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Título: O recluso
Sumário: Bella, uma recém-formada da Universidade de Washington, se vê sozinha e desorientada ao sair da faculdade e perder seu pai. Uma oportunidade surge para trabalhar como governanta na casa de um misterioso homem em Port Angeles.
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Recluso:
Pessoa que espontaneamente se isolou do convívio social.
(Dicionário UOL)
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Capítulo 7
Maio de 2016
BPOV
Eu sinto seus olhos me perfurarem e luto para encontrar o que dizer.
"Huh, Ed...Senhor...Edward", eu gaguejo feito boba. "O que você está fazendo aqui?"
Assim que a pergunta estúpida me escapa, eu levo uma mão a boca. Idiota! É a casa dele! Como você pode perguntar isso?!
"Oh, meu Deus. Me perdoe, Sr. Masen. Eu apenas quis dizer que pensei que você só chegaria amanhã", eu consigo explicar e me calo, então, pra não dizer mais bobeiras.
Sem sorrir, ele fala, colocando pra baixo o livro que segurava. "Eu adiantei meu voo", sua voz rouca me causa arrepios. "Cheguei hoje, bem cedo".
"Se eu soubesse que você chegaria mais cedo, eu...eu estaria aqui para-", eu me calo. "Ontem foi aniversário de uma amiga e nós comemoramos em Seattle. Eu passei a noite na casa dela, pra não ter que dirigir de madrugada", eu me vejo na necessidade de esclarecer o motivo de passar a noite fora, mesmo que racionalmente eu saiba que não devo explicações.
"Você não me deve explicações, Srta. Swan", sua voz é dura agora. "O que você faz em seus momentos de folga não me diz respeito".
Eu sinto meus olhos se encherem de lágrimas com seu tom e palavras severas.
"Claro", eu digo com a voz trêmula. "Com licença". Eu preciso sair de perto dele antes que comece a chorar. Eu corro para meu quarto e me enfio logo no banheiro, onde permito que minhas lágrimas caiam, se misturando à água do chuveiro.
Me sinto uma menina boba e sensível por chorar por causa da grosseria dele.
Tudo bem, não exatamente uma grosseria, mas eu pensei que nós estávamos ficando mais próximos. Ele foi tão seco com suas palavras!
Eu me recrimino por deixar a atitude dele me abalar.
Eu não fiz nada errado.
Eu não fiz nada errado.
Como ele mesmo lembrou, eu estava em minha folga. O que eu faço ou deixo de fazer, não é da conta de ninguém.
Então, por que ele parece bravo por eu ter passado a noite fora?
Não importa, Bella! Você tem que parar de fantasiar sobre ele! Ele á apenas o seu patrão. Nada mais!
Saio do banho e me visto rapidamente. Vou preparar o almoço e cuidar das minhas tarefas, para não dar mais nenhum motivo pra ele...pra ele se chatear comigo.
Quando desço para o andar de baixo, não há sinal dele por lá.
Deve ter se trancado no quarto ou escritório, eu penso.
Vou até a cozinha e encontro uma nota sobre a bancada.
Vou passar o dia fora.
Não precisa se preocupar com almoço ou jantar por minha causa.
Ele não assinou. E não mais me chamando de Bella.
Abatida, eu volto para meu quarto e não saio até o dia seguinte.
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Depois de uma noite mal dormida, eu saio da cama cedo e aproveito para enviar meu currículo para algumas escolas da região. Eu havia dado um tempo nisso, mas ontem foi como aviso. Em dois sentidos: eu preciso encontrar um emprego como professora; e eu acho que é melhor que as coisas entre o Sr. Masen e eu fiquem estritamente formais, sem nenhuma proximidade. Sem mais almoço juntos. Sem mais conversas pessoais.
É isso.
Eu tenho que focar nisso!
No meio da manhã eu recebo uma mensagem de Paul. Diz que ele gostou de me conhecer e gostaria de sair qualquer dia desses. Eu fico lisonjeada com seu interesse, mas não sei se quero me envolver agora. Eu respondo a mensagem sem muito interesse, dizendo que esta semana estou ocupada e podemos combinar algo mais pra frente.
Eu não o Sr. Masen durante toda a manhã e quando o almoço está pronto, eu forço meus pés a caminharem até seu escritório. Quando estou no corredor, a porta se abre.
Ele parece surpreso ao me ver ali.
"O almoço está servido, Sr. Masen", eu falo, olhando para o chão e me viro para voltar para a cozinha logo.
"Isabella", eu ouço atrás de mim e sinto sua mão em meu braço, o que me causa arrepios. Mas eu permaneço de costas pra ele.
"Por favor, Bella", seu tom é suave hoje. Eu me viro para olhá-lo. Ele parece abatido. "Eu gostaria de falar com você", diz, ainda me segurando. Ele desce sua mão até a minha e me puxa para a sala de estar.
Ele solta minha mão para nos sentarmos. Eu já sinto a perda do contato.
Pare com isso, Bella! Profissional, lembra?!
Ele parece um pouco angustiado e demora a encontras as palavras.
"Eu quero pedir desculpas por ontem". Seus olhos alternam entre me encarar e desviar para o tapete no chão. "Eu não deveria ter falado com você daquela maneira. É que eu consegui antecipar meu retorno e eu queria...eu...", ele leva as mãos ao seu próprio cabelo. "Eu estava chateado com algo e acabei descontando em você".
Ele conclui e me olha com expectativa.
"Tudo bem, Sr. Masen. Eu entendo".
"Edward", ele diz. "Me chame de Edward, por favor", seus olhos me fitam diretamente. "Como antes", ele sussurra.
Eu sinto a raiva e decepção que sinto desde ontem, amolecerem.
É difícil negar qualquer coisa quando ele me olha assim, quando sua voz é suave e aveludada, me pedindo desculpas.
Argh! Isso é tão confuso!
"Eu aceito seu pedido de desculpas, Edward", eu suspiro. "Se você estivesse me avisado que voltaria mais cedo, eu estaria aqui".
"Eu sei. E essa não é a questão, Isabella".
"Bella", eu interrompo.
"Bella", ele acena. "Você tem o direito de sair sempre que quiser em sua folga, para onde bem entender, sem me dar explicações. Acho que eu me assustei ao chegar em casa e perceber que você estava fora desde...", ele desvia o olhar. "Como eu disse, eu estava chateado e descontei em você".
Eu aceno.
Ele se levanta e me pede para acompanhá-lo ao almoço.
"Huh, eu já almocei, senhor...Edward".
"Oh".
"É porque eu tenho que sair para fazer algumas tarefas".
"Entendo", ele diz e me deixa na sala.
Eu me sento novamente e tento entrar em acordo, na minha mente, com o que acabou de acontecer.
Eu não esperava que ele pedisse desculpas. Me sinto aliviada por estarmos bem, mas ao mesmo temo, isso enfraquece minha determinação de manter tudo estritamente profissional.
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Nos próximos dias, meu convívio com Edward é quase o mesmo de antes do incidente. Nós almoçamos e jantamos juntos algumas vezes, mas eu sinto falta das perguntas dele, de conversar e passar o tempo livre com ele. Isso não aconteceu desde que ele voltou de viagem.
Estou na biblioteca, mandando alguns e-mails para clientes de Edward, a seu pedido, quando o interfone toca. Eu fecho o notebook e vou até a sala.
"Sim?"
"Eu estou aqui pra falar com Edward Cullen", ouço do outro lado do aparelho. "É Isabella?"
Quem será?
"Sim, sou eu".
"Sou eu, Garrett".
"Oh. Vou abrir o portão".
Eu o recebo na porta da frente.
"Olá, Garrett. Eu vou informar ao Sr. Masen que você está aqui", eu faço menção de deixar a sala, mas ele me impede ao falar.
"Hey, calma, Isabella", ele diz sorrindo. "Eu não tenho pressa". Ele se aproxima de mim. "Eu ainda estou esperando sua ligação, para sairmos qualquer dia desses".
Eu abro a boca para recusar educadamente, mas uma voz no alto das escadas chega primeiro.
"Garrett", Edward fala. Eu me viro e vejo sua expressão sombria.
"E aí, Cullen", Garrett fala descontraído. "Eu estava aqui conversando com a bela Isabella".
Eu me sinto acanhada ao ser elogiada por outro homem na frente de Edward.
Meu patrão tem os punhos cerrados ao lado de seu corpo e vem descendo as escadas. Ele não responde ao comentário do amigo.
"Vamos para meu escritório".
"Claro. Vamos Cullen", o homem moreno diz em tom mais contido ao perceber o humor de Edward. Ele se vira pra mim e fala de novo. "Isabella", ele estende a mão para me cumprimentar, "foi um prazer revê-la".
Eu aceno, não deixando de notar a expressão ainda mais sisuda de Edward.
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Depois de uns quinze minutos, eu vou para a cozinha e prepara algumas bebidas – chá, café e suco – para os homens. Quando me aproximo do escritório, eu paro com a bandeja em mãos ao ouvir vozes elevadas.
"E Kate?", é a voz de Edward.
"Nós não estamos juntos agora, Cullen", Garrett parece frustrado.
"E por quanto tempo dessa vez? Na verdade, eu não quero saber, não me interessa. Eu só preciso que você recue. Eu não vou permitir que você brinque com ela para daqui há alguns dias estar de com Kate de novo", Edward fala rispidamente.
De quem eles estão falando? Será que Edward não gostou dele me convidar pra sair?
Ele poderia estar com ciúmes?
Ha! Sonha garota boba!
Garrett ri. "Você não pode mandar nela, Cullen. E nem pode me dizer com que eu me envolvo".
Há um silêncio momentâneo e eu decido bater na porta.
Uma pausa para eles esfriarem a cabeça.
"Entre", a voz dura de Edward me convida.
"Com licença, Sr. Masen", eu digo ao abrir a porta e vejo ambos em pé. "Eu trouxe algumas bebidas". Eu evito olhar para Garret.
"Obrigado, Isabella. Pode deixar a bandeja na mesa, por favor", seu tom é muito diferente de poucos instantes atrás.
Eu sorrio pra ele e faço o que me pediu antes de sair de lá.
Eles não reatam a conversa imediatamente e eu decido me ocupar no andar de cima ao invés de continuar espiando.
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Cerca de uma hora depois eu desço e vou até o escritório de Edward, cuja porta está aberta. Eu bato nela de toda forma, anunciando minha presença. Ele está sozinho.
"Eu vim buscar a bandeja".
Ele se levanta e se aproxima. "Eu gostaria de falar com você por um minuto".
"Certo", eu digo e aguardo.
"Eu não sei bem como fazer isso", ele murmura baixo. "Eu não quero te incomodar de novo e me intrometer, mas...eu ouvi Garrett te convidado para sair com ele", ele revela.
Eu aceno e espero.
Ele anda de um lado para o outro, parecendo frustrado.
"Ele não é...ele pode parecer...Droga!", ele puxa seu cabelo. "Ele não é confiável. Eu não quero entrar em detalhes de tudo o que ele já aprontou, mas acredite em mim. Você merece alguém...", a expressão em seu rosto é de dor.
"Alguém?", eu incito quando ele não termina.
"Alguém muito melhor do que...ele".
Oh. Essas palavras parecem significar muito mais do isso, mas eu não insisto.
Ele passa a mão pelo rosto e suspira.
"Edward", eu me aproximo e toco seu braço. "Eu agradeço sua preocupação e conselho, mas acredite, não era necessário. Eu não tenho nenhum interesse em Garrett. Nenhum".
Ele coloca sua mão livre sobre a minha antes de levantá-la, fazendo menção de tocar meu rosto. Eu permaneço imóvel, ansiando pelo toque, mas na última hora ele deixa sua mão cair e se afasta.
"Tudo bem, então, Isabella", ele está de costas, olhando o jardim da casa pela janela. "Era só isso. Obrigado".
Decepcionada, eu me forço a sair, carregando a bandeja.
Por que você me afasta, Edward? Algumas ações dele me fazem crer que ele também me quer, mas eu não sei ao certo. Ele é mestre me confundir!
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E aí?
Esses dois são tão confusos...rsrs.
Eu estou amando os comentários de vocês e fico muito feliz que estejam gostando dessa história. Ler que um novo capítulo faz o dia de alguém e que vocês não podem esperar pra ler mais, isso me deixa radiante :)
Muito obrigada!
Próximo capítulo no domingo ou segunda! ;)
Bjos e até mais.
T. Darcy
