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Título: O recluso
Sumário: Bella, uma recém-formada da Universidade de Washington, se vê sozinha e desorientada ao sair da faculdade e perder seu pai. Uma oportunidade surge para trabalhar como governanta na casa de um misterioso homem em Port Angeles.
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Recluso:
Pessoa que espontaneamente se isolou do convívio social.
(Dicionário UOL)
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Capítulo 9
Maio de 2016
BPOV
"Oh, Edward. Eu preciso...por favor", eu imploro e ouço sua risada enquanto ele continua a me provocar. Ele acaricia o interior das minhas coxas, mas não aonde eu mais preciso de suas mãos.
"O que você quer, Bella?", ele coloca beijinhos em minha pele, me enlouquecendo. Eu mexo meu quadril, entre gemidos altos, querendo sua boca mais pra cima.
Ele se afasta, elevando seu corpo e eu tenho seus lábios nos meus mais uma vez. A língua dele faz maravilhas e me excita absurdamente. Eu aprecio seu gosto enquanto apalpo seu corpo duro. Sem ar, ele deixa minha boca, mas a sua permanece agradando minha pele, dando atenção ao meu pescoço, seios, barriga e continua descendo.
Ele se aproxima e roça seu nariz em minha boceta úmida, provocando um choque de prazer.
"Ohhh".
Bip. Bip. Bip.
Bip. Bip. Bip.
Eu acordo subitamente. Logo que abro os olhos percebo onde estou. No meu quarto. Na minha cama.
Argh! Irritada, desligo o aparelho barulhento.
Eu quero voltar pra onde estava. No quarto de Edward, na cama dele. Em seus braços.
Sua boca entre minhas pernas.
Huumm.
Eu me sinto ainda mais úmida lá...
Eu tento não pirar por estar tendo sonhos eróticos com meu patrão. Isso vem acontecendo há algumas semanas e eles são cada vez mais intensos.
Por mais que eu queira me entregar ao sono de novo, na esperança de continuar o sonho, eu levanto da cama. Verifico o relógio e vejo que já passa das nove da manhã.
Hoje é dia do churrasco na casa dos Cullen. Esme decidiu aproveitar o tempo mais quente desses dias – o que não é tão comum em nossa região – e fazer algo ao ar livre.
Eu estava preocupada com o que vestir e, ontem, Edward me tranquilizou e disse para ir informal e confortável, pois seria um churrasco para pessoas mais próxmias. Eu insisti em ir com meu próprio carro, pois ele pode querer passar a noite lá, mas ele não permitiu. Ele faz questão de irmos juntos. Internamente, eu fico radiante por passar mais tempo com ele.
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Quando Edward estaciona seu carro na garagem dos Cullen, estou boquiaberta. Se eu já achava a casa dele era grande, essa aqui é...eu nem tenho palavras. É uma mansão, de verdade. Eu começo a me sentir oprimida.
Meu lugar não é aqui. Essas pessoas...
"Bella"?, a voz dele me desperta. "Tudo bem?"
Eu aceno, mas não acho que ele se convence.
"Ei", ele coloca os dedos em meu queixo e levanta meu rosto pra ele. "Está tudo bem se você está um pouco nervosa, mas não precisa. Minha mãe e irmã já te adoram", ele ri ligeiramente e eu me vejo fazendo o mesmo. "E todos aqui vão gostar de você. E se é sua roupa ou outra dessas preocupações de mulher que te aflige", ele finge uma careta, me fazendo rir, "mais uma vez, não precisa. Você está...linda".
"Obrigada", eu respondo suavemente. Se ele queria me acalmar, missão cumprida!
Estou usando um vestido branco e azul, sem mangas, que bate acima dos joelhos. Eu estava esperando que ele gostasse...
"Vamos?", ele pede e eu concordo.
Nós saímos do carro e ele me guia pelo espaço externo. A casa em si parece muito grande e a área externa é maior ainda. Algumas pessoas o cumprimentam com um aceno pelo caminho, mas não paramos. Mais adiante, Alice nos vê e vem correndo em nossa direção.
"Bella! Você está linda!", ela grita, chamando a atenção de quem está próximo. Ela me abraça forte antes de se voltar para o irmão. "Edward, que bom que você veio! Vocês dois!", ela o abraça também.
Jasper logo chega e me abraça também. "Como vai, Isabella?"
"Bem, obrigada. E você pode me chamar de Bella".
"Claro. Bella", ele concorda sorrindo.
"Você já viu mãe e pai?", Alice pergunta.
"Ainda não, Alice. Nós acabamos de entrar pela porta", ele já começa a ficar sem paciência.
"Mamãe já perguntou por vocês umas mil vezes", ela diz. "Venha, Bella. Deixe esse meu irmão mal humorado aí", ela me puxa pela mão e me afasta de Edward.
Nós entramos na casa e ela comenta sobre toda a decoração, feita pela própria Esme. É tudo muito lindo e elegante. Encontramos os donos da casa em uma das salas.
"Olha quem está aqui, mãe", Alice me anuncia.
"Bella, que bom que você veio", Esme se aproxima e me abraça. "Sinta-se em casa, por favor".
"Obrigada Esme. Sua casa é linda. Alice me disse que você mesma decorou. Parabéns, é incrível".
"Obrigada, querida", ela agradece. "Agora venha conhecer meu marido".
Nesse momento, Edward nos encontra na sala.
"Mãe. Pai", ele se aproxima e beija a mãe. "Feliz aniversário, pai", ele abraça o homem loiro desajeitadamente e entrega o embrulho que trouxe de casa. Ele é tão bonito quanto Esme. Eles formam um casal muito bonito e ambos parecem ser muito mais jovens.
"Carlisle, esta é Bella", Esme nos apresenta. "E este belo homem, minha querida, é meu marido".
Dou um passo a frente e estendo a mão. "Olá, Sr. Cullen, é um prazer". Seus olhos me sondam avaliativamente. "Huh, feliz aniversário. Eu...eu não sei se você gosta, mas eu preparei algumas compotas de doce", eu estendo a cesta, me sentindo desconfortável sob seu olhar.
"Obrigado, Isabella", é só o que ele responde.
"Oh, querido, Bella é esplêndida na cozinha. Tenho certeza que tudo estará uma delícia", Esme elogia.
"Bella é incrível mesmo. Não sei como Edward ainda não engordou alguns quilos", ela o provoca.
Esme me apresenta para alguns de seus amigos que estavam na sala. Fui introduzida como amiga de Edward.
"Eu vou buscar uma bebida", Edward diz depois de alguns minutos na sala. "Você vem, Bella?"
"Sim", eu respondo aliviada, querendo fugir dos olhos inquisidores do Sr. Cullen. Eu acho que ele não gostou muito de mim. Ele parece...eu não sei ao certo. Desconfiado, talvez.
Edward coloca uma mão em minhas costas – que parecem queimar ao seu toque – e me encaminha para o quintal. Após cumprimentar algumas pessoas, ele pega duas cervejas e nós sentamos em uma das mesas próxima à piscina.
Bebemos em silencio por um tempo e eu aproveito para observá-lo. Ele está vestido casualmente. Uma bermuda bege e camisa social azul de maga curta. Ele não parece muito à vontade.
"Você não precisa ficar preso, me fazendo companhia", eu tento dizer de modo convincente. "Você pode...bem, pode ficar com seus familiares, amigos", eu dou de ombros.
Ele bufa. "Eu estou onde quero estar, Bella". Essa declaração faz meu coração acelerar. "É que eu não sou muito fã dessas reuniões, de ter que ficar jogando conversa fora sem sentido", ele encolhe os ombros, como se fosse uma falha dele.
Eu não gosto disso.
"Eu entendo. Meu pai era meio assim. Nem todo mundo aprecia lugares cheio de gente, festas e tudo mais. Não há problema nisso. Cada um é do jeito que é", eu falo. Aproximando-me mais dele, eu acrescento. "Eu confesso que também não sou muito fã desses lugares", eu sussurro e nós rimos.
Nas horas que se seguem, Edward permanece quase o tempo ao meu lado, exceto quando ele sai para buscar algum alimento ou bebida, ou quando Alice e Esme me sequestram para conhecer outras pessoas e receber um tour pela casa. Eu o vejo, em determinado momento, conversando com duas mulheres loiras, lindas. Não sei quem são, mas algo se torce dentro de mim ao vê-lo com elas.
Alguns familiares de Edward pararam por nossa mesa algumas vezes e nós conversamos. Edward parece gostar muito de uma tia em particular, Carmem. Ele olha pra ela quase com o mesmo carinho que olha pra sua mãe. Essa tia e seu marido, Eleazar, passaram muito tempo conosco. Eu gostei do simpático casal.
Alice me atormentou para ir à piscina com ela, mas eu consegui resistir a sua insistência. Além de não estar com um biquíni, eu não me sinto à vontade em ficar seminua na frente desse monte de estranhos. Mas a tentativa dela foi válida por causa dos olhos arregalados de Edward com a sugestão.
Será que ele quer me ver em um biquíni? Humm.
Mesmo tendo piscina na casa dele, eu nunca entrei. Primeiro por causa do tempo mais frio que faz na cidade e, também, porque não me sinto a vontade pra isso ainda.
O suspiro ao meu lado me faz voltar à realidade. Olho pra Edward e percebo que ele já teve o suficiente. Já está escurecendo e sei que ele não vai passar a noite aqui, pois conversamos sobre isso antes.
"Edward, quando você quiser voltar, não se prenda por mim. Estou pronta pra ir quando você estiver", eu sugiro nossa fuga.
"Hum, acho que podemos ir, então", ele confirma minha suspeita, parecendo aliviado com a sugestão.
"Eu apenas preciso ir ao toalete".
"Claro. Eu entro em casa com você. Quero buscar algo no meu quarto", ele diz.
Quando entramos na casa, os banheiros do primeiro andar estão ocupados, então Edward sugere que eu utilize o do piso superior. Ele aponta para a porta onde devo seguir e entra numa porta mais pra frente no corredor.
Eu me olho no espelho e vejo minha pele levemente rosada. O sol de hoje, mesmo que meio fraquinho, foi suficiente. Lavo e enxugo as mãos antes de sair. Não há ninguém no corredor. Eu decido esperar por Edward aqui.
Eu começo a ouvir vozes alteradas, que ficam cada vez mais altas.
"Eu não sei por que você insiste em trazer Victoria toda vez que discutimos". Eu reconheço a voz de Edward.
"Eu só não quero que a história se repita, meu filho". É o pai dele, eu percebo. Seu tom é mais ameno que o do filho, mas ainda firme.
Eu me sinto mal por ficar aqui escutando e decido esperar por Edward no andar inferior, mas quando dou os primeiros passos, eu travo.
"Não ouse comparar Bella com aquela mulher! Ela não é nada como Victoria", a voz de Edward fica ainda mais alta.
Quem é Victoria?
E por que o pai dele me compara a ela?
Estou paralisada no meio do corredor.
"Edward", o pai dele suspira, parecendo frustrado. "Eu amo você, meu filho, e eu não quero que você se machuque", ele diz mais carinhosamente. "Você não conhece essa moça e ela já está morando na sua casa. Você a trata...e sua mãe incentiva isso". Ele faz uma pausa. "O que uma moça com a educação e idade dela está fazendo um trabalho como esse? Você não pode confiar-", seu filho o interrompe.
"Pare!", Edward esbraveja.
Eu estou boquiaberta com as insinuações do Sr. Cullen. E magoada.
"Você diz que eu não a conheço, mas é você quem a esta julgando e conheceu Bella apenas há poucas horas atrás", Edward defende. "Você nem mesmo tomou cinco minutos pra conversar com ela. Conversar de verdade! Nós chegamos e você já estava com a opinião formada, não importa o quanto Alice e mãe gostam dela. Então não me venha dar um sermão. Eu sou um homem adulto, dono da minha própria vida e você não precisa ficar me lembrando o quanto minhas escolhas te decepcionam, o quanto eu te decepciono. Eu já sei disso", ele termina, resignado.
Eu ouço uma ingestão ar atrás de mim e me viro assustada.
Esme.
Ela parece atordoada, olhando entre a porta e o local onde estou.
Não sei o quanto ela escutou. Me sinto mal por estar ouvida a conversa deles e ela me flagrar aqui parada...
"Bella?!"
Eu me viro e vejo Edward saindo da porta com a expressão mais sombria do que eu já vi antes. Ele parece...derrotado.
O Sr. Cullen o segue pela porta e seus olhos se arregalam ao me ver ali. Eu quero dizer um monte de coisas pra ele, mas me seguro. Ele não pode tratar seu filho desse jeito!
Ficamos em um silêncio muito desconfortável e eu me vejo obrigada a sair dali.
"Huh, eu vou...", eu aponto para a escada e começo a andar. Esme segura meu braço, impedindo minha fuga.
"Bella", Esme força um sorriso, "por que você e Edward não conversam um pouco no quarto?! Eu preciso ter uma palavrinha com meu marido", ela olha friamente para o Sr. Cullen.
"Nós estamos indo embora, mãe", Edward afirma.
"Você não vai dirigir nesse estado, meu filho. Você vai sentar e se acalmar um pouco. E não se atreva a sair dessa casa sem se despedir de mim", ela fala com firmeza, mas com carinhosamente.
Sem esperar por uma resposta, ela anda até o marido e o arrasta para longe, me deixando no corredor com seu filho. Eu confesso que não sei o que fazer. Quero ir até Edward e confortá-lo, mas não sei como seria recebida.
"Vem", ele aponta para o quarto, "é melhor não desobedecer a dona Esme", ele suspira. Eu o sigo e nós entramos em seu antigo quarto. Ele fecha a porta e eu tomo meu tempo olhando ao redor.
Eu sorrio, observando alguns itens típicos de adolescente e outros que sugerem a presença de um homem. É um amplo quarto, com uma grande cama de casal no meio, tudo perfeitamente decorado, assim como o resto da casa. Eu consigo perceber um toque de Esme e a presença de Edward aqui.
Eu volto minha atenção para ele, que está me olhando, ainda parado perto da porta.
"Edward, eu...eu sinto muito que minha presença aqui tenha provocado um desentendimento com seu pai. Eu não deveria ter vindo, eu...", eu não sei mais o que dizer.
Ele se aproxima e, suavemente, coloca o dedo indicador sobre meus lábios. "Shiii".
Eu quase engasgo com o toque.
"Eu sinto muito pelo que você ouviu. Meu pai, ele...não é você. Nós temos algumas questões...o problema dele é comigo". Ele deixa sua mão cair. "Ele nunca...eu nunca fui bom o suficiente. Eu...". Ele parece tão perdido agora, e meu coração dói por ele.
"Ei. Não diga isso. Nunca mais diga isso", eu digo com emoção, tocando seu rosto.
O que ele faz a seguir, me pega desprevenida.
Ele leva as mãos à minha cintura, me puxando em sua direção. Ele abaixa o rosto e o enterra em meu pescoço, enquanto me abraça apertado.
"Bella". Eu o escuto murmurar contra minha pele.
Meu corpo inteiro se arrepia com o contato. Nossos corpos estão grudados, sua respiração no meu pescoço...eu sinto meu corpo incendiar. O cheiro dele é incrível.
Eu o quero tanto!
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Olá.
Como prometi, outro capítulo hoje.
Parece haver uma história entre Edward e seu pai adotivo...Tão desconfiado esse Carlisle!
Adoro ficar lendo os comentários de vocês :D
Próximo capítulo deve ser postado quinta ou sexta-feira.
Boa semana pra todos!
Beijos,
T. Darcy
