Olá!

Por favor não me matem, eu juro que tentei atualizar o mais depressa possível mas a inspiração faltou. Tive de pensar muito bem neste capitulo porque há uma óbvia aproximação entre o Itachi e a Hinata, e obviamente que não podia ser de qualquer maneira não é? Para além disso, este capitulo compensa porque é enorme e há alguns momentos mais ... Ok, vou parar de falar demais dobre o que eu não devo.

Em adição, há algo que tenho que esclarecer. Uma leitora veio falar comigo a queixar-se que ela não estava registada em nenhum dos sites onde eu publico esta fic, mas que é uma leitora assídua. Eu fiquei surpreendida, porque nunca me tinha passado pela cabeça tal pormenor e peço imensa desculpa. Eu já mudei as definições por isso mesmo pessoas que não estão registadas, já podem deixar uma review e deixar esta autora feliz.

Mais uma vez sublinho que aceito criticas, o que quer dizer que se lerem e não gostarem, podem dizer-me o porque de não gostarem e a vossa opinião. Não sou uma escritora profissional e tenho perfeita noção que tenho muito que melhorar. Se gostarem, continuo a querer reviews. Eu fico mesmo feliz quando os leitores se manifestam, afinal, é por vocês que continuo a escrever esta fic.

Agradeço a todos os que leram e deixaram opinião e espero, honestamente, não desiludir ninguém com este novo capítulo!


Sinopse – Ele era um homem frio e cruel que tinha assassinado a própria família. Para ela, ele não devia ser mais do que um dos homens do seu pai, mas não conseguia deixar de o ver como o seu anjo protetor desde que aceitara a sua mão naquela noite.

Disclaimer – Naruto e as suas personagens não me pertencem.

Nota: Como já referi, o meu português é diferente do que é falado no Brazil. Cá, nós temos diferentes maneiras de nos tratarmos. Quando é um desconhecido mais velho, trata-se por 'você', no entanto, se for uma pessoa amiga e/ou da mesma idade (alguém com quem temos intimidade) tratamos por 'tu'. Isto é relevante porque a Hinata trata a maioria dos membros da Akatsuki por você e só os trata pelo nome próprio porque ela é, teoricamente, a próxima líder deles. Se restarem duvidas, é favor perguntarem.


Capitulo quatro – Segredo e confiança

Depois de ter pronunciado o nome da mulher morena que suspeitava ter informações sobre a sua mãe, tudo aconteceu demasiado depressa. O homem ao seu lado demorou apenas uns segundos a encontra-la naquele computador topo de gama e depois disso arrancou com o carro. Já andara no mesmo carro que Itachi algumas vezes, já que o seu pai fazia questão que um ou dois membros da Akatsuki os acompanhassem sempre que ela saia com ele para comparecer a eventos oficiais. Mesmo que ela escondesse a sua identidade, os sócios mais poderosos do Hyuuga conheciam-na como futura líder do clã e o seu pai tinha especial cuidado em nunca deixar a sua primogénita sozinha. Por esta razão, ela tinha sempre dois membros da organização a protege-la: Um era Itachi e o segundo segurança poderia ser Sasori ou Deidara, dependendo dos eventos. No entanto, ter o Uchiha ao volante era completamente diferente. Ele conduzia tão rápido que se fosse qualquer outra pessoa, ela teria medo que causasse um acidente, mas pela perícia que ele mostrava a ultrapassar todos os carros e a andar a velocidades que ela nem sabia ser possível atingir sem bater contra qualquer coisa, percebeu que ele nunca iria causar nenhum acidente porque ele tinha sido treinado para fazer aquilo.

Tentou observar as ruas por que passava, mas a imagem parecia um borrão de cores e formas que ela conseguia distinguir mas não tinha tempo de contemplar. Olhou para o ecrã do computador que agora se encontrava à sua frente e percebeu que ele tinha localizado Kurenai e que se estavam a dirigir para sua casa.

- Tencionas dizer-me o que é tão importante que te faça falar com a tua professora a meio da noite? – Ela ficou surpreendida por ele ter iniciado a conversa e feito uma pergunta. Algo que ela aprendera sobre ele era que ele simplesmente não falava com as pessoas, preferia ficar em silêncio e ouvir. Sabia que lhe devia uma explicação, mas algo a impedia de lhe contar a verdade. Não era que não confiasse nele, estranhamente ela até confiava mais do que devia, no entanto, sentia que era errado contar aquilo que sabia a alguém de fora e que não conhecera a sua mãe, uma vez que ele poderia julgar como todos os outros fariam. É claro que ele podia fazer exatamente o que não era esperado e aceitar aquilo que ela lhe tinha a dizer e ficar tão fascinado com o assunto como ela. Infelizmente, ela não o via a reagir como planeado em qualquer uma das situações e era óbvio que apesar de ela confiar e conhecer, até certo ponto, Itachi, não conseguia prever a sua reação e não estava disposta a arriscar.

- Não posso contar. – Decidiu, por fim, dizer. Ele não mostrou qualquer emoção, mas os seus olhos vigiaram-na pelo canto do olho, o que só podia significar que ele não aprovara a resposta que recebera. – Não me podes cul... – Começou a sentir-se nervosa e temeu gaguejar, mas acabou por engolir em seco e continuar. – Culpar. Tu e os outros passam a vida a esconder-me coisas porque estão muito além da minha compreensão, mas agora sou eu que estou nessa posição.

- Eu nunca te pedi ajuda para um assunto que tu não compreendes durante a madrugada. – Respondeu ele, irónico. Ela sobressaltou-se e olhou-o, resistindo ao impulso de o olhar de boca aberta, pois ele não costumava tecer comentários acerca de assuntos das outras pessoas.

- És a única pessoa capaz de me ajudar e em quem o meu pai confia. – Explicou simplesmente. Observou as ruas pelo vidro fumado e pensou antes de continuar a falar. – Desta vez, e prometo que será só desta vez, preciso apenas que não contes nada disto a ninguém.

Um silêncio mórbido instalou-se no carro e ela viu-o, pelo canto do olho, acenar afirmativamente com a cabeça uma única vez, como sinal que compreendia. Por um lado estava surpresa que ele tivesse aceitado entrar numa loucura desconhecida com ela, mas ela não se conseguia imaginar a pedir ajuda para qualquer outra pessoa.

- Os outros membros da Akatsuki... Eles irão contar ao meu pai? – Perguntou ela, lembrando-se que qualquer um deles poderia mencionar a presença tardia dela na base da organização. Sabia por experiencia própria que nenhum deles se importava minimamente com o que ela fazia ou deixava de fazer, eles apenas cumpriam ordens do seu pai e mantinham em mente que um dia teriam de lhe obedecer a ela, se sobrevivessem até lá. É claro que ela duvidava muito que qualquer um dos criminosos que o seu pai liderava algum dia obedecesse às suas ordens, uma vez que apesar de não o dizerem abertamente, todos a achavam demasiado fraca e quieta. Mesmo assim, havia uma pequena possibilidade de eles relatarem a sua visita a Hiashi, ela sabia muito bem que isso podia acontecer e esperava honestamente que isso só o fizessem depois de ela falar com Kurenai.

- Eles não o farão. – Ele parecia ter a certeza das suas palavras e isso intrigou-a. O Uchiha orgulhava-se de não confiar em absolutamente ninguém e era demasiado inteligente para acreditar na bondade dos assassinos e criminosos procurados com quem convivia todos os dias. Observou-o atentamente à espera de uma explicação e quando ia abrir a boca para a pedir, ele falou. – Têm demasiado medo de mim.

- Medo de ti? – Questionou, confusa. – Mas eu é que apareci à tua procura a meio da noite.

Ela olhou para ele, envergonhada, percebendo que os olhos dele se tinham voltado para ela e a encaravam com um certo divertimento mal contido, como se ela tivesse acabado de dizer algo extremamente engraçado e interessante. Os seus lábios curvaram-se num quase imperceptível sorriso de canto que lhe parecia bastante malicioso.

- Porque razão uma mulher procuraria um homem a meio da noite? – Ela sentiu o seu rosto a ficar incrivelmente quente e desviou o olhar, o borrão de casas parecendo estranhamente interessante. Como é que ela não pensara nisso?

- Mas eu... Mas nós... Eu... – Tentou ela dizer. Acabou por se calar, sem saber o que dizer para deixar a situação menos constrangedora. Os membros da Akatsuki achavam que ela estava envolvida com Itachi. A ideia soava tão absurda que ela quis rir, como se não fosse óbvio que alguém como Itachi nunca olharia para ela.

- Chegámos. – Ele disse, acordando-a dos seus pensamentos. Ela acenou afirmativamente e olhou pela janela do carro para o grande prédio à sua frente. Por alguma razão, aquele prédio não era típico de uma simples professora de liceu, mesmo que esta desse aulas num colégio privado, pois ela acreditava ser um apartamento demasiado caro para tal salário. – Faças o que fizeres, será melhor não gaguejares. – Recomendou ele, antes de abrir a porta e sair do carro. Ela demorou um momento a processar o seu conselho e seguiu-o.

- Podes ficar cá em baixo se quiseres. – Sugeriu ela. Ele nem olhou para ela, como se a sua sugestão fosse demasiado ridícula para ele sequer se dar ao trabalho de a considerar. Caminhou em passos lentos e ela seguiu-o.

O porteiro do grande prédio encontrava-se adormecido e ela até ia dirigir-se a ele e acordá-lo, mas foi impedida pela mão de Itachi, que agarrou o seu braço e acenou negativamente. Restou-lhe apenas continuar a caminhar pelo grande hall de entrada do luxuoso prédio e entrar no elevador que se encontrava naquele andar.

Enquanto estava dentro do elevador, sentiu todos os nervos a atingirem-na de uma só vez. Na realidade, ela estava a fazer algo que nunca tinha feito, estava a desafiar o seu pai, a fazer algo escondido, algo proibido. Havia grande probabilidade de não conseguir nada com a visita, mas mesmo assim estava ali.

Chegaram ao andar que Itachi tinha marcado e saíram, parando apenas quando chegaram à segunda porta à direita. Ela respirou fundo antes de tocar à campainha.

Quando Kurenai abriu a porta vestida com uma camisa de dormir muito justa, curta e decotada de cor vermelho-vivo, Hinata percebeu repentinamente que não fazia a mínima ideia do que poderia dizer àquela mulher. Em primeiro lugar, ela nunca imaginara a sua professora utilizar tão pouca roupa como naquele momento e até se lembrava de Ino comentar algo sobre a relação desta com Asuma, sendo este ultimo um professor que descendia de uma das famílias mais ilustres da cidade logo a seguir aos Hyuga e Uchihas, ser um tédio a nível sexual, uma vez que a loira tinha apostado que a professora era uma mulher extremamente conservadora, amável, quieta e incapaz de satisfazer um homem. Bem, aquilo só provava que as aparências enganam, porque a mulher que se encontrava à sua frente não tinha nada haver com a que lhe dava aulas durante o dia, havia algo nela que gritava sensualidade. A mais nova apostava que ela conseguiria qualquer homem que ela quisesse.

O que lhe deu coragem para se manter firme foi o facto de Itachi estar atrás de si e a expressão de Kurenai. A face da mulher mais velha assumiu diversas expressões num espaço de tempo: Inicialmente ficou estática, observando-a com os seus olhos vermelhos muito abertos, como se não acreditasse que ela estava realmente ali; Depois, foi perceptível o seu grande alivio, apesar de a mais nova não compreender que razões tinha ela para se sentir aliviada; E por fim esse alivio esvaiu-se e os seus olhos brilharam com puro divertimento e surpresa quando os seus olhos pousaram no Uchiha que se mantinha atrás dela.

Ela esperava uma reação completamente de Kurenai quando visse o seu acompanhante. Afinal, ele era um assassino e criminoso mundialmente conhecido e procurado, qualquer pessoa normal teria medo, mas a sua professora parecia não se importar minimamente com isso, parecia até saber de algo que nenhum deles sabia, e o que quer que fosse, era algo estranhamente engraçado a julgar pelo pequeno sorriso que se formou nos seus lábios.

- Eu... – Começou Hinata, sentindo obrigação de dizer alguma coisa e quebrar o silêncio que se tinha instalado desde que a porta tinha sido aberta. Engoliu em seco, lembrando-se do que Itachi lhe dissera sobre gaguejar. – Preciso fazer-lhe uma pergunta muito importante.

- Se eu sei porque estás aqui... – Começou a bonita mulher que continuava a segurar a porta. – Querer muito mais do que uma resposta. – O seu tom de voz era amável, mas quem lhe falava não era a professora calma e excessivamente quieta e boazinha que ela conhecia. Acabou por afastar-se da porta para lhes ceder passagem. – Entrem e fiquem á vontade. Querem alguma coisa para beber?

Hinata foi a primeira a entrar, sendo seguida pelo único homem presente. A outra fechou a porta depois dos seus convidados passarem e conduziu-os até ao sofá, indicando-lhes com um gesto que se sentassem.

Analisou todo o apartamento que pertencia àquela pessoa que tão bem julgara conhecer através dos longos anos de convivência, percebendo que não sabia nada sobre ela. A casa era muito diferente do que algum dia havia imaginado, a entrada dava diretamente para um grande salão que se dividia em duas áreas, uma era uma sala de estar constituída por três sofás de cor preta virados para uma grande televisão plasma situada em cima de uma bonita lareira feita em pedre mármore, outra era uma sala de jantar constituída por uma mesa de madeira negra com oito lugares ao todo. As paredes eram brancas e todos os móveis eram brancos ou uma mistura entre preto e branco. Numa prespetiva geral, todo o apartamento se apresentava muito prático e moderno, coisa que nunca combinara com a sua dona, pelo menos enquanto esta se encontrava dentro do colégio onde dava aulas, mas a julgar pelo que tinha visto, Hinata suspeitava que a outra tivesse dupla personalidade. Havia várias portas colocadas em pontos estratégicos, mas apenas três estavam abertas de modo a se ver para que divisões iriam dar. Uma era um quarto de banho, outra era uma cozinha que tinha as luzes ligadas e a ultima era o quarto. A luz estava apagada, mas Hinata conseguiu focar um vulto sobre as cobertas de cor clara. Viu a sua anfitriã a fechar a porta sem qualquer pudor, dando um pequeno sorriso nada envergonhado pela sua aluna ter visto o que não devia ter visto.

- Agora podemos falar à vontade, ele tem sono pesado e só irá acordar amanhã de manhã. – Informou, aproximando-se do sofá onde estavam sentados. Acabou por parar e se sentar elegantemente de frente para eles, cruzando as pernas numa pose sensual, como se não estivesse a usar um tecido tão minúsculo que dificilmente cobriria o que quer que seja. Ela arriscou olhar para Itachi para ver se ele se apercebera da falta de tecido no corpo daquela mulher estonteante, mas este mantinha os seus olhos fixos num quadro enorme que se situava perto da porta do quarto, como se nem tivesse reparado. Depois, finalmente olhou para a mulher à sua frente, mas a sua expressão não se alterou minimamente, como se visse mulheres assim todos os dias.

Kurenai, no entanto, não se importava muito com isso. Naquele momento, estava no meio de um enorme conflito mental, de tal modo que a sua cabeça estava uma grande confusão. Não havia qualquer duvida que Hinata era a imagem viva e nova da mãe dela, não só de aparência como também de personalidade. Percebera isso apenas ao observar a rapariga, ela estava obviamente assustada e confusa, sem saber o que fazer, provavelmente pensara em fugir imensas vezes, mas mantinha-se ali quieta, num ato de coragem. Era óbvio que ela não compreendia isso, mas Kurenai era mais velha e compreendia as coisas como elas eram, os seus olhos captavam mais do que ela mostrava ao resto do mundo. Ansiava por retribuir a coragem que ela estava a mostrar no momento, mas não podia. Queria contar a Hinata sobre tudo, sobre a sua mãe, o seu pai, sobre elas, mas não o podia fazer. Tsunade havia dado ordens muito claras, Hinata deveria tomar o primeiro passo e perguntar, só poderiam revelar-lhe aquele grande segredo se a mais nova fosse ter com uma delas de livre e espontânea vontade e fizesse as perguntas certas.

A Hyuga levou algum tempo a tomar as rédeas da situação. Repensou sobre o que falar mais de dez vezes, mas acabou por desistir, percebendo que não iria sair nada de jeito. Em vez de falar, abriu a mala que trazia consigo e tirou de lá uma fotografia velha e em mau estado, com aquela estranha mensagem sobre as origens da mãe por trás, e entregou-a para as mãos bem arranjadas com as unhas pintadas de vermelho vivo. Inicialmente, a outra ficou estática a observar a fotografia, mas acabou por abrir um lindo sorriso, como se aquilo lhe despertasse memórias fantásticas.

- Conhecia a minha mãe. – Não foi uma pergunta e precisamente por essa razão, não obteve resposta. – Também encontrei várias cartas assinadas com iniciais. – Informou, surpreendendo-se com a firmeza da própria voz.

- Há quanto tempo encontras-te isto Hinata? – O tom de voz da professora era sério, mas agradável.

- Faz pouco mais do que uma hora. – Respondeu. – Eu lembrei-me de algo. Uma memória que havia esquecido, voltou-me através de sonhos. – Informou, tentando explicar-se claramente. – A minha mãe referiu-se a um 'nós'. Acho que ela falava de si e das pessoas que estão nessa foto. Que segredos escondia ela? – Perguntou por fim. Kunrenai sorriu, aquela era a pergunta chave.

- Itachi, querido, importas-te de nos deixares a sós por uns momentos?

Hinata gelou por um momento, não acreditando que alguém chamara ao assassino dos Uchihas de querido. Ela tinha certeza que se fosse outra pessoa qualquer, o seu acompanhante teria morto a pessoa de imediato, mas por alguma razão desconhecida, ele apenas ergueu uma sobrancelha e manteve o olhar fixo na mulher à sua frente, mas passados alguns segundos acabou por se levantar e dirigir a uma varanda que se encontrava do outro lado da casa. Ambas esperaram pacientemente que ele saísse e só depois de ele fechar a porta atrás de si é que a morena de olhos vermelhos começou a falar.

- Eu e a tua mãe somos amigas desde sempre. Conhecemo-nos num orfanato quando tínhamos sete anos, ambos os nossos pais tinham sido mortos, os dela porque eram médicos e acabaram por morrer enquanto foram prestar os seus serviços num país menos desenvolvido durante a guerra e, bem, o meu caso é ligeiramente diferente: A minha mãe morreu quando eu nasci e o meu pai era um homem desprezível cujo único rendimento provinha de um bordel ilegal do qual era sócio, acabou por morrer na prisão enquanto cumpria pena por rapto e violação de menores, entre outros crimes.

Era uma história extremamente trágica, mas a mais velha não desviou os olhos dos perolados nem por um único momento, como se apesar de ser uma memória triste, não se sentisse minimamente afectada por ela. Era de conhecimento geral que histórias como aquelas deixavam sempre traumas, mas ela admirava a mulher mais velha por lidar tão bem com o seu.

- Nós éramos bastante problemáticas. – Comentou com um pequeno sorriso, lembrando-se dos velhos tempos. – Naquela altura achávamos que o mundo tinha culpa das nossas desgraças e isso tornou-nos cruéis, chegamos a arquitetar alguns planos bastante estranhos para estragar a vida a algumas pessoas. A maioria não os colocamos em prática, não que os nossos alvos não os merecessem, apenas não houve tempo. No liceu conhecemos Mikoto e Anko.

- Quem são... – Começou a mais nova, surpreendida pela história que estava a ouvir. Não se lembrava de muito da sua mãe, mas tinha a certeza que aquela pessoa não era a mesma que ela conhecera.

- Deixa-me terminar. – Ordenou, o seu olhar escarlate a cair sobre a mais nova como uma critica muda. – Nós éramos impopulares, enquanto Anko era completamente neutra, o grande objetivo da vida dela era ser policia como os pais, e Mikoto era proveniente de uma família muito rica e, consequentemente, muito popular. É óbvio que não nos demos bem ao inicio, mas talvez por mero acaso, acabamos todas na prisão na mesma noite.

- Na pri...prisão? – Atreveu-se a perguntar Hinata, de boca aberta. A história fazia cada vez menos sentido.

- Eu e Hikari tínhamos participado em lutas ilegais, Anko fora apanhada a conduzir com algum teor de álcool no sangue e Mikoto tinha ido parar ali por posse de droga, viemos a descobrir posteriormente que as drogas pertenciam ao namorado que ela tinha na altura. – Fez questão de explicar. – Lamento se isto não era o que esperavas, tu é que me perguntas-te o segredo dela, mas eu não posso contar-te sem te revelar a sua história. Preciso que compreendas a tua mãe e tudo aquilo que ela defendeu. – Quando viu a rapariga à sua frente acenar positivamente com a cabeça, completamente sem palavras, apenas continuou. – Nós não éramos propriamente melhores amigas e acabamos por nos pegar. Olhando para trás, a nossa guerra de puxar cabelos e arranhar com as unhas foi bastante cómica. A questão é que quando estávamos quase a matar-nos umas às outras, Tsunade apareceu. Ela era mais velha que nós, andava na universidade de medicina naquela altura e simplesmente entrou na cela e separou-nos como se nós não tivéssemos força alguma. Ela fez-nos uma proposta e a partir dai tudo mudou.

- O que aconteceu? – Questionou, esquecendo toda a vergonha e subitamente incapaz de ficar em silêncio.

- Tsunade fazia parte de um grupo vulgarmente chamado 'As sábias', suponho que nunca tenhas ouvido falar? – A outra acenou negativamente com a cabeça. – E a partir daquela noite, todas nós aceitamos ser como ela. Nós não sabíamos no que nos estávamos a meter na altura, apenas sabíamos que o que quer que fosse, era melhor do que continuar nas nossas antigas vidas. Não percebíamos muito bem o que estava acontecer, mas uma mulher mais velha treinou-nos. – Confidenciou, preferindo não referir mais nomes do que aqueles que já tinha revelado. – Ensinaram-nos tudo aquilo que precisávamos de saber: o comportamento adequado a uma senhora, seduzir homens, cultura e até mesmo luta. Acabamos por seguir caminhos diferentes, mas há algo que todas sabíamos, uma vez uma de nós, para sempre uma de nós. Nós fazíamos parte daquela ordem secreta, elas tinham-nos ensinado tudo que nós precisávamos para viver.

- A minha mãe... – Começou Hinata, incapaz de acreditar nas palavras da outra. Uma ordem secreta? Esse tipo de coisa só acontecia nos filmes, certo? No entanto, percebendo que ela não acreditava, a outra apenas riu.

- Não somos nenhumas agentes dos serviços secretos Hinata, somos apenas mulheres fora do comum. Sabemos vestir, falar e viver na sociedade, somos inteligentes e cultas o suficiente para ocupar cargos de alto poder e competir com qualquer homem. Também sabemos defender-nos, pois não podes triunfar se nem sequer fores capaz de te defender a ti própria. Aprendemos como seduzir homens pela simples razão que nos tornamos mulheres o suficiente para só querer-mos homens poderosos, nós queríamos o melhor dos melhores. – Explicou, divertida. – Estou a fazer-me entender?

- Mais ou menos. – Respondeu, apesar de não ter compreendido nada. – Mikoto e a minha mãe tornaram-se amigas?

- Com o passar do tempo sim. Todas nos torna-mos muito unidas, mas, como já referi anteriormente, seguimos caminhos diferentes. Hikari e Mikoto casaram dentro do mesmo meio social e ficaram na mesma cidade, era previsível que se tornassem mais unidas, uma vez que elas possuíam um segredo que mais ninguém podia saber.

- Nem o meu pai? – Perguntou ela, surpreendida. Era impossível esconder o que quer que fosse de Hiashi, era inacreditável que a sua própria mulher o fizesse bem debaixo do seu nariz.

- Muito menos o teu pai. – O revirar de olhos não passou despercebido à convidada. – Hikari apaixonou-se por ele assim que o viu, sabias? Tinha ido viajar e conhecer o mundo, mas acabou por ficar presa a um único homem e perder a sua liberdade para sempre, amou-o o suficiente para isso. – Comentou. Hinata não pode deixar de sorrir ao ouvir aquelas palavras, era bom saber que os seus pais se amavam. – No entanto, não sei se casar terá sido a decisão mais acertada. Ela e Mikoto sofreram destinos trágicos.

- Quem era Mikoto? – Perguntou, confusa. Achava que já tinha ouvido aquele nome em algum lado, mas não sabia de onde. – A minha mãe disse-me que se ela não fosse capaz de me proteger, Mikoto o faria.

- Era previsível que ela pensasse assim, o desastre da família de Mikoto aconteceu pouco depois da sua morte, ninguém previa os seus destinos. – Agora tudo o que os olhos vermelhos refletiam era dor, como se aquele assunto lhe trouxesse lembranças muito dolorosas e presentes. – Pensei que soubesses por teres vindo com o Uchiha, Mikoto era a mãe dele.

- Oh. – Não conteve uma exclamação de surpresa. A sua mãe e a de Itachi eram amigas? Mas isso era completamente impossível. O seu pai odiava a família Uchiha, nunca permitiria que a sua mãe fosse amiga da mulher de um deles. Bem, ela acabara de descobrir que a sua mãe não precisava de permissão alguma para o que quer que fosse.

- Eu encontrei joias escondidas...

- Presentes de homens que a admiravam antes de ela conhecer o teu pai. – Explicou, sem a deixar acabar a frase.

- Itachi matou Mikoto... – Falou ela, mais para si do que para a sua anfitriã, tentando processar toda a informação e falhando miseravelmente, a sua cabeça estava uma grande confusão.

- Pensei que a conversa era sobre a tua mãe e não sobre a minha. – Ouviram uma voz máscula e rouca, apercebendo-se por fim da presença do Uchiha. Ele encontrava-se encostado à porta já fechada da varanda e olhava-as sem qualquer expressão.

- Junta-te a nós. – Pediu Kurenai, indicando o sofá onde Hinata estava sentada. – Estamos mesmo a falar de ti.

- Professora... – Começou Hinata.

- Podes-me tratar por Kurenai, neste momento não sou tua professora. – Interrompeu. Olhou criticamente para o Uchiha, que se mantinha em pé.

- Kurenai, o que quer de mim? – Optou por ser firme e direta.

- Quero que sigas os passos da tua mãe! – Assim que as palavras saíram pela sua boca, ela arrependeu-se. A expressão calma da sua aluna mudou drasticamente para uma mistura de surpresa, confusão e atonismo, como se não acreditasse no que acabara de ouvir. Kurenai limitou-se a suspirar, lidar com Hinata seria mais difícil do que ela inicialmente calculara.

(...)

Orochiaru odiava visitas não anunciadas, mas sabia que não podia fazer absolutamente nada quanto ao homem que entrava no pequeno apartamento em muito mau estado, local onde ele ficaria por tempo indeterminado até se recuperar, como se o lugar lhe pertencesse. Efetivamente, o recém chegado era o dono não só daquele apartamento como de grande parte daquela rua, mas ele sabia que o homem alto e misterioso à sua frente entraria em qualquer local de cabeça erguida, com aquele orgulho que tanto o irritava a envolve-lo numa alma perigosa e superior.

Kabuto permanecia à porta, arfante como se tivesse corrido uma maratona e com profundas marcas vermelhas à volta do seu pescoço normalmente pálido, sinal de que tentara impedir a entrada do outro homem. Fez-lhe sinal com a cabeça que estava tudo bem e que se podia retirar, tendo perfeita noção que o outro não levantaria um dedo contra ele, afinal eram aliados, e o homem de óculos e longos cabelos brancos deteve-se por alguns segundos, numa hesitação marcada por pura preocupação com o seu amado patrão e mestre, mas acabou por obedecer e sair, fechando a porta com um rangido atrás de si.

- O miúdo Uchiha está do nosso lado, tudo correu como planeado. – Informou por fim, apesar de ter noção que não dava nenhuma novidade ao ser que se mantinha em pé a observa-lo, quieto na sombra do quarto. Inevitavelmente, a presença do outro incomodava-o e fazia-o sentir-se ainda mais fraco, uma vez que mesmo que se encontrasse incapacitado e no meio de um processo de recuperação, mesmo quando estivesse completamente recuperado, ele nunca atingiria o nível daquele homem, aquilo era algo que só aquela família podia possuir e era precisamente por isso que queria Itachi. Infelizmente, O Uchiha mais velho era forte de mais para ele e assim sendo, restava-lhe Sasuke. Talvez ele lhe viesse a ser útil quando estivesse consumido com a sua vingança.

- Sasuke deve manter-se alerta. – A voz do outro homem era máscula e grave, numa mistura de autoridade e certeza que não poderia ser questionada. Com poucos passos, encontrava-se em frente à janela, os seus olhos cuidadosamente inspecionando a pequena e perigosa rua. Observou a pobreza e a miséria em que as pessoas viviam, na sua maioria eram criminosos procurados por crimes menores, drogados e prostitutas, mas também se via uma ou duas famílias que ali vivia por falta de dinheiro para ter uma vida melhor e que acabaram por ser apanhados no meio do pior da sociedade. – A herdeira Hyuga irá revelar-se em breve. – Informou. O tom da sua voz não deixava qualquer espaço para questões, mas Orochimaru não pode evitar faze-las. Ele tinha estado em guerra com Hiashi e sabia que se tratava de um homem altamente dotado, era quase impossível descobrir algo que ele quisesse esconder e proteger. Ele mesmo tentara descobrir quem era a primogénita da família, a menina dos olhos de Hiashi, que tinha sido protegida e afastada de todas as atenções indesejadas, mas todos os seus planos acabaram por falhar. A Akatsuki deveria saber, era quase impossível isso não acontecer, mas havia cortado relações com todos eles quando se declarara inimigo do Hyuga e para sua surpresa, toda a organização era estranhamente leal e nunca lhe diria nada.

- Não estou a desacreditar a informação, mas como pretende faze-la revelar-se? – Perguntou por fim.

- Obrigando-a a assumir a família. – Informou. Aquela simples informação dita com toda a casualidade que era possível num momento como aquele, deixou-o de boca aberta e olhos arregalados. Só havia uma maneira de ela assumir a família: o líder anterior tinha que morrer. Orochimaru lembrava-se perfeitamente que o homem que comandava toda a Akatsuki e grande parte dos negócios ilegais do país, era bastante complicado, nem para matar ele era simples. – Hiashi cairá muito em breve.

- Como pretende mata-lo? – Questionou. – Eu trabalhei para Hiashi durante muitos anos e de uma coisa pode ter a certeza, ele é difícil de matar, como acha que ele controla o grupo dos piores criminosos à face da Terra?

- Estou ciente das capacidades dele. – Os seus olhos continuavam a encarar a paisagem horrível que se via daquela janela, como se o homem deitado na cama nem fosse merecedor da sua atenção. – E também das suas fraquezas.

Orochimaru arregalou os olhos, percebendo que tinha arranjado um melhor aliado do que inicialmente esperava.

- Pensei que a sua maior fraqueza fosse a miúda. – Afirmou numa tentativa.

- A fraqueza dele é o que a filha representa, a sua maior fraqueza é a memória da falecida mulher. – Por fim virou-se para a cama, os seus olhos caindo nos do outro, onde uma cautela disfarçada estava presente. De algum modo, ele preferia quando via medo nos olhos de quem o encarava. – Prepara-te, irás voltar para a cidade em poucos dias. Serás instalado no teu antigo laboratório onde podes supervisionar as tuas experiencias.

- O meu laboratório foi destruído. – Resmungou, visivelmente descontente. O outro começou a caminhar até à porta e limitou-se a dizer, antes de sair:

- Tomei a iniciativa de o reparar. Voltas em uma semana.

(...)

- Tu não imaginas o que eu soube. – Foram as primeiras palavras de Ino naquela horrível manhã. A rapariga loura chegou atrasada à primeira aula da manhã e sentou-se ao pé de Hinata, começando imediatamente a falar sem se importar com o facto de estarem na aula de Kurenai e da professora estar a olhá-las de uma maneira estranha e critica pela audácia da loira em entrar na sua aula a conversar como se estivessem no café.

- Ino, estamos em aula. – Murmurou ela, tentando em vão fazer a loura ter algum senso de responsabilidade.

- E dai? – A outra mostrou uma expressão tão inocente e confusa, que se Hinata não a conhecesse tão bem acharia que ela era mesmo uma vitima e que não fazia ideia que não se devia conversar durante as aulas. – Como eu estava a dizer, tu nem imaginas o que aconteceu ontem à noite. – Prosseguiu, sem se importar em falar baixo. Ela tinha quase a certeza que qualquer uma das pessoas à volta delas as poderia ouvir sem grande esforço. – Sasuke rejeitou a Karin outra vez, dizem por ai que ela o tentou seduzir e ele ignorou-a completamente, parece que tem outras coisas para pensar. Achas que ele é gay? – Perguntou, seriamente preocupada com aquela hipótese.

- Bem, ele anda sempre com o Naruto de qualquer das maneiras. – Respondeu dando de ombros, sem dar muita importância à conversa. No entanto, a loira parou imediatamente o seu raciocínio, detendo-se a olhar para a morena como se esta tivesse uma cabeça extra. Hinata tentou desesperadamente ignorar aquele olhar surpreendido, curioso e atónico ao mesmo tempo, mas acabou por não conseguir. Kiba virou-se para trás dirigindo-lhe exatamente o mesmo olhar, que obviamente a confundiu ainda mais.

- O que foi? – Ambos os olhos continuaram a fixa-la, surpresa expressa neles, era como se eles não acreditassem no que estavam a ver.

- Ok Hina, o que se passa contigo? – Perguntou Ino, um pouco mais alto do que seria aconselhável, fazendo várias pessoas olha-las. – Desde o fim de semana passado que estás diferente. Eu deixei passar porque achei que era por causa da situação da cantina, mas tu a dizer que o Naruto é gay com essa facilidade toda é simplesmente surreal. Para além disso, raramente gaguejas.

- Eu não... – Começou ela a dizer, mas acabou por não conseguir terminar a resposta.

- A conversa parece estar muito interessantes, Meninas Yamanaka e Kamiya e Senhor Inuzuka. – Os três gelaram quando ouviram a voz de Kurenai a soar, mais alto do que o costume. Kiba virou-se imediatamente para a frente, obviamente querendo evitar uma reprimenda, e Ino olhou para a professora como se fosse totalmente inocente. A morena mais velha, ao ver os três alunos em silêncio, acabou por deixar passar e voltar ao tema principal da aula, mantendo, no entanto, um olho em cima de Hinata, ciente que teria de controlar minimamente as ações da herdeira dos Hyuga dali em diante.

(...)

Ela estava exausta, tinha passado toda a tarde, intervalos e aulas incluídos, a ouvir Ino falar de uma festa que estava programada para dali a duas semanas. Ouvira dizer que Sakura mencionara qualquer coisa sobre combinarem, dentro do grupo dela, sair em conjunto e não aguentou, vendo uma festa em casa da família Yamanaka como uma oportunidade de ouro para se aproximar do seu amado Sasuke. Incapaz de lhe dizer que não, acabou por concordar em ajudar a amiga e planeara mesmo ir com a loura a todos os sítios que ela achasse necessários. Porém, acabou por ir para casa mais cedo porque, segundou Ino, estava 'mais do que estranha' e o problema dela era 'uma boa desilusão amorosa e falta de sono'. Como não podia dizer a verdade à amiga e esta continuava a pressiona-la para saber o que se estava a passar, acabou por lhe confessar que estava naquele estado por causa de Naruto.

O que divertia Hinata, era que há uma semana atrás, o maior dos seus problemas era não ter a atenção de Naruto nem do seu pai. De um momento para o outro, vira-se no meio de um problema que não sabia como resolver: Descobrira que a sua mãe não era, de maneira alguma, aquilo que aparentava e sempre a fizera acreditar ser; tornara Itachi seu cúmplice numa complicação que não poderia, de maneira alguma, chegar aos ouvidos do seu pai sem que ambos sofressem as consequências; tinha Kurenai atrás dela tentando convence-la a seguir os passos da mãe; o seu pai continuava a agir como se ela nem existisse e, como se tudo o resto não fosse o suficiente, tinha que ir para a escola todos os dias e aguentar os olhares de pena dos seus colegas. Ela, que sempre tentara ser discreta e passar despercebida, agora era olhada com pena por causa da cena armada na cantina.

No meio de tanta coisa, apercebeu-se ela de repente, esquecera-se completamente da sua paixão por Naruto. Parecia mais envergonhada com tudo o que acontecera do que empenhada em olhar para ele como acontecia antes.

- Hinata. – Os seus pensamentos foram interrompidos por uma voz máscula e grossa, ligeiramente rouca, que vinha do seu lado direito. Sabia que não estava propriamente distraída, mas mesmo assim, acabou por se surpreender com a presença dele tão próximo a si. Parou de caminhar de imediato e levantou os olhos para encarar o homem ao seu lado.

Desde que o conhecera, ela nunca soubera como se dirigir a ele. Pela sua idade, ele ainda poderia ser considerado um rapaz, mas tudo nele gritava que havia muito tempo que se havia tornado um homem. Ela nunca soubera se deveria trata-lo por o nome, pelo apelido ou adicionar Senhor antes do nome dele como faria com qualquer outra pessoa mais velha. Felizmente, ela nunca tivera que o chamar antes, mas há muito se apercebera que não o tratava tão respeitosamente como aos outros membros da organização, excepto Tobi, mas esse era um caso à parte. Por muito que estivesse familiarizada com a presença de Deidara e Sasori, ela nunca os tratara por 'Tu', apesar de utilizar o nome próprio para se referir a qualquer um deles. Com ele, no entanto, era diferente. Desde o inicio, sempre fora Itachi e quando o tratou por 'tu' pela primeira vez e ele não fez qualquer comentário, nunca sentiu necessidade de mudar.

- Itachi. – Ela murmurou, antes que se pudesse parar a si própria. Por um momento, ficou com medo que ele não aceitasse que ela o chama-se pelo seu primeiro nome. No entanto, a sua preocupação revelou-se infundada quando ele acenou positivamente com a cabeça uma vez, em sinal de afirmação, como se estivesse a confirmar que ela poderia chama-lo pelo nome. Qualquer outra pessoa deixaria passar aquele pormenor sobre a sua insegurança, mas ela estava a falar com um génio no final de contas.

- O teu pai mandou-me avisar-te que tem um jantar importante hoje com os Sabaku. Ele exige a tua presença. – Informou ele, formal como sempre.

- Tu também vens? – A pergunta saiu-lhe antes que ela pudesse conter e ele apenas ergueu uma sobrancelha, apesar de os seus olhos mostrarem novamente aquele divertimento contido.

Isso era algo que nunca compreenderia em Itachi, ele nunca mostrava as suas emoções a ninguém, no entanto, por diversas vezes ela conseguira ver divertimento nos olhos dele, apesar de estar ciente que aquilo tratava-se apenas daquilo que ele permitia que ela visse.

- Irei como vosso guarda-costas. – Ambos começaram a caminhar lentamente, cientes do quão estranho seria ficarem parados no meio do corredor.

- Como meu guarda-costas, queres tu dizer. – Comentou, desta vez de propósito, sabendo perfeitamente que aquilo era obra do seu pai. Ele apenas se manteve em silencio e acenou positivamente com a cabeça uma vez, antes de acrescentar:

- Sabes que ele se preocupa. – E ela não pode fazer mais do que arregalar os olhos e ficar a olhar para ele, ciente que ele não costumava continuar a conversa. Normalmente, ele iria apenas acenar e pedir licença antes de desaparecer da sua vista e isso fê-la perguntar-se o que teria mudado.

- Pelo menos podias jantar connosco, em vez de ficares em pé a assustar qualquer pessoa que se aproxime minimamente de mim. – Comentou ela, sem saber muito bem de onde lhe vinha aquela abertura. Bem, eles agora tinham um segredo conjunto, talvez isso significasse alguma coisa e lhes desse alguma confiança.

- Isso não seria muito boa ideia. – Ela observou-o, ciente que ele conseguia ver todas as suas reações e tentou perceber a resposta dele, mas como sempre, não conseguiu compreende-lo.

- E porque não?

Observou-o, pela primeira vez sem se importar muito, afinal, não estava propriamente a espia-lo, estavam a ter uma conversa, por muito chocante que aquilo fosse. Os olhos deles fixaram os dela antes de olhar disfarçadamente para os lados, como se a verificar se estavam completamente sozinhos. Depois de perceber que sim, a sua pose tornou-se visivelmente mais relaxada e segredou-lhe, em tom de confidencia:

- Não me sinto muito confortável nesses jantares.

Ela teve de se segurar para não rir. Por mais que se sentisse lisonjeada por ele confiar nela o suficiente para baixar um pouco da sua guarda, mesmo que só por uns momentos, não conseguia imaginar aquele homem desconfortável. Ele era sempre tão confiante e seguro de si que ela sempre achara que não havia nada do mundo capaz de afeta-lo e agora, naquele preciso momento, ele acabara de lhe confessar que não ia com ela e o seu pai a um jantar de negócios porque se sentia desconfortável. A ideia de ele lhe estar a contar aquilo era tão absurda quanto a de ele confiar em alguém como ela, mas por alguma razão, eles continuavam ali a conversar e ele acabara realmente de lhe contar que sentia alguma coisa, mesmo que isso fosse desconforto.

Ela acabou por sorrir com o pensamento e viu que ele ia dizer alguma coisa, mas não o permitiu.

- Ótimo, assim não serei a única. – Acabou por dizer, vendo-o erguer uma sobrancelha ligeiramente e curvar os lábios num quase imperceptível sorriso.

Ele ia responder-lhe, mas acabou por não o fazer e a sua expressão escureceu de repente. Admirada, viu-o assumir a sua postura rígida novamente e os seus olhos a tornarem-se tão inexpressivos como sempre.

- Oh, Uchiha, estavamos à tua procura. – Só ai é que reparou que Deidara caminhava em passos lentos até eles, acompanhado por Sasori e Kisame. Nenhum dos três pareceu surpreendido por os ver ali, no entanto, até ela percebeu que algo estava errado. Eles pareciam estar a divertir-se com alguma coisa e ela perguntou-se com o quê até se lembrar das palavras de Itachi na outra noite.

"-Mas eu é que apareci à tua procura a meio da noite.

- Porque razão uma mulher procuraria um homem a meio da noite?"

Eles achavam que eles tinham um caso. Na altura, a ideia parecia-lhe ridícula, principalmente porque ela fora apaixonada por Naruto desde que era criança, no entanto, depois de tudo o que ouvira e de tudo o que acontecera nos últimos tempos, ela não podia deixar de pensar que Itachi era muito melhor que Naruto em todos os aspectos. Envergonhada, acabou por afastar esses pensamentos. Ela podia não arranjar qualquer motivo posterior para ele a ajudar e manter o seu segredo, mas sabia perfeitamente que ele tinha que impedir que ela se magoasse, afinal, ele era aquele em que o seu pai mais confiava quando o assunto era a sua filha primogénita.

De qualquer das maneiras, Hinata tinha plena noção que se nem um rapaz como Naruto, que costumava ver o melhor nas pessoas, conseguira nota-la e gostar dela, nunca teria hipóteses com um homem como Itachi, que para além de ser extremamente atraente e puder ter qualquer mulher que quisesse, nunca se interessaria por uma menina como ela. Não era novidade para ela que toda a atenção que Itachi lhe dispensava devia-se, única e exclusivamente, ao facto de ela ser a filha de Hiashi, o homem para quem ele trabalhava.

- Jantar às oito da noite com os Sabaku, não te esqueças. Hiashi vai lá ter, por isso partiremos daqui às sete e meia. – Informou, com o seu tom gélido, tão diferente do que usara anteriormente.

- Certo. – Foi tudo o que conseguiu dizer. Olhou novamente para os membros da Akatsuki, que continuava com aquele olhar estranho e sentiu-se corar até às orelhas antes de caminhar em passos rápidos para o outro corredor, em direção ao próprio quarto. Atrás de si, ainda conseguiu ouvir o som dos passos deles na direção contrária à que ela escolhera.

Entrou no quarto e atirou-se para cima da cama, decidida a dormir pelo menos uma hora antes do jantar. Apercebeu-se que estava exausta por causa dos acontecimentos recentes e que ainda não parara de pensar em tudo o que acontecera com a sua mãe. Antes de adormecer, viu as chamadas não atendidas de Kurenai e de Ino mas não se importou em devolver a ligação, sabendo exatamente o que cada uma delas queria.

A sua mente acabou por vaguear por toda a informação acumulada adquirida. Naruto, Ino, Kurenai, a sua mãe, o seu pai e Itachi. Com um suspirou, não pode evitar pensar:

Onde é que eu me vim meter?

Continua...


E então? Que tal?

É preciso dizer que estou um bocadinho nervosa para saber a vossa opinião?

Beijinhos*