Chapter 32:

- Parece mais a ele do que esperava.

- A quem?

- A seu pai. Ainda que não tenha sua aparência, se parece a ele mais do que esperava.

- Suponho que é uma adulação, não? - perguntou Harry, realmente confuso e indeciso. Antes de chegar à Mansão, sua relação com o pai de seu namorado não tinha sido boa, e pareceu melhorar ligeiramente por momentos, até que atingiu suas cotas mais baixas quando começaram a sair. E, por fim em todo esse tempo, o homem em frente a ele parecia ser o mesmo, sem mascaras nem tapuios; sem hipocrisia.

- Toma como queira.- novamente, a máscara de frialdade alçou-se na pétrea couraça de Lucius Malfoy, que permaneceu durante um tempo apoiado contra a parede, de uma forma suave e natural, invejável. A Harry pareceu-lhe ver um vislumbre de nostalgia em seus olhos, que baixo remarcado quando comento num sussurro:

- Sempre me transmitiu paz este lugar, desde que Severus me contou. Foi aqui onde me disse tudo.

- Tudo? - perguntou Harry, curioso. Que tinha passado ali? O rapaz dourado deu-se conta de que mal sabia nada sobre seus pais; tanto contavam os livros de História e os jornais, mas em realidade, todo era vazio.

- Sobre você. - o moreno limitou-se a mover a cabeça até focar ao loiro aristocrata, esperando uma contestação mais elaborada, que não demorou em chegar.- Sobre quem era, quem era seu pai, seu futuro…

- Não sabia ninguém quem era o outro pai?

- James Potter não é bem recebido na Mansão, fedelho. Não enquanto siga sendo o estúpido Griffyndor mimado que era até faz pouco. E nesse momento tão tenso, com a profecia em meio, dizer que espera um filho de um auror e intimo amigo de Dumbledore era algo próximo ao suicídio.

Por suposto, Narcisa sabia disto bastante antes de que Severus me dissesse a mim, e sempre lhe encobria quando lhe perguntava. Mas foi aqui, numa noite como a de hoje, quando Severus se animou a me o contar. Teria enfadado muito com ele, se não fosse pelo estado tão deplorável no que estava.

- Por isso lhe odeia a você e a meu pai Bellatrix Lestrange? - perguntou Harry, com inata curiosidade.

- É só uma das razões. Há muitos outros fatores que fazem profundidade até ter chegado ao extremo quase de aberração por parte de Bela.

Harry assentiu, tentando compreender suas palavras. Às vezes, Lucius Malfoy parecia sacar à luz sua máscara de político, e dizia muitas palavras, mas poucas ou nenhuma ideia. E essa vez parecia tê-la tirado no momento menos oportuno; quando suas indagações pareciam dar seus frutos. Que passava com Bellatrix e Severus? Que era o que ninguém contava, do que ninguém parecia disposto a falar?

Sua mente deixou essas questões a um lado, demasiado submergido nesses momentos pelo pesadelo da noite, e, depois de suspirar e fechar os olhos tentando tranquilizar-se, sussurro uma despedida e marchou-se deixando ao senhor Malfoy na varanda, pensativo. Rapidamente, introduziu-se em seu dormitório, e uma vez ali, foi direto à cama, com intenção de dormir o pouco tempo que ficasse.

Quando chego à alumiada Mansão Malfoy por via flu, Harry não teve tempo para recriminar-se a si mesmo o demorado que se tinha levantado. A seu lado apareceu, diligente, um elfo domestico de rosto anódino com grandes olhos como pelotas de tênis, que lhe guio à biblioteca dos Malfoy. Caminhou a passo rápido, sem apreciar mal a beleza de a seu redor; em sua cabeça ainda ressoavam as palavras de James, lhe dizendo o bonito que era a biblioteca. Sacudiu-se a cabeça, abrindo a porta grossa de roble escuro com cuidado e sigilo.

- Chega tarde. - escutou na lonjura o reproche de Draco. Olhou diante com interesse; o rapaz já estava sentado adiante de uma interminável pilha de livros escuros, folheando o primeiro. Caminhou para ele, enquanto este deixava os tomos a um lado e se levantava para saudar a seu companheiro. - Olá, Harry.

- Sinto ter chegado tarde, Draco. - o loiro sorriu ladino ante seu lamento, e lhe beijo nos lábios com paixão, antes de guiar-lhe até seu próprio assento, em frente ao que ocupava Malfoy.- Fiquei dormindo.

Durante o resto da manhã, ambos rapazes se afanaram em ler e ler aqueles tomos pesados e poeirentos. Depois de uma agradável comida com a senhora Malfoy em sua casa, e de inteirar pelos lábios de Draco que Nott viria a sua casa essa mesma noite, Harry partiu outra vez à Mansão Tenebrosa, disposto a se superar a si mesmo na classe de Oclumência.

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Deixe a mente em branco, deixe a mente em branco, deixe mente em branco… - Harry repetiu-se mentalmente essas palavras, tentando conseguir seu cometido. Diante de si, seu pai lhe olhava, inexpressivo. Parecia analisar com o olhar, e Harry franziu o cenho: Que pensava, que lhe olhava tão fixamente?

Por um momento, Harry permitiu se iludir, pensando que diria sobre algum dos tantos segredos que guardava Severus, mas, após meio minuto de silêncio no que Snape não pareceu dar nenhuma mostra de querer falar, Harry se lançou:

- Me dirá quem é meu avô, Severus?

- Que te faz pensar isso? - perguntou a sua vez o adulto, mudando sua expressão por uma estranhada. Responder a uma pergunta com outra… Conseguiria que contestasse se ou se.

- Pensei que queria me dizer algo. - A eterna sobrancelha alçada de seu professor respondeu-lhe, e Harry limitou-se a explicar. - Digo, olhava-me como se fosse dizer-me algo.

- Não sei de onde tira essas ideias.

- Mas, me dirá? - o sorriso que seu progenitor lhe dirigiu foi um progresso de sua resposta.

- Pode ser, Harry, pode ser.