Chapter 23:
- Você! - gritou Black, enfurecido. Harry não contestou, enquanto esquivava um dos feitiços que lhe havia lançado Sirius. Rapidamente, Remus e Tonks puseram-se a seu lado, enquanto os irmãos Lestrange saiam dentre as ervas, com idênticos sorrisos maléficas. Desde sua posição, Harry viu como Fenrir e Gibbon saiam por trás dos aurores. Sorriu, olhando a Black. Seria… divertido.
Os feitiços voavam a seu ao redor, enquanto esquivava os de seu padrinho e se protegia. Sentia a adrenalina acelerar seu pulso, imprimindo-lhe a força necessária para não fraquejar. Sirius era demasiado bom duelista, e Harry não estava preparado para lhe enfrentar, não, todavia. Sua agilidade de buscador e sua juventude faziam do combate um duelo um pouco mais justo, mas a diferença entre eles era intransponível, ou ao menos, isso lhe parecia a Harry.
Rapidamente, Ron se uniu ao combate, com o rosto sardento tão vermelho como seu cabelo, com ira asfixiante em sua garganta. Ira dirigida a Harry unicamente. Um feitiço saiu da ponta de sua varinha, e Harry o esquivou com dificuldade; Black acossava com sua experiência, e Ron parecia ir morder-lhe a jugular.
Mal passaram cinco segundos, e Hermione se uniu ao duelo. Seu rosto estava levemente corado pela correria, e o suor perlava sua testa, buscando a Ron com a mirada. Um feitiço desviado de algum combate dos que se desenvolvia lhe golpeou sem mal força, desestabilizando-a, enquanto corria para o ruivo.
E uma última cabeleira vermelha assomou acima dos juncos; Arthur Weasley havia chegado. Com frustração olhou aos comensais, enquanto repelia seus feitiços, avançando para seu filho. Os seis magos apinhavam-se em o pequeno ilhote do charco, protegendo-se as costas os uns aos outros, tentando ganhar terreno. E cedo Harry pôde ser centrado de próprio em seu próprio duelo com Sirius.
- Expelliarmus! - gritou furioso Black. O feitiço tomo-lhe por surpresa, e Harry não pôde fazer nada para esquivar ou repelir; o raio vermelho impactou em seu peito, lançando com força para trás.
Suas costas se ressentido pelo golpe, entre as omoplatas diretamente. Emitiu um gemido baixo, enquanto situava-se a gatas, apoiando-se em suas mãos e joelhos, tentando recuperar fôlego e encontrar a força necessária para levantar-se. Escutava o combate como um ruído longínquo; parecia que Black o havia lançado pelo menos dez metros.
O ruído de passos acercando-se fez-lhe apressar sua recuperação; seguramente Sirius queria cobrar-se vingança. Tentou-se incorporar; a dor em suas costas parecia matar, mas, uma e outra vez, tentou. Seu braço esquerdo parecia ser o mais danificado; mover o ombro era nesse momento para Harry uma tarefa quase impossível.
Não pôde; o flato acossava com pulsadas leves de dor, e seus braços e pernas começavam a tremer pelo esforço. Não estava preparado para essa missão. Inspirou uma lufada ampla de ar, antes de tentar por última vez levantar-se. Aqueles passos estavam a menos de dois metros de o, podia senti-los. Sabia que Sirius não ia só, as agitadas e ruidosas respirações de Black e seu acompanhante lhes delatavam.
- Quer que te ajude a se levantar, Harry? - perguntou sarcasticamente seu padrinho. Ainda desde sua posição no chão, derrotado, Harry sentiu o sangue ferver em suas veias; não sabia que havia passado entre suas famílias, mas parecia ter em sua voz um ódio intenso, tanto como o que James lhe professava de volta. Não lhe olhou; sua voz lhe dizia que estava a menos de um metro, e já podia ver as pontas de seus sapatos. - Expelliarmus!
O corpo flácido de Harry voou uns metros mais longe, e fazendo um descomunal esforço, consigo manter sua varinha consigo. Desgraçadamente, Harry caiu sobre o ombro esquerdo, e se não estava suficientemente danificado, se deslocou. Uma onda de dor lhe sacudiu, abrasando, enquanto gritava de dor. Seu rosto se desfigurou em uma careta, enquanto respirava agitadamente, tombado sobre seu ombro direito.
Como pôde, se encolheu, tentando se incorporar em vão. E mais cedo do que tivesse desejado, os sapatos de Black voltaram a aparecer em frente a ele, junto aos de Lupin, mas maltratados pelo uso. Não teve sequer que adivinhar que suas varinhas lhe apontavam ameaçadoramente, que o ódio parecia consumir a Black.
- É igual a teu pai, Potter. - seguiu cruelmente o homem. E Harry pensou por um momento em Snape; o ódio com o que o pocionista solia o dizer se assemelhava muito à intensidade com a que Black esculpia suas palavras. - Um traidor de merda, uma rata covarde e asquerosa.
- Que te ofereceu, Harry? - interveio Lupin, com um tom conciliador. - Que te dá o que não te possamos dar nós?
- A verdade. - sussurrou Harry, sabendo que lhe ouviria. E Black saltou em seguida, como o cão furioso que era:
- A verdade? Aqui a única verdade é que você é um asqueroso assassino, que te vai a apodrecer em Azkaban depois de que te tenha sacado até a última gota de informação, me ouves? - disse ameaçador, acercando seu rosto ao do caído Harry, que não se digno a lhe lançar um olhar.
- Vamos, Harry, sabe que isto não está bem, que não pode matar a gente porque não concordam com sua opinião. Se te retrata agora poderia se livrar de uma boa temporada de Azkaban, poderíamos interceder a teu favor. - tentou convencer-lhe Lupin. Com um sorriso irônica nos lábios, soltou uma gargalhada seca, burlando-se de ambos homens.
Com fúria, sabendo onde golpear, Black fincou seu sapato com força no ombro esquerdo do Eleito, impeliram para atrás, deixando-lhe meio tombado no duro chão de terra rachada e seca. Contraiu seu rosto em uma careta de dor, enquanto ficava cara a cara com seus agressores.
Havia perdido; devia reconhecê-lo. Pensou em seu futuro; eles levariam a Grimmauld Place, o interrogariam, e depois o deteriam em Azkaban. Seu rosto encontrava-se pálido, enquanto sentia as varinhas dos dois marotos alçar-se contra ele.
Uma intensa contração em seu braço esquerdo salvou-lhe; a marca lhe queimava, era hora da retirada. Aquilo pareceu acender todas suas luzes, e, antes de que Black pudesse nocautear com um desmaius, se concentro em seu quarto, na Mansão Tenebrosa.
As figuras de Remus Lupin e Sirius Black se desfocada em frente a ele, enquanto tudo a seu ao redor se volvia um revolto de cores, entre eles o vermelho intenso do fogo que quebra o pasto seco e os palheiros de palha de sua ao redor. Se sentia envergonhado, humilhado por ter escapado tão covardemente, mas por outra parte aliviado por ter saído daquela situação coceguento. Cerrou os olhos cansado, enquanto todo volvia a recompor-se em seu quarto.
