Chapter 30:
De caminho de regresso a Malfoy Manor, Harry escutou as fanfarronadas dos dois amigos com um sorriso nos lábios; nunca tivesse pensado que estar entre serpentes pudesse ser tão gratificante. Olhando a hora em seu relógio de pulso, Harry decidiu voltar a casa para comer com seus pais, e depois, começar a oclumência.
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- Levanta, Harry. - disse Severus aborrecido. Só eram as cinco da tarde, mas na hora que levava praticando oclumência aquela tinha sido a cena mais repetitiva.
Harry levantou-se com lentidão, levemente mareado. Sentiu um fugaz ódio para si mesmo, por empenhar-se em começar as classes de oclumência ainda que seus pais lhe tinham dito que não estava preparado. Porque, após dez tentativas, o único que tinha conseguido era ver sua vida em imagens passa por sua cabeça e cair ao chão. Uma e outra vez.
E era frustrante; verdadeiramente frustrante. Falhar uma e outra vez num passo tão singelo como parecia ser esvaziar a cabeça de seus pensamentos lhe gerava uma frustração que só incrementava a dificuldade da tarefa. Olhou a seu pai com o gesto torcido; estava tão cômodo sentado nesse cadeirão, apontando-lhe despreocupadamente com a varinha, que sua frustração aumentou um pouco mais.
- Como se supõe que devo esvaziar a mente de meus pensamentos? - pergunto finalmente, recuperando a respiração. Nas instruções que o pocionista lhe tinha dado não constava nenhum método para conseguir aquilo.
- Poderia dizer-te milhares e milhares de métodos, Harry, mas realmente tem que encontrar sua forma de te relaxar. Se a cada vez que levanto a varinha te tensa não conseguira nada.
- E… não pode ser tentativa encontrar uma desculpa Harry para emascarar sua incompetência. - Que me está lendo a mente muito forte? - perguntou interrogante.
- Não. Já te disse, não te concentra. Até que não seja capaz de reter um momento seus pensamentos não notam nenhuma melhoria. - Harry afundou os ombros, franzindo o cenho e sentando-se comodamente no cadeirão. Era demasiado difícil, mas não por nada tinha sido um Griffyndor: persistiria na tentativa até consegui-lo.
Inspirou profundamente, relaxando os músculos do rosto. Cerrou os olhos, deixando a cabeça repousando na cabeceira do cadeirão, e deixou de pensar. Tentou pôr sua mente em branco, tirar o estresse de seu organismo, a felicidade que lhe produzia estar com Draco, a moléstia que era Lucius Malfoy, o ódio a Black e Lupin… Abriu os olhos, e assentiu em silêncio como único sinal para começar de novo.
Mas não surtiu nenhum efeito, ao menos para Harry; em sua cabeça reviu ao cão de sua tia Marge, a Dudley no zoo, o espelho de Ojesed… com menor intensidade ao princípio, mas, afinal de contas, tinha voltado a passar. Abriu os olhos, com a respiração agitada, olhando o chão a um palmo de distância.
- Tem ido melhor desta vez, sem dúvida alguma, Harry. - informou-lhe seu pai, desde o cadeirão. Sem imutar-se. - Já tem fabricado a primeira defesa, mas é demasiado frágil. Quando consiga a fortalecer o suficiente, iremos ao passo seguinte. - Harry assentiu em silêncio, contente por seu diminuto progresso.
- E… Conta-me que tem passado com Sirius? - perguntou Harry cuidadosamente. Observou como o rosto de seu pai se tensava, enquanto seu olhar lhe perfurava. Permaneceram em silêncio meio minuto, até que Snape se limitou a dizer:
- Talvez. – desviou o olhar, enquanto Harry mostrava a língua com moléstia. Quando revelariam a verdade? - Agora vamos continuar com a classe, Harry.
Durante meia hora mais, Harry praticou e praticou, pondo todo seu empenho nisso, sem conseguir nenhum resultado. Aquele pequeno avanço parecia ter-se esfumado, já que não pôde voltar a se concentrar em toda a sessão, e, quando acabaram, Harry se encontrava ainda mais frustrado que antes.
Saiu da habitação com cara de poucos amigos, caminhando diretamente às masmorras. A treinar, já que o braço já tinha tido suficiente repouso, e encontrava-se quase recuperado. Ademais, precisava descarregar essa furiosa adrenalina que se acumulava em suas veias.
Agradeceu realmente que Severus não se burlasse de sua ineptidão; se tivesse seguido em sua facha de professor maligno, seguramente teriam acabado mau. Talvez não o primeiro dia, mas ao longo… Suspirou com força, enquanto abria a porta metálica que dava lugar à sala de treinamentos. Bellatrix já se encontrava ali, esperando para iniciar sua classe de duelista, olhando aos dois comensais oponentes que brigavam ferozmente no centro da masmorra.
- Vá, Potter, não pensei te ver tão cedo por aqui. - assim que seu nome foi pronunciado, os risos dos demais comensais irromperam na sala. Harry olhou a ambos lados, observando a todos aqueles singulares personagens que se riam dele, alimentando de seus falhanços. Seus dentes rangeram, enquanto fechava seus punhos, com os nós brancos. Obrigou-se a relaxar-se, antes de informar à mulher, a única que continuava séria:
- O Lord pôs-me baixo seu comando. - a comensal limitou-se a assentir com a cabeça secamente, antes de pôr uma mão em seu ombro, milagrosamente, no bom. Girou-lhe para a saída, e juntos saíram dali, enquanto Bellatrix fechava sonora e fortemente a porta atrás de si. Em completo silêncio, entraram por outra das portas a um quarto mais recolhida, mas igual de fria. E, parando-se em frente a Harry, Lestrange disse-lhe:
- Nunca nenhum pupilo meu me deixou em vergonha em frente a todos. E você não vai ser o primeiro, assim que te quero ver aqui a cada tarde, te deixando a pele para conseguir os melhores resultados. - a voz da mulher, baixa e escura, foi inclusive mais intimidante que os gritos de seus tios muggles, e, repentinamente pálido, Harry assentiu com a cabeça, mudo.
