Título: O recluso

Sumário: Bella, uma recém-formada da Universidade de Washington, se vê sozinha e desorientada ao sair da faculdade e perder seu pai. Uma oportunidade surge para trabalhar como governanta na casa de um misterioso homem em Port Angeles.

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Recluso:

Pessoa que espontaneamente se isolou do convívio social.

(Dicionário UOL)

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Capítulo 30

Dezembro de 2016

BPOV

Estamos voando para Chicago e eu me pego pensando nos eventos de ontem. Foi o aniversário de Seth e eu assumi que Edward não gostaria de ir, uma vez que ele não fez questão de participar da festinha de Ryan, o filho de Ang.

Eu percebi que ele estava um pouco estranho o dia todo, mais calado e me encarando mais do que o normal. Aliás, ele anda meio estranho há alguns dias. Eu não pude descobrir o que era e deixei isso de lado. No final da tarde, quando ele saiu do seu escritório, eu informei que iria me preparar para sair. Foi aí que ele botou pra fora o que o estava incomodando.

"Por que você não quer que eu vá com você?", ele parece um pouco magoado.

"O que?"

"Na festinha do garoto", ele explica. "Você não me pediu pra te acompanhar".

"Mas você...Edward, eu pensei que você não gostaria de ir comigo. Você não quis ir no aniversário do filho da Ang".

Ele não responde.

"Eu não posso acreditar!", eu começo a perder a calma. "Você quer ir só porque é o filho de Félix. O que você acha que eu vou fazer? Você realmente acha que eu poderia te tra-"

"Não, Bella!", ele passa as mãos pelo seu cabelo. "Eu sei que você não faria nada. Mas eu pensei que você iria me querer junto. Eu não sei...você não me pediu pra ir". Ele se senta no sofá da sala, olhando pra baixo.

Eu respiro fundo algumas vezes, me acalmando.

"Edward, você gostaria de vir comigo ao aniversário de Seth?", eu peço pacientemente. Não adianta ficar brava com ele. Eu espero que ele veja de uma vez por todas que não existe e nunca vai existir nada entre Félix e eu. Eu não quero ninguém além dele.

"Eu imagino que haverá um monte de crianças lá, mas eu te protejo delas", eu brinco, tentando aliviar o clima. Seus lábios se contraem, formando um pequeno sorriso.

"Eu adoraria ir com você, linda", ele responde com um sorriso maior. "Obrigado", ele diz ao me abraçar. "Por ser paciente comigo".

Na festa ele interagiu um pouco com Hanna, Mike e Jess, que também estavam lá. Eu o apresentei a Seth, que fitou Edward meio desconfiado no início, mas depois se soltou e até o chamou para jogar videogame. Meu namorado ficou meio sem reação nesse momento, mas depois que eu o incentivei, ele aceitou o convite e ficou preso com um monto de crianças na sala de jogos por quase uma hora. Eu confesso que o espiei em alguns momentos. Ele não pareceu a pessoa mais aberta e sorridente do mundo, mas estava conversando numa boa com as crianças.

"O que está te deixando tão pensativa assim?", a voz de Edward ao meu lado, me tira das lembranças de ontem. "Eu espero que não esteja ansiosa por causa da viagem..."

"Oh, não. Não é nada disso, meu amor", eu o beijo seu rosto. "Estou pensando no quanto estou feliz. Há algum tempo atrás, antes de te conhecer, eu...a minha vida estava completamente sem rumo. E agora tudo parece se encaixar".

Tudo bem, não era exatamente isso o que estava pensando, mas...eu penso sobre isso constantemente...

Ele pega minha mão e beija os nós dos dedos.

"Eu entendo o que você quer dizer. Embora eu não passei pelas dificuldades que você enfrentou ultimamente, você deu um sentido real à minha vida, Bella. Era como se eu estivesse apenas sobrevivendo ao invés de viver de verdade".

Eu quero agarrá-lo, beijá-lo até ficar sem fôlego, mas não dá pra fazer isso aqui dentro do avião. Então, eu apenas dou um selinho e digo que o amo. Ele sorri tão lindamente, como sempre faz quando eu proclamo meu amor por ele.

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Os nossos dias em Chicago se passam sem aborrecimentos. Eu confesso que estava com medo de cruzar com alguém do passado de Edward, mas ainda não aconteceu. Hoje é nossa última noite aqui e amanhã voltamos pra casa.

Edward teve duas reuniões com seu novo cliente e ele me disse que tudo correu bem. Nós passeamos bastante. Ele me levou para conhecer os principais pontos turísticos da cidade. Fomos ao Aquário de Shedd, ao Art Institute of Chicago, ao Planetário Adler, à Fonte de Buckingham. Nós passeamos de barco e muito mais. Foram dias maravilhosos, uma primeira viagem inesquecível com Edward. Eu desejo que tenhamos muitas mais pela frente!

Hoje à noite vamos a um evento beneficente de um dos clientes antigos de Edward. O Sr. Lund soube que Edward estava na cidade e fez questão de sua presença. Eu já conversei com ele por telefone algumas vezes, quando comecei a trabalhar para Edward. Como não esperávamos participar de uma festa, eu tive que comprar um vestido às pressas. Ainda bem que consegui achar algo adequado nesse curto espaço de tempo. Meu namorado me ajudou na escolha final: um vestido longo em tom salmão.

"Você está maravilhosa, amor", ele diz ao me ver pronta.

"Obrigada".

"Eu amo o jeito como você cora", ele se aproxima e roça os dedos da minha bochecha até o topo dos seios expostos pelo decote. "Fica ainda mais tentadora", sua voz sai rouca.

Ele inclina seu rosto em direção ao meu, mas eu empurro seu peito. "Vai estragar minha maquiagem". Ele geme, mas se afasta sorrindo.

"Vamos, então?", ele pede, estendendo a mão. "O carro já nos está esperando".

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"Mark, Sylvia. Esta é minha namorada, Isabella", Edward me apresenta ao Sr. Lund e sua esposa.

"Olá, Isabella. É bom colocar um rosto para a voz que eu já conhecia", o Sr. Lund diz ao estender a mão. "E a pessoa responsável pela incrível transformação do meu amigo aqui", ele acrescenta, olhando para Edward, que me abraça pela cintura.

"É um prazer, Sr. e Sra. Lund".

"Agora eu posso entender o motivo pro trás dos sorrisos que Edward tem dado ultimamente. Até conversando por telefone é possível perceber que ele está mais...alegre", Mark acrescenta, fazendo as bochechas de Edward corarem.

Ele está envergonhado! Eu sorrio e beijo seu rosto.

"O que seria desses homens sem nós ao seu lado?", Sylvia fala. Nós rimos. "Eu adoraria que vocês fossem jantar em nossa casa. Assim podemos nos conhecer melhor, Isabella".

"Me chame de Bella, por favor", eu peço gentilmente. "Eu agradeço o convite, mas nosso voo está marcado para amanhã".

"Oh, que pena. Mas dá próxima vez que estiverem em Chicago, eu faço questão que aceitem", ela responde e o marido acena em concordância.

"Nós iremos com prazer, Sylvia. Obrigado", é Edward quem responde.

"Bem, fiquem à vontade. Eu espero que vocês se divirtam. Agora, eu devo receber alguns convidados", Mark explica suavemente. "Ah, Edward? Eu espero resolver aquela pendência sobre nosso...parceiro, ainda essa semana. Nós vamos nos falando" ele diz e se afasta junto com a esposa.

"Eles são muito simpáticos, Edward. Gostei deles", eu digo assim que eles estão longe.

"Sim. Mark é bom homem. Muito correto e é fácil de trabalhar com ele. Pelo pouco que conheço da Sylvia, ela é ótima, também".

"Está tudo bem? Ele disse algo sobre a parceria de vocês".

Ele suspira antes de falar. "É sobre Garrett. Nós prestamos serviço em parceria para a empresa de Mark. Eu expliquei que quero encerrar os laços profissionais com Garrett e que Mark deveria se sentir à vontade para procurar outro engenheiro de software. Ou continuar trabalhando com Garrett, se quisesse".

"Oh". Eu não posso deixar de me sentir um pouco culpada, pelo que aconteceu no aniversário de Edward. "Eu sinto muito que tudo aquilo aconteceu e agora você tem que-"

"Ei", seus dedos me calam. "Eu deveria ter acabado com essa parceria há muito tempo. O que aconteceu foi só a gota d'água. Não se preocupe, tudo bem?"

Eu aceno.

"Eu nem preciso perguntar quem o Sr. Lund escolheu, né?"

Edward ri e dá de ombros.

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23 de dezembro de 2016

"Ai, Rose. Eu não faço a menor ideia do que comprar pra Edward", eu reclamo com minha amiga. "Ele já tem tudo! Tem dinheiro pra ter o que quiser", eu bufo frustrada.

Nós estamos fazendo compras de Natal de última hora, em Seattle. Sempre faltam alguns presentes, por mais que a gente queira antecipar tudo pra não ter que encarar a multidão nas lojas e shoppings. E o pior é que eu deixei o presente de Edward por último. Mas só porque não sei o que posso dar pra ele.

"Você já sabe minha opinião", Rose responde.

Ela sugeriu que eu vá a algum Sex Shop e compre vários brinquedos para usar com Edward. Eu engasguei com minha água quando ela soltou isso no meio do corredor do shopping lotado. Eu até já concordei em comprar algumas coisinhas, mas isso não é presente de Natal. É só um agrado para Edward. E pra mim, é claro.

"Eu já disse que vou, Rose. Mas só depois de encontrar um presente descente pra ele", eu insisto. "O que você vai dar pra Em?"

"Além das duas sacolas com quais saí do Sex Shop semana passada, vou dar um notebook. O dele não presta mais", ela conta.

"Hum". Eu queria que fosse fácil assim com Edward.

Após rodar mais algumas horas, eu desisto de encontrar algo grandioso ou diferente. Acabo caindo nos presentes clichês: um perfume e uma garrafa de Whisky. Além disso – e da ida ao Sex Shop – eu mandei fazer um montagem com algumas de nossas fotos, inclusive as que tiramos em Chicago. Quando eu dei o porta-retrato no aniversário dele, ele brincou que iria mandar ampliar a foto para colocar na parede. Bem, agora não precisa mais...

"Vamos almoçar, Bella. Estou faminta", Rose diz apontando para o relógio. Já são quase duas horas da tarde. Nós guardamos a maioria das compras no carro e voltamos para fazer a refeição e passar nas últimas lojas.

"O que você está a fim de comer? Pizza? Comida chinesa? Japonesa? Sanduiche?", ela pergunta, mas já sai me arrastando para um dos restaurantes de comida oriental.

Antes mesmo de entrar, o cheiro dos alimentos me domina e meu estômago revira. Eu levo minha mão à boca devido à forte náusea que sinto. Rose percebe que parei e volta em minha direção.

"Bella?", ela toca meu braço. "Tudo bem?"

Eu nego com cabeça e saio correndo em direção ao toalete.

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Rose termina de comer seu sanduiche e eu tomo pequenos goles do meu suco natural. Ela foi atrás de mim e depois expelir meu café da manhã no sanitário, nós voltamos para a praça de alimentação, mas eu passei longe dos restaurantes, me sentando em uma mesa mais afastada.

"Você não vai falar nada?"

"Falar o quê, Rose?", eu questiono agitada.

Ela bufa. "Bella, não se faça de tonta? Você comentou que passou mal quando estava em Chicago, também".

"Foi algo que eu comi lá, Rose", eu respondo fracamente, tentando convencer mais a mim do que a ela. Eu confesso que quando sento náuseas durante a viagem, não cogitei ser nada fora do comum. Provavelmente jet leg...algum alimento estragado...

Mas enquanto estava naquele banheiro, há poucos minutos atrás, eu tive que pensei em outras possibilidades para explicar meu mal estar. E, então, eu me dei conta que minha menstruação está atrasada. Droga! Como eu não percebi antes?

"Rose", minha voz sai em um sussurro. "Eu não posso estar...não pode ser".

"Calma, Bella. Vamos pensar racionalmente. O que mais você está sentindo?"

Eu forço minha mente a lembrar de tudo do que aconteceu de incomum nas últimas semanas. Estou chorando à toa. Meus seios estão mais sensíveis. E náuseas nos últimos dias.

"Certo", minha amiga se levanta. "Vamos! Vamos comprar alguns testes agora".

Ainda em choque, eu a sigo. Eu não posso conceber a ideia de estar grávida. É muito cedo!

É claro que eu quero ter filhos...eu sempre amei crianças. Mas eu estou com medo só de pensar nisso...

Medo por vários motivos. Os principais são porque eu não sei se estou preparada para tal responsabilidade e por causa de Edward. Nós nunca falamos abertamente sobre filhos, mas ele já deu a entender que não é tão apaixonado por crianças assim. Eu não sei se ele apenas não convive muito com elas ou se ele realmente não gosta delas.

"Aqui, Bella", a voz de Rose me traz de volta à realidade. "Vamos levar uns quatro", ela pega as caixinhas nas prateleiras e nós vamos até o caixa.

Quando estamos no estacionamento, Rose pega a chave do meu carro. "É melhor você me deixar dirigir". Eu não contesto. Entro no lado do passageiro e meu celular toca na bolsa.

É Edward.

Oh, Deus.

"Eu não posso, Rose. Ele vai...ele vai saber pela minha voz...vai saber que tem algo acontecendo".

"Deixe ir pra caixa postal. Depois mande uma mensagem explicando que o shopping está lotado e que voltaremos na hora d o jantar, na casa dos pais dele".

Isso! É uma boa ideia.

"Vamos para minha casa. Lá você se acalma e faz os testes. Ou...quer dizer, a não ser que você queira fazer junto com Edward".

"Não! Na sua casa. Vamos pra sua casa, por favor".

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Oie!

A maioria de vocês já desconfiava dessa possibilidade, né...rsrsrs. Esse capítulo foi mais curtinho (como o último), mas estou postando mais vezes por semana ;)

Será que vai dar positivo?

Ela vai contar pra Edward logo?

E a reação dele?

Muito mais no próximo capítulo :)

Bjos e obrigada pelos comentários e pela leitura!

T. Darcy

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Mila: Foi exatamente isso que o Edward fez, né ;) Humm, casamento..será? Hahaha Só digo que muitas coisas vão acontecer nos próximos capítulos :) Bjos e obrigada!

'A': O último capítulo foi pequeno, mas postei este bem mais cedo ;) Espero que tenha gostado :) Bjos e obrigada!

Guest 'lagartixa': Hahaha Adorei seu comentário! O Félix não se manca, né?! Acho que dessa vez ele percebeu que realmente não tem nenhum chance com a Bella ;) Bjs e obrigada por ler e comentar!