Título: O recluso
Sumário: Bella, uma recém-formada da Universidade de Washington, se vê sozinha e desorientada ao sair da faculdade e perder seu pai. Uma oportunidade surge para trabalhar como governanta na casa de um misterioso homem em Port Angeles.
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Recluso:
Pessoa que espontaneamente se isolou do convívio social.
(Dicionário UOL)
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No capítulo anterior
É no meio do meu falatório que eu sinto a mão dele apertar a minha. Levanto o rosto e olho pra ele, apenas para encontrar duas esferas verdes me fitando. Então, um sorriso lindo se forma lentamente em seu rosto.
Capítulo 26
Setembro de 2016
BPOV
"Ei", eu digo, espelhando seu sorriso.
Ele tenta falar oi, mas não sai nenhum som. Ele limpa a garganta e agora a voz sai fraquinha. "Oi".
"Oi, meu amor", eu me aproximo mais nossos rostos e acaricio seu cabelo. "Estou tão feliz que você acordou. Tão feliz!", eu digo emocionada.
Ele franze a testa ao me ouvir e aperta minha mão.
"Água", sua voz sai rouca.
"Oh. Claro. Espere um minuto", eu digo e toco a campainha do posto de enfermagem. "O paciente acordou e está pedindo água".
"Eu já estou indo verificar. Aguarde um momento", a enfermeira responde pelo interfone.
"Por que estou aqui?", ele pergunta, olhando ao redor do quarto.
"Você está no Harborview Medical Center", eu digo. "Você não se lembra de nada?"
Ele parece buscar na memória lembranças do que aconteceu.
"Eu passei na casa dos meus pais depois da reunião...". Ele começa a lembrar, mas se cala.
"Você estava voltando pra Port Angeles e uma van invadiu a pista e bateu no seu carro. Estavam você e Irina. Ela está bem, não sofreu nada grave. Você teve uma lesão no baço e foi operado ontem. E fraturou o braço. Graças a Deus correu tudo bem no final", eu começo a soluçar. Me inclino para abraçá-lo levemente.
"Ei", ele passa a mão em meu cabelo. "Não chore". Eu levanto o rosto e ele me acaricia com a mão boa.
"Oh, Edward. Eu estava com tanto medo", eu confesso.
"Está tudo bem, agora. Eu estou aqui. Não chore, Bella".
A porta do quarto se abre e junto com enfermeira Maggie, Esme está de volta.
"Edward! Meu filho", ela se apressa até ele. Eu me afasto ligeiramente. A enfermeira dá um pouco de água e faz algumas perguntas de rotina.
Alguns minutos depois, Maggie lhe dá um remédio pra dor e nos deixa a sós.
"Alice esteve aqui mais cedo e vai voltar à noite. Seu pai está fazendo ronda aqui no hospital e sempre dá uma chegadinha ao seu quarto. Ele deve voltar em breve", Esme diz, segurando sua mão.
Ela pergunta do que ele se lembra e aos poucos ele vai recordando. Me encarando, ele faz questão de contar o porquê Irina estava no carro com ele.
"Ela me pediu uma carona para Port Angeles, pois iria se encontrar com uns amigos no festival gastronômico que aconteceria no centro. Quando saí da sua casa", ele gesticula pra sua mãe, "ela estava chegando de táxi e falou comigo. O carro dela está na oficina", ele explica.
"Sim. Eu me lembro dela comentar sobre um festival mesmo, quando chegou lá em casa", Esme afirma.
Eu permaneço calada, de pé ao lado da cama. É uma explicação razoável.
Edward continua me fitando.
"Mãe, posso falar com a Bella a sós por um minuto", ele pede.
"Huh, claro, meu filho", responde confusa pelo seu pedido. Ela beija sua mão e levanta, saindo do quarto.
Ele estende a mão dele e eu me aproximo, aceitando-a.
"Eu juro que foi exatamente isso o que aconteceu com Irina. Foi só uma carona", ele diz preocupado.
"Edward, eu acredito em você. Confesso que quando recebi a noticia do acidente e soube que ela estava com você, eu fiquei confusa...mas sabia que não era nada demais. Eu confio em você, não precisa explicar mais nada.", eu o tranquilizo.
"Bom. Ela insistiu e eu acabei cedendo", ele me puxa para um abraço, mas eu tento me afastar.
"Eu não quero te machucar", eu explico.
"Você não vai", ele sussurra em garantia e eu encosto nossos corpos levemente.
"Eu amo o seu cheiro", ele murmura, me fazendo rir.
"Eu estou há mais de 24 horas sem tomar banho, Edward. Cheirosa é a última coisa que estou".
Ele ri também, mas para ao sentir dor. Eu me afasto dele e o vejo fechar os olhos e respirar profundamente.
"Acho que eu não posso rir por algum tempo", ele fala após instantes. "Sobre o seu cheiro, eu adoro de qualquer jeito e agora você continua cheirosa como sempre. Mas você não precisa ficar aqui o tempo todo, Bella. Pode ir casa dos meus pais e descansar. E o seu trabalho?"
"Eu liguei lá mais cedo e avisei que faltaria hoje. Como é sexta-feira, só tenho que voltar na segunda", eu respondo. "E eu sei que não tenho que ficar o tempo, mas eu quero", eu afirmo timidamente.
"Ei, eu estou feliz que você está aqui, mesmo tirando você das suas responsabilidades. Acordar e te ter aqui foi bom, mas eu me preocupo com você, não quero que se desgaste por minha causa".
"Eu não vou. E mesmo se fosse, eu não posso não estar aqui, Edward", eu me aproximo e dou um selinho. "Vou chamar sua mãe e tomar um café, ok?"
"Claro, linda".
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Eu passo todo o fim de semana no hospital com Edward. Ele ainda sente um pouco de dor no braço fraturado e no abdômen, mas está se recuperando bem. Eu deixei o hospital apenas duas vezes, e só para tomar banho na casa dos Cullen, voltando em seguida para Edward. Ainda bem que Alice e eu somos de tamanho aproximado, assim ela separou algumas roupas dela e me emprestou.
No domingo à noite, eu me despeço de Edward para voltar à Port Angeles. Emmett e Rose vão me levar pra casa. Eles me ofereçam a casa deles pra dormir ou para o que eu precisasse, mas como Esme e Carlisle estão sempre aqui no hospital, foi mais cômodo ir pra casa deles. Por mais que eu queira ficar o tempo todo com meu namorado, não há ninguém para me substituir no colégio essa semana. Eu já sou a professora substituta.
Edward foi quem mais me incentivou a voltar, para não prejudicar meu trabalho. Eu prometi que volto amanhã à noite ou na terça-feira, nem que seja para voltar no mesmo dia.
"Dirija com cuidado, especialmente quando dirigir à noite, Bella", ele pede.
"Eu vou, eu prometo", eu me inclino para beijá-lo rapidamente, mas ele me segura minha nuca, forçando sua língua em minha boca.
Eu senti falta de beijá-lo assim!
Nós nos perdemos no momento e eu me afasto apenas quando escuto uma risadinha no canto do quarto.
Esme.
Eu apoio minha cabeça no ombro de Edward - que ri da situação – envergonhada demais para olhar pra minha sogra.
Durante o beijo eu esqueci completamente da presença dela aqui.
"Eu já vou", eu digo com o coração apertado. Eu não quero deixá-lo. Eu quero ficar aqui com ele, o tempo todo.
"Me ligue assim que chegar em casa".
Eu aceno e beijo seu rosto antes de me afastar mais. Vou até Esme e a abraço.
"Qualquer coisa, me ligue, por favor", eu peço.
"Vá e fique tranquila, Bella", ela diz carinhosamente. "Ele está bem e nada vai mudar. E ficarei aqui o tempo todo", ela garante.
"Obrigada".
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Eu fico a maior parte do trajeto de volta pra casa em silêncio. Por mais que esteja tudo bem com Edward, eu me sinto...estranha. Preocupada. Eu não sei bem como definir. Rose e Emmett parecem perceber meu estado de espírito e não insistem em puxar conversa. Eles subiram rapidamente o quarto de Edward antes de sairmos de Seattle. Os tios dele também o visitaram, junto com Tânia e Irina, mas foi quando estávamos saindo do hospital.
Quando chego em casa, tudo o que tentei segurar, desaba. Após avisar Edward que cheguei bem, eu choro. Muito. Lá no hospital eu chorei no primeiro dia e depois me mantive mais calma, mas agora, sem Edward aqui comigo, eu percebo o quanto estive perto de perdê-lo.
Eu chego a uma conclusão sobre algo que no fundo eu já sabia há algum tempo, mas acho que evitava até mesmo refletir sobre isso...porque era como se eu não pensasse sobre isso, não seria real e não poderia me machucar, eventualmente.
Eu o amo.
Eu o amo muito.
Quando eu vi seus olhos abertos no hospital pela primeira vez após o susto, as palavras vieram à minha mente e eu quase deixei escapar.
Eu quero dizer a ele. E vou dizer, muito em breve. Agora sinto como se não pudesse segurar isso dentro de mim. Eu preciso compartilhar o que sinto.
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Na segunda-feira eu acabei não indo visitar Edward, pois tive que ficar até mais tarde no trabalho para resolver algumas pendências do dia em que faltei. Na terça eu o visitei, mas não pude ficar muitas horas, pois tinha que voltar pra Port Angeles. Mas pude confirmar o que ele e Esme me disseram por telefone: ele está se recuperando muito bem. Ele está mais corado e já se movimenta com mais facilidade.
O médico disse que deve dar alta hoje, quarta-feira, ou amanhã, caso a recuperação continue evoluindo bem. Assim, eu venho para o trabalho me sentido ansiosa com essa perspectiva.
Na hora do intervalo nas aulas, Jéssica me chama para sair com eles e outros professores nessa sexta à noite.
"Obrigada, Jéssica, mas não posso. Meu namorado ainda está no hospital e mesmo que ele tenha alta, eu não quero deixa-lo sozinho", eu explico.
"Oh, é mesmo. Eu nem pensei nisso", ela fala. "E como ele está?", ela pergunta.
"Melhorando, graças a Deus".
"Fico feliz. Quando ele estiver totalmente recuperado, saia com gente e o traga junto", ela sugere.
"Pode deixar que nós iremos sim".
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Chego ao hospital no início da noite e quando giro a maçaneta da porta do quarto, escuto a voz de Edward alterada.
"Eu não sou nenhuma criança, mãe".
"Eu sei Edward, mas isso não significa que você não precisa de cuidados", Esme responde, parecendo tão frustrada quanto ele.
Eu entro no quarto, com medo de já tê-los alertado da minha presença antes, mesmo não querendo me intrometer. Ambos me olham e Esme dá um sorriso meio forçado.
"Oi", eu digo timidamente. "Huh, eu vou deixar minha bolsa aqui e...sair pra vocês continuarem conversando".
Antes que eu me vire, Edward fala. "Não, Bella. Você fica", ele diz em tom autoritário. Eu levanto uma sobrancelha em questionamento. "Hum...por favor. Fique", ele diz mais suavemente e estende a mão para que eu me aproxime dele.
Antes, porém, eu vou até Esme e a abraço.
"Oi Esme".
"Ei Bella. Fique mesmo e não se preocupe conosco. Eu estou apenas tentando colocar juízo na cabeça desse homem teimoso", ela fala rindo suavemente.
Eu aceno e vou até Edward. Me inclino sobre seu corpo e o beijo rapidamente.
"Ei".
"Ei", ele responde enquanto acaricia minha bochecha. "Senti sua falta", ele diz baixinho.
Eu sorrio. "Você me viu ontem à noite".
"Mesmo assim. É muito tempo sem você", ele me puxa para outro beijo, um pouco mais demorado.
"Você está se sentindo bem?", eu pergunto quando ele deixa minha boca.
"Muito bem. O médico já disse que vai me dar alta amanhã", ele fala animado.
"Oh! Isso é ótimo!", eu respondo, igualmente excitada e olho pra Esme.
"Sim, é uma boa notícia", ela diz. "Mas como eu estava falando com meu filho, ele ainda preciso de muito repouso e cuidados. Eu sugeri que ele fique lá em casa por algum tempo, pois além de ter sempre alguém para ajudá-lo, Carlisle pode verificá-lo todos os dias. Com saúde a gente não brinca, filho".
Huh. Eu entendo o raciocínio de Esme e até concordo, especialmente por ter um médico na casa, mas não posso deixar de ficar um pouco desapontado por não ter Edward em casa comigo logo.
"Acho que sua mãe tem razão, Edward. Será bom ter seu pai para ver a evolução da sua recuperação", eu digo sem jeito.
Ele me fita taciturno, mas não responde.
"Bom, eu vou aproveitar que Bella está aqui e darei uma passada em casa, antes de voltar pra dormir. Já dei minha opinião, mas você decide, filho", Ela fala e sai após se despedir de nós dois.
"Você não precisa concordar com ela", ele resmunga. Chega a fazer bico, feito criança que não consegue o que quer. Isso me faz rir, ganhando uma careta dele.
"Edward", eu levo minhas mãos ao seu cabelo e massageio. Ele geme, fechando os olhos. "Eu realmente vejo a lógica do que ela disse. Por mais que queira você em casa, logo, eu acho que vai ser bom passar uns dias na casa dos seus pais. Carlisle pode te olhar todos os dias".
"Eu quero ir pra casa. Com você", ele teima. Eu recolho minhas mãos e ele abre os olhos, virando pra mim.
"Por que não fazemos assim? Você terá alta amanhã e vai pra casa deles, já que eu tenho que trabalhar quinta e sexta. Então, na sexta à noite eu venho pra Seattle e fico com você na casa dos seus pais e nós voltamos no domingo pra nossa casa. O que acha?", eu sugiro um meio termo.
Ele me encara, parecendo indeciso.
"Eu tenho que trabalhar e não quero te deixar sozinho. Vou ficar preocupada dentro de sala", eu acrescento.
"Tudo bem", ele responde a contragosto. "Mas só até domingo de manhã. Depois vamos pra casa. Nossa casa", ele repete minhas palavras.
"Perfeito, então".
"Agora, venha aqui", ele recua para um lado da cama e da um tapinha no colchão, querendo que eu deite com ele.
"Edward! Não! Eu não posso deitar aí", eu digo. "Além de não querer te machucar, as enfermeiras me expulsariam daqui. E você precisa descansar".
"Você não vai me machucar, Bella. E ninguém vai te tirar daqui", ele fala com cara de cachorro pidão, me deixando balançada. Eu quero deitar com ele, ficar abraçados juntinhos e matar a saudade. "Eu sinto sua falta, Bella".
Oh, droga!
Eu cedo e subo na cama, toando todo o cuidado do mundo pra não encostar nele.
"Mas você tem que descansar. Eu fico aqui até você dormir", eu falo. Ele ignora e aproxima nossos corpos, me segurando em seu braço. Pouco tempo depois ele está dormindo tranquilamente.
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-R-R-R-R-
Olá, pessoal!
Ah, o acidente do Edward foi um susto pra todos, né? Mas ele já está se recuperando :)
Obrigada a todos pela leitura e pelos comentários :D
Próximo capítulo será postado na próxima sexta-feira!
Aguardo os comentários de vocês sobre esse cap ;)
Abraços e até mais!
T. Darcy
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Lari: Aí está a resposta sobre Irina. E nosso Edward já está melhorando ;) Obrigada pelos comentários! Bjos.
Mila: Hahaha...desculpe pelo susto. Como você pode ver nesse capítulo, Edward já está se recuperando bem :) Obrigada por comentar sempre. Bjos.
Lua: Obrigada, Lua! :) A questão da Irina foi esclarecida já nesse capítulo e Bella está demonstrando que confia em Edward. Fico feliz que você esteja gostando ;) Bjos.
