pode esperar até depois do show?" Perguntou Megumi hesitante. Or ela, ela ficaria lá na companhia de Kiyomaro pelo resto da noite, mas não poderia abandonar seu fãs desse jeito.

O moreno percebeu o desconforto da pop star e soltou um leve sorriso.

"Pode. Mas é importante."

"Espere por mim na lateral do palco. Assita o show de lá. Assim a primeira coisa que eu vou fazer quando o show acabar é falar com você!"

"Estarei esperando por você."

Eles trocaram um sorriso terno por alguns minutos. A sensação de que algo tinha que ser dito chegava sem pedir licença, pois nenhum deles queira que aquele breve momento chegasse a um fim. Depois de prolonga-lo ao máximo, foi Kiyomaro quem rompeu o silêncio.

"Ei, Megumi-san... É errado desejar boa sorte nesse tipo de coisa, né?" Perguntou ele. Não tinha muita experiência com esse tipo de coisa e não queria cometer alguma gafe na frente da menina.

"Nada de errado vem de você." Respondeu Megumi brilhando. Ela sentia uma descarga de energia forte percorrer cada célula do seu corpo. Fazia muito tempo que ela não se sentia inspirada dessa maneira para entrar no palco.

"Boa Sorte." Aquele foi o toque final para que Megumi soubesse que aquele seria o show de sua vida.

"Obrigada." Ao agradecer ela sentiu o toque da mão de sua empresária em seu braço, deixou-se arrastar por ela. Kiyomaro a seguiu de uma certa distância, mas nenhum dos dois jamais deixou de fazer contato visual com o outro.

Ao chegarem ao palco, Kiyomaro sentou em um dos cases do lado esquerdo do palco, onde pretendia ficar até o final do show. Megumi deu uma última olhada para ele antes de pegar seu microfone, dirigir-se ao centro do palco e fechar os olhos. Seus músicos terminavam de afinar os instrumentos e as luzes já dançavam por cima de sua cabeça. Pela primeira vez, ela não estava só animada pelo show, mas pelo o que viria depois dele também.

Ela só abriu os olhos quando ouviu o primeiro grito e o primeiro aplauso. Ela olhou para frente e deu uma vislumbrada na multidão antes que fosse cegada por aquelas luzes. A partir de agora, era como se ela estivesse em outro mundo.

Se o público ficara um pouco confuso pelo número de vezes que a cantora deixava seu olhar perde-se na direção esquerda do palco? Com certeza. Mas com a emoção a flor da pele por causa do show, nenhum deles deveria ter se perguntado realmente o que deveria estar atrás da cortina ou se realmente existia algo atrás daquela cortina. Não fazia a menor diferença para eles, tudo que importava para eles é que, como sempre, Megumi está perfeita.

O show deve ter durado algo entre uma hora e meia ou duas horas, mas isso com certeza não foi o suficiente para saciar o apetite voraz daqueles fãs. Percebe-se que, logo depois que a cortina desceu, os aplausos foram substituídos por uma exclamação de quem queria mais. A única pessoa naquele recinto que não compartilhava daquele sentimento era Kiyomaro.

É claro que ele se divertira muito durante o espetáculo, mas também, passará por algumas crises nervosas que quase o levaram a desistência ALGUMAS vezes. Nesse ponto, o jovem já não sabia muito bem o que pensar nem mais o que fazer. Estava tudo tão confuso na sua cabeça...

Por isso quando as cortinas fecharam, ele nem se deixou pensar direito. Pronto, lá estava sua chance. Como cada uma das suas pernas parecia pesar mais de uma tonelada, ele caminhou lentamente em direção a Megumi, que estava tomando água e tentando recuperar suas energias, por isso nem percebeu a aproximação do moreno.

"Kiyomaro-Kun, o que está fazendo aqui?" Perguntou Megumi visivelmente assustada.

"O show acabou..." Ótimo, ele já havia começado errado. Pensou ele sentindo-se um idiota completo.

"Kiyomaro-kun, não, ainda tem o..." Infelizmente, a popstar não conseguiu terminar a sua frase a tempo. E kiyomaro foi inundado pela aquela luz forte que vinha na direção dos dois.

"... Bis." Completou Megumi com uma expressão de preocupação diante a cara assustada de Kiyomaro.

Kiyomaro conseguia ouvir a distância as pessoas gritando e torcendo, mas não conseguia por nada nesse mundo criar coragem para encarar a plateia. Então, era isso que Megumi sentia toda noite? Aquele... Calor?

"Galera, digam 'olá' para o meu amigo Kiyomaro." Falou Megumi sentido que não poderia ter falado uma frase pior do que aquela, mas o que mais ela poderia fazer? Chutar Kiyomaro para fora do palco? Agir como se ele não estivesse lá e continuar o show normalmente?

Enfim, pensar em outras soluções melhores que ela poderia ter dado para contornar esse problema já era inútil, a sorte dos dois já estava lançada naquele momento. Megumi lentamente se aproximou de Kiyomaro, ela percebia cada mero movimento que seu corpo fazia, sentia sua respiração acelerada. Ela ergueu a mão que segura o microfone até mais ou menos a altura do queixo de Kiyomaro.

" Diga 'Olá' para eles Kiyomaro-Kun." Megumi torcia para que sua audiência não fosse capaz de perceber o rubror que inundava suas bochechas naquele momento.

Sabe como sempre descrevem a morte como sendo um calafrio gelado percorrendo o seu corpo, fazendo com que você perca todos os seus sentidos, para depois ser cegado por um clarão. Por essa descrição Kiyomaro podia dizer que estar no palco era definitivamente uma experiência de quase morte.

"Olá..." Sussurrou Kiyomaro ainda muito amedrontado pela situação.

A reação do público foi estrondosa. O moreno já não sabia se o tremor em suas pernas era causado por estar se expondo daquela maneira ou porque os gritos alucinados do público faziam com que o palco vibrassem em alguma frequência ultra sônica.

Em condições normais, Kiyomaro já teria desmaiado, mas ela podia sentir a adrenalina correr em suas veias como nunca havia sentido antes. Ele podia sentir o calor do seu corpo que fornecia a força que ele precisava para se manter de pé ali. Ele pegou gentilmente o microfone da mão de Megumi e começou a se dirigir ao público, para o estranhamento da menina.

"Eu estou aqui porque quero falar uma coisa. Sei que a maioria de vocês deve estar me xingando mentalmente, pensando quem é esse babaca desconhecido atrapalhando o show? Realmente um Zé ninguém como eu não tem nenhuma propriedade para ficar aqui em cima, na frente de vocês. Mas tem uma pessoa aqui dentro que me conhece, e ela é a única que verdadeiramente importa." Kiyomaro olha para Megumi, fazendo com que a menina corasse de leve.

"Kiyomaro-Kun, esse realmente não é melhor momento. Volte para os bastidores, por favor. Depois do show nós podemos conversar." Visivelmente nervosa, Megumi não sabia mais o que fazer. Era tão incomum para Kiyomaru falar na frente de estranhos que a imagem dele postando-se de frente a milhares de fãs dela nunca lhe ocorrera nem mesmo em sonhos.

" Não, Megumi. Acredite em mim. É importante. E se não for agora, acho que não vou ter a coragem necessária para fazer algo tão estúpido de novo." Disse Kiyomaro fora do microfone . Ainda relutante, Megumi assentiu com a cabeça e deixou

"Megumi, o fato é que..." Kiyomaro prosseguiu encarando Megumi, ele sentiu o suor escorrer por lugares do seu corpo que ele nem sabia que existiam. Mas, ele já começara seu show, agora teria que leva-lo até o fim. "O que eu estou tentando te dizer... O que eu tenho tentado te dizer esse tempo todo, para falar a verdade. É que... Eu te amo."

Os próximos segundo foram seguidos pelo silêncio mais profundo que Kiyomaro e Megumi escutaram em suas vidas. Era como se ambos tivessem sido transportados para uma caverna isolada do universo em que aquelas últimas palavras não paravam de debater-se pelas paredes, propagando seu som pela eternidade.

"FALA NA DROGA DO MICROFONE!" Gritou um desconhecido da plateia, trazendo os dois de volta para sua razão.

Para surpresa de Kiyomaro, a reação exagerada do fã fez com que ele soltasse uma risada involuntária. Ele se virou para plateia e elevou o microfone para bem perto dos lábios.

"A razão para eu estar aqui, em cima desse palco, é porque eu amo a Megumi. Mas não como um fã ama um ídolo, e sim como um homem ama uma mulher. Porque eu amo o tempo que passamos juntos, porque eu sinto como se tivesse vencido uma corrida toda vez que consigo te fazer rir, porque você se tornou a razão pela qual eu acordava toda manhã."

"Eu não achava que você não se sentia assim." Completou o moreno.

"Como não me sentir? Megumi, você é a menina mais incrível que eu conheço! Eu que sou um Zé ninguém que não tem nada a te oferecer."

"Kiyomaro-Kun, você é a única pessoa que pode me oferecer o que eu verdadeiramente preciso. A única pessoa de quem eu quero receber isso. Porque já faz um tempo que eu percebi que só serei verdadeiramente feliz com o seu amor."

Kiyomaro não podia acreditar em nenhuma das palavras que saiam da boca de Megumi. Há qualquer momento, agora, ele iria abrir os olhos e perceber que ainda estava largado em cima de sua cama. Mas aquilo não era um sonho, era real. Tão real, que ele sentiu o peso daquele felicidade crescente enchendo seu corpo até ficar tão pesado que não podia mover seus pés. Entretanto, a adrenalina crescente em suas veias diziam ao contrário.

Seus pés moveram-se por vontade própria até chegarem a um ponto em que era impossível ficar mais próximo de Megumi. Durante alguns segundos ele sentiu seu coração apertar, mas logo relaxou assim que seus lábios pousaram sobre os de Megumi.

De algum lugar da plateia, Suzume observava a linda cena. Ela deveria estar triste, abalada. Afinal, ela havia acabado de perder o amor da sua vida, certo? Entretanto, nenhuma lágrima conseguia escorrer de seu rosto naquele exato momento. Ela tentou concentrar todos os seus esforços para entristecer-se, mas o máximo que ela conseguiu foi um suspiro. Um suspiro que quando desceu pelas suas narinas liberou um peço que fez seu peito estufar como se estivesse sendo preenchida por gás hélio.

Junto com seu peito, suas bochechas também resolveram seguir o movimento contrário a gravidade. Subiram até um ponto que a musculatura do rosto da ruiva reclamou um pouco, porém ela não se importava. Aquele deveria ser o sorriso mais verdadeiro que ela já deu em sua vida. Kiyomaro estava nos braços de outra, declarando as palavras que, por tanto tempo, ela desejou ouvir para uma segunda. E ela estava feliz. Porque ele estava feliz. E, mais importante que isso, ela estava livre agora. Livre para se apaixonar.

De volta ao palco, Kiyomaro e Megumi perderam a noção do que acontecia a sua volta. Eles estavam lá, só aproveitando o momento pelo qual esperavam a tanto tempo. Só que eles demoraram tanto que a produção achou melhor fechar a cortina do show. Visto que, já estava na cara que ele não prosseguiria mais.

"O que aconteceu?" Surpreendeu-se Kiyomaro com o barulho das pesadas curtinas caindo, interrompendo o beijo.

"Nós demoramos tanto tempo assim?" Perguntou Megumi ainda esbaforida pelo beijo.

Por uma fração de segundos, Megumi tomou conta do que aconteceu. Ela parara no meio do show. Três músicas antes do previsto. Relutante, ela procurou os rosto de sua empresária para saber o quão encrencada ela estava. Ela encontrou os olhos de Mariko fincados nela, parecendo irritados. Megumi engoliu seco já prevendo a bronca que iria levar. Entretanto, Megumi só ouviu o som de aplausos. Toda sua equipe, inclusive a sua empresaria, agora estavam aplaudindo ela e Kiyomaru.

"Obrigada a todos vocês." Agradeceu Megumi recatadamente.

"Tudo ocorreu melhor que o esperado, né" Comentou Kiyomaro espirituosamente.

Eles riam um pouco até que seus olhos encontram-se. Nenhum dos . A reação constrangida desapareceu em questão de segundos quando uma onda quente percorreu o corpo dos dois. Era tão bom poder estar nos braços um do outro. Megumi deu um sorriso tímido para Kiyomaro que foi prontamente correspondido.

"O que fazemos agora?" Perguntou Megumi apoiando seu queixo em um dos ombros de Kiyomaro.

"Bem, não sei... Acho que temos que sair em um encontro, né?"

"Você está dizendo que quer passar um dia com a grande estrela Megumi Oumi?" Implicou a menina.

"Que tal nós começarmos com só um dia com Megumi? Acha que ela gostaria disso?" Perguntou Kiyomaro encarando bem no fundo dos olhos de Megumi. Ele não era capaz de descrever a sensação de paz e felicidade que corriam o seu corpo por ele finalmente poder fazer isso.

"Acho que ela amaria isso." Respondeu Megumi aproximando-se lentamente do rapaz para um outro beijo.


Ah.

Aaahhh.

AAAAAAAAHHHHHHH.

Não acredito que finalmente terminei essa história! Tipo, não acredito mesmo. Depois de anos e anos de circunstâncias se colocando no caminho finalmente completei . O mais bacana foi ler os primeiros capítulos e perceber o quanto meu estilo de escrito mudou através desse tempo todo. Escrever essa fanfic foi uma experiência de aprendizado para mim muito maior do que eu jamais poderia dizer.

Bem, agradeço muito a todas as pessoas que leram essa fanfic e desistiram no caminho (Completamente compreensível). Também aquelas que continuam acompanhando a fanfica até hoje (Oi? Será que isso ainda existe produção? Hahaha)

Espero que o final tenha feito valer a pena todo esse tempo.

Beijos

N*t*sh*