Chapter 20:

E realmente, sentia essa convicção por dentro; tinha dois pais, um namorado estupendo, a verdade por diante, e futuros amigos que fazer. Não podia pedir nada mais, salvo conseguir que Draco se instalasse permanentemente na Mansão. Harry amava sua vida atual, e não a deixaria escapar por nada do mundo. Com um beijo longo e profundo no meio do corredor, ambos jovens se despediram; Harry volvia a seu dormitório, e Draco iria com o Lord.

A noite fez-se eterna para Harry, que deitado em sua cama opulenta, pensava e pensava no que podia querer o Lord de seu companheiro. Girou para o lado direito, parando-se de custado, enquanto olhava a grande porta diante de si; almejava que Draco entrasse por ali e lhe acompanhasse, esquecendo ao Lord e seus estranhos assuntos. Acabou dormindo, enquanto ruminava, curioso, sobre o que poderia estar dizendo a Draco seu Amo.

A manhã golpeiou-lhe com os potentes raios do Sol de Junho, e com um rosnado, girou sobre si, grunhindo. Com um suspiro, Harry franziu o cenho e começou a mover-se com preguiça. E, sonolento, o eleito saiu ao salão tomar o café da manhã, encontrando-se a Severus tomando o café. Impactado por ver a outro ser vivo a essas horas da manhã, rosnou um saúdo, antes de se sentar a comer, seguindo sua rotina.

- Olá, Harry.

- Que faz por aqui a estas horas, pai? - perguntou, sem olhar na cara. Encontrava-se cansado, devia admiti-lo, mas aquela curiosidade inata em o obrigava-lhe a acordar-se paulatinamente.

- Café da manhã, como você.

- A que horas chegaste? Não te encontre quando me fui dormir.

- Teve uma reunião da Ordem, que não estava prevista para esse dia.

- De que se falou? - pergunto um muito interessado Harry, completamente acordo, inclinando-se na mesa, expectante.

- Conto ou não te conto? - murmuro para si mesmo o professor, com um amago de sorriso.

- Conte, Sev. - disse uma voz a suas costas. Harry levantou a mirada do rosto do moreno para ver a James, avançando para eles, ainda em pijama.

- Planejam conseguir a liberdade para Black. Estiveram falando de pegar a Wortmail, até que lhe disse que Pettigrew nunca saia de missão. Depois, Black me perguntou sobre seu paradeiro…

- E onde está agora?

- Em minha casa.

- Não estará pensando Dumbledore entrará em sua casa, não?

- Não, em absoluto. Black começou a me gritar coisas como que ele se merecia a liberdade antes que eu, que deveria estar morto, e todas essas tonteiras que costuma dizer.

- Isso é… cruel. - interveio Harry, impressionado pela atitude de seu padrinho. Ambos progenitores lhe olharam céticos, até que James disse:

- Não lhe conte nada. Pense que não queria que soubesse todo o enredo que há.

- Que…?

- Coisas de maiores, Harry. É melhor ignorar o que te faz infeliz desnecessariamente. - cortou o tema de conversa Severus, evadindo perguntas.

- Por que não posso o saber? - questionou o pequeno, enfadando-se.

- Porque não queremos que se meta em problemas, Harry. - começou amavelmente James. - Realmente é algo muito confuso de contar, só com que saiba que nem Black nem Lupin são doces pombas, é suficiente.

- Está relacionado isso com o ódio de Bellatrix a Lucius?

- Mais ou menos, mas não te poderia dizer a ciência verdadeira. Bela não odeia a Lucius, só lhe cai mau, igual que Severus e eu lhe caímos mau.

- E por que…?

- Coisas de maiores, Harry. - disse cortantemente Severus. - Melhor falemos de outros assuntos.

- O Lord está programando um ataque contra a Toca. - informou o rapaz de cabelos rebeldes. James e Severus observaram-lhe com curiosidade, esperando uma reação, e Harry se removeu em seu lugar.

- Está bem? Se sente incapaz de…? - pergunto com simpleza o professor, mirando-lhe estranhamente.

- Estou bem, é só que… E se sai mau? E se me descobrem? Tenho medo de não poder lhe matar, eles têm sido minha única família durante anos.

- Chegado o momento saberá que fazer. - asseguro-lhe Severus. - Eles te odeiam, são seu inimigo. Pensa em tudo o que te une a eles e o que te separa deles, e depois tire suas próprias conclusões.

O resto do café da manhã passou em silêncio, e Harry dedicou-se a pensar nas palavras de seu pai: haviam passado muitas penúrias juntos, e isso lhes havia unido. Por outro lado, apoiavam a Dumbledore, lhe haviam dado às costas quando mais precisava. Talvez eles não o soubessem, mas Harry havia sofrido aquele verão depois do Torneio, sem poder ser comunicado com seus amigos, sofrendo os abusos de Vernon e encerrado naquela habitação pequena e malcheiroso.

E seu sofrimento e dor haviam aumentado quando havia recebido as cartas de Hermione e Ron, sem contar nada verdadeiramente importante. Voldemort não se movia, e Harry se desesperava, sem saber que fazer para abstrair-se daquela tortura. E ali havia surgido seu ódio para eles, por não estar a seu lado, por desentender-se dele. Lhe haviam abandonado durante o verão, e aquilo lhe doía; eles eram seu único contato com o mundo magico, com o mundo ao que pertencia.

Ademais, Harry havia crido que, verdadeiramente, seus amigos lhe consideravam louco, tal e como afirmavam os periódicos mágicos. Franziu o cenho; não sabia porque, mas às vezes sentia a imperiosa necessidade de golpear seus alegres rostos. Suspirou com força, e colocou os prós e os contras na balança.

E então ele decidiu: se vingaria deles. Ron e Hermione lhe haviam dado as costas, desprezavam, e em parte aquela atitude estava bem vista por Albus Dumbledore. Sabia que lhe jogar a culpa de tudo o que tinha passado não era justo nem correto, mas aqueles griffyndors haviam participado em seu abandono e rejeição, possessiva parte desta.

E ultimamente os Weasley inspiravam-lhe a cada vez mais ódio; aparte da formal inimizade que tinham com seu Amo, se encontravam os motivos pessoais: os pais sabiam que Dumbledore lhe manipulava, mas duvidava que os filhos soubessem disso. Terminou languidamente o café da manhã, e despedindo-se de seus pais, caminhou até as habitações dos Malfoy.

Com força chamou à porta, e esperou impaciente a que alguém abrisse, passando o peso de seu corpo de um pé a outro, balanceando-se ligeiramente. E, por fim, a porta se abriu, e Draco aparecia no dintel de madeira. Seu aspecto era levemente doente, e as escuras olheiras baixo seus mares prateados revelavam sua insônia. Sua expressão traída e ansiosa mudança radicalmente no momento em que sua mirada se posou em Harry, e o moreno sorriu de volta, enquanto o loiro se apartava.

- Entre, Harry.

- Que queria o Amo? - perguntou diretamente o garoto da cicatriz, se sentando no amplo sofá em frente ao fogo. Não parecia ter indícios de que Lucius estivesse em as habitações, e isso alegro internamente a Harry; a mirada do pai de seu noivo era puro fogo, e isso lhe para se sentir levemente intimidado.

- Pois… - o loiro titubeio, sem olhar-lhe diretamente aos olhos. - Quer que mate a Dumbledore.

- Matar a Dumbledore? Mas se ele é…

- Intocável. - terminou Draco com amargura em sua voz. - Eu sei, é o que tenho estado pensando toda a noite. Nisso e no muito que te quero. - agregou em um tom pícaro e sensual.

- Já tem algum plano?

- Não, não se me ocorre nada. Hogwarts é inexpugnável, com todos os aurores pululando pelos arredores. Meter algum objeto escuro no colégio não é possível pelos controles, assim que terei que me enfrentar a ele, suponho.

- E por que não prova a tentar meter algum comensal no castelo para que te ajudem?

- Poderia ser mais nesse caso… - Draco calou ao ver como Harry se tomava o antebraço esquerdo, com uma expressão de dor no rosto.

E realmente doía; a pele começava a sensibilizar-se e irritar-se, enquanto as ardentes pulsadas de dor cessavam. Com um amago de sorriso, Harry desculpou-se, enquanto saia da habitação. Que queria o Amo? Se sentia estranhado pelo chamado, ao mesmo tempo que intrigado e preocupado por Draco. Ao pobre rapaz se notava ansioso, nervoso e desesperado, e Harry lhe compreendia, já que era Dumbledore. Se falhava lhe pegariam iria a Azkaban, e se voltava com uma falha a suas costas, o Inominável lhe torturaria até que se cansasse. Ademais, suas possibilidades a acerto se reduziam drasticamente a um por cento, um dado que assustava ao rapaz até extremos inúmeros.

Rapidamente chegou até a porta de madeira escura; a paciência não era uma das virtudes do Lord. Inspiro com força, e chamo um par de vezes à porta, abrindo-a ato seguido. Esperando ver unicamente ao Amo, Harry alço as sobrancelhas como muda surpresa ante a visão de Bellatrix Lestrange ajoelhada ante o Senhor. Com sigilo, se finco no chão a modo de saúdo, sem levantar a vista a seu superior, e esperou a que falasse:

- Hoje atacaremos a Toca. Quero uma operação montado para esta meia-noite, será o ajudante de Bela e observará como se fazem as coisas. - disse o Lord referindo-se a Harry. - Levem a Fenrir, Gibbon, Rodolphus e Rabastan. - o silêncio apoderou-se da sala, quando o Lord deixou de falar. Finalmente, se dirigiu à comensal mais experimentada. - Bela, me deixe a sós com Harry.

- Sim, Senhor. - respondeu obediente a comensal. Se levantando com gracilidade, atravessou o quarto e fechou a porta por atrás dela. Voldemort esperou uns segundos até voltar a falar:

- Você será a isca, Harry.