Atos de Vingança III

Capítulo VII

Casa de Áries

Da entrada da primeira casa o nêmesis de Áries observou impassível a conversa entre Thallas e as tropas de Atena. Sua única reação foi um leve e irreprimível sorriso quando Leviatã foi jogado de encontro ao Relógio Zodiacal, cuja queda ecoava por todo o Santuário. Enquanto acompanhava o dissipar da nuvem de poeira erguida pelo evento acabou perdendo o teor exato das palavras de Atena para seus cavaleiros. Ao voltar-se para as escadarias percebeu estar diante apenas dos dois deuses e doze cavaleiros de ouro. Divisando na distância os outros cavaleiros a correr para longe das Doze Casas, embrenhando-se pelo Santuário, decidiu, finalmente, agir. Com um golpe preciso bloqueou o acesso à Casa de Áries. Não era impossível que um cavaleiro transpusesse o obstáculo, mas, na situação em que se encontravam, não valeria a pena investir energias nisso. A partir daquele ponto, cavaleiros de prata e bronze não poderiam mais intervir.

Satisfeito com o resultado alcançado, ajoelhou-se em reverência e aguardou.

- O que significa isso? – perguntou Aiolia. – Ele vai se render?

Curioso, Mu deu um passo à frente, em direção às escadas. Assim que se afastou do grupo o nêmesis ergueu-se e o atacou, lançando-o para longe.

- Mu!- afligiu-se Atena.

- Em guarda, cavaleiros!-disse Aioros pondo-se diante de Atena com o arco em riste.

Máscara da Morte, apesar de tão nervoso quanto os outros não pôde deixar de rir com a atitude do colega.

- É melhor não se empolgar muito, Sagitário, do contrário vai acabar beijando o chão igualzinho ao Mu.- disse, cruzando os braços e encarando o nêmesis, que se ajoelhara novamente.

- Máscara da Morte está certo.- disse Shaka- Se conseguiremos passar por aqui ou não, depende de Mu.

- Talvez não... – murmurou Camus gesticulando para que o cavaleiro de Áries refreasse seu contra-ataque. – Nêmesis!-disse, dirigindo-se ao homem ajoelhado diante deles. - Por que se curva diante de seus inimigos?

- Por não serem meus inimigos os cavaleiros de Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes.- respondeu o nêmesis- Assim como não o são a deusa da Sabedoria e Guerra nem o deus dos Mares, para os quais minha reverência verdadeiramente se dirige.

- O que quer dizer, criatura? – questionou Poseidon.

- Que não existo para ameaçar suas vidas, meu senhor. Por enquanto, minha existência se resume a enfrentar Mu de Áries. – foi a resposta.

Tanto os cavaleiros quanto os deuses se entreolharam, curiosos.

- Mas aquele homem disse...- começou Milo sendo imediatamente cortado pelo nêmesis.

- As Erínias e seus servos não falam por Nêmesis Adratéia.

- Você quer dizer que se meus amigos quiserem avançar não os impedirá? – perguntou Mu.

- Correto.

- Isso certamente facilitaria as coisas... –comentou, desconfiado, Aldebaran.

-Porém, se meus companheiros irão permitir suas passagens ou detê-los não posso garantir. – interveio o nêmesis de Áries-. O máximo de certeza que posso lhes dar é que não temos autorização para matar outros que não nossas contrapartes. – completou.

- Estava muito bom para ser verdade... - mumurou Shura.

- Os outros cavaleiros já estão em combate-disse Shaka ao ouvir um estrondo vindo da arena.

- E nós nem ao menos disparamos um golpe. - reclamou Aiolia.

- Não faz sentido perdemos tempo questionando as atitudes de nossos inimigos. - disse Afrodite- Se este nêmesis não tem interesse em nos deter, então, sigamos em frente.

- E se ele mudar de idéia? – perguntou Milo.

- Será obrigação de Mu nos proteger. - respondeu Camus.

O cavaleiro de Áries assentiu com a cabeça e concentrou-se nas reações de seu nêmesis, enquanto Atena, Poseidon e os outros dourados avançavam. Antes de entrar na primeira casa Atena virou-se para Mu e sorriu.

- Estarei lhe esperando no Salão do Grande Mestre.- disse a deusa- Não se atrase, cavaleiro.- acrescentou desaparecendo da visão de Mu, por entre as sombras da casa.

Uma vez sozinho com Mu o nêmesis de Áries levantou-se e ergueu o cosmo, obtendo reação idêntica do cavaleiro de Áries.

- REVOLUÇÃO ESTELAR!

- ADAMA'S WALL!

Casa de Touro

- O que aconteceu?- perguntou Aioros.

- Nós já saímos da primeira casa?- espantou-se Dohko.

- Isso é impossível!- disse Aiolia- Teletransporte deveria ser impossível entre as doze casas!

- O que impedia o teletransporte era o cosmo de Atena...- comentou Camus como se conversasse consigo mesmo.

-Está querendo dizer que o cosmo das deusas da vingança se sobrepôs ao meu, desfazendo a barreira que impedia o teletransporte?-perguntou Atena.

- Não acho que tenha sido isso. – disse Shaka – A sensação que tive ao entrar na casa de Áries não foi exatamente a de um teletransporte...

- Exato, estava mais para uma espécie de viagem dimensional.- concordou Máscara da Morte- Em um momento estávamos na entrada, no outro, tínhamos saído. Não houve transição.

- Foi como se o interior da casa de Áries não existisse. - disse Saga

Sem entender bem o que estava sendo dito Milo esticou o braço para dentro da casa de Áries.

- Eu continuo conseguindo ver minha mão. Se vocês estivessem certos eu não a veria e ela teria de...- uma espécie de gemido coletivo de espanto o fez olhar para outro ponto da construção, onde um braço decepado flutuava no ar.-... Aquilo lá é a minha mão?

- Aparentemente, sim. – respondeu Camus puxando Escorpião pelo ombro para longe do portal da casa de Áries.

– Parece que o espaço foi fracionado neste lugar. – disse Saga, imitando Milo - Consigo ver nitidamente o nêmesis de Áries na entrada. -comentou erguendo o cosmo –Mas não creio que... – uma rajada de cosmo vinda de dentro da casa atinge um dos pilares que ladeavam as escadarias – Como suspeitei, não há como interagir com o interior dessa casa zodiacal.- concluiu retirando o braço.

- É provável que isso aconteça em toda a trilha das doze casas. - comentou Afrodite.

- Que diferença faz se as deusas da vingança dividiram o espaço ou equacionaram o tempo? – gritou jovialmente Aldebaran que já havia percorrido metade do caminho até Touro.

- O que quer dizer, cavaleiro?- perguntou Poseidon.

– Nenhum de nós tem como ajudar o outro a não ser vencendo. O melhor que temos a fazer é confiarmos uns nos outros e seguir em frente. Por isso, se me dão licença, eu vou me adiantar.- completou correndo até a casa seguinte.

- Só o Aldebaran para se animar em uma situação dessas. - comentou Shura com um sorriso.

- Mas é um idiota mesmo. - disse Máscara da Morte. – Mal dá para acreditar que é um cavaleiro de ouro... Ei, aonde vocês vão? – perguntou ao ver os outros dourados correndo atrás de Aldebaran.

- O que você acha? – perguntou Milo – Para nossas casas, é óbvio.

- Paspalhos... – resmungou o cavaleiro de Câncer seguindo os demais.

- Acho que finalmente entendo porque você protege tanto os humanos.- comentou Poseidon- A capacidade deles de encontrar motivos para sorrir mesmo em meio à mais completa adversidade é realmente comovente.

- Comovente? Não. - discordou Atena.- Você está errado.

- Hm?

- A palavra que você procura é "contagiante". - falou Atena correndo atrás de seus cavaleiros.

Coliseu

Flutuando acima do campo de batalha os Três Ventos remanescentes observavam enquanto os cavaleiros se reagrupavam após vencer a primeira leva de atacantes, um grupo de cavaleiros negros inferiores, despachados com o único objetivo de verificar a evolução das forças das tropas de Atena.

- Sei que não estamos nos melhores termos, mas não acham que mesmo que os cavaleiros de prata e bronze não ouçam seus novos inimigos se aproximando isso não dará vantagem nenhuma aos cavaleiros negros?– perguntou Notus.- É um pouco de amadorismo nos limitarmos a brincar com correntes de ar.

- Da mesma forma que a ordem desesperada de Thallas também o foi.- respondeu Eurus – Receber o impacto de todos aqueles golpes não deve ter sido muito agradável. O ego dele vai ficar ferido por meses, isso é, se Fênix lhe der tempo para se preocupar com feridas no ego.

- E o que isso tem a ver com a minha pergunta?

- Nada. Filipe está perdendo tempo com pensamentos inúteis, como sempre. – interveio Bóreas – Quanto à sua pergunta... Nós já auxiliamos os cavaleiros negros uma vez. Já passou da hora de eles se provarem à altura da função que exercem. Atacar inimigos temporariamente privados da audição é o máximo de vantagem que merecem.

- Pretendem ajudar os cavaleiros de Atena?- perguntou Notus sem surpresa. – Pensei que fossem esperar a batalha se adiantar mais antes de fazerem essa loucura.

- Assim como você vai esperar até o último momento para sair em socorro de Thallas?-retrucou Eurus.- Não acho que seja necessário que esperemos tanto. Mas, por enquanto, não faremos nada a não ser observar. Pode tentar nos impedir se achar que isso atrapalhará seus planos.

Sem responder Notus observou o Santuário. Abaixo deles um acirrado combate começava; mais à frente Thallas, curiosamente, parecia estar tendo dificuldades para dominar Ikki. Somente após dirigir seu olhar para a trilha das doze casas o Vento Sul emitiu sua resposta:

-Não creio que possam fazer algo para impedir "meus planos"-disse, fazendo aspas no ar- Assim como não vejo meios, nem utilidade para falar a verdade, de eu impedir os de vocês. A verdade é que nenhum de nós três está mais engajado na missão original. Então, porque não seguimos nossos caminhos separados e descobrimos quem está certo, ou tem mais sorte, depois? Por hora, acho mais vantajoso para todos nós se observarmos como se resolverão os combates. Afinal, só poderemos agir ao fim deles, não é?

Casa de Gêmeos

Atena, Poseidon e os outros cavaleiros já haviam passado há vários minutos, sem nenhuma dificuldade. Apesar disso, Saga ainda se encontrava diante da terceira casa, o debate a respeito da real natureza dos Nêmesis e a notícia da morte de Kanon ecoavam em sua mente. A dúvida a respeito da identidade do atual defensor da Casa de Gêmeos e algoz de seu irmão o torturava. A situação não admitia dúvidas e inseguranças, entretanto, ao observar as faces de seu elmo Saga sentia ser inevitável lembrar-se de seus pecados passados, pelos quais já se julgava há muito punido.

Como se disposta a aumentar a angústia do cavaleiro, a terceira casa parecia emitir de seu interior uma profusão de sons, vozes, gritos, música, risos, mesclados em um murmúrio quase indistinto, porém claros o suficiente para avivar as mais terríveis memórias de Saga.

Considerando tais sinais um desafio, o cavaleiro de Gêmeos vestiu seu elmo e avançou resoluto para o interior de sua casa. Ao cruzar o limiar os indistintos sons que ouvira começaram a se tornar mais claros, e suas fontes, determinadas. Por entre as pilastras várias pessoas passavam correndo, em sua maioria jovens, que Saga reconheceu o terem servido enquanto ocupava o posto de Grande Mestre. Quando notavam sua presença algumas sorriam e acenavam, outras se ruborizavam sumiam correndo por entre os corredores. Um número razoável delas, porém, era acometido tamanho estupor de medo que desmaiavam. Terminado o desfile de servas, vieram as manchas de sangue e sombras deformadas nas paredes.

Disposto a não se deixar levar pela clara provocação de seu adversário Saga nem mesmo se atreveu a desviar dos corpos inertes que apareciam em seu caminho.

- É tudo que tem para oferecer?-perguntou ao se deparar com uma figura vestindo a armadura de Gêmeos sentada no trono do Grande Mestre. Entre ambos, uma vasta piscina, as câmaras de banho da Décima Terceira Casa.- Ilusões?

-Queria apenas dar ao nosso reencontro um ar menos formal. -respondeu a figura- Que melhor maneira de fazer isso se não relembrando nossas boas memórias juntos?

- Boas memórias? Não seja ridícula, criatura. O momento mais feliz de minha vida foi quando percebi que não estava mais preso a você.

-"Criatura"... É curioso ser chamado assim, como se não significássemos nada um para o outro. Esperava mais consideração, Saga. Kanon pelo menos teve o cuidado de me chamar de irmão antes de morrer. Ele até chorou por mim, acredita?Sou obrigado a admitir que foi tocante. Hihihihehahahaha!

- Já basta! – bradou Saga-EXPLOSÃO GALÁCTICA!

-Quanta infantilidade!-debochou o nêmesis enquanto reagia ao ataque -Explosão Galactica!

A fúria de Saga era tanta que bastou o elevar de seu cosmo para que as ilusões que infestavam a Casa de Gêmeos se desfizessem. Sua combinação com o ataque do nêmesis de Gêmeos derrubava colunas por todo o templo e erodia o teto ao redor dos combatentes.

- Você nunca mereceu consideração, você nunca deveria ter existido! Se por algum motivo recebeu alguma demonstração de carinho de Kanon, demônio, foi meramente por ele ter considerado erroneamente estar diante de seu irmão gêmeo. Não vou permitir que continue a profanar a memória dos cavaleiros de Gêmeos!

-Pfffft...

Sem responder, o nêmesis parou de atacar e a abriu os braços, recebendo o impacto total dos dois ataques. A explosão resultante trouxe abaixo uma grande área da terceira casa. Surpreendido pela atitude do adversário Saga acabou colhido pela onda de choque e arremessado pelo templo de Gêmeos.

- Então, esse é o real poder de um nêmesis... Reconquistar o Santuário vai ser muito mais difícil do que prevíamos...- murmurou Saga enquanto tentava recuperar o equilíbrio e se levantar.

-Não, Saga, não seja tão ingênuo.O poder que experimentou nada tem a ver com aquele dos nêmesis. Meu poder é o seu poder: o cosmo dos cavaleiros de Gêmeos .Entenda: Nêmesis Adratéia não supunha ser necessário criar doze contrapartes. Para ela os únicos realmente importantes eram Câncer, por razões óbvias, afinal, o garoto a invocou, e Áries, este apenas para atuar na forja das armaduras. Foi a Erínia Tisífone quem criou este corpo para mim. Talvez planejando ter um trunfo contra Nêmesis Adratéia caso esta se voltasse contra ela e as irmãs. O que não deixa de ser engraçado! Quando será que esses deuses idiotas aprenderão a não subestimar os humanos?HIAHIAHIHAHAHAHAHA!

- Outra traição em andamento? Não me surpreende... Você nunca foi do tipo de ficar quieto recebendo ordens. O que pretende dessa vez?Suponho que já saiba que não será tão fácil quanto esfaquear um bebê adormecido. Se bem que nem isso você foi capaz de fazer, não foi?- provocou Saga, tentando ganhar tempo enquanto se recuperava.

-Pfff... Dessa vez não só você não estará presente para me atrapalhar como Aioros e os outros dourados, sendo os bravos e leais cavaleiros que são, acabarão por ajudar meus planos a se concretizar.

- Eu ainda estou vivo – replicou Saga – E não deixarei que os esforços de meus amigos sejam pervertidos para atender os seus planos, sejam eles quais forem!EXPLOSÃO GALÁCTICA!

- Tsc!

Apesar de ter conseguido refletir o ataque, dessa vez, o nêmesis foi obrigado a recuar alguns passos. Encorajado, Saga esquivou-se do ataque refletido e avançou. Após uma rápida e intensa troca de golpes o nêmesis lhe agarra os braços fazendo a armadura dourada trincar com a força empregada. Imobilizado, Saga não consegue evitar uma cabeçada. Com a testa sangrando o cavaleiro de ouro é libertado apenas pelo tempo necessário para ter os cabelos tomados pelas mãos do adversário e o corpo puxado de encontro ao joelho de seu nêmesis, o qual não perde tempo em atingir-lhe as costas de modo a fazê-lo quebrar o chão com o impacto.

-Argh... Isso não pode ser verdade... Depois de receber o poder combinado de duas explosões galácticas você não deveria ser capaz de atacar dessa forma, seu cosmo deveria ao menos ter oscilado, no entanto tem força o suficiente para refletir uma terceira... Que espécie de monstro Tisífone criou?

- Você não percebeu ainda, não é?-perguntou o nêmesis após um longo silêncio-Está tão perdido em seu egocentrismo e senso de justiça que até hoje não compreendeu minha real natureza. Não ouviu nada do que falei?Tisífone me deu apenas um corpo!O cosmo, a personalidade, o ideais, tudo isso já existia há muito tempo!Não fui criado, eu nasci!EU SOU SAGA, CAVALEIRO DE OURO DE GÊMEOS!

- Nós não somos iguais, nem a mesma pessoa...- murmurou Saga golfando sangue- A fato de você ser fruto de minhas mente e alma doentes não o tornam digno nem do nome Saga nem do título de cavaleiro de ouro de Gêmeos...

-IMBECIL!- gritou o nêmesis colhendo Saga com um potente chute no flanco e jogando-o contra uma pilastra.

Trilha das Doze Casas.

A animação que impeliu os dourados desde Touro apesar de não ter se esvaído, dividia espaço em seus corações com a ansiedade cada vez que se aproximavam de suas respectivas casas zodiacais. De sua parte, Saori fazia o máximo para ocultar sua preocupação com os que ficavam para trás. Ciente disso, Poseidon insistia para que avançassem cada vez mais rápido, interrompendo e impedindo palavras de despedida, não dando tempo para a sobrinha pensar em algo que não o confronto com as deusas da vingança.

Entretanto, o próprio deus dos mares alimentava inseguranças a respeito do sucesso da empreitada. Tal insegurança, porém, não o impediu de sentir, ainda que a certo contragosto, admiração pelos cavaleiros de ouro. A visão de Aiolia usando seu Lighting Plasma para defender cada um dos milhares de ataques lançados pelo adversário contra o grupo que avançava foi no mínimo grandiosa. E o que dizer de Shaka, também obrigado a combater ainda nas escadarias para romper o domo erguido pelo cosmo inimigo ao redor da sexta casa?

Mesmo aqueles que não tinham a passagem impedida mereciam elogios e admiração pela estoicidade com que avançavam rumo aquele que poderia ser seu último de ver Camus abrir caminho pelas enregelantes e afiadas escadarias de Aquário, a imagem de Afrodite e sua aura de rosas negras devastando as malignas ramas erguidas pelo nêmesis de Peixes era, além de belíssima, reconfortante. Quando a última barreira cedeu o dourado postou-se ao centro do pórtico ainda mantendo as flores inimigas a distância para que Atena e Poseidon pudessem passar.

- Aqui nos separamos, Atena.- disse o cavaleiro de Peixes com aparente tranqüilidade.- Farei o possível para não deixá-la esperando, mas, como pode ver, há muito a ser feito em Peixes.

Com um rápido sorriso Saori assentiu, seguindo em frente acompanhada por Poseidon, o qual murmurou um quase inaudível cumprimento ao cavaleiro. Sem a obrigatoriedade de aparentar tranqüilidade Afrodite lançou o corpo para dentro do templo e se permitiu respirar profundamente e tossir(não sem usar suas próprias flores para combater o veneno que empesteava o ar).

- Por favor, não pare, sua interpretação da figura do guerreiro inabalável beirava o impecável. O figurino e a maquiagem poderiam ser repensados, há uma enorme margem para melhorias, definitivamente. Mas, a atuação, ah, essa estava deveras interessante. - comentou uma melodiosa voz que soava em meio à penumbra da casa.

- Não se preocupe, foi apenas um rápido intervalo- respondeu Afrodite endireitando o corpo enquanto produzia uma rosa negra. - O espetáculo continuará. E eu lhe asseguro: será magnífico...


Continua...