Chapter 29:
- Nunca devia ter nascido esse… engendro. - o ódio tingiu suas palavras, enquanto, internamente, os três slytherins mostravam-se assombrados. Sabiam o apegado que tinha estado de Black; não qualquer pessoa cometeria atos ilegais para salvar a seu padrinho.
Harry sorriu, enquanto o ódio dissipava-se em suas veias. Sua mão unida à de Draco, se cerrou um pouco mais forte em torno dela, tentando lhe transmitir parte desse carinho que guardava em seu interior. Olhou aos amigos de seu companheiro; seus semblantes estavam impertérritos, mas em seus olhos se leia claramente a surpresa.
- Não esperava essa reação por sua parte, P… Harry. - admitiu finalmente Blaise, olhando com as sobrancelhas alçadas.
- Tenho mudado. - disse simplesmente, com um sorriso misterioso.
- Sim, realmente é impressionante a mudança que tem dado. - disse Nott. - Tem passado de ser o arrogante menino-que-viveu a ser um comensal. - sorriu de meio lado, enquanto Blaise dava-lhe uma cotovelada amistoso. Não obstante, Draco lhe beijo nos lábios, antes de sussurrar-lhe sensualmente:
- A mim gosto mais agora. - Harry sorriu radiante, feliz pelas atenções de seu companheiro. Por trás de Malfoy, viu como Zabini punha os olhos em alvo, e Theo olhava-lhes curioso.
Com rapidez, Blaise levantou-se do sofá, propondo jogar ao quidditch na explanada por trás de Malfoy Manor, e todos aceitaram. Fizeram as equipas Malfoy e Zabini, e ao ver a nula participação de Nott, decidiram simplesmente jogar a apanhar a snitch.
Harry acompanhou ao solitário Slytherin embaixo de uma árvore; ao ter o braço deslocado, não estava capacitado para jogar. Por um tempo, ambos rapazes ficaram calados, sentados no verde pasto, observando aos dois Slytherin bater num duelo aéreo, tentando conseguir a snitch.
Mas os olhos de Harry não se descolavam da figura recortada de Draco, em sua flamante Nimbus 2001, fazendo vergueiros no ar, enquanto seguia à snitch. Suspiro audivelmente, sem dar-se conta do sorriso apaixonado que se formava em seus lábios. Um momento mais tarde, Theodore disse:
- Quer-lhe muito, não? - os olhos de Harry voltaram a olhar ao Slytherin que, outra vez silencioso, seguia olhando o duelo de vassouras em frente a ele.
- Sim. Ele é muito importante para mim, Nott. - admitiu Harry, sem exagerar. A risco de parecer indiscreto, perguntou, segundos mais tarde. - E você? A quem quer?
- Eu ainda não conheço o significado dessa palavra, Harry. - Harry notou como sua mirada se tornava melancólica, antes de franzir o cenho levemente e voltar a ser o mesmo.
- Por que finge tanto, Theodore? - pergunto curioso Harry, tombando-se no pasto. O garoto olhou-lhe longamente antes de que Harry acrescentasse. - Todos os Slytherin que conheço ocultam seus sentimentos.
- Demonstrar seus sentimentos é sinônimo de debilidade. Escolhe sabiamente em quem confiar, nunca se arrisque demasiado se não sabe o resultado mais provável, e, sobretudo, não se deixa levar por sentimentalismos. Só então será um bom Slytherin.
Harry meditou um bom momento sobre suas palavras, gravando em sua mente, enquanto olhava o céu. Estava de uma cor azul claro, sem nuvens, sinônimo de calor sufocante. Suspirou, pensando nas longas caminhadas quando ainda era um simples esbirro de Dumbledore, por Privet Dirve. Era uma das poucas coisas que estranhava, quiçá; relaxava-lhe estar só durante um momento, poder caminhar e afundar em seus pensamentos, por mais banais que fossem, ou simplesmente, deixar de pensar.
- Não pensei que fosse tão difícil. - disse finalmente Harry, com sua mirada fincada no azulado céu.
- Não entendo.
- Ser Slytherin, ser comensal… É tão complicado.
- Se não gosta o que faz, sempre pode nos trair. - disse com frialdade Theodore.
- Não queria dizer isso. Simplesmente… Quando estava em Griffyndor tudo parecia normal. Sem regras, sem normas que seguir, simplesmente ser você mesmo.
- Os Slytherin estamos sozinhos ante o mundo. Considerados comensais. Por isso somos assim. Todos nos odeiam, nos olham acima do ombro, se unem em nosso contra. Por isso não brigamos entre nós, é preferível nos apresentar juntos contra o inimigo, que estar fraccionados. Nem tudo é como dizia Maquiavel. - Harry sorriu, entendendo a que se referia. E era nesse momento quando se deu conta em parte do que passava; o como gente tão diversa e diferente se unia, formando grupos. Como todos pareciam seguir a batuta de um líder.
- Nunca tinha pensado nisso, verdadeiramente, Theodore. Suponho que tenho sido um pouco egoísta, pensando somente em mim mesmo. - admitiu Harry, apenado por sua conduta. Esse garoto tão estranho lhe caia bem; não parecia ser o típico rato de biblioteca que se enchia a boca de façanhas nunca cometidas. Inspirava-lhe confiança, e pensar na bonita amizade que poderiam ter levado Draco e ele durante os primeiros anos de escola, lhe levava ao arrependimento.
- Não sinta, Harry. A cada qual faz o que pode para salvar seu traseiro. - Harry sorriu ante seu comentário. Definitivamente, esse garoto lhe caia bem.
- Tem uma estranha forma de pensar, Theo. - disse ao cabo de um momento Harry.
Juntos, sentados no pasto verde, ambos rapazes observaram como Draco e Blaise chegavam até eles, voando com macieza. Os sorrisos em seus rostos suados e com um leve corado pelo esforço indicaram-lhe a Harry a satisfação que lhes produzia aos dois Slytherin voar e sobretudo, competir. Draco acercou-se até o, e tendendo-lhe uma mão, ajudo-lhe a levantar-se com macieza.
De caminho de regresso a Malfoy Manor, Harry escutou as fanfarronadas dos dois amigos com um sorriso nos lábios; nunca tivesse pensado que estar entre serpentes pudesse ser tão gratificante. Olhando a hora em seu relógio de pulso, Harry decidiu voltar a casa para comer com seus pais, e depois, começar a oclumência.
