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Título: O recluso

Sumário: Bella, uma recém-formada da Universidade de Washington, se vê sozinha e desorientada ao sair da faculdade e perder seu pai. Uma oportunidade surge para trabalhar como governanta na casa de um misterioso homem em Port Angeles.

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Recluso:

Pessoa que espontaneamente se isolou do convívio social.

(Dicionário UOL)

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Capítulo 16

Junho de 2016

Edward POV

Bella sai porta afora do meu escritório e eu não tenho forças para impedi-la. O sentimento é o mesmo - ou pior - do que quando descobri sobre Victoria. Eu me sinto morto por dentro. Um vazio que me domina. Mas dessa vez eu sou o único culpado.

Ela tem razão, eu não confiei nela. No fundo, eu sempre achei que ela merecia melhor e que logo perceberia isso. Eu ainda acredito nisso e a prova de que estou certo é a burrada que acabei de fazer, magoando Bella. Ela merece alguém melhor! Eu deveria saber que ela nunca agiria com má-fé. Foi um mal entendido e eu a acusei injustamente.

Eu não sei por quanto eu fico eu fico imóvel onde ela me deixou. Eu quero subir as escadas e pedir seu perdão, mas eu não consigo me mover. Eu não sei como fazê-la me perdoar. Só de pensar na possibilidade dela ir embora e me deixar sozinho de novo...eu não posso perdê-la. Por favor, Bella. Eu não quero ficar sem você. Mesmo que eu não te mereça.

Eu preciso descobrir o que dizer ou fazer pra ela me perdoar. Eu não consigo pensar! Preciso falar com alguém...eu não quero sair e deixar Bella aqui. E se ela for embora? Mesmo temeroso, eu opto por ir até Seattle, torcendo para que Bella ainda esteja aqui quando eu voltar.

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"Edward, meu filho, você sabe que não precisa tocar campainha", minha mãe diz ao abrir a porta. Minha face deve revelar que algo está errado, pois ela logo me puxa para um abraço.

"Entre, eu não estava te esperando. O que está havendo, querido?". Nós vamos até a sala, onde meu pai está lendo.

"Oi filho", ele levanta e me abraça meio sem jeito.

"Oi pai. Desculpe atrapalhar a descanso de vocês". É início da noite e eles devem ter acabado de chegar em casa do trabalho.

"Bobagem, filho. Você é sempre bem vindo aqui. É sua casa", ele diz.

Eu aceno. Minha mãe olha entre nós dois e deve perceber que eu não quero conversar na frente de Carlisle.

"Carlisle, peça a Martha para preparar o jantar. Eu vou até a biblioteca com Edward", ela instrui meu pai.

Lá, eu conto tudo para minha mãe. O meu envolvimento com Bella e o que aconteceu mais cedo. Ela escuta atentamente, sem me interromper, apenas segura minha mão em apoio. "Oh, querido. Que confusão!", ela me abraça e ficamos quietos por um tempo.

"Antes de tudo, eu quero que você me diga o que sente por Bella", ela pede.

"Mãe...", o que eu sinto por Bella? "Eu não sei...eu...eu me importo com ela. Muito. Mais do que eu imaginava. A gente se conhece há poucos meses, mas só de pensar que ela pode ir embora...eu não vou aguentar, mãe", o desespero volta com força total.

"Ei. Pare com isso", ela puxa minhas mãos, que estavam puxando meu cabelo. "Você e essa mania de quase arrancar o cabelo fora quando está ansioso. Carlisle é igualzinho", ela suspira exasperada. "Parece que você ainda não está pronto", ela diz baixo, como se pra si mesma.

"O que?", eu questiono, querendo que ela elabore.

"Nada, filho. Eu acho que você e Bella tem que conversar, com calma. Você deve dizer tudo isso que me disse e mostrar o quanto se importa com ela. Eu acredito que ela deve estar confusa, muito além do que aconteceu hoje. Não é fácil entender você, meu querido", ela aponta. "Alguma vez vocês já conversam sobre essa...relação?".

Eu engo com a cabeça.

"Eu suponho que você também não disse que você se importa com ela. Além de amizade, além de uma funcionária?"

Eu nego mais uma vez.

Ela suspira.

"Edward, eu entendo que você tem problemas de confiança, meu filho. Mas para que um relacionamento funcione – qualquer relacionamento – é preciso haver confiança e diálogo. Eu sei que você já começou a se abrir pra Bella, o que mostra certa confiança, mas você mantém um pé atrás. Confia desconfiando, se é que isso existe! Desse jeito, nunca dará certo. Não a longo prazo, se é isso que vocês querem. Então, você tem que pensar o tipo de relação que quer com Bella. Se você quiser mantê-la em sua vida, você precisará que ela te desculpe, mas vai precisar mudar, Edward. Realmente se abrir para esse sentimento, aceitando que está se colocando nas mãos de outra pessoa que pode e – provavelmente – vai te machucar, mas não intencionalmente, como Victoria fez".

Eu tento assimilar o que ela está dizendo. Eu sei que ela está certa, mas é tão difícil. Eu jurei nunca mais dar esse poder a alguém e parece que isso se enraizou dentro de mim. Eu não sei como confiar plenamente em alguém, me entregar sem receios.

"Então, filho, reflita sobre o que você quer e se decidir que quer realmente tentar com Bella, não perca tempo. Ela tem se mostrado uma moça muito honrada e especial. Não a deixe escapar", ela aconselha.

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Eu janto com meus pais, mesmo querendo voltar correndo pra Bella. Porém, eu preciso de mais tempo para refletir sobre o que conversei com Esme e para tentar chegar a um acordo com o que sinto por Bella.

Meu pai percebeu que algo estava errado, mas não se intrometeu. Antes se ir embora, ele apenas me disse que estará sempre disponível para o que eu precisar, mesmo que apenas conversar. Ele está se esforçando, ultimamente, para superarmos nossas diferenças. Eu aprecio isso e sei que tenho que estender a outra mão. Mas agora, minha situação com Isabella é prioridade.

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Eu espero até a manhã seguinte pra falar com Bella. Quando acordo e desço para a cozinha, não há sinal dela. O café da manhã está pronto e me esperando na mesa. Eu verifico a garagem e vejo que sua caminhonete está em falta.

Ela saiu apenas para ir naquele colégio, eu repito como um mantra. Mas por via das dúvidas, eu subo para seu quarto e entro após bater e não obter resposta. Não me sinto bem invadindo seu espaço, mas preciso confirmar que ela não foi embora. Abro as portas do armário e suas coisas estão lá. Eu respiro aliviado.

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Bella POV

"Obrigada, Maggie", eu aperto sua mão estendida. "Até a próxima segunda".

"Tchau, Bella".

Eu saio da sala da diretora com um sorriso no rosto. Nós conversamos e o emprego é meu. Eu vou ensinar Literatura! A princípio será somente enquanto a outra professora estiver de licença, até o fim do ano. Mas já estou muito feliz.

Eu entro na caminhonete, mas não volto pra casa imediatamente. Tenho receio do meu encontro com Edward. Eu não vi depois que o deixei em seu escritório ontem à tarde. Sei que ele saiu de casa logo depois e só voltou tarde da noite. Eu ouvi o barulho do carro dele saindo e chegando de volta.

Eu pensei que ele iria insistir em falar comigo, mas ele não me procurou mais. Talvez ele não se importe tanto assim...

Depois de uma noite mal dormida, eu saí bem cedo hoje pela manhã, mesmo que minha reunião com Maggie estivesse marcada para o meio da manhã. Acabei passeando por alguns parques da cidade e tentei pensar no que aconteceu ontem, com a cabeça mais tranquila.

Foi um mal entendido. Eu acredito que o modo como Maggie falou possa ter levado Edward a pensar que eu já sabia do emprego e omiti dele. Porém, ele deveria ter me perguntado antes e me acusar. Isso é o que me magoou.

Eu não sei como ficará nossa situação. Não sei se vou continuar trabalhando pra ele. Se não, eu terei que sair daquela casa. Meu coração se encolhe só de pensar em não vê-lo mais. Mesmo estando chateada com ele, eu não consigo deixar que querê-lo.

Voltando pra casa, eu passo em frente ao restaurante italiano no qual Edward me levou pra jantar. Decido parar e almoçar lá.

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Logo que entro em casa dou de cara com Edward, na sala. Ele está sentado no sofá com seu notebook em mãos. Ele levanta o rosto quando eu entro e nossos olhos se encontram.

"Ei".

"Ei", eu respondo.

"Bella, depois que você descansar ou...se refrescar um pouco, eu gostaria de conversar com você", ele faz uma pausa. "Eu estarei no meu escritório", ele diz e sai da sala.

Sinto meu estomago revirar com a perspectiva dessa conversa. Sua expressão estava séria, mas não parecia mal humorado ou bravo. Eu não consigo decifrá-lo nesse momento. Será que ele não me quer aqui mais? Acho que se quisesse me pedir desculpas, ele teria falado ali mesmo.

Por que esse homem tem que ser tão confuso?! Às vezes acho que vou enlouquecer. Ele me faz sentir um misto de diferentes sensações e sentimentos. Agora, por exemplo, eu ainda estou magoada, frustrada e eu sinto falta do seu toque, de suas mãos em mim, do seu abraço, do sorriso. E eu sinto medo. Medo de me afastar dele. Ou dele se afastar de mim.

Eu vou ao meu quarto e tomo um banho antes de descer para seu escritório e resolver isso de uma vez. A porta está aberta, então bato apenas para alertá-lo da minha presença. Ele se levanta e pede que eu me sente ao seu lado no sofá.

"Como foi a reunião hoje?"

"Huh...foi bem. Eu aceitei o emprego", eu revelo.

"Oh, isso é bom", ele diz franzindo a testa. Eu bufo em descrença, pela sua expressão e por isso ter sido o motivo do nosso desentendimento.

"Eu quero dizer isso, Bella. Eu fico feliz por você, pois sei o quanto você gosta da profissão que escolheu", ele afirma. "Ontem, eu...o que aconteceu...droga!", ele passa as mãos pelo cabelo. "Olha, eu sei que errei feio ontem, mas a questão nunca foi você querer o emprego de professora. Foi porque eu pensei...eu achei que você escondeu isso de mim, que você iria me...", ele se cala. "Acredite, eu estou verdadeiramente feliz por você".

Ele parece sincero. E pelo que eu conheço dele, faz sentido a explicação. Ele pensou que eu menti.

"Por favor, me perdoe por te acusar ontem. Eu não tenho uma justificativa válida. Nada do que disser vai tirar a dor que eu sei que te causei. Eu não quero jogar a culpa do meu comportamento em cima do que aconteceu comigo antes...com Victoria. Eu sei que não é justo com você".

Eu apenas aceno, mantendo o olhar em meu colo. Ele leva sua mão à minha, lentamente, como se me dando chance de recuar.

"Diga alguma coisa", ele pede.

"Eu...eu não sei o que você quer que eu diga, Edward", respondo sinceramente.

"Eu sei que você não pode perdoar meu comportamento de uma hora pra outra e fingir que nada aconteceu. O que eu te peço é uma chance", ele levanta meu rosto e o vira, encontrando meu olhar. "Eu não posso te garantir que nunca mais vou te machucar, mas eu posso te prometer e eu prometo que nunca mais eu vou te julgar e acusar de algo sem conversarmos antes. Foi um erro e eu não vou repeti-lo", ele fiz com firmeza.

Ele me encara com expectativa.

"Edward, o que você espera de mim?", eu decido ter a conversa que evitamos desde o início.

"Como assim? O que-"

"O que eu sou pra você?", eu pergunto diretamente.

Ele suspira e fica quieto por um tempo. Não é a reação ou resposta que eu esperava.

"Você entrou em minha vida de tão inesperadamente, Bella", ele sorri ligeiramente. "Eu acho que posso dizer que antes eu estava apenas...sobrevivendo. O meu trabalho era tudo o que preenchia minha vida. Meus pais e Alice são importantes, mas é diferente. Não havia um sentido, nada que realmente me fizesse ansioso por querer acordar pela manhã. E então você chegou aqui, neste escritório e eu me senti atraído por você imediatamente. E eu não digo apenas atraído sexualmente. Algo me faz querer estar sempre perto de você".

Uau!

"Então, respondendo a sua pergunta. Você já se tornou alguém muito importante pra mim", ele fala lentamente. Eu sei que é difícil pra ele se abrir. "Talvez você esteja se perguntando se eu quero apenas sexo com você, se o que tivemos foi apenas sexo. Não foi. Não é. Se você me der outra chance, eu nunca mais vou deixar você em dúvidas do quanto eu me importo".

Ele leva minha mãe à boca e beija meus dedos, arrancando um suspiro de mim. Oh, por que eu não consigo resistir a esse homem?

"Eu gostaria de continuar a relação que começamos. Eu sei que ainda temos muito que conversar, caso você ainda me dê uma chance. Mas se você não quiser, nós podemos ter uma relação estritamente profissional. Eu não quero que você pense que uma coisa depende da outra. Independente do que decidir, eu quero que você continue morando aqui e trabalhando comigo. Em um horário reduzido, é claro, já que tem o colégio também".

Eu estou pasma com tudo o que ele disse e com o que ele sugeriu. Ele acha mesmo que eu poderia continuar aqui se a gente se separar? Eu não conseguiria! Agora, eu quero continuar nosso relacionamento? - seja lá o que for. A resposta é sim, mas eu tenho medo de sair machucada no fim das contas.

Eu solto minha mão das dele e me afasto um pouco, tentando raciocinar direito.

"Edward, eu não sei o que pensar. Eu..."

"Bella", ele se move para mais perto, não me deixando escapar de seu alcance no sofá. "Diga que você ainda me quer", ele sussurra e roça seu nariz em minha bochecha. "Por favor", ele desce até meu pescoço e deposita beijinhos lá. Não faça isso! Eu preciso de distância pra pensar.

"Edwaaard". Droga, ele sabe o que faz comigo! Eu já não penso em nada coerente, apenas sinto.

"Eu não posso deixar você sair da minha vida", ele diz contra minha pele, provocando arrepios pelo meu corpo.

Pense, Bella! Afaste-o e pense!

Eu preciso estar longe dele pra pensar. Eu me levanto de repente, deixando-o sentado no sofá, sozinho. De pé, eu ando pelo escritório, até conseguir falar.

"Você me magoou muito", eu digo e ele faz menção de falar, mas eu o impeço. "Eu sei das suas...questões. Mas eu não posso aceitar que você duvide de mim. Você me diz que isso não vai se repetir e eu quero acreditar...mas eu estou com medo", eu digo. "Eu não sei se podemos voltar ao ponto em que estávamos, mas você também é muito importante pra mim", confesso.

Ele se aproxima, ficando de pé na minha frente. "Então, vamos tentar mais uma vez", ele pede. "Do jeito que você quiser. No seu tempo. Só não se afaste de mim", ele acrescenta.

Que eu não me arrependa disso, por favor!

Eu aceno depois de algum tempo, ganhando um sorriso dele. "Eu acho que podemos tentar", eu afirmo.

"Obrigado, Bella. Eu prometo que você não vai se arrepender", ele me abraça apertado.

Oh, eu senti falta disso.

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Tão confusos esses dois...rsrs

Bella perdoou muito facilmente? O que acham? E será que a relação deles vai mudar agora?

Obrigada por lerem e comentarem ;)

Minha mãe ainda está no hospital, então não sei quando poderei postar de novo...mas espero que até o meio da semana.

Abraços,