Título: O recluso

Sumário: Bella, uma recém-formada da Universidade de Washington, se vê sozinha e desorientada ao sair da faculdade e perder seu pai. Uma oportunidade surge para trabalhar como governanta na casa de um misterioso homem em Port Angeles.

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Recluso:

Pessoa que espontaneamente se isolou do convívio social.

(Dicionário UOL)

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Capítulo 11

Maio de 2016

BPOV

Na manhã seguinte, quando eu desço para iniciar meus afazeres, a ansiedade toma conta de mim. Eu quero ver Edward, mas tenho medo de que ele tenha se arrependido de ontem. E se ele disser que foi um erro?

Eu quase não dormi essa noite, repassando possíveis cenários para nosso próximo encontro. Eu revivi os breves momentos em que senti sua boca na minha, seu corpo junto ao meu. Sentir aquelas grandes mãos me acariciando.

Argh! Eu espanto as lembranças. Ou terei que subir e mudar a calcinha.

Começo a preparar o café da manhã e escuto Edward falando ao telefone enquanto entra na cozinha.

"O seu técnico não consegue resolver?", ele pergunta ao telefone, mas seus olhos percorrem meu corpo.

Eu continuo preparando a refeição, espiando Edward de vez em quando. Ele já está vestido para o dia de trabalho. Ouço seu suspiro exasperado ao escutar seja lá o que a pessoa do outro lado da linha está dizendo.

"Tudo bem. Eu estarei aí em duas horas", ele responde e desliga.

"Bom dia", eu falo.

"Bom dia, Bella", ele responde e se senta à mesa onde normalmente toma o café da manhã. Eu o sirvo rapidamente, sabendo que ele tem compromisso. Ele começa a comer.

"Você está com pressa esta manhã?", eu pergunto, mesmo já sabendo a resposta, pois o silêncio dele me angustia.

"Sim. Um problema com um dos meus clientes em Seattle. Eu tenho que ir pra lá agora".

"Oh".

Eu volto para o balcão, querendo me manter ocupada. Sirvo meu próprio prato, mas não sinto a mínima vontade de comer. Eu fico remexendo o alimento até que Edward termina de comer. Ele se aproxima.

"Bella", eu encontro seu olhar "Eu sei que prometi uma conversa hoje, mas eu realmente preciso ir à Seattle. Estarei de volta ainda hoje, mesmo que seja tarde". Sua voz é gentil.

Eu aceno e nós nos encaramos. Seus olhos descem para minha boca e eu acho que ele vai me beijar. Ele se aproxima, mas na última hora, beija minha testa.

"Até mais tarde", ele diz e vai embora.

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Sonho acordada com o Edward o dia todo. Preencho as horas com tarefas de casa, ligo para Rose e Ang. Converso com Alice, Também. Ela me ligou para saber se estou muito chateada por causa do que aconteceu com o Sr. Cullen. Assim como fiz com Esme, eu fui sincera com Alice. É claro que eu não gosto de ser taxada como uma oportunista ou coisa pior, mas o que mais me chateou foi ver Edward magoado.

Ela me pediu para não ficar com raiva de seu pai e depois mudou de assunto. Disse que ainda essa semana virá me sequestrar para irmos às compras. Eu tentei recusar, já que não é meu programa favorito, mas ela é impossível!

Depois de me despedir dela, eu nadei um pouco, pela primeira vez na piscina da casa. Aproveitei o solzinho que apareceu. Fiquei lembrando das poucas vezes em que vi Edward aqui. Eu o espiei algumas vezes da janela do meu quarto. Fico imaginando aquele corpo sarado em uma sunga. Huumm.

Mais tarde, eu me preparo para iniciar o jantar quando recebo uma mensagem dele, informando já jantou com sua mãe, mas logo estará em casa, trazendo sobremesa. Eu sorrio com a perspectiva de vê-lo em breve. Mesmo poucas horas longe dele me fazem sentir saudade. Eu faço um lanche rápido na cozinha, desistindo de fazer algo mais elaborado e subo para tomar banho.

Eu tomo cuidado extra com minha aparência hoje. Depois de um longo banho, eu opto por usar um dos meus vestidos mais novos. Comprei pouco antes de voltar à Forks, quando saí com Rose. É bem causal, verde, de alças finas. Ideal para o clima não muito frio, como hoje.

Eu desço e decido ler um livro na biblioteca enquanto espero Edward. Demoro um pouco para me concentrar, mas me perco no enredo da obra. A noite mal dormida começa a cobrar seu preço e eu me encontro bocejando a cada cinco minutos.

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Maio de 2016

Edward POV

Eu piso no acelerador, querendo chegar logo em casa. O problema com o sistema da empresa do Sr. Winston veio no pior dia possível. Se eu pudesse, eu não teria ido pra Seattle hoje, mas iria acarretar um prejuízo muito grande para meu cliente.

Eu tinha planos de conversar abertamente com Bella hoje cedo. Bem, não sei se conseguiria contar tudo, mas pelo menos um pouco.

Bella.

Só de pensar nela eu me vejo querendo sorrir. O que não acontecia há tanto tempo. Eu nem me lembro mais de um época em que me senti desse jeito. Eu vivi por muitos anos em um mundo sem cor, sem grandes emoções, sem me permitir sentir...nada. Era mais seguro. Mas Bella entrou em minha vida como furacão e eu me sinto a ponto de enlouquecer. É desejo, mas não sei se é apenas isso. É difícil explicar quando eu nem entendo exatamente as sensações que estou experimentando.

Ao menos um deles eu sei o que é. Desejo. Luxúria.

Eu senti desde o primeiro momento em que coloquei meus olhos nela. Ela não era o que eu esperava quando a Sra. Cope me disse que havia encontrado a candidata ideal. Eu deveria ter desconfiado mais quando a senhora mais velha foi misteriosa sobre a pessoa e não me deu muita informação. Eu havia sido muito claro em minhas preferências. Uma mulher na faixa dos quarenta anos, casada ou solteira, mas sem filhos. E que já tivesse experiência como governanta ou secretária pessoal.

Naquele dia fatídico, entrei no meu escritório e foi um choque ver aquela garota ali. Nada do que eu esperava, mas algo sobre ela me fascinou imediatamente. Eu fiquei sem fala por alguns momentos e só podia olhar pra ela, apreciando sua beleza despretensiosa. Ela não é nada como a maioria das mulheres de hoje, que vivem em busca de uma beleza artificial, maquiadas à perfeição, cheias de plástica e que não podem ter um fio de cabelo fora do lugar. Totalmente superficiais, tudo nelas soa falso, por dentro e por fora.

Mas não Isabella. Bem ali, ela já me pareceu ser diferente e essa concepção se solidificou ao longo desses quase três meses nos quais ela trabalha pra mim.

Ela trabalha pra mim.

Esse é só mais um empecilho. Existem tantos pontos contra o meu envolvimento com ela. Há muito tempo eu jurei que nunca mais iria cair nas garras de outra mulher, mas aqui estou, cogitando a possibilidade de me envolver com Bella.

Eu não sei o que ela quer de mim e não vejo o que eu poderia oferecer para que ela me queira. Eu sou mais velho. Muito mais velho do que ela. O que diabos ela iria querer comigo? Nós estamos em momentos tão diferentes da vida e ela tem a vida toda pela frente pra se divertir até que encontre alguém. Ela deve se envolver com alguém da idade dela, para construírem suas vidas juntos.

Eu aperto o volante com esse pensamento. Mesmo sabendo que isso é o que ela merece, eu não gosto de imaginá-la com outro homem.

Eu quero ser o único a tocá-la, a oferecer prazer, a estar dentro dela.

Porra! Imagens da noite de ontem ficaram na minha cabeça o dia todo. A forma como sua pele suave se sentiu em minhas mãos. O gosto delicioso dos seus lábios. Quando eu senti sua boceta contra minha ereção, eu quase perdi o controle...eu estava a ponto de arrancar aquele pijama indecente e me enfiar dentro dela. Mas eu não quero que nenhum de nós se arrependa. Por isso é que devemos conversar antes. Eu não posso me precipitar e acabar magoando-a ou deixando o clima estranho entre nós, já que ela trabalha pra mim e moramos sob o mesmo teto.

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Entro em casa carregando a sobremesa comprei em Seattle: a melhor torta de frutas vermelhas da cidade. É magnifica. Tão deliciosa quanto as sobremesas que Isabella faz. Hoje eu quis agradá-la, como ela faz pra mim todos os dias.

Deixo a torta na geladeira e ainda não vi Bella. Achei que ela estaria me esperando. Procuro pelos outros cômodos e a encontro na biblioteca. Cochilando com um livro no colo.

Parece um anjo.

Silenciosamente eu adentro o ambiente e aprecio a visão na minha frente. O vestido que ela usa está enrolado na parte superior das coxas, expondo suas pernas bem torneadas. Eu espreito cada centímetro de pele exposta. Os seios são do tamanho ideal, nem tão grande e nem tão pequeno. E, com certeza, são naturais. Sua face é ao mesmo tempo angelical e sedutora. Aqueles lábios carnudos me tentam desde o primeiro dia, especialmente quando ela prende entre os dentes.

Eu fecho minhas mãos em punho para me impedir de tocá-la agora. Eu preciso sair daqui antes de fazer algo que não devo!

Eu saio de lá e vou para meu quarto. Preciso de um banho depois de passar o dia todo na rua. E, então, vou descer e finalmente ter a bendita conversa com Isabella.

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Bella POV

"Bella".

Eu escuto ao longe. Algo resvala em meu rosto e eu o viro, não querendo ser incomodada.

"Bella".

Abro os olhos e encontro esferas verdes me encarando atentamente. Ele está abaixado em frente o sofá.

"Ei", minha voz sai um pouco rouca pelo sono.

"Ei", ele diz com um pequeno sorriso. Eu amo quando ele sorri. "Eu não queria te acordar, mas você ficaria toda doendo se continuasse nessa posição".

"Tudo bem. Eu estava lendo e acabei pegando no sono", eu digo ao me sentar. "Obrigada por me acordar".

Eu o vejo fitando meu decote antes de se levantar.

"Eu pensei que nos poderíamos conversar esta noite". O tom de voz é mais sério. Ele parece peocupado.

"Claro. Quando você quiser", eu respondo ao me levantar, também.

Ele estende a mão, pegando a minha enquanto saímos da biblioteca. "Vamos para a sala, assim podemos comer a sobremesa que eu trouxe", ele sugere.

"Ótima ideia".

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A guloseima está sobre mesinha, ainda intocada, enquanto Edward luta para iniciar nossa conversa.

"Eu não sei por onde começar", ele confessa.

Estamos sentados lado a lado no sofá. Eu coloco a mão no seu braço, em apoio. "Comece do jeito que for mais fácil pra você. Parece ser um assunto difícil, então não se sinta pressionado. É no seu tempo", eu digo suavemente e ele acena agradecido.

"Bem, acho que eu quero começar pelo meu pai, pra me desculpar mais uma vez pelo que houve no fim de semana", ele suspira. "Eu sei que Carlisle gosta de mim, mas eu sempre senti que ele queria mais de mim. Ele sempre quis ter um filho homem, mas Esme teve problemas e eles só tiveram Alice. Quando eles me adotaram, acho que ele viu a oportunidade de ter o tão esperado filho, mas eu nunca fui a criança que ele queria. Eu sempre fui tímido, quieto e não consigo me relacionar facilmente com as pessoas".

Ele faz uma pausa e eu espero em silêncio.

"Ele queria um companheiro pra ir ao estádio com ele, mas eu nunca gostei. Ele imaginava que eu seguiria seus passos na medicina e eu...eu tentei, eu comecei o curso, mas nunca foi o que eu queria. Eu estava infeliz e abandonei. Carlisle não ficou feliz com isso e nós tivemos uma briga séria na época. Acho que nunca mais fomos os mesmo desde então", ele dá de ombros.

Eu seguro seu braço mais uma vez, em apoio, e a mantenho ali.

"Enfim, tudo piorou porque...", ela faz outra pausa e sua expressão fica ainda mais angustiada. "Eu conheci alguém logo que mudei de curso. Victoria. Ela era...eu não era como sou hoje, fisicamente. Usava óculos, era mais magro...e era um tolo. Eu a conheci por meio de Garrett e ela mostrou interesse em mim, o que me pegou de surpresa e me deixou em êxtase. Ela era exuberante, cheia de vida, alegre", ele fala com a voz plana, sem emoção.

Eu sinto que não vou gostar do que ele vai contar, mas me mantenho firme, acarinhando seu braço.

"Eu não preciso entrar em detalhes, mas a questão é que começamos a namorar e minha família nunca gostou muito dela. Meu pai em especial. Ele dizia que ela não era a garota pra mim e que só estava interessada no meu dinheiro e no status da família Cullen. Nós brigamos muito naquela época. Minha mãe e Alice eram mais amenas em sua desaprovação quanto a Victoria".

Ele fica em silêncio por um tempo.

"Edward, se você não quiser continuar, tudo bem. Podemos conversar outra hora", eu sugiro.

"Não, eu...Victoria e eu ficamos juntos por mais de 3 anos. Eu era feliz, Eu achava que era feliz. Embora ela me empurrava pra fazer os programas que ela queria e eu não gostava muito, eu ficava contente em vê-la feliz. Ela dizia que eu deveria me soltar mais, ela...mas depois de algum tempo, ela mudou. Ou eu percebi como ela era, eu não sei. Nós ficávamos menos tempo juntos. Intimamente. Ela só queria viajar e não ligava pra faculdade. Mesmo que nossa relação não estivesse muito bem, ela me pressionava pra morar comigo e até querendo ficar noiva. Então, eu descobri que ela me traia. Dos três anos que estivemos juntos, ela estava com James por quase dois".

"Oh, Edward", eu segura sua mão na minha. Ele está encarando o chão. Envergonhado, eu suponho. "Eu sinto muito. Eu...".

Ele aperta meus dedos em reconhecimento.

"Pra resumir, eu fiquei arrasado e meu pai fez questão de jogar na minha cara que ele sempre soube que algo assim aconteceria. Você vê, Victoria confessou que ela só estava comigo pelo dinheiro e...depois, ela tinha bolado um plano com James. Tirar o máximo de proveito do dinheiro do idiota aqui".

"Eu sinto muito que você passou por algo assim. Ninguém merece isso e muito menos você", eu sussurro, com lágrimas nos olhos, e acaricio seu rosto. Ele permite meu toque, mas ainda não me encara.

"Era disso que meu pai falava aquele dia. Eu sinto muito que ele teve a coragem de te comparar...Deus, você não é nada como ela", ele me olha agora.

Eu aceno.

"Nunca, Edward. Eu nunca te magoaria assim. E eu juro, eu não tenho nenhum interesse no seu dinheiro, eu nunca quis nada-", ele me corta.

"Eu sei, Bella. E meu pai não tinha o direito de te julgar. Eu sinto muito".

"Você não tem que se desculpar por ele", eu asseguro.

Ele acena. "Eu...eu acho que devemos conversar mais. Eu gostaria de te contar sobre meus pais biológicos e...mas não agora. Tudo bem?"

"No seu tempo, Edward. Como eu disse antes", eu sorrio, tentando aliviar o clima. "Que tal a gente comer essa torta. Parece uma delícia", eu me levanto e começo a nos servir.

Nós assistimos TV enquanto comemos e evitamos falar sobre qualquer assunto delicado. Eu entendo que seja difícil pra ele falar sobre seu passado. O pouco que ele me contou hoje já me ajuda a entender porque ele gosta de manter distância das pessoas. Acredito que ainda tenha mais em seu passado. Alice já deu a entender que a vida dele antes da adoção não foi fácil. Eu tenho que ter paciência, ele vai me contar quando estiver confortável.

Mais tarde naquela noite, quando nos retiramos para o quarto, ele beija o canto da minha boca e me agradece por tê-lo escutado. É uma noite muito diferente da anterior, quando nos beijamos intensamente na cozinha, mas eu não fico desapontada. Sinto-me ainda mais próxima dele hoje. Eu começo a conhecer este homem intrigante que ganha cada vez mais espaço na minha mente e no meu coração.

-R-R-R-

Oi pessoal.

Desculpem a demora. Eu pretendia postar o capítulo no início do dia, mas tive uns imprevistos e só cheguei em casa à noite.

Gostaram de ter um vislumbre da mente de Edward?

Querem mais?

Enfim, ele começou a se abrir pra Bella :)

Próximo capítulo deve ser postado na segunda ou terça-feira.

Bjos e obrigada pelos comentários :D

Até mais,

T. Darcy