5.
Não faz nem uma semana desde que partimos rumo ao norte mas eu já posso sentir o tempo ficando severamente mais frio, eu nasci durante o longo verão então foram raras as vezes em que vi neve no passado, daqui uns dias eu provavelmente vou começar a ver até me cansar.
Minha mãe teve uma discussão com o capitão do navio por ele ter dito que ela não podia acender suas fogueiras a bordo do navio por motivos de segurança, geralmente quando minha mãe discute com os outros eu me sinto meio embaraçada, mas dessa vez foi meio engraçado. Cara-Malhada passou a maior parte do tempo desde que embarcamos escondido em diversas partes do navio, nem seus sinos ele toca de tanto medo que ele tem do mar, eu me sinto meio culpada já que fui eu que disse para trazê-lo conosco, Cara-Malhada me assusta as vezes mas ele é o único amigo que eu ainda tenho por perto e eu não quero perdê-lo.
Mas eu não sinto falta da Pedra do Dragão, isso não me surpreende muito, eu amava a biblioteca e o jardim de Aegon mas a maior parte dos outros cômodos muitas vezes me deixava um tanto receosa. Uma vez quando eu tinha uns seis anos alguns homens que estavam visitando estavam conversando em um corredor que dava para o quarto onde eu estava brincando com as minhas bonecas, eles falavam sobre os dragões esculpidos na parede, e um deles disse que talvez não tenham sido esculpidos, que talvez eles sejam dragões de verdade que contraíram escala cinza e que foi assim que eu peguei a doença, em retrospecto eu posso ver que eles estavam apenas brincando mas com seis anos aquela frase me encheu de medo, eu olhei para a parede como se fosse pela primeira vez e notei que os tons de preto e cinza eram os mesmos da parte de pedra de meu rosto, eu encostei de leve os meus dedos e a textura me foi tão familiar, eu saí correndo dali até o Meistre Cressen, quando eu expliquei para ele o motivo da minha agitação ele sorriu e gentilmente passou a mão pelos meus cabelos e me explicou que isso não poderia ser verdade, que as pedras do castelo vinham da antiga cidade Valyria, que era tolice procurar por explicações lendárias quando havia as simples e reais, ele falou com segurança e eu acreditei nele, mas durante a noite eu tive um pesadelo que os dragões da parede começavam a se mexer e iam para cima de mim, e outros sonhos com temas parecidos passaram a acontecer com freqüência
Talvez agora sem ter que passar meus dias e noites andando perto daqueles dragões de pedra tão perfeitamente esculpidos que quase parecem ser reais esses sonhos finalmente parem de vir
Obrigada por ler, comentários são sempre apreciados.
