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Título: O recluso
Sumário: Bella, uma recém-formada da Universidade de Washington, se vê sozinha e desorientada ao sair da faculdade e perder seu pai. Uma oportunidade surge para trabalhar como governanta na casa de um misterioso homem em Port Angeles.
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Recluso:
Pessoa que espontaneamente se isolou do convívio social.
(Dicionário UOL)
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Capítulo 6
Maio de 2016
BPOV
Eu passo os próximos dois dias mal humorada e cabisbaixa. Recuso-me a admitir que seja pela ausência de um certo homem mais velho, mas não sei a quem quero enganar.
A única coisa que coloca um sorriso no meu rosto é a lembrança de suas últimas palavras.
Cuide-se, Bella.
Ele me chamou de Bella. Foi a primeira vez. Eu sou sempre Isabella pra ele. Ou Senhorita Swan, às vezes. E eu o chamei de Edward, como faço quando penso nele. Espero que isso não o tenha incomodado.
Hoje é sexta-feira e eu me forço a ter animo para sair de casa e cuidar das tarefas pendentes. Tenho ir à lavandaria, agência de seguros, banco e supermercado. Passo quase o dia todo fora de casa e quando retorno, tenho uma surpresa ao abrir meu notebook.
Eu recebi um e-mail dele. Um e-mail de Edward!
É inesperado porque ele nunca entra em contato quando viaja. Pelo menos não até agora. Com a mão trêmula, eu clico na mensagem e leio rapidamente.
Isabella,
Espero que esta mensagem te encontre bem.
Eu preciso de um favor. Um conhecido passará aí em casa para buscar uns arquivos. O nome dele é Garrett Baker. Há uma pasta com este nome em cima da minha mesa, no escritório. Peço a gentileza de separar e entregar quando ele for buscar, amanhã à tarde.
Caso já tenha algum compromisso, me avise e eu marco com ele para outro dia.
Obrigado,
Edward.
É um e-mail com tom formal e relacionado ao trabalho, mas isso não impede meu coração de bater acelerado. Além disse, ele assinou Edward. Eu interpreto como permissão para usar seu primeiro nome a partir de agora.
Sorrindo, eu componho uma mensagem de resposta após procurar os arquivos que ele mencionou.
Olá, Edward.
Estou bem. Espero que sua viagem esteja sendo produtiva e você esteja bem.
Eu já localizei a pasta em seu escritório e estarei esperando por Garret amanhã a tarde, sem problemas. Estarei em casa o dia todo.
Se precisar de algo mais, estou à disposição.
Cuide-se e aproveite a viagem.
Bella
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"Entre, por favor, Sr. Baker", eu convido o homem que Edward disse que viria. "Eu sou Isabella Swan, assistente do Sr. Masen". É melhor do que me apresentar como governanta.
Ele me olha de cima em baixo, sem disfarçar, e dá um sorriso. "Olá, Isabella. Eu não sabia que o nosso amigo Cullen estava escondendo uma mulher tão linda dentro dessa casa", ele brinca. "E me chame de Garrett, por favor".
Me sentindo embaraçada, eu sorrio fracamente e gesticulo para ele entrar.
"O senhor aceita alguma bebida?"
"Senhor? Por Deus, eu não sou um velhote", ele ri. "Aposto que sou apenas alguns anos mais velho do que você", ele pisca.
Eu o olho atentamente agora. É um homem muito bonito, parecendo um pouco mais jovem que Edward. É moreno, tem olhos azuis e um corpo muito bem definido e em forma.
"Eu insisto, me chame de Garrett. Eu aceito água, por favor".
"Tudo bem, Garrett. Sente-se e fique à vontade", eu digo e vou até a cozinha buscar a bebida e os documentos, em seguida.
"Aqui estão os arquivos que o Sr. Masen me pediu para entregá-lo", eu ofereço ao voltar para a sala.
"Sr. Masen? É assim que você chama o Cullen?", ele parece divertido.
Eu não me sinto a vontade para responder e apenas dou de ombros.
Ele bufa. "Deve ser mais uma excentricidade daquele homem", ele resmunga baixo, mas eu escuto.
Eu acabo servindo café para Garrett, que começa a falar sobre os mais diversos assuntos. Confesso que o acompanho meio desinteressada. Apenas quando ele fala sobre seu convívio com Edward, minha atenção aumenta.
"Nós trabalhamos juntos por um tempo, mas Cullen gosta de tudo muito ao seu próprio jeito, então cada um foi pra seu lado. Mas de vez em quando fazemos algum projeto em parceria, como dessa vez", ele agita os arquivos que eu lhe dei.
"Você o conhece há muito tempo?", eu cedo à minha curiosidade.
"A gente se conheceu na faculdade, embora ele tenha se formado dois antes de mim. Nossas famílias se conhecem e a ex-namorada dele é uma amiga".
"Oh". Ex-namorada.
Eu não sei por que o pensamento de alguma ex me incomoda desse jeito. É claro que ele já deve ter tido muitas mulheres na vida dele.
"Enfim, nos últimos anos eu o tenho visto cada vez menos. Esse homem parece se esconder de todo mundo. Até nas festas da sua família a presença dele é uma raridade".
Eu aceno, querendo perguntar mais, mas opto por não fazer isso. Não quero parecer muito intrometida e tenho certeza que Edward não apreciaria que nós ficássemos discutindo a vida dele. Por mais que eu esteja desesperada por mais informações do meu homem misterioso, não será dessa forma que descobrirei.
"Bem, acho que já tá na hora de ir", Garrett se levanta. "Foi um prazer conhecê-la, Isabella", ele estende a mão. "Eu adoraria conversar com você em outras oportunidades", ele retira um cartão do bolso e me entrega. "Acho que podemos ter alguns bons momentos juntos. Me ligue".
Eu arqueio a sobrancelha, pasma por sua atitude. Eu nem dei muita ideia pro cara e ele acha que vou cair na dele, assim?! Vai esperando...
"Eu te acompanho até a porta", falo com sorriso falso.
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No sábado à noite, eu estou me preparando para encontrar com Rose em Seattle. É aniversário dela e vamos comemorar. Embora não seja muito a minha praia, eu concordei em ir a uma boate nova da cidade. Ela está muito empolgada e acabou me convencendo...na verdade foi quase uma chantagem, dizendo que eu não poderia negar seu pedido, já que é aniversário dela.
Verifico meu guarda-roupa e acabo escolhendo um vestido preto que Rose me deu há algum tempo atrás.
Quando estou prestes a sair, eu recebo uma mensagem no celular. Deve ser Rose, querendo confirmar se vou mesmo, eu penso sorrindo. Clico para abrir e ofego pela surpresa.
É de Edward.
Olá, Bella. Quero saber se Garrett buscou os arquivos ontem. Como estão as coisas aí? – Edward
Uma mensagem parece ainda mais íntima do que o e-mail. Não importa se ele perguntou sobre trabalho. Parece mais pessoal.
Oi, Edward. Ele passou aqui ontem, ao final da tarde. Por aqui está tudo na mais perfeita ordem. E aí? - Bella
Eu espero por uma resposta, mas ela não chega logo.
Depois de uns dez minutos esperando, eu aceito que ele não vai responder...pelo menos não por agora e saio para encontrar minha amiga. Pego o carro que Edward me ofereceu, ao invés da minha caminhonete, por ser mais seguro para viagens, mesmo que distância curta como daqui para Seattle.
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"Bellita, que saudade", Emmett me abraça, levantando-me do chão, e me gira pelo ar em plena rua movimentada de Seattle. Eu estava com saudade dele, também.
"Solte-a, seu bruto", Rose xinga o namorado. "Você vai amassar o vestido dela"
"Oi, Em. é bom te ver. Também estava com saudade", eu falo quando ele me coloca no chão. Em seguida, dou um forte abraço em Rose e entrego seu presente, com os melhores desejos para ela. Nós entramos na boate e eles me apresentam a seus amigos. Vejo alguns rostos familiares e outros nem tanto.
Eu tento me divertir apesar de não ser meu ambiente preferido, bebo um pouco e converso com as pessoas, mas depois de algumas horas, eu já quero voltar pra casa. Ao longo de toda a noite, Rose tenta bancar o cupido e me conectar com alguns dos amigos de Emmett.
Um dos caras que ela me apresentou, Paul, até que é interessante. Além de bonito, eu não posso negar. Nós conversamos agradavelmente por algum tempo. Mas eu não sei...é como se faltasse algo. Ele é bonito, gostoso...mas isso não basta. Eu dancei com ele por duas vezes e trocamos o número de telefone, mas não sei se pretendo levar isso à diante.
Estar com a mente em outro homem, o tempo todo, não ajuda nesse caso...eu penso amargamente, sabendo que nunca poderei ter Edward.
Já no meio da madrugada, eu digo a Rose que já estou indo, mas ela não me permite sair. Ela não quer eu dirija pra Port Angeles nesse horário, especialmente depois de beber um pouco. Ela me dá as chaves de seu apartamento e me diz para dormir lá, já que ela vai passar noite na casa de Emmett. Eu aceito sua oferta, considerando que é realmente é mais prudente do que dirigir agora.
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Eu me reviro na cama, não querendo abrir os olhos. A dor em minha cabeça só reforça essa vontade.
"Huh", eu resmungo. Já é manhã?
Minha cama não está tão confortável hoje, eu lamento.
Relutantemente, eu abro os olhos e estranho o local.
Claro, a casa de Rose. Eu me lembro dos acontecimentos da noite passada. Sento-me na cama e seguro minha cabeça. Preciso de um analgésico. Eu nem bebi tanto assim, mas acho que estou fora de forma. Tanto tempo sem beber...
Rastejo pra fora da cama e procuro um remédio nas coisas de Rose. Faço um café e verifico as horas no celular. Já é o meio da manhã.
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Já é hora do almoço quando estaciono o carro na garagem de casa. Pego meu casaco, bolsa e sandália na mão ao sair do automóvel e caminho até a porta da frente.
Entro e fecho a porta atrás de mim. Eu me viro para subir as escadas e vejo Edward sentado no sofá, me encarando austeramente.
Meu estômago revira e o sentimento que tenho é de ser uma adolescente que foi flagrada pelo pai ao chegar escondida da balada.
Droga!
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Haha, quem aí consegue imaginar essa última cena?
Eu estou muito feliz com os comentários de vocês e por todos que marcaram essa fic como favorita ;) Obrigada!
Ainda essa semana tem mais um capítulo!
Abraços,
T. Darcy
