Chapter 22:

Rapidamente reuniram-se todos em torno da borda mesa, e os cinco comensais adultos começaram a discutir sobre os postos que desejavam tomar a cada um e suas posições. Finalmente, depois de uma intensa jornada de preparativos, Harry terminou seu trabalho. Com um suspiro olhou a hora; as doze menos cinco da madrugada. Cansado, esfregou-se os olhos com as mãos, enquanto se vestia com a túnica de comensal: hora de começar o ataque à Toca.

Harry esperou impaciente, mordendo-se o lábio inferior. Suas tarefas como comensal não lhe haviam permitido ver a Draco em todo o dia, e estava preocupado pela angústia que havia demonstrado o rapaz ante a responsabilidade que o Lord havia depositado sobre seus ombros. Ademais, suas próprias tarefas como assassino lhe abrumavam; o dilema dos Weasley, apesar de tê-lo resolvido, voltava a surgir em sua mente a cada pouco tempo, fazendo-lhe replantar-se suas opções.

E, a escassos minutos de começar o operativo, a vista de Harry posava-se sobre a parede contrária, pensativo e nervoso a partes iguais. Suas mãos estavam resvaladiças pelo suor acumulado, seus músculos tensos e rígidos, e na boca de sua estomago, um pequeno nodo de ansiedade.

E Harry captou a ironia desse momento; estava mais nervoso por aquele ataque que por sua iniciação ou sua primeira operação. Talvez porque ele era a peça finque de toda a malha, quiçá porque devia pôr em pratica as adiantadas classes de desaparecimento que o Lord lhe tinha dado…

Sua boca estava seca, e a sentia pastosa, como se a cada vez que pronunciasse uma palavra saísse um doloroso rosnado de seus lábios. Um suspiro baixo escapou-se de sua boca, enquanto passava o peso de sua perna esquerda à direita. Se sentia doente, vendo como as mãos do relógio avançavam lentamente, sem ver o momento em que pudesse começar a operação.

- Hora de ir-se, Potter. - disse Bellatrix a seu lado. Segundo o plano que haviam traçado essa tarde, o devia ser o último em partir, um pouco mais tarde. Assentiu debilmente, com a cabeça baixa, enquanto se removia inquieto em seu lugar. Pelo canto do olho viu como Lestrange desaparecia, e as diminutas explosões detrás seu lhe fizeram saber que estava só.

Jogou sua cabeça para atrás, fechando os olhos em uma tentativa de tranqüilizar-lhe. Devia dar-lhes tempo para que ocupassem suas posições, antes de que entrasse em ação. Se sob a ponte do nariz; um minuto, dois minutos… Sem aguentar mais tempo, ao terceiro minuto concentrou-se no lugar ao que desejava ir, e, como se fosse absorvido por algum extrator muggle, começou a ver diversas cores borrando ante seus olhos, para voltar a recompor-se à entrada da Toca.

A cerca de madeira antiga e desgastada deu-lhe as boas-vindas a Harry, enquanto sentia como traspassava as barreiras magicas, alertando de sua presença aos habitantes da parcela. Sorriu, esperando que os Weasley saíssem para lhe receber, ainda coberto com a capa escura.

Mas não foram eles os que saíram; Black e Lupin abriram a grossa porta de madeira, adiante de Tonks, varinha em mãos. Em seguida, o cenho de Sirius se franziu, enquanto Lupin alçava as sobrancelhas surpreendido, aparentemente, de ver-lhe. Harry empunhou sua varinha com decisão, levantando à altura de seu peito, e, confundindo a seus inimigos com seus movimentos, lançou um incêndio ao chão, a sua direita, queimando o pasto seco e seco de verão, que em seguida prendeu.

O fogo deslocou-se rapidamente à direita, cercando a moradia e queimando a cerca de madeira seca. E, ato seguido, Harry começou a correr em direção contrária, internando-se no pequeno bosque de juncos e erva daninhas. O grito afogado da metamorfomaga chegou aos ouvidos de Harry com a mesma intensidade que o grito furioso de seu padrinho.

Sorriu; o plano marchava conforme ao esperado. Os juncos golpeavam em seu rosto, enquanto sua respiração se volvia agitada, e seus músculos tensos começavam a pôr-se em marcha rapidamente. Depois de uma carreira frenética durante vários minutos, o flato começou a doer-lhe, e viu-se obrigado a reduzir sua velocidade, enquanto chegava à zona que haviam marcado como segura.

Os pés de Harry tocaram a água daquele pequeno estanque, com aquele estranho ilhote em seu centro. Mal lhe cobria até a costume de sua sapatilha. E, no momento em que tocou o ilhote com seu pé direito, um encantamento lhe fez sair despedido para diante, caindo entre os juncos.

Seu ombro direito chocou diretamente contra o duro solo, produzindo-lhe uma onda de dor que lhe fez gemer silenciosamente. Com rapidez, levantou-se do solo e colocou-se em posição defensiva, olhando a Sirius, que exalava ódio pelo cada poro de seu corpo. Seu peito subia e baixava rapidamente, e notava cansado pelo esforço físico, ainda que seu olhar de ardente rancor e aversão lhe traspassava.

- Você! - gritou Black, enfurecido. Harry não contestou, enquanto esquivava um dos feitiços que lhe havia lançado Sirius. Rapidamente, Remus e Tonks puseram-se a seu lado, enquanto os irmãos Lestrange saiam dentre as ervas, com idênticos sorrisos maléficas. Desde sua posição, Harry viu como Fenrir e Gibbon saiam por trás dos aurores. Sorriu, olhando a Black. Seria… divertido.