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Título: O recluso

Sumário: Bella, uma recém-formada da Universidade de Washington, se vê sozinha e desorientada ao sair da faculdade e perder seu pai. Uma oportunidade surge para trabalhar como governanta na casa de um misterioso homem em Port Angeles. Quais surpresas acontecerão na vida da jovem garota?

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Recluso:

Pessoa que espontaneamente se isolou do convívio social.

(Dicionário UOL)

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Capítulo 2

Março de 2016

BPOV

"Você é Isabella Swan?", o belo homem na minha frente pergunta, franzindo o cenho incrédulo.

"Huh", eu saio do meu transe. "Sim. Muito prazer, Sr. Masen", eu me levanto e estendo a mão para cumprimentá-lo.

Ele observa minha mão estendida por alguns instantes e quando estou quase desistindo, ele estende a própria mão. Eu sinto uma espécie de choque, uma corrente elétrica atravessar meu corpo com seu toque. Nossas mãos se separam logo. Será que ele sentiu isso, também?

"Qual a sua idade?", ele pergunta após me encarar por mais algum tempo. Em nossa breve interação até agora, ele não foi mal educado, mas também não foi muito amigável. Sua voz é, ao mesmo tempo, firme e aveludada.

Existe uma voz aveludada? De onde tirei isso?

Sacudo a cabeça pra me livrar dessas ideias e o respondo.

"Huh, eu tenho 22 anos, Sr. Masen", eu repondo calmamente. "Como o senhor deve ter visto em meu currículo", eu ressalto esse fato. Ele não leu meu currículo? Não prestou atenção?

"Seu currículo", ele repete. Ele aponta para o sofá, para que eu me sente novamente, sentando-se em seguida, numa poltrona de frente para o sofá. Eu aproveito para observá-lo mais um pouco. Eu não tenho certeza do tipo do homem que eu esperava encontrar, mas não era nada como o exemplar diante de mim.

"Não, senhorita Swan. Eu não li o seu currículo. É pra isso que eu contratei aquela agência de empregos e informei, detalhadamente, as características que eu gostaria de encontrar na pessoa que deveria ser contratada", ele fala friamente enquanto me encara.

Merda! Eu não sou o que ele quer! E ainda por cima fui atrevida ao insinuar que ele deveria ter lido meu currículo.

Garota estúpida!

"Oh. Eu entendo". Eu digo enquanto busco inspiração para reverter a situação. Eu preciso conseguir esse emprego. "Eu não sei exatamente as características que o senhor espera, mas a senhora Cope me disse que eu seria perfeita para o cargo. Eu posso ser nova, mas eu garanto que sou capaz de fazer o que será esperado de mim. Eu sou comprometida e aprendo rapidamente aquilo que é exigido".

Seus olhos se antem firmes em mim, enquanto ele me avalia em silêncio.

"Fale um pouco sobre você, Senhorita Swan. Aquilo que está em seu currículo e que eu deveria saber", ele pede e eu fico em dúvida se ele está zombando de mim ou não.

Antes que eu fale, há uma batida na porta. O homem responde e a mulher que me recebeu, entra no escritório com uma bandeja, nos servindo água e café. Eu agradeço e ela logo se retira.

"Você pode me chamar de Isabella. Ou Bella", eu digo, antes de discorrer sobre minha formação e experiências, tentando ressaltar aquilo que eu acredito que pode me favorecer aos seus olhos.

"E por que uma moça com a sua formação está procurando um emprego como esse? Você não tem experiência como governanta ou assistente pessoal", ela aponta. "Você não deveria estar buscando uma posição como professora ou algo similar, Senhorita Swan?"

Eu engulo seco. Droga!

Não me escapa que ele ignorou meu pedido para me chamar de Isabella ou Bella.

Eu decido responder com sinceridade.

"Você está correto, Sr. Masen. Eu estou sim em busca de uma posição como professora, mas estamos no meio do semestre letivo, o que torna mais difícil encontrar vagas disponíveis". Eu respiro fundo e continuo. "E devido a questões pessoais, eu não posso me permitir esperar pela posição ideal, pelo emprego dos meus sonhos. Eu realmente preciso desse emprego e se o senhor me contratar, eu não vou decepcioná-lo", eu acabo revelando um pouco do meu desespero no final.

Ele coça sua mandíbula enquanto me encara e suspira.

Aliás, o que há com esse homem?! O jeito como ele me olha, tão intensamente, me intimida.

Depois do que parece uma eternidade, ele fala. "Tudo bem. Vamos fazer o seguinte: a vaga é sua, mas haverá um período de experiência". Ele se inclina, colocando os cotovelos sobre os joelhos. "Eu sou muito exigente em alguns aspectos da minha vida, Senhorita Swan. Eu gosto da minha rotina e de ter as coisas do meu jeito. A Sra. Clearwater já está acostumada com minhas demandas e manias há muitos anos, mas infelizmente ela está se aposentando para cuidar do marido. Ela ainda ficará comigo por mais uma semana. Eu espero que você possa começar imediatamente, passando essa semana com ela, para aprender o máximo possível".

Eu aceno ansiosamente, contente pela oportunidade que ele me oferece.

"Claro, Sr. Masen. Eu posso começar agora mesmo", falo apressadamente.

Um esboço de sorriso começa a se formar no rosto dele, mas a expressão séria volta logo.

"Nós precisamos acertar alguns detalhes. A Sra. Cope informou sobre a questão da moradia aqui?"

"Ela me informou sobre essa possibilidade, mas disse que nós dois deveríamos chegar a um acordo quanto a isso".

Eu sinceramente não sei como me sinto sobre morar sob o mesmo que este homem que acabei de conhecer.

"É uma exigência para a vaga? Morar aqui?", eu questiono.

"Não. Na verdade, não. O que eu espero é uma pessoa que tenha disponibilidade em todos os turnos. Haverá dias em que precisarei de você na parte da noite, quando acontecem imprevistos, viagens de última hora. Eu ofereci a moradia como mais um benefício para os candidatos e, eu não nego, seria mais cômodo pra mim também".

"Se estiver tudo bem para o senhor, eu sugiro que durante o período de experiência, eu continue em minha casa e se tudo der certo, eu posso considerar vir a morar aqui". Eu agradeço aos céus por essa ideia. Assim, eu posso conhecê-lo um pouco antes de aceitar a moradia. "Por quanto será o período de experiência? "

"Eu acredito que um mês é o suficiente", ela responde, mexendo em seu lábio inferior com os dedos. Eu desvio o olhar, para não ser flagrada admirando os belos traços do meu futuro empregador. "É bom pra você?"

"Sim. É perfeito", eu respondo.

Nós acertamos mais alguns detalhes depois disso. Ele fala sobre o pagamento, os benefícios que oferece e também sobre as atividades que espera de mim. Não parece nada muito complicado. Pelo contrário, são atividades de cuidado com a casa e com sua agenda. Ele não informa o que faz para viver. Lembro-me da senhora Cope dizer que ele é empresário. Mas ele deu a entender que fica muito tempo em casa. Estou confusa, mas decido não perguntar sobre isso. Com certeza terei oportunidade de conversar com a Sra. Clearwater. Espero que ela me esclareça muitas coisas.

"Você tem um carro?"

"Huh...sim", eu falo.

"Por acaso, seria aquela monstruosidade estacionada aqui em frente?"

Eu fecho a cara, irritada. Quem ele pensa que é pra falar mal da minha caminhonete?! Ela me serve muito bem.

Mas como ele viu meu carro? Ele chegou depois de mim?

"Sim. É a minha caminhonete", eu respondo friamente.

"Tudo bem. Mas você terá um dos meus carros a sua disposição, para realizar as tarefas pra mim, quando necessário sair de casa".

Eu apenas aceno.

"Tudo certo, então", ele se levanta e eu percebo que estamos terminando a conversa. Fico de pé, também. "Sue estará te esperando aqui amanhã, às oito horas".

"Eu estarei aqui".

"Perfeito". Ele pega um cartão em cima da mesa e me entrega. "Eu peço que me envie seus dados pessoais, conta corrente e informações que julgar importantes, para este e-mail. Hoje", ele faz a demanda enquanto sai do escritório e me leva até a porta da frente.

Eu aceno mais uma vez e ele estende sua mão.

"Até breve, senhorita Swan. Sue abrirá o portão".

"Até breve e obrigada pela oportunidade", eu digo e me viro para ir embora, caminhando entre os belos jardins. Eu não preciso me olhar para confirmar, sendo capaz de sentir os olhos do Sr. Masen sobre mim. Eu saio pelo portão sem olhar pra trás e meu coração está batendo forte no peito.

Eu me sinto zonza. Feliz, muito feliz por ter um emprego. Um emprego que paga muito bem. Ao mesmo tempo, eu tenho milhares de perguntas não respondidas na cabeça. Ele mora sozinho nesse casarão? O que ele faz? A Sra. Cope foi bem discreta ao falar sobre ele e a interação que acabamos de ter só reforça o mistério sobre esse homem. Um belo homem. Qual a idade dele? Estou curiosa. Ele é mais velho do que eu. Deve ter trinta e alguns.

Percebo que estou sentada no meu carro, ainda em frente a casa, perdida nesses pensamentos. Ligo o carro e começo a dirigir, mas sem conseguir esquecer aqueles brilhantes olhos verdes do Sr. Masen.

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Em casa, mais tarde, eu ligo para Ang e Rose, compartilhando a novidade com elas.

"Uau, Bella. Fico muito contente por você", Rose diz ao telefone. "Eu só não acho legal você ir morar lá. Pelo que você disse, esse cara é meio estranho. E só vocês lá...não sei não. A gente não pode confiar nas pessoas assim, Bella". Rose é sincera e direta como sempre.

"É por isso que nesse primeiro mês, de experiência, eu continuarei morando aqui em Forks, Rose. Assim terei tempo para conhecer melhor o meu novo patrão e ver como as coisas vão daí pra frente".

Nós conversamos mais um pouco e ela me cobra para visitá-la em Seattle. Eu digo que logo que tiver uma folga no emprego, eu vou. Ainda não sei se terei os finais de semana livre. Acho que nem sempre, pelo que o Sr. Masen disse. Parece que meus horários vão variar bastante. Espero ter mais informações sobre tudo isso amanhã, com a Sra. Clearwater.

Eu me despeço de Rose e subo para tomar um banho, antes de dormir. Estou ansiosa por amanhã. É o início de um novo começo em minha vida. É meu novo emprego e, talvez, em breve será minha nova casa, já que terei que me despedir desta casa na qual passei a maior parte da minha vida. Isso me deixa triste, mas eu tento me conformar que não há mais nada que eu posso fazer e devo aproveitar as novas oportunidades que virão pela frente.

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Obrigada pela leitura e comentários :)

Pra quem acompanha minha outra fic em andamento, 'A nova garota', o próximo capítulo será postado amanhã!

T. Darcy