Título: O recluso

Sumário: Bella, uma recém-formada da Universidade de Washington, se vê sozinha e desorientada ao sair da faculdade e perder seu pai. Uma oportunidade surge para trabalhar como governanta na casa de um misterioso homem em Port Angeles.

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Recluso:

Pessoa que espontaneamente se isolou do convívio social.

(Dicionário UOL)

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Capítulo 35

30 de junho de 2017

Bella POV

"Tem certeza que não precisa de mais nada?", Edward pergunta pela milésima vez. Estou com 34 semanas de gravidez e não há uma posição sequer na qual eu me sinto confortável. Minhas costas doem, a barriga pesa, tudo me incomoda.

Eu preciso sim. Preciso que sua filha nasça logo, eu penso. Pode acontecer a qualquer momento. Ontem fomos à médica mais uma vez e ela disse que não deve passar da próxima semana. Ela está bem, saudável e o parto deve correr perfeitamente.

Edward paira sobre mim o tempo todo. Eu entendo que ele está preocupado em me deixar mais confortável e está ansioso também, mas às vezes ele exagera.

"Você já trouxe água, suco, já me ajudou a tomar banho. Estou bem. Vou ficar aqui descansando. Você pode voltar ao trabalho", eu digo e ele parece duvidoso. "Vá. Eu grito se precisar de algo", insisto.

Relutante, ele acena. "Tudo bem", ele se inclina e beija meus lábios rapidamente.

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Eu devo ter cochilado por mais de uma hora, pois quando acordo, já anoiteceu. Eu me sinto bem disposta, para minha própria surpresa. Geralmente esses cochilos me deixam é mais cansada ainda, mas dessa vez foi diferente.

Decido descer e ver se Edward ainda está trabalhando. Cuidadosamente desço as escadas e vou até seu escritório. A porta está aberta e ele está concentrado em frente à tela do computador.

"Ainda trabalhando?".

Ele levanta os olhos, surpreso pela abordagem inesperada.

"Não. Na verdade, não. É só...algo que meu terapeuta pediu. Uma tarefa".

"Oh. Desculpe, não queria interromper".

"Não interrompeu", ele fecha o notebook e vem em minha direção. "Dormiu bem?", ele me abraça.

"Muito bem. Acordei me sentindo revigorada".

"Isso é bom". De mãos dadas, ele me leva até à cozinha. "Você quer jantar agora? Posso encomendar ou preparar algo aqui mesmo".

Eu delibero por um minuto. "Acho que o jantar pode ser mais tarde. Eu prefiro comer um pouco de salda de frutas agora". Ele nos serve uma taça e conversamos enquanto comemos.

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Mais tarde, estamos sentados abraçados na cama, assistindo a m filme. Eu estou assistindo, mas Edward parece estar em outro mundo.

"Está tudo bem? Você parece distraído", eu aponto.

Ele me encara e responde. "Não é nada. Só estou pensando", ele diz com um sorriso suave no rosto.

Eu arqueio a sobrancelha, para que ele continue e desligo a televisão.

"A tarefa que o terapeuta me deu era basicamente pensar sobre como me vejo daqui alguns anos e isso me fez pensar nesse último ano. Tem pouco mais de um ano, na verdade, que nos conhecemos", ele se ajeita na cama, sentando-se com as costas apoiada na cabeceira. "Eu sei exatamente o que eu quero para minha vida daqui cinco anos...ou daqui a 10, 20. Mas se alguém me perguntasse isso há dois anos atrás, eu acho que o cenário que eu imaginaria seria muito diferente".

"Como?"

"Eu estou com 38 anos, Bella. Há dois anos, estava com 36 e já não tinha esperanças...na verdade, eu dizia pra mim mesmo que não procurava por isso...que não queria alguém especial pra compartilhar a vida comigo. Que eu não precisava ou queria uma família. Eu já estava me conformando em continuar vivendo sozinho", ele dá de ombros.

Eu não suporto penar nele sofrendo, vivendo uma vida vazia. Eu aproximo nossos corpos e o abraço.

"Naquela época, antes de te conhecer, a resposta seria: eu quero uma vida sem complicações e espero que meu trabalho cresça ainda mais".

"E agora?"

Ele sorri. "Agora, eu me vejo aqui com você, com nossa Sophie", ele coloca a mão na minha barriga. "Eu quero mais", ele sussurra, "quero que ela tenha irmãos". Oh, Deus! Eu sinto meus olhos lacrimejarem. Ele quer mais filhos. "Eu quero trabalhar menos, para curtir minha família e eu quero ter o seu amor pra sempre".

"Você terá. Você já tem, Edward", eu digo, minha voz embargada. Eu puxo seu rosto e o beijo.

Sinto a necessidade de provar tais palavras. Tudo o que ele disse sobre a vida dele, de certa forma serve para a minha também. Eu estava sozinha, com o futuro incerto...eu sentia como se houvesse uma nuvem negra sobre mim, que não ia embora. E, de repente, eu o conheço e minha vida muda totalmente.

"Bella". Ele deixa minha boca e volta sua atenção para minha garganta, beijando e sugando.

"Huumm", eu chio. Suas mãos vagam pelo meu corpo. Os dedos roçam a lateral dos seios e eu me arqueio pra ele. Eu toco seu peito nu e o sinto vibrar contra minha pele. "Por favor".

Ele me atende e acaricia meus seios doloridos por cima da camisola. Sua boca segue as mãos e logo ele está sugando um dos mamilos enquanto brinca com o outro entre os dedos.

"Ahhhh". Eles estão tão sensíveis. Depois de dar atenção aos dois, ele busca minha boca novamente, agora com mais urgência do que o beijo anterior. Ele empurra suavemente o meu corpo para o colchão e se inclina sobre mim, sem perder o contato.

Eu preciso dele.

Ele se afasta, ajoelhando-se na cama, apenas para me ajudar a retirar a roupa. Em seguida, eu toco seu abdômen e desço até o cós da bermuda. Ele já está excitado. Eu amo que ainda tenho esse efeito sobre ele.

Libero seu pênis e o acaricio com a mão.

"Huumm. Ohhh, Bella", eu o vejo fechar os olhos, apreciando meu toque. Passo o polegar na ponta e ele uiva de prazer. "Eu te quero", ele murmura, afastando-se.

Carinhosamente, ele me coloca na beirada do colchão e fica de pé. Eu me abro e ele se posiciona entre minhas pernas. Minha calcinha já foi descartada e ele brinca com seu pau em meu clitóris.

"Por favor".

Ele me penetra devagar, com muito cuidado. Sei que ele se preocupa em me machucar durante o sexo no final da gravidez, mas a médica disse que enquanto estiver me sentindo bem e disposta, podemos continuar.

"Bellaaaa". Ele começa a se movimentar e seus golpes são lentos e profundos, me fazendo gemer. Eu envolvo as pernas em sua cintura e ele muda o ângulo, me dando mais prazer. "Eu te amo".

"Muito", eu respondo. Minhas mãos agarram o lençol. Um substituto pobre para o cabelo do meu marido. Oh, eu amo puxá-los durante o sexo porque ele se excita com isso. Enquanto fazemos amor, ele toca meus seios, acaricia meu ventre e eu posso ver e sentir em seus olhos o amor que ele tem por nós duas.

"Mais rápido", eu peço, fitando-o intensamente. "Eu preciso..."

"Assim?", ele acelera ligeiramente o ritmo. Eu amo senti-lo me enchendo completamente.

"Sim. Sim". Meu orgasmo não demora, basta que ele toque meu clitóris com os dedos e eu grito de prazer.

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05 de julho de 2017

Edward POV

"Eu acredito que nós acordamos os pontos principais, Edward. Vou conversar com meus colegas, passar tudo para o pessoal do setor de contratos e eu volto a entrar em contato", o Dr. Marcus diz. Ele trabalha com meu pai no hospital e a gente se conheceu na festa do meu penúltimo aniversário. Tivemos uma reunião hoje para acertar detalhes de um trabalho com a equipe dele.

"Eu aguardo. E, obrigado", eu digo e caminho logo pra fora do hospital, em Seattle. O sinal de celular aqui é péssimo e eu estou preocupado com Bella. Hoje pela manhã ela estava se sentindo indisposta, mas jurou que era apenas indigestão por algo que comeu. Eu estive a ponto de cancelar essa reunião com Marcus, mas ela insistiu que eu viesse.

Entro meu carro e o sinal do aparelho melhora. Parece que ela não ligou, então deve estar tudo bem. De qualquer forma, eu acelero em direção à Port Angeles, querendo chegar em casa o mais breve possível.

Quando estou no meio do caminho, o celular toca. Eu odeio ter que atender enquanto dirijo, mas é ela.

"Bella?"

"Edward", a voz dela é chorosa. "Edward, eu acho que está na hora...eu não sei...e tenho sentido contrações e estou cronometrando... a médi-...e não atendeu", a ligação não está boa. Ela está nervosa.

"Bella, a ligação está cortando", eu tento manter a calma. Encosto o caro no acostamento. "Eu já estou voltando pra casa. Fique calma". Sei que é injusto pedir isso dela, afinal ela está lá, sozinha e nunca passou por isso antes. "Qual o intervalo das contrações?".

"Está aumentando. Quase de doze em doze minutos", ela está ofegante.

"Merda!", eu deixo escapar. "Eu estou no meio do caminho, vou chegar em breve, Bella". Vou pisar no acelerador. Droga! Por que eu fui sair de casa? Eu deveria ter ficado com minha esposa.

"Hanna e Félix estão aqui comigo. Seu celular estava fora de área e eu fiquei com medo...eu liguei para a médica, ela está esperando no Olympic Medical Center. Está doendo e eu acho que não posso esperar você chegar em casa...ela vai nascer, Edward".

"Respire fundo, Bella", eu digo enquanto volto com o carro para a pista e dirijo novamente. "Você fez muito bem em chamar alguém. Vá com eles para o hospital e eu chegarei logo depois de vocês. Vai dar tudo certo, meu amor", eu falo confiante.

"Tudo bem", ela responde. "Dirija com cuidado, por favor", ela pede.

"Eu vou. Agora, me deixe falar com a Hanna", eu peço.

"Tá. Eu te amo, Edward"

Ela passa o telefone para a amiga e eu pergunto como minha esposa realmente está. Ela responde que Bella está bem, que estava nervosa porque não conseguia falar comigo.

"A médica também a acalmou um pouco", Hanna conta. "Mas pediu que fôssemos logo para a maternidade".

"Sim. Faça isso, por favor, Hanna. Eu acredito que dentro de uns 60 minutos eu chego lá. Tente acalmá-la. Ela não pode ficar nervosa assim".

"Pode deixar. Nós estamos saindo agora".

"Obrigado e até já".

Eu desligo e acelero o carro, agora que posso focar somente na direção. Eu tenho que chegar a tempo de ver minha menininha nascer. Eu tenho que estar lá para apoiar minha Bella.

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"Isabella Cullen, minha esposa foi trazida pra cá", eu digo para a moça do balcão de atendimento assim que entro na maternidade.

"Um momento, por favor", ela verifica no computador e pede meus documentos.

Minutos depois, eu ando apressado pelos corredores até o bloco onde Bella está. Vejo Félix e Hanna sentados na sala de espera. Ela se levanta quando me vê.

"Me diga que ainda não..."

"Não", ela responde. "Bella já está na sala, sendo preparada para o parto", ela aponta para uma porta.

Eu aceno.

"Obrigado, Hanna". Eu me viro para Félix e o cumprimento. "Você, também Félix. Obrigado".

"Não precisa agradecer", ele responde. "Vá para Bella".

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Após me limpar e vestir uma roupa esterilizada que o hospital fornece, as enfermeiras finalmente me levam até minha esposa.

"Bella", eu faço minha presença conhecida.

"Oh, Edward. Ainda bem que você chegou", ela está ofegante e claramente com dor. "Eu pensei que você não estaria aqui", lágrimas escorrem por seu rosto.

Eu acaricio seu rosto. "Está tudo bem, meu amor. Eu estou aqui agora. Vi dar tudo certo", eu sorrio pra ela. "Nossa princesinha vai nascer".

Ela sorri em resposta. "Sim".

Ela vai se acalmando e cerca de meia hora depois a obstetra chega. Eu tento transmitir calma e confiança para Bella, mas confesso que sinto minhas pernas bambas. Ela está com dor e eu não posso fazer nada para ajudar. E, principalmente, é uma emoção sem igual ver minha filha nascer.

A enfermeira diz que chegou a hora e eu foco em minha esposa, segurando sua mão e falando palavras de conforto e incentivo. Tudo se passa muito rapidamente. A médica pede que Bella continue fazendo força, empurrando...

E então eu escuto um dos sons mais lindos do mundo. O choro de meu bebê. Eu me divido entre olhá-la, querendo conhecê-la, e fitar sua mãe, que está chorando de emoção agora.

"Eu quero...", Bella diz entre as lágrimas. "Eu quero vê-la".

Com o maior sorriso do mundo, eu a respondo. "Eles a estão limpando, Bella", eu beijo sua testa. "Ela logo será trazida pra cá".

Ela acena.

"Obrigado, meu amor, pelo presente mais precioso que eu poderia ganhar", eu sussurro emocionado. "Eu não pensei que fosse possível te amar ainda mais, mas eu estava enganado".

"Ela é nossa, Edward. Nós criamos uma vida..."

A enfermeira chega com um pacotinho em seus braços e entrega nossa filha para Bella.

"Oi, meu amorzinho", ela diz, seu olhar examinando cada pedacinho da nossa menina. Eu faço o mesmo.

Ela é linda.

"Ei papai", Bella diz, virando mais o rostinho de Sophie em minha direção.

"Bem vinda, Sophie. Minha princesinha".

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Três dias depois, Bella e Sophie são liberadas do hospital e chegam em casa. Eu passei todas as noites lá com elas e parte da nossa família e amigos foi visitá-las. Eles estão ansiosos para nos visitar em casa, também, mas hoje eu quero descanso.

Nós chegamos em casa há cerca de duas horas e estamos em nossa cama. Bella está amamentando Sophie e eu estou ao lado delas. Eu não me canso de olhar pra ela. Ela é perfeita. Um anjinho. Eu acho que ela se parece muito com Bella. Seu cabelo e olhos são castanho escuro como as da mãe. Sua pele é clara e delicada como porcelana. O narizinho é delicado e perfeito como o da mãe.

"Você não consegue parar, né?", Bella diz rindo.

Eu levanto meu olhar, encontrando o dela. "O que?"

"De olhar pra ela".

Eu dou de ombros. "Eu acho que eu nunca vou. Ela é linda. Tão pequenina. Tão perfeita!".

"ela é. E eu entendo. Eu também não consigo parar", ela confessa e nós rimos.

"Ela é tão parecida com você", eu digo mais uma vez.

Ela bufa. "Você sabe que os bebês mudam bastante, né? A cor do cabelo, dos olhos...", ela insiste que nossa filha se parecerá comigo.

"Eu sei que é possível, mas tenho certeza que minha princesinha continuará a cara da mamãe", eu me aproximo e cheiro a cabecinha dela, enquanto ela se deleita com seu alimento.

Alimentada e dormindo tranquilamente agora, eu levo Sophie para seu berço, montado em nosso quarto. Após conversar com a médica, nós optamos por deixá-la dormir em nosso quarto nos primeiros meses, não só porque estimula a mãe a amamentar e facilita sua vida, mas principalmente porque ainda temos receio de que algo acontece. Queremos manter o olhar atento sobre nossa filha.

"Você quer beber alguma coisa? Fazer um lanche?"

"Não, estou bem. Só estou um pouco cansada, mas é muito bom estar em casa", ela responde. "Deite aqui comigo", ela pede. Eu subo na cama e ela deita seu rosto em meu peito. "Humm", ela geme em apreciação. Eu faça carícias em seu cabelo e braço, sentindo-a relaxar.

Com a mulher que eu amo em meus braços e minha filha dormindo ao nosso lado, eu não poderia me sentir mais feliz e realizado. Há um sentimento crescente dentro de mim, que eu não consigo ainda definir muito bem. É uma espécie de paz, uma segurança...eu não sei. É uma espécie de confiança, a certeza de que independente do que a vida colocar em nosso caminho, das dificuldades e obstáculos que possam surgir, nós vamos ficar bem porque estaremos juntos. Eu tenho minha família aqui comigo e isso é tudo o que importa.

FIM

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Ahhhhhh, acabou :(

É triste e gratificante ao mesmo tempo terminar essa história. Eu amei escrevê-la, de verdade, e vou sentir falta. Terei saudades, também, de trocar ideia com vocês, leitores queridos que comentam cada capítulo 3 Cada palavra de apoio e incentivo de vocês foi muito importante! :)

Obrigada por acompanharem minha fic e eu espero que tenham gostado desse capítulo final. Eu já disse isso antes (porque é a mais pura verdade rsrsrs), eu não sou muito boa em escrever finais...acaba ficando meio clichê, mas enfim...na ficção pra mim sempre vai haver um final feliz!

Eu espero começar outra história em dezembro ou janeiro, quando a vida real der uma acalmada...rsrsrs. Espero contar com vocês!

Abraços,

T. Darcy