Chapter 21

- Hoje atacaremos a Toca. Quero uma operação montado para esta meia-noite, será o ajudante de Bela e observará como se fazem as coisas. - disse o Lord referindo-se a Harry. - Levem a Fenrir, Gibbon, Rodolphus e Rabastan. - o silêncio apoderou-se da sala, quando o Lord deixou de falar. Finalmente, se dirigiu à comensal mais experimentada. - Bela, me deixe a sós com Harry.

- Sim, Senhor. - respondeu obediente a comensal. Se levantando com gracilidade, atravessou o quarto e fechou a porta por atrás dela. Voldemort esperou uns segundos até voltar a falar:

- Você será a isca, Harry.

O rapaz de cabelos negros prendeu a respiração; uma coisa era participar no ataque e outra bem diferente era ser o ator principal: enfrentar-se a Sirius, Remus, os Weasley… Engoliu em seco e manteve-se em silêncio, sem animo nem coragem para contrariar lhe. Afinal de contas, - pensou Harry. - sabe de meu grau de maestria com a varinha, se deu-me esse papel é porque confia em mim.

- Sim, senhor. - assentiu finalmente.

- Sua missão consistira em deixar-te ver. Terá que se aparecer em frente à toca, e fazer que te persigam fora da casa. A partir de ali, simplesmente deverá brigar até que os chame e de por finalizada a incursão.

- Sim, senhor. - voltou a repetir monotonamente Harry.

- Pode ir-te. Acompanhe a Bellatrix a preparar a operação, e aprende dela. - ordenou-lhe por última vez, com voz fica.

Harry levantou-se, e com uma opulenta reverência se despedido do Senhor Tenebroso. Rapidamente, caminhou com sigilo até a porta e cerrou atrás de si, deixando a seu Senhor sozinho nas habitações. Estava nervoso; sabia que Bellatrix estaria lá embaixo, nas masmorras. Segundo havia ouvido em conversas alheias, era ali onde se preparavam os ataques importantes mandados diretamente por seu Senhor, e a comensal tinha um que organizar um.

Suspirando silenciosamente, começou a caminhar pelos tenebrosos e escuros corredores, se dirigindo aos porões, contrário a seus desejos, que se encontravam nas habitações Malfoy, junto a Draco. Se sentia preocupado por ele; aquela tarefa que Voldemort lhe havia imposto se lhe para demasiado grande e difícil, ainda que não se queixasse abertamente.

Seus passos cedo levaram-lhe até a grossa porta metálica das masmorras, e contrariado, entrou. Nunca havia estado na sala onde se montavam os preparativos, pelo que não tinha cria de onde poderia estar. Passando pelo longo corredor estreito onde se localizavam as celas dos presos, Harry fez caso omisso de seus silêncios e seus medos, enquanto passava até a seguinte fase daquelas catacumbas.

Abriu com facilidade a pequena porta barrado de ferro, e olhou a seu ao redor: tinha três caminhos a eleger, e múltiplos corredores de pedra fria e úmida alçavam-se ante ele. Aquela parte dos calabouços era praticamente um pequeno buraco infernal onde se perder depois de dar dois passos.

Com um calafrio, Harry recordou a terceira prova do Torneio dos Três Magos; aquela sensação de claustrofobia e angústia ante a perspectiva de ver-se dentro do labirinto de sebes voltava a surgir nesse momento. Pressionado, Harry se aferrou ao pomo metálico da porta, enquanto respirava fundo. Depois de uns segundos de absoluto silêncio, seu grito quebrou a atmosfera:

- Senhora Lestrange? - sua voz saiu trémula e insegura. Esperou e esperou, sem receber resposta, e sem saber bem para onde marchar, foi em frente. Avançou a tombos, agradecendo a todos os deuses que o feitiço da Mansão não afetava às catacumbas.

Cedo chegou a uma encruzilhada de caminhos, e, depois de olhar detidamente a cada um deles, seguiu pela direita. Varinha em mãos e com os músculos tensos, girou à esquerda, e depois à direita. Baixou parado em frente a uma parede de pedra, mirando-a estranhado: não tinha saída.

Um pouco mais pressionado, voltou sobre seus passos e girou outra vez à direita. Apertando o passo, desta vez girou uma vez mais à direita, e seguiu o reto corredor. Mas uma voz atrás de si fez-lhe frear em seco:

- Potter? - a pergunta era retorica, segundo viu o aludido quando girou sobre seu eixo. Lestrange encontrava-se ali, mirando-lhe com uma expressão de difícil entendimento. Harry se sentiu aliviado, e suspirou, quitando-se um peso de em cima. - Que faz aqui?

- Venho a ajudar-lhe com a operação, senhora Lestrange. O Amo ordenou-me que viesse aqui.

- Isso já eu sei. O que quero saber é porque estava deambulando pelas catacumbas.- exigiu ela com tom cortante.

- Eu… A ia buscar. Me escutou? - pergunto, estranhado pela nula contestação imediata da mulher.

- Perfeitamente. - a morena giro até dar-lhe as costas, e ordeno. – Me siga.

- E por que não me avisou de que me havia ouvido?

- Porque, ao invés que você, Potter, eu tenho um pouco de decência. Nunca há que perder as boas formas. - Harry boqueou um par de vezes atrás de si, enquanto lhe seguia, mas, depois de uns segundos, decidido calar. Talvez havia sido rude, mas era o único recurso que tinha nesse momento.

Caminharam por vários corredores estreitos, com Harry calcando os calcanhares da mulher, confuso por toda a confusão de direções que tentava memorizar em vão. E finalmente, Bellatrix desempregou em frente a uma parede qualquer. Harry observou-a estranhado, e ela se girou, mostrando-lhe seu anguloso rosto.

- Está parede tem um mecanismo semelhante ao da barreira em a Kings Cross. Você primeiro, Potter.

Harry olhou alternativamente à comensal e a parede, tentando ver o chiste em aquela ordem. Mas não parecia ter nenhuma broma de por meio nem nada humilhante, e Harry, pondo suas mãos adiante de seu rosto, desconfiado, correu para a parede.

Para sua surpresa, seus dedos pálidos desapareceram depois da superfície visivelmente opaca e volumosa da barreira, e poucos segundos depois, seu corpo se afundou completamente, fechando os olhos. Com rapidez voltou a abri-los, enquanto tropeçava torpemente com seus próprios pés. Se desequilibrou, e antes de que chegasse Bellatrix, voltou a recompor-se, envergonhado por ter desconfiado dela.

Harry olhou a seu ao redor; a tênue luz de uma tocha era insuficiente para trabalhar nessa habitação, mas suficiente para apreciar os objetos de seu ao redor. Um tapete velho e puída, cheia de pó acumulado durante anos, situava-se no chão da sala, cobrindo o centro desta.

Em cima dela, repousava uma mesa grande de quatro pés e tabelas grossas, cheia de nodos e baronizado em um tom escuro. As paredes estavam cobertas em sua totalidade pelo resto do mobiliário: no muro direito havia dois grandes estanceiras de estilo barroco, abarrotadas de livros e documentos de páginas amarelentas e antigas.

As paredes esquerda e frontal estavam cobertas de arquivadores metálicos de pastas suspensão, com uma minúscula nota no dorso da cada gaveta. Em cima da mesa encontravam-se uns papéis que tinham um aspecto menos amarelento que o resto, que Harry se apressou a bisbilhotar, ante a atenta olhada de Bellatrix.

A apertada letra do documento era difícil de ler, mas o moreno pôde distinguir o encabeçado do plano que se encontrava estendido na superfície da mesa: Toca e seus arredores. Com atenção, observou a planta inferior com o salão e a cozinha marcados nitidamente no pergaminho.

A delgada e ossuda mão de Bellatrix apareceu em seu campo de visão, agarrando com gracilidade e elegância sua varinha. Com a ponta da mesma, tocou duas vezes na superfície porosa do plano, e rapidamente, uma reprodução a escala da Toca começou a formar-se ante os olhos de Harry.

Tal e como se estivesse desenhando no ar, aquele invisível pintor traçava os limites da finca e seu interior fragmentado com rapidez, e por fim, começou a desenhar os campos ao redor da moradia. Nem gás nem liquido, aquelas linhas etéreas que se desenhavam no ar se assemelhavam à substância da que estavam feitas as lembranças.

Harry observou a figura suspendida no ar com incredulidade; nunca antes havia visto algo parecido àquilo. Mas seu assombro durou pouco; rapidamente, umas sombras escuras e de traços masculinos traspassaram a barreira, fazendo sair de sua trance apressadamente.

- Aqui estamos. - informou um homem alto e fornido, com grandes braços e torso peludo. Sua voz soava manhosa e encorajado, e Harry pôde ver como Bellatrix rodava os olhos.

- Já o se, idiota. Faz-nos um favor a todos e se cale. - disse-lhe em tom cortante. Por trás do comensal escutaram-se risos entrecortadas, e um empurrão fez ao enorme homem a um lado.

- Bom, Bela, você dirá… - disse um homem de costas largas e com um sorriso amplo, que deixava entrever suas presas afiadas.

- Que faz o garoto Potter aqui, carinho? - perguntou outro, de ombros e torso estreito, com uma figura estilizada, enquanto tomava à comensal da cintura.

-Ele também participa, Rod. - respondeu com voz cansada Bellatrix.

- Bom, e o plano? A quem atacamos? - perguntou impaciente o último sujeito, parecido ao tal Rod. Seu cabelo era castanho, ao igual que o de Rod, e seu aspecto nervudo.

- A Toca. - disse com simpleza Bellatrix, desfazendo-se do agarre do estranho homem. Acercando sua boca à orelha de Harry, lhe sussurrou, assinalando aos diferentes comensais. - Rodolphus Lestrange, meu marido, - seus dedos aponto ao homem que havia tomado à mulher da cintura. - Rabastan, seu irmão, - assinalo ao último homem que havia entrado. - Gibbon, - desta vez apontou ao fornido homem peludo que tinha entrado em primeiro lugar. - e Fenrir Greyback. - assinalou por último a mulher ao segundo homem, de presas sumamente afiados.

Rapidamente reuniram-se todos em torno da borda mesa, e os cinco comensais adultos começaram a discutir sobre os postos que desejavam tomar a cada um e suas posições. Finalmente, depois de uma intensa jornada de preparativos, Harry terminou seu trabalho. Com um suspiro olhou a hora; as doze menos cinco da madrugada. Cansado, esfregou-se os olhos com as mãos, enquanto se vestia com a túnica de comensal: hora de começar o ataque à Toca.