Chapter 31:

- Nunca nenhum pupilo meu me deixou em vergonha em frente a todos. E você não vai ser o primeiro, assim que te quero ver aqui a cada tarde, te deixando a pele para conseguir os melhores resultados. - a voz da mulher, baixa e escura, foi inclusive mais intimidante que os gritos de seus tios muggles, e, repentinamente pálido, Harry assentiu com a cabeça, mudo.

Sem mais palavras, Bellatrix separou-se bruscamente de o, e lançou-lhe um feitiço. Todavia impactado pela dureza de suas palavras, Harry foi incapaz de bloqueá-lo e caiu ao chão de costas. No entanto, antes de que a comensal pudesse começar a recriminar, Potter se levantou e se colocou em posição defensiva. Talvez não conseguiria tombar nunca, mas ao menos libertava a tensão eficazmente, - pensou, enquanto caia outra vez ao chão.

E depois de uma hora de treinamento, Harry deixou as frias masmorras com os músculos entumecidos e visivelmente mais relaxado; descarregar a fúria em combate lhe fazia bem. Mal tinha falado com Lestrange, e esta última também não tinha dado grandes ordens, se não pequenas indicações sobre seu estilo de luta.

Suspiro, recordando as palavras de sua mentora: O que ataca primeiro, ataca duas vezes. Que significava aquilo? Bellatrix sempre lhe tachava de impaciente e impulsivo, mas lhe apreciava? Para que seguisse sendo assim. Cansado, guardou essas pequenas palavras no fundo de sua mente, e sem vontades de jantar, dirigiu-se rapidamente a seu quarto, para descansar.

Harry olhou a seu ao redor: os jardins do Colégio, em frente à cabana de Hagrid. Olhou a seus colegas comensais, a seu lado; inclusive embaixo dessas mascaras podia ver e distinguir a Bellatrix, a Malfoy e a Draco. A primeira apontou à cabana do semi-gigante, que se incendiou com inusitada facilidade, e serviu de tocha para ver o terreno com melhor clareza.

Tudo sucedeu muito rápido: os aurores aparecendo, a Ordem da Fênix, Dumbledore, Sirius, e, de repente, ante seus olhos, tinha-se formado um campo de batalha. Os comensais, como sombras, atacavam sem cessar, igual que os griffyndors, que destilavam ódio e ira. Procurou a Draco desesperadamente, sem saber como, quando e onde tinha desaparecido de seu lado. Estranhamente, ninguém lhe atacou, nenhum nem outro, até que lhe viu.

Seu cabelo prateado era, de menos, seu rasgo mais identificador. Mas pequeno que seu pai, mas com igual porte elegante, Draco saltava e esquivava os feitiços que lhe lançava uma pessoa que não consigo identificar. Harry correu até ali, tropeçando várias vezes, e, a vários metros dele, a mal cinco segundos para chegar a seu lado, o raio verde pôs fim a sua vida.

Viu-lhe cair a câmara lenta, escutando o rítmico bombear do sangue em seus ouvidos, sua respiração agitada, os gritos, maldições, o crepitar do fogo a suas costas. Quase pôde ver a negra túnica da parca segando sua alma, levando-lhe consigo ao reino dos mortos, o separando dele, da vida.

Harry levantou o olhar, impactado, observando a seu assassino, àquele que lhe tinha tirado a vida com frialdade, sem preocupar pelo dano que lhe causava. Seu cabelo negro e longo, suas facções suaves e olhos cinzas com olheiras e sua pele envelhecida prematuramente foi realmente inconfundível para Harry: Sirius Black.

Seu sorriso ladino deixava entrever seu carácter arrogante e vaidoso, suas roupas folgadas e particularmente velhas também deixavam ver suas delgadezas devido a Azkaban, a palidez em sua pele teria tirado a Harry um sorriso malévolo; consequência de viver encerrado em Grimmauld Place. Mas não esquecia; seu Draco estava morto.

Com um molesto nodo na boca do estomago, Harry retomou sua correria, apontando com sua varinha de madeira ao inimigo. Sentia os olhos lagrimosos, mas não soube se queria chorar de impotência ou tristeza. Ou talvez uma mistura de ambos. Lançou o primeiro feitiço, ao que lhe seguiram muitos mais, lançados com força, com impotência, com dor.

- Por que não se vai chorar a seu amado, em vez de me molestar a mim, Potter? - perguntou com prejudicial sarcasmo Black, burlando-se dele. Um simples feitiço desarmou-lhe e tirou cerca de Draco. De seu corpo imóvel. - Olhe, Harry; ele também me suplicou quando lhe matei.

Acercou-se até o corpo do comensal sem vida, e Harry demorou menos de dois segundos em pôr-se entre a casca vazio que era o corpo de seu amado e Black, com olhar desafiante, ainda apesar de estar em inferiores condições.

- Não lhe toque, nem se te ocorra te acercar, cão. - sibilou com ódio, levantando do chão, encarando-lhe. O sorriso de Black aumentou, enquanto o dorso de sua mão golpeava fortemente sua bochecha direita, desequilibrando-o e fazendo-lhe cair ao chão de novo.

Com um sorriso mistura de psicoses e demência, Black alçou sua varinha contra Harry. Lentamente, os lábios carnosos do envelhecido homem articularam as mesmas palavras que assassinavam às pessoas, e, pouco a pouco, o raio verde foi formando na ponta de sua varinha, antes de sair disparado contra ele. O flash verde cegou a Harry, enquanto via um flash azul por trás de Black.

Abriu os olhos ao mundo real, com seus lábios carnosos contorcionados num grito mudo, enquanto a expressão de horror perdurava em seu rosto. Podia notar seu corpo úmido pelo suor frio, seu peito subindo e baixando rapidamente, sua respiração acelerada e o rítmico bombear do sangue em seus ouvidos.

Harry levantou-se de sua cama, tranquilizando-se, e calçando-se as sapatilhas, saiu ao corredor escuro e estreito. Sua permanente estadia na Mansão tinha-lhe servido para saber onde estava a saída à parte mais bonita dos jardins, e desde onde a ver. Caminhou, girando a esquerda e direita, até chegar à preciosa varanda do terceiro andar.

A pequena porta de acesso, escura e grossa, era quase imperceptível na negrura do interior da Mansão, coberta com uma poeirenta cortina opaca. Saiu ao exterior, observando as formas que faziam as rosas de cor vermelho furioso no chão, enquanto se apoiava no corrimão de pedra envelhecida, que lhe recordava à decoração da antiga Grécia. A varanda ficava na parte traseira da Mansão, alongado ao longo dessa fachada e estreito.

Harry posou seus olhos na lua quase redonda, tampada unicamente por rebeldes nuvens esponjosas, enquanto suspirava, repentinamente relaxado. Cerrou os olhos, recordando aquele momento antes de seu agitado acordar, com o avada kedavra a milímetros de seu rosto, e aquele estranho flash azul por trás de Sirius. Parecia-se tanto à cor de olhos de… Dumbledore.

Engoliu saliva copiosamente. Pensar em Draco morto e Dumbledore lhe fazia estremecer, pensando num possível futuro para o garoto ao que tanto amava. Inspirou com força, apertando os olhos, e depois abriu-os com rapidez. Uma presença a seu lado fez-lhe sair de seu auto-absorção, encontrando ao lado de Lucius Malfoy.

- Boa noite, senhor Malfoy. - fixou-se em suas roupas; ao igual que ele, vestia um pijama. A calça escura e a camisa branca contrastavam em cores, e pareciam estar empapados em suor. Como se tivesse tido um pesadelo.

- Olá, Potter. - por um tempo permaneceram calados, olhando o céu quase despejado e escuro. E Lucius voltou a falar, zombadoramente. – Me diga, Potter, que te preocupa?

- Por que deveria me preocupar algo?

- Não encontro outra resposta ao porque o salvador do mundo mágico deva estar a altas horas da noite num lugar como este.

- Pesadelos. - disse curto. Sentindo a necessidade de compartilhar seus temores com outra pessoa, especificou. - Sonho com que Draco morre.

- Não conseguiu.

- Daria minha vida pelo se fosse necessário. - O patriarca dos Malfoy sorriu, sem burla, sarcasmo ou ironia em seu rosto. Só um sorriso sincero, antes de lhe olhar de relance e dizer em voz suave:

- Parece mais a ele do que esperava.

- A quem?

- A seu pai. Ainda que não tenha sua aparência, se parece a ele mais do que esperava.