Chapter 39:

Harry viu como Nott, de qualquer forma, tentava se arrastar para atrás, distanciando do homem, e Harry viu sua oportunidade para conseguir a confiança de Theodore. Com rapidez, sem sentir sequer as pernas, Harry pôs-se de pé, lançou o feitiço da morte para o auror, sabendo que este deveria esquiva-lo, sem poder se proteger, e correu às cegas para Nott.

Sua mão esquerda atingiu com dificuldade a destra de Theo, e, com surpresa nos olhos, sentiu o tacto frio do metal, antes de sumir numa maré de cores que ameaçava com lhe fazer vomitar.

Harry caiu ao chão úmido e sujo, sem forças para seguir suportando seu próprio peso. A seu lado, viu uma sombra borrosa, que pareceu ser Theodore, sentar com as costas contra a parede, ressoprando com força. E diante de si, outro borrão mais, desta vez com cabelo loiros: Draco.

- Esta bem, garotos? - a voz do rapaz soava inconsolável, sem aquele ar superior e seguro que costumava ter, e que a Harry gostava tanto nele como o odiava em seu pai, Lucius. Apalpou pelo chão, em frente a si mesmo, procurando seus óculos de massa negra, até as encontrar.

Pôs com cuidado, e ao ver a grande raja no meio da lente esquerda, lançou-se a si mesmo um óculos reparo, sorrindo satisfeito pelo resultado. Olhou a um Draco totalmente nítido, e deixou-se arrastar até o lado de Nott, que lhe olhava com estranheza indecifrável.

Harry sentiu sua boca seca, seus lábios cortados e seus olhos lagrimosos, enquanto recuperava o alento, ignorando com dificuldade a mirada tão intensa de Nott, enquanto Draco começava a lançar uns feitiços protetores e repelentes de muggles, movendo com lentidão sua varinha, cortando o ar.

Sem pressas, Draco sentou-se diante de si, no chão molhado, com sua típica arrogância e petulância tão… Malfoy. E olhou-lhes fixamente durante um tempo, analisando suas possibilidades, ou ao menos, isso lhe pareceu a Harry. E finalmente, sorriu ladino e disse:

- Não tem estado mau, garotos. Nada mau… - como se de repente Draco tivesse dito o melhor chiste do mundo, os três rapazes começaram a rir sinceramente, esquecendo-se de todo o demais por um instante, esquecendo do pai de Draco, de seu próprio pai, do verdadeiro objetivo da missão, de estar num lugar que não reconhecia, cheios de muggles, de se ter escapado praticamente da Mansão…

O riso dos garotos cessou paulatinamente, ficando os três uma vez mais em silêncio, até que, cinco minutos depois, Harry se aventurou a se levantar, enquanto perguntava a Theo:

- Onde estamos exatamente, Theodore?

- No centro de Londres, a duas ruas de distância de San Mungo. - respondeu o castanho mecanicamente, enquanto levantava-se com dificuldade, apoiando na parede. Harry assentiu várias vezes, olhando-lhe de relance, e ao final, a voz de Draco sacou-lhes de seu devaneio:

- Deveríamos marchar-nos daqui, garotos, ir a algum bairro muggle. Poderiam ver a Harry, e não quero mais problemas por hoje. - rapidamente, os dois garotos assentiram fervorosamente com a cabeça, e todos transformaram suas roupas em jaquetas e calças ordinariamente muggles e negros. Rompendo os feitiços protetores, os três rapazes saíram de sujo e malcheiroso beco no que tinham aparecido, e Draco perguntou num sussurrou. - Agora para onde?

Harry assinalou a boca do metro com decisão, e os três começaram a caminhar para ali, baixo as diretrizes de Harry, o único que sabia mover pelo mundo muggle. Baixaram quase ao trote as escadas escorregadias da entrada aos subterrâneos, e cedo inundou lhes a luz asséptica e fria dos corredores do metro.

Sem pagar os bilhetes do trajeto, aturdindo ao condutor e entrando ilegalmente no metro, sentaram-se nos assentos de plástico, até que uma voz feminina e fria disse Soho: Leicester Square. Os três amigos baixaram do metro e subiram pelas escadas, emergindo uma vez mais à superfície.

Leicester Square era uma grande praça, com um parque no centro. Desde fora podia-se ver uma estátua, erigida em honra a um tal Shakespeare, e na porta metálica primeiramente ao parque mais próxima a eles tinha um busto de alguém a quem Harry não pôde identificar. As ruas que davam à praça, Lisle Street, Orange Street, Withcomb Street e Charing Cross Road, se encontravam cheias de lojas com cartazes de néon, e se distinguiam entre elas vários sex shops, um cinema e muitos bares e discotecas.

Tinham dado com o centro de Londres, que em pleno verão, bulia de jovens dispostos a seguir com a festa até que não aguentassem mais. Harry girou seu rosto para os dois sangues puros, que viam o espetáculo com uma mistura de assombro e desprezo, e lhes sorriu, antes de começar a andar por Lisle Street, em direção a Cambridge Circus.

Caminharam um tempo, afastando-se do bulício de adolescentes com hormonas revoltas e alcoolizados, e acabaram numa rua secundária, mais estreita que Lisle St. Harry procurou um bar de ambiente relaxado no que poder se sentar, e, finalmente, o encontrou.

Com as mesas sujas, o ambiente carregado de fumaça e dois idosos fumando puros na mesa mais próxima à janela, esse bar era o mais discreto que podia encontrar. Os três comensais entraram no local, e pedindo um refresco, sentaram-se na mesa do fundo, a mais próxima aos banheiros.

Draco levantou-se, após um tempo de tranquilidade, e foi-se ao banheiro, desculpando com um sorriso nos lábios. E Harry e Theo ficaram sozinhos durante uns minutos. Após olhar-lhe fixamente durante um momento, Theo abriu os lábios pálidos lentamente, para perguntar, com simpleza, direto ao grão:

- Por que?