-R-
Título: O recluso
Sumário: Bella, uma recém-formada da Universidade de Washington, se vê sozinha e desorientada ao sair da faculdade e perder seu pai. Uma oportunidade surge para trabalhar como governanta na casa de um misterioso homem em Port Angeles. Quais surpresas acontecerão na vida da jovem garota?
-R-R-R-
Recluso:
Pessoa que espontaneamente se isolou do convívio social.
(Dicionário UOL)
-R-R-
Capítulo 3
Março de 2016
BPOV
A minha primeira semana de trabalho passa rapidamente. Eu acompanho Sue em todas as atividades que ela faz, mas ela não me deixou assumir muita coisa, ainda. A única tarefa que fiz desde o segundo dia foi o jantar. Eu mal vi o Sr. Masen. Ele esteve fora de casa em alguns momentos, mas na maior parte ele ficou recluso em seu quarto ou escritório.
Eu perguntei a Sue o que o Sr. Masen faz. Confesso que minha curiosidade estava me matando. Ela foi meio vaga e apenas disse que ele trabalha com umas 'coisas de computador'. Muito vago. O certo é que ele trabalha muito tempo em casa.
Os únicos momentos de interação com ele foram durante o jantar. Um sorriso aparece em meu rosto quando me lembro da primeira vez que cozinhei pra ele.
"Você fez isso?", ele aponta para o seu prato, após engolir a primeira garfada. Eu fiz risoto de camarão e salada grega. E escolhi o vinho para acompanhar o prato. "É claro que foi você", ele resmunga antes que tenha a chance de responder. "Sue tem inúmeras qualidades, mas talento culinário não é exatamente uma delas", ele acrescenta.
Eu bufo uma risada alta.
"Eu preparei o jantar sim, mas Sue me informou o que o senhor gosta e o que não gosta", eu digo ao me recompor. "Eu espero que esteja tudo do seu agrado".
"Está perfeito. Obrigado", ele diz em tom de conclusão e volta sua atenção à comida, ignorando minha presença.
Ok. É a minha deixa. Esse homem é estranho. Seu humor parece variar a troco de nada.
Até quando ele quer elogiar, eu fico intimidada.
Eu me retirei para a cozinha e terminei de ajeitar tudo antes de ir para casa. Eu combinei com Sue, nessa primeira semana, de chegar aqui às oito da manhã e sair após o jantar. Depois disso, eu tenho que conversar com o Sr. Masen sobre sua agenda a cada semana.
Nos primeiros dias, eu aprendi muito pouco sobre meu misterioso patrão. Sue comentou que a família dele vive em Seattle e o visitam muito pouco. Ele é que vai mais à casa dos pais e da irmã.
Sua irmã. Alice é nome dela, segundo Sue. Em alguns momentos a Sue a chamou de Srta. Cullen. E chamou os pais do Sr. Masen de Cullen também. Eu quis perguntar sobre os sobrenomes diferentes, mas me contive. Não quero parecer muito intrometida.
Outro fato do qual tomei conhecimento é que o primeiro nome dele é Edward.
Edward.
Eu fico repetindo silenciosamente na minha mente o tempo todo. Não é um nome muito comum nos dias de hoje.
Edward. Edward Masen.
Sue disse que ele raramente recebe amigos convidados em casa. E também não sai muito, exceto para tarefas e viagens relacionadas a trabalho. Ela sussurrou que em todos os cinco anos que ela trabalhou pra ele, foram poucas as vezes em que ele trouxe companhia feminina pra casa.
Hum. Interessante.
.
.
.
.
Apesar do meu receio inicial, as duas primeiras semanas se passam sem maiores problemas, mesmo sem Sue aqui. Já estou na terceira semana de trabalho, a segunda sem Sue, e já me sinto adaptada à rotina do Sr. Masen.
À medida que os dias passam, eu me vejo cada vez mais curiosa sobre ele. Eu o vejo em torno da casa, observo suas atividades, mas não consigo decifrá-lo. Não entendo bem essa sensação que tenho. Sinto que ele esconde algo. Não sei se posso chamar de um segredo, mas ele é extremamente reservado e calado. Meu pai sempre desconfiou de pessoas assim.
Eu conversei pouco com Edward e sempre foi relacionado às minhas funções aqui. O momento mais descontraído – se é que eu posso chamar assim – é o jantar. Todas as noites ele elogia minha comida. O seu apreço é evidenciado pelos gemidos de prazer que ele solta ao degustar os pratos que preparei. Eu não consigo deixar de sorrir.
E devo confessar que esses gemidos me perturbam também. Afinal, ouvir um homem tão bonito e charmoso gemer assim, deixa qualquer mulher abalada. Eu venho me recriminando a todo instante por admirar demais o meu chefe, mas quando estamos na mesma sala, eu não consigo desviar meus olhos dele. É como se tivesse uma força invisível que me atrai.
.
.
Hoje é quarta-feira – no meio da minha terceira semana - e estou preparando o jantar e a sobremesa na cozinha: ravióli de cogumelos e cheesecake de morango. Normalmente eu não faço sobremesa, já que Sue me disse no primeiro dia que o Sr. Masen nunca pediu. Mas eu adoro cozinhas doces também. E quero saber se meu patrão vai apreciar tanto quanto os pratos principais.
Eu termino de ajeitar a sobremesa no recipiente e me viro para colocá-la na geladeira. Quase deixo tudo cair de susto. O Sr. Masen está parado na porta, me observando.
Há quanto ele está ali?
Eu não o ouvi chegar à cozinha.
"Nossa, o senhor quase me mata de susto. Não sabia que estava aí", eu digo nervosamente enquanto guardo o doce. "Precisa de algo?", eu pergunto ao me virar pra ele de novo.
Ele nega com cabeça, mas continua me encarando.
Então, o que faz aqui?, eu me pergunto.
"Huh, o jantar está quase pronto. Será servido em uns 15 minutos. Tudo bem?"
Ele acena mais uma vez e sai da cozinha.
Muito estranho.
.
.
Ele termina o jantar – o qual foi muito elogiado, como sempre – e busco a sobremesa.
"Eu não sei se senhor gosta de doces, mas...huh, eu fiz sobremesa hoje. Cheesecake de morango", eu falo timidamente. "Posso servir?"
Ele me olha de modo intenso...chega a ser desconcertante.
Deus, o que há com esse homem hoje? Ele é meio estranho, mas hoje está batendo o recorde.
"Por favor, senhorita Swan".
Eu aceno e o sirvo. Espero ao lado para ver sua reação.
Ele não me decepciona e solta um longo gemido ao saborear a primeira colherada.
Eu sorrio.
E quase espremo minhas pernas juntas para aliviar o formigamento que surge...
.
.
.
Após o jantar e antes que eu vou embora, ele me pede para ir ao seu escritório por um momento.
"Eu terei que viajar amanhã cedo. Um imprevisto com um dos meus clientes", ele diz.
Eu aceno. "Eu preciso cuidar das passagens, hospedagem?"
"Não há necessidade. Eu vou de carro. Não é longe. E já tenho onde ficar", ele fala.
Oh. Na casa de algum amigo? Amiga?
"O senhor precisa que eu tome alguma providência sobre a viagem?", eu questiono, tentando ser útil.
"Não precisa se preocupar com nada. Eu apenas quis te informar. Você não precisará vir e ficar o dia todo enquanto eu estiver fora. Volta no domingo à noite. Então, até lá, você pode vir apenas para cuidar dos compromissos já agendados, receber o pessoal de algum serviço já marcado. Essas coisas. o restante do tempo você pode...bem, pode fazer o que quiser. É sua folga. Eu espero que você esteja aqui em seu horário habitual na segunda-feira de manhã".
Eu aceno.
E, poxa vida, acho que essa é a fala mais longo que já ouvi dele ultimamente.
"Eu entendo. Obrigada, Sr. Masen".
Eu me viro para sair, mas sua voz me faz parar.
"O jantar e a sobremesa estavam perfeitos. Obrigado". Sua voz é suave, mas a expressão é séria como sempre.
Eu sorrio mesmo assim. "Eu fico contente que tenha gostado. Eu espero que o senhor faça uma ótima viagem".
Ele acena e eu deixo o local.
.
.
.
.
Nesses dias em que ele está viajando, eu me pego pensando e analisando as três semanas que estive trabalhando aqui. Não é o emprego que eu sonhava conseguir após a faculdade, mas eu não posso reclamar. As tarefas não são muito diferentes do que eu sempre fiz em casa com meu pai. É cuidar da rotina de uma casa e cozinhar. A única diferença é a parte que envolve o trabalho do Sr. Masen, como marcar viagens, marcar reuniões e coisas do tipo. Cada vez mais ele me pede para ajudá-lo em questões do seu trabalho e isso me deixa satisfeita. Sinto que ele está confiando mais em mim.
Por isso, eu me sinto cada vez mais a vontade nessa casa e gosto do trabalho. E me mantendo ocupada, não tenho tempo para lamentar minha situação. O prazo para entregar a casa do meu pai está acabando. Isso me lembra que eu tenho que decidir onde vou morar. Ainda estou cheia de dúvidas. Ao mesmo tempo em que quero alugar meu próprio lugar, eu economizaria uma boa grana se viesse morar aqui.
.
.
.
Eu aproveito meu sábado de folga para encontrar com Rose em um bar de Seattle. Estava com saudades da minha amiga.
Ela me conta sobre as novidades com Emmett, seu namorado, e esbanja alegria ao contar que foi promovida no trabalho. Agora ela é a gerente da livraria na qual trabalha desde a faculdade. Eu fico feliz por ela e a cumprimento.
"Eu não vejo a hora de sair daquele cubículo", ela se refere ao seu atual apartamento. "Emmett e eu estamos pensando em morar juntos. Com minha promoção, pretendemos alugar um lugar maior. Tenho mais dois meses de contrato de aluguel, mas depois disso eu saio de lá".
"Uau, Rose. Outra surpresa. Fico feliz por vocês. Mas na verdade não vai mudar muito, já que ele praticamente já mora com você", eu pisco em provocação e nós rimos.
"Falando no meu homem, ele está com saudade de você. Não pôde vir hoje por causa do trabalho, mas pediu pra dizer que você está devendo uma saída com a gente", ela fala. "Você precisa sair e se divertir mais, Bella", ela acrescenta em tom preocupado.
Eu suspiro.
"Rose, eu estou aqui com você. Estou me divertindo. Mas é claro que quero ver o Em".
Ela acena. "Você me avisa as próximas noites que terá de folga. Ai a gente combina de fazer algum programa aqui, à noite. O Emmett pode chamar um dos amigos dele e-"
"Rose!", eu a corto. Eu aprecio a preocupação deles, mas essa mania de querer ficar arrumando caras pra mim, me irrita! "Eu não quero conhecer ninguém. Vocês precisam parar de armar encontros pra mim. Não deu certo antes e eu não quero me relacionar com ninguém agora".
"Bella, ninguém está falando em namoro, relacionamento. É sexo. Há quanto tempo você não transa? Depois daquele babaca do Riley, houve mais alguém?", ela bebe sua cerveja. "Você é linda, Bella. Os caras babam em cima de você. Aproveite, garota!"
Eu balanço a cabeça em descrença. Ela quase gritou isso tudo no meio do bar. Tenho certeza que a maioria aqui ouviu.
.
.
.
.
Na segunda-feira de manhã, eu chego e vejo o carro do Sr. Masen na garagem, mas só o vejo mesmo na hora do almoço.
"Olá, senhor. Como foi a viagem?", eu pergunto ao servi-lo na sala de jantar.
Seus olhos percorrem minha figura antes de responder. "Boa tarde, Isabella. Foi tudo muito bem. Obrigado por perguntar".
Uau. Ele me chamou de Isabella. Eu pensei que não aconteceria nunca! Hum, eu gosto da forma como meu nome soa em sua voz...
Com a mesa posta, eu me preparo para sair, mas ele me chama.
"Já almoçou?", ele pergunta.
"Ainda não, senhor".
"Sente-se comigo".
O que?
"Eu gostaria de falar com você e como ainda não almoçou, pode muito bem me fazer companhia", ele diz ao perceber que fiquei sem reação com seu convite.
Eu aceno e me sento à sua esquerda.
Eu me sirvo e percebo que minhas tremem ligeiramente. Comemos em silêncio por um tempo. Os únicos sons que podem ser ouvidos são seus pequenos gemidos de apreciação pela refeição.
"Eu irei receber convidados essa semana", ele finalmente fala. "Minha irmã e seu noivo. Ele tem uma reunião de negócios na cidade, na quinta-feira, e ela insiste que eles devem ficar hospedados aqui", ele suspira exasperado.
Eu aceno.
"Eles devem chegar quinta à tarde e passarão a noite aqui. Eu peço que verifique se tudo está em ordem no quarto lilás. Alice sempre fica lá. Eu passarei uma lista de alguns produtos que ela gosta. Você pode comprá-los", ele acrescenta. "Por favor".
"Claro. Eu cuidarei de tudo".
.
.
.
Nos dois dias que se seguem, ele me pede para acompanhá-lo no almoço novamente. Eu aceito, ainda me sentido um pouco desconfortável com essa mudança. O meu desconforto se deve ao fato de que ainda me sinto um pouco intimidada na presença dele, mas isso tem diminuído aos poucos.
Porém, há uma diferença gritante em seu comportamento. Ele está um pouquinho mais falante. Não em exagero, mas ontem e hoje ele me fez perguntas pessoais. Perguntas bobas, como por exemplo, os meus autores favoritos, o porquê escolhi meu curso, se tenho irmãos. Mas se sente como um enorme passo quando se trata deste homem quieto. Eu respondi a cada pergunta com sinceridade e ele não fez nenhum comentário depois.
Pensando nisso mais tarde, eu acho que ele estava apenas querer preencher o silêncio. Não é nada demais, eu digo a mim mesma.
-R-R-R-R-
Oi gente.
Gostaram do capítulo?
Os comentários de vocês me deixam muito feliz. Obrigada! Que bom que estão gostando :)
Bella ainda não conseguiu entender o seu patrão misterioso, mas eles parecem começar a se dar bem. Vamos ver como a história deles se desenvolve ;)
Bjos,
T. Darcy
