Voltei!

Em primeiro lugar, eu fiquei babada com as reviews que me deixaram. Eu achava que não ia ter nenhuma, mas afinal parece que houve quem gostasse. Nada me faz mais feliz, acreditem.

A minha demora deve-se essencialmente às minhas aulas que começaram e eu tive que me adaptar, já estava demasiado habituada às minhas merecidas férias. Este capítulo também foi difícil de escrever porque eu tenho muitas ideias para esta história e queria distribui-las correctamente. Tentei não deixar muitas pontas soltas e este capitulo vai ser para explicar alguns pormenores importantes da história.

Espero, honestamente, não desapontar ninguém com o rumo da história.

Sinopse – Para todos, ele era um homem frio e cruel que tinha assassinado toda a sua família. Para ela, ele não devia ser mais do que um dos assassinos do seu pai, mas não conseguia deixar de pensar nele como o seu anjo negro desde que aceitara a sua mão naquela noite de inverno.

Disclaimer – Naruto e as suas personagens não me pertencem.

Explicando alguns pormenores:

1.É um universo alternativo e ninguém é ninja. Não existe jutsus nem nada disso. Há duas famílias que têm olhos especiais e por isso mesmo têm muito poder: a família Hyuuga que tem o byakugan e a Uchiha o sharingan.

, o irmão do pai da Hinata, está vivo.

Acho que é tudo, deixo então o capítulo um.


Capítulo um – A herdeira dos Hyuugas

Dez anos depois

O colégio de Konoha, mais conhecido por Academia pois era assim que os residentes daquela grande cidade se dirigiam a ele, era, segundo a opinião de muitos, uma escola privada onde só aqueles que provinham de famílias da elite e com imenso dinheiro podiam entrar, um resultado das mensalidades muito elevadas e do snobismo em relação à escolha de alunos. Havia bolsistas, mas esses eram invisíveis, passavam pelos corredores no anonimato como se nem estivessem ali. Segundo o seu pai, por outro lado, o colégio privado de Konoha era uma escola adequada para todos os jovens cujas famílias pertenciam à nata da sociedade e onde não havia misturas, o que impedia que os seus estudantes fossem influenciados para maus caminhos.

No entanto, apesar de ela saber que a opinião do pai era genuína, não podia deixar de pensar que a verdadeira razão pela qual ela ali estava era porque ele acreditava na segurança que era oferecida à sua filha primogénita, desde que ninguém soubesse quem ela era. Se houvesse alguma eventualidade, ele contava com Neji para a ajudar, apesar de ela saber que o primo a odiava desde sempre sem razão aparente e que, muito provavelmente, não a defenderia nem de uma mosca.

Era um colégio interno, o que queria dizer que passava quatro noites e cinco dias da sua semana limitada pelas grades de ferro velho bem conservados e eficazes, cuja única saída era um grande portão que só abria às cinco horas de sexta-feira, quando todas as aulas tinham terminado. Só aí os alunos e professores eram autorizados a deixar o recinto escolar e ir para casa, ter com as suas famílias. Alguns estudantes, no entanto, ficavam no colégio ao fim de semana, já que podiam sair para onde quisessem desde que estivessem presentes à hora de recolher e muitos dos alunos eram de outros países.

Na verdade, ela nem se importava muito de passar os dias úteis da semana trancada naquele colégio grande, luxuoso e cheio de actividades que qualquer um podia frequentar. Se estivesse em casa, ficaria sozinha no seu quarto enquanto o seu pai e todos os que trabalhavam para ele resolviam os seus "assuntos importantes e confidenciais". Não que ao fim de semana fosse diferente, o pai afundava-se em trabalho todos os dias do ano, mas assim arranjava sempre uma hora ou duas para ela, quando não estava a viajar. Normalmente perguntava-lhe pelo colégio, pelas notas e com quem ela se dava, depois ou iam tomar qualquer coisa, um chá no caso dela e uma bebida alcoólica no dele, ou ele levava-a a ver algo que tinha comprado e que lhe pertencia, muitas vezes fruto das suas actividades ilegais. Para além disso, já considerava aquele sítio a sua segunda casa. Como era ali estudante desde os seis anos, conhecia tudo muito bem, apesar de ninguém ali a conhecer a ela, excepto o director.

Para sua segurança, ela fora registada como Kamiya Hinata, já que Kamiya era o nome de solteira da sua mãe. Fora uma ideia do pai, que decidira que ela, sendo tão nova e frágil, era um alvo fácil para os seus adversários sem um dos seus homens por perto e segundo o director, nenhum estudante poderia trazer seguranças para a escola. Hinata tinha a certeza se o seu pai não respeitasse tanto o director do colégio, um homem de alguma idade chamado Jiraiya, até dentro daquelas paredes ela teria duas sombras a persegui-la por todo o lado.

Jiraiya fora muito claro com o seu pai, ela não receberia tratamento especial por ser filha de quem era, aliás, nenhum dos professores ou alunos saberia da sua identidade para além dele. Hiashi concordara desde que pudesse escolher a companheira de quarto da filha, pois uma vez que ela seria tratada como uma rapariga comum, teria de partilhar quarto como os outros. A escolhida fora Ino Yamanaka, filha de Inoichi Yamanaka, um homem com quem ele tinha negócios.

Ino Yamanaka era exactamente o oposto dela e fora exactamente por essa razão que se tornaram melhores amigas no quarto ano, quando Ino declarara guerra a Sakura, sua melhor amiga na altura, por causa de Sasuke, aquele que sempre fora considerado o rapaz mais bonito do colégio. Sakura era filha de dois médicos, mas tinha sido criada pela sua madrinha, Tsunade, que podia sempre ser encontrada no hospital que ficava no fundo da rua da escola. Tinha uma aparência fora do comum com os seus cabelos rosa claros e olhos verdes, mas nunca tinham sido amigas. Em parte porque Sakura era uma das pessoas mais pobres que ali andava e fazia de tudo para esconder isso, andando sempre com os mais ricos e populares. Como ela se apresentava como Kamiya, um nome desconhecido e que não vinha acompanhado de uma conta com imensos zeros, a rapariga dos cabelos rosa nunca lhe dera qualquer importância.

Ino e Sakura eram as melhores amigas até fazerem nove anos e declararem guerra por estarem apaixonadas pelo mesmo rapaz, Uchiha Sasuke. Ela acabou por se tornar amiga de Ino quando esta chegara ao dormitório a chorar, apenas para no dia seguinte declarar que Hinata seria a sua nova melhor amiga. Só aos dez anos é que ouviu o nome completo de Sasuke pela boca da sua melhor amiga loura e gelou. Pediu-lhe que repetisse e Ino apercebeu-se que algo estava mal, mas interpretou mal e começou a falar de um assunto que ela não esperava.

- O Sasuke não teve culpa do que aconteceu à família dele Hinata. Foi uma tragédia. – Resmungou, verdadeiramente ofendida com a atitude da morena. Hinata no entanto, não fazia ideia do que ela estava a falar. Felizmente, não teve que perguntar porque Temari, a filha do presidente da câmara de Suna, não era dali e também não sabia a história. Então, Ino olhou discretamente para os lados para verificar que ninguém ouvia a conversa, e começou a contar um história que lhe iria ficar gravada na memória para sempre. – Há cerca de quatro anos havia duas grandes famílias em Konoha, os Hyuugas e os Uchihas. Como tu sabes, ambas as famílias fazem parte de uma linhagem muito especial e são consideradas inimigas, no entanto, a família Uchiha conseguiu mais poder. O líder era Uchiha Fugaku, o pai de Sasuke. Ele teve dois filhos e dizem que o primeiro era um génio, um autêntico prodígio tanto na inteligência como a nível físico. Os Uchihas viviam todos juntos num dos bairros da cidade, eram uma família muito grande e a casa da família principal era no centro. Numa manhã encontraram tudo deserto e quanto foram a ver, estavam todos mortos. – Fez uma pausa dramática e Hinata prendeu a respiração, dando-se conta que não sabia nada sobre aquele homem que agora vivia debaixo do mesmo tecto que ela. – Sasuke era o único que estava vivo e o irmão mais velho desapareceu, o que levou toda a gente a pensar que tinha sido ele o autor daquela barbaridade. Ainda hoje o conhecemos como massacre Uchiha. A polícia procurou-o por toda a parte, mas nunca o encontraram. – Quando Hinata lhe propôs que talvez fosse um mal entendido e que era impossível um rapaz matar tanta gente, Ino olhou-a seriamente. – O Sasuke confirmou que tinha sido ele. O meu pai soube pela sua fonte na polícia, ninguém queria acreditar, até porque ele era só um adolescente.

Depois disso, nunca mais ninguém falara no massacre Uchiha, mas ela ficara com aquilo na cabeça. Seria verdade? Teria Itachi morto os seus pais? A sua família? Ficara tão confusa na altura, quase se recusando a acreditar naquilo. Acabou por perguntar ao pai se era verdade. Para sua surpresa, o pai abriu um pequeno sorriso e respondeu.

- Nunca pensei ter alguém daquela família a trabalhar para mim e a ser tão útil. Eliminou a concorrência e ainda se vai tornar um dos meus melhores homens. – Depois, olhou-a com desconfiança e perguntou-lhe de onde vinha aquele súbito interesse por Itachi. Ela desculpou-se por o incomodar e respondeu que tinha ouvido umas histórias na escola sobre o ocorrido e quis confirmar, o que pareceu descansar o pai. Quando passou por Itachi à saída do escritório de Hiashi, não se atreveu a olhar para cima, para ele, mesmo sentindo o seu olhar inexpressivo nos seus movimentos. Talvez estivesse enganada, talvez ele fosse uma pessoa má afinal de contas.

- Hinata. – Ouviu alguém a chama-la, tirando-a dos seus pensamentos. Virou-se para o lado para encontrar Ino com uma expressão entediada. – Viajas-te de novo.

- Desculpa. – Pediu de imediato, sentindo as bochechas a ficarem mais quentes por causa do seu embaraço. – O que estavas a dizer? – Perguntou, o mais baixo possível, apesar de saber que não era preciso. Estavam na aula de matemática e o professor era Kakashi, um homem jovem com cabelos brancos que usava sempre uma mascara preta a tapar-lhe a parte de baixo do rosto, que não impunha disciplina nenhuma, excepto quando eram as aulas antes do teste. Ai, ele fechava os seus livros pornográficos e dava a matéria.

- Estava a falar do meu Sasuke, ele está lindo hoje, não está? – Perguntou, os seus olhos azuis a transformar-se em corações cor-de-rosa como já era habitual. Ela deu uma rápida olhada ao rapaz sentado duas mesas à esquerda delas e corou quando viu que ele olhava na sua direcção, olhando para as suas mãos como se fosse algo muito interessante. Na verdade, ele estava exactamente igual aos outros dias e ela ainda não entendera o que ele tinha de especial. Ela gostava muito mais do rapaz que se sentava ao lado do moreno, Naruto.

Sasuke era moreno, alto e com cabelo negro com gel que levantava atrás, pele muito pálida e olhos negros. Todas as raparigas o adoravam, mas ele era calado, frio e se expressava algo, era sempre tédio ou aborrecimento por nunca o deixarem em paz no seu mundo depressivo. Uma vez ele dissera que iria matar um homem, iria vingar a sua família. Hinata ficara tão preocupada que, esquecendo-se da confusão do massacre, contara a Itachi, mas este dera um sorriso de canto e dissera algo como 'irmãozinho tolo' antes de mudar de assunto, mostrando que não estava minimamente preocupado com isso.

Naruto, por outro lado, era louro de olhos azuis com uma pele bronzeada. Era da altura de Sasuke, mas as suas presenças eram completamente diferentes. Naruto era o filho do presidente da câmara de Konoha e afilhado do director do colégio, o que lhe dava alguns privilégios, mas ele nunca se aproveitara de nada e recusara todas as regalias, partilhando quarto com Sasuke quando podia ter um só para si. Estava sempre sorridente e era muito escandaloso, passando muitas vezes vergonhas. Mas era uma óptima pessoa e nunca desistia de nada, o que fazia Hinata admira-lo. Infelizmente, ele declarava-se completamente apaixonado por Sakura. E Hinata nunca admitiria, mas estava apaixonada por ele.

- Hinata, estás a fixar o Naruto com um olhar lamechas de dar pena outra vez. – Retorquiu Ino, fazendo-a corar e olhar para os dedos que se encontravam um com um outro num gesto nervoso típico dela. Talvez nem fosse preciso ela admitir, segundo Ino, ninguém era parvo e todos percebiam. – Sinceramente, de tantos rapazes, como é que tu podes gostar daquela anta loira e burra?

Na verdade, Ino era ainda mais loura que Naruto, mas ela era a prova que nem todas as loiras eram burras. Apesar de ter uma paixão infantil e obsessiva por Sasuke, Ino era bastante esperta e conseguia manipular as pessoas a seu bel-prazer. Era bonita, alta, elegante, com uns olhos azuis, cabelos louros e curvas de dar inveja a qualquer uma. Tinha também muito sucesso com os rapazes, mas ela só queria aquele moreno frio e emo com uma pedra no local do coração que nem se importava com a existência dela.

- Eu só… - Deteve-se, sem saber o que dizer para se justificar. Era verdade, ela estava a olhar para ele. – O Naruto é…

- Outra vez a falar do Naruto? – Perguntou Kiba, virando-se para trás.

Inuzuka Kiba era parte de uma família de seguranças muito prestigiada, mas estranha, já que andavam sempre com cães atrás. Todos sabiam que Kiba tinha um cão enorme dentro do colégio, mas o director, ao fim de três anos a fingir não ver o cão quando ele passeava pelo campus, acabou por ceder desde que ele não perturbasse o funcionamento das aulas e das outras actividades. Ele também era um dos seus poucos amigos, juntamente com Abrume Shino, o filho de dois cientistas famosos que estudavam todas as espécies de insectos.

- Ninguém falou para ti rafeiro. – Ino não gostava dos amigos de Hinata, principalmente de Kiba, simplesmente porque eles não tinham nada a ver com Sasuke.

Os Inuzuka tinham sido a segurança do seu pai durante muitos anos, mas houve desavenças entre as duas famílias graças às actividades ilícitas do seu pai e este último decidiu que precisava de alguém melhor que não questionasse as suas ordens e intenções, ou seja, noutras palavras, ele precisava de assassinos sem escrúpulos. Depois de uma grande diferença de opiniões, as famílias tinham cortado todo e qualquer contacto, o que significa que Hiashi nunca aprovaria aquela amizade. Por essa razão, quando ela descobrira a inimizade das duas famílias através da conversa de duas raparigas que ela nem conhecia, ela nunca mencionara Kiba a ninguém da família.

Uma particularidade muito interessante era que ela descobria as coisas sobre os Hyuuga através das outras pessoas. Como Ino uma vez dissera, tratava-se de uma das famílias mais poderosas de Konoha, bem como de todo o país, e era normal andar nas bocas de estranhos.

- Eu não falei para ti de qualquer das maneiras, loura burra. – Rebateu, desinteressado, olhando para Hinata e ignorando a presença da rapariga loura que ficara visivelmente ofendida com o comentário. Como de costume, seguiu-se uma discussão com palavras ofensivas que Hinata nem sequer sabia que existiam até a campainha soar, estridente, por todo o recinto escolar.

Era a última aula de sexta-feira e restava-lhes ir arranjar as suas coisas para irem embora. Muitos dos alunos passariam ali o fim-de-semana, mas Hiashi tinha ordenado que tanto ela como Hanabi e Neji fossem jantar à mansão naquela noite, provavelmente porque tinha assuntos a tratar com o próprio irmão gémeo, Hizashi, depois do jantar e contava com a sua irmã mais nova e o primo para a manterem entretida. Não que o seu pai fosse parvo, ele sabia perfeitamente que ela e Hanabi não se davam bem desde a morte da mãe, pois Hanabi revoltara-se com ela por motivos que nunca foram esclarecidos e ignorava a sua presença, fosse onde fosse. Hinata suspeitava e tentava convencer-se que era porque o pai nunca a protegera como a ela, afinal, todos sabiam quem era Hanabi e o pai não parecia estar minimamente preocupado com os riscos, uma vez que ela não era a herdeira do seu património, mas nunca tivera a certeza disso. Neji, por outro lado, mostrava-se sempre educado à frente do pai, mas quando o encontrava sozinho, lançava-lhe olhares que a faziam querer fugir o mais rápido que as suas curtas pernas permitiam.

Caminhou atrás de Ino pelos extensos corredores até aos dormitórios femininos, que se situavam na parte este do edifício, enquanto os dos rapazes se situavam a oeste. Subiram até ao segundo andar e entraram na terceira porta, deparando-se com o quarto das duas.

Era um quarto grande, com duas camas de pessoa e meia, uma de cada lado do quarto, cada uma com uma mesinha de cabeceira e uma cómoda e armário a condizer. Ao pé da janela havia uma mesa redonda com dois computadores e vários cadernos em cima e duas estantes cheias de livros. Elas também partilhavam um quarto de banho com dois lavatórios e um só chuveiro, o que significava que podiam arranjar-se ao mesmo tempo mas tinham de tomar banho por turnos, Ino era sempre a primeira. Havia um grande contraste no quarto, a cama de Ino tinha uma bonita colcha roxa e preta e cobrira toda a parede com posters, desenhos e fotografias dos amigos e família. No lado de Hinata, a cama estava enfeitada com um edredão branco com detalhes em prateado e a única fotografia era uma com a sua mãe, em cima da cama. Ela gostaria imenso de ter uma fotografia de família e com os amigos como a loura, mas quase não tinha amigos e a sua família tinha, obrigatoriamente, que permanecer em segredo.

Puxou a mala preta sem qualquer detalhe em especial enquanto a outra acabava de arrumar a sua grande mala cor-de-rosa com rodinhas.

- Espera Hina. – Disse uma entusiasmada Ino assim que viu a morena a mover-se na direcção da porta do quarto. – Vamos juntas até ao portão. – Acabou por arrasta-la pelos corredores até ao jardim. Vários alunos reuniam-se ali, sentados nos bancos, em baixo das árvores e ao pé do portão. Alguns já tinham partido, outros caminhavam para os carros luxuosos e ainda havia quem se mantivesse em pé, a conversar com os seus amigos enquanto os motoristas não chegavam.

Avistou Hanabi e Neji a entrarem numa limusina preta com o brasão dos Hyuuga colado atrás, ao pé da matrícula. Percebeu que a irmã mais nova a olhara, como se quisesse que ela visse aquilo. Eles podiam partilhar carro porque iam para a mesma casa, mas ela tinha de fingir que não os conhecia.

- Porca! – Soou um grito por todo o jardim e todos se viraram para olhar a rapariga de cabelos cor-de-rosa e olhos verdes que se aproximava com passos pesados e nada delicados das duas raparigas. – Afasta-te do meu Sasuke! – Ordenou, furiosa. Hinata demorou um momento até perceber o que se passava: Ino estava a cerca de um metro dela a agarrar o braço de Sasuke como se a sua vida dependesse disso. Naruto olhava-os, invejoso, mas os seus olhos brilharam de felicidade quando se viraram para Sakura.

Quem me dera ser a causa daquele brilho no olhar, Suspirou a morena em pensamento. Tudo aquilo era um grande ciclo vicioso. Ela gostava de Naruto, que gostava de Sakura, que juntamente com o Ino e o resto da população feminina gostava de Sasuke, que não gostava de ninguém. Tal como Itachi, apanhou-se a pensar, mas afastou logo a ideia, afinal, não lhe dizia respeito.

- Como é testuda? É o meu Sasuke. – Defendeu Ino, agarrando ainda mais o braço do moreno.

- Sakura… - Naruto tentou, como sempre, ganhar a atenção da sua amada, sem sucesso algum pois os olhos verde-esmeralda estavam focados em Sasuke e Ino.

- Afasta-te dele. – Ordenou ela, ignorando o louro apaixonado e fulminando a rapariga loura.

- Nem penses. – Devolveu.

Hinata ficou a olhar de uma para a outra no meio da discussão, sem saber como acalmar os ânimos. A discussão barulhenta acabou por levar a alguns insultos até Naruto puxar a rosada para longe, restando a Hinata puxar Ino. Quando o procurou, Sasuke já tinha desaparecido, provavelmente decidira que não queria ouvi-las e fora para o dormitório, já que ele passava ali os fins-de-semana.

- Aquela vadia, viste o que ela fez? Envergonhou-me em frente ao Sasuke. – Reclamou Ino.

- Menina Kamiya. – Ouviram alguém a dizer e ambas se viraram para um homem que estava à frente do portão, olhando-as com um sorriso simpático.

Era um homem de meia-idade com cabelo grisalho e escuro e uns olhos castanhos muito pequenos e uma cara demasiado redonda. Vestia um fato preto que lhe acentuava a barriga de cerveja e uns sapatos nada bem conservados. Hinata sabia que tinha que ir, então, despediu-se rapidamente da loura, prometendo que falariam à noite pelo telefone, antes de seguir o homem até um carro preto de uma marca comum.

O homem ia abrir a porta, mas ela fê-lo sozinha e entrou, fechando-a em seguida. Esperou pelo motorista entrar e ligar o carro para olhar para amiga e lhe acenar em despedida, vendo a outra a dar um leve aceno antes de se virar para um grupo de raparigas de outras turmas que já a rodeavam. Era tão bom ser popular.

Viu as ruas de Konoha a passar pela janela até chegar a uma rua com casas de classe média. Um dos portões se abriu para os receber e um homem alto e encorpado, vestido com um fato de marca e sapatos que até brilhavam, abriu a porta assim que o carro parou.

- Menina Hyuuga. – Cumprimentou respeitosamente, fazendo uma pequena vénia. O outro motorista acabou por ir ter com os habitantes da casa, que os olhavam de olhos arregalados mas em silêncio, provavelmente deviam dinheiro ao seu pai e tinham de fazer aquilo, deixar que ela fingisse viver naquela casa. O homem bem vestido que trabalhava para o seu pai lançou-lhes um breve olhar ameaçador antes de a guiar pelo jardim até uma porta escondida que dava para o jardim de outra casa, esta bastante maior, com uma limusina Mercedes no quintal à espera dela.

Nunca gostara do luxo exagerado, mas quando tentara dizer ao pai isso, este dissera-lhe que ela era uma Hyuuga e devia ser tratada como tal, se não o era na escola, era para sua segurança, mas não permitiria que a sua primogénita andasse por ai num carro qualquer.

Em silêncio, o homem conduziu e ela tirou uma garrafa de água da pequena arca frigorífica que ali havia. Viu as casas e pessoas a passar pela janela, mas ninguém a podia ver a ela através dos vidros fumados. Viu passar a casa de Ino, de Naruto, de Kiba… Depois, percebeu que estava à frente de um grande portão branco que se abriu para a receber. O motorista conduziu a limusina pela grande propriedade, passado pelo enorme e bem arranjado jardim, rodeando a fonte com um anjo em cima, até chegar às escadas que levavam à porta principal. Um segurança veio, a correr, abrir-lhe a porta e ofereceu-se para lhe carregar as malas.

Subiu as escadas brancas e entrou pela grande porta da mesma cor, vendo as várias empregadas a fazer-lhe vénias exageradas que a deixavam constrangida. Seguiu para a sala de estar, mas verificou que estava vazia, então, encontrou o mordomo, Hitoshi, no corredor.

- Onde está o meu pai? – O homem deu um pequeno sorriso.

- No escritório, ele disse para lá ir ter quando chegasse. – Informou, antes de fazer reverencia e se retirar. Ela acabou por caminhar para o grande escritório do pai e bater nas grandes portas de madeira. Ouviu um 'entre' numa voz rouca e masculina. Abriu a porta e entrou, deparando-se com Hiashi sentado na sua secretária, numa pose altiva e autoritária, de frente para três homens mais velhos que ela, que se viraram, levantaram e fizeram uma pequena reverencia assim que a viram.

- Pai, Deidara, Sasori e Pein. – Cumprimentou cada um com um leve aceno de cabeça, tal como o pai lhe ensinada. Todos se voltaram a sentar. Hiashi olhou-a, avaliando-a, antes de dizer:

- Se bem-vinda a casa, como já deves saber, temos convidados. – Parou por um segundo, vendo-a dar um leve aceno de cabeça e encarar o chão, sentindo-se desconfortável naquele ambiente sério que se instalava sempre que o pai tinha reuniões particulares com os seus homens. – Espero que sejas uma anfitriã exemplar. – Não era um pedido e ela sabia-o.

- Sim, pai. – Consentiu.

Depois disso, ele dispensou-a. No caminho para o quarto que se situava no segundo andar, não pode deixar de pensar no que tinha pela frente. Os jantares com o tio e o primo eram sempre bastante tensos, apesar de Hizashi ser, sem dúvida, a pessoa que mais carinho lhe dava. Desde pequena, lembrava-se do tio a aparecer na mansão principal dos Hyuuga com peluches enormes e muitos presentes que ainda hoje enfeitavam o seu quarto. Também lhe trazia doces e bolos que muitas vezes eram feitos por ele mesmo, já que considerava a cozinha um hobby e dizia sempre que se não tivesse um nome para defender, tornar-se-ia um grande chef. Ela nunca duvidara, os seus cozinhados eram deliciosos, ultrapassando até os do cozinheiro da mansão. Neji já era outra conversa, o primo não se parecia em nada com o pai, sempre sério e distante com ela. Tratava-a com respeito, mas os seus olhos mostravam que ele não gostava dela. Quando perguntara isso ao seu tio, ele dissera-lhe que o Neji era muito sério e que nunca a trataria com qualquer intimidade por ela pertencer à família principal e ele não.

Ia tão distraída nos seus pensamentos que só se apercebeu que não estava sozinha quando ouviu uma voz alegre do seu lado direito.

- A Hinata está muito distraída, Tobi quer saber o que se passa. – Resmungou a pessoa ao seu lado e ela logo se virou para ele.

- Desculpa Tobi, estava a pensar no jantar de hoje e nem te vi. – Disse ela, sorrindo para o homem mascarado. Depois, foi buscar à sua mala um grande chupa colorido. – Aqui está, lembrei-me de ti.

Tobi trabalhava para o seu pai e era viciado em doces, de modo que ela às vezes comprava-lhe alguns na pastelaria na rua do colégio para lhos dar quando fosse passar o fim-de-semana a casa. Ele recebia-os sempre animado e isso fazia-a feliz, era uma pessoa alegre no meio daqueles homens sérios.

- Tobi agradece, ninguém dá doces ao Tobi para além da Hinata. – Disse ele, feliz. Hinata ofereceu-lhe um sorriso meigo antes de se despedir e ir para o seu quarto.

(…)

O jantar havia sido tão frio e superficial como ela esperava. O pai sentara-se no topo da mesa, com ela de um lado e os convidados do outro, o que também contribuiu para a conversa informal e para o ambiente desconfortável. Desconfortável para ela, que ficava em silêncio enquanto o patriarca da família tinha uma conversa educada com o irmão e o sobrinho, que aparentemente também estava dentro dos assuntos em questão. Hanabi mantivera-se tão calada como ela, provavelmente também não se sentia incluída nem compreendia as conversas deles.

Depois de lhe darem licença, apressou-se a sair da mesa e a retirar-se para o seu quarto, juntamente com a sua irmã. Neji também fora dispensado e fora na direcção oposta à delas, onde normalmente ficavam as visitas.

No caminho, não pode deixar de reparar nos dois homens que entravam na sua casa descontraidamente. Já os tinha visto naquele dia, mais cedo, no escritório do seu pai. Um deles era alto, com um comprido cabelo louro que ela não podia evitar comparar ao de Ino, apanhado num rabo-de-cavalo alto no cimo da cabeça. Os fios louros caiam-lhe até abaixo dos ombros, cobrindo-lhe os olhos azuis. O outro homem, que caminhava ao lado do primeiro, era baixo com cabelo ruivo curto e rebelde, como se ele tivesse posto bastante gel, e uma pele muito clara e pálida. Apesar de ser muito mais velho do que o outro, possuía uma cara de menino sempre inexpressiva. Os seus olhos castanhos, no entanto, não enganavam e pareciam mostrar o quão perigoso ele era.

- Menina. – Cumprimentaram eles, fazendo uma leve reverência com a cabeça.

- Sasori, Deidara. – Cumprimentou de volta, formalmente.

Sasori e Deidara tinham aparecido em sua casa quatro anos depois de Itachi aparecer, sendo apresentados a ela como homens que trabalhavam e eram leais ao seu pai. Como sempre tinham sido educados e até simpáticos (pelo menos no caso de Deidara) com ela, só percebera o quão perigosos eles eram mais tarde, através do pai de Ino, que lhe dissera que eles eram criminosos procurados por todo o mundo quando ela viu as suas fotografias numas folhas na secretária dele. Deidara era um perito em explosivos e Sasori utilizava marionetas como máquinas para lutar.

- O que vos trás aqui a esta hora da noite? – Perguntou por fim, sentindo-se na obrigação de ser cordial com eles, afinal, ele eram das poucas pessoas naquela casa que ainda tinham a decência de não a tratar como se ela os fosse morder a qualquer momento. Nenhum dos empregados ou seguranças estava autorizado a dirigir-lhe a palavra, os únicos que o faziam eram aqueles que pertenciam ao círculo restrito de homens de confiança que trabalhavam para o seu pai.

Hiashi era um homem poderoso e muito rico, o que também lhe rendia muitos inimigos. Por essa razão, ele criara uma organização para o proteger, mas mais tarde essa organização acabara por ter outra utilidade, agora, eles protegiam toda a família Hyuuga e trabalhavam nos seus negócios, a mando do patriarca. Essa organização chamava-se Akatsuki.

- O Sr. Hyuuga mandou chamar-nos. – Disse Deidara. Sasori apressou-se a dirigir-se ao escritório, deixando-os para trás e o louro acabou por se despedir com pressa e segui-lo, afinal, ele não podia chegar sozinho.

Ela sabia que a Akatsuki trabalhava por duplas e que o seu pai fazia questão que essas duplas não se encontrassem. Deidara, Sasori, Pein e Tobi estavam todos na mansão principal, o que indicava que iriam ter uma reunião geral onde todos estariam presentes, isso incluiria Itachi.

Sentindo-se uma criança a fazer asneira novamente, subiu as escadas e dirigiu-se a uma porta que era do lado contrário do corredor ao do seu quarto, abriu-a e entrou sem que ninguém a visse. Desceu as escadas e retirou um quadro velho que abafava o som proveniente do escritório do seu pai.

Descobrira aquela passagem há cerca de um ano por coincidência e não costumava usa-la com frequência, com medo de ser apanhada, no entanto, o seu pai tinha andado distante ultimamente, a visita de Hizashi poderia ter mais alguma coisa por trás e ela queria saber se Itachi tinha voltado.

- O Neji seria… - Ouviu a voz grave do tio Hizashi, mas foi rapidamente cortado pelo próprio irmão.

- Não me parece que estejas a compreender a situação, Hizashi. A Hinata é a minha filha primogénita, ela é a Herdeira dos Hyuuga e eu pretendo deixar-lhe tudo o que tenho. Se algo me acontecer, ela ficara no comando. E quando eu digo tudo, quero dizer o dinheiro, os negócios, a organização e a família. – Ela ficou surpreendida pelas palavras do seu pai, que sempre lhe dissera que ela era fraca demais para ser sua herdeira. Ela concordava que o era, afinal, ela nunca seria tão fria e insensível como o pai, muito pelo contrário, ela nem conseguia falar com as pessoas sem gaguejar, nunca conseguiria impor respeito aos melhores criminosos que o seu país alguma vez conhecera.

- A Hinata é um amor de rapariga, ela não foi feita para isto. Ela é tal e qual a mãe dela. – Interveio novamente Hizashi. – Achas que ela vai ser capaz disto? Achas que ela vai continuar os teus negócios sabendo que está a deixar pessoas na miséria? Achas que ela vai dar ordem para matar os seus inimigos antes que eles a matem a ela? Ela não conseguirá o respeito que tu tens, pergunta aos teus homens. – Por muito que ela e o pai não gostassem, ele tinha razão. Hinata sentiu-se encolher perante as palavras do tio que sempre fora tão amável para ela.

- Ela é minha filha, não ouses achar que a conheces melhor do que eu. – Ela ficou quieta e espreitou pelos pequenos buracos que havia na parede, que davam para os olhos do quadro presente no outro compartimento. Observou todos os presentes e tal como previra, a Akatsuki estava presente: Sasori, Deidara, Tobi, Pein, Konan, Kakuzu, Hidan, Zetsu, Kisame e Itachi. Os seus olhos pararam no último e gelou quando percebeu os olhos dele a fixar os seus. Ele sabia que ela ali estava. Não fazia ideia de como ele a descobrira, mas esperava que ele não fosse dizer ao seu pai. – A Akatsuki tratá-la-á com o mesmo respeito que a mim, não preciso preocupar-me com isso. Agora, podes retirar-te, tenho assuntos a tratar com os meus homens. – Houve um momento de silêncio antes de a voz do irmão gémeo do seu pai soar.

- Como podes ter tanta certeza? – Pela primeira vez em muito tempo, ela percebeu-se surpreendida com o pai quando o viu a exibir um sorriso de canto divertido e orgulhoso, um sorriso que ela não o via dar desde a morte da mãe.

- Tu mesmo o disseste meu irmão, ela é tal e qual a mãe. – A face do tio contraiu-se, mas logo relaxou. Ele virou costas e saiu, fechando a porta atrás de si.

Hinata deu por si sem saber o que o pai quisera dizer com aquilo, mas queria descobrir. Até já sabia a quem ia perguntar.

Continua…


O que acharam? Bom, mau, péssimo? Aceito críticas positivas ou negativas, a sério, se lerem, por favor deixem a vossa opinião! (:

Bye-bye,

VeronicaLee