Olá gente linda!
Eu sei, eu sei que os meus leitores (se eu ainda tiver alguns ao fim deste tempo todo sem atualizar a fic) já devem estar fartos do meu discurso de desculpas e de promessas que vou demorar menos da próxima vez. Em minha defesa, eu tentei, mas para que vocês tenham noção, reescrevi este capítulo três vezes até sair este resultado e nem ficou exatamente como eu tinha imaginado. Mas de qualquer das maneiras, peço desculpa pelo atraso.
No outro dia vim cá, o que infelizmente já não acontece tão frequentemente, e a percebi-me que esta ideia ocorreu-me em Agosto de 2011. Por isso é que o prólogo foi publicado em Setembro. O que significa que eu mantenho-me fiel a esta história à dois anos e tal, o que para mim é um recorde. Também devem ter reparado que eu antes demorava a publicar, mas não tanto como agora. Quando comecei este enredo estava a começar o penúltimo ano de liceu e agora já estou no segundo ano da universidade, as responsabilidades aumentaram e o tempo, infelizmente, diminuiu. No entanto, o amor pela escrita continua cá e é por isso que eu NÃO VOU DESISTIR DESTA HISTÓRIA, se vocês também não o fizerem. Aliás, eu tenho tanto amor a isto que acho que já a escrevia nem que fosse só por mim.
Espero que não se tenham fartado de esperar e que gostem deste capítulo, foi escrito com carinho. Quero agradecer imenso àqueles que deixaram reviews a dizer o que acharam, cada palavra significou imenso para mim, vocês nem imaginam. Um grande obrigado também àquelas que mandaram mensagem para saber se eu ia publicar ou não ou até mesmo a perguntar se desisti da história, vocês são uns amores e deram-me força para continuar quando eu empacava numa parte do capítulo.
Espero honestamente que gostem do capítulo e do rumo que a história está a tomar. Se não gostarem também me podem dizer o porquê, garanto que eu adoraria saber. Se tiverem ideias, elas também são muito bem vindas, já houve comentários de leitoras que me levaram a outras ideias (só mais para a frente).
Beijinho*
Sinopse – Ele era um homem frio e cruel que tinha assassinado a própria família. Para ela, ele não devia ser mais do que um dos homens do seu pai, mas não conseguia deixar de o ver como o seu anjo protetor desde que aceitara a sua mão naquela noite.
Disclaimer – Naruto e as suas personagens não me pertencem.
Capítulo Sete – Liderança
A mansão Hyuuga encontrava-se abalada por um profundo silêncio. Não que fosse um local habitualmente barulhento, mas naquele dia em especial não se encontrava ninguém, nem sequer um dos empregados, a passar pelos grandes e luxuosos corredores. Provavelmente, todos se haviam recolhido para os respectivos aposentos noutra parte da mansão até haverem novas ordens. Afinal, ninguém sabia muito bem como esta situação se ia resolver e se a solução apresentada iria ser a melhor para todos os lados.
Assim, quando saiu do seu quarto já alimentada e devidamente apresentável, encontrou Itachi encostado à parede do corredor à sua espera, agora com o cabelo apanhado. Observou, para seu embaraço, que ele a observou atentamente de cima a baixo.
Ela lembrava-se de Ino uma vez lhe dizer que uma mulher que se preze deveria andar sempre bem vestida, pois a qualquer momento poderia encontrar o amor da sua vida e que ela o fazia porque já o havia encontrado, naquele caso seria Sasuke. Não que isto tivesse muita importância, afinal, pelo menos pelo que ela sabia, ele só via a amiga dentro do perímetro da escola, onde se usava uniforme. Mas é claro que ela se manteve em silêncio sobre esse pequeno pormenor.
A sua indecisão quanto ao que vestir, no entanto, não tinha nada haver com o amor da sua vida. Não ficou espantada quando se apercebeu que não sabia o que deveria vestir para uma reunião daquelas uma vez que o seu pai nunca a tinha levado a nenhuma, e era esse último ponto que a incomodava. Para além disso, ela sabia que não era apropriado ir no seu uniforme do colégio, uma vez que era fim de semana, mas também não podia vestir umas simples calças de ganga e camisola branca se quisesse que alguém naquela sala a levasse a sério, então acabou por apanhar um conjunto escuro que estava no seu guarda fato e que ela não se lembrava de ter utilizado antes: uma camisola vermelha e umas calças de ganga preta justas que combinavam com uns sapatos sem salto pretos.
Ele manteve-se no mesmo sitio como se esperasse alguma reação da rapariga.
- Eles já chegaram? – Questionou por fim, sem saber o que mais dizer.
- Sim.
Virou-se e começou a andar em direção ao andar de baixo. Ela seguiu-o em passos rápidos, para que não ficasse para trás. Durante o longo caminho, ela voltou a ter as suas duvidas sobre aquilo que estava a fazer, mas assim que se lembrava que o pai se encontrava deitado numa cama na área da enfermaria da mansão, lembrava-se que tinha de ser forte.
Desceu as escadas lentamente e tentou, em vão, acalmar o coração que batia descompassadamente no seu peito. Estava tão nervosa que temia simplesmente tropeçar nos próprio pés, algo que havia acontecido no passado e que poderia voltar a acontecer. Também repetia para si mesma, mentalmente, que, acontecesse o que acontecesse, não deveria gaguejar.
Eles acabaram por chegar ao local pretendido à hora exata e, assim que ela entrou na grande sala de reuniões, sentiu todos os olhares voltarem-se para ela. Ela já conhecia aquela sala, desde pequena que tinha medo dela. Tratava-se de um compartimento enorme com paredes brancas enfeitadas por grandes quadros de pintores renomeados e grandes janelas que iam até ao chão, proporcionando uma luminosidade que só era contida pelas cortinas de veludo vermelho que estava parcialmente apanhadas por grossos cordões de outro. O chão era de madeira escura e era quase todo ocupado por uma grande mesa, do mesmo material, com um aspecto impecavelmente novo, rodeada por imensas cadeiras. Havia dois grandes móveis que não excediam o 1,20m de altura mas que ocupavam grande parte de duas das paredes, um em frente ao outro, que ela sabia guardarem qualquer equipamento, electrónico ou não, que pudesse ser preciso numa reunião. Ao centro da mesa, e em cima de ambos os móveis, haviam esculturas igualmente impressionantes e em cima havia um grande candeeiro de cristal que dava um ar ainda mais imponente a todo o lugar.
Ela tinha entrado ali muito poucas vezes, principalmente porque achava todo o lugar um pouco assustador, mas agora percebeu que o problema não era a sala e sim as pessoas que ocupavam as cadeiras que rodeavam a mesa. Não importava se ela já via todos os membros da organização criminosa mais procurada do pais a passear na sua casa com alguma frequência, vê-los a todos ali, cada um ocupando uma das cadeiras ao fundo da mesa, vestidos com as suas capas e observando-a com os seus olhos gélidos, era uma visão perturbadora, principalmente porque se eles decidissem simplesmente destruir aquela casa e matar todos os presentes, eles poderiam fazê-lo sem qualquer problema. Mais perto do lado da porta por onde ela entrara encontrava-se o resto da sua família.
Levou uns momentos a observa-los com atenção e tentou, o melhor que pode, não demonstrar qualquer emoção ao assimilar as expressões de cada um. Hizashi mantinha-se apático e impotente, com uma expressão fechada e gélida que fazia com que qualquer pessoa com algum senso de auto preservação se mantivesse à distância e vestia um fato de marca de corte impecável negro que parecia ter sido feito á medida pela maneira como se adaptava ao corpo do homem, no entanto, apesar de não demonstrar um sentimento que fosse em toda a sua postura, ela viu as olheiras fundas e escuras que rodeavam os seus olhos e que indicavam que ele não tinha dormido absolutamente nada na noite anterior. Neji seguia o exemplo do pai ao manter uma postura formal e uma expressão fechada, como se fosse apenas uma reunião normal e toda aquela situação não estivesse a acontecer. Ela viu um sentimento a passar nos olhos do primo quando este a olhou de volta, mas talvez pela pouca convivência entre ambos – graças à diferença abismal entre as suas habilidades – ela não conseguiu identificar o que era, apenas ficou aliviada por não ser ódio.
Independentemente da aparente apatia exibida pelos dois homens, quem captou a sua atenção e abalou um pouco das suas defesas foi Hanabi. A mais nova encontrava-se entre os dois homens mas a um passo de distância destes, vestida com umas calças escuras e uma camisa negra. Não se encontrava produzida, como já era normal uma vez que a sua irmã gostava de andar sempre perfeitamente arranjadas com as melhores roupas e camadas de maquilhagem, e foi um choque para Hinata perceber que por baixo de toda a carapaça que a outra tinha criado, estava a sua irmãzinha, exatamente igual ao que ela se lembrava, apenas mais velha. Ao contrário dos outros que se encontravam presentes na sala de reuniões, Hanabi não escondia as suas emoções e quando um par de olhos idênticos aos seus os encontraram, ela fez um esforço imenso para não dar um passo atrás, porque o que viu nos olhos da irmã fez o seu mundo desmoronar pela segunda vez em vinte e quatro horas. Não havia qualquer duvida que a mais nova tinha estado a chorar, ainda tinha os olhos vermelhos, mas os sentimentos ali expressos eram fortes e verdadeiros. Hinata viu dor, magoa, arrependimento, medo e amor, tudo ao mesmo tempo. Também viu que quando aqueles olhos se fixaram nela, olhavam-na como se os últimos anos não tivessem passado.
Ela lembrou-se que quando a mãe morrera, Hanabi olhara para ela daquela maneira. Como se o mundo estivesse a acabar e a irmã mais velha fosse a única salvação. Era quase como se tivessem voltado a ser crianças indefesas e ela e Hinata ainda fossem melhores amigas prontas para enfrentar tudo juntas. Mas infelizmente, lembrou-se Hinata, já não era assim. A mãe tinha morrido e nunca iria voltar e agora o pai encontrava-se numa cama de hospital desacordado por tempo indeterminado. Nada iria mudar isso e, por muito que quisesse, Hinata não podia simplesmente apanhar na mão da irmã e correr tanto quanto possível até ao seu quarto para se esconderem debaixo da cama como faziam quando eram pequenas.
Com tal pensamento, voltou á realidade e apercebeu-se que ainda se encontrava numa sala cheia de assassinos que a observavam na expectativa da sua próxima ação. Os seus olhos separaram-se dos da irmã e ela viu que os olhos do tio se encontravam nela como se esperassem a resposta a uma pergunta que ela não tinha ouvido. Olhou de esgueira para Itachi que se mantinha quieto perto de si e fixava o seu tio, apesar de ela saber que ele era capaz de observar toda a sala.
- Hinata? - Questionou novamente o seu tio, esperando obviamente uma resposta.
- Como não sabia o que o tio queria e nunca fora muito boa a adivinhar, limitou-se a olhar novamente para a irmã, tendo o cuidado de não demonstrar qualquer emoção.
- Não tens de ficar aqui se não quiseres. - Pronunciou finalmente, fazendo um esforço imenso para não gaguejar. Apercebeu-se que apesar de não ter um tom autoritário também não demonstrara fraqueza. Só tinha de se manter assim durante o resto do tempo. Viu a mais nova olha-la e esperou que esta lhe desse uma resposta torta, como sempre fazia, no entanto, não foi isso que aconteceu.
- Posso vê-lo? - Questionou ela, com um olhar de suplica que quase partiu o coração da mais velha. Viu, pelo canto do olho, que Hiashi iria advertir a sobrinha, apesar de ela não saber se era pelas palavras em si ou pela fraqueza da sua voz que demonstrava claramente a fragilidade dela naquele momento.
- Ainda não.
- Então prefiro ficar. - Acenou em aprovação para a irmã antes de se virar para a grande mesa onde já se encontrava grande parte da Akatsuki e dispensou um olhar ao tio, sem saber exatamente qual dos dois ocuparia o lugar principal da mesa, no entanto, Itachi e Pein rapidamente a rodearam de modo a que ela se encontrasse em frente ao lugar principal, à cabeça da mesa, sem escapatória possível. Então, ela simplesmente fez sinal aos restantes membros presentes que se sentassem, o que foi prontamente obedecido.
Depois disto, seguiu-se um longo momento de silêncio antes de o seu tio intervir.
- É importante frisar que haverão reuniões com os outros aliados do grupo Hyuuga mais tarde, todos desejam saber qual o futuro que nos aguarda. - Comentou, com azedume.
- Não serão necessárias outras reuniões se todo o império se mantiver. – Disse Hinata. Depois, virou-se para Hizashi, que a observava com atenção e alguma surpresa, e disse-lhe, num tom mais suave. – Se não tiver objeções, eu irei presidir esta reunião. Era assim que o meu pai quereria.
Sentiu todos os olhares pousarem sobre si de modo avaliador e lutou contra a sua vontade de se encolher na cadeira, tentando imaginar que estava numa sala vazia á espera de uma resposta sem qualquer importância do tio. Imaginou até que tinha acabado de lhe perguntar se ele queria chá, no entanto, essa tentativa falhou miseravelmente e ela quase deu graças aos céus quando o tio falou, pois ela não confiava na sua própria postura.
- Tio, como deve entender, a liderança pertence á família principal. Com o meu pai nesta... – Hanabi hesitou, antes de continuar. – ... condição, outro membro da família principal presidirá a reunião.
- Percebo o vosso ponto de vista, meninas, no entanto, têm de compreender que os tempos não são os mais fáceis e não tenho a certeza se seria prudente alguém sem experiência como a Hinata tomar decisões que influenciaram toda a...
- Permita-me interromper. – Foi Pein quem se pronunciou, trazendo a atenção para si de modo brusco e enfrentando um olhar nada amigável do chefe da família secundaria. – Mas a sua sobrinha tem razão, na ausência de Hiashi, as ordens vêm da sua herdeira.
O silêncio voltou a cair sobre a sala e ela voltou a olhar para Itachi, percebendo que ele a olhava de volta e que lhe fazia sinal com os olhos para falar. Não que ela soubesse o que dizer, afinal, o tio tinha razão, ela não tinha qualquer experiência em comandar o que quer que fosse, quando mais presidir a uma reunião. Depois lembrou-se do quanto o pai ficaria desiludido consigo se ouvisse os seus pensamentos e se ela simplesmente se levantasse e fugisse, como já havia imaginado fazer pelo menos umas trinta vezes desde que aquela reunião tinha começado.
- Agora que esse assunto está esclarecido. – Disse ela, muito contente pelo facto de a sua voz parecer muito mais firme e confiante do que ela se sentia. – Relatório.
Aquela tinha sido uma fala arriscada e ela sabia. Apesar de ela ter tido aquela conversa com o tio e de Pein a ter apoiado, ela não tinha a certeza que os outros membros a apoiariam ou estariam sequer interessados em seguir uma ordem sua, no entanto, ela lembrava-se de o pai dar aquela mesma ordem a qualquer um dos seus homens quando pensava que ela não estava a ver. De qualquer das maneiras, mesmo não sabendo o que iria acontecer dali para a frente, ela tinha de saber o que se passava naquele momento.
Ela nunca soubera de todos os negócios sujos do pai, na realidade, ela não tinha sequer noção do que se tratava, mas era impossível negar que a sua família inteira possuía inimigos poderosos e ela tinha de saber em que ponto se encontravam.
Vários Akatsuki se entreolharam, como se perguntando uns aos outros o que fazer e se Hinata não estivesse ao ponto de desmaiar de nervos, ela teria rido por ver a incerteza nas expressões de alguns dos criminosos mais procurados do país. Por fim, Konan falou. E isto foi uma surpresa, porque ela era uma das ultimas pessoas que a Hyuuga esperava que obedecesse a uma ordem direta sua.
- Várias lealdades estão a mudar. Muitos dos homens de confiança de Hiashi estão a pressionar-nos a dar respostas que não temos. Com o líder de fora, muitos pensam que o império vai cair.
A partir dai, ordenadamente, cada membro da Akatsuki começou a relatar os factos de que tinha conhecimento. Isto deu outra perspectiva a Hinata, que nunca tinha tido noção de quantas famílias deviam lealdade á sua e de quantos negócios o seu pai fazia. De vez em quando olhava para Itachi á procura de algum incentivo e sempre encontrava alguma confiança no seu olhar, no entanto, continuava perdida no meio de muitos dos relatórios, uma vez que não estava a par do grande império do pai. O tio, por outro lado, parecia mais á vontade com isso, interrompendo e fazendo perguntas sobre a pessoa X ou Y, como se tivesse necessidade de mostrar a ignorância dela e o conhecimento dele.
- E quanto a estragos? – Questionou ela, farta de ouvir nomes desconhecidos.
- Dois armazéns cheios de armas foram atacados e roubados. – Disse por fim Hidan, descontraído e Hinata fez um esforço descomunal para que ninguém percebesse o seu esforço em não demonstrar desconforto em relação àquele assunto. Ela nem sequer sabia que o seu pai traficava armas. – O de este e oeste. Também houve tentativas no norte e no sul, mas chegamos a tempo.
- Mortos? – Questionou ela. Ele abanou a cabeça em negação.
- Apenas feridos, mas em mau estado. – Ao perceber o desconforto dela, o albino deu um sorriso maldoso. – Menina, se quer tomar o lugar do seu pai, convinha que não ficasse ao ponto de desmaiar cada vez que se falar em pessoas feridas ou mortas, já que isso é uma trivialidade por estes lados.
Aquela fala fez todos estancarem e olharem para ela. A realidade é que apesar de a estarem a informar da situação, ainda ninguém tinha tocado no assunto de quem iria ficar no lugar de Hiashi, no entanto, todos esperavam por essa informação avidamente e nem todos estavam dispostos a ficar, disso ela tinha a certeza.
O seu olhar parou em Itachi e Pein e viu-os devolver o olhar, Pein encontrava-se apenas interessado mas os olhos de Itachi encontravam-se rubros como nunca, emanando uma força que quase a arrebatou. E apenas naquele momento, ela esqueceu-se da timidez e da fraqueza natural que sempre a acompanhava e olhou para Hidan com uma agressividade que não era caracteristicamente sua.
- Guarda essa língua afiada Hidan, ou acabas sem ela.
A ameaça veio antes que ela se pudesse defender e da pessoa que ela menos esperava: Neji. O primo sempre a odiara e olhara para ela como se assim a conseguisse matar, no entanto, o olhar hostil não se encontrava dirigido a ela e sim ao outro homem, que parecia quase divertido.
- Isto é inútil. – Quem falou desta vez foi Zetsu, num tom maldoso e sarcástico ao mesmo tempo que fez a Hyuuga arrepiar-se da cabeça aos pés. Todos eles eram perigosos, mas ela sempre tivera mais medo de Zetsu do que de qualquer um dos outros. Não sabia dizer se era devido ao seu aspecto ou á sua atitude maldosa, mas a animosidade encontrava-se sempre presente. – Se Hiashi não acordar...
- O meu pai vai acordar! – Foi Hanabi quem se pronunciou, num berro agonizante. Ela parecia ainda mais abalada do que quando tinha ali chegado e Hinata recriminou-se por não ter previsto aquilo, era óbvio que ouvir falar sobre os negócios do pai e saber que muitos se estavam a virar contra ele não iria ajudar a sua irmãzinha a sentir-se melhor no meio daquela situação. A mais velha não estava preparada para um comentário daquele género, mas aguentaria, no entanto, aquilo acabaria por destruir a irmã. Estava tão habituada a ver a mais nova a manter uma pose fria e poderosa que se havia esquecido que ela era apenas uma criança que nunca seria capaz de lidar com uma segunda perda depois da mãe. – Quem achas que és, seu verme? O meu pai vai acordar, ele tem que acordar, e nem te atrevas a dizer que não.
És uma burra Hinata. Recriminou-se mentalmente. Ela podia estar sem chão, mas Hanabi encontrava-se muito pior e não tinha ninguém que lhe desse alguma segurança como Itachi lhe dera a ela na noite passada. Mais do que isso, Hanabi estava muito mais habituada ao pai e á sua companhia que Hinata, que sempre tivera mais distância por não ser tão brilhante e por ser a herdeira.
E foi naquele momento que sentiu algo que apesar de já ter sentido antes, nunca tinha tido aquela magnitude. Ela iria proteger a sua irmãzinha porque ela era família e porque não aguentava ver a mais nova como ela se encontrava naquele momento: Destruída. Percebeu finalmente o que a mãe sentira por elas as duas quando ambas eram pequenas, um amor incondicional que a fazia capaz de coisas impossíveis, e era exatamente isso que ela sentia pela irmã naquele momento. Porque quando era pequenina, tinha prometido varias vezes proteger aquela menina pequenina que andava sempre consigo, mas agora era diferente, ela viraria o mundo ao contrário se fosse preciso para não ver alguém tão importante como aquele ser a perder o mundo.
Levantou-se ao mesmo tempo que Neji segurava em Hanabi para esta não parir para cima de Zetsu que parecia divertido com toda aquela situação.
- Não queria perturba-la, menina, apenas referi um... – O discurso de Zetsu foi interrompido quando o punho da Hyuuga bateu na mesa com força, fazendo um barulho alto que fez todos os presentes ficarem quietos, alerta e virarem as suas atenções para ela, até mesmo a irmã, que parecia estar fora de controlo até ao momento.
- Neji, tira-a daqui. – Disse referindo-se á mais nova, que agora não parava de soluçar. O primo obedeceu, puxando-a com delicadeza para fora da sala. Hanabi ainda abriu a boca para protestar, mas quando os seus olhos encontraram os dela, apenas engoliu em seco e manteve-se em silêncio, deixando que o primo a guiasse para fora da sala de reuniões.
- As ordens do meu pai foram claras. – Começou ela, num tom calmo mas frio e cortante que ela nunca reconhecera como seu. Todo o nervosismo se havia evaporado e ela só sentia raiva, uma raiva descomunal por tudo aquilo lhe estar a acontecer a ela. – Se alguma coisa lhe acontecesse, eu ficava no comando. - Os seus olhos brancos encontraram os de Zetsu e pela primeira vez, ela não se sentiu minimamente incomodada por suster o seu olhar. – Diz-me, Zetsu, que parte das palavras do meu pai é que não compreendes?
- O facto de Hiashi acreditar que se encontra apta para... – Começou o homem verde, nunca deixando o seu tom maldoso de lado.
- Não te iludas. A minha irmã tem toda a razão quando diz que és apenas um verme e, como tal, não tens qualquer direito de avaliar se sou digna de gerir o império Hyuuga ou não. Essa decisão pertence ao meu pai e acho que todos sabemos qual foi a sua escolha. – Após falar, susteve o olhar do criminoso que parecia hesitante quanto a responder ou não. No entanto, após uns momentos, quem baixou o olhar foi ele.
O que é que eu acabei de fazer? Questionou-se mentalmente quando percebeu, repentinamente, a situação. Ela havia enfrentado um dos homens mais perigosos do país e nem sequer se lembrara de sentir medo, apenas raiva. Sentou-se novamente e tentou agir como se nada tivesse acontecido. Afastou novamente o pensamento de se levantar e fugir dali tão depressa quanto possível.
A reunião prosseguiu pacificamente e mais nenhum Akatsuki se ergueu contra ela, no entanto, ela percebia que muitos o queriam fazer e a única coisa que os impedia era o olhar duro de Pein e Itachi ao seu lado.
- E quanto à noite de ontem? – Perguntou ela, assim que a sala caiu no silêncio. Aquela pergunta atormentava-a desde que soubera que o pai se encontrava desacordado. Ela sabia que o pai tinha muitos inimigos, mas isso não era novidade e aquilo nunca havia acontecido antes.
- Hiashi preparava-se para ir para o jantar. Até onde sabemos ele encontrava-se no escritório com a amante. Havia resíduos de veneno no seu copo de whiskey e falta outro no móvel, mas a garrafa não contem quaisquer resíduos. – Informou Pain.
- As câmaras? – Ela sabia que havia câmaras por toda a mansão controladas pelos membros da organização.
- Desativadas. – Pareceu hesitar nas palavras seguintes. – Hiashi presava a sua privacidade, de modo que ele ativava e desativava câmaras segundo a sua vontade.
- Isso quer dizer que não temos sequer uma imagem dessa mulher?
- Ela apareceu em eventos com Hiashi e conhecer a sua cara não é difícil, mas ele nunca revelou o seu nome.
Ela parou para pensar por um momento. Se ela foi a eventos da elite, com certeza que tinha sido vista e fotografada. No entanto, ela precisava de uma fotografia ou de um nome para que os homens presentes fossem capazes de identificar a mulher mistério que se encontrava com o seu pai.
- Muito bem, não deve ser difícil conseguir um nome e informação adicional. – Olhou para Itachi à espera de confirmação e este acenou positivamente quase imperceptivelmente.
- Menina, está realmente disposta a assumir este império? – A pergunta apanhou-a de surpresa e ela olhou imediatamente para o homem que se havia pronunciado.
Ao contrário de Zetsu, Deidara não mostrava qualquer maldade ao fazer a pergunta, de facto, parecia apenas querer assegurar-se que era realmente isso que ela queria. Apercebeu-se que ele estava a dar-lhe uma ultima oportunidade de fugir e não assumir absolutamente nada.
Por um momento, sentiu-se tentada a aceitar aquela hipótese. Se ela saísse agora, não teria de lidar com aquilo. Poderia ser apenas Kamiya Hinata, uma rapariga normal sem grandes responsabilidades e cuja maior preocupação era o exame de matemática que iria ter naquela semana. No entanto, apercebeu-se subitamente que isso não mudaria o facto de o seu pai estar numa cama desacordado, algures na mansão, ou o facto de a sua irmã estar a chorar numa sala ali perto e ela sabia que se fizesse isso nunca iria ser capaz de se encarar a si mesma novamente. Não era apenas por querer honrar nome Hyuuga e provar ao seu pai que ela era capaz de ser a sua herdeira, mas porque tinha pessoas a depender de si. Não tinha pensado nisso até ao momento, mas o que aconteceria se ela não ficasse à frente do império? O seu tio ficaria com o seu lugar, isso é óbvio, mas será que isso seria o suficiente? Se o império caísse, então nada impediria os inimigos do seu pai de entrar na mansão Hyuuga e acabar o que a amante havia começado. Ela ficaria segura, afinal, ninguém sabia quem ela era, mas o mesmo não aconteceria com Hanabi e Neji. E depois havia Itachi, que lhe dera força e a apoiara quando mais precisara, não ficaria ele extremamente desiludido se ela desistisse? Não só ele, mas a sua mãe e pai também.
- Não me vou repetir, Deidara. – Foi a sua resposta. E em vez de sentir medo, como pensara que iria sentir naquela sensação, sentiu alivio. De alguma maneira, sabia que aquela seria a escolha certa. Para além disso tinha a certeza que o pai a deserdaria se acordasse e soubesse que o irmão tinha gerido o seu império. Não que Hiashi não amasse o seu irmão gémeo, ela tinha a certeza que ele o amava, da sua maneira Hyuuga de amar obviamente, sem mostrar qualquer sentimento. Mas o império não tinha nada haver com amor, tinha haver com sangue e linhagem. Não importava a situação, ela continuava a ser a primogénita da família principal e o seu tio, apesar de muito mais experiente e mais pronto a liderar que ela, fazia parte de um ramo da família.
Itachi dissera-lhe exatamente isso na noite passada, ela apenas não percebera. Nunca fizera qualquer distinção nem se considerara mais que o seu primo ou tio pelo sangue que corria nas suas veias, mas isso importaria para os outros. Tinham mais hipóteses de manter todos os pilares dos negócios se o líder pertencesse à família principal. No entanto, isso não valia tudo para a Akatsuki.
Ouviu-se varias batidas atrás da porta e a sala caiu num silêncio mórbido. A Hyuuga ficou em silêncio por momentos até se lembrar que ela é que deveria dar permissão de entrada e saída na sala. Apressou-se a fazê-lo e o mordomo entrou, fazendo uma pequena vénia.
- Perdão menina, mas tem uma chamada importante em espera. Disseram que era muito urgente.
Ela acenou positivamente antes de sair da sala em passos rápidos, sem se incomodar em pedir licença a ninguém, afinal agora não precisava, e passou pelo longo corredor até chegar ao telefone. Apanhou no pequeno aparelho digital e passou a chamada para aquele telefone.
- Quem fala? – Perguntou, desconfiada, mas relaxou assim que reconheceu a voz do outro lado da linha.
- Kurenai. Não atendeste o telemóvel. – A voz da mulher mais velha encontrava-se rouca e melodiosa como sempre. Ela quase chorou ao ouvi-la, soava tão familiar.
- Acho que está sem bateria, nem sei onde está. – Explicou-se rapidamente, atrapalhada, sem saber o que dizer.
- Não é importante. Eu queria saber como é que tu estás?
Ela nem sabia responder à pergunta no momento, por isso optou por não dizer a verdade mas também não mentir.
- Já estive melhor.
- Ouvi dizer que o teu pai estava... – Ela não terminou a frase, como se tivesse sentido um arrependimento súbito pelas palavras que proferia. Acabou por aclarar a garganta antes de dizer. – Eu não deveria ligar, por isso espero que isto fique entre nós.
- É claro que sim. – Disse a Hyuuga, cuidadosamente. A professora já lhe tinha dito muita coisa que ela não poderia contar, mas nunca tinha pedido segredo, isso estava quase implícito. Pelo menos não daquela maneira.
- Ninguém pode saber que eu liguei, apenas o fiz porque tu vais precisar de ajuda para assumir o império.
Hinata ficou subitamente sem ar e sem resposta. Ela acabara de decidir aquilo, naquela mesma manhã, e ainda nem se habituara à ideia, então, como é que Kurenai sabia? Aquela perspectiva ainda era nova para ela, mas sabia que não deveria revelar aquilo de qualquer das maneiras.
- Como sabe que eu...? – Questionou, surpreendida e sem saber o que responder àquilo.
- Hinata, eu conheço-te. Aliás, fiz questão de te conhecer. És minha aluna à anos e, muito mais do que isso, és filha da Hikari. Aposto que estás cheia de medo, mas mesmo assim vais arriscar e assumir a liderança. – E riu-se ligeiramente. Hinata continuou com o telefone na mão, meio sem perceber de onde vinha a súbita alegria e meio feliz pela confiança que a outra depositava nela, apesar de tudo. – Não tens que te preocupar, esta conversa ficara entre nós. Não direi nada a nenhuma das outras, elas estão na duvida quando ao destino do clã Hyuuga.
- Eu entendi. Mas neste momento estava numa reunião... – Tentou desviar-se educadamente, lembrando-se que tinha de voltar a enfrentar uma sala cheia de assassinos.
- Com a Akatsuki. Eu sei. – O tom da mulher de olhos vermelhos estava mais sério que nunca. – E é precisamente por isso que liguei. A Akatsuki é vital para a manutenção do império, se mantiveres os criminosos mais perigosos e poderosos do país por um trela, nenhum dos teus aliados ousará mudar de lealdades. Precisas dos doze membros, não podes prescindir de nenhum. Para além disso, precisas de alianças fortes com o Namikaze e o Kazekage. Isso irá assegurar-te os negócios tanto em Konoha como em Suna, que é o principal. Mas se poderes estender as alianças... Bem, deves fazê-lo. – Parou por um segundo e Hinata processou toda a informação. – No entanto, não caias no erro de confiar na Akatsuki nem por um segundo.
- Porque não? – A pergunta escapou-lhe antes que ela se desse conta. Quase que se bateu a ela própria de tão burra que estava a ser, uma vez que a mulher estava a dar-lhe conselhos úteis e ela fizera perguntas estúpidas. – Porque são assassinos procurados...
- Não, pelo que eles passaram até ser assassinos procurados. As pessoas não nascem assim Hinata, o percurso deles é que os faz chegar onde chegaram... Nenhum deles é de confiança, mas eles sabem que são mais fortes estando protegidos pela família Hyuuga. Não te enganes, eles precisam da proteção da tua família para viverem a vida que vivem, em vez de uma de fugitivo que é muito menos agradáveis. A maioria deles estaria num beco escuro a fazer trabalhos mal pagos ou numa prisão se não fosse pela tua família, eles precisam de ti e tu precisas deles.
Ela nunca tinha pensado nisso. Nunca lhe parecera que algum membro da organização precisasse de proteção contra o que quer que fosse. Mas a realidade era que também haviam outras famílias poderosas que seriam capazes de os esmagar a cada um individualmente, mas estando os doze em conjunto e sob a proteção da família mais poderosa, então...
- Mas isso não é relevante. – Continuou Kurenai. – Não foi para falar disso que liguei, apenas achei que poderia ajudar de alguma maneira. Eu...
Foi a primeira vez que viu a outra hesitar e esperou uns momentos, dando-lhe espaço para falar. Quando não o fez, tentou:
- Sim?
- Eu sei quem fez isto ao teu pai.
O silêncio reinou por longos segundos e as lágrimas vieram-lhe aos olhos novamente. Era impossível Kurenai saber, afinal, como saberia?
- Cobrei imensos favores por esta informação, então ouve-me bem. A primeira pessoa em quem pensei foi Orochimaru, ele é um ex-Akatsuki que odeia o teu pai, no entanto, ele não tem poder nem posição para isto, mas conhece alguém que tem e a envolvência dele levou-me a outra pessoa. O homem que procuras é um inimigo de longa data do teu pai. Aliás, Hiashi tem-no caçado por todo o mundo sem sucesso. Alguns acreditavam que ele estava morto, mas isto é obra dele, tenho quase a certeza.
Hinata engoliu o nó que tinha na garganta antes de perguntar, numa voz fraca:
- Tem-no caçado porquê? E porque faria isto ao meu pai? Pelo império? Pelos negócios?
- O ódio deste homem pelo teu clã é muito mais antigo que isso. E o ódio do teu pai por ele, bem, esse é mais recente. Ele tem-no caçado desde que... – Hesitou novamente. – De algum modo, ele suspeita, sem provas ou testemunhas concretas e vivas, que ele tenha estado envolvido na morte da tua mãe.
Naquele momento, o mundo de Hinata virou-se ao contrário novamente e ela lutou, tanto quanto pôde, com as lágrimas que teimavam em cair. Mas no momento, não eram lágrimas de tristeza. O mordomo aproximou-se mas parou a metros de distância quando o olhar dele encontrou o dela e viu um sentimento tão primitivo e forte que ele quase deu um paço atrás: raiva.
- Dá-me um nome. – Ordenou, com um tom de voz completamente diferente. Este era forte e decidido, parecia de alguém muito diferente dela.
- Hina, eu não sei se...
- Dá-me um nome. – Repetiu, sem dar espaço para as palavras da outra.
- Uchiha Madara.
(...)
Karin estava exausta. Ainda não se tinha deitado desde a noite anterior e já tinha amanhecido à muitas horas. Teve de verificar o relógio para perceber que estava perto do meio dia. Olhou para o sofá que se encontrava ao lado da secretaria com um ar sonhador. Tudo o que queria era deitar-se no sofá e dormir quinze horas, no mínimo.
Tinha passado a noite a fazer o que Sasuke lhe pedira. Espalhara a informação por todo o lado, era quase impossível alguém não saber o que tinha acontecido ao patriarca dos Hyuuga. Também fizera questão de tentar romper de algum modo a segurança dos Hyuuga e assim aceder a informação guardada, mas apesar de todos os seus esforços, ainda continuava codificada. Quem quer que tivesse feito aquilo era bom, mas ela não esperava menos do clã mais poderoso de Konoha.
A seguir ao Uchiha. Fora a resposta de Sasuke, quando ela pronunciara a sua opinião, e se ele dizia, então para ela, isso chegava para ser verdade. Ela sabia que os clãs mais poderosos da história era, definitivamente, Uchiha e Hyuuga. No entanto, com o massacre de um deles, o clã Hyuuga deixara de ter qualquer rival. Aliás, se não fosse conhecimento publico que o massacre havia sido obra de Itachi, o irmão mais velho do rapaz por quem ela se apaixonara, ela tinha certeza que todos desconfiariam dos Hyuuga.
No entanto, ela já tinha feito tudo o que Sasuke lhe pedira – aliás, ordenara, mas ela preferia pensar que era a maneira dele de lhe pedir coisas – e já podia estar, há algumas horas, a dormir. O que a impediu foi uma pequena desconfiança que ela já tinha desde o episódio da cafetaria com a Kamiya. Mais ninguém parecia ter reparado no quão suspeito era Tsunade tratar a outra rapariga melhor do que a sua própria afilhada, excepto ela. Fizera questão de comentar isso com os amigos após a morena sair da cafetaria, mas eles rapidamente descartaram as suspeitas dela, dizendo que não era nada de especial.
Karin não era a pessoa mais esperta e inteligente do mundo, sabia-o e aceitava-o, no entanto, ela também tinha noção que estava acima da média nesses dois aspectos. Ela era excelente a observar, especialmente pormenores que mais ninguém notava e que era importantes à posteriori, e sentir. Foram as suas habilidades a nível sensorial e a sua capacidade de observação que fizeram com que Sasuke reparasse nela como potencial integrante do grupo que ele reunira. E o seu conhecimento e interesse na área da informática viera como um bónus.
No entanto, ela nunca gostara de deixar os seus instintos de lado e agora que tinha tempo, queria apenas perceber se as suas desconfianças estavam certas. E foi com isso em mente que, há cerca de três horas atrás, ela começara a investigar uma estudante da sua escola: Kamiya Hinata. Ao inicio, ela pensou que talvez estivesse errada, pois foi fácil encontrar a sua família. A rapariga morena vinha de uma família sem grande poder económico mas capaz de aguentar a despesa daquele colégio. Mas como Karin sabia que nem tudo era o que parecia – tinha aprendido isso da pior maneira possível durante a sua infância – pesquisou uma possível relação com a família Hyuuga, mas não encontrou nada.
Se ela fosse uma filha bastarda de algum Hyuuga, o segredo provavelmente estaria guardado a sete chaves. Foi ai que se apercebeu que provavelmente não estava a procurar informação no sitio certo. Então, em vez de pesquisar a família Kamiya e uma possível ligação com a família Hyuuga, ela pesquisou sobre Hinata.
Ao principio, não encontrou nada, mas ao fim de várias pesquisas e de hackear várias redes de informações absolutamente confidenciais, ela conseguiu encontrar algo que a fez gelar na cadeira. À sua frente tinha a suposta certidão de nascimento de Kamiya Hinata.
Suigetsu e Jugo escolheram aquele momento para entrar no compartimento e ambos pararam ao vê-la ainda acordada e à frente do computador.
- Lembram-se de eu dizer que havia algo muito estranho sobre a Kamiya? – Questionou, vendo que os dois rapazes mantinham os olhos no ecrã do computador.
- Tu estás a perder tempo a investigar a admiradora do Naruto? – O tom de Suigetsu estava cheio de sarcasmo.
- Eu nunca perco tempo, ao contrário de... – Defendeu-se, acabando por não terminar a frase.
- E o que descobriste? – Questionou Jugo, antes que outra discussão infantil se iniciasse.
- Eu estava desconfiada por causa dos olhos dela, fazem-me lembrar os dos Hyuuga, mas parece que não existe qualquer relação. – Explicou, obviamente chateada por estar enganada, o que fez o mais barulhento dos dois revirar os olhos. – No entanto, eu estava certa numa coisa, algo não bate certo.
- Ok Karin, já estás a fazer drama. Existem imensos Hyuugas e muitos que são filhos bastardos, afinal, uma família tão importante tem de ter os seus segredos. – Foram as palavras do rapaz de cabelos brancos, que agora se encontrava sentado no sofá com a cabeça encostada e de olhos fechados.
- É por isto que eu estou aqui. – Disse a rapariga, com um revirar de olhos. – Porque presto atenção a coisas importantes enquanto tu lhes acenas enquanto elas te passam mesmo à frente do nariz.
- Karin, se tens algo a dizer, diz. – Resmungou novamente o albino, obviamente descontente com o comentário dela.
- Vê por ti mesmo.
Virou o computador portátil para que ambos os rapazes pudessem examinar o ecrã. Eles prestaram atenção ao que ela mostrava e Jugo foi o primeiro a desviar o olhar, mas a forma como a observava dava a entender que não tinha percebido nada de errado. No entanto, Suigetsu era diferente, tal como ela esperara. Afinal, Jugo era um assassino puro, aquilo era o que ele era bom a fazer mas pormenores não eram com ele, enquanto que o albino era diferente, tinha uma certa percepção naquele tipo de coisas em especial, apesar de não se comparar a ela.
- É uma falsificação. – Foram as suas palavras, sorrindo e mostrando os dentes de um modo assustador. Ela acenou positivamente antes de voltar a virar o computador na sua direção.
- Isso mesmo, tanto quanto sabemos, ela não existe. Kamiya Hinata não é quem diz ser. – Parecia até orgulhosa de si mesmo pela recém descoberta. Estava ansiosa para mostrar a Sasuke o que descobrira, mas depois lembrou-se que Sasuke, no momento, só pensava em se vingar de Itachi. Algo lhe dizia que aquilo estava relacionado, mas não fazia a menor ideia como, então, não tinha a certeza de como a informação seria recebida. Sabia que Sasuke a mandaria embora se ela apresentasse uma teoria baseada apenas em instinto e foi por isso mesmo que ela decidiu pesquisar a fundo sobre aquele assunto para só depois utilizar a informação em seu favor.
(...)
Levou algum tempo a recompor-se quando a chamada terminou, de testa encostada à parede. Quando finalmente conseguiu voltar à sua falsa mascara de frieza, ao fim de mais de cinco minutos a tentar não chorar, caminhou em passos lentos até à sala de reuniões novamente, deparando-se com tudo no seu devido lugar. Era quase bizarro como nenhum dos presentes se movera desde que ela saíra à cinco minutos atrás, para ir atender uma chamada.
Já no extremo da mesa de reuniões, sentou-se na cadeira que normalmente era ocupada pelo pai, como já fizera anteriormente e parou para observar a situação daquele ângulo. Uma vez, o pai dissera-lhe que estar na chefia era algo completamente diferente de tudo o resto e que nem todos tinham nascido com essa capacidade, a capacidade de observar os elementos à sua volta e liderar, ponderando todas as circunstâncias que podem ou não influenciar as ditas ordens. Ela só esperava que fosse uma dessas pessoas.
- Tio, ao longo desta reunião, tem demonstrado muito mais conhecimento dos negócios ilegais do meu pai do que eu. – Disse calmamente, esperando que cada uma das suas palavras fossem digeridas. – E é por isso que eu vou deixar a parte dos negócios consigo.
Se estivesse no liceu, já todos se encontravam a cochichar entre si. Como ela estava trancada numa sala com os piores e mais procurados assassinos do país e não na cafetaria do colégio, houve apenas silêncio total. Bem, nem naquela situação ela tinha saudades do colégio de qualquer das maneiras.
- No entanto, quem lidera esta família sou eu. – Continuou, num tom suave mas confiante. – Então, nada será feito sem o meu consentimento e todas as informações, por mais insignificantes que sejam, chegam até mim. Se concordar com as minhas condições, então pode ficar à frente dos negócios ilícitos que o meu pai tanto aprecia. No entanto, é de notar que Akatsuki continua sobre as minhas ordens e não ás suas.
O tio pareceu avalia-la por uns momentos e ela manteve o olhar, pela primeira vez desde que se lembrava sem se sentir minimamente tentada a olhar para baixo, antes de acenar positivamente com a cabeça.
- Aceito as tuas condições, Hinata. E parece-me uma decisão sábia.
- O que mudou? – Quem se pronunciou foi Konan, que normalmente se mantinha em silêncio. Ela não parecia estar a desafia-la, ao menos isso. Olhou para Itachi à procura de algum sinal de reprovação mas viu-o apenas atento e concentrado.
- Existem duas prioridades: Manter o império e manter o meu pai vivo. – Fez uma pequena pausa e, como previra, um dos presentes interrompeu-a. Neste caso, foi Hidan.
- Uma coisa implica a outra.
Os seus olhos focaram o homem que falara e a partir dai, passaram em todos os presentes àquela mesa, demorando o tempo necessário para absorver os olhares frios e apáticos de todos eles. Depois suspirou e encostou-se à sua cadeira.
- Para esta relação entre nós, e por nós eu quero dizer entre mim e vocês, a organização, vocês têm de para de pensar em mim como apenas uma menina assustada. Não sou uma assassina profissional nem tenho as vossas capacidades, mas sou uma Hyuuga.
- Manter o império pode manter muitos afastados, mas não todos. É isso que a menina quer dizer. – Falou finalmente Sasori.
- O elo fraco desta "relação" não somos nós. – Ouviu Zetsu a dizer, novamente num tom desagradável.
- Se mantiveres essa atitude, nós todos vamos ser um elo fraco. E isso não pode nem vai acontecer. – Rebateu, antes de continuar como se aquele aparte nem tivesse acontecido. – Mas para que não haja confusões, eu decidi prescindir dos negócios porque vou tratar da segunda prioridade.
- E como tencionas fazer isso?
A pergunta veio de Itachi e ela fixou-se nele, no porte elegante daquele homem extremamente atraente e perigoso que prometera ficar ao seu lado.
- A minha mãe foi morta na produção do seu mais novo filme. Dizem que foi um acidente mas eu não acredito e o meu pai também não. Agora, o meu pai entra em coma porque é envenenado pela amante. Puseram a minha mãe dentro de um caixão e o meu pai num sono que pode nunca mais ter fim. – Ela pronunciou as palavras com cuidado, para que nenhuma lágrima ou sinal de fraqueza fosse visível. – Vocês têm razão, o meu estômago revira-se só de pensar em pessoas magoadas ou mortas. Mas nenhum de vocês sabe até onde eu estou disposta a ir pela minha família. Não pelo nome que temos mas pelo que eles representam para mim.
Viu as expressões levemente surpresas de cada um dos presentes, mesmo que muitos deles parecessem esforçar-se para manter atentos. Outros, como Itachi, Pein e Deidara, pareciam apenas satisfeitos, como se ela tivesse acabado de dizer a coisa certa. No entanto, no momento a seguir, todos empalideceram.
- Com isto em mente, estão dispensados. Podem voltar para as missões que receberam do meu pai, terminem-nas e reportem assim que voltarem, a mim e ao meu tio. – Ela levantou-se e todos fizeram o mesmo, sem sequer pestanejar. Ela não lhes dera espaço para argumentação de qualquer das maneiras. Então, virou-se e saiu tão elegantemente quanto podia, caminhando em passos lentos até ao mordomo que se encontrava ali perto, perguntando pela sua irmã. Ele disse que ela já tinha ido para a enfermaria e Hinata preparava-se para ir ter com ela quando ouviu passos e sentiu quatro pessoas atrás dela. Virou-se para verificar que estava correta.
Pein, Sasori, Deidara e Itachi estavam ali, no meio do corredor, parados a olha-la. Ela não sabia porque é que eles a tinham seguido, mas não foi necessário perguntar, pois Itachi imediatamente chegou-se à frente.
- Tu és a nossa missão. Tens sido à algum tempo, mas agora mais do que nunca, Hiashi tornou-nos responsáveis pela tua segurança. – Ele explicou, referindo-se a ele e à dupla do seu lado direito. Depois, Pein também deu um passo à frente e apressou-se a explicar a sua presença:
- A minha era o teu pai e presumo que queiras manter assim.
Ela acenou para eles em compreensão antes de fazer um gesto para que a seguissem, o que eles fizeram prontamente. Ela guiou-os até ao escritório do pai, que já se encontrava impecavelmente limpo mesmo depois do que acontecera na noite anterior. Ao contrário do esperado, sentou-se na mesa enquanto os encarava.
- Então, que tal? – Questionou por fim, sem ser capaz de se conter. Viu os lábios de Pein curvarem-se num sorriso.
- A Akatsuki continuará toda ao teu lado.
Isso era uma boa novidade. Ela permitiu-se por fim olhar para Itachi, que se mantinha apático e sem qualquer tipo de reação. Aparentemente, ele só reagia quando estavam sozinhos e ela nem sequer sabia se isso era bom ou mau.
- Ótimo. – Os seus olhos passaram pelos quatro homens que se mantinham em pé, numa fila horizontal, à sua frente.
Ouviram duas batidas na porta e ela apenas pronunciou um "entre" antes de o tio e Neji entrarem no escritório e se dirigirem diretamente a ela, como se os quatro membros da Akatsuki nem existissem.
- Hinata, temos que tomar medidas imediatas. – Foram as palavras de Hizashi, que só parou de andar quando se encontrava parado ao seu lado, de frente para ela. Ele obviamente estranhou o facto de ela estar sentada na secretaria em vez de na cadeira, como seria correto, mas não se pronunciou sobre o assunto.
- Sobre o quê? – Questionou, cruzando as pernas e forçando-se a não entrelaçar as mãos ou começar com o tique nervoso de juntar os indicadores, como fazia desde pequena sempre que estava nervosa ou envergonhada. Sentia-se orgulhosa por não demonstrar tal fraqueza num momento de tanta pressão como aquele.
- Sobre o colégio, ora, se tencionas liderar a família, não há como esconder que és uma Hyuuga, quanto mais que és a herdeira da família principal...
- Pode parar por ai. – Interrompeu ela. – Fui suspensa recentemente e se eu começar a faltar às aulas no colégio mais prestigiado de Konoha a partir do momento em que o líder dos Hyuuga foi... – Respirou fundo antes de continuar. - ... envenenado, alguém vai perceber. A partir dai, é só uma questão de tempo.
O tio abriu a boca para falar, mas foi Neji quem pronunciou primeiro.
- Se me permites, eu acho que não é seguro para ti voltar para o colégio. Honestamente, é uma sorte que ainda ninguém se tenha apercebido por causa dos teus olhos, se alguém descobre, tu estarás em risco. A Akatsuki não te pode proteger lá.
As palavras dele feriram-na, mas ela esforçou-se para não demonstrar isso. É claro que ele achava que era um risco demasiado grande, afinal, ele sabia que as capacidades de luta dela não eram nada de extraordinário. Ele era o génio, não ela, e ele fizera questão de a lembrar disso.
- Se me permite, - Foi Pein quem falou, atento como sempre. – também não acho uma boa ideia. É um risco demasiado grande...
- Não, não permito. – Cortou. – Dentro daquele colégio eu sou Kamiya Hinata e não uma Hyuuga. Sempre foi assim e, por enquanto, vai permanecer. Ninguém vai desconfiar, por isso, não preciso proteção.
- Como líder, não podes correr riscos desnecessários Hinata. – Foram as palavras do tio, rígidas e sérias. Por um momento, naquele tom de voz, naquele tom que o pai também usava frequente, o tom de quem está a lidar com uma menina birrenta, ela não reconheceu o seu tio. Parecia quase o seu pai, não só pela aparência física, mas infelizmente não era. Engoliu a vontade de baixar a cabeça e pedir imensas desculpas, como sempre fazia, lembrando-se que o pai precisava dela, do estado da irmã mais nova dentro da sala de reuniões e do sorriso da sua falecida mãe, sorriso esse que nunca mais ia ver.
- Se me permite, é uma boa estratégia. – Foi Itachi quem falou e ela viu que o tio o ia repreender, mas o Uchiha foi mais rápido e continuou a falar. – Se Hinata conseguir passar despercebida, ela irá ouvir o que os outros têm a dizer sobre o assunto e poderá recolher informação útil. Ela estará segura enquanto o segredo se mantiver e no caso de ser descoberta, nós interviremos.
- Desde quando dás a tua opinião, Uchiha? – Hizashi cuspiu as palavras com tanto veneno que Hinata nem percebeu de onde vinha tanta animosidade. Nunca tinha reparado que havia um problema entre o tio e Itachi antes, mas aquelas palavras vinham num tom que não deixava muitas duvidas quanto a isso.
- Desde o momento em que que dou valor à opinião dele, assim como o meu pai fazia. – Respondeu ela, ligeiramente mais baixo do que deveria. – Mas isso é irrelevante, como vêm, em caso de apuros vou ter logo três príncipes encantados a caírem do céu para me salvarem.
Só quando terminou a frase é que se apercebeu que tinha sido muito mais sarcástica do que o costume, talvez ela estivesse a ser influenciada pelos modos de Ino, afinal, ironia era com a loura.
- Isto não tem piada. – Foram as palavras do seu tio. – O Neji pode perfeitamente...
- O Neji é um Hyuuga e não conseguiria esconder isso mesmo que tentasse. Ninguém teria coragem de lhe dizer mal da sua família à frente dele a menos que fosse suicida. – Explicou. – Eu vou. Agora, se não temos mais nada a discutir, preciso de um momento com eles. – Disse por fim.
Os quatro membros da Akatsuki viraram-se e preparavam-se para sair.
- Não vocês, eles! – Resmungou apontando para os outros dois homens de olhos brancos que ainda se mantinham na sala. Os quatro voltaram rapidamente à posição anterior, e ela quase que podia jurar que tinha visto Deidara e Sasori trocarem um olhar divertido, e os outros dois saírem, a contragosto.
Quando se encontrava novamente a sós com eles, apressou-se a falar.
- Eu sei que a Akatsuki não trabalha em equipa e que cada elemento cuida de si individualmente, mesmo com as duplas, mas preciso que se mantenham atentos aos outros membros.
Deixou que eles assimilassem as suas palavras e Sasori foi o primeiro a reagir.
- Pensa que há traidores entre nós? – Nenhum deles parecia ofendido e ela achou-se estúpida por achar que eles iriam dar importância àquilo, definitivamente iria demorar a habituar-se à frieza deles.
- Não seria a primeira vez que um Akatsuki trai a minha família, não é verdade?
Os seus olhos captaram uma ligeira rigidez súbita na estrutura dos quatro homens, mesmo que fosse tão imperceptível que alguém com olhos comuns nunca conseguiria perceber. E ela só o percebera pelas incontáveis horas em que treinara os seus olhos mesmo sem o Byakugan, pois o seu pai defendia que por vezes era necessário estar ao ataque sem o inimigo saber e os olhos do clã não eram propriamente discretos.
- Agora, existem algumas coisas que eu quero saber e são vocês quem me vai dar as respostas. – Fixou os seus olhos nos de cada um deles, individualmente, e só depois voltou a falar. – Vamos começar com o Orochimaru.
- O Orochimaru encontra-se num estado demasiado debilitado para estar por trás disto.
- Vocês sabem disto porque...? – Esperou que eles completassem.
- Porque ele sobreviver foi um erro nosso. – Informou Deidara, com algum ressentimento presente na voz. Era óbvio que aquela falha não lhe agradava. Tentou impedir que um arrepio corresse a sua espinha ao pensar que aquele homem estava chateado porque não matara outro. - A cobra é mais esquiva do que nós previmos e acabou por sobreviver, mas não iria longe com um Kabuto, o seu único seguidor... Até mesmo as suas pesquisas foram completamente destruídas e ele tem demasiado medo de Itachi para...
- O que significa que existe alguém por trás dele. – Terminou ela, chegando finalmente onde queria. Olhou nos olhos de Itachi antes de voltar a falar. – O que me leva à pergunta número dois, quem é Uchiha Madara?
E naquele momento, não era preciso ser um Hyuuga para perceber que os três homens gelaram face à questão. Bingo.
Continua...
