Título: O recluso

Sumário: Bella, uma recém-formada da Universidade de Washington, se vê sozinha e desorientada ao sair da faculdade e perder seu pai. Uma oportunidade surge para trabalhar como governanta na casa de um misterioso homem em Port Angeles.

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Recluso:

Pessoa que espontaneamente se isolou do convívio social.

(Dicionário UOL)

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Capítulo 18

Junho de 2016

Bella POV

"Você vem conosco, né Bella?", Félix insiste que eu vá com o pessoal do colégio para um bar hoje à noite. Eles se reúnem uma ou duas vezes por mês, seja em algum lugar público ou na casa de um deles. "Você deve se enturmar! E é sexta-feira, precisamos relaxar".

"Você tem que vir, Bella!" Agora é Jéssica quem fala. "É sempre muito divertido e hoje à noite vamos para o Alux Lounge. Você conhece?"

"É o clube que abriu recentemente aqui em Port Angeles, certo?". Eu me lembro de ter visto algumas propagandas.

"É esse mesmo", Mike responde.

"Huh, eu acho que vou, mas eu confirmo com vocês mais tarde. Tudo bem?"

"Claro, Bella", Félix responde e eu me despeço dos meus colegas.

"Tchau Seth, querido", eu beijo a bochecha de um dos meus alunos. Descobri que o doce Seth é filho de Félix. Desde o primeiro dia de aula esse menino fofo me chamou a atenção. Ele é tão inteligente e educado.

"Tchau Senhorita Swan", ele me abraça. "Até segunda-feira".

Enquanto dirijo pra casa eu penso no quanto sou sortuda por ter colegas de trabalho tão bacanas. Pelo menos até agora eles parecem ótimos. Eu acho que vai ser bom sair com eles hoje à noite e estar em outro ambiente, que não o colégio. Mas, ao mesmo tempo, eu quero passar a noite com Edward. Nós estamos inseparáveis desde quarta-feira, após nosso jantar em Seattle e o encontro com Rose e Em. Eu sei que serão apenas algumas horas longe dele, mas não é algo que eu consigo controlar. De verdade, eu pareço uma adolescente com o primeiro namorado, ambos grudados feito chiclete.

Entre quarta à noite e hoje pela manhã nós transamos em cada oportunidade que tivemos. Os poucos dias sem contato físico por causa do nosso desentendimento pareceram uma eternidade e nós estamos recuperando o tempo perdido. Eu não sei se sempre foi assim pra Edward, mas eu nunca apreciei tanto o sexo quanto agora.

Ele está trancado em seu escritório quando chego em casa e não querendo interrompê-lo em suas atividades, eu subo para me refrescar sem alertá-lo da minha chegada. Após o banho, eu visto uma calça jeans e camiseta e desço para o primeiro andar. Edward ainda está com a porta fechada e eu decido adiantar algumas tarefas da casa. Enquanto trabalho, decido que vou ao clube com o pessoal e mando uma mensagem pra Jéssica, que se oferece para me buscar aqui.

Cerca de uma hora depois, eu estou distraída fazendo uma torta e ouvindo música, quando sinto braços me envolverem por trás.

"Ei", Edward diz ao meu ouvido.

Eu viro meu rosto parcialmente. "Oi". Virando-me completamente pra ele, eu beijo seus lábios suavemente. "Muito trabalho?"

Ele dá um suspiro cansado. "Alguns clientes chatos. Só isso. Você deveria ter vindo me ver quando chegou", ele me segura pela cintura de novo.

Eu rio. "Ah, é mesmo?". Ele acena. "Eu não queria atrapalhar seu trabalho".

"Você nunca me atrapalha. Pelo contrário", ele diz e me provoca com pequenos beijos na minha garganta.

"Huumm". Eu aprecio a sensação gostosa e já começo a ficar excitada. Seguro seu rosto entre as mãos e o beijo mais uma vez. Quando eu acho que as coisas vão esquentar, ele me solta abruptamente e se afasta.

O que houve?

Ele logo responde minha pergunta não expressa.

"Eu quero conversar com você", ele fala.

Oh.

"Não é nada ruim. Não se preocupe". Ele pega minhas mãos nas dele e continua. "Termine o que está fazendo e venha ao meu escritório, por favor".

Eu aceno e ele sai após beijar minha testa.

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Ansiosa, eu bato na porta e entro em seu escritório. Ele levanta de sua cadeira e nós nos sentamos lado a lado no sofá.

"Ei", ele acaricia minha bochecha. "Eu posso sentir sua apreensão e não há necessidade disso, eu prometo", ele fala em tom carinhoso.

Eu apenas aceno.

"Bem, eu tenho pensado muito ultimamente...em como nossa relação mudou e você com seu trabalho no colégio. Eu não quero que você se sinta sobrecarregada ou nada parecido, então eu acho pode ser melhor se você não trabalhar pra mim".

Ele-

O que? Ele não me quer aqui?

Eu não entendo de onde isso veio.

"Eu...Por que? Você...Eu fiz alguma coisa que você não gostou?". Eu realmente estou confusa.

"Não, Bella. Não. Você não fez nada", ele pega minhas mãos. "Não é nada disso. É só que...é tudo. Você tem o emprego que queria e eu quero que você tenha tempo pra se dedicar, sem a obrigação de ter que cuidar de tudo por aqui". Ele faz uma pausa e continua. "E também porque eu não quero que haja constrangimento quando estivermos juntos na frente de outras pessoas. Nós não devemos nada a ninguém e não estamos fazendo nada errado, mas eu não quero que você se sinta desconfortável ao dizer que está em um relacionamento comigo, seu chefe".

Eu ainda estou atordoada e ele me fita com expectativa. Eu confesso que já estava me sentindo desconfortável ao receber o pagamento das mãos dele. Afinal, estamos juntos e receber dinheiro dele é estranho. Mesmo que racionalmente eu saiba que trabalhei pra ganhar aquele dinheiro...

Mas ao mesmo tempo, eu amo cuidar da casa, cuidar dos compromissos dele e, especialmente, cozinhar.

Se eu não vou trabalhar aqui, então eu não-

"Você quer que eu-", eu não consigo processar essa conversa. Não sei exatamente o que ele quer.

"É só uma sugestão, Bella. Nós vamos decidir juntos", ele diz. "Se é a questão financeira que te preocupa, a gente pode-"

"Não!", eu o corto. "Não é sobre dinheiro", eu me levanto, ficando agitada. Deus, como ele pode pensar que eu estou preocupada com dinheiro?! "Eu não nego que quando comecei a trabalhar aqui, eu precisava muito e você foi muito generoso, mas você não pode pensar que eu estou preocupada com dinheiro. Eu não quero o seu dinheiro".

Ele se levanta e vem em minha direção. "Me desculpe, Bella. Eu não quis sugerir que você só está interessada em dinheiro ou nada disso...eu estou apenas tentando ver todos os aspectos da situação, o que essa decisão implicaria pra você. Eu me preocupo", ele me abraça.

"Você ainda me quer aqui?", com a voz trêmula, eu finalmente faço a pergunta que está na minha cabeça desde o início da conversa.

Ele se afasta ligeiramente ara me olhar nos olhos. "Se eu quero você aqui? Como assim?"

"Morando aqui", eu explico. "Se eu não vou mais trabalhar pra você, eu-"

"Claro que você vai continuar aqui", ele diz decidido. "Você pensou que eu não iria te querer aqui? Ou...ou você não quer...?", ele deixa a pergunta no ar.

"Você vai contratar outra pessoa?", a pergunta surge em minha mente e só de imaginar outra mulher nessa casa, cuidado dele...eu não gosto!

"Huh, não. Eu acho que não. Eu sou mais do que capaz de organizar minha agenda e tudo mais. Exceto cozinhar", um meio sorriso aparece em seu rosto e eu tenho que sorrir, também. "Eu acho que fiquei mal acostumado em ter alguém pra fazer essas tarefas por mim, mas sou capaz de lidar com isso".

Bom. Ninguém mais aqui.

"Você não respondeu a minha pergunta", ele insiste.

"Você quer que eu continue morando aqui? Como seria?", eu me esquivo.

Ele suspira e nos puxa para o sofá mais uma vez. "É sua decisão, Bella. Mas eu quero que você continue morando aqui. Muito. Eu sei que você veio não como minha namorada, mas pra trabalhar. Isso mudou, mas eu não posso imaginar essa casa sem você", sua voz rouca me causa arrepios. "E pode ser como você quiser. Somos namorados que vivem sob o mesmo teto...ou colegas de quarto", ele dá de ombros.

Eu penso sobre isso e eu também não consigo me ver em outro lugar. Aqui é o meu lar, eu me sinto bem aqui. E não quero estar longe de Edward. Mas por outro lado, na minha mente há uma vozinha que diz que é um relacionamento muito novo pra já estramos morando juntos. Estamos pulando etapas e eu não quero estragar o que nós temos.

"Não se sinta obrigada a nada, Bella", ele diz e eu vejo a decepção em seu olhar.

"Não é isso, Edward", eu acaricio seu rosto lindo. "Eu estou um pouco sobrecarregada com toda essa conversa, mas...mas eu também não me vejo longe daqui", longe de você. "Eu adoro morar aqui, adoro fazer tudo o que faço pra você. Eu gosto de cuidar das suas necessidades", seus olhos escurecem ao ouvir minhas palavras. "Eu amo cozinhar pra você porque você adora tudo o que faço", eu rio. "Eu não quero que isso mude, mas eu entendo o seu ponto sobre como essa relação de patrão-empregada pode afetar nosso relacionamento".

"Eu adoro como você cuida de mim", ele me beija suavemente. "De todas as maneiras", ele mordisca meu lábio inferior, me arrancando um gemido alto.

"Edward", eu o afasto. "Precisamos conversar mais".

Ele resmunga, mas atende ao meu pedido. "Tudo bem. O que você quer?"

"Eu quero continuar morando aqui", eu decido jogar minhas preocupações ao vento e aproveitar ao máximo esse relacionamento com ele. "Eu concordo sobre não trabalhar pra você, mas se você não me pagar, não será trabalho, certo?"

"Bella", ele balança a cabeça. "Você não deve se sentir obrigada a-"

"Eu não me sinto", eu me apresso em reafirmar. "Eu já disse e repito: eu gosto de cuidar de você. E pode ficar tranquilo, o colégio é minha prioridade, mas sempre que eu puder e quiser, eu vou continuar fazendo o que fiz até agora. Ok?"

Nós conversamos por mais um tempo. Ele insiste em me pagar generosamente por estas últimas semanas e após muita discussão, ele diz que o dinheiro já está na minha conta e eu não posso recusar.

Depois de ficarmos um tempo abraçados tranquilamente no sofá, Edward se levanta.

"Eu vou tomar um banho e nós podemos ver um filme. Ou você prefere fazer outro programa?"

"Na verdade, eu fiquei de encontrar o pessoal do colégio em um clube recém-inaugurado hoje à noite", eu olho para o relógio e vejo que devo me arrumar em breve para não em atrasar. "Eu esqueci de te falar mais cedo, desculpe".

"Oh, claro. Tudo bem. Nós podemos assistir outro dia", ele tenta disfarçar, mas eu percebo seu desapontamento. Eu me sinto mal, pois ele parecia animado sobre o filme.

"Eu acho que você pode vir comigo...claro, venha comigo. Bom que você poderá conhecer meus colegas de trabalho", eu convido.

"Hum, eu não sei...fica pra próxima. Vocês já combinaram e eu acho que prefiro ficar em casa hoje. Não se preocupe comigo, vá se divertir com seus colegas", ele me puxa em seus braços e me beija profundamente, me fazendo esquecer todo o resto.

"Você tem certeza?", eu pergunto, após o beijo.

"Tenho sim. Não se preocupe, eu posso me virar sozinho por uma noite", ele pisca.

Eu sorrio. "O jantar já está no forno. Torta de frango. Estará pronta em breve, assim você não morre de fome", eu brinco. "Eu vou verificar sua refeição e depois vou me arrumar", eu o beijo e faço menção de sair.

"Bella, você vai de carro?", a expressão dele se torna mais séria.

"Jéssica e Mike vão passar aqui pra me buscar. Jess não bebe e vai dirigir e me trazer de volta. Não se preocupe".

Ele acena.

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A noite com a turma do colégio é muito agradável. Nós dançamos muito e eu também pude conversar e conhecê-los um pouco melhor. Hanna é um amor de pessoa e nós já combinamos de fazer algum programa na semana que vem. Ela é da minha idade, aproximadamente, e nós descobrimos vários interesses em comum. Jess e Mike são um casal muito divertido e querido por todos, pelo que observei. Alec é mais quieto, fica na dele, mas parece ser gente boa. E eu também conversei muito Félix. Eu adorei escutá-lo falar sobre seu filho. O amor dele por Seth é evidente. Ele acaba revelando que a mãe de Seth morreu há dois anos e isso me entristece. Nenhuma criança deveria ter que crescer sem um dos pais. Meu coração dói por aquele pobre garotinho.

"Nós passamos por um momento muito difícil quando Leah faleceu, mas agora meu menino está voltando a ser o que era, mais alegre e cheio de vida".

Eu coloco minha mão e seu braço, em apoio. "Seth é um menino incrível, Félix. Eu já o adoro", eu revelo.

"Ele é mesmo", ele diz orgulhoso. "E ele também já adora a querida professora dele...a senhorita Swan".

Depois de conversar por mais um tempo, eu tomo o último gole do meu vinho e decido que é o suficiente. Eu vejo Jess e Mike dançado e decido chamar um táxi, para não atrapalhar a noite deles, mas Félix se oferece para me levar pra casa.

"Eu só bebi uma cerveja, posso dirigir perfeitamente", ele garante. Eu realmente não o vi bebendo mais do que isso.

"Eu não quero te dar trabalho, Félix".

Ele zomba. "Não é trabalho nenhum, Bella. E já está nora de buscar Seth na casa da minha irmã".

"Tudo bem. Vamos nos despedir do pessoal, então".

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Eu indico o caminho pra casa e me sinto mal ao perceber que é no oposto de onde ele mora.

"Eu já disse que não há problema, Bella. Eu não poderia deixa-la pegar qualquer táxi a essa hora. Não tem problema, eu garanto", ele diz após mais uma tentativa de me desculpar pelo transtorno.

Quando chegamos em frente à casa, eu o percebo meio impressionado. E isso logo se confirma.

"Uau, Bella. Eu não sabia que você era rica", ele diz rindo, meio brincando.

Eu sinto minhas bochechas esquentarem. "Huh, eu não sou. Na verdade, é a casa do meu namorado". Eu amo poder dizer isso. Meu namorado. "Eu moro com ele".

"Oh. Namorado", ele responde. "Claro", ele murmura, mas eu escuto.

"Bem, obrigada mais uma vez, Félix".

"Por nada, Bella. Sempre que precisar".

Eu aceno e saio do carro, acenando com a mão até que ele dá partida e sai.

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Entro em casa e vejo Edward cochilando no sofá da sala. Um livro está caído em seu peito. Eu coloco minha bolsa na poltrona e me aproximo dele, ficando de joelhos na sua frente. Ele é lindo. Acaricio seu cabelo rebelde e chamo seu nome.

"Edward", chamo pela segunda vez. Ele começa a se mexer e desperta lentamente. Seus olhos encontram os meus e ele me oferece um enorme sorriso.

"Oi", eu digo, retribuindo o sorriso.

"Oi, linda". Eu adoro quando ele me chama assim porque é mais do que apenas um elogio, ele me faz sentir linda de verdade, o tempo todo.

"Você vai ficar dolorido por dormir aqui", eu digo enquanto ele se senta, ainda sonolento. "Deveria estar dormindo na cama".

"Minha cama estava muito fria sem você", ele fala e me puxa para seu colo, buscando minha boca imediatamente. Ele deixa suas mãos percorrerem meu corpo por baixo do vestido. Nem parece que esse homem estava dormindo minutos atrás...

"Humm", ele geme quando eu rebolo em seu colo. "Você bebeu vinho", ele afirma quando solta minha boca. Eu aceno. Eu tento iniciar outro beijo, mas ele fala de novo. "Sua amiga te trouxe de volta?"

"Huh, ela estava se divertindo com o marido e eu não quis acabar com a alegria deles. Félix me trouxe".

"Félix?", ele questiona, franzindo a testa.

"Félix é o professor de educação física. Ele é o pai de Seth. Eu já te falei do Seth, não é? Meu aluno..."

"Sim, você já me falou do garotinho".

"Eu ia pegar um táxi, mas ele se ofereceu pra me dar carona", eu explico e Edward acena.

"Você se divertiu?"

"Sim. Eles são muito animados, foi muito bom", eu digo. "Mas eu não vi a hora de voltar pra casa", eu digo aproximando nossos rostos, "voltar pra você".

Eu mal termino de falar e a boca dele está na minha, exigente. Logo ele se levanta, me carregando com as pernas envoltas em sua cintura, e nos leva para seu quarto.

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-R-R-R-R-

Oi pessoal.

E aí, gostaram do capítulo? Comentários são sempre muito bem-vindos ;)

No próximo capítulo tem a festa de aniversário do Edward...

Obrigada a todos que leem, comentam e marcam essa história como favorita :)

Bjos e até o próximo capítulo.

T. Darcy