New York.
Distraída, passa o olhar ao redor do escritório luxuosamente decorado. Em uma comprida parede, havia duas prateleiras de madeira escura e vidro, com centenas de livros de direito. Entre estas havia uma grande moldura de um retrato pintado a óleo, a pintura era de uma versão mais jovem de seus sogros com um bebê entre eles, cada um com um braço ao redor da criança. Sua mulher. Dá um pequeno sorriso bobo, observando os olhos representados na pintura. Desde bebê, os olhos de Rachel tinham um intenso brilho, que o artista conseguira captar perfeitamente. O quadro era perfeito, uma verdadeira obra-prima, e naquele momento decide que teria uma pintura parecida àquela quando tivesse um filho com Rachel. Ou oito.
Em frente às prateleiras, havia uma confortável cadeira de couro em um tom marrom e uma grande mesa de madeira escura. Sobre esta havia dois iMacs lado a lado, praticamente colados, como se fossem um só, uma pilha de papéis perfeitamente organizada, um iPad colocado sobre seu suporte e uma tela Smart incorporada no centro da mesa, ainda havia duas cadeiras também de couro marrom em frente a mesa. Escuta alguém suspirar levemente e ignorando, lança o olhar ao outro lado, onde havia duas portas fechadas de madeira branca, e sabia que uma delas era o toalete. Em um canto, havia um bar com diversas bebidas alcoólicas e um frigobar platinum. Umedece os lábios, sentia uma vontade imensa de beber algo forte, quem sabe assim teria coragem para terminar o que começara. Havia uma estranha sensação em seu estômago que crescia conforme os minutos se passavam. Nervosismo, que estivera presente desde o momento em que entrara naquela sala, disposta a conversar seriamente, mas acabara deixando seu ataque de nervos levar o melhor de si, e não conseguira falar nem metade do que queria. Tenta dissimular seu desconforto, olhando atrás de si, onde havia uma prateleira de vidro com todos os prêmios e títulos que seu sogro ganhara como advogado, assim como seu diploma de Harvard. Arqueia uma sobrancelha curiosa, tentando ler a inscrição em um desses prêmios, voltando a ignorar o suspiro impaciente que alguém solta.
"Quinn, querida..." Hiram chama sua atenção, calmamente, fazendo com que ela voltasse seu olhar a ele rapidamente. "Eu sei que disse que precisamos conversar, e para ser honesto até suspeito sobre o que seja, e sei que você está nervosa, mas devo pegar um voo para Califórnia em menos de duas horas, e infelizmente não é uma viagem que possa cancelar, então, por favor, se pudermos começar." Move-se em seu assento, inclinando-se a frente, juntando suas mãos e depositando os cotovelos sobre suas coxas, em uma atitude expectante.
Leroy alterna o olhar entre os dois, desentendido. Ao receber uma ligação de Quinn no início da semana, que o dissera que precisavam conversar e o perguntara se podia encontrá-lo em determinado dia e horário em sua casa, pensara que fosse algo relacionado ao seu novo filme com a produtora de Isabelle. Soubera pela própria Isabelle, que o filme seria um drama político, onde o personagem de Quinn, uma poderosa advogada, seria filha dos personagens de Meryl Streep e Robert DeNiro, e que interpretariam uma família de políticos corruptos que seriam submetidos a uma investigação do FBI. A dona da produtora até o pedira para que oferecesse dicas a Quinn sobre sua profissão, ajudando-a entender mais o comportamento dos advogados, dando-a algo como assessoria a um personagem. E ele claro aceitara entusiasmado, e pensara que esse era o motivo da reunião com a atriz. Mas, grande fora sua surpresa ao Quinn chegar a sua casa ao lado de Hiram, alegando que gostaria de falar com os dois. Isso fora há quase vinte minutos e agora, sentados ao redor da área de estar em seu escritório pessoal, estava mais confuso do que nunca, já que Quinn só trocara rápidas palavras com seu marido, antes de agir como se estivesse à beira de um ataque de pânico. "Como assim você suspeita sobre o que seja? O que é? Porque eu não faço à mínima ideia." Mesmo que em um canto de seu cérebro houvesse aquela pequena voz que lhe sussurrasse sobre o que era, não conseguia escutá-la.
Ajeitando seus óculos, Hiram olha de lado ao seu marido, com as sobrancelhas arqueadas. Antes que pudesse lhe dar uma dica, Quinn respira fundo, dizendo a si mesma que não deveria deixar seus nervos a vencerem, não quando se tratava de seu tão sonhado futuro com sua mulher. Precisava fazer aquilo e precisava fazê-lo agora. "Senhores Berry..." Limpa a garganta à sua voz falhar, chamando a atenção do casal, que a olha com grande interesse. A necessidade por uma bebida forte se fazia cada vez maior, não era medo de se casar, imagina se ela teria medo de se comprometer com Rachel àquele nível, elas praticamente já viviam como esposas, mas sentia um estúpido nervosismo que nunca sentira antes, sua garganta parecia arranhar com cada palavra que tentava falar, havia uma estranha sensação de frio em seu estômago, que ficava cada vez mais forte, suas mãos transpiravam. Engole em seco, seria honesta, sentia uma grande e estúpida insegurança. Havia tantas coisas que poderiam dar errado naquele momento, como e se Hiram não gostasse e negasse seu pedido, e se Leroy se irritasse com ela por algum motivo, e se o anel não fosse bom o suficiente aos olhos deles, afinal eram uns dos empresários mais ricos e um anel como aquele era o mesmo que um comprado em uma loja qualquer para eles. Droga, droga, Leroy ia odiá-lo e falar que sua estrelinha merecia melhor. Droga. Sabia que tinha que ter levado o seu sogro para lhe ajudar a escolher o diamante.
Solta o ar pesadamente, tentando controlar sua crise de nervos. Tudo vai ficar bem, respire fundo, não demonstre seu nervosismo, continue respirando, ignore seus pensamentos negativos, diz a si mesma uma e outra vez. Passa a língua entre os lábios, desviando o olhar ao quadro, precisamente aos olhos castanhos nele pintado. Aqueles olhos que tanto amava, que conseguiam lhe passar calma e força, mesmo que tudo estivesse indo mal, mesmo que se sentisse fraca e sem vontades, ao olhar naqueles olhos encontrava tudo o que precisava para seguir em frente, se encontrava. Era como se eles pudessem enxergar sua alma. Sempre a olhavam com adoração, fazendo-a se sentir como se fosse à pessoa mais importante na vida de Rachel, e queria ser, queria ser tudo para ela. Sentindo uma onda de determinação crescer dentro de si, volta o olhar ao casal a sua frente, alcançando por uma delicada caixa de veludo preta no bolso de sua jaqueta de couro.
Ao ver a caixa com a inscrição da Tiffany's & Co que a loira segurava cuidadosamente, Leroy se controla para não soltar um grito, mantendo uma séria expressão, sentindo lágrimas se formarem em seus olhos e seu coração se acelerar. Estava acontecendo, oh minha sagrada Cher, finalmente estava acontecendo. Engole o soluço que ameaçava escapar, fazendo com que sua expressão se tornasse em uma ainda mais séria, em um gesto de auto defesa, não podia chorar na frente de sua nora, tinha uma reputação a ser mantida. E não queria que ninguém o visse naquele estado tão vulnerável, ninguém além de Judy, que era a única que o entendia. Oh, meu Deus, Judy. Agora a organização do casamento Faberry, leia-se casamento do século, era oficial. Tinha que falar com ela o mais rápido possível, e obviamente, com a organizadora Grace. Havia tanto a se fazer, tanto a decidir, que teria que tomar um tempo livre de seu trabalho para cuidar de todos os detalhes. Hiram, sentado ao seu lado, dá um sorriso contente. Desde o momento em que Quinn o ligara no início daquela semana, suspeitara sobre o que se tratava; afinal jamais a vira tão nervosa, a pobre garota parecera estar prestes a enfrentar um julgamento, e acabara lembrando-se de uma versão mais jovem de si, quando planejara pedir Leroy em casamento.
Abrindo a caixa lentamente, a atriz prende sua respiração ao anel de diamantes de seis quilates ser revelado. Não importa quantas vezes o visse, nunca se acostumaria com ele, com o que representava. Estava tão ansiosa e contente, que quase todas as manhãs antes de sair de casa, quando sua mulher estava distraída, se encaminhava ao quarto de hóspedes, alcançando pela caixa de veludo em seu esconderijo na parte mais alta do closet, admirando-o por alguns longos minutos, imaginando como ficaria em Rachel, sonhando com o dia de seu pedido. Julgue-a se quiser, mas se sentia orgulhosa por ter comprado um anel como aquele. Era perfeito, e ficaria ainda mais perfeito quando sua mulher passasse a usá-lo. Só mais algumas semanas, e aquele anel estaria aonde pertence, no dedo de sua futura esposa. E naquele momento se sente uma estúpida, pois mesmo que seus sogros não gostassem do anel, e mesmo querendo agradar Leroy, a única opinião que importava sobre o anel seria a de sua dona. Dá um pequeno sorriso de lado, sentindo seus nervos se acalmarem. Volta à atenção aos advogados, soando mais confiante, mas ainda aparentando nervosa. "Leroy, uma vez você me disse que eu não deveria tentar nada sem sua permissão, e bem, aqui estou." Sente suas bochechas se corarem, e ignorando sua repentina timidez, continua.
"Senhores Berry, eu amo a filha de vocês. Mais do que tudo, mais do que minha própria vida, não há nada nesse mundo que eu não faria por ela, eu daria tudo o que tenho só para vê-la feliz. Rachel é – é tudo aquilo que sempre desejei secretamente em meus maiores sonhos, mas nunca esperei realmente ter, pois dizia a mim mesma que não queria um relacionamento sério, que jamais deveria envolver sentimentos. Eu sempre fui muito independente, nunca gostei de me comprometer, acho que por medo ou simplesmente porque não queria ninguém tirando minha liberdade. Achava que em um relacionamento, eu poderia acabar me perdendo, me transformando em uma pessoa que jamais queria ser. Na verdade, dizia a todos que relacionamentos não eram pra mim, que eu não fazia relacionamentos. Acreditava firmemente estar vivendo a vida perfeita, indo de festa em festa em meu tempo livre, conquistando todas as garotas possíveis, dormindo cada final de semana em um lugar diferente." Olha diretamente aos olhos castanhos de Leroy, que não aparentava nada contente escutando-a. Dá um pequeno sorriso sem graça, sabe que não era o momento para mencionar suas antigas conquistas, mas queria demonstrá-los como havia crescido; como aquele amor também a transformara. Tenta passar confiança em seu olhar, era tão difícil imaginar que antes do contrato, vivia daquela maneira. Aquela Quinn e a que era hoje pareciam duas pessoas completamente diferentes. Umedece os lábios, continuando.
"Tudo mudou quando Rachel entrou em minha vida. Ela me provou que eu não poderia estar mais errada, hoje eu vejo como minha vida era vazia, algo fútil. Me sinto envergonhada de um dia ter agido e pensado daquela maneira, fui uma estúpida por achar que realmente era feliz vivendo assim. E eu não sei como ou quando tudo começou, mas um dia eu percebi que estava completamente apaixonada pela filha de vocês..." Se lembra de sua primeira viagem aos Hamptons, onde pela primeira vez permitira-se a perceber o que realmente sentia, revelando não só a si mesma, mas também a Leroy como estava apaixonada pela cantora. Sorri distraída, perdendo o olhar sobre a mesa de centro de cristal a sua frente. Naquela época sabia que se apaixonar era o pior que poderia lhe acontecer, que só complicaria a situação, e ainda tentara se controlar para não demonstrar seus verdadeiros sentimentos, nega com a cabeça, aquilo parecia ter sido há décadas. Volta o olhar ao casal, não entraria em muitos detalhes, afinal o começo do relacionamento não fora como todos pensavam e não queria dar a eles motivos para suspeitarem de nada, mas os deixaria saber como se sentira desde o momento em que aceitara seus sentimentos por Rachel, até quando a mencionada se tornara em sua mulher, começando aquele relacionamento.
"E eu me entreguei voluntariamente a ela e ao que sentia, me tornando em uma pessoa dependente, dependente do nosso relacionamento, do nosso amor. E esse amor me fez mudar, me fez tornar uma pessoa melhor, nunca imaginei que pudesse sentir algo assim, tão forte, capaz de me fazer desejar dar o meu melhor, meu tudo, a outra pessoa. Ao encontrar Rachel e tê-la como minha, foi como encontrar uma parte que sempre faltara, eu me encontrei, com sua simples presença, ela preencheu todo o vazio que havia em minha vida, e ao ver como tudo poderia ser entre nós, como poderia ser um relacionamento quando duas pessoas se amam de verdade, eu descobri o que é a felicidade, ela me faz a mulher mais feliz do mundo. E eu não trocaria o que tenho com ela por nada, absolutamente nada, Rachel é tudo o que preciso." Assente com a cabeça, concordando com suas próprias palavras. Alterna o olhar entre eles. Leroy matinha uma expressão facial séria, mas em seus olhos havia uma emoção que não conseguia decifrar, enquanto Hiram sorria orgulhosamente a ela. Respira fundo, sentindo seu coração se acelerar e seus nervos voltarem. Chegara o momento. Aquele era um grande passo em seu plano, a terceira coisa a se fazer antes de pedi-la em casamento. Aperta a caixa de veludo com certa força, tentando encontrar as palavras certas. Mesmo pensando no que dizê-los durante todo o caminho a mansão, tudo aquilo que havia planejado a dizer, desaparecera de sua mente no momento em que os vira. Droga. Coça sua nuca, declarando nervosamente. "E – hum – com a permissão de vocês, eu gostaria que Rachel se tornasse minha esposa. Eu prometo que farei tudo, darei meu melhor, para fazê-la feliz, cuidarei dela, irei protegê-la de todo o mal e de qualquer coisa que ameace a tirar o sorriso de seus lábios, irei apoiá-la em todas suas decisões, respeitá-la e amá-la pelo resto de minha vida. Senhores Berry, eu posso me casar com a filha de vocês?" Termina desajeitada, se forçando a manter o olhar neles. Droga, estúpida, maldita, droga, iriam negar seu pedido. Podia sentir isso. Devia ter preparado um texto e o anotado, algo que soasse melhor, mais convincente.
"Quinn... Eu fico contente por você ter vindo até aqui para conversar conosco, aprecio muito isso." Diz Hiram, ajeitando seus óculos, observando como a jovem prendia sua respiração. Dá um sorriso de lado, divertido. A coitada parecia estar novamente à beira de um ataque de nervos ou do coração. "Mas..." Faz uma pausa, deixando-a ainda mais nervosa, trocando um rápido olhar com seu marido, que aparentava emocionado e ao mesmo tempo se divertir com a situação, em uma conversa silenciosa. Ambos sabiam que era questão de tempo para que as duas se casassem, e não tinha nada a ver com a pressão que Leroy e Judy colocavam sobre elas diariamente, e sim com o amor que sentiam uma pela outra, a necessidade de sempre expressá-lo não importa como ou o quê. Perdera a conta de quantas vezes se surpreendera com sua própria filha dizendo na frente de todos como amava Quinn. Antes, a única vez que a vira se expressar tão facilmente fora em sua infância. E não podia negar como esse avanço, esse crescimento que Rachel enfrentara no último ano, a fizera se aproximar mais deles, seus pais, sua família, dizendo-os toda vez ao se despedir como os amava. O que sempre o fazia se enternecer. Desvia a atenção de volta a Quinn, sabia que ela tivera certo envolvimento naquela transformação de sua filha, que estivera lá para apoiá-la em um momento difícil como aquele, quando sua pequena enfrentava todos seus temores, e por isso, sempre seria grato a ela. Solta um leve suspiro. "Não era preciso ficar tão nervosa." Dá um pequeno sorriso debochado, mostrando um lado seu que raramente era visto por outros que não fosse seu marido e filha, que também podia e sabia se divertir. "Jamais recusaríamos ao seu pedido. E eu não poderia estar mais feliz por minha filha ter encontrado-a, a maneira como falou sobre seu passado só me fez ver como são perfeitas uma a outra, realmente cresceram juntas neste relacionamento, o que é muito importante a um casal. Sei que ninguém poderia cuidar dela tão bem quanto a você, ou fazê-la feliz como é ao seu lado, você merece nossa filha, Quinn, bem vinda à família."
Oh, meu Deus. Era normal um coração bater tão rápido assim?! Solta o ar, aliviada, por um momento realmente pensara que ele fosse recusar seu pedido, jamais sentira tanto medo, tanto nervosismo em sua vida. "Eu – eu posso me casar com ela? De verdade?!" Pergunta, buscando mais uma vez a confirmação, querendo ter certeza que escutara corretamente.
"Claro que sim, Q." Responde Leroy entusiasmado, dando o maior sorriso que a loira já vira em seus lábios. Imagina se um dia ele negaria a mão de sua estrelinha a Quinn, ou permitiria Hiram a fazê-lo. "Eu realmente gostaria que você questionasse nossa sanidade se a resposta fosse negativa." Lança o olhar à caixa de veludo aberta, que a atriz ainda segurava cuidadosamente. O anel era exuberante, mal podia esperar para ver sua filha exibindo-o em seu dedo. "Você tem um excelente gosto, Q." Declara, admirando o brilho dos diamantes. Não iria comentar como Judy e ele até haviam visto alguns anéis online, com a intenção de ajudar Quinn, quando ela decidisse pedir sua filha em casamento, em sua difícil decisão à procura do anel certo. Era melhor não fazê-lo, até porque a atriz comprara o anel perfeito. Não poderia ter escolhido melhor, nem mesmo ele e Judy poderiam ter feito. "Se Rachel disser não, eu me caso com você sem problema algum." Comenta divertido, como se Rachel fosse capaz de recusar àquele pedido.
"Leroy." Hiram desvia à atenção ao mencionado, olhando-o seriamente. Às vezes, seu marido parecia não ter controle.
"Hiram, você não tinha uma reunião em outro estado?! Por mais particular que seja nosso avião, ele ainda precisa levantar voo na hora certa, e você sabe disso." O último que precisava era de seu marido querendo controlar seu entusiasmo. Aquele era um dos momentos mais felizes de sua vida, e nada nem ninguém poderiam arruiná-lo. Nem mesmo o homem que ama.
Olha ao seu relógio de pulso, percebendo que em menos de uma hora deveria estar no aeroporto. "Você está certo." Levanta-se de seu assento, fechando um dos botões de seu terno. "Devo sair agora para chegar a tempo. Estarei em casa de volta para o jantar." Se inclina, depositando um rápido beijo sobre os lábios de seu marido. Ao se afastar, dando meia volta, percebe que Quinn havia virado o rosto a um dos lados, tentando dar a eles um pouco de privacidade. Sorri, se aproximando dela com passos lentos. "Quinn, por favor, levante-se. Quero dar um abraço a mais nova integrante da família Berry."
Tenta dissimular sua surpresa por tal pedido, dando um pequeno sorriso, coloca a caixa de veludo sobre a mesa de centro, levantando-se rapidamente, recebendo o abraço de maneira desajeitada. Era a primeira vez que Hiram demonstrava aquele lado descontraído e afetuoso a ela. Fecha os olhos, sentindo suas bochechas se corarem, era difícil de acreditar que fora aceita por eles, que era considerada como da família. Agora, só faltavam mais duas coisas a serem feitas, e poderia pedir sua namorada em casamento. "Obrigado, senhor Berry, por permitir que me case com sua filha." Murmura sobre o ombro do advogado.
Hiram termina ao abraço, e dá um grande sorriso. "Não precisa agradecer, Quinn. Eu que agradeço por tudo o que tem feito por Rachel. E você sabe que deve me chamar de Hiram." Se afasta, voltando a portar sua expressão de sempre, neutral. Despede-se dos dois, abrindo a porta do escritório de seu marido e saindo, fechando esta atrás de si.
Quinn ainda em pé, passa as mãos por sua calça jeans, secando-as, olhando a Leroy curiosamente, que havia alcançado pela caixa com o anel, e a movia de um lado ao outro, como se admirasse ao diamante. "Você acha que ela vai gostar?" Pergunta, cruzando seus braços. Mesmo orgulhosa de sua compra, escolhendo o anel que julgava ser o mais indicado a sua mulher, o que mais lhe agradaria, não podia evitar sentir certa insegurança. Tudo tinha que ser perfeito, o pedido seria um dos momentos mais importantes de sua vida e não podia falhar em nada.
"Q, Rachel vai amar e ficar entusiasmada com qualquer coisa você lhe der. Não há dúvidas de que ela dirá sim." Responde como se fosse à coisa mais óbvia do mundo. "E como você pretende fazer o pedido? Quer ajuda? Posso planejar algo e você pode pedi-la em casamento amanhã mesmo." Fecha à caixa, colocando-a sobre a mesa de cristal, direcionando o olhar a atriz.
"Eu tenho algo planejado." Dá de ombros, evitando dar muitos detalhes. Não contaria sobre seus planos nem mesmo a ele. E para tirar o foco sobre algo que não pretendia revelar, muda de assunto, sabendo que captaria toda sua atenção. "E Leroy, por favor, não conte a minha mãe sobre isso, ok? Eu mesma quero contá-la." No momento certo, não queria correr riscos. Se sua mãe soubesse agora, com certeza, não conseguiria dissimular seu entusiasmo e poderia acabar revelando o que não devia a Rachel ou fazê-la suspeitar de alguma coisa durante suas ligações semanais, e não podia ter nada interferindo em seus planos. Sua mulher não devia suspeitar de absolutamente nada.
Dá um pesado suspiro, demonstrando-a todo seu desapontamento. É claro que algo deveria acontecer para atrapalhar seus planos, acabar com todo seu entusiasmo. Agora teria que esperar a boa vontade de Quinn para poder começar a planejar a cerimônia com Judy. Mas a entendia, afinal, era apenas o certo ela mesma revelar a sua mãe que ficaria noiva. "Ok, eu prometo que não falarei nada. Mas, não demore a contá-la, por favor, há muita coisa a se fazer e devemos começar o quanto antes." A pede, levantando-se de seu assento, voltando a sorrir, quando a loira assente com a cabeça. "Vamos ao jardim, Quinn, devemos celebrar essa grande notícia com champanhe e charutos, e assim aproveitamos para discutir a respeito de qual sobrenome pretende usar ao se casarem, e meus futuros netos..."
X
"E como está indo a busca por uma casa?" Pergunta Kurt, colocando a caneca com café sobre a mesa de centro, olhando a morena sentada ao seu lado no sofá. Estavam no apartamento de Rachel, e haviam acabado de voltar de uma reunião com o diretor, William Schuester, e Cassandra, onde a cantora renovara seu contrato com a peça por mais um ano, após algumas negociações. Originalmente, queriam que ela assinasse o contrato por mais dois anos, mas após uma conversa entre o agente e sua cliente, ele a aconselhara a assiná-lo por um ano, e caso quisesse renová-lo, que renovasse quando o determinado ano fosse concluído. Não queria a cantora presa a um contrato por muito tempo, ainda mais com novos personagens sendo oferecidos a ela. E decidira não comentar com Rachel sobre o assunto, mas havia rumores que uma nova produção de Funny Girl seria feita, e se fosse verdade, tentaria ao máximo conseguir a protagonista a ela.
"Está... Indo." Murmura sobre a caneca branca, que segurava entre as mãos, antes de dar um pequeno gole. Devido à pressa de sua namorada, na semana em que voltaram a NYC, contrataram um agente imobiliário, que já havia mostrado-as duas casas em um bairro residencial, próximo ao bairro onde seus pais viviam, mas não gostaram de nenhuma. A primeira, de acordo com Quinn, era muito pequena e não havia quartos suficientes para a família que teriam um dia, a casa tinha seis quartos, mas para sua namorada era algo insignificante. A segunda casa, na opinião das duas, era muita exposta, com uma construção moderna, sendo que a maioria de suas paredes era de cristal, decidiriam naquele momento que queriam algo tradicional, e com certeza, com mais privacidade. Assim que a busca continua.
"Sem sorte até agora?" Pergunta o agente, franzindo o cenho, encostando-se no sofá. A amizade deles voltara a ser como era antes do contrato que mudara suas vidas, após uma honesta e emocionada conversa, onde Rachel o dissera que ele deixara a ambição o cegar, fazendo com que ela se afastasse dele, e que ela também havia errado, ao se fechar e ignorar suas tentativas de aproximação, o pedira perdão por isso e o agradecera por tudo que havia feito por sua carreira, pedindo-o para que separasse sua amizade e profissão agora mais do que nunca, pois precisava de seu melhor amigo ao seu lado e não queria que voltassem a cometer os mesmos erros. E claro que depois de chorarem juntos e colocarem toda mágoa para fora, Kurt lhe prometera que mudaria completamente a maneira de gerenciar a carreira dela e manteria sua ambição profissional em um nível totalmente moderado, e que nunca mais iriam se afastar daquela maneira. Isso fora há meses, e hoje a amizade deles não poderia ser melhor, mais forte, haviam recuperado a confiança e respeito um pelo outro.
"É, mas espero que isso mude logo. Amanhã iremos visitar mais três casas, que o agente imobiliário diz serem perfeitas para nós." Pressiona a caneca contra a palma de sua mão, soprando a bebida distraidamente. Depois de muito conversarem com o corretor de imóveis, conseguiram montar uma lista de exigências que a casa perfeita deveria ter. A maior parte desta lista foi feita por Quinn, e entre suas exigências estavam espaço, muito espaço, uma grande área verde, piscina, área para recreação, sala de cinema e no mínimo oito quartos. Morde o lábio inferior, controlando um pequeno sorriso, sua namorada estava tão entusiasmada e impaciente com a compra, que era uma das coisas mais graciosas e amáveis que já vira. Quinn tinha como prioridade naquela compra, o conforto de uma família que ainda nem tinham. Não conseguindo mais se segurar, um sorriso se forma em seus lábios, a mulher que ama não poderia ser mais perfeita, e mal podia esperar para formar uma família com ela.
"Você está tão apaixonada que chega a ser enjoativo." Comenta, com um sorriso debochado ao ver a expressão de Rachel, não era nem preciso perguntar sobre o que estava pensando. Revira os olhos, divertido. Mesmo com comentários sarcásticos, não poderia estar mais feliz e orgulhoso por sua amiga, que demonstrava a todos a nova e verdadeira Rachel Berry, uma que sempre estivera escondida atrás de seus medos; esperando um dia ser libertada. E agora que havia conquistado sua liberdade, não deixava de surpreender com suas atitudes e palavras. "Mudando de assunto... Santana avisou que o seu vestido foi entregue no apartamento dela esta manhã." Alcança pela caneca, dando um pequeno gole em sua bebida que começava a se esfriar, faz uma careta. Acordara aquela manhã com a latina o ligando, para avisar que havia sido acordada pelo entregador da loja, responsável pelo vestido de Rachel. Uma nova loja com seu próprio estilista, que estava tentando ganhar fama em Los Angeles, e que havia entrado em contato com eles, na mesma semana em que Quinn fora nomeada, oferecendo um vestido a Rachel, para que ela pudesse exibir a criação do estilista pelo tapete vermelho, ainda lhe dando a chance de escolher qual vestido gostaria de usar e fazer modificações no desenho, se assim quisesse. E depois de considerar, afinal geralmente se vai a um evento tão importante como esse usando vestidos de coleções famosas, Kurt e Rachel decidiram arriscar-se, aceitando a oferta do novo estilista.
A cantora assente com a cabeça, deixando-o saber que escutara, dando um gole em seu café. Sentia uma ansiedade crescendo dentro de si, o Academy Awards seria daqui uma semana, e mal podia ver à hora de sua namorada ganhar o prêmio de melhor atriz. Por diversas vezes, parecia mais entusiasmada com a premiação do que Quinn, que só dizia que não iria ganhar, mas que estava feliz por concorrer ao lado de grandes atrizes. Bem, logo veriam quem estava certa. E sabia, sem sombra de dúvidas, que seria ela. "E está tudo certo? Ela verificou o vestido?"
"Sim, disse que não há nada de errado, que está perfeito." A acalma, dando um sorriso de lado. Mesmo o desenho sendo incrível, tiveram receio que ao vestido ficar pronto, este sofresse algum dano, ocorresse algum erro de costura, pois realmente se arriscaram de mais ao escolherem um estilista que fazia sua primeira coleção. Por isso, Kurt havia comprado um vestido da nova coleção Dior, como um vestido reserva, caso fosse preciso. Afinal, jamais deixaria sua melhor amiga passar sufoco em um dia tão importante como aquele. Aperta a caneca contra sua mão, sentindo a fria cerâmica. "Eu vou jogar isso fora e fazer outro." Faz um gesto com a cabeça, indicando a caneca, com o café frio, levantando-se de seu assento e direcionando-se a cozinha.
"Ok." Murmura suavemente, inclinando-se a frente e colocando sua própria caneca sobre a mesa de centro. Escuta um ronco, e sorrindo divertida, olha através do cristal da mesa, percebendo como Tony dormia, preguiçosamente, sob esta. Nega com a cabeça, desde que haviam voltado de Los Angeles, aumentara o tempo e velocidade de suas caminhadas, fazendo com que o filhote perdesse mais quinhentas gramas. Mas, sua namorada insistia em continuar lhe dando ração de bacon, quando ela havia comprado uma ração vegetariana com poucas calorias. Desse jeito iria passar o resto do ano, tentando fazê-lo emagrecer. Desvia sua atenção a porta de entrada, ao escutar esta ser aberta. "Olá." Diz, com um grande sorriso, ao ver a loira entrar.
Suspira contente, sentindo-se finalmente em casa ao ver quem estava no sofá. Deus, a última vez que a vira fora há algumas horas, era normal ter sentido tanto a sua falta?! Como era possível seu coração ainda se acelerar ao simplesmente escutar essa voz?! Não faz ideia, mas não queria perder nunca essa sensação. A preservaria para sempre, como tudo o que envolvia Rachel. "Olá, amor da minha vida." Dá um dócil sorriso, se aproximando rapidamente e depositando um beijo sobre a testa da morena, antes de deixar seu corpo cair no sofá, deitando a cabeça sobre as pernas de sua namorada, fechando os olhos preguiçosamente. Sentia-se cansada, perdera a conta de quantas horas passara com Leroy, bebendo e fumando charutos, conversando sobre o futuro que teria ao lado de Rachel.
Leva as mãos ao cabelo loiro, fazendo suaves carícias, ainda sorrindo. Se inclina, pressionando seus lábios sobre os da outra, a última vez que se viram fora quando Quinn acordara para lhe dar um beijo de bom dia, antes de sua reunião com a produção da peça, para logo voltar a dormir, morta para o mundo. E durante sua reunião, recebera uma mensagem de sua namorada, avisando-a que deveria sair e que voltaria mais tarde, declarando como lhe amava. Aprofunda o beijo, passando sua língua pelo lábio inferior da atriz, mas ao sentir um estranho gosto e cheiro, se afasta rapidamente, franzindo o cenho. "Você fumou?"
Droga. Sabia que devia ter tomado um banho e escovado os dentes antes de se aproximar tanto, era como se tivesse pedido para ser descoberta. Ótimo, você já foi mais inteligente, Quinn. Bem mais, diz a si mesma. Abre os olhos, levantando sua cabeça, movendo-se sobre o assento, sentando-se mais afastada da morena. Coça sua nuca, nervosamente. "Bem..." Sua mente estava meio nublada no momento, e só queria voltar a sua posição confortável e ficar ali, aproveitando aquela intimidade, mas sabia que para voltar a ser acariciada por sua namorada, deveria lhe dar algumas explicações. "Uhm, eu parei de fumar, você sabe disso, baby. Mas, eu estava com seu pai e acabei fumando um charuto com ele, pois Leroy é meu sogro e não posso dizer não a ele." Sutilmente, dá de ombros, se defendendo de maneira pobre, mas, bem, realmente não podia dizer não a Leroy em uma ocasião como aquela, estava comemorando seu futuro noivado, e não era como se tivesse fumado charutos durante os últimos meses. E não faria novamente, havia prometido a Rachel que pararia de fumar, e iria cumprir sua promessa.
Rachel revira os olhos ao escutar aquela explicação, cruzando os braços. Sabia que seu pai só fumava quando estava comemorando algo, como uma vitória em um caso milionário defendido por ele, ou quando descobrira que Quinn e ela estavam morando juntas. "E o que estavam comemorando?" Pergunta seriamente, era normal sua namorada frequentar a mansão de seus pais e sempre acompanhar seu pai Leroy em algum evento, afinal, nos últimos meses, ao menos uma vez por mês, frequentavam jogos de basquete. Mas, não queria que Quinn se sentisse pressionada ou como se não pudesse dizer não a ele, por mais que suspeitasse que isso não fosse verdade. Deveria ter uma conversa com seu pai, e aproveitar para lembrá-lo sobre as consequências do tabaco.
Oh meu Deus. Morde o lábio inferior com força, olhando-a curiosamente, como se fosse conseguir alguma resposta. Tentando manter uma aparência calma, como se não estivesse à beira de um ataque de nervos, o terceiro ou quarto, até mesmo quinto, daquele dia. Rachel não sabia de nada, diz a si mesma uma e outra vez. Não sabia, seu plano estava a salvo. Passa a unha do dedo polegar por sua testa, coçando-a, pensando em uma resposta. Qualquer resposta. Sua mulher não podia suspeitar de nada, simplesmente não podia, por que seu cérebro não cooperava e mandava uma rápida resposta?! Engole em seco, lembrando-se do comentário de Leroy, enquanto bebiam champanhe no jardim, que lhe dissera que havia pensado que o ligara para pedir ajuda com seu novo personagem. "Eu fui mostrar o script do filme a ele, pedindo que me ajudasse, ensinando a me comportar como uma séria advogada, e aí ele ficou entusiasmado com o pedido e disse que deveríamos comemorar meu desempenho com champanhe e charutos." Isso, excelente explicação. Na última semana, havia assinado um contrato para mais um filme da produtora de Isabelle, ao lado de Meryl Streep e Robert DeNiro, onde seria uma poderosa advogada do estado, filha do casal de atores que interpretariam senadores corruptos. Estava mais do que ansiosa para começar a gravar aquele filme, e seria melhor realmente pedir ajuda a Leroy com o personagem, afinal trabalharia ao lado de duas lendas da atuação e queria estar em seu melhor, se entregar completamente ao personagem, surpreendendo com sua atuação.
Ainda era de manhã, e aqueles dois tomando champanhe e fumando, mas prefere não comentar nada sobre isso, afinal estava contente por seu pai ajudar Quinn em seu trabalho. Aproxima-se, sentando-se ao lado da loira, depositando um beijo em sua bochecha direita. "Você será uma advogada incrível." Se afasta, olhando-a docilmente, com um sorriso de lado. "E muito sexy." A provoca, em um baixo tom de voz, sabendo o efeito que causaria. Observa como a outra umedece os lábios, lançando-a um olhar malicioso.
Antes que a atriz pudesse respondê-la, Kurt entra na sala de estar, segurando uma nova caneca de café. "Quinn." A cumprimenta, fazendo um gesto com a cabeça, sentando-se em uma das poltronas. E recebe um frustrado suspiro como resposta, que ignora. Já estava acostumado com esse comportamento, por diversas vezes Quinn dissera que Santana e ele haviam sido enviados a esse mundo para atrapalhar seus momentos com Rachel. E nunca revelaria como ele e a latina adoravam fazer aquilo. "Como vai? Você já preparou seu discurso?" Pergunta, como se nada, misturando a bebida com uma pequena colher.
"Olá Kurt." Diz em um sério tom de voz, passando um braço ao redor do corpo da mais baixa, tentando ignorar os pensamentos sobre o que ocorreria naquele sofá se o agente não estivesse por perto. Aperta a macia pele da cintura morena sob suas mãos, desviando o olhar a ele. "Sim, Santana me disse que devo ir à cerimônia com algo já preparado caso ganhe, então escrevi um pequeno discurso." Mesmo protestando que não havia necessidade de um discurso, pois sabia que não ganharia, por insistência de sua agente, acabara escrevendo um, baseado nas duras palavras que uma vez tivera que escutar sobre sua carreira e sexualidade. Até havia escolhido a roupa que usaria na premiação de acordo com este. E mesmo não ganhando, demonstraria como todos aqueles hipócritas de Hollywood não poderiam estar mais errados.
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Passa a página do script, tentando ao máximo manter seu foco naquilo que lia, e não na irritante sensação em sua perna esquerda ou na necessidade de coçar o nariz. Depois de tentar ler o script na sala, e ser interrompida diversas vezes, decidira vir ao escritório, onde acreditara que teria paz para estudar atentamente ao roteiro, mas, oh, como estivera errada. O motivo de sua alergia e desconforto tivera que segui-la e fazer de tudo para chamar a atenção, como agora que voltava a se esfregar em sua perna. Umedece os lábios, encostando-se na cadeira de couro, franzindo o nariz, fazendo com que seus óculos de leitura se erguessem levemente. Odiava usá-los, mas realmente era necessário ou começaria a ter dores de cabeça.
Aperta a mandíbula com força a aquela coisa passar entre suas pernas, dizendo a si mesma que se a ignorasse completamente, ela iria embora, deixando-a em paz. Estúpida gata. Leva o dorso da mão ao nariz, coçando-o, com os olhos ainda fixos no diálogo de seu personagem e do que seria interpretado por Meryl Streep, estava em uma das partes mais importantes e uma das que mais gostava, onde sua mãe da ficção a gritava que sua família seria investigada e que ela deveria fazer de tudo para esconder todos os arquivos que pudessem comprometê-los. Era uma cena dramática, explosiva, onde Meryl e ela deveriam gritar muito, de acordo com a nota do autor deixada no script. Alcança por uma caneta marca texto, sublinhando algumas partes da cena que pretendia ensaiar.
Move a perna impaciente, quando a gata passa a se esfregar com mais força. Meu Deus, como aquela coisa conseguia ser irritante. Solta um pesado suspiro, jogando a caneta sobre a mesa, e afastando a cadeira. "Bacon!" Grita, esperando que seu cachorro saísse de qualquer lugar que estivesse dormindo, e viesse resolver seu problema. "Bacon, vem cá garoto." Nada, ninguém aparece. "Bacon!" Repete, aumentando ainda mais seu tom de voz. Após longos segundos, escuta pequenos passos se aproximando, preguiçosamente. Controla-se para não revirar os olhos, seu cachorro era tão preguiçoso, que não era nem engraçado. Quando ele finalmente entra no escritório, antes que pudesse se deitar sobre o carpete ou qualquer outro lugar que aparentasse confortável o suficiente, a atriz declara. "Bacon, pegue-a." Indica a gata sob a mesa, que havia cessado seus movimentos e olhava-a com seus grandes olhos verdes, curiosamente. "Hey garoto, tire-a daqui." A gata preta mia suavemente, manhosa, e ao escutá-la, o cachorro parece despertar de vez, aproximando-se rapidamente da mesa de madeira, rosnando. Em um piscar de olhos, Elphaba corria para fora da sala de escritório, com o bulldog correndo atrás dela, latindo cada vez mais forte.
Um presunçoso sorriso se forma em seus lábios, seu cachorro era preguiçoso, e não fazia ideia do porque de tanta preguiça, quer dizer, Rachel saía para correr com ele todas as manhãs, e tudo mais, deveria ser mais esperto. Mas, ainda assim, era seu orgulho, e não podia negar que era o melhor cachorro que poderia ter. Aproxima a cadeira da mesa, voltando a ler o script, como se nada tivesse ocorrido, como se não escutasse os miados e latidos que vinham de algum lugar do apartamento. "Sabe... Você deveria parar de influenciar esse comportamento em nosso cachorro." Diz Rachel, fazendo sua presença ser notada. Entra, dando lentos passos, com os braços cruzados. "Elphie e ele estavam fazendo progresso, há dias não havia brigas, mas desde que voltamos de Los Angeles, Tony começa a rosnar e correr atrás dela a cada chance que tem. E sei que é culpa sua, que não para de mandá-lo expulsar Elphaba, quando está por perto." Passa ao redor da mesa, posicionando-se ao lado de Quinn, apoiando-se contra a madeira desta.
"Preciso que alguém tire essa gata de perto antes que eu tenha uma grave crise alérgica, e como só o Bacon está disposto a fazer, bem..." Dá de ombros. Sorte a sua ainda não ter parado no hospital por causa daquela estúpida gata.
Tinha grandes dúvidas sobre essa alergia, era uma coisa que realmente só acreditaria vendo o histórico médico de sua namorada, não podia evitar pensar que era algo psicológico, mas prefere não dizer nada, afinal Quinn era bem sensível quando o assunto era sua suposta alergia. Descansa as mãos a cada lado de seu corpo, segurando-se a beirada da mesa. "Quinn, ela só quer um pouco de atenção."
Olha seriamente a morena, não gostava quando ela começava a defender aquela coisa, Elphaba fazia de tudo para provocá-los, e ainda saía como a vítima da história. Estúpida. Alcança pela mão da morena, indicando-a para se sentar sobre suas pernas, coisa que rapidamente faz. "Rach, ela sabe que estou trabalhando e fica importunando de propósito." Deposita um beijo sobre o ombro da outra, logo passando o nariz por seu pescoço, em forma de carícia, sentindo-a se arrepiar.
"Elphie jamais faria isso." Recebe uma mordida no lóbulo de sua orelha, apertando os olhos, fazendo uma pequena careta. "Ela é dócil, atenciosa, e só queria lhe dar um pouco de carinho e que você retribuísse."
"É, porque essa gata é tão atenciosa que me ajuda acordar no meio da noite, arranhando a porta do quarto." Murmura sarcasticamente, distribuindo beijos e mordidas pelo pescoço da cantora. Por algum maldito motivo, aquela gata havia se acostumado a dormir com elas, e quando a porta do quarto estava fechada, Elphaba passava a arranhá-la, miando cada vez mais alto, e não parava até que alguém fosse abri-la. E ao se deitar na cama, à gata sempre queria dormir ao seu lado, passando o rabo por seu rosto a noite inteira. Jura que a noite passada fora a última vez que isso ocorrera, já não permitiria sua entrada no quarto.
Sorrindo divertida, Rachel inclina o pescoço a um dos lados, entregando-se a sua namorada. A relação de amor e ódio entre Elphaba e a loira estava cada vez mais intensa, por diversas vezes, fingia continuar dormir só para que Quinn fizesse algo quando sua gata começava a se desesperar, tentando entrar na suíte delas, e na maioria dessas vezes, nada acontecia, Quinn continuava a dormir como se nada estivesse acontecendo lá fora. Raras vezes, levantava-se e abria a porta para Elphie, na verdade, contara e foram apenas três vezes. "Eu não posso deixar de me perguntar o que você faria nessa situação, se fosse um de nossos filhos que quisesse sua atenção enquanto você lê um script ou chorassem no meio da noite." Comenta, provocando-a. Sabia que Quinn seria a melhor mãe do mundo, e que os filhos sempre seriam sua prioridade.
Franze o cenho, se afastando, de maneira que pudesse olhar diretamente aos olhos castanhos. "Eu não acredito que você comparou uma gata mimada aos nossos filhos."
"Eu não comparei. E Elphie não é mimada." A defende, colocando um braço ao redor do pescoço da mais alta, dissimulando uma expressão divertida. A loira parecia realmente ofendida.
Negando com a cabeça, aperta os braços ao redor de sua cintura, segurando-a de maneira protetora. "Rach, essa gata é o ser mais mimado que já conheci." Declara, com um pequeno sorriso. Sua namorada parecia ser a única que não enxergava como aquela coisa realmente era. Mimada, irritante, chata, entre outras. "E respondendo sua pergunta, nossos filhos teriam toda minha atenção, pararia o que fosse para ficar com eles. E bem – hum – eu poderia acordar e pegá-los, caso fosse preciso no meio da noite." Diz a última frase, não soando nada convincente.
Desviando o olhar ao script sobre a mesa, observa as várias linhas grifadas, com uma expressão pensativa. Tornara-se algo comum a elas discutirem sobre os filhos que teriam no futuro, e mesmo assim, não podia deixar de se preocupar com o que poderia ocorrer, temia fazer algo e arruinar a infância de seus filhos. Engole a saliva nervosamente, tentaria ao máximo ser tudo aquilo que Shelby nunca fora, daria tudo de si para se tornar uma boa mãe, e enquanto tivesse o amor de sua vida ao seu lado, conseguiria fazer aquilo certo. Com a ajuda de Quinn poderia fazê-lo. Volta o olhar a mencionada, havia uma importante questão que nunca fora levantada por elas, umedece os lábios, perguntando-a timidamente. "Você já parou para pensar o que diremos aos nossos filhos um dia, quando nos perguntarem como nos conhecemos?"
Não, jamais pensara naquilo. Aperta a morena contra seu corpo, depositando um rápido beijo sobre seu ombro. Uma das melhores coisas era escutar sua mulher mencionar o futuro delas, os filhos que teriam como se fosse algo inevitável. Dá um grande sorriso entusiasmado, imaginando uma pequena menina, a mistura perfeita das duas, com longos cabelos castanhos, grandes olhos verdes e pele clara, perguntando-as como se conheceram. "Acho que devemos continuar com a história do bar, ninguém deve descobrir sobre nosso PR, então se perguntarem como nos conhecemos, dizemos não só a eles, como a todos ao nosso redor, que nos conhecemos no bar do meu irmão, eu flertei com você, achando que seria apenas diversão, mas você senhorita Berry, acabou me conquistando completamente, fazendo com que eu caísse aos seus pés, perdidamente apaixonada, e você se tornou na senhora Fabray, mãe dos meus filhos, a mulher da minha vida." Ah, como estava ansiosa para contar aquela história aos seus oito filhos, mesmo com alguns detalhes ocultos, continuava a ser a melhor história de amor.
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Com lentos e silenciosos passos, anda pelo corredor, aproximando-se da suíte principal, guiada por sua curiosidade. A voz que tanto ama ficava cada vez mais alta, cantando uma música, que sabia ser da Barbra Streisand. Inconscientemente, dá um pequeno sorriso. Ao chegar, posiciona-se no vão da porta, cruzando os braços, observando como sua mulher andava de um lado ao outro, distraída, com fones de ouvido, conectado ao iPod no bolso de seu short jeans, escutando a música Woman In Love, alcançando por suas roupas e sapatos, depositando-os na grande mala aberta sobre a cama.
Faltavam apenas três dias para a cerimônia de premiação do Oscar, e na manhã seguinte Rachel e ela embarcariam a Los Angeles, no jato particular da família. Leroy havia insistido que as duas fossem e voltassem neste, alegando que pessoas importantes como elas não deveriam andar por aeroportos sem segurança e esperar como todas as pessoas normais, e que assim poderia trazer a estatueta em segurança, e ele não ficaria tão preocupado. Nega com a cabeça, fazendo uma careta, não via nada de importante em si ou acreditava que voltaria a NYC com o prêmio, mas saber como seu próprio sogro acreditava nela, a enternecia, e fizera com que acabasse aceitando, afinal não havia como recusar um pedido como este.
"…I am a woman in love
And I'd do anything
To get you into my world
And hold you within
It's a right I defend
Over and over again
What do I do?..."
Sorri bobamente, jamais entenderia como alguém tão pequeno poderia ter uma voz tão potente. O talento de sua mulher jamais deixaria de surpreendê-la, e realmente esperava para que um dia Rachel recebesse o merecido reconhecimento por sua voz, que um dia quem sabe, gravasse um CD, e ganhasse um Grammy. Seria a primeira a comprar o álbum, e aprenderia a cantar todas as músicas. Uma ideia cruza sua mente, e alcança pelo celular no bolso de trás de sua calça, abrindo o aplicativo da câmera. Iria filmá-la e mostrar o vídeo a pessoa que faria uma importante parte em seu plano.
"…With you eternally mine
In love there is
No measure of time
We planned it all at the start
That you and I
Would live in each other's hearts…"
Rachel coloca o elegante par de sapatos brancos de bico fino que usaria na premiação dentro da mala, logo dando meia volta, abrindo a gaveta de seu criado-mudo, pegando o carregador de viagem do celular e colocando-o separado em sua bolsa. Aumenta seu tom de voz, acompanhado as notas que Barbra atingia na música, em seu ouvido através do fone. Se aquilo fosse real, se Barbra estivesse realmente cantando ao seu lado, não havia dúvidas que seria o dueto mais bem feito de todos os tempos. O melhor. Um dia, diz a si mesma, seria capaz de gravar um dueto com ela. Primeiro obviamente deveria conhecê-la, já que não tivera a chance quando sua namorada estava gravando o filme. Tudo por causa de sua peça, que a impedira de visitar Quinn no estúdio com tanta frequencia como gostaria. E quando finalmente tivera a chance de ir a Los Angeles, e passar o dia no estúdio, na última semana de gravações do filme, Barbra, sua querida Barbra estava de folga. Fora um dos dias mais tristes, mais dramáticos de sua vida.
"…I am a woman in love
And I'm talking to you
Do you know how it feels?
What a woman can do
It's a right
That I defend over and over again."
Termina de cantar, com uma longa nota, em seguida retirando o iPod do bolso de seu short, pausando-o, já que estava em modo aleatório, tirando os fones e jogando o aparelho e estes sobre a cama. Ao dar meia volta para se direcionar ao closet, percebe a presença de sua namorada, que abaixava o celular, clicando em algo na tela. Sente suas bochechas se corarem, mesmo sendo uma cantora, e tendo uma imensa intimidade com Quinn, ainda sentia-se tímida ao ser flagrada nesses momentos, onde se esquecia do mundo, cantando como uma louca. "Por que esse celular estava direcionado a mim?" Cruza os braços, apertando os lábios.
"Por nada... Só estava garantindo meu futuro financeiro." Dá de ombros, colocando o celular de volta em seu bolso. Com o vídeo que gravara, poderia demonstrar perfeitamente o talento de sua mulher. Dá um sorriso orgulhoso, indo em direção a ela com lentos passos, em um ar divertido. "Quando você ficar bem famosa, pretendo vender vídeos como esses, e conseguir bastante dinheiro com isso."
"Fabray, como você é interesseira." Provoca, dando um pequeno sorriso, sentindo a loira colocar os braços ao redor de seu corpo, e apertá-la contra si.
"Interesseira? Já fui chamada de muitas coisas, mas nunca interesseira." Deposita um beijo na testa da mais baixa. "E bem, se garantir nosso futuro, me faz ser uma interesseira que assim seja. Afinal, tudo o que é meu, é seu."
Passa os braços ao redor do pescoço da atriz, colando seus corpos, nunca estaria próximo o bastante, nunca teria o suficiente daquela intimidade. "Ok, eu retiro o que disse Fabray. Você é muito esperta." Inclina sua cabeça para trás, olhando-a carinhosamente. "E para que você saiba tudo o que tenho também é seu, principalmente isso..." Se afasta, alcançando por uma das mãos de sua namorada, levando-a sobre seu coração. "Ele pertence completamente a você." Diz, timidamente, dando um pequeno sorriso.
Solta o ar lentamente, tentando ignorar o brilho das lágrimas que se formavam em seus olhos, Deus, era como se apaixonar uma e outra vez por sua mulher, como era possível sentir tanto?! Inclina-se, capturando os lábios de Rachel, beijando-a com tudo que tem com tudo o que sentia. Agradecendo a todas as forças maiores do universo por ter colocando-a em sua vida, por ter a oportunidade de passar o resto de seus dias com ela. Dizendo a si mesma, que em breve, muito em breve poderia chamá-la de sua noiva.
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Pelo canto de seus olhos, percebe como dois rapazes vestidos de preto se aproximavam delas, preparando-se para filmá-las no momento em que o nome de sua namorada fosse mencionado. Fora assim durante toda a noite, câmeras as seguiram desde o momento em que saíram da limusine, estavam sendo tratadas como um casal realmente poderoso, todos queriam imagens das duas juntas, e principalmente de Quinn demonstrando afeição. Mencionada, que havia chamado a atenção de todos àquela noite, surpreendo-os ao aparecer usando um smoking preto, perfeitamente cortado, de forma que realçasse todas suas curvas, com a gravata borboleta desfeita, em um estilo ousado e ainda assim, conseguindo aparentar elegante. É; sua namorada estava mais do que sexy. E o smoking complementava de maneira perfeita seu clássico vestido preto, longo, de corte justo e saia sereia, todo coberto por detalhes em renda, com transparência na parte alta de suas costas, ombros, e em seus braços, cobertos pelas mangas longas, dando-as um ar dramático.
Prende a respiração ao apresentador começar a dizer os nomes das indicadas a melhor atriz protagonista. Seu coração se acelerava por segundo, tinha certeza que estava tendo um ataque cardíaco. Oh, doce Barbra, iria morrer antes da vencedora ser anunciada. Desvia o olhar a Quinn, sentada ao seu lado na primeira fileira do lado esquerdo do Kodak Theater, parecia estar confiante, com um pequeno sorriso nos lábios, assistindo a cerimônia com grande interesse, como se fosse uma das melhores coisas que já vira em sua vida, em seus olhos havia um brilho entusiasmado. Dá minúsculo sorriso, sua namorada parecia estar mais como uma expectadora, do que uma indicada. Talvez, por dizer a si mesma e a todos que não iria ganhar a estatueta, ela realmente começara a acreditar nisso. E Rachel sabia que Quinn não poderia estar mais errada. Dentro de alguns segundos todos saberiam.
O olhar da loira encontra o seu, e como se pudesse ter lido seus pensamentos, Quinn nega com a cabeça, portando uma divertida expressão, apertando suas mãos entrelaçadas. Rachel sorri timidamente a ela, sentindo metade de seus nervos se acalmarem com aquele contato. Nenhuma das duas percebendo que eram filmadas até escutarem o sobrenome da atriz e os aplausos que o seguiram. Rapidamente, voltam à atenção ao apresentador, que olhava diretamente a câmera A, com uma séria expressão facial. Oh, minha Barbra, era agora, pensa Rachel, sentindo todos os seus nervos voltarem novamente, e ainda mais fortes.
"E a vencedora é..." Leonardo DiCaprio faz uma pausa, abrindo o envelope com cuidado, antes de voltar o olhar a câmera, dizendo. "Quinn Fabray por Lana Letcher em Broken."
Quinn não conseguia demonstrar nenhuma reação. Havia escutado errado, claramente. Quer dizer, como ela poderia ganhar um Oscar?! Uma principiante ao lado de atrizes experientes, com vários filmes de sucesso. Aquilo era um sonho, não poderia estar acontecendo. Direciona o olhar a sua mulher, que tinha os olhos cheios de lágrimas, ainda assim, lançando-a um olhar cheio de amor e orgulho. Arqueia uma sobrancelha, como se a perguntasse silenciosamente se aquilo estava acontecendo, e Rachel rapidamente assente com a cabeça, deixando algumas lágrimas escorrerem por sua face, colocando os braços ao redor de seu pescoço, abraçando-a com tudo o que tem. Oh, meu Deus. Não conseguia respirar, e nada tinha a ver com o corpo pequeno que a apertava. Sente seus próprios olhos se encherem de lágrimas. Havia ganhado, ela havia ganhado. Fecha os olhos, apertando-os com força, pedindo que se fosse um sonho, que não acordasse agora, que esperasse até pegar seu prêmio.
"Eu sei que não é o momento, mas eu estava certa. Você errada." Murmura Rachel, com a voz entrecortada, tentando soar divertida. "Estou tão orgulhosa de você, meu amor. Agora, vá buscar o seu prêmio e deixe-me ainda mais orgulhosa com seu discurso." Se afasta, dando-a um rápido e suave beijo antes de se levantar, puxando-a sutilmente, fazendo com que se levantasse. A atriz parecia ter perdido toda sua confiança e estar prestes a desmaiar. Sabia que naquele momento, sua namorada estava sentindo o nervosismo que não sentira nos últimos meses, e que deveria deixar seus próprios nervos de lado, demonstrando calma e força pelas duas, para que Quinn pudesse ganhar confiança em si, e continuar com o maravilhoso discurso que havia escrito. Não fazia ideia de como era o discurso, pois a loira não a deixara lê-lo, mas tinha certeza que seria perfeito, assim como tudo o que o amor de sua vida fazia.
Respirando fundo, ainda escutando os aplausos encorajadores, Quinn se encaminha ao palco, com dificuldades. Suas pernas pareciam gelatinas, suas mãos jamais estiveram tão frias, o ar parecia faltar em seu cérebro. Sobe os degraus, lentamente, como se temesse cair a qualquer momento. Pensamentos coerentes já não existiam em sua mente, na verdade, não conseguia pensar em nada que não fosse naquele estranho sonho. Ainda esperava algum sinal de que fosse acordar a qualquer segundo na confortável cama, ao lado de sua mulher. Ao subir ao palco, Leonardo a oferece um grande sorriso, aproximando-se e dando um beijo em sua bochecha direita antes de lhe entregar o prêmio. Seu prêmio. Uma pesada estatueta.
Uma solitária lágrima escorre por sua face e rapidamente a limpa, desviando a atenção a platéia, todos a olhavam com extrema atenção, como se realmente estivessem interessados no que iria dizer. Solta o ar lentamente, dando dois passos à frente, posicionando-se em frente ao microfone. "Eu – eu gostaria de agradecer a Academia..." Começa, lembrando-se que estas sempre eram as primeiras palavras dos vencedores. Sente suas mãos trêmulas, e passa a segurar seu prêmio com mais força, temendo deixá-lo cair. Engole em seco, olhando a estatueta dourada, algo que passara os últimos meses acreditando que jamais ganharia. Oh, por tudo mais sagrado, havia ganhado um Oscar, realmente ganhara! Funga o nariz, sentindo lágrimas ameaçarem escorrer por sua face. Estava diante de sua realidade, de sua nova realidade. Uma parte de seu cérebro a dizia que deveria continuar com o discurso, que não havia muito tempo, ou a orquestra começaria a tocar. Volta a engolir em seco, se forçando a continuar nervosamente. "A minha – minha família, eu não poderia ter feito isso sem vocês. Mãe, pai obrigado por sempre me apoiarem, por acreditarem em meu sonho, por tudo o que fizeram por mim, eu não seria quem sou sem vocês. As minhas melhores amigas, Brittany, obrigada por aguentar Santana e eu desde o começo, quando éramos apenas duas crianças sonhando em um dia triunfar em Hollywood. Santana, obrigada por tudo que fez por mim, você é uma agente incrível e a melhor amiga que uma pessoa pode ter. A minha outra família em NYC, Hiram e Leroy, vocês são incríveis, eu não poderia estar mais feliz e agradecida por tê-los em minha vida, vocês me derem o quê tenho de mais importante e por isso, eu os amo." Dá um sorriso, distraída, continuando rapidamente, afinal queria dizer o seu discurso completo, o motivo de ter se vestido daquela maneira, querendo passar uma mensagem a quem estivesse disposto a escutá-la.
"E eu gostaria de dedicar esse prêmio a chamada minoria." As palavras de Jim Daniels, agente de Chris Smith, ecoavam em sua mente. Uma vez, praticamente lhe dissera que deveria manter sua sexualidade escondida ou nunca atingiria ao sucesso. Fizera seu discurso baseado nestas palavras, desejando que ele estivesse vendo-a naquele momento. Sentindo determinação crescer dentro de si, olha diretamente a câmera, declarando. "A todas aquelas atrizes que tiveram que escutar como jamais conseguiriam conquistar um espaço em Hollywood por serem lésbicas. A todas que tiveram que escutar de agentes e produtores como jamais conseguiriam um personagem de destaque, ser uma protagonista, porque ninguém quer contratar uma atriz comprometida à outra mulher, que deveriam manter em privado sua sexualidade, como se fosse um segredo sujo, simplesmente para manter a boa imagem do projeto. Esse prêmio é para todas vocês." Recebe alguns aplausos de incentivo, o que a faz se acalmar, e ganhar confiança em seu discurso. Talvez não conseguisse o apoio de todos naquela sala, mas tinha suas atenções e naquele momento era o que importava. Era o momento de deixar a todos saberem o que pensava sobre a maneira que agiam naquele meio.
"Em certo ponto de minha carreira, eu tive que escutar como não conseguiria alcançar ao sucesso se não escondesse quem sou; se não mudasse minha imagem, demonstrando o que eles queriam que eu passasse; a imagem da mulher perfeita, que faria de tudo para seu protagonista, o homem de sua vida. Mas, eu me recusei, eu preferia ficar sem emprego a viver em uma mentira e ser infeliz. Sim, eu sou lésbica e comprometida com a mulher mais linda de todo o universo, e por isso, eu não poderia estar mais feliz e orgulhosa." Lança o olhar a sua namorada, que tinha lágrimas escorrendo por sua face, e um sorriso em seus lábios. Jamais vira uma mulher tão linda, não só em seu exterior, como em seu interior. Rachel podia ter o que fosse; ser o que fosse; em seus olhos nada nem ninguém jamais se comparariam a ela. Era a pessoa mais linda desse universo, era sua mulher. Dá um bobo sorriso, um reservado a todas as vezes que pensava no amor de sua vida, logo voltando à atenção a platéia. "Mas também sou uma atriz, uma atriz capaz de fazer personagens como qualquer outra poderia. Posso dar vida a uma esposa, mãe, filha, eu posso ser o que o diretor quiser no momento em que grita ação, deixando a minha vida pessoal para fora do set de gravação. Afinal, não é sobre isso que se trata nossa profissão?! Viver personagens e contar histórias completamente diferentes daquilo que somos e temos na vida real?! Não importa o que sou; como me visto e de quem gosto; o que importa é meu talento, o que sou capaz de fazer ao diretor gritar ação." Direciona o olhar ao Oscar, dando um grande sorriso antes de voltar o olhar à câmera principal, focada em seu rosto. "E levando em conta que acabo de ganhar isso, acho que me sai muito bem, e se eu consegui; você também pode, qualquer atriz lésbica pode. Só temos que ligar para o talento, e não para a imagem de um projeto." Dessa vez, é surpreendida a toda platéia se levantar e começar a aplaudi-la, soltando pequenos gritos entusiasmados. Aquilo era o sonho de qualquer ator, qualquer pessoa no ramo, ter uma sala cheia de profissionais, lhe ovacionando de pé ao ganhar o maior prêmio do cinema.
Morde o lábio inferior, passando o olhar ao seu redor lentamente, dizendo a si mesma que tudo aquilo era para ela, querendo guardar aquele momento para sempre em sua memória. Talvez a maioria não fizesse nada para mudar a situação, mas havia se expressado em um momento que era inteiramente seu, provando a todos – principalmente a Jim Daniels e a pessoas como ele – que tinha talento o suficiente para ganhar um Academy Award, não importando sua sexualidade. Sorri de lado, emocionada, desviando o olhar a única pessoa naquela audiência que realmente importava. "E sei que meu tempo já deve estar acabando, mas eu não posso sair sem dizer isso." Encontra com o olhar de Rachel, ignorando como a audiência cessava os aplausos, ainda de pé, como se aguardasse que ela terminasse de uma vez seu discurso. "Amor, jamais me esqueceria de lhe agradecer ou mencioná-la em um momento tão grande como esse. Esse prêmio também é dedicado a você, obrigada por sempre me apoiar, por sempre acreditar em mim, ainda quando nem eu acreditava em mim mesma, sem você eu realmente não poderia estar aqui hoje. Rachel, você é o que tenho de mais valioso, é o único que preciso, eu poderia perder tudo isso, mas não aguentaria perder você. Obrigada por me fazer a pessoa mais feliz do mundo, por estar do meu lado, por ter me encontrado e me aceitado, me fazendo uma pessoa melhor, uma pessoa completamente apaixonada por você, por ter dado sentido a minha vida. Rach, você é o amor da minha vida, e eu sei que não importa o que aconteça, isso nunca vai mudar, nosso amor está aqui para ficar. Para sempre... Obrigada." Termina o discurso, olhando a sua mulher, recebendo novamente os aplausos, dando meia volta e saindo do palco com toda a calma que conseguia dissimular, ao lado de Leonardo e da assistente. Sabia que agora sua vida sofreria uma grande mudança, não só profissionalmente, como também pessoalmente, mas isso não a assustava. Na verdade, a entusiasmava. Com Rachel ao seu lado, sentia-se preparada para enfrentar o quê é que o futuro tivesse reservado a elas...
Sorry por qualquer erro, espero que tenham gostado.
JR: Wow, acho que isso só demonstra como você está ansiosa para o casamento, não?! Lol Acalme-se, ainda devemos ter o pedido mais *hearts* :) Obrigada, e devo concordar, eu morri de tanta fofura enquanto escrevia-o. Amo a Beth, principalmente escrevê-la com a Rachel! Nossa... Quinn seria capaz de alugar Disney inteira só para o Fababy - ou oito Fababies, né ;) Que bom que gostou, fico contente ao saber :) É uma excelente ideia, mas infelizmente não será assim. :( Logo você descobre como será ;) XxBre.
Ali: Sim, adoro escrever essa minha Beth! Judy como sempre mostrando seu lado shipper lol Em breve, muito em breve você vai poder lê-lo. Obrigada :) Também adorei esse nome ihihi Espero que tenha gostado. XxBre.
Daniela: Eu amo essa música, sempre canto, e amo Frozen. Sério, eu me transformo em uma kid assistindo-o. - disfarça - Com certeza, Rachel conquistou de vez o coração da Beth. Beth puxou o talento da tia para colocar nomes nos animais. Elphie e ela se amam e muito, mas também se desgostam, e adoram provocar uma a outra. Sim, haha, elas realmente já moravam juntas né... O que achei melhor foi que Leroy e ela vêem em primeiro, Rachel é a última mencionada. Russel e Hiram sofrem, tadinhos, mas se divertem. Own que fofa! Eu ainda estou considerando, estudando tudo aqui, afinal se eu ficar, deve ser com algo bem pensado, bem planejado, então, estou estudando as ideias que tenho e os assuntos, mas até o último capítulo de OLIHTS já devo ter decidido se realmente vou continuar ou se é minha última fic. E muito obrigada pelo carinho, significa muito pra mim! XxBre.
Quinnefaberry: Que bom que gostou, fico feliz! :) Devo admitir que eu também amei esse nome lol Esse pedido será em breve, muito em breve! E espero que tenha gostado. XxBre.
Ray: Não é que eu tenha medo, é que - ok, eu tenho medo, mas é que sofro junto, entende, eu fico vendo essas coisas de morte e zumbi, e começo a sentir o desespero do personagem que está sofrendo. Nunca assisti, mesmo todos meus amigos assistindo e tentando me convencer a fazer, a resposta sempre é e será a mesma, um big no. Eu vi, nem sei o nome do filme, de um cara acorrentado no banheiro, é uma franquia bem famosa, só vi porque estava passando pela sala de estar e meu pai e irmã estavam assistindo - isso foi há muito tempo, muito tempo mesmo - mas nunca esqueci, pois é uma cena horrorosa. Eu amo músicas assim, tristes, dramáticas, maioria das que escuto são com letras de partir o heart mesmo. Escute Born to Lose do Dean Martin, e me diga o que achou. Oh, falta um tempo ainda, então quem sabe, você realmente não ganha um capítulo como presente, se eu decidir continuar ;) Eu sou escorpiana, e adoro! Eu amo a Rachel, e geralmente não gosto da personalidade da Quinn na maioria das fics, sério, não entendo o que escrevem e é uma coisa muito chata. Eu nem de star wars gosto, sorry, mas Mars foi lindo, e só vi pela minha wifey mesmo. Durante minha estádia no Canadá, conheci um diretor de arte de filmes - contratado da Marvel -, e começamos a conversar, discutindo sobre filmes, e até trailers, e ele me explicou como tudo funcionava, como o trailer é aquilo que realmente vai atrair a pessoa ao cinema, a assistir aquele filme, e como tudo deve ter um 'jogo' de imagens e sons, os mais chamativos, com a intenção de chamar a atenção, ou como você disse 'iludir'. Não há de quê, e sim, há uma música que diz, nice 'n easy does it -É um dos meus lemas - então, mantenha calma, mesmo sendo difícil, tudo vai voltando ao seu devido lugar aos poucos. Eu entendo, e é normal ele está presente em cada uma de suas decisões por pensamento, sério, é algo que acontece com todos, e na maioria das vezes, não sei se com você, é uma forma de querer agradar - deixar essa pessoa orgulhosa, onde quer que esteja. Você escreve fics? Ou textos? É meu perfeccionismo extremo que me faz assim, então, eu devo conviver com isso, mesmo tentando mudar, não consigo. Sabendo usar essa técnica, não fazendo exageros demais, é até legal. Exatamente, o primeiro a gostar deve ser o escritor. Já fiz isso. ;) XxBre.
Bem, próximo capítulo... Não vou revelar nada. Até segunda que vem. XxBre.
