Título: O recluso

Sumário: Bella, uma recém-formada da Universidade de Washington, se vê sozinha e desorientada ao sair da faculdade e perder seu pai. Uma oportunidade surge para trabalhar como governanta na casa de um misterioso homem em Port Angeles.

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Recluso:

Pessoa que espontaneamente se isolou do convívio social.

(Dicionário UOL)

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Capítulo 15

Junho de 2016

Edward POV

"Mas Edward, a família dele é amiga dos nossos pais. Eu nem acho que eles vão aparecer, mas será chato se a gente não convidá-los", Alice argumenta sobre convidar Garret e seus pais para a festa de aniversário que ela está preparando pra mim.

Eu não sei por que eu acabei concordando com isso! Bom, na verdade, eu sei. Minha irmã danada sabia que eu diria sim à Bella.

"Tudo bem, Alice. Faça o que você quiser", eu respondo, já aborrecido.

"Não precisa ficar mal humorado, irmão. Eu prometo que não será muita gente. São apenas nossos familiares e amigos mais próximos", ela garante. Seus amigos e da mamãe, eu penso. Eles não são importantes pra mim e nem eu pra eles.

Eu bufo em resposta.

"E Bella, como está?", ela muda de assunto. "Eu não a vejo desde o jantar aí, na semana passada".

"Ela está bem, Alice. Foi ao centro da cidade hoje cedo".

"Hum, eu vou ligar pra ela mais tarde, quero marcar a noite das meninas, com ela e Rose", ela diz animada.

"Alice, eu tenho que trabalhar. Nos falamos depois".

Ela suspira. "Tudo bem, Edward. Ah, só mais uma coisinha: que tal você passar a noite aqui em casa quando eu sair com as meninas. Aí você faz companhia para o Jasper".

"Pode ser. Vamos ver depois", eu respondo vagamente.

"Tá bom. Eu te amo, irmão".

"Eu, também, Alice".

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É quase hora do almoço e Bella ainda não voltou. Ela disse que depois que fizesse as compras pra casa, iria ao banco. Deve ser isso que a faz demorar.

Mesmo poucas horas longe dela e eu já sinto sua falta. Nós temos dormido juntos em meu quarto quase todos os dias desde que fizemos sexo pela primeira vez. Eu tenho dormido muito melhor do que antes. E sempre tive dificuldade para cair no sono e muito cedo já estou de pé, mas ultimamente eu perdi a hora de levantar várias vezes. Eu gosto de dormir abraçado com ela, de sentir seu perfume suave.

Nesse pouco tempo em que estamos íntimos, tudo está muito bem entre nós. Não há nenhum desconforto ou situações estranhas que atrapalham as tarefas dela como minha assistente. Eu tive receio que isso acontecesse. Provavelmente ainda vai acontecer. A questão é que nós ainda não conversamos sobre o que está acontecendo conosco. Uma hora ou outra teremos que falar sobre isso. Eu não sou ingênuo de pensar que tudo continuará as mil maravilhas.

Eu gosto dela e me preocupo com ela, mas não é nada que eu já senti antes. É diferente do senti por Victoria ou qualquer outra mulher com quem já estive.

O sexo com ela também é incrível. Ela me enlouquece de desejo. Em nossa primeira vez, eu receio que fui um pouco áspero com ela. Não a ponto de machucá-la, mas não sei se ela gosta de sexo assim. Ela garantiu que foi bom pra ela. Nas outras vezes, eu tinha toda a intenção de ser mais suave, mas é estar perto dela que eu perco o controle completamente. Meu corpo clama pelo dela.

Mas não é somente físico. Eu a admiro pela sua lealdade, inteligência, caráter e bondade. E, além disso, ela mantém seu coração puro, apesar de todos os obstáculos e decepções que já passou.

Isso é algo que eu não consegui manter.

Parte de mim ainda acha que é melhor me afastar dela, que ela merece alguém melhor, alguém que não corrompê-la com tanta amargura. Eu não quero que ela perca a pureza de seu coração estando comigo.

O toque do telefone de casa me desperta dos meus pensamentos.

"Sim?".

"Olá. Eu poderia falar com a Senhorita Swan?", a voz é de uma mulher.

"Ela não está no momento. Você pode deixar um recado que eu falo com ela assim que ela retornar".

"Sim, por favor. Com quem eu falo?", a mulher pergunta.

"Edward Masen".

"Eu sou Maggie Smith. Peço que diga a Srta. Swan que, conforme nós conversamos antes, há uma vaga de professora na Port Angeles School District. Ela já deixou a cópia dos documentos que eu preciso, mas eu gostaria de marcar uma reunião o mais breve possível. O senhor pode pedir que ela retorne a ligação?", a mulher pede.

Ela vai trabalhar nesse colégio?

Ela está saindo daqui?

"Sr. Masen?"

"Sim?", eu respondo automaticamente, mas com a mente ainda nublada.

"O senhor pode passar o recado?", ela pede mais uma vez.

Eu anoto o telefone e o nome da mulher e do colégio antes de desligar. A minha mente é bombardeada por pensamentos sombrios.

Bella quer outro emprego.

Bella estava brincando com você esse tempo todo.

Ela estava procurando emprego o tempo todo.

Ela conseguiu essa vaga e não te contou nada.

Ela te enganou, como Victoria fez!

Ela não sente nada demais por você! Ela percebeu que merece mais...

Você vai ficar sozinho de novo! Vivendo sem nenhuma alegria, sem nada que te faça querer acordar pela manhã, que te faça sorrir...

Não!

Ela não faria isso! Faria?

Ela parecia gostar de estar comigo.

Mas a mulher ao telefone disse que já tinha falado com Bella...

Eu não sei o que pensar!

Você achou que seria pra sempre? Idiota! É claro que ela iria se cansar logo e buscar seu futuro em outro lugar. No emprego que ela merece. Com alguém melhor.

Eu tenho que me acalmar e conversar com ela, sem me precipitar. Isso! Acalme-se, Edward! Eu vou para meu escritório e me tranco por lá, tentando organizar meus pensamentos.

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BPOV

Chego em casa mais tarde do que eu previa inicialmente. Já passam das duas da tarde. Depois de fazer as compras pra casa eu fui em busca do presente de aniversário de Edward. Eu disse a ele que tinha algo para resolver no banco, não querendo que ele estranhasse a minha possível demora.

Demorou, mas consegui encontrar o que queria. Espero que ele goste, eu penso com um sorriso no rosto.

Guardo as compras na cozinha e subo para me refrescar e mudar de roupa antes de preparar o almoço. Quando volto pra sala decido verificar com Edward se ele já comeu. Ando até o escritório e bato na porta, tentando abrir em seguida.

Está trancada. Estranho. Geralmente ele não tranca com chave.

"Edward", eu chamo alto. "Você está aí?"

Não há nenhuma resposta.

Eu bato de novo e espero.

Será que ele trancou por fora? Mas ele não está em nenhum outro lugar da casa. Será que saiu?

Finalmente eu ouço um ruído da cadeira arrastando. Momentos depois a porta se abre e o que vejo me deixa alarmada. Sua expressão é tão séria e assombrada como quando eu o conheci. Até mais, na verdade. Algo deve ter acontecido. Algo ruim.

Ele me deixa entrar e nós nos encaramos por instantes. Eu dou um passo pra frente, me aproximando e ele recua, quase encostando em sua mesa. Eu vou até ele e toco seu braço. O sinto endurecer o corpo inteiro.

"O que houve, Edward?", eu pergunto preocupada.

Ele respira fundo e fecha os olhos. Eu não entendo.

"Edward", eu chamo suavemente. Ele abre os olhos e me encara.

"Tem um recado pra você", a voz dele está diferente, sem emoção, sem o carinho com o qual eu estava me acostumando.

Ele se volta para a mesa e pega um papel, me entregando em seguida. Eu leio rapidamente. É de Maggie Smith, da Port Angeles School District. Elaligou sobre a vaga de professora e há um telefone de contato. É uma escola para a qual eu mandei meu currículo meses atrás. Um sorriso surge em meu rosto. Só depois que eu paro de procurar, uma oportunidade aparece.

"Oh, é de um colégio que eu mandei meu currículo", eu falo e olho pra Edward de novo, percebendo seu olhar ainda mais sombrio. Meu sorriso se esvai.

"Edward?". Eu começo a ficar realmente preocupada. Ele está chateado comigo? Por causa dessa ligação?

"Eu sei. A mulher disse que vocês já conversaram", ele fala em tom ríspido.

Eu fico sem entender. Eu falei com ela? Eu acho que não. Abro e fecho a boca, sem saber como continuar essa conversa.

"Você deveria ter a decência de ao menos me informar sobre esse emprego. Ou você simplesmente iria embora sem me avisar previamente? Afinal, ser minha assistente era temporário, certo?"

Eu não entendo a agressividade na sua voz. Ele não está berrando, mas o tom de voz é alto e ele está bravo.

"Edward, eu não sei o que você está pensando, mas eu não gosto da forma como você está falando comigo", eu tento me impor.

"Você não gosta?", ele se agita, mexendo os braços. "E como você acha que eu me sinto sabendo que você me enganou, que você escondeu isso de mim? O que mais está escondendo?"

"Eu te enganei?", eu começo a ficar agitada, também. Sinto as lágrimas querendo sair. "De onde você tirou isso? Pelo amor Deus, Edward, eu não estou entendendo".

"Por que você não me disse que iria começar a trabalhar nesse colégio?", ele pergunta, visivelmente tentando se acalmar.

"Eu não sei se vou trabalhar lá. Você acabou de me dar esse papel", eu agito o recado.

"Ela disse que vocês já conversaram e inclusive que você já levou alguns documentos lá. Então não se faça de boba porque eu não sou estúpido".

Eu tento entender a situação. Do que ele está falando? Eu procuro na minha memória algo que faça sentido para o que ele está dizendo. Eu tento lembrar as escolas para as quais mandei currículo e se falei com alguém nelas.

Em duas eu recebi um retorno após ir pessoalmente com meu currículo e alguns documentos de identificação e comprovação da minha experiência e cursos. Mas isso foi antes de vir trabalhar aqui. Só pode ser uma delas.

Enquanto penso, eu começo a ficar mais chateada. Eu não sei o que a mulher disse para Edward, mas é tão errado ele me acusar antes de me ouvir. Ele me acusou de enganá-lo. Eu nunca faria isso. Como ele pode pensar isso?!

Sem falar com ele, eu tiro meu telefone do bolso e disco para o número anotado no papel, colocando a chamada em viva-voz.

Após três toques, alguém atende.

"Port Angeles District, boa tarde".

"Boa tarde", eu me esforço para manter a voz firme e não chorar. "Eu gostaria de falar com Maggie Smith", eu leio o nome que Edward escrever no bilhete. "Meu nome é Isabella Swan. A Sra. Smith me pediu para retornar sua ligação de mais cedo".

"Um momento, por favor", a moça que atendeu responde.

Levanto os olhos e vejo Edward me encarando com a testa franzida.

Pouco depois, outra voz eco do aparelho. "Olá, Srta. Swan. Eu sou Maggie Smith".

"Olá, Sra. Smith".

"Me chame de Maggie, por favor. E obrigada por me ligar de volta. É sobre o posição de professora de Literatura para a qual você se candidatou. A professora que assumiu no início do ano está de licença e nós precisamos substituí-la. Eu gostaria de marcar um encontro, caso você ainda tenha interesse".

"Claro, eu gostaria", eu encaro Edward ao responder. "Mas eu tenho uma dúvida. Eu deixei meu currículo com vocês no início do ano, certo? É que me candidatei em várias escolas e falei com alguns diretores pessoalmente. Nós já conversamos alguma vez antes?", eu sondo.

"Claro, eu entendo. Você esteve aqui na escola, em fevereiro. Foi quando nós conversamos e você deixou seu currículo, preencheu alguns documentos. Mas a vaga ficou com a Sra. Hilton. Ela é quem está doente e ontem me comunicou que ficará ausente até o fim do ano. Nós gostamos de você e como ficou em segundo lugar naquele processo seletivo, estou oferecendo a vaga. Será que podemos encontrar amanhã, quinta, às 10 horas?", ela diz gentilmente.

Eu vejo a expressão de Edward mudar. Agora você vê a merda que fez ao me acusar de mentirosa!

"Bella", seus lábios se movem, formando meu nome, mas sem sair nenhum som.

"Obrigada, Maggie. Amanhã está ótimo. Até lá".

Eu desligo e por mais que eu queira fugir para o quarto e chorar no meu travesseiro, eu preciso dizer algumas coisas pra Edward antes.

"Bella", ele diz meu nome, com a voz suave agora, e estende a mão em minha direção.

"Não!". Eu me afasto do seu toque. "Você não confia em mim", eu digo com a voz rouca. Segure as lágrimas, Bella.

"Não, Bella. Por favor, eu não...", ele passa as mãos pelo cabelo tentando descobrir o que dizer. "Estúpido!", ele resmunga. "Por favor, Bella. Eu não sei o que eu pensei...", ele tenta se aproximar e eu me afasto de novo.

"Eu não posso acreditar que você pensou que eu iria mentir pra você, te enganar ou omitir algo assim de propósito. Você acusou seu pai de me julgar sem me conhecer, mas você fez muito pior. Eu trabalho aqui há mais de três meses. Nós dividimos a cama pelas últimas semanas e no primeiro mal entendido você me acusa desse jeito", eu o fito em descrença ainda. "Você não confia em mim", eu constato esse triste fato.

Ele se aproxima e segura meus braços antes que eu possa recuar.

"Por favor, Bella. Foi exatamente isso. Foi um mal entendido. Me desculpe, por favor. Eu não estava pensando claramente", ele parece realmente arrependido. Sua expressão é de culpa e remorso.

Mas não importa.

Eu pensei que ele me conhecia. Eu pensei que eu o conhecia.

Eu tento sair de seu aperto, mas ele me puxa pra mais perto. Suas mãos parecem queimar onde me tocam, mas não como antes. Não de uma boa maneira. Eu quero me afastar. Eu preciso ficar sozinha.

"Eu não posso, Edward", eu repito isso enquanto me libero e saio de seu escritório. "Eu não posso".

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-R-R-R-R-

Oi pessoal. Não deu pra atualizar no fim de semana...as coisas continuam tumultuadas. Mas aí está capítulo. Mais uma vez quero agradecer aos comentários e aos votos de melhora para meu familiar. Minha mãe. Se tudo der certo, ela deve ter alta até o fim de semana.

Eu pretendo postar de novo até quinta-feira, mas se não der, posto no fim de semana.

E esse Sr. Masen meteu os pés pelas mãos... :(

E agora?

Bjos e boa semana pra todos.

Até mais.

T. Darcy