Capitulo 05

Dois dias depois...

-CRISTIANO! –Kaká berrou, mas em vão. -CRISTIANO! –ele usou toda a sua voz, mas o outro parecia não prestar atenção. -CRIS!

Foi então que Cristiano virou na direção do berro, mas foi tarde demais. A bola voou diretamente em seu rosto, acertando em cheio a lateral do rosto, na sobrancelha. O português caiu o chão com a força do impacto.

Kaká saiu correndo em sua direção, enquanto Casillas chamava o médico. O brasileiro ajoelhou-se na frente do outro e o chamou. Cristiano piscou algumas vezes e sentou-se, olhando ao redor.

Sangue escorria abundante por um corte aberto pela bola no canto da sobrancelha direita.

-Está tudo bem? –Kaká perguntou, preocupado. –Está tonto, enjoado?!

-O que aconteceu?

-Pepe foi cruzar uma bola, mas errou o passe e você não estava prestando atenção... –ele respondeu, sentindo-se mais aliviado.

-Puta que pariu! –Pepe se aproximou, desesperado. –Me desculpe! Me desculpe! Juro que não tive intenção de machucar-te!

-Sossega gajo! –Cristiano sorriu de lado e levantou-se.

Ele limpou o sangue na camisa de treinamento e segurou um pouco em cima do corte, esperando estancar. Assim que o médico chegou, examinou e disse que não precisaria de pontos, apenas uma limpeza, realizando imediatamente o procedimento.

Marcos aproximou-se dos jogadores seguido por um representante da FIFA. O técnico possuía uma expressão séria no rosto, demonstrando que a situação era importante.

-Os resultados dos exames já chegaram. –ele anunciou, seus olhos passando por todos. –Irei chamar um por um na minha sala para discutirmos os resultados.

E assim ele virou-se de costas e saiu do campo.

-Ai meu Deus! – Di Maria passou a mão nos cabelos. –E agora?

-Cara, dá pra relaxar?! –Sergio fez um movimento com a mão. –Não precisa ficar nervoso assim toda vez.

-Desculpa. –ele baixou os olhos, respirando fundo. –Desde que minha mulher ficou grávida, não consigo relaxar.

De repente o time inteiro estava em silêncio e encarando o jogador.

-O que?! –ele olhou ao redor, assustado.

-Sua mulher está grávida e você não nos contou?! –Özil abriu um largo sorriso. –Por Alá, isso é uma benção!

-E qual é o sexo?! –Sergio dava pequenos pulos de excitação. –Espero que seja um menino! Meu presente pra ele vai ser uma bola...

-É um menino, Ramos... –Di Maria sorriu, os olhos brilhando de felicidade. –O nome será Miguel.

Todos foram em cima do argentino, felicitando-o pela gravidez de sua esposa. O grupo riu um pouco, pensando em nomes engraçados para o menino e todos estavam animados.

Cristiano ainda se sentia um pouco zonzo, mas o sangramento parou, apesar de ter sujado seu uniforme e o rosto. Aos poucos, cada jogador foi chamado na sala de Marcos. O português sabia que estava sendo deixado por último e o isso apenas aumentou seu nervosismo.

Lá pelo final da manhã, todos já haviam ido embora, restava apenas o camisa sete. Assim que ele entrou no escritório, engoliu a seco ao ver todos os olhares dirigidos a ele.

-O que aconteceu com a sua sobrancelha? –Marcos perguntou preocupado.

-Apenas um acidente de trabalho. –o português sorriu levemente. –Então, qual é o resultado?

Marcos respirou fundo e encostou-se à quina da mesa, encarando seu jogador.

-Cristiano... O seu resultado deu positivo. –sua voz era grave. –Encontramos um produto chamado Furosemida, que é diuréti...

-Isso é considerado doping! –um dos representantes da FIFA se adiantou, cortando o técnico.

-Será que posso conversar com ele a sós? –Marcos olhou friamente para os visitantes, que sairam em seguida.

Cristiano mexeu-se na cadeira, procurando entender o que estava acontecendo. Tudo parecia vindo de algum pesadelo horrendo e que acabaria qualquer momento.

-Então, lembra de ter usado essa substância?

-Eu estava tendo alguns picos de pressão alta, então o médico prescreveu. –ele respondeu, sentindo um frio percorrendo a espinha.

-O médico do clube?

-Sim... Ele mesmo.

-Vamos averiguar. –Marcos respirou fundo e abriu a porta. –Enquanto isso eu quero você no banco.

O português sabia que não tinha mais o que argumentar. Levantou-se e saiu da sala do técnico, andando na direção do banheiro. Não contendo sua raiva, chutou a porta e entrou como um furacão, mas parou ao ver que não estava sozinho ali.

Kaka estava sentado no banco e levantou-se.

-O que estás fazendo aqui? –Cristiano disse, num tom baixo.

-Queria estar perto quando você soubesse do resultado.

-E quem lhe disses que quero companhia? –ele rebateu, entrando na área de chuveiros.

O camisa sete tirou as roupas rapidamente e entrou no chuveiro, deixando que a água morna lhe acalmasse. Ficou ali mais tempo do que o necessário, esperando encontrar o vestiário vazio. Não estava com cabeça pra falar com ninguém, mesmo Kaka sendo um de seus amigos mais íntimos.

Merda... Era ai que morava outro problema. Com toda a aproximação que tiveram desde a festa na casa de Sergio, às vezes se pegava pensando em coisas inadequadas sobre um amigo. Cristiano tinha vontade de... Vontade de fazer com Kaka o que ele já havia feito com tantas coisas mulheres.

Respirou fundo e fechou a torneira. Enrolou-se na toalha e quando voltou pro vestiário, xingou em voz alta, porque o brasileiro ainda estava lá, sentado no mesmo lugar.

-Ainda por aqui? –ele levantou a sobrancelha.

-Você sabe que sou teimoso e não desisto fácil das coisas.

-Esqueci-me de que por trás deste rostinho angelical, esconde-se uma fera.

Kaka sentiu que parou de respirar ao observar atentamente aquele corpo escultural a sua frente usando apenas uma toalha e completamente molhado. Acreditava que Cristiano não fazia idéia de como aquilo era sensual, quase pornográfico.

-Na minha casa ou na sua? –ele se ouviu dizer, com aquele tom baixo e rouco.

-O que... –Cristiano sentiu seu rosto corar e um impulso percorrendo o corpo.

-Não vou deixar você sozinho essa noite. Vamos pra minha casa ou pra sua? –Kaka levantou-se e pegou sua mala, procurando conter sua voz.

-Tanto faz. –o português respirou fundo e se recompôs, indo até onde suas coisas estavam.

-Ok, te espero lá fora no estacionamento então.

Depois que saiu, o brasileiro teve vontade de se socar pelo que havia dito. Parecia que sua boca tinha vida própria e resolveu justamente dar voz a parte do seu cérebro que não estava funcionando bem. Jogou a mala no banco traseiro e encostou-se no capu, esperando o outro chegar.

Enquanto isso, Cristiano secou-se e vestiu suas roupas, pensando no que faria em seguida. Apesar dos problemas que havia tido, precisava ir pra casa, era o único lugar familiar e precisava disso naquele momento tão turbulento.

O fato de ter contratado seguranças deixou Kaka mais tranqüilo e os dois foram pra casa do português. Sem muitas palavras, ele mostrou a casa por inteiro e deixou o amigo no quarto de hospedes.

Quando deitou em sua cama e olhou para o teto, Cristiano se sentiu sozinho. Mas ele sempre se sentiu assim, desde que deixou sua casa para jogar em Portugal quando tinha 12 anos, estava mais do que acostumado. Porém naquela noite, a solidão machucava.

Acabou caindo num sono pesado e sem sonhos.

(...)

Na manhã seguinte, ambos continuavam com poucas palavras, enquanto comiam. Até que Kaka levantou-se bruscamente, chamando a atenção de Cristiano e aproximou-se dele.

-Olha, eu não sei qual foi o resultado daquele maldito teste. –ele o encarava sério. –Mas você precisa focar no que é importante agora. O time precisa de você no próximo jogo.

-Estarei no banco. –o outro respondeu, o olhar baixo.

-Foda-se! Eu vou conversar com Marcos e daremos um jeito. –Kaka aproximou seu rosto do outro, centímetros de distancia. –O Real Madrid precisa de você. Eu preciso de você.

-Mas...

Foi tudo muito rápido. Kaka segurou o rosto de Cristiano e o interrompeu colando seus lábios aos do outro, num beijo leve. Ao sentir aquele contato quente, o camisa sete perdeu toda a razão possível e levantou-se.

Ele abriu a boca e permitiu que Kaka entrasse com a língua. Ele beijaram-se intensamente, sem tempo para respirar. Quando não agüentavam mais, afastaram-se. O brasileiro olhou para o outro, vermelho e sem graça.

-Eu... eu preciso ir. Te encontro no treino.

E com isso ele saiu rapidamente, deixando Cristiano atordoado, parado no meio da cozinha. Seus lábios ainda estavam quentes e sentia que a cueca estava apertada demais. Respirou fundo e passou as mãos pelo cabelo, desarrumando seu meticuloso penteado.

E agora?