Título: O recluso

Sumário: Bella, uma recém-formada da Universidade de Washington, se vê sozinha e desorientada ao sair da faculdade e perder seu pai. Uma oportunidade surge para trabalhar como governanta na casa de um misterioso homem em Port Angeles.

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Recluso:

Pessoa que espontaneamente se isolou do convívio social.

(Dicionário UOL)

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Capítulo 17

Junho de 2016

Bella POV

Pelos próximos dias, o clima entre nós é um pouco estranho. Seria impossível voltar ao que era antes, fingindo que nada aconteceu. Nós ainda almoçamos e jantamos juntos, conversamos a noite enquanto estamos em frente à TV, mas nosso contato físico é praticamente nulo. Não me refiro apenas ao sexo, que não aconteceu. Mas antes estávamos sempre nos tocando, ficávamos abraçados e Edward me beijava em cada oportunidade que tinha. Agora, o máximo que ele faz é segurar minha mão, beijar minha testa ou bochecha e, raramente, me dar um selinho na boca. À noite, cada um vai para seu quarto.

Por outro lado, ele tem se mostrado ainda mais atencioso comigo. Ele já me levou para jantar fora e fomos ao cinema. Ele faz questão de ressaltar que minha prioridade é atuar como professora e que, embora meu horário no colégio seja apenas de manhã, eu estou livre pra ficar o tempo que for preciso. Amanhã será meu primeiro dia de trabalho no colégio. Estou muito ansiosa. Pegar uma turma no meio do semestre é sempre mais complicado, mas espero que os alunos gostem de mim.

Quatro dias depois do nosso desentendimento, no domingo à noite, ele me avisa que tem que viajar inesperadamente a trabalho. Vai para Chicago por três dias.

"Eu já reservei seu hotel e transporte. O voo de ida é amanhã às 11 horas", eu informo e entrego as informações impressas.

"Obrigado, Isabella".

Quando ele não diz mais nada, eu me viro para sair de seu escritório e subir para meu quarto. Sou impedida por sua mão que envolve meu cotovelo.

"Bella". Sua voz é baixa. Eu me viro para encará-lo. "Eu vou sentir sua falta".

Minha respiração engata pela proximidade e por sua confissão. Esses últimos dias têm sido estranhos. "Eu também vou sentir", eu respondo e saio.

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O dia seguinte é corrido e por isso eu não tenho tanto tempo para lamentar a ausência de Edward. Eu fui muito bem recebida no colégio, tanto por meus colegas quanto pela turma para a qual eu dou aula, com crianças de aproximadamente sete anos.

Os outros professores que conheci são Jéssica e Mike – que são um casal; Alec, que dá aula de ciências; Hanna, leciona matemática; e Félix, professor de educação física. Todos foram muito gentis comigo.

Nos próximos dois dias eu me sinto mais à vontade no colégio, já sei o nome e o rostinho de todos os meus alunos e conheci outros funcionários e professores. A única pessoa que parece não ter gostado muito de mim é Lauren, professora de espanhol, que conheci na quarta-feira. Ela mal falou comigo na hora do almoço, quando estávamos vários professores comendo juntos. Mais tarde, Félix falou comigo esse o jeito dela e que não vale a pena me preocupar.

Após o almoço de quinta-feira, no colégio, eu me preparo para voltar pra casa e meu estômago se agita de ansiedade. Edward já deve estar em casa, se o voo não atrasou. Nesses dias em que ele esteve fora, nós trocamos algumas mensagens. Ele quis saber tudo sobre meus primeiros dias como professora. Em troca, eu o questionei sobre a viagem e a cidade na qual ele estava. Não falamos muito sobre nossa relação, apenas um 'sinto sua falta' ou 'queria estar aí com você' de vez em quando.

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Chego em casa e não há sinal de Edward no piso inferior. Eu bato na porta do seu escritório, mas não há resposta. Será que ele ainda não chegou?

Eu subo as escadas e ando em direção ao meu quarto quando a porta de Edward se abre. Ele acabou de tomar banho e está vestindo apenas uma bermuda, com a toalha em volta do pescoço. A cena parece uma repetição de algum tempo atrás, quando nos encontramos assim. Meus olhos percorrem seu corpo e eu tenho que me controlar pra não me jogar em seus braços e beijá-lo. Faz tanto tempo. Muitos, muitos dias...

"Porra, Bella. Não me olhe assim!". Essas são as primeiras palavras de Edward pra mim. Eu fico sem reação, muda.

"Não faz isso", ele acrescenta e dá dois passos em minha direção. Ele libera meu lábio inferior, que eu prendi sem perceber. Ele acaricia minha boca com seu polegar e minha respiração acelera.

A proximidade.

Seu toque.

Meu corpo se incendeia de desejo.

"Edward", eu mal reconheço minha voz rouca.

Ele envolve suas mãos em meu rosto, me acariciando tão suavemente que eu mal sinto meu toque.

"Oi", ele diz, aproximando nossos rostos.

"Ei", eu respondo automaticamente e espero, mas ele não me beija.

O que ele quer? Minha permissão? Faz sentido, já que eu disse que gostaria de ir devagar.

"Foram só três dias, mas pareceu uma eternidade", ele sussurra. "Eu senti sua falta. Muito". Ele roça o nariz pelo meu rosto, me acarinhando.

"Eu também senti saudades", eu digo, envolvendo meus braços em torno do seu pescoço e roçando nossos lábios. Eu espero que ele ataque minha boca, mas isso não acontece. Ele pressiona sua boca na minha levemente, várias vezes.

Eu passo minha língua em seus lábios, o persuadindo a abri-los. Ele assim o faz e agora nos beijamos de verdade. Pressionando nossos corpos juntos, ele me segura pela cintura com uma mão e outra está em minha nuca. Eu já o sinto duro contra meu estômago. Embora seja apaixonado, o beijo não é desleixado e nem desesperado. Edward parece estar se segurando.

Eu sei que antes eu pedi para desacelerar, mas eu o quero.

Ele termina o beijo e encosta sua testa na minha, respirando pesadamente. Ele me abraça e eu descanso meu rosto em seu peito. Deposito beijos na pele nua e o ouço ofegar. Decido provocá-lo mais e lambo e mordisco seus mamilos. As mãos dele vão para minha cabeça e ele está gemendo meu nome.

Nós nos beijamos de novo e dessa vez nossas mãos não ficam paradas. Ele me puxa para mais perto, segurando minha bunda contra seu quadril. Eu puxo seu cabelo e acaricio sua nuca enquanto nossas bocas estão unidas.

"Você disse devagar", ele fala arfante.

"Mas eu quero você", eu respondo e tento o empurrar para seu quarto, mas ele me impede.

"Não agora, Bella".

Eu franzo a testa sem entender. Eu sei que ele me quer, pois é evidente a excitação dele.

"Eu prometi a mim mesmo que faria tudo diferente agora", ele explica. "Além disso, nós não temos tempo", ele diz com um sorriso no rosto. "Vamos jantar em Seattle. Temos que sair em breve pra chegar a tempo da reserva que fiz".

"Jantar em Seattle?". É uma longa distancia para irmos apenas jantar, não?!

"Isso. Eu quero te levar no meu restaurante preferido de lá", ele responde meio timidamente. "Eu deveria ter te perguntado antes. Você deve estar cansada. Eu posso desmarcar, não tem-"

"Não!", eu me apresso em falar. "Tudo bem. Eu fiquei surpresa. Foi só isso", eu o tranquilizo.

O sorriso dele aumenta. "Podemos sair em meia hora?", ele pergunta.

Eu aceno e ganho um beijo rápido, antes dele voltar para seu quarto e me deixar zonza no corredor.

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Edward me leva para um restaurante muito badalado e, provavelmente, muito caro em Seattle. O lugar estava lotado, mas chegamos e fomo levados direto para nossa mesa reservada. Eu o deixo escolher minha refeição e nós estamos compartilhando a sobremesa após o comer o prato principal.

Ele também começa a se abrir mais pra mim, falando um pouco mais da sua infância, especialmente sua mãe. Ele não fala sobre nada muito profundo, mas já é um começo.

"Ela me ensinou a tocar piano quando eu era criança", ele diz saudosamente.

"Sério. Você toca piano?".

Ele ri da minha surpresa. "Sim. E toco muito bem pelo que dizem", ele pisca e mexe os dedos, me deixando boquiaberta pelo seu atrevimento. Ele tem mostrado um lado dele que eu não conhecia. Pequenas coisas aqui e ali, mas eu percebo um traço mais brincalhão e carinhoso em sua personalidade.

"O que mais eu não sei sobre você?", eu questiono, curiosa.

"Algumas coisas", ele diz suavemente. "O que eu não sei é se você vai gostar de ouvir sobre tudo", ele completa em tom mais triste. Eu quero perguntar a razão pra ele dizer isso, mas sei que aqui não é o lugar.

"Eu não sei por que você pensa assim. Eu não acredito que você tenha feito algo rui, algo que poderia me fazer olhar pra você de outro modo", eu respondo confiante e seguro a mão dele na mesa, pra reforçar minhas palavras.

Ele apenas acena e nós terminamos de comer. Enquanto ele está pagando a conta, meu telefone toca e eu saio do restaurante para atender, após avisar Edward.

"Oi Alice".

"Bellaaaa! Como você está?", eu escuto sua voz baixa em meio ao barulho das ruas movimentadas de Seattle. Eu caminho lentamente observando as vitrines das lojas próximas ao restaurante.

"Tudo bem, Alice. E você?".

"Estou ótima. Você pode falar ou está ocupada? Quero sua opinião sobre os últimos detalhes do aniversário do meu irmão".

"Na verdade, nós estamos fora de casa. Saímos pra jantar", eu revelo.

"Oh. Eu não quero atrapalhar. Eu te ligo amanhã, então. E aproveite a noite, cunhadinha", ela brinca e logo desliga.

Tiro o celular do ouvido e o encaro por instantes. Nós não assumimos nada, mas parece que a família dele sabe de tudo.

"Bella!", um vozeirão chama meu nome e eu me viro. Emmett.

"Emmett. Oi", eu mal o cumprimento e ele pega em um abraço de urso, me tirando do chão e nos rodopiando feito criança. Ele não se cansa de fazer isso! É pior do que criança!

"Me coloca no chão, Em", eu digo rindo.

"Você não pode sumir assim, Belinha. Você quase me mata de saudade", ele diz ao me soltar.

"Ah, Em, você nem imagina-", a imagem de um Edward nos encarando sisudamente, me cala.

Eu escuto Emmett falando, mas não entendo o que ele fala. Minha atenção está em Edward, que se aproxima lentamente, me olhando diretamente agora.

Eu espero que ele não entenda errado. Não é o que pode parecer. Outro homem me abraçando assim. Ele deve me dar a chance de explicar.

Me surpreendendo, ele me envolve firmemente pela cintura com uma braço, ficando ao meu lado, e beija minha testa. "Aí está você". Sua voz é neutra.

"Edward", eu digo ainda receosa. "Era Alice ao telefone. Eu falei com ela e de repente encontrei Emmett", eu me viro para meu amigo. "Em, este é Edward".

"O namorado dela", Edward completa e eu me viro pra ele automaticamente.

"Oh, namorado hein, Bellinha?!", ele está sorrindo e eu sei que ele vai nos provocar até a morte.

"Espere!", ele diz de repente. "Este é Edward, o seu...patrão?".

Droga, Em é tão desligado e ainda assim se lembra do nome de Edward.

"Hum...sim", eu respondo timidamente. Edward se remexe inquieto ao meu lado e eu me lembro de explicar quem é o outro homem.

"Edward, esse é Emmett, o namorado de Rose, minha melhor amiga. Eu já te falei deles, lembra?"

Antes que ele responda e como se para confirmar o que acabei de dizer, Rose surge não sei de onde e junta à nós.

"Bella? O que você tá fazendo aqui, garota?", ela pergunta, mas logo desvia o olhar do meu rosto para Edward e seu braço em torno da minha cintura.

"Huh. Ei, Rose", eu me afasto momentaneamente de Edward para abraçar minha amiga, mas volto para seus braços em seguida. "Eu estava jantando com Edward ali", eu aponto para o restaurante, "e saí pra atender a um telefonema quando encontrei com Emmett".

"Hum. Entendo", ela se vira pra Edward de novo. "Edward, certo?".

"Edward Masen", ele estende para Rose e para Emmett em seguida.

"Advinha só, Rosie. O Edward aqui é o namorado da Bella. Aposto que é por isso que ela não quis dar uma chance pro coitado do Paul" Em diz, puxando Rose para seus braços. "Nós vamos ter que marcar um encontro duplo porque é tão difícil convencer Bella a sair com a gente...", ele continua falando, mas eu apenas observo a reação de Rose, que da surpresa inicial passou a me fitar intensamente. Espero que ela não fique muito chateada por eu não ter contado nada. Mas o que eu diria? Ei Rose, você sabe o Sr. Masen, meu patrão? Eu estou dormindo com ele.

"Podemos marcar algo esse fim de semana. O que acham?", é Rose quem sugere.

"Este fim de semana não dá. É aniversário de Edward e vamos comemorar com a família dele", eu informo e não sei se fico aliviada ou triste por isso.

"Na verdade", Edward se manifesta, "vocês devem vir à festa. São meus convidados e será um prazer recebê-los". Eu olho para o rosto de Edward, avaliando se o convite foi feito de bom grado e acho que sim.

"Ótimo! Assim podemos nos conhecer melhor", Rose responde.

Nós conversamos mais alguns minutos e os despedimos, com a promessa de Rose de me ligar amanhã.

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Embora eu tenha perguntas pra fazer e sei que Edward também tem, nós ficamos em silêncio no trajeto de volta pra casa. Quando chegamos, ele se serve uma bebida e me oferece. Eu recuso e me sento no sofá, ligeiramente aflita.

Finalmente ele se senta na poltrona à minha frente, mas permanece em silêncio. E eu achando que os dias do Edward calado e sério tinham terminado...

"Eu adorei a noite de hoje. Obrigada por me levar pra jantar. E obrigada também por convidar Rose e Emmett pra sua festa", eu falo ao perceber que ele não vai tomar a iniciativa.

"Vai ser bom conhecer seus amigos. Você fala com tanto carinho de Rose", ele diz. "Eles não sabiam sobre mim", ele comenta instantes depois, parecendo decepcionado.

"Huh, na verdade eu já falei de você com Rose. Ela sabe que eu vim trabalhar pra você e morar aqui. Eu só não falei sobre nós...", eu não sei como explicar pra ele. "Eu não sabia como dizer", dou de ombros.

"Você tem vergonha de mim?", ele pergunta, aparentando estar realmente magoado. Eu me levanto do sofá e vou até ele, me sentando em seu colo. Ele parece tão inseguro nesse momento.

"Não! Nunca pense isso. Eu só não sabia como...como nomear isso que nós temos. Hoje, quando você disse que era meu namorado, eu fiquei surpresa porque a gente nunca falou sobre isso".

Ele enterra o rosto no meu cabelo e respira fundo, me abraçando ao mesmo tempo.

"Você é muito mais do que isso. Eu sei que deveríamos ter conversado. Eu deveria ter te pedido pra ser minha...namorada, mas parecia coisa de adolescente. E há tanto tempo eu não envolvo de verdade com alguém...eu não acho que eu sei como agir, Bella".

"Eu acho que nós só temos de conversar mais, certo?", eu sugiro e ele acena.

"Então, existe um tal de Paul sofrendo por você por aí?", ele sonda.

Eu bufo. "Emmett fala demais. É só um cara que conheci há um tempo por meio deles. Ele pediu meu número e queria sair comigo, mas eu não podia aceitar", eu digo aproximando ainda mais nossos corpos.

"Por que não?"

"Porque eu já estava de olho em um certo homem charmoso de olhos verdes", eu sussurro em seu ouvido.

Ele não responde verbalmente, mas segura meu rosto entre as mãos e ataca minha boca do jeito que eu desejei esta tarde.

Eu remexo meu quadril em seu colo e sinto sua ereção crescer. Eu paro o beijo apenas pra tirar sua camisa. Eu quero sentir a pele dele contra a minha. Sei que temos muito pra conversar, mas eu não quero esperar mais. Ao contrário de mais cedo, dessa vez ele não me impede. Nossas roupas são rapidamente descartadas no chão da sala e nós fazemos sexo no sofá. Depois de dias sem tê-lo, é um sentimento indescritível quando ele me penetra.

"Huumm"

Eu o monto lentamente no início e ele se dedica a beijar meu pescoço, acariciando meus seios com as mãos. "Eu senti sua falta esses dias", ele murmura contra minha pele. "Falta de tudo, inclusive de estar assim, dentro de você", ele se afasta eu rosto agora, sentado na poltrona e me observando montá-lo. Levando suas mãos a minha cintura, ele me ajuda a aumentar o ritmo, com nossos quadris se encontrando na mesma cadência.

"Você é linda", ele diz ofegante. "Ver você desse jeito, montando meu pau, me querendo tanto quanto eu te quero... Porra, Bella!".

Eu sinto que vou gozar em breve. Ouvi-lo dizer essas coisas me deixam mais excitada.

"Ahhhh", eu gemo alto quando ele leva os dedos ao meu clitóris.

"Tão linda...minha Bella".

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-R-R-R-R-

Oi gente. Não deu pra postar antes, mas aí está outro capítulo.

As coisas estão mais tranquilas e eu espero voltar a postar com mais frequência, como antes :)

Eu agradeço demais pelos comentários de vocês e por lerem a fic. Fico feliz que estejam gostando!

Até mais. Bjos,

T. Darcy

P.S: Desculpem pelos erros...tempo curto pra revisar atentamente.