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Título: O recluso

Sumário: Bella, uma recém-formada da Universidade de Washington, se vê sozinha e desorientada ao sair da faculdade e perder seu pai. Uma oportunidade surge para trabalhar como governanta na casa de um misterioso homem em Port Angeles.

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Recluso:

Pessoa que espontaneamente se isolou do convívio social.

(Dicionário UOL)

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Capítulo 4

Abril de 2016

BPOV

Na quinta-feira pela manhã, eu saio com um dos carros do Sr. Masen para comprar alguns ingredientes para o almoço. Quero caprichar para receber seus parentes. No tempo em que tenho trabalhado para ele, é a primeira vez que o verei interagir com outras pessoas, que não Sue. Eu admito que estou curiosa. Ele deve ser mais aberto e amigável com a família. Mesmo que tenha deixado claro que não está muito feliz com a irmã hospedada em casa.

No meio da manhã eu estou de volta e assim que passo pela porta da frente, sou surpreendida por uma voz desconhecida ao final do corredor.

Eles já chegaram.

Não posso vê-los ainda, mas escuto o que falam enquanto coloco as compras pra dentro de casa.

"Você não consegue me enganar, Edward", uma voz angelical diz em tom alegre. "Você falou mais sobre ela do que-", meu patrão a interrompe.

"Chega disso Alice. Você está delirando", ele parece irritado. "Você enxerga apenas o que quer. Eu não gosto quando você se intromete na minha vida".

Ouço passos se aproximando e volto minha atenção para as sacolas, caminhando para a cozinha.

"Oh. Esta é a Isabella?", eu ouço atrás de mim e paro, me virando. Uma pequena – ainda menor do que eu – mulher está ao lado do Sr. Masen. Ela tem cabelos pretos e lindos olhos azuis, que se destacam devido ao tem de pele claro. Ela não se parece em nada com meu patrão.

"Alice, a Isabella trabalha pra mim", ele aponta em minha direção. "E esta é minha irmã, Alice. Seu companheiro está no quarto. Você o conhecerá em breve", ele me diz.

Antes que eu responda, a pequena mulher corre em minha direção e me surpreende com um abraço. Pasma com a atitude, eu mal retribuo.

Eles são bem diferentes mesmo. Enquanto ele é discreto e contido, ela parece muito animada, amigável e acolhedora.

"É um prazer te conhecer, Isabella", ela fala sorrindo. "Você é linda. Estou feliz que você está aqui para cuidar do meu irmão querido", ela pisca.

"Alice!", ele a repreende.

"Relaxe, Edward. Só estou cumprimentando a Isabella".

"Olá, Alice. É um prazer", eu me sinto tímida diante da sua vivacidade. "E pode me chamar de Bella".

"Bella", ela repete. "É um lindo apelido, bem como o seu nome".

Eu tenho certeza que estou corando agora.

Eu olho para o Sr. Masen, cujos olhos já estão em mim, aviso que irei preparar o almoço e deixo os irmãos sozinhos na sala.

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Com a mesa posta, eu vou até a sala. Os três estão conversando.

"Com licença. Sr. Masen. O almoço está servido na sala de jantar", eu informo.

"Sr. Masen?", Alice ingada. "Edward! Você a faz te chamar de Sr. Masen?", ela coloca as mãos no quadril, com cara de brava.

Meu patrão parece em uma perda de palavras, o que permite sua irmã continuar.

"Isso é errado em tantos níveis!", ela exclama indignada. "Pra começar, você não é velho pra ser chamado de senhor. Por Deus, você tem só tem 36 anos".

Humm. Trinta e seis. Mais ou menos a idade que eu imaginava.

"Eu sei que você gosta de formalidades, irmão, mas nem a Sue te chamava de senhor", ela acrescenta. "E ainda por cima é Sr. Masen. Você é um Cullen! Não se esqueça disso", ela conclui, com voz firme mas é possível reconhecer o carinho por trás.

Eu olho para Edward, temendo sua reação. Sua mandíbula está cerrada, assim como os punhos.

Oh, merda! O que eu fiz?

Ele está com raiva.

Por que eu tinha que chama-lo de Sr. Masen na frente de todos?

Mas eu não poderia imaginar o que esta simples ação causaria...

Vejo o outro homem presenta na sala, o noivo de Alice, tentando segurar o riso.

"Eu peço desculpas...eu...", eu não sei bem o que dizer. "Ele não me obriga a chamá-lo de Sr. Masen", eu falo com Alice, defendendo-o. "É apenas o modo como a senhora da agência de empregos se referiu a ele", eu tento explicar.

Tudo bem que ele nunca me disse para chama-lo de outra coisa. O primeiro nome, por exemplo. Mas isso não vem ao caso...

"Não liga para minha irmã, Isabella. Ela é implicante e intrometida. E gosta de me atazanar", ele fala, parecendo mais tranquilo agora. "Vamos almoçar", ele chama seus convidados.

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Hoje, logicamente, eu não sou convidada a almoçar com ele, como aconteceu nos últimos dias. Eu entendo, mas não consigo evitar a pontinha de desapontamento em meu peito.

Durante a tarde os homens estão fora de casa e Alice se aproxima de mim para conversar. Eu decido que gosto muito dela. Antes de conhecê-la, eu pensei que ela uma dessas mulheres ricas que são mimadas e arrogantes demais pra se misturar com os empregados. Mas ela me surpreendeu. Sua simpatia e simplicidade a tornam cativante.

Ela fala muito sobre sua vida e pergunta sobre mim, mas acabou falando espontaneamente um pouco sobre seu irmão, também.

Ele é adotado!

Bem que eu os achei bem diferentes. E tem a questão do sobrenome!

Ela não entrou em detalhes sobre isso, só disse que foi adotado quando era adolescente e que sua família conhecia os pais verdadeiros de Edward.

Ela também me pediu para cuidar bem de seu irmão e ter paciência com ele...seja lá o que ela quis dizer com a parte final, exatamente. Eu apenas concordei com a cabeça.

Ela também tagarela sobre como ele é reservado. Não gosta muito de sair e nem de participar de festas. Nem mesmo de festas de família.

"Ele parece um eremita em seu castelo", ela zomba. "Passa o tempo inteiro enfurnado dentro dessa casa. Só sai para ir ao escritório de seus clientes, às vezes. Eu entendo, em certa medida. Ele já passou por muita coisa", ela não elabora. "Mas ele deveria se abrir mais...pra vida. Não é saudável viver só em função do trabalho", ela parece realmente pesarosa por ele.

Eu aproveito para perguntar o que ele faz. Ela quase engasga de surpresa quando percebe que eu ainda não sei sobre isso.

"Ele é desenvolvedor de softwares. Um muito bom, por sinal. Ele é procurado por empresas e instituições do país todo!", ela sorri, orgulhosa. "Desde adolescente ele gostava disso e decidiu fazer sua carreira. Acho que é apropriado. Ele pode trabalhar em casa a maior parte do tempo, sem necessidade de muita interação com as pessoas", ela dá de ombros, com um sorriso triste no rosto.

O dia passa rapidamente e os homens chegam a tempo do jantar, que é elogiado pelos convidados do Sr. Masen, assim como foi o almoço que preparei.

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Na manhã seguinte, Alice e Jasper estão partindo e ela me abraça em despedida, dizendo que mal pode esperar para me encontrar novamente. Jasper me oferece um aperto de mão antes de saírem.

O Sr. Masen não fica em casa para o almoço, mas antes de sair me pede que eu o espere à tardinha, apara conversarmos sobre meu período de experiência. A expressão dele não revela muito. Eu passo o dia todo especulando sobre nossa futura conversa. Espero que ele esteja satisfeito comigo e deseje que eu continue aqui.

Eu quero ficar.

Agora que o primeiro mês chegou ao fim – muito rapidamente, aliás – eu percebo que realmente quero muito continuar trabalhando aqui. Esse tempo foi suficiente pra descobrir que o Sr. Masen não é nenhum louco, tarado, assassino ou coisa parecida. Ele pode ser um tanto quanto peculiar, mas tenho o sentimento que ele é bom homem. Ele me tratou com respeito e cordialidade nesse período. E conhecer sua irmã apenas solidificou minha crença e desejo de continuar.

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Oi.

Eu agradeço a cada de você que está seguindo essa fic ou a marcou como Favorita. Vocês fazem meu dia! ;)

E eu fico muito feliz com os comentários, também.

Nos últimos dias o site está com problemas e eu não consigo visualizar os comentários postados recentemente, mas acredito que isso será corrigido em breve (como já aconteceu outras vezes e poderei ver todos os comentários de vocês).

Então, podem continuar comentando :)

Para quem acompanha, a minha outra fic em andamento, 'A nova garota', será atualizada amanhã.

Bjos,

T. Darcy