Aqui está o epílogo, o adeus a esta incrível história, boa leitura e sorry por qualquer erro.


Estudando atentamente a prateleira com todas aquelas caixas coloridas de diferentes marcas, alcança por uma cor de rosa que sabia ser uma das melhores. A inscrição dizia que dentro da caixa possuía dois testes, o que acreditava ser o suficiente. Dá um pequeno sorriso contente, tinha certeza do resultado, há duas semanas sentia como se houvesse algo diferente em si e todos os indícios deste resultado estavam lá. Afinal, uma vegan não deveria desejar bacon no café da manhã, ou em momento algum. Faz uma careta ao se lembrar do cheiro da carne que fritara naquela mesma manhã para sua esposa. Todos os dias era uma luta entre seu estômago e sua consciência, enquanto um a dizia que deveria prová-lo, que parecia tão bom, outro lhe dizia que um pobre animal morrera para se transformar naquela suculenta e deliciosa carne, o que a fizera chorar todas às vezes ao fritá-lo durante a última semana. E não importa quão grande fosse à tentação, não comeria aquela coisa. Jamais. Olha de lado a sua esposa, que tinha toda a atenção desviada a prateleira, segurando com uma das mãos a cesta plástica vermelha de compras do supermercado. Cesta que já tinha todos os alimentos básicos da loira, como cinco pacotes de Oreos, um pacote de dois quilos de bacon, dois potes de manteiga de amendoim e diversos Kit-Kats, que pegara tudo durante o caminho a este corredor, alegando que não poderiam vir ao supermercado sem comprar seus alimentos preferidos. Como se Rachel não soubesse disso, durante todos estes anos juntas nunca se esquecera de comprá-los. Observa como Quinn coloca uma caixa de teste de gravidez na cesta, logo voltando à atenção a prateleira e alcançando por outra. Morde o lábio inferior, com uma expressão divertida, passando a assisti-la curiosamente.

Dizer que a atriz estava entusiasmada com o resultado era eufemismo. Um grande. Desde o dia em que o óvulo fecundado de Quinn fora implantado em seu útero, a loira agia como se a gravidez fosse algo certo, sempre acariciando sua barriga e conversando com esta, como se o embrião pudesse escutá-la perfeitamente, dizendo que mal podia esperar para vê-lo crescer dentro de sua mommy e para seu nascimento, já planejando tudo o que fariam uma vez o que o bebê nascesse. Quinn ainda lhe tratava com extremo cuidado, como se a qualquer momento pudesse se quebrar e o bebê pudesse se machucar com a menor agitação. Mas entendia que sua esposa estava apenas demonstrando todo o amor que sentia por ela e pelo filho ou filha, e era realmente encantador vê-la agir daquela maneira.

"Rach, aqui diz que se der positivo o bluetooh do teste conecta com o do nosso smartphone e aparece a resposta na tela, dando acesso a um aplicativo exclusivo." Quinn comenta após ler as informações na caixa do teste de gravidez. Embora já soubesse que sua mulher estava grávida, não tinha dúvidas desde o momento em que assistira seu óvulo ser implantado, queria que um teste comprovasse o resultado, queria poder ler a palavra grávida na tela de seu smartphone e ver as duas linhas cor de rosa no outro teste que já havia colocado dentro da cesta, queria finalmente escutar Rachel lhe dizer que estavam prestes a realizar mais um de seus maiores sonhos, que seriam mães. Mães, Rachel estava esperando um filho seu, sorri presunçosa, ah, como adoraria cada segundo daquela gravidez e acompanhar o crescimento de seu bebê dentro de sua mulher, era incrível pensar que ambas criaram aquela vida. O doador não existia para ela, o bebê era uma mistura sua e de Rachel, e somente delas. Coloca a caixa do teste dentro da cesta, tinha todas as intenções de acessar o aplicativo exclusivo deste quando chegassem em casa e Rachel urinasse no stick, e este desse o devido resultado desbloqueando ao aplicativo. "Acho melhor comprarmos um galão de suco, aí você vai bebendo durante o caminho, assim quando chegarmos em casa já estaremos prontas para fazer os testes." Lança o olhar a morena, que tinha um grande sorriso. Arqueia uma sobrancelha, questionadora. "O que foi?"

"Você é adorável, Quinn Fabray." Se aproxima da mencionada, inclinando-se e depositando os lábios contra sua bochecha direita. Mesmo após todos estes anos, Quinn ainda a fazia suspirar e se derreter por amor com seus gestos e palavras. Era simplesmente perfeita. E mesmo agora, no meio de uma compra de testes de gravidez, sentia como se fosse à mulher mais sortuda do universo por ter Quinn ao seu lado. Por poder carregar aquela preciosa vida em seu ventre, uma vida que representa todo o amor que ambas sentem. Afasta-se, sorrindo. "Podemos ir agora, acho que já temos testes o suficiente."

Assentindo com a cabeça, a atriz passa a língua entre os lábios, desviando o olhar de volta a prateleira. Nas embalagens de ambos os testes que escolhera e colocara dentro da cesta que carregava, diziam que um por cento dos testes podem falhar, e não participariam desta porcentagem, todos dariam o resultado positivo, sim ou sim. Alcança por mais quatro caixas de diferentes marcas, todas possuindo dois sticks dentro da embalagem. Faz uma rápida conta matemática, chegando à conclusão que agora sim tinham testes o suficiente, quatorze testes de gravidez – contando com o que Rachel pegara. Deposita as caixas dentro da cesta de compras, declarando. "Eles podem falhar, então é melhor estarmos preparadas." Dá de ombros, como se não fosse grande coisa. E não era como se fosse pedir sua mulher para fazer todos os quatorze testes, se tudo desse certo desde o primeiro teste só a pediria para fazer quatro ou até oito destes, pois nunca se sabe com estas coisas, sempre podem dar algum erro.

A cantora entrelaça sua mão livre com a da mais alta, unindo seus lábios suavemente. Não se importando com uma senhora e seus três filhos pequenos que passavam por aquele corredor, ao lado delas, observando-as com grande interesse, não é todo dia que se vê o casal mais famoso da América se beijando em um supermercado na vila de Scarsdale. "Eu te amo." Murmura, passando o lábio inferior contra o superior de Quinn, que suspira contente. Dá um passo para trás, colocando a caixa cor de rosa dentro da cesta que a outra carregava, ignorando a quantidade de testes que sua esposa pegara. Em sua opinião era um grande exagero, mas decide não comentar sobre isso, afinal para Quinn não há exageros quando se trata de seus filhos. Levanta suas mãos entrelaçadas, fazendo com que a loira passe o braço ao redor de seus ombros, abraçando-a de lado. "Vamos, Q, temos que comprar o suco orgânico logo e irmos para casa fazer todos estes testes."

...

Leva uma mão ao seu curto cabelo, que mal batia na altura do pescoço, em um gesto nervoso. Estivera certa em comprar todas as sete caixas de testes, com quatorze sticks. Os quatro testes que Rachel fizera estavam com defeito, minutos se passaram e ainda não tinham resultado algum. "Isso está demorando demais, acho que estes não funcionam, vamos fazer outros..." Diz com o olhar fixo nos sticks sobre a pia do banheiro na suíte master da mansão. Movimenta sua mão a um dos lados, alcançando pela sacola com todos os outros testes, retirando uma caixa amarela.

"Quinn, só passou um minuto." Declara à morena, posicionada ao lado da atriz.

"Passou mais tempo, Rach, muito mais. É melhor fazer outro teste." Oferece a caixa com os sticks a sua mulher, que nega com a cabeça, não fazendo menção de aceitá-la. Vagamente, escuta risadas no primeiro andar da mansão, mas as ignora. Lidaria com os outros depois, por agora ninguém deveria saber o que estavam fazendo aqui. Esse momento era sua prioridade. Coça a nuca, impaciente, por que estes testes não podiam demonstrar o resultado em apenas trinta segundos?! Tudo seria tão mais fácil. Não era justo demorarem tanto, quer dizer, já teria que esperar longos nove meses para seu bebê nascer, seria apenas o correto os testes mostrarem o resultado assim que terminassem de fazê-los. Essa espera pelo resultado positivo parecia interminável. "Estão defeituosos, droga, eu devia ter escolhido outras marcas." Estivera empolgada com o aplicativo exclusivo para no final não chegar a nada. Isso não ficaria assim, escreveria e-mails a cada uma das empresas responsáveis pelos testes, reclamando dessas porcarias.

Rachel sorri ao escutar sua esposa soltar um profundo suspiro. A loira agia como se estivessem esperando um resultado há horas, um resultado que ambas já sabiam, então realmente não havia motivos para Quinn agir de maneira tão impaciente. Cruza os braços, ignorando o olhar suplicante que lhe era lançado. Por mais que odiasse lhe dizer não, não faria outro teste, os que fizeram estavam funcionando perfeitamente, e Quinn só precisava ter paciência. O que sabia ser difícil a ela em um momento como aquele. Leva uma mecha de seu cabelo castanho para trás da orelha, desviando a atenção a mais alta. Umedece os lábios, comentando, em uma tentativa de distraí-la. "Na noite passada eu sonhei que você estava carregando um recém nascido, no sonho eu sabia que o bebê era parecido a você, mesmo nariz, tom de pele, cabelo e olhos, mas não conseguia vê-lo, e quando o sexo ia ser revelado, eu acordei." Ainda não entendia porque chamavam de enjoo matinal, quando este enjoo aparecia a qualquer horário, principalmente durante a noite, fazendo-a acordar diversas vezes para vomitar o que é quê ainda estivesse em seu estômago.

Olhando carinhosamente a sua mulher, a atriz dá um sorriso, colocando um braço ao redor do pequeno corpo, trazendo-a para mais perto. Escutar Rachel falar sobre seu sonho noturno, a fizera imaginar como seria ver e segurar seu bebê pela primeira vez, e sabia que seria uma das melhores sensações do mundo. Olha a um dos sticks sobre a pia, que ainda não demonstrava o resultado na pequena tela, onde apareceriam duas linhas rosa ou a palavra grávida. Fecha os olhos, voltando a soltar um profundo suspiro. Quanto tempo mais teria que esperar para comemorar a chegada do bebê? Um século, aparentemente. Beija a testa morena, logo passando o nariz suavemente por sua cabeça, em forma de carícia. A aperta contra si, murmurando. "Estarei contente com o quê vier, menina, menino, ou gêmeos, mas desta vez acho que será um menino. Um lindo menino de cabelos castanhos e espero que tenha seus olhos." Desde que assistira a inseminação, tinha o pressentimento que seria um garoto, e torcia para que ele tivesse características mais escuras assim como sua mulher, como o cabelo e os olhos. E sabia que biologicamente não seria possível o bebê delas ter os mesmos olhos castanhos de Rachel, mas, bem, o doador inexistente tinha um tom castanho parecido e já serviria para algo. "E eu tenho o nome perfeito para nosso bebê..." Era verdade, no mesmo dia em que fizeram a inseminação, ao caminho de volta à mansão começara a pensar em uma lista de nomes para ambos os gêneros. "Se realmente for menino, gostaria que seu nome fosse Ian Benjamin. E se por acaso for uma menina, eu gostei de Ava, mas ainda não pensei no segundo nome."

A cantora passa os braços ao redor do pescoço da outra, acariciando sua nuca distraidamente com a ponta dos dedos. "Estes nomes são realmente perfeitos. Eu gostei muito de Ian Benjamin, e se for um menino, está decidido esse será seu nome." Com um nome desses, seu filho nasceria para brilhar na Broadway. Oh, até podia imaginar cartazes na Times Square com o nome do seu bebê, além de imaginá-lo no palco se apresentando em diversas peças e ganhando um Tony que ela mesma o entregaria. Era simplesmente perfeito. Assim que ele começasse a falar, o inscreveria em aulas de canto, dança e atuação. Lógico, ele poderia fazer e ser o que quisesse, mas realmente torcia desde já que seu bebê demonstrasse interesse pela Broadway, gostaria que ao menos um de seus filhos seguisse seus passos, continuasse seu legado. "E se for menina, bem, poderíamos chamá-la de Ava Minnelli." Ava Minnelli Berry Fabray, sempre imaginara como seria colocar o sobrenome de sua diva Liza como o nome do meio de uma de suas filhas, e agora que tinha a chance, mesmo gostando de como soava, não podia deixar de pensar que era melhor esquecer esta ideia de uma vez por todas. Sua filha merecia um nome melhor, algo como Ava Joan Berry Fabray ou Ava Fanny Berry Fabray... Faz uma careta, chegando à conclusão: "É melhor continuarmos pensando em um segundo nome para Ava."

"Eu concordo." Diz Quinn. Ava Minnelli?! Não, simplesmente não. Jamais permitiria que sua filha se chamasse assim, a pobre sofreria pelo resto da vida. Seu celular vibra no bolso de trás da calça jeans e rapidamente o pega, percebendo que era uma notificação da marca do teste de gravidez, pedindo autorização para usar o bluetooh do smartphone. Sente seu coração se acelerar, aquilo só podia significar uma coisa. Aceita ao pedido, em seguida desviando o olhar aos testes sobre a pia do banheiro. Pelo canto de seus olhos, observa como sua mulher faz o mesmo, tirando as mãos de seu pescoço e dando um passo à frente, se aproximando ainda mais da pia.

Com as mãos trêmulas, Rachel alcança por um stick. Não havia porque estar tão nervosa agora, já sabia o resultado, sabia o que apareceria na pequena tela do teste, mas de repente sentia como se prendesse sua respiração ao estar prestes a ver aquele sinal cor de rosa que confirmaria tudo. Aperta os lábios com força, ao mesmo tempo em que abaixa o olhar ao objeto entre suas mãos, e pode jurar que seu coração deixa de bater por alguns segundos ao ver as duas linhas cor de rosa. Estava grávida! Estava esperando um filho de Quinn Fabray! Uma solitária lágrima escorre por sua face ao lado direito, mas não faz menção de limpá-la, levantando o olhar a sua esposa, que tinha o celular em mãos, e alternava a atenção entre ela e o aparelho, boquiaberta. "Quinn..." Começa a dizer, mas se interrompe ao sentir um nó se formar em sua garganta. Oh minha doce Barbra, aquele era um dos momentos mais felizes de sua vida, o momento onde tinha certeza que seu pequeno Ian Benjamin ou sua pequena Ava estava a caminho, que em oito meses seu bebê estaria em seus braços. Dá um grande sorriso entre as lágrimas que agora escorriam livremente, aquele era seu sonho e o de Quinn se realizando, a família delas estava aumentando.

"Meu Deus, Rachel..." A loira cola seu corpo na pia, olhando a cada um dos quatro testes que sua esposa fizera, todos mostrando o mesmo resultado. "Eu vou ser mãe. Nós – nós vamos ter um bebê. Você vai ter nosso filho." Passa uma mão por seu cabelo, nervosamente, sentindo seus olhos se encherem de lágrimas. Mesmo sabendo desde o começo que sua esposa estava grávida, não se comparava ao que sentia agora ao ver com seus próprios olhos a confirmação na tela do celular e nos sticks. Havia um pedaço seu no útero de Rachel se transformando em uma pequena pessoa, no filho delas. Seu bebê. "Nós estamos grávidas. Grávidas!" Aumenta o tom de voz, completamente entusiasmada. Se afasta da pia e se aproxima de sua mulher, surpreendendo-a ao levantá-la do chão em um apertado abraço. Beija sua têmpora esquerda, logo declarando emocionada. "Eu te amo tanto, obrigada por realizar todos os meus sonhos, obrigada por ser a mãe dos meus filhos."

Rachel tira sua cabeça entre o ombro e pescoço da mais alta, inclinando-a para trás, de forma que pudesse olhar diretamente aos olhos avelãs. Leva a mão direita à face de Quinn, começando a fazer carícias com o dedo polegar em sua bochecha. Umedece os lábios, sentindo o gosto salgado das lágrimas que continuavam escorrer por seu rosto, antes de dizer. "Você é o amor da minha vida, e eu faria qualquer coisa por você. Obrigada por me fazer a mãe de seus filhos, obrigada por este bebê." Limpa com o dedão uma lágrima que escorre pela face da atriz, se inclinando e depositando um apaixonado beijo sobre os lábios dela.

Deus, como era possível que mesmo após quase quinze anos de casadas, sua mulher ainda a surpreendia com suas declarações de amor, fazendo-a se apaixonar ainda mais?! Não fazia ideia, mas sabia que jamais deixaria de se sentir assim. Pelos últimos quatorze anos e meio, amara Rachel a cada dia mais, um amor que não importa o quê ocorresse entre elas, jamais deixara de se fortalecer. Lentamente, o beijo vai terminando até se transformar em um dócil toque de lábios. Sorri, colocando sua mulher de volta em seus pés, antes de se agachar, levantando a blusa branca que ela usava. Fecha os olhos, depositando um demorado beijo em sua barriga, sentindo que daquela maneira estava acariciando o seu bebê. "Eu ainda não o conheço, mas eu já amo você com todo o meu ser. E eu prometo que vou cuidar muito bem de você e da mommy, realizando todos seus desejos até você estar pronto para sair daí e vir conhecer nossa família. Eu mal posso esperar para vê-lo e segurá-lo em meus braços, e sei que a mommy se sente da mesma maneira." Percebe que Rachel assentia com a cabeça, levantando uma de suas mãos para limpar as lágrimas que escorriam. Beija abaixo do umbigo de sua mulher, murmurando sobre a pele morena de forma que só o bebê pudesse escutá-la. "Por favor, se comporte e se quiser eu posso dividir meu bacon com você a qualquer hora, não se esqueça disso, é só fazer a mommy desejar comer bacon ou qualquer outra coisa que você quiser." Jamais deixaria seu filho sofrer comendo todas aquelas saladas e coisas vegans, tentaria fazer com que sua mulher se alimentasse bem desde agora, leia-se comer bacon ao menos duas vezes ao dia, manteiga de amendoim, entre outras coisas básicas. O que não seria difícil já que Rachel sempre fazia uma dieta vegetariana durante a gravidez, e tinha certeza que esta começaria a partir de hoje, já que o bebê precisava de algumas vitaminas encontradas nos derivados de animais. Agora a melhor parte era que esta dieta nunca durava mais do que alguns dias, pois a cada gravidez os genes Fabray se demonstravam fortes, sempre fazendo a mommy se transformar em uma carnívora, fazendo-a comer hambúrgueres e bacon todos os dias, para seu orgulho. Se levanta, sorrindo docilmente a cantora.

"Vamos esperar até a noite, após o jantar para contar as crianças, ok?" Pergunta Rachel, passando uma mão por sua barriga, distraidamente. Seria melhor esperar mais algumas horas antes de contar a grande noticia, assim poderia se preparar ao momento, pois algo a dizia que esta não seria bem aceita.

Quinn assente com a cabeça, mordendo o lábio inferior. Sua vontade era de abrir a janela do banheiro agora mesmo para gritar a quem pudesse ouvir que sua mulher estava grávida, era ligar para sua mãe e a Leroy contando que seriam avôs novamente, mas sabe que deveriam contar primeiro aos pequenos Fabray dentro de sua casa. Aqueles que com certeza adorariam a notícia, após digeri-la por algumas semanas. Enquanto a hora do jantar não chega, deveria ter paciência, se controlando para não dizer nada a ninguém antes, agir naturalmente, como se não soubesse da melhor notícia que alguém poderia receber, e por agora, sabia exatamente o que poderia fazer para tirar o assunto de sua mente, para se distrair. "Rach, o que você acha do sexo de comemoração?"

X

Ah, nada como fazer amor com sua esposa para melhorar ainda mais o seu dia. Desce os degraus da escada, dando um sorriso distraído ao pensar em Rachel, que havia ficado na suíte delas, alegando que iria tomar banho antes de descer para passar o resto da manhã com as crianças. Era final de semana, e como as duas tinham o dia livre, haviam planejado ficar o dia todo com seus filhos em casa. Desce o último degrau, se encaminhando ao outro lado do foyer, logo entra em um pequeno corredor, passando pela sala de jantar antes de chegar à cozinha. Ao entrar nesta, observa como as crianças estavam debruçadas sobre o balcão central, assistindo algo no celular que sua melhor amiga segurava com uma das mãos. Arqueia uma sobrancelha curiosa ao ver Santana, que como sempre não lhe avisara que estava vindo à mansão.

Limpa a garganta, tentando chamar a atenção de seus filhos, que não tiram os olhos da tela do celular. Cruza os braços, perguntando. "O que estão assistindo?" Ninguém a responde, ninguém nem a olha, nem dão sinal de que perceberam sua presença.

"Essa é a melhor parte." Comenta Santana, com um sorriso sarcástico, ignorando completamente sua cliente parada sob um dos portais de entrada da cozinha. Ao chegar à mansão e descobrir que seus adorados sobrinhos estavam sozinhos, decidira entretê-los, mostrando algo que guardara por mais de uma década. Um vídeo de Quinn grávida brigando com Rachel, acusando-a de ter um caso com ela, Santana Lopez. Era uma das coisas mais engraçadas que já vira em toda sua vida, e o filmara após ser flagrada abraçando Rachel. Tudo começara quando a cantora lhe revelara que Quinn estava fora de controle, tudo era motivo de brigas entre elas, e sabendo como sua cliente estava se comportando por causa dos hormônios da gravidez, sentira pena de Rachel e lhe abraçara, e naquele momento fora flagrada pela atriz, recebendo até ameaças de morte. Escuta as risadas de seus sobrinhos, ao aparecer no vídeo à imagem de uma Quinn grávida de oito meses gritando. "Eu estou certa, você está errada!" Há um sussurro, onde a morena concorda com sua esposa, e em seguida mais um grito de Quinn. "Pare de me dar razão em tudo como se eu fosse louca. Eu não sou louca! Eu sei que você está tendo um caso com ela, Rachel. Onde foi que eu errei? Eu não fui mulher o suficiente para você? Agora que estou gorda, você não me ama mais, não é? Já não sou sexy ou bonita o bastante para você..." No vídeo, a loira começa a chorar histericamente, apontando o dedo indicador a mais baixa. "Se você pensa que assinarei o divórcio, está muito enganada. Você me prometeu um para sempre e é isso que nós teremos, eu me recuso a deixar você ir, Rachel, você é minha. Só minha." A latina solta uma risada debochada, não importa quantas vezes o assista, este vídeo nunca perderia a graça. O comportamento de Quinn durante toda a gravidez, a fizera se sentir como se vivesse em uma novela mexicana de péssimo gosto, como se algum demônio tivesse possuído o corpo de sua melhor amiga, jamais vira uma grávida tão desesperada. Ou melhor, louca. Ninguém se salvara de seus insultos, e perdera a conta de quantas vezes fora demitida por Q em momentos que os hormônios levaram o melhor de sua cliente, só para a mencionada chorar depois, pedindo-a perdão. E mesmo achando tudo realmente engraçado, torcera com todas suas forças para que o bebê nascesse logo e trouxesse a paz de volta. E quando os longos, quase intermináveis nove meses se passaram, assim que sua sobrinha nascera, presenteara Q com duas caixas de pílulas anticoncepcionais. Não queria outra gravidez como aquela, e graças a tudo mais sagrado fora a primeira e última gravidez de sua melhor amiga.

Quinn abre a boca para se defender e dizer algo a Santana por mostrar aquele estúpido – e vergonhoso – vídeo aos seus filhos, quando escuta sua filha mais velha dizer. "Temos sorte por não ter que aguentar algo assim, por só a mommy ter engravidado depois disso." Lucy Barbra Berry Fabray aponta a tela do celular, onde no vídeo a versão mais nova de sua mama recitava toda uma lista de insultos a latina. Quinn desvia a atenção a sua filha, a única que realmente tinha o sangue Berry em suas veias, já que Rachel doara os óvulos e ela quem a carregara em seu útero, sentindo-a crescer dentro de si, aquela que lhe fizera passar pela incrivelmente dolorosa experiência do parto normal, aquela que não importa quantos anos tenha, sempre será sua pequena, seu bebê.

Lucy Barbra, Rachel escolhera este nome alegando ser o nome perfeito a primeira filha delas, tinha a pele em um tom mais claro que sua mulher, ainda assim mais escura que a sua, longos lisos cabelos castanhos escuro, um nariz de tamanho médio, que Leroy dizia ser o nariz judeu da família Berry, lábios carnudos rosados, e para surpresa de todos, tinha o mesmo formato de rosto que o seu, e o formato das sobrancelhas eram parecidas, Lucy podia muito bem competir com ela em quem arqueia as sobrancelhas por mais tempo e mais alto. Ainda para sua surpresa, sua pequena nascera com os olhos castanhos, – o formato dos olhos também era parecido aos de Quinn – mas com o passar de seus primeiros meses de vida, se transformaram em um tom avelã, em um tom mais escuro que seus olhos, mas ainda assim parecidos. Agora, sabia que o doador era responsável por esta semelhança física, mas gosta de pensar que sua filha puxou a ela, Lucy Barbra era a combinação perfeita entre Rachel e ela, até mesmo na personalidade, era como se pegassem todos seus defeitos e qualidades misturando com os de Rachel e saísse à personalidade forte de sua filha. Calma e ao mesmo tempo impaciente, autoritária, dócil e quando queria sabia como ficar extremamente séria, inteligente e sempre pronta para dar sua opinião sobre qualquer assunto, não temia demonstrar seus sentimentos, se expressar, mas ainda tinha um lado tímido, dramática e provocativa, era capaz de dizer mil palavras por minuto, mas sabia calar-se e ouvir, e era uma verdadeira protetora de sua família, principalmente de seus irmãos. Sempre cuidando de cada um deles da maneira quê fosse, colocando-os em primeiro lugar. E mesmo estando em uma idade que gosta de desafiar suas mães, leia-se somente Quinn, já que a loira parecia ser a única que tinha problemas com o fato de sua filha, sua princesa estar crescendo tão rápido (E sim, sua pequena Lucy já estava mais alta que sua mulher por alguns centímetros) deixando de gostar das coisas que geralmente lhe fazia sorrir, e passando a gostar de coisas mais adultas, Lucy nunca lhe faltara com respeito, lhe desobedecera. Lucy Barbra era a mais velha de seus filhos com treze anos, em dois meses completaria quatorze, e em Setembro entraria para seu primeiro ano na High School, para o desespero da loira, era realmente difícil saber que sua filha estava se tornando em uma adolescente prestes a ir para o ensino médio. Não queria nem pensar em quando garotos começassem a aparecer em sua casa para pedir sua filha em namoro, oh meu Deus, seu pobre coração. Morreria antes dos cinquenta, tem certeza disso.

Enfim, como Rachel e ela sempre incentivaram qualquer tipo de artes e esportes na educação de seus filhos, assim como ela, Lucy entrara para o grupo de líderes de torcida desde o primeiro ano do ensino fundamental, escolhendo esta como sua atividade extracurricular, e logo se tornando a capitã, agora que estava em seu último ano escolar após ser a líder do time por sete anos, a treinadora lhe garantira que ao chegar ao ensino médio ela teria grandes chances de ser a co-capitã e deveria trabalhar duro se quisesse chegar a ser a capitã do time de adolescentes. E sendo filha de Rachel Berry, Lucy também escolhera participar do coral da escola, se tornando a capitã, mesmo que sua voz não fosse tão potente quanto à de sua mãe, e sempre deixara claro que gostava de fazer parte do clube, que realmente gostava de cantar e dançar com seus amigos, mas que não gostaria de fazer isso profissionalmente. Desde cedo, demonstrara grande interesse pelas artes, acompanhando suas mães durante alguns trabalhos quando era possível, e sempre ficando nos bastidores, estudando tudo ao seu redor como se fosse à coisa mais interessante que já vira em sua vida, assim que realmente não fora uma surpresa ao casal quando ela fizera uma apresentação no PowerPoint, revelando que gostaria de se tornar uma produtora e diretora, e que deveriam investir em sua possível carreira desde já, mandando-a a um acampamento para jovens talentos. Isso fora há três anos, e hoje este acampamento era uma tradição nos verões de Lucy, que já até assumira a co-produção de algumas peças escolares, para o orgulho de toda a família, e já até tinha uma vaga de aprendiz garantida quando completasse dezesseis anos. Isabelle Wright, a dona da produtora com que tinha contrato e amiga da família, havia dito que daria sua filha à chance de ter o primeiro sonhado emprego em uma grande produtora, alegando que Leroy havia lhe mostrado um vídeo da co-produção de sua neta e que ela era realmente talentosa, para total alegria de Lucy. Quinn sentia como se seu coração fosse explodir de tanta felicidade e orgulho toda vez que olhava a sua filha, por ter dado a luz a alguém tão perfeito, por sua esposa e ela criarem esta pequena pessoa perfeita, esta vida.

A atriz dá alguns passos à frente, se aproximando do balcão central da cozinha, finalmente recebendo a atenção de seus filhos, que desviam o olhar a ela ao vídeo chegar ao fim. Dá um sorriso de lado, respondendo a declaração de Lucy. "Fique sabendo que você é a culpada por eu ter agido assim, foi quando estava grávida de você que perdi o controle de minhas emoções e passei agir de maneira meio maluca. Os hormônios da gravidez afetaram até meu cérebro." Faz uma careta ao se lembrar de sua única gravidez, por um lado foram os nove meses mais felizes de sua vida, por outro fora um verdadeiro sofrimento. Quer dizer, brigara constantemente com Rachel devido aos ciúmes que sentira de qualquer pessoa que ousasse se aproximar de sua mulher, em seu estado cheio de hormônios alterados não era nada legal ver fãs, colegas de elenco e até amigos abraçando sua esposa e dizendo dóceis palavras a ela. Vivera com raiva, com vontade de brigar com alguém, e sempre estava pronta para insultar quem cruzasse seu caminho, só para chorar depois, se sentindo a pior pessoa do mundo. E uma das piores coisas durante toda a gravidez, fora não poder comer bacon, como uma verdadeira filha de Rachel Berry, o feto de Lucy não deixara Quinn nem sentir o cheiro do bacon sem passar mal, fazendo-a desejar as coisas mais estranhas, como comer alface e tomate puro. É; essa parte parecera uma tortura, e levara um tempo para poder voltar a comer seu alimento preferido sem sentir náuseas, mas se forçara e três meses após o nascimento de Lucy, tudo voltara ao normal com ela comendo bacon ao menos quatro vezes ao dia. "E quando a mommy de vocês e eu decidimos que era hora de começar a ter filhos, concordamos que eu seria a primeira a engravidar e seria minha única gravidez." Após um ano de casadas, quando começaram a conversar sobre realmente ter filhos, planejaram que devido o trabalho de Rachel como protagonista de Funny Girl, Quinn teria o primeiro bebê delas, carregando os genes Berry, e quando fosse o momento certo, Rachel teria os outros com Quinn doando os óvulos, afinal seu sonho sempre fora ver sua mulher engravidar ao menos sete vezes. Seu sorriso se aumenta, e lança o olhar ao seu filho, ao único homem da casa, ao primeiro bebê que Rachel carregara em seu ventre, o responsável por fazer sua esposa lhe acordar durante quase todas as madrugadas, pedindo-a para comprar milkshakes e hambúrgueres com bacon, aquele que lhe dera a incrível e emocionante experiência de assistir um parto pela primeira vez, mesmo que tenha sido cesariano – devido ao tamanho de Rachel e o tamanho do bebê, sua mulher não tivera opção a não ser fazer uma cesariana, já que um parto normal seria arriscado a ambos. – ao menino que sempre teria o seu coração.

Liam Nathan Berry Fabray, Judy escolhera o nome como sempre sonhara em fazê-lo, era o que sua mãe e Leroy diziam ser a imagem cuspida de Quinn. O mesmo tom de pele pálido, o mesmo cabelo loiro liso com tons mais claros, que usava em um corte simples com fios menores nos lados e na parte de trás e fios maiores no topo da cabeça, formando um desajeitado topete, o mesmo queixo com a pequena cova no meio e boca com pequenos lábios rosados, o mesmo formato dos olhos, exceto quê Liam tinha olhos verdes claros, grossas sobrancelhas claras que também poderiam dar a atriz uma boa competição em quem as arquearia mais alto, e o formato do rosto parecido ao seu, só que com o maxilar maior, obviamente. O que realmente diferenciava Liam era seu nariz, que parecia uma mistura entre o de Rachel e o dela, saindo mais parecido com o de sua esposa judia, em um tamanho médio. O que não impedia Santana de chamar o garoto de Quinn Junior, alegando que toda clássica família milionária deve ter um Jr. E não querendo soar presunçosa, mas seu filho simplesmente é o menino mais lindo que já vira em toda sua vida, o garoto mais perfeito, e por diversas vezes se questionara como Rachel e ela tiveram tanta sorte em ter um filho como ele. Liam sempre fora um garoto calmo, de poucas palavras, só fala realmente o necessário, um excelente ouvinte, sempre observando a todos e a tudo ao seu redor, em público demonstra certa timidez, mas no conforto de sua casa e ao redor daqueles que confia se demonstra um garoto dócil, e mesmo com sua pouca idade, sempre agia de maneira responsável e era um grande protetor de suas mães e irmãs, principalmente das mais novas. Diferente dos outros meninos, Liam Nathan com doze anos, mantinha toda sua atenção nos estudos, sendo o aluno com as melhores notas em sua classe, e nos esportes que pratica como futebol americano, vôlei, natação e sua verdadeira paixão, o basquete. Era um verdadeiro atleta, participando dos times de cada esporte no colégio, e sendo o capitão do time de basquete, ganhando várias competições com o time, e placas e troféus como melhor jogador em quadra ou da liga.

E para a alegria de Leroy, seu neto já havia revelado durante um almoço em família, após um jogo em que Liam levara seu time à vitória, que pretendia se tornar um jogador profissional de basquete, coisa que fizera o advogado gritar de emoção, declarando a quem quisesse ouvir que Liam era a futura estrela do NBA e jogaria para o time da família. Naquele mesmo dia receberam uma ligação do treinador dos Knicks – time onde seu sogro era o acionista majoritário – pedindo a permissão do casal para que Liam pudesse treinar um dia com seus jogadores, e fora assim que Quinn acabara na quadra do famoso time que admirava, assistindo seu filho correr de um lado ao outro no meio de homens com quase ou mais de dois metros de altura, marcando alguns pontos durante o jogo treino. Era um momento que guardaria para sempre em sua mente, jamais vira Liam tão feliz, sorrir tanto, como quando estava correndo todo suado atrás de uma bola, jogando ao lado de profissionais, fora como se naquele momento realmente percebesse que seu filho havia nascido para isso, que havia encontrado o que lhe faz feliz. E sabia que era só questão de tempo para que Liam se tornasse um profissional, só precisaria da idade certa para poder entrar na liga maior, mais experiência e obviamente altura, e nenhum destes fatores seriam um problema, principalmente o da altura, quer dizer, se com recém completados doze anos seu filho já tinha 1.67, mesma altura que a dela, imagine quando tivesse com dezesseis?! E mesmo que Liam sempre estivesse ocupado com seus esportes, ainda incentivavam as artes na educação dele, principalmente a música, por isso ele optara por fazer aulas de piano e violão, e apesar de que Rachel lhe dissesse que sua voz seria perfeita para um dueto, ele nunca se arriscava a cantar, dizendo sabiamente a sua mommy que preferia ouvi-la. Não era segredo a ninguém que Liam Nathan era totalmente o filho de sua mommy, tinham uma forte ligação e devido à personalidade muitas vezes tímida de seu filho, Rachel sentia a necessidade de sempre demonstrá-lo como podia confiar nela, como era uma verdadeira amiga, temendo que por algum motivo ele acabasse se tornando em uma pessoa reservada como ela fora alguma vez, e o que Rachel parecia não perceber era que Liam a idolatrava, o que dizia ao garoto era como uma lei. E aos olhos da cantora seu filho era o garoto mais inocente que poderia existir, era o filho perfeito. Agora, Quinn jamais discordaria disso, mesmo sabendo que Liam não era tão inocente assim, afinal mesmo com sua personalidade quieta, continuava a ser um pré-adolescente. Um pré-adolescente com uma extensa lista de admiradoras no colégio e na vizinhança, inclusive, soubera que ele andara dando alguns beijinhos na filha de um dos vizinhos. Não que outra pessoa, leia-se sua amada esposa, precisasse saber disso, afinal Rachel era ciumenta com seus filhos.

Ok, talvez Quinn fosse a mais ciumenta das duas, mas ninguém pode julgá-la, não quando se tem os filhos mais perfeitos do mundo, filhos que sonhara por tanto tempo em ter com o amor de sua vida. E mesmo realmente não gostando de saber – por fontes seguras – que seu filho beijara a garota, afinal seu filho ainda era uma criança e deveria continuar sendo por mais uns sete ou oito anos, para não dizer dez, entendia que era a curiosidade da idade. E por mais que odiasse admitir, uma vez fora como Liam, se não pior. Definitivamente pior, e torcia para que nenhum de seus filhos realmente fosse como ela fora durante sua adolescência ou estaria em sérios problemas com Rachel, que já tinha aquela mania quase irritante e ao mesmo tempo engraçada de acusar que os filhos eram da loira quando faziam algo de errado. Como, por exemplo, a vez em que sua filha Charlotte decidira que seria divertido hackear a conta do Twitter de Kurt, por influência de Santana. No momento em que Rachel descobrira, Quinn tivera que escutar um imenso monólogo sobre como Charlotte era sua filha, como sua filha havia feito algo errado, cometido um crime, que sua filha estava de castigo por um mês, sem seus preciosos eletrônicos, e que ela precisava ter uma séria conversa com sua filha, pois sua filha não poderia voltar a fazer isso. Rachel fizera soar como se a atriz fosse à culpada por a filha delas ser uma pequena gênia, e Quinn aceitara a culpa com orgulho, pois era realmente motivo de orgulho ser vista como a responsável por tanta inteligência. Desvia o olhar a sua pequena Charlotte, a pessoa mais inteligente que já conhecera, ao segundo bebê que Rachel carregara em seu ventre, a quem fizera sua mulher comer bacon a qualquer horário e desejar manteiga de amendoim diversas vezes, a primeira e única – até agora – que lhe dera a chance de assistir um parto normal, que a fizera quase desmaiar de tanta emoção ao ver a cabeça de seu bebê apontando entre as pernas de sua esposa, embora se você perguntar a Rachel, esta respondera que Quinn quase desmaiara de nojo ao ver o sangue e sua intimidade toda aberta daquela maneira. O que era mentira, o parto de Charlotte fora algo realmente emocionante, tanto é que para não desmaiar ou vomitar de emoção, Quinn tivera que desviar o olhar e se segurar em uma das enfermeiras. Fora lindo, maravilhoso, ainda mais quando seu bebê já estava todo limpo do sangue e placenta e fora colocada entre seus braços pela primeira vez, se sentira como se jamais quisesse ou pudesse soltá-la.

Charlotte Hailey Berry Fabray, Leroy escolhera o nome, alegando que se Judy havia escolhido o nome de Liam, ele tinha o direito de escolher o de sua neta, era a única que realmente tinha traços mais fortes, parecidos aos de Rachel, ainda sendo uma mistura com os seus, óbvio. Charlotte tinha o mesmo tom de pele branca que Lucy, longos lisos cabelos loiros – em um tom mais escuro que o seu – com fios mais claros, um nariz parecido ao de sua mulher, exceto que mais fino e menor, e completamente judeu de acordo com Leroy, uma boca também parecida a de Rachel, com lábios rosados e carnudos, grandes olhos verdes escuros e longos cílios, grossas sobrancelhas claras, que sempre estavam arqueadas em momentos de concentração ou sarcasmo, uma testa larga e um forte maxilar em um formato de rosto oval. Charlotte Hailey dizia ser a diferente da casa, não só por sua aparência, como também por sua personalidade. Extremamente sarcástica, sempre tinha algo a comentar e não temia magoar os sentimentos de alguém no processo, timidez não era uma palavra que existia em seu vocabulário e era o que chamavam de dolorosamente honesta, curiosa por natureza sempre estava questionando o motivo de algo e procurando respostas, soluções para qualquer problema, perfeccionista e competitiva, não se cansava até conseguir o quê queria, era a mais independente de seus filhos e não gostava quando lhe diziam o que deveria fazer, mesmo assim sempre escutara sua mulher e a ela, obedecendo-as e demonstrando respeito, e embora fosse à principal antagonista de seus irmãos, principalmente de Lucy, já que sempre estava começando uma briga com a mais velha, só para cinco minutos depois voltarem a serem as melhores amigas, Quinn sabia que se algo acontecesse a um deles, Charlotte seria a primeira a se oferecer para sofrer no lugar de seus irmãos, daria tudo o que tem por eles, não era uma pessoa muito afetuosa, mas não havia dúvidas que amava sua família mais do que tudo, estava estampado em seu olhar o amor e a admiração que sentia por suas mães e irmãos, estressadinha, odiava que interrompessem seus momentos de concentração, principalmente quando estava lendo em um de seus eletrônicos ou estudando. Com um Q.I de 158 e apenas dez anos, Charlotte jamais se comportara como alguém de sua idade, muitas vezes chegava a assustar Quinn com tamanha sabedoria, era uma verdadeira menina prodígio que desde os oitos meses de vida já sabia andar e falar, e aos dois anos de idade já sabia todo o vocabulário inglês além de diversos assuntos legais, lendo todos os livros de direito que pudesse encontrar na biblioteca pessoal de seus avôs.

Sua pequena gênia era a única exceção da regra de artes e esportes em sua educação, já que alegara que preferia simplesmente escutar música e que o único exercício que pretendia fazer era exercitar sua mente, sua esposa e ela aceitaram isso somente porque Charlotte se mantinha ocupada sendo a presidente da maioria dos clubes para intelectos, como o clube de xadrez, matemática e álgebra, leitura, história da política americana, informática, da comissão dos direitos dos alunos – ela mesma fundara este clube, cuidando para que ninguém em seu colégio fosse vítima de bullying, para o orgulho de toda sua família – entre outros, ganhando várias competições estaduais e duas competições nacionais de matemática, e mesmo os professores e o diretor do colégio particular insistindo que Charlotte já poderia estar cursando o ensino médio e que se o casal de atrizes os permitisse poderiam avançá-la em seus anos escolares, elas se recusavam, queriam que a menina tivesse a experiência escolar completa, e normal, sem privilégios, assim como seus demais filhos. Sempre com algum eletrônico em mãos, era capaz de hackear qualquer software, muitas vezes sendo castigada por Rachel por ter invadido alguma conta de E-mail, Twitter ou Facebook da família, sempre a pedido de Santana, que dizia que Charlotte deveria ser sua filha e que se ela desejasse, lhe adotaria em um piscar de olhos, ou a pedido de Leroy que sempre tinha um pequeno serviço para sua neta, como descobrir o que Hiram fazia tantas horas online ou o que lhe comprara de presente de aniversário. Claro que estes pedidos não saíam de graça, havia um preço – um alto preço – e Quinn sabia disso, pois, bem, sua pequena garota brilhante fazia alguns serviços para ela, como descobrir o que ocorria na mansão em sua ausência, Charlotte Hailey era o ouvido e olhos desta casa, nada passava por ela, tudo o que acontecia, ela sabia, e claro que vendia estas informações a atriz, sendo sua fonte segura. Era correto afirmar que devido a estes altos pagamentos, Charlotte era a mais rica de seus filhos, e que se continuasse nesse ritmo logo teria uma pequena fortuna. O que ela dizia ser necessário, pois se quisesse que seu plano desse certo, deveria ter muito dinheiro para sobreviver em seus anos de faculdade, como se suas mães e principalmente seus três avôs advogados não estivessem prontos e entusiasmados para pagarem o curso dela em Harvard. Como desde cedo demonstrara interesse pela firma da família e em assuntos legais, principalmente pelos livros que Hiram escrevia, comentando sobre estes com seu avô como se fosse uma adulta, e até escrevendo uma resenha de um deles com apenas seis anos de idade, Hiram passara a levá-la ao seu trabalho quando podia e em até alguns congressos, chamando-a de sua assistente chefe para completa alegria de sua pequena, que jamais escondera a paixão e o entusiasmo que sentia ao discutir sobre direito e ao estar cercada de advogados, não demorara muito para Charlotte Hailey declarar que seria uma advogada como seus avôs, sua tia Frannie e prima Beth, para defender os direitos da família com ênfase em casos homossexuais, e com um curso menor em ciências da computação, pois simplesmente adorava o mundo da informática e gostaria de ter em seu diploma algo relacionado a isso. E o casal Berry já havia revelado que Charlotte seria a acionista majoritária e ocuparia a presidência da firma. Era assustador pensar que sua pequena chegaria a ter tanto poder um dia, que estava crescendo para se tornar em uma pessoa capaz de governar toda uma empresa, mas era confortante saber que era o quê queria, que era seu sonho e que como mãe poderia ajudá-la a realizá-lo, assisti-la conquistar tudo o que desejava.

"Onde está a mommy?" Ao escutar a pergunta, Quinn rapidamente desvia a atenção a suas filhas mais novas, as gêmeas fraternas mais perfeitas, ao terceiro e quarto bebê que Rachel carregara em seu ventre, as responsáveis por fazer sua mulher durante toda a gravidez comer ovos mexidos com bacon, só para logo em seguida ter uma crise de choro, alegando que uma galinha havia sofrido para ter aqueles ovos e era quase à mesma coisa que comer um filhote da pobre galinha, quem lhe dera a incrivelmente maravilhosa experiência de assistir pela primeira vez um parto de gêmeas, novamente cesariano, afinal eram dois grandes bebês e os médicos não lhe deram opção, temendo que Rachel pudesse não aguentar um parto normal, as meninas mais dóceis que já conhecera em toda sua vida, que com apenas um sorriso conseguiam o que queriam dela, era impossível dizer não a estas duas, eram sua completa perdição.

Emily Liza Berry Fabray, Quinn escolhera o primeiro nome e Rachel o segundo, era mais velha que sua irmã gêmea por alguns breves minutos, por isso agia como se fosse a chefe da dupla, sendo a porta-voz de ambas, e fora quem fizera a pergunta sobre sua mommy. Ems, como a atriz lhe chamava carinhosamente, tinha a pele do mesmo tom que de Lucy, (mais escura que a sua, e mais clara que a de Rachel, o que a fazia pensar que era uma mistura perfeita dos genes delas) o mesmo cabelo loiro e liso que o seu com alguns fios mais claros e outros mais escuros, em um corte que batia abaixo de seus ombros, um delicado rosto com as bochechas levemente rosadas, um queixo parecido ao de Rachel, em um formato sutilmente quadrado, uma boca com finos lábios rosados, um pequeno e fino nariz parecido ao seu, o formato dos olhos também eram parecidos aos seus, com a mesma cor de Liam – verdes claros – finas sobrancelhas claras, que muitas vezes pareciam estarem arqueadas sem ao menos Ems perceber, principalmente nos momentos em que pedia algo. E ela sempre estava pedindo algo, sério, parecia saber que tinha Quinn enrolada em torno de seu dedo mindinho. Com cinco anos, Emily era a mais barulhenta da casa, não sabia se calar e só falava alto, não era nem um pouco tímida e era a mais extrovertida de seus filhos, sempre fazendo alguém rir com seus comentários ou criativa imaginação, era autoritária e impaciente, achava que tudo deveria ser da maneira e no momento em que ela queria, ainda era sensível, sempre soltando algumas lágrimas ao se machucar, ao ver uma triste cena em um filme ou ao ver o comercial das crianças desidratadas na África – pedindo que suas mães as ajudassem –, odiava dividir seus brinquedos ou qualquer coisa com alguém que não fosse sua irmã gêmea Alice, era super protetora dela e estava pronta para brigar a qualquer momento com quem fosse se algo chateasse ou ocorresse com sua gêmea, morria de ciúmes quando não tinha a atenção de Alice, principalmente quando Alice estava com seus irmãos mais velhos ao invés de estar ao seu lado. Emily parecia pensar que por serem gêmeas deveriam sempre estar juntas, e também tinha ciúmes de suas mães, parecia achar que por ser uma das mais novas deveria ter toda a atenção de suas mommies, o que Quinn achava a coisa mais fofa, enquanto Rachel, mesmo nunca deixando de dar atenção a sua filha, alegava que ela precisava aprender a dividir e ter paciência desde já. E a loira dissimuladamente fingia não escutar, afinal adorava dar toda atenção necessária a sua pequena Emily, sua boneca, que era a mais afetuosa de seus filhos, e Ems sempre estava pronta para lhe dar carícias e dizê-la como a amava muito, muito, e que ela era uma das melhores mães do mundo (Dividindo o primeiro lugar com Rachel, claro). Também era a mais teimosa de seus filhos, não gostava de receber não como resposta, e por isso muitas vezes desobedecia a Rachel e a ela, e acabava sendo castigada. Castigos que não duravam mais que uma hora, pois sua pequena quase sempre dava um jeito de fugir, se escondendo em algum lugar da mansão. E o até então castigo se transformava em um grande jogo de esconde-esconde, ou como sua menina desobediente gostava de gritar durante a brincadeira, pega-me se puder. E Quinn sempre a encontrava em cima de árvores, entre arbustos ou pela pequena floresta ao redor da casa. Era seguro dizer que Emily amava a mansão que tinham, e aproveitava cada canto desta, principalmente o lado externo, com os jardins e floresta, explorando estes como se estivesse em uma verdadeira aventura na floresta amazônica.

E como Emily Liza estava em seu primeiro ano escolar, ainda não fazia parte de nenhum clube de artes ou esportes, mas Rachel a matriculara em uma escola de balé, onde fazia seu segundo ano, e esperariam para que Emily ficasse mais velha, para ela mesma escolher que caminho gostaria seguir; cantar ou tocar algum instrumento, e continuar no balé ou praticar algum esporte. E mesmo ainda tão pequena Emily já dizia saber o que queria ser quando crescer, uma princesa como as da Disney, e dizia que Quinn deveria comprar um imenso castelo rosa – sua cor favorita, era como se rosa fosse à única cor que existisse a ela – para que toda sua família e bonecas pudessem morar lá. E a atriz, bem, ainda estava tentando fazer sua filha se contentar com o castelo rosa em uma versão menor, como o castelo da Barbie que comprara na semana passada. Mas, não ousava em dizê-la que não havia como se tornar em uma princesa real, afinal Rachel e ela sempre ensinaram seus filhos que tudo é possível, basta acreditar e lutar por seus sonhos, e quem sabe no futuro distante – bem distante, quando Ems for uma adulta – sua filha não se torna uma atriz e assina contrato com a Disney Pictures, interpretando ou dublando princesas, assim poderia ser da família real por algumas horas. E não importa o que aconteça no futuro, se Emily Liza decidir que não quer ser mais uma princesa, e sim uma veterinária, ou uma exploradora, ou cantora, o quê for, ela sempre será sua princesa, sua pequena princesa perfeita.

Alice Lana Berry Fabray, Rachel escolhera o primeiro nome e Quinn o segundo, era menor que sua irmã gêmea por alguns poucos centímetros, e mesmo ainda tendo algumas semelhanças em sua aparência e personalidade, podia-se dizer que era o oposto de Emily. Alice tinha a mesma cor de pele que sua gêmea, longos lisos cabelos castanho claro com alguns fios dourados naturais, que batia um pouco acima de sua cintura, um pequeno rosto com bochechas também levemente rosadas, um queixo no mesmo formato que o de Quinn com uma pequena cova no meio, uma boca rosada com lábios carnudos, o mesmo nariz que Emily, só que um pouco menor, e os mesmos olhos verdes claros que sua gêmea, finas sobrancelhas escuras, que pareciam serem arqueadas naturalmente. Sua pequena Alice era uma verdadeira boneca, simplesmente a menina mais fofa que já vira, era impossível não passar um segundo ao lado dela e não sentir vontade de abraçá-la e enchê-la de beijos, e sua personalidade era o que Quinn mais admirava. Diferente de qualquer criança que já conhecera, Alice não pedia quase nada, era uma daquelas pessoas que se contentava com o quê tinha, você poderia dar uma banana de presente a ela, e Alice estaria realmente agradecida, era uma garota extremamente amável, ainda tímida e calada, só falava quando era realmente necessário, o que fazia Rachel também se preocupar, dizendo a sua filha que poderia lhe contar o que fosse, confiar em sua mommy, pois eram amigas, e Quinn tentava acalmar sua esposa, alegando que era normal ser tímida como Alice, ainda mais naquela idade e que tudo mudaria uma vez que ela crescesse, que nenhum de seus filhos sofreriam sendo pessoas reservadas, afinal ensinaram a eles que nunca devem esconder o que sentem, a dizer a verdade sempre por mais feia e dolorosa que seja. Alice podia se corar com um simples olhar de um desconhecido ou ao dizer algo em voz alta em público, era uma verdadeira observadora, de olho em tudo ao seu redor e muitas vezes percebendo algo que o resto falhava em ver, respeitosa, jamais desobedecera a suas mães, entendia que devia respeitar os mais velhos e a todos ao seu redor, generosa, não tinha problemas em dividir suas coisas, principalmente seus brinquedos, e por diversas vezes dera bonecas que não usava mais a uma criança carente, e deixava de fazer o que fosse para ajudar algum membro de sua família quando a pediam ou quando percebia que necessitavam de ajuda, especialmente a Emily, fazia tudo por sua irmã gêmea, cuidando dela com sua própria maneira quieta de ser, era amiga de todos seus irmãos, e por ser a mais nova, todos a tratavam com extremo cuidado, proteção, mas Quinn sabia que sua pequena era uma das pessoas mais fortes e corajosas que havia naquela casa, uma força e coragem que ainda não sabia ter, mas tinha certeza que com o passar do tempo sua filha a perceberia, conquistando tudo o que desejasse, assim como sua mommy.

E assim como sua irmã gêmea, Alice Lana estava em seu segundo ano na escola de balé, e ainda não fazia parte de nenhum clube de artes ou esportes no colégio onde estudava com Emily, aprendera a ler há pouco tempo, e para ela era entusiasmante poder ler qualquer conto infantil sozinha, por isso a maioria do dinheiro que ganhava em sua mesada mensal era gasto com livros. Também como Emily adorava princesas da Disney, mas não dizia que queria ser uma quando crescer, sua verdadeira paixão eram as fadas, como Tinker Bell, Rosetta, Silvermist, Iridessa e a rainha Clarion, e sim, após ser obrigada a assistir todos os filmes destas fadas, Quinn conseguia se lembrar do nome de quase todas. Alice amava a natureza, podia passar horas e horas em cima de uma árvore ou explorando a pequena floresta ao redor da mansão com Emily, inventando as mais diversas brincadeiras que envolvessem correr, subir em árvores e rolar pelo gramado, e amava especialmente as flores, sempre que podia ajudava Rachel com o jardim, inclusive na semana passada fora a uma feira de comerciantes da vila de Scarsdale com sua mommy e comprara sementes de uma nova espécie de rosas, assim que chegara em casa as plantara, e agora todos os dias de manhã corria ao jardim para ver o progresso de sua plantação. Adorava passar algum tempo na área da piscina externa, com os pés dentro da água ou brincando de ser uma sereia dentro desta, mas como ainda não sabia nadar devia estar acompanhada de uma de suas mommies ou Lucy e Liam para carregá-la o tempo todo na piscina. Rachel já havia dito que deveriam colocar as meninas em uma aula de natação, mas Quinn se recusara, afinal não havia porque pagar a um desconhecido para ensinar suas filhas a nadarem, ela mesma podia fazer isto. Assim como ensinara Charlotte a nadar (Lucy e Liam tiveram aulas de natação com um profissional, pois na época Q não havia pensado que ela mesma poderia ensiná-los), ensinaria suas princesas e logo, e seria a melhor professora de natação deste mundo, suas pequenas se divertiriam ao máximo e amariam cada segundo destas aulas. Estava decidido, estas aulas começariam a partir de hoje.

Não há nada que não faria por estas duas, suas meninas mimadas, que dependem dela para tudo e como é incapaz de dizê-las não, adora realizar cada um de seus desejos. Como no início deste ano, quando estavam planejando o aniversário delas de cinco anos e ambas decidiram que queriam uma festa na Disney World, com direito a todas as princesas e fadas, e Quinn, bem, acabara pagando alguns milhões a mais para fechar todo o famoso Parque só para a festa de aniversário de suas filhas com cinquenta convidados. Não que se importasse com o dinheiro, quando se trata de seus filhos jamais hesitaria em gastar o que fosse para fazê-los felizes. Olha a cada um dos mencionados, àqueles que eram a mistura perfeita entre sua mulher e ela, os seres mais perfeitos deste mundo, que enchiam esta casa de alegria. Uma casa que comprara pensando no futuro, em um futuro que agora era seu presente ao lado do amor de sua vida e de seus sonhados filhos. Não tinha oito filhos como sempre sonhara, ao imaginá-los não pensara no tempo que levaria para tê-los e – hum – no trabalho que dariam, mas se sentia realizada com suas seis crianças, contando com o bebê que Rachel esperava. Seus filhos eram simplesmente melhores do que qualquer sonho e expectativas que já tivera sobre eles antes mesmo de nascerem, quando ainda eram apenas pensamentos desejosos, eram as crianças mais incríveis que já existiram e com certeza, eram tudo, absolutamente tudo para ela, a melhor coisa que já lhe ocorrera, após conhecer e se casar com o amor de sua vida. E isso não significa que não quer ter mais filhos, na verdade torce por sua mulher ainda decidir lhe dar mais dois filhos para inteirar oito ou até mais quatro e assim teriam dez, espaço não é o que falta nesta casa mesmo, muito menos o amor. Sempre terá lugar em seu coração para mais um bebê.

"Ela está fazendo aquela coisa estranha de novo, em que só fica nos observando e não diz nada. É medonho." Declara Charlotte, fazendo uma careta e cruzando os braços, provocativa. Sua mama tinha essa mania de estudá-los, como se não estivesse acostumada à presença deles, como se fosse à primeira vez que os visse. E não que fosse admitir a ninguém, mas gostava destes momentos, onde com um simples olhar sua mãe conseguia fazê-la se sentir importante, como se ela e seus irmãos fossem as crianças mais especiais de todo o mundo.

Ao escutar o comentário, Quinn revira os olhos divertidamente. Não havia nada de estranho em observar seus filhos em silêncio, como mãe estava em seu direito babar por eles o quanto quisesse. Olha a Emily, oferecendo-a um dócil sorriso, e responde sua pergunta anterior. "A mommy está tomando banho, Ems, e logo vai descer." Era seguro dizer que assim como ela, seus filhos eram extremamente atenciosos com Rachel, e até ciumentos. A cantora era a mãe mais amigável, a figura mediadora naquela casa, ainda séria, sabia dizer não a seus filhos, colocando-os de castigo quando preciso e fazendo-os entrar em razão, sempre mantendo a paciência. Era raro Rachel aumentar o tom de voz com as crianças, e com um simples olhar conseguia fazer todos se calarem e a obedecerem, até mesmo Quinn. Jura, sua mulher se tornara um pouco assustadora depois da maternidade. A definição perfeita a sua mudança, como Judy sempre dissera, era que Rachel se tornara nessa grande mãe leoa. Tudo poderia estar perfeitamente tranquilo em um momento, sua mulher aparentando inofensiva, mas se algo ocorrer envolvendo seus filhos, a morena se transforma e salve-se quem puder. Enquanto Quinn era a mãe que muitas vezes não sabia dizer não a seus filhos, vivia sendo acusada por sua esposa por mimá-los demais, comprando o que pedissem e fazendo o que quisessem, suas crianças eram sua verdadeira fraqueza e não tinha vergonha de admitir isso. Lógico que havia um limite, afinal tinha consciência que não podia fazer e dar tudo a eles, e às vezes não concordava com seus pedidos, como quando Lucy lhe pedira para passar a noite na casa de sua melhor amiga, amiga que tinha um irmão adolescente que Quinn soubera por fontes seguras – sua pequena sabe tudo, Charlotte – que andara flertando com Lucy Barbra, a resposta ao pedido fora um imenso não, e só para não facilitar as coisas a Lucy – que poderia pedir a Rachel, e sua esposa não veria nada de errado em uma noite na casa da melhor amiga e permitiria Lucy B a ir – lhe colocara como babá de seus irmãos por todas as noites até o final do mês. Imagine se deixaria sua filha se aproximar daquela casa e do garoto novamente sozinha, sem sua proteção. Jamais.

E às vezes, quando não conseguia fazer seus filhos entenderem seu ponto de vista, perdia a paciência e não conseguindo se controlar acabava aumentando o tom de voz com eles, não gritando, jamais gritaria com suas crianças, mas falava mais alto e grosso, querendo chamar a atenção deles, simplesmente não entendia porque não podiam fazer as coisas de sua maneira, como porque sua filha pré-adolescente não podia obedecê-la e usar uma calça para o treino das líderes de torcida ao invés daquela curta saia. Será que ninguém entendia que como mãe sofria ao vê-los agir de maneira tão crescida, formando suas próprias opiniões e hábitos?! Droga, não estava preparada para a adolescência deles, principalmente a de Lucy, que cada vez mais demonstrava indícios do começo. Também era a mãe que mais se envolvia nas brincadeiras de seus filhos, muitas vezes se esquecendo de sua própria idade e voltando a ser uma criança ao correr pela mansão com as gêmeas, brincando de pega-pega ou esconde-esconde, subindo em árvores e até passando a noite com elas na casa de árvore que seu pai e ela construíram assim que Rachel engravidara pela primeira vez, sem mencionar que Emily e Alice a obrigavam a brincar de Barbie ao menos uma vez por semana. Ainda jogava basquete, futebol americano e beisebol com Liam, fazendo sua esposa e todas suas crianças participarem dos jogos, inventando seu próprio torneio semestral com dois times (O primeiro time era formado por Liam, Charlotte, Emily e Rachel, o segundo sendo por Lucy, Alice e ela. Só havia colocado Rachel no time de Liam, pois seu filho era um excelente esportista, um futuro profissional, e podia jogar muito bem por dois, já que sua amada mulher infelizmente era uma negação em qualquer esporte, até as gêmeas sabiam jogar mais do que Rachel, não que ousasse dizer isso em voz alta. Era grata por sua esposa ao menos tentar jogar com eles, fazendo tudo ainda mais divertido.) e o torneio Fabray era um verdadeiro sucesso, os perdedores deveriam fazer o que os ganhadores quisessem por uma semana, o que aumentava ainda mais a rivalidade e vontade de ganhar. E até agora ambos os times estavam empatados com três títulos cada. Quinn simplesmente adorava cada segundo que passava ao lado de seus filhos, não importa a maneira que fosse. Desvia o olhar a Charlotte, mudando sua expressão a uma presunçosa, respondendo ao comentário. "E Charlotte, eu só estava admirando o trabalho que sua mãe e eu fizemos."

"Urgh, eu não precisava escutar isso, Fabray." Diz Lucy sarcástica, levando o comentário a outro lado, afinal sabia muito bem o que causava em sua mãe ao pensar que ela já estava tendo aulas de reprodução em biologia. Quinn quase tivera um ataque ao ler no relatório escolar que a partir daquele semestre a professora ensinaria sobre reprodução humana, aparentemente na cabeça de sua mama não deveriam aprender sobre o assunto antes dos vinte e um anos. Ignora o olhar cheio de raiva que lhe é lançado, dissimulando um sorriso de lado. Era tão divertido provocar sua mãe loira, e podia-se dizer que Charlotte e ela se alternavam em fazê-lo, sendo uma das atividades preferidas de ambas.

Atenta a toda conversa, Emily alterna o olhar entre sua mama e irmã mais velha, logo olha pausadamente ao seu redor, procurando por algo. Algo que fosse parecido a um trabalho de sua mama. Franze o cenho desentendida ao não encontrar nada diferente. "Que trabalho?"

"Nós. O que a mama quis dizer, Ems, é que a mommy e ela nos fizeram, e que ela estava nos admirando." Explica Lucy Barbra, calmamente, voltando à atenção a sua curiosa irmã mais nova e oferecendo-a um dócil sorriso. Apesar de ser algo completamente normal escutar sua mãe comentar sobre como os fizeram com a mommy, não escondendo o orgulho que sentia por tê-los, Lucy sabia que uma criança na idade de Emily poderia ter dificuldades para entender sobre seu nascimento e até curiosidade, como porque tinha duas mães enquanto seus colegas de classe tinham uma mãe e um pai. Ainda se lembra de quando suas mommies lhe disseram que a maioria das crianças tinha um homem e uma mulher como pais, e que ela poderia ser considerada diferente por ser filha de um casal lésbico, e no começo fora difícil, durante seu primeiro ano na escola primária sofrera com o preconceito de um de seus colegas, que alegara que seu pai dissera que Lucy era uma aberração e que assim como suas mães apodreceria no inferno, ao escutar aquilo uma Lucy de cinco anos se sentira mal e começara a chorar em plena classe, chamando por suas mães, que não demoraram aparecer no colégio. Naquele mesmo dia, enquanto estava na secretaria da escola com sua mommy Rachel, que havia lhe acalmado cantando músicas de seu filme preferido – Wicked, onde sua mommy se transformara em uma bruxa verde – sua mama Quinn tivera uma séria conversa com o diretor e o pai do garoto, não sabe muito bem o que ocorrera nesta conversa, mas o garoto nunca mais voltara a dizer uma palavra sobre sua família e ela. Depois deste desagradável episódio, ao longo dos anos não presenciara mais atos preconceituosos, e era extremamente grata por nenhum de seus irmãos terem sofrido algum tipo de preconceito, claro a homofobia ainda existia, assim como os ignorantes que não aceitavam que um casal do mesmo sexo tivesse filhos, mas nos últimos anos diminuíra drasticamente. E Lucy sabia que assim como ela, todos seus irmãos simplesmente amavam a família que tinham e não a trocariam por nada deste mundo. Não conseguia imaginar mães melhores.

"Oh..." Emily desfranze o cenho, finalmente entendendo sobre o que estavam falando. Mesmo Rachel sendo completamente honesta com seus filhos sobre cada inseminação e gravidez, ainda não havia explicado as gêmeas todo o processo, afinal eram pequenas demais para entender sobre o assunto. Só explicara que a mama Quinn havia colocado pequenos ovos especiais na barriga da mommy e nove meses depois elas nasceram. O que Emily não conseguia entender, pois como estes ovos foram parar dentro da barriga de sua mommy? E como conseguiram esses ovos especiais? Dá alguns passos à frente, rodeando o balcão central, se aproximando de sua mama. Ao se posicionar em frente a ela, inclina a cabeça para trás e levanta seus pequenos braços, pedindo-a para carregá-la, o que a loira mais alta rapidamente o faz. "Mama, como vocês me fizeram?" Pergunta, arqueando uma fina sobrancelha clara.

Santana, que até então observara a interação de Quinn com as crianças em silêncio, solta uma risada debochada. Como amava essas crianças, eram simplesmente maravilhosas, e para seu orgulho faziam um excelente trabalho em provocar Quinn, mesmo que fosse inocentemente, como sua querida Emily fizera agora. Percebe como a atriz aparenta espantada pela simples pergunta, olhando a pequena loira em seus braços como se esta tivesse crescido uma segunda cabeça. Pobre Quinn, desde que se tornara mãe tudo era motivo para sofrer algum tipo de ataque, sua melhor amiga não conseguia esconder o sério problema que tinha com seus filhos crescendo, ou fazendo perguntas sobre como foram procriados, aparentemente. A latina sorri maliciosa, e para não perder a oportunidade, diz. "É mama, por favor, nos conte como vocês a fizeram."

Apertando a mandíbula, Quinn ignora sua agente, mantendo o olhar em Emily. Não sabia o que dizer. Simplesmente não estava preparada para discutir sobre fertilização In Vitro com sua inocente filha de cinco anos, nem um pouco preparada. Umedece os lábios, nervosamente, pensando em o que fazer para distraí-la e tirar o foco desta horrível, horrível pergunta. Irônico como uma vez, quando ainda era solteira e nem imaginava ter filhos, pensaria que esta pergunta era engraçada, rindo da criança e mãe que estivessem passando por isso, hoje como uma mãe sabia que não era nada agradável ter uma criança perguntando como lhe fizeram. Droga, aquilo era um sinal que sua preciosa filha estava crescendo. Felizmente é salva deste momento mais do que desconfortável ao escutar passos se aproximando, e ao olhar por cima de seu ombro, vê sua mulher entrar na cozinha com um pequeno sorriso nos lábios. Inconscientemente dá um suspiro aliviado, Rachel sabia como lidar com este tipo de situação, ou qualquer situação na verdade. E assim que Emily percebe a chegada de sua mommy, pula de seus braços, correndo até a morena como se não tivesse visto-a por semanas.

"Mommy..." Abraça as pernas da cantora, fechando seus olhos em um gesto contente, e esquecendo-se completamente de sua pergunta anterior. Ao sentir a mommy depositar uma mão sobre sua cabeça e começar a acariciar algumas mechas de seu cabelo loiro, pressiona a face contra a perna da mais velha, aproveitando aquela carícia. Ah, nada como ter sua mama e mommy por perto, e receber a atenção delas. Logo se lembra do que ocorrera enquanto suas mommies não estavam e se afasta, reclamando. "Você não vai acreditar no que aconteceu, quando fui tomar café da manhã só tinha três pedaços fritos de bacon, e quando fui comer um, a Charlotte pegou tudo e colocou no prato dela e comeu sem me dar um pedacinho, mommy, aí o Liam disse que fritaria mais para Alice e eu, então procuramos o pacote de bacon e descobrimos que não tinha nada sobrando, aí a Lucy preparou leite com cereal para nós, e agora Alice e eu ainda estamos com fome, não é verdade, Alie?" Diz sem ao menos fazer uma pausa para respirar, desviando o olhar a sua irmã gêmea, que assente com a cabeça timidamente.

Dando uma suave risada, Rachel nega com a cabeça divertidamente. Podia-se dizer que estava criando verdadeiros devoradores de bacon. Até mesmo Lucy, quem fizera Quinn enjoar de qualquer carne, especialmente bacon durante toda a gravidez, seguira os passos de sua mama e se tornara em uma adicta àquela suculenta e saborosa carne. Dissimula uma careta ao sentir um repentino desejo de comer um hambúrguer com bacon e ovos. Oh Babs, não era justo que após três gravidezes, agora em sua quarta, os genes de Quinn ainda lhe faziam desejar carne. Se agacha, pegando a pequena loira entre seus braços, em seguida, volta a ficar de pé, carregando sua filha em um apertado abraço. Deposita um beijo na têmpora direita de Emily, respondendo-a. "A mama comprou bacon para vocês, meu amor, ela jamais permitiria que ficassem sem essa coisa." Sua esposa nunca escondera o orgulho que sentia por seus filhos serem carnívoros e terem o mesmo vício que ela, e fazia questão de comprar pacotes e mais pacotes, que não duravam mais do que uns três dias. Infelizmente em sua casa bacon era o mesmo que água. Curiosamente lança o olhar ao balcão central da cozinha, procurando pelas sacolas do supermercado. "Quinn, você tirou as compras do carro?" A única coisa que vira a loira pegar fora a sacola com os testes de gravidez.

"Droga." Coça sua nuca, acabara se esquecendo das compras com toda a ansiedade para Rachel fazer os testes. "Freddward, você poderia, por favor, pegar as compras no carro? As chaves estão no porta-chaves no foyer." Pede ao seu filho, gesticulando com uma das mãos ao corredor que guiava ao mencionado foyer, fazendo pouco caso do fato que acabara de usar um apelido que Liam odiava.

"Eu realmente gostaria que você parasse de me chamar assim." Murmura Liam, atendendo ao pedido de sua mãe e se direcionando ao corredor. Por algum motivo que jamais entenderia, sua mama Quinn pensara que seria engraçado chamá-lo por este apelido, e o usava nas mais diversas situações, principalmente quando tinha garotas ao seu redor. Até Quinn Junior era um apelido melhor e menos vergonhoso que Freddward. E mesmo não gostando deste estúpido apelido, não se irritava com isso, pois sabia que era apenas o humor de sua mãe e tinha o mesmo senso de humor dela, embora fosse mais tímido.

"Ainda acho que esse deveria ter sido seu nome." Grita Quinn às costas do garoto, observando-o se afastar. Lógico que não era louca para colocar o nome de seu filho de Freddward, só dizia isso para provocá-lo.

"Quinn, pare de traumatizar nosso filho." Colocando Emily de volta ao chão, Rachel olha a sua filha do meio, que alcançava por uma maçã na tigela de frutas no centro do balcão. "E Charlotte, por favor, pare de provocar a Emily." Todas as vezes que saía, ao voltar para casa sua pequena tinha reclamações de como Charlotte dissera isso ou fizera aquilo. E Charlotte sempre respondia a mesma coisa, alegando que Emily não lhe escutara e quisera fazer tudo de seu jeito. Era uma constante discussão entre essas duas, e mesmo com cinco anos de diferença de idade, ambas parecia ter prazer em provocar uma à outra. Era impossível não haver reclamações e discussões por qualquer motivo em uma casa com crianças. A única que realmente nunca reclamava ou discutia com os outros era Alice, que se mantinha longe de qualquer problema. Oferece um sorriso a mencionada, voltando a se agachar, e abrindo os braços. "Cadê o abraço da mommy, Alie?" Com rápidos passos, sua filha mais nova se aproxima dela, colocando seus pequenos braços ao redor de seu pescoço, apertando-a em um abraço. Alice era mais tímida do que ela fora um dia e isso lhe assustava, e muito, até pensara em levá-la ao psicólogo para que a ajudasse a se desenvolver, algo que a própria Rachel se recusara a fazer quando seus pais lhe sugeriram anos atrás, antes mesmo de conhecer Quinn, quando sofria calada e fingia estar tudo bem, mas logo dispensara este pensamento, sua filha ainda era muito nova e poderia se sentir pressionada a mudar, e havia uma grande diferença entre uma timidez surgida ao longo dos anos, após tanto sofrimento, e a timidez que fazia parte da personalidade de uma pessoa, uma timidez que já vinha desde o nascimento. E como Quinn dizia, não havia nada de errado em ser tímido, e Rachel sabia melhor do que ninguém que Alice iria se desenvolver, se soltar, sair de sua zona de conforto em seu próprio tempo, quando se sentisse preparada, e já havia percebido certa mudança no comportamento dela desde o ano passado, parecia mais confiante em dizer o que realmente queria. Se afasta, olhando diretamente aos olhos verdes de sua filha. "Alice, o que você quer comer? Ovos mexidos e bacon como sua irmã?" Não era nem preciso perguntar, era o que preferiam comer todas as manhãs.

Alice assente com a cabeça, fazendo com que alguns fios de seu cabelo castanho claro caíssem sobre sua testa. "Sim, mommy, por favor." Dá um pequeno sorriso à sua mãe afastar os fios de seu cabelo, colocando-os atrás da orelha.

"Ok, por que vocês duas não vão lavar as mãos enquanto preparo os ovos?" Sugere, alternando o olhar entre as gêmeas, que rapidamente saem correndo por um dos corredores. "Sem correr dentro de casa." Aumenta o tom de voz, sabendo que a obedeceram ao escutar seus passos diminuírem. Se levanta, alisando sua camiseta rosa, uma camiseta simples que já vira dias melhores, mas era extremamente confortável e fresca, o que era necessário agora que sua gravidez a fazia sentir calor o tempo todo. Encaminha-se a geladeira de inox porta dupla, abrindo uma das portas e alcançando pelos ovos. Após anos preparando-os para sua família e até mesmo comendo-os durante suas gravidezes, havia se acostumado com a sensação que tinha ao preparar ovos ou qualquer derivado de animais, e tudo estaria bem enquanto não sentisse desejo por comê-los novamente. Demorara, mas após sua primeira gravidez aceitara que não era mais uma vegan tão dedicada como fora no passado. Fecha a porta da geladeira, depositando quatro ovos sobre o balcão lateral, direciona a atenção a sua filha mais velha, que parada ao lado de Charlotte, digitava algo em seu Smartphone. "Lucy, como as crianças se comportaram?" Como Quinn e ela optaram por não contratar babás, afinal não queriam desconhecidos cuidando de seus filhos, elas mesmas queriam fazê-lo, estando presentes a cada momento possível na vida das crianças, (Até inventaram um esquema de sincronia em suas agendas profissionais, assim uma sempre estava em casa para ficar com suas crianças enquanto a outra trabalhava.) e nem contratam uma empregada, só optaram por uma empresa especializada que enviava duas vezes por semana três senhoras que eram as responsáveis pela limpeza completa da casa, as tarefas domésticas eram divididas entre seus filhos e elas. Lucy e Liam por serem os mais velhos, eram os responsáveis por cuidarem de seus irmãos, quando acontecia de nem Quinn e Rachel estarem em casa, também ajudavam a preparar as refeições, a guardar as compras e ainda se alternavam com Charlotte e Quinn para lavarem a louça da cozinha. Charlotte era a responsável por pôr a mesa e a limpá-la, a juntar todo o lixo reciclável e colocá-lo na lixeira do bairro, ainda se alternando com Quinn e Rachel para tirar o lixo comum. As gêmeas por serem ainda novas eram somente responsáveis pela organização de seus brinquedos, recolhendo-os assim que terminassem suas brincadeiras, e a fazer suas camas além de manter seus quartos organizados.

Cada um devia manter a organização de seu próprio quarto, limpando-os, fazendo suas camas e retirando os cestos de roupas sujas, colocando-os no quarto da lavanderia. Quinn era a responsável por colocar as roupas sujas para lavar e na secadora, a preparar o lanche e jantar (Leia-se fazer um simples sanduíche, colocar algo no microondas ou ligar para sua pizzaria favorita) seis dias por semana, já que Rachel trabalha pelas tardes e noites, a colocar as louças da cozinha na secadora e guardá-las, a manter a limpeza das duas piscinas – a coberta e a externa – e a limpeza e manutenção de todo o subsolo (com a academia, adega, cinema, sala de recreação, vestiário e dois quartos vagos, que até hoje não sabiam o que fazer destes.) além de buscar seus filhos no colégio todos os dias e levá-los para reuniões, treinos e jogos de seus clubes. Rachel era a responsável pela organização geral da casa, principalmente da cozinha, mantendo-a sempre intacta, a preparar o café da manhã, lanche escolar de seus filhos e almoço todos os dias, e o jantar em seus dias livres – até fizera algumas aulas de culinária com Judy, antes de Lucy nascer, aprendendo a fazer os mais diversos pratos e assados –, a manter a limpeza da casa, passando aspirador de pó ao menos duas vezes por semana, a passar e dobrar as roupas lavadas, separando-as e colocando-as nos closets de seus devidos donos, a manter as flores do jardim, a fazer as compras semanais, a levar seus filhos ao colégio todas as manhãs, a ajudar as gêmeas com suas tarefas escolares e acompanhá-las durante as aulas de balé. Não iria negar, essa rotina era extremamente cansativa, mas no final do dia a encantava poder realizá-la e ver as crianças ajudando sua esposa e ela. Sentia que desta maneira estava ensinando-os fortes valores, não os sobrecarregando de afazeres, mas fazendo-os ver desde cedo que mesmo com todo o luxo e dinheiro que suas mães pudessem oferecê-los, há que trabalhar duro para conseguir chegar a algum lugar, que se devem ter responsabilidades nesta vida e respeitar as regras, além de saber trabalhar em equipe.

Lucy bloqueia a tela do celular, colocando-o no bolso frontal de sua calça moletom. "Embora Emily tenha se recusado a me obedecer no começo, todos se comportaram bem, até mesmo a Charlotte." Responde com um sorriso gracioso, não havia dúvidas que Charlotte Hailey era a mais rebelde da casa. E mesmo que discutissem ao menos sete vezes por semana, principalmente por sua irmã ser a maior X-9, realmente se adoravam, tinham uma forte ligação e não conseguiam ficar muito tempo longe uma da outra, e apesar de que Charlotte na metade do tempo se comportasse como uma pirralha mimada e na outra metade como uma super nerd, Lucy a considerava uma de suas melhores amigas.

"Idiota." Sussurra Charlotte de modo que só sua irmã pudesse ouvi-la, lançando-a um olhar acusador.

"Ótimo." Contente por estar tudo em ordem com seus filhos, a cantora finalmente olha em direção a agente, que parecia observá-la com certo interesse. "Santana, que surpresa você por aqui." Mentira. Desde que Brittany e Santana se mudaram a NYC, alguns meses após a cerimônia de seu casamento com Quinn, a latina fazia questão de aparecer em sua casa sem avisar ao menos três dias por semana.

"Raquel, justo quem eu esperava..." Sentada em uma banqueta estofada, endireita sua postura, mudando sua expressão facial a uma séria. Nem perderia tempo reclamando da demora das duas para lhe darem atenção, quando se trata de suas crianças tudo fica em segundo plano mesmo. E deveria ir direto ao ponto, pois sua namorada a esperava para buscarem seus sogros no aeroporto, que chegariam em um voo daqui duas horas e vieram de L.A para passarem o final de semana em seu luxuoso apartamento. Há quatorze anos, quando conseguira se mudar a NYC com Brittany, comprara um apartamento que por acaso ficava no mesmo edifício e andar que Lady Hummel morava, só por acaso, óbvio. Até porque mesmo Santana sendo uma agente bem-sucedida não tinha dinheiro suficiente para comprar uma mansão no bairro de Quinn ou em toda Scarsdale para ser honesta, assim que escolhera a segunda melhor opção. E devido a sua carreira e a de sua namorada era melhor a ambas ficarem mais perto do centro da cidade, afinal nunca se sabe quando surgirá uma reunião de última hora. Ainda mais pelos últimos anos em que passara a gerenciar duas carreiras. Graças à ajuda de Rachel, que indicara Brittany a alguns produtores da Broadway, dando-a sua primeira grande oportunidade profissional anos atrás (pelo que Santana seria sempre grata a sua querida Raquel), sua namorada agora era uma conhecida coreógrafa que lhe contratara oficialmente como sua agente. Jamais fora tão feliz e rica na verdade, até conseguira comprar seu bebê, um carro esportivo que custara aproximadamente um milhão de dólares, sua vida se tornara tudo aquilo que desejara para si e Brittany. Limpa a garganta, declarando. "Ontem à noite recebi uma interessante ligação do diretor de comunicações da casa branca. Ele disse que daqui um mês haverá um jantar de gala, onde o principal assunto será a homossexualidade, e que após uma reunião com o representante da comunidade LGBT em Washington, o próprio presidente dos Estados Unidos decidiu que quer vocês e as crianças como as representantes das famílias formadas por casais homossexuais neste jantar." Aquela fora uma das ligações mais surpreendentes de sua vida, nunca esperara que ao atendê-la lhe dissessem que era da casa branca e que gostariam de convidar o casal de atrizes e suas crianças a um jantar com as figuras mais importantes da política norte-americana. O diretor de comunicações ainda lhe dissera que por Quinn e Rachel serem membros notórios da comunidade LGBT; referindo-se ao prestígio que ambas conquistaram ao criarem e estrelarem uma campanha juntas, – após Lucy Barbra ter sofrido preconceito na escola primária – trazendo a atenção aos problemas nas creches e escolas, onde havia um grande preconceito e homofobia com filhos de casais homossexuais, a campanha tivera tanto sucesso que inspirara a um senador – conhecido por ser gay – a criar e conseguir a aprovação de uma lei contra a homofobia em creches e colégios de todo o país, a atriz e cantora eram as favoritas para representarem todas as famílias americanas no evento, que contaria com a presença de soldados homossexuais, empresários e dois ou três atores e diretores famosos. "O presidente deseja que façam um discurso, falando sobre o relacionamento de vocês e a criação de seus filhos, além de como é serem lésbicas nos dias de hoje onde a homossexualidade é mais aceita do que nunca. E eu sei que não gostam de expor o relacionamento de vocês dessa maneira, principalmente sua família, mas estamos falando sobre o presidente dos Estados Unidos e um jantar por uma causa que todas nós defendemos, assim que pensem bem. É um convite que ninguém recusaria." Não insistiria no assunto se a resposta fosse negativa, mas realmente torcia para que aceitassem, não pela publicidade que ganhariam com isso, e sim pelo assunto que seria tratado neste jantar. Por anos, celebridades, políticos e principalmente toda uma sociedade tiveram que esconder sua sexualidade, mantendo-a como se fosse um segredo sujo, e aqueles que foram corajosos o suficiente para revelarem o que eram, foram vistos como seres inferiores e muitas vezes até como doentes, assim que era uma verdadeira conquista frequentarem a casa branca sendo vistas como uma igualdade.

Quinn olha a sua mulher, que parecia considerar o convite portando uma expressão pensativa. Mesmo após todos estes anos, ainda mantinham o relacionamento mais privado possível, raramente fazendo aparições juntas em frente às câmeras nos eventos sociais e mencionando sobre o casamento e família em entrevistas. A vida de seus filhos era algo sagrado a elas e mantê-la em privacidade era uma das maiores prioridades de ambas. Todos sabiam da existência das crianças, sabiam seus nomes e já haviam visto fotos deles ao menos uma vez, mas quando fotógrafos passaram a seguir Lucy e Liam até o colégio na tentativa de conseguir fotos exclusivas, Quinn e Rachel entraram com um pedido de restrição contra os dois fotógrafos, ganhando a causa e ainda conseguindo a proibição de fotos que fossem tiradas ou publicadas sem o consentimento de uma das duas ou sem a presença delas em mencionada foto, ou seja, só poderiam tirar fotos de seus filhos se estivessem acompanhados por uma das atrizes. Uma coisa era a carreira delas e fotógrafos perseguindo-as a todos os lados, mas outra completamente diferente era a vida de seus filhos, e jamais permitiram que esta fosse invadida por estranhos que não se importavam com nada, a não ser suas fotos exclusivas. Mas Santana tinha razão, isso não era sobre a mídia sedenta do show business, era sobre o presidente do país, um dos homens mais poderosos do mundo, disposto a dar a sua esposa e a ela uma chance de demonstrar a todos como o amor é o amor e como um casal homossexual pode criar uma família como qualquer outra, exceto que a sua família é melhor que a de todos, pois sua esposa e filhos são simplesmente perfeitos. Dá alguns passos em direção a Rachel, se posicionando ao lado dela e depositando um beijo no topo de sua cabeça, antes de colocar um braço ao redor de seus ombros. "Eu acho que nós deveríamos aceitar, é uma excelente oportunidade para mostrarmos a quem faz as leis deste país e tem o poder de mudar uma sociedade como é uma verdadeira família tradicional, uma família criada com fortes valores e acima de tudo com amor."

"Você tem razão." Deitando a cabeça contra o ombro da mais alta, a morena sorri ao sentir Quinn passar o nariz por seu cabelo, cheirando-o. Era incrível como a chama da paixão, este constante desejo pela outra, a imensa necessidade de sempre estarem próximas, de trocarem carícias, mal mantendo as mãos para si mesmas, ainda se mantinha acesa entre elas. Sempre escutara como um casamento podia se esfriar com o tempo e com o nascimento dos filhos, mas este jamais fora o caso de seu relacionamento. Não diria que o relacionamento delas era o mesmo que fora a quinze anos, quando ainda eram noivas e tinham aquele amor jovem, que largariam tudo de lado para ficarem a sós, e suas maiores preocupações eram manter o relacionamento longe da mídia e alimentar seus filhotes, pois não era assim, nos últimos anos, principalmente com a maternidade muitas coisas mudaram entre as duas. O amor que sentia por Quinn amadurecera assim como elas, aumentando a cada nascimento de seus filhos. Sentia-se conectada a sua esposa de uma maneira única, como só duas pessoas que estavam juntas a mais de uma década, se conhecendo profundamente, poderia estar. A maior prioridade delas não era apenas o relacionamento, como também a criação de seus filhos, não era nada fácil ter outros cinco – e meio, agora com sua gravidez – pequenos seres humanos dependentes de você para tudo, havia tantas obrigações e preocupações como mães que um tempo a sós era um verdadeiro privilégio, mas faziam de tudo para passarem ao menos algumas horas sozinhas durante os dias de semana, enquanto as crianças se envolviam em suas atividades escolares e extracurriculares. Crianças que com certeza adorariam visitar a casa branca e poder dizer a todos os seus amigos que conheceram o presidente dos Estados Unidos. Percebe como suas filhas a olhavam com grande interesse, esperando pela resposta, principalmente Charlotte que parecia se conter para não dar sua opinião, sabendo que era um assunto de negócios e não deveria se intrometer. Passa a língua entre os lábios, umedecendo-os, após anos dividindo esta parte de sua vida somente com quem conhecia e confiava, sentia-se estranha ao pensar que daqui um mês estaria em frente a importantes figuras discursando sobre sua rotina familiar. Ainda tinha certa timidez ao falar em público, especialmente quando era sobre seus sentimentos, e tinha ciúmes de sua família, da vida familiar que Quinn e ela criaram, só queria protegê-la de todo o mal e temia que a expondo ao público algo fosse mudar. Mas por outro lado entendia que este evento poderia fazer bem não só a elas, como aos seus filhos, era uma maneira de demonstrá-los com o discurso delas a importância de ser a si mesmo independente da opinião dos demais, de se arriscar e lutar por seus objetivos, e entendia que nada realmente mudaria em sua rotina familiar, não enquanto Quinn e ela não permitissem que a invadissem. Também se sentia orgulhosa, um imenso orgulho de seu casamento, de sua família e do que fariam neste jantar, representando toda uma comunidade. Levanta a cabeça do ombro da loira, afirmando. "Nós aceitamos."

Dando um sorriso aliviado, Santana diz. "Perfeito, eu vou ligar para o Kurt e avisá-lo sobre este convite." Mencionado agente que estava de férias em um cruzeiro pela Europa com seu mais novo namorado modelo, deixando-a encarregada dos assuntos profissionais de Rachel durante este período. Levanta-se de seu assento, apertando o celular contra a palma da mão. "Eu volto na segunda para discutirmos sobre os detalhes deste jantar, agora aproveitem o final de semana em família." Lança um último olhar ao casal e suas duas sobrinhas, Lucy e Charlotte. Era até assustador imaginar que já se passaram aproximadamente dezoito anos desde o contrato. Se fechar os olhos jura que ainda consegue ver a sala de seu antigo apartamento em Los Angeles, onde assinaram o documento que os uniram na maior aventura de sua vida. Não negaria, às vezes sentia falta daquela época, das situações que vivera; das risadas que dera; das surpresas que ocorrera ao longo dos oito meses. E viveria tudo outra vez se tivesse a oportunidade, mas por outro lado, jamais trocaria o seu presente ao lado de Brittany, a mulher que ama desde a adolescência, de Quinn, sua melhor amiga por toda a vida, de Rachel que de alguma louca maneira acabara se tornando em sua segunda melhor amiga – não conte a ninguém que leu isso, ou se arrependerá profundamente – do Porcelana, que a irritava na maioria das vezes, mas ainda sim, era um bom amigo e claro, de seus sobrinhos pirralinhos, que eram as crianças que mais amava neste mundo. Faz um gesto com a cabeça, se despedindo, antes de sair do local calmamente.

Entrando pela porta dos fundos da cozinha, carregando todas as sacolas do supermercado, Liam se direciona ao balcão, depositando-as rapidamente sobre o mármore deste, ao mesmo tempo em que Emily e Alice voltam apressadas por outro corredor, sorridentes. A atriz alterna a atenção entre seus filhos, perguntando em voz alta. "Então, quem quer passar o dia na piscina?"

X

"Lucy, olha o que eu sei fazer." Grita Emily, que ao ter a atenção de sua irmã mais velha, aperta o nariz com uma das mãos, antes de pular na piscina, não se importando com o fato que acabara de aprender a nadar, e ainda não sabia mergulhar.

"Tenha cuidado, Emily." Pede Quinn tarde demais, observando como sua princesa se joga na água. Rapidamente, começa a nadar em direção a Ems, temendo que ela se afogasse, mas seu filho é mais rápido, mergulhando e logo voltando à superfície com a pequena loira entre os braços, que sorria entusiasmada. Dá um forte suspiro, negando com a cabeça, essas crianças ainda lhe causariam um ataque cardíaco. "Ems, é a segunda e última vez que estou dizendo para não fazer isso. É perigoso, você ainda está aprendendo." Duas horas na piscina, com a ajuda de seus filhos mais velhos e Quinn já conseguira ensinar as gêmeas a nadarem sem boias por uma curta distância. Deveria admitir que ensiná-las fora mais difícil do que pensara, principalmente por Alice ter sofrido certo medo ao tentar nadar sem a boia ou colete, e ter quase se afogado uma vez, e por Emily ter lhe dado vários sustos ao se arriscar a pular na piscina a cada chance que tivera. Mas, ao ver a felicidade de suas meninas ao finalmente conseguirem bater os pés contra a água e movimentar os braços com todas suas forças, nadando sozinhas em direção a Lucy e Liam, que estavam prontos para pegá-las, fizera todas as dificuldades e estresse valer à pena. Sentia-se orgulhosa de suas pequenas, e de si mesma por ser quem as ensinara.

"Mas é divertido..." Reclama sua filha desobediente, ainda nos braços do Quinn Jr. "Não é perigoso, mama." Toda vez que queria fazer algo divertido, sua mama não deixava, dizendo que era pequena demais, que era algo só de adultos, que não sabia como fazer, e poderia se machucar, como se pular de uma árvore, tentar andar com os patins de Lucy sem proteção e ajuda ou brincar de Paintball com Liam e os amigos dele fosse um grande perigo. Nunca a deixavam fazer nada nessa casa! Arqueia levemente suas sobrancelhas claras, olhando suplicante a sua mãe, mudando seu tom de voz a um completamente dócil. "Por favor, mama, é divertido pular na piscina, e o Liam pode me pegar todas às vezes, não é mesmo, Liam?"

Ignorando a carinha de súplica que sua preciosa filha fazia, ou não seria capaz de resisti-la, passa uma mão molhada por seu cabelo, coçando a parte de trás da cabeça. "Ems, eu já disse que não. Você ainda não sabe mergulhar, pode acabar se afogando."

"Se a mama disse que não, você deve obedecê-la." Diz Liam, tentando ajudar na situação, embora soubesse que seria ignorado por sua irmã, já que não era a resposta que ela gostaria de ouvir. Controla-se para não rir ao vê-la cruzar os braços e endireitar a postura, em uma atitude defensiva.

"Vocês não me deixam fazer nada! Mal vejo à hora de ser grande e poder fazer tudo o que eu quiser." Declara dramaticamente, antes de tentar pular dos braços de seu irmão e fazer sua saída triunfal, assim como vira sua mommy fazer milhares de vezes, mas o garoto não a solta, segurando-a cuidadosamente e calmamente levando-a a borda da piscina, sentando-a sobre uma das pedras. Enfezada, vira o rosto a um dos lados, ignorando a todos.

Dando um sorriso de lado, Lucy termina de depositar sobre a espreguiçadeira as toalhas e alguns dos brinquedos aquáticos que fora buscar com Alice, logo entrando na piscina e se direcionando ao meio desta, onde sua mãe estava. "Bem que a vovó Judy avisou que Emily tem seu temperamento, mama." Comenta provocativa. Judy sempre fizera questão de contar histórias sobre a infância e adolescência de Quinn para seus netos, todas às vezes destacando o que cada um deles tinha em comum com a versão mais jovem da atriz. E aparentemente a personalidade de sua irmã era uma verdadeira cópia de sua mama durante a infância.

Não, Quinn com certeza não escutara sua princesa dizer que queria crescer logo, não mesmo. Infelizmente, atos dramáticos eram algo constante em sua casa, já que com uma diva da Broadway como esposa, o resultado só poderia ser filhos que tinham tendência a atuarem de maneira teatral. Desvia o olhar a sua primogênita, não entendendo como poderiam confundir as atitudes de Emily. "Meu? Lucy, esse temperamento pertence a sua mãe Rachel." Não era segredo a ninguém que sua amada, amada esposa era uma pessoa intensa, o que aumentara após a maternidade, e Lucy, Charlotte e Emily acabaram herdando toda esta intensidade. Sabiam ser verdadeiras rainhas do drama quando queriam. Enquanto Liam e Alice eram apenas observadores de todo o drama, tendo puxado a personalidade calma de Quinn, pois ela era uma verdadeira pessoa calma, e todos sabiam disso, só não se meta com sua mulher e filhos, que tudo ficaria bem. "Onde está a Alice?" Pergunta, olhando ao redor da piscina.

"Ela ficou na cozinha com a mommy." Lucy responde, observando como sua irmã Charlotte descia os degraus da varanda, se aproximando da piscina, usando uma calça de moletom na cor vinho e uma simples regata branca. Em uma mão segurava o iPad, enquanto com a outra, levava um sanduíche natural a boca. Típico de Charlotte se recusar a usar um biquíni e a entrar na piscina. Sempre que se reuniam na área externa, ou em qualquer outro lugar da mansão, sua irmã só se juntava a eles, pois era obrigada por suas mães. Se dependesse de Charlotte, ela só sairia de seu quarto para comer, e claro, para espionar o que Lucy fazia.

"Charlotte, Charlotte! Olha o que eu sei fazer!" Grita Emily, esquecendo-se de seu mau humor ao avistar sua irmã, levantando-se rapidamente e voltando a apertar o nariz com uma das mãos, antes de pular na piscina soltando um pequeno grito entusiasmado. Assim que seu corpo cai dentro da água, Liam a pega com facilidade, puxando-a a superfície e logo a segurando entre seus braços.

"Emily!" Deus, como uma criança poderia lhe dar tanto trabalho?! Sua princesa parecia ter prazer em lhe desafiar a cada chance que tinha. Em momentos como este devia fazer algo que realmente não lhe agradava, mas sabia ser necessário. Impor limites a sua filha ou continuaria a ser desobedecida. "Faça isso mais uma vez e você ficará de castigo. Um mês sem entrar na piscina."

"Oops... Mama, eu esqueci que não podia." Se defende com a voz mais inocente, franzindo o cenho.

"Oh, a mommy vai adorar vê-la fazendo isso, Ems." Fala Charlotte sarcasticamente. Sua mãe provavelmente teria um pequeno ataque por sua irmã ainda não saber mergulhar e estar se arriscando, logo acusaria sua mãe Quinn de não saber dizer não a eles, deixando-os fazer o que quisessem. Dá uma grande mordida em seu sanduíche de peru, se direcionando a uma das espreguiçadeiras sob um guarda-sol quadrado branco, deitando-se nesta e desbloqueando a tecla de seu iPad, acessando um dos jogos de estratégia que havia instalado recentemente.

"Charlotte, você não vai entrar na piscina hoje?" A atriz pergunta, mudando de assunto antes que colocassem ideias na cabeça de sua pequena desobediente. Esperando que ao menos desta vez sua filha deixasse os eletrônicos de lado e entrasse na piscina com o resto da família, se divertindo com eles, e não apenas observando-os afastada.

A garota faz uma careta. "Não, obrigada. Eu prefiro ficar aqui sentada, quieta, na sombra."

"Por que você não tira essa calça de moletom? Está calor, coloque ao menos um short e venha sentar aqui mais perto." Insiste, movendo as mãos contra a água.

"Eu não estou com calor e sou alérgica ao sol, devo me proteger." Declara em um sério tom de voz, voltando a focar sua atenção no jogo.

Revirando os olhos e soltando um forte suspiro, Quinn se pergunta desde quando sua filha se tornara nesta garota difícil. Escuta uma porta se fechar e ao dar meia volta na água, percebe como sua esposa e Alice saiam na varanda andando de mãos dadas, logo descendo os degraus, vindo em direção a piscina. Dá um grande sorriso ao ver sua mulher, que estava completamente sexy, usando um curto short jeans e a parte de cima de um biquíni rosa. Inconscientemente, umedece os lábios. Mesmo após todas as gravidezes, Rachel ainda conseguia ter um corpo tonificado de dar inveja a qualquer um, o que defendia ser o resultado das horas de ensaios das difíceis coreografias da Broadway, além de uma hora por dia na academia da mansão e sua alimentação saudável. E não havia nada mais sexy que olhar a sua esposa e saber que a engravidara novamente, era uma das melhores sensações do mundo, e não podia negar o orgulho que sentia por ser quem fizera um filho com Rachel, ou melhor, seis filhos com Rachel Fabray. Força-se a tirar os olhos sobre sua mulher e maravilhoso corpo, desviando a atenção a Alice, que sorria timidamente.

"Vocês demoraram..." Diz, ao vê-las chegarem à beira da piscina. Aproxima-se, depositando os braços sobre o concreto branco.

"Eu sei." Rachel tira suas sandálias, colocando-as a um lado, e se sentando sobre a margem com os pés dentro da água. "Estava preparando o almoço e acabei me atrasando." Explica, fazendo com que sua filha sentasse sobre suas pernas. Distraidamente, começa a acariciar o longo cabelo castanho de Alice. Mordendo o lábio inferior ao perceber os músculos flexionados dos braços de Quinn. Aos quarenta anos de idade, sua esposa não poderia estar em melhor forma física, treinando todos os dias com um personal trainer, hábito que adquirira após um filme de ação policial que exigira da atriz uma verdadeira transformação corporal, como um abdômen bem definido. E Rachel, bem, seu corpo mudara e muito com a maternidade e idade. Aos trinta e nove anos, seus seios estavam mais preenchidos, assim como seu traseiro, havia uma pequena gordura abdominal que não conseguia se livrar não importa quantos exercícios fizesse – o que agora não voltará fazer por um bom tempo – e algumas pequenas estrias em seus seios e cintura devido às gravidezes. Estrias que realmente lhe incomodara por certo tempo, fazendo-a se sentir insegura de seu corpo, até chegara a pensar em fazer um tratamento clínico para se livrar destas, mas se decidira por não fazê-lo, estas marcas eram as mudanças que seu corpo passara para trazer seus filhos ao mundo. E Quinn – que discutira várias vezes com ela sobre como estas estrias não a deixava menos desejável, que nada mudava entre elas, beijando cada uma das pequenas marcas quando fizeram amor pela primeira vez após cada gravidez – nunca deixara de olhá-la como se fosse à mulher mais bonita que já vira. Escuta gritarem por ela e rapidamente olha a sua filha, irmã gêmea de Alice.

"Mommy, mommy, olha o que eu sei fazer!" Exclama empolgada, e novamente pula na piscina, sendo pega por Liam em seguida. Dá um sorriso orgulhoso, que se desfaz, transformando em uma expressão preocupada ao ver a reação de sua mommy, que parecia muito séria. "Oh-oh." Abaixa a cabeça, sabendo que dessa vez realmente estava em problemas.

Negando com a cabeça, Quinn se defende ao ter o olhar acusador de sua mulher sobre ela. "Antes que você diga algo, eu tentei fazer com que ela parasse de pular na piscina, mas ela não me escuta." Dá de ombros. Era impressionante como todos a viam como a culpada pelo comportamento de suas crianças. Que culpa tinha se não lhe escutavam na maioria das vezes?!

"Emily, o que eu disse sobre você obedecer à mama?" Era sempre a mesma conversa com sua filha, e outra com Quinn, que simplesmente parecia ser incapaz de dominar a situação, impondo limites, quando o assunto era seus filhos. Sua esposa tão forte, dominante aos olhos dos demais, se tornava nessa grande dominada ao redor das crianças. Era um verdadeiro problema, que até hoje não conseguira solucionar, e não fazia ideia se algum dia o conseguiria.

"Que eu tenho que respeitar, escutar e obedecer, porque ela é minha mama e só está cuidando de mim, pois quer o meu melhor." Recita lentamente o que lembra da conversa, levantando a cabeça e olhando diretamente a sua mama. "Desculpa por não obedecer, mama Q. Eu te amo." Leva uma mão a sua boca, beijando-a, lançando o beijo no ar em direção a atriz.

"Eu também te amo, minha princesa. E não volte a fazer isso." Sorri contente pela situação finalmente estar resolvida, embora preferisse ter resolvido-a sozinha, e que sua esposa não tivesse presenciado esta cena de desobediência. Estuda sua filha mais nova, que permanecia quieta junto à cantora. "E você, meu amor, por que saiu da piscina? Está cansada?" Passa uma mão molhada na bochecha da pequena morena, que dá uma risada divertida, fazendo seu coração se derreter com este maravilhoso som.

"Mama, a água está gelada." Alice repousa a cabeça contra o corpo de sua mommy, timidamente. "E não estou cansada não. Eu só tinha ido pegar meus brinquedos e depois fiquei com a mommy." Não gostara de ver sua mommy sozinha na cozinha, aí decidira lhe fazer companhia. E como de costume, adorara os momentos que tivera com a morena mais velha. Rachel sempre cantava as músicas preferidas de Alice quando estavam juntas e a fazia rir ao mudar a voz diversas vezes, tentando imitar personagens de desenhos ou musicais infantis.

Depositando um beijo sobre o topo da cabeça da criança entre seus braços, Rachel diz carinhosamente. "Ela me ajudou a preparar a torta de frango para o almoço, não foi Alie?" Ao notar como seu comentário chamara a atenção de Liam, Charlotte e Emily, que de repente passam a olhá-la com grande interesse, dá uma piscadela em um gesto de cumplicidade, sabendo que aquele era um dos pratos preferidos dos três.

"É verdade. E a mommy disse que essa foi à melhor torta que já fizemos." Sorri de lado, fazendo com que aparecesse uma de suas covinhas.

"Uhm... Mal posso esperar para provar essa torta." Afirma Quinn, pressionando seus lábios contra a bochecha de sua pequena em um rápido beijo, fazendo um som de muak. Recebe mais uma risada de Alice como resposta, que tinha suas bochechas naturalmente rosadas ainda mais coradas pela demonstração de afeto. Alice a fazia se lembrar de Rachel em momentos como este, quando sua mulher era tão tímida que cada toque, cada carícia, cada elogio a fazia se corar e abaixar a cabeça. Era como ver uma versão menor da personalidade tímida de sua esposa de anos atrás, era algo realmente impressionante, e lhe encantava ter uma mini-Rachel pela casa, a quem podia lhe dar todo o amor que merecia, ajudando-a a se desenvolver, a si descobrir com o tempo. Encontra com o olhar de sua esposa e sorri enamorada. Ah, a vida era bela, e sua esposa ainda mais. Não sabe como, mas Rachel conseguia ficar ainda mais bonita quando estava grávida, havia um brilho diferente em sua pele e em seus olhos, como se sentisse realizada, estando em uma das melhores fases de sua vida.

"Alice vem brincar... Você está demorando demais." Reclama Emily, haviam combinado de brincarem de sereias, fingindo que estavam no fundo do mar com várias criaturas, assim como viram no filme da pequena sereia, mas sua irmã estava demorando séculos para começar essa brincadeira. Alice se levanta de seu confortável lugar nas pernas de sua mãe, corre em direção a uma das espreguiçadeiras, pegando todos os brinquedos, e entra na piscina com a ajuda de Lucy, que a leva entre os braços até sua gêmea e Liam.

Quinn se aproxima de sua mulher, repousando a mão esquerda sobre a barriga dela. Só mais algumas horas e poderia sair contando a todo mundo que engravidara Rachel novamente, que iriam aumentar a maravilhosa família que tinham. Sua mãe e Leroy ficariam tão eufóricos, que com certeza, não conseguiriam se conter e pela sexta vez se mudariam para sua casa, ficando até o bebê estar com um mês de vida, algo que acontecera em todas as gravidezes, e o melhor era que sua mãe e sogro comemoravam a chegada de cada neto como se fosse o primeiro. Observa seus filhos, os mais velhos se divertiam com as gêmeas, rindo de algo que Emily falara, e Charlotte deitada sobre uma espreguiçadeira, pressionava continuamente a tela do iPad.

Seguindo o olhar da atriz, Rachel passa a estudar as expressões faciais de cada um. Suas crianças pareciam felizes e livres, como se não temessem nada e o único que realmente lhes importasse fosse ter bons momentos, momentos divertidos juntos, ao lado da família. Oh minha doce Barbra, jamais agradeceria o suficiente por poder viver este sonho, por ter esta família com Quinn, por ter seus filhos, filhos que eram um verdadeiro presente em sua vida, eram seu mundo, sua família era tudo. "Quem poderia imaginar quê um dia estaríamos aqui, hum?" Pergunta com um ar pensativo, passando a acariciar o pulso esquerdo da loira, bem no local da tatuagem com seu nome, que fora feita antes de se casarem.

"Eu imaginei." Responde com um sorriso presunçoso, o passado conturbado e doloroso estava exatamente no passado, e hoje podia relembrá-lo e encontrar certa graça nele, além de sentir certo orgulho. Orgulho por não ter desistido mesmo quando sofria por pensar que seus sentimentos não eram correspondidos, por ter se entregado ao que sentia, por ter se ousado a sonhar com um futuro que na época pensara ser impossível. Seu sorriso se aumenta, as coisas com Rachel não acontecera no tempo e da maneira que ela desejara, se não estariam juntas há muito mais tempo, mas aconteceram da maneira que precisavam ser. "Eu sempre esperei pelo melhor, Rach. Como disse várias vezes a você, sempre esperei por meu milagre, pelo dia em que você correspondesse meus sentimentos, e eu sabia que se você o fizesse, eu faria de você minha mulher e a mãe dos meus filhos. E bem, aqui estamos, vivendo meu maior milagre, meu verdadeiro sonho." Termina, olhando de lado a sua esposa. Cada dia, cada hora ao lado do amor de sua vida e seus preciosos filhos era um sonho realizado.

Limpando a garganta desajeitada, a cantora faz movimentos repetitivos com as mãos perto de seu rosto, como se estivesse se abanando. Seus olhos estavam cheio de lágrimas repentinas. "Esses malditos hormônios." Murmura distraidamente, tentando se controlar para não chorar em frente às crianças. Inspira, logo soltando o ar lentamente, fazendo uma pequena rotina que fazia antes de entrar nos palcos. Seus hormônios estavam por todo o lugar, dominando-a, e sabia que ficaria pior conforme os meses passassem. Após alguns segundos, engole a saliva, sentindo-se mais calma. Coloca um braço ao redor do pescoço da loira, que estava poucos centímetros mais baixa por estar dentro da piscina, e se inclina, encostando seus lábios em um suave beijo. "Eu te amo."

"E eu amo você, Rachel Fabray." Rouba mais um beijo. Sabia melhor do que comentar o momento emotivo de sua mulher, jamais ouse a mexer com uma grávida, principalmente quando esta claramente já estava com os hormônios à flor da pele. Aprendera isso durante as duas primeiras gravidezes de Rachel quando cometera alguns erros, como comentar sobre o drama que sua esposa fizera a ela demorar a acordar para realizar seu estranho desejo de comer picles ao estar grávida de Charlotte. Sorri contra os lábios da morena, acariciando sua barriga bronzeada. Termina o beijo, se afastando e arregalando os olhos ao sentir algo sob sua mão. "Você sentiu isso? Eu acho que o bebê se moveu." Olha a barriga com fascínio.

Rindo do comportamento da outra, declara. "Eu senti meus músculos se contraírem, Q, só isso." Embora em alguns casos fosse possível sentir o bebê se mover desde os primeiros meses de gravidez, ainda era cedo demais para sentir algo. Mas, claro, para sua esposa, ou melhor, na imaginação de sua esposa os filhos delas já podiam até chutar a partir do segundo mês de gestação. O que ocorrera na gravidez das gêmeas, Quinn ainda jura que sentira um chute em uma noite quando estavam abraçadas na cama.

"Foi o bebê, Rachel, eu senti." Assegura, tinha certeza que fora seu bebê, afinal sabia distinguir um movimento de músculos a um delicado movimento interno, precisamente o movimento de um bebê. Seu dia já perfeito em família ficara ainda mais agora ao sentir seu filho ou filha. Suspira satisfeita, voltando a observar suas crianças, imaginando daqui alguns meses, quando seu bebê estiver entre seus braços passando um dia na piscina com toda a família.

"Você quer aprender a pular na piscina, Alice?" Emily pergunta desde os braços de seu irmão, carregando um peixe amarelo e azul inflável.

"Emily!" Todos dizem ao mesmo tempo.

X

"Rach, onde está minha filmadora?" Grita Quinn para que sua esposa pudesse lhe escutar desde a sala de televisão, entrando em uma das salas de estar da mansão, que mais usavam como um hall da fama, ou nas palavras de sua própria esposa, a sala das conquistas, onde tinham inúmeras fotografias, prêmios e certificados de toda família em vitrines, além de quadros pendurados em duas das paredes. Olha a mesinha de canto, se aproximando e abrindo as duas gavetas, a procura do objeto, mais uma vez não tendo sorte em encontrá-la.

"A última vez que a vi estava na sala de jogos." Escuta Rachel lhe responder no final do corredor. Passa uma mão por seu cabelo em um gesto irritado, toda vez que queria essa filmadora estava em um lugar diferente, ou as crianças a pegava, não colocando de volta no lugar, ou sua esposa mudava a ordem das coisas e ela não era avisada. Dá meia volta, fazendo menção de sair do local, quando uma fotografia emoldurada em tamanho médio na parede cor creme com detalhes em gesso a sua frente, captura sua atenção. Com lentos passos se acerca, dando um sorriso melancólico, era uma das raras fotos que tinham dos dois em um momento harmônico. Foto que fora tirada no dia de seu casamento há quase quinze anos. Na fotografia Bacon usava uma gravata borboleta, olhando diretamente a lente da câmera, e Elphaba posicionada ao lado dele, usava uma tiara com um véu de noiva, com a cabeça levemente inclina de forma que olhasse ao cachorro. O vazio que sentia ao ver estas fotos era uma das piores sensações que já sentira em toda sua vida. Ainda não havia conseguido superar a perda que sofrera, e provavelmente uma parte sua nunca iria superar, eram dois membros de sua família, os primeiros membros da família constituída por Rachel e ela. Aperta os lábios ao pensar sobre Bacon, sua morte fora a mais dolorosa, um dos piores momentos de sua vida, se sentira tão culpada e fora como se acabasse de perder um filho. Seu cachorro contraíra uma doença altamente contagiosa, e por ter passado por muitas dores e o tratamento não ter dado resultados positivos, o veterinário aconselhara a sacrificarem Bacon, aliviando-o de tanto sofrimento, e após muito pensar acabara concordando, sabendo que seria o melhor para seu cão, mas ainda assim se sentira culpada por ter tomado esta decisão, por ter que acabar com a vida daquele que por tanto tempo fora o seu companheiro, aquele que tanta alegria, risadas, orgulho lhe trouxera. Isso fora há onze anos e jura quê se fechar os olhos ainda pode escutar seus latidos e os miados de Elphaba em uma de suas épicas brigas. Elphaba se fora anos depois com uma idade avançada, afinal vaso ruim é difícil se quebrar, não é mesmo? Como sentia falta de reclamar daquela gata, de mandar seu cão correr atrás dela, até mesmo dela se esfregando em sua perna sentia falta. Droga seria honesta sentia falta de Elphaba. Ambos estavam enterrados na parte de trás do jardim da mansão, lado a lado, com lápides personalizadas.

É tirada de seus pensamentos ao escutar passos se aproximando, olha a porta da sala, encontrando com o curioso olhar de sua mulher. "Hey, as crianças decidiram que querem passar a tarde assistindo filmes e me pediram para fazer pipoca para o lanche, você pode preparar a sala de cinema enquanto isso?" Pergunta Rachel, se posicionando ao lado da mais alta.

"Claro." Passa seu braço ao redor da cintura da cantora, depositando um beijo sobre sua têmpora. Após passarem mais algum tempo na piscina, todos saíram e foram comer a deliciosa torta que sua esposa fizera para o almoço, horas depois seus filhos estavam espalhados pela casa, fazendo coisas diferentes, até agora, já que aparentemente decidiram fazer uma tarde de cinema. Deposita seu queixo sobre o topo da cabeça da outra, sentindo um delicioso perfume. "Você está cheirosa." Comenta, movimentando a mão de cima para baixo, acariciando a curva da cintura de Rachel.

Pressionando mais seu corpo contra o de Quinn, diz. "É o meu novo perfume. Gostou?" Observa a fotografia a sua frente, sentindo certa tristeza. Era difícil vê-los mesmo após todos estes anos, era difícil ver aqueles que para sempre seriam seus filhotes e não tê-los mais por perto. Oh, como sentia saudades de seu Tony, aquele que fora seu garoto número um por anos, e de Elphie, sua gata temperamental, uma verdadeira diva, sua filhinha. Sente seus olhos se encherem de lágrimas e mais uma vez durante este dia tenta se controlar, seus hormônios estavam se fazendo cada vez mais presentes. "Eu sinto a falta deles."

"Sim, eu gostei muito." Responde a pergunta anterior, dando um beijo na cabeça da mais baixa. Volta o olhar a foto de seus animais de estimação. "Eu também sinto Rach. E o que mais me deixa triste é pensar que o Bacon não teve a chance de conhecer nossas crianças, de aproveitar a nossa família, eu tenho certeza que se ele estivesse aqui adoraria nossos filhos, e com certeza brincaria com todos eles." Bacon só tivera a chance de realmente conviver com Lucy, assim mesmo ela era muita nova e mal ficava perto dele por sentir medo, e quando ele adoecera, Liam tinha poucos meses de vida. Elphaba chegara a conhecer seus três filhos mais velhos, morrendo quando Rachel estava grávida das gêmeas.

"Você tem razão, afinal é bem difícil não adorar nossos filhos. Fizemos crianças incríveis." Rachel muda de assunto, forçando-se a dar um sorriso, querendo tirar o foco daquela triste conversa ou começaria a chorar de verdade. Desvia o olhar a um dos lados, repousando-o sobre uma das vitrines com todos seus prêmios. O que um dia se convencera ser impossível, sonhos profissionais que não podiam estar mais distantes no início de sua carreira como uma protagonista, hoje graças a todos os deuses da Broadway e a sua dedicação eram sua realidade. Era uma cantora e atriz com diversos prêmios por seus CDs e peças musicais, a ganhadora mais jovem de um EGOT, em seu caminho para ser a maior ganhadora de Tonys, mundialmente famosa e considerada a rainha da Broadway. Fora um longo e cansativo caminho até seus sonhos se concretizarem, afinal nada na vida é fácil, e por diversas vezes sentira medo, temia o que estava fazendo e o que aconteceria se arriscando desta maneira, se entregando a cada projeto, mas no final do dia sabia que aquilo era o que realmente queria, era o que lhe fazia feliz, o que amava profissionalmente e por isso, se arriscara uma e outra vez, conquistando uma carreira dos sonhos. Seu primeiro grande prêmio no cenário musical fora um Grammy como melhor voz feminina por seu álbum intitulado "Rachel", um CD de baladas românticas escritas por ela mesma ao longo dos anos, desde sua adolescência ao nascimento de Lucy, que fora um dos mais vendidos daquele ano. A música mais famosa do álbum fora seu dueto com Barbra Streisand, que lançaram como o primeiro single deste, escrita pelas duas e intitulada "My Love is Here To Stay", baseada em sua história de amor com Quinn, que basicamente dizia como não temeria amar, mesmo que houvesse uma tempestade lá fora, mesmo que tudo desmoronasse ao seu redor, que o mundo conspirasse para separá-las, sempre a amaria. Seu segundo grande prêmio fora um Tony de melhor atriz em um musical por Funny Girl, além de vários outros que ganhara nos anos seguintes pela mesma peça ou por outras, como seu atual musical original onde vivia Wendy, que a levara a mais uma vitória neste ano, totalizando seis Tonys de melhor atriz em sua prateleira e colocando-a como a segunda maior ganhadora da história, só mais um Tony e alcançaria Audra Mcdonald que ganhara mais um nos últimos anos. Seu terceiro grande prêmio fora uma imensa surpresa, algo totalmente inesperado, ganhara um Emmy por sua participação no especial de Natal de Mercedes, a nova Oprah da televisão americana, jamais passara tanta vergonha ao vivo quando não conseguira dissimular sua surpresa ao seu nome ser anunciado, e claro, ainda tivera que chorar em cadeia mundial por não ter escrito um discurso, justificando as lágrimas como os hormônios de sua gravidez – na época estivera grávida das gêmeas – e tivera que improvisar se apoiando completamente em um cérebro que só podia pensar em como havia acabado de ganhar o E de seu EGOT.

Seu O chegara anos depois, precisamente há três anos, quando trabalhara novamente com Barbra. Desta vez fora em um filme, onde sua maior inspiração fora a diretora, e Rachel a protagonista do filme musical dramático sobre uma ambiciosa mãe solteira, que deixara sua cidade do interior para tentar a sorte grande em NYC com sonhos de ser uma famosa cantora. Quase não acreditara quando Barbra lhe ligara para dizer que estavam concorrendo ao Oscar, fora o susto da sua vida receber uma ligação da mulher que sempre admirara, dizendo que estava concorrendo à maior premiação do cinema como melhor atriz protagonista. Jamais chorara tanto em sua vida ao ter seu nome revelado como a grande vencedora da noite, naquele momento todo um filme de sua história passara diante de seus olhos, sabendo que finalmente havia conquistado seu EGOT, tudo aquilo que sempre sonhara desde que era uma pequena garota que ensaiava seus discursos em frente ao espelho, segurando uma escova de cabelo fingindo ser o microfone. Olha o grande colar de ouro com diamantes ao redor da escrita EGOT que recebera dos organizadores do club como um presente de boas vindas, agora Rachel fazia parte da exclusiva lista de vencedores ao lado de suas maiores ídolos, Liza Minnelli e Barbra, sendo a décima terceira pessoa a conquistar todos os importantes prêmios. Jamais teria palavras o suficiente para agradecer a Barbra, um verdadeiro anjo em sua vida, sua conselheira, mentora, que sempre estivera ao seu lado, lhe dando dicas profissionais em diversas situações, era como uma verdadeira fada madrinha. Podia-se dizer que nos últimos anos Babs e ela se tornaram verdadeiras amigas, e não era segredo a ninguém que era a queridinha e protegida de Barbra Streisand, a diva era até a madrinha de sua filha Lucy. E atualmente estavam trabalhando em mais dois projetos juntas, na gravação do terceiro álbum da morena, onde regravaria músicas clássicas da Broadway em duetos com amigos, como I Dreamed A Dream com Barbra, e em um filme de comédia romântica onde Babs seria à diretora e atriz coadjuvante e Rachel a grande protagonista. Deita a cabeça contra o ombro de sua esposa, estudando a fotografia ao lado de seu exclusivo colar dentro da vitrine. Na foto tirada por Quinn na última viagem em família, seus filhos faziam caretas e poses divertidas olhando diretamente a câmera, rodeados pela neve de Aspen. Sorri completamente apaixonada, embora tivesse tudo o que poderia imaginar profissionalmente, nada se compararia ao que tinha com Quinn e seus filhos, nada se compararia ao amor que sentia por sua família. Não havia prêmio maior neste mundo que ser a esposa de Quinn Fabray e mãe de filhos maravilhosos.

"Rach, nós fizemos as crianças mais perfeitas do mundo." Declara com toda convicção possível, afinal era apenas a verdade. Observa os quadros pintados a óleo de cada pequeno Fabray, verdadeiras obras de arte que eram feitas a cada filho completar um ano de idade, tradição que começara quando Leroy lhes presenteara com o quadro a óleo de Lucy. "E para ser honesta, acho que deveríamos continuar fazendo filhos para engraçarem este mundo, na verdade, deveríamos praticar agora mesmo." Aperta a cintura de sua mulher sugestivamente, dando mais um beijo em sua cabeça. Escuta a suave risada de Rachel e sorri de lado, pensando que só mais algumas poucas horas e a noite chegaria, e com esta a hora de finalmente contar aos seus filhos sobre a chegada do bebê. Sabia que no início a notícia não seria bem recebida, afinal suas crianças puxaram seus genes ciumentos, mas logo todos sentiriam a mesma empolgação que ela, ao menos era o que esperava, ou Rachel poderia acabar decidindo que essa seria sua última gravidez como já havia comentado durante o procedimento de fertilização. Deus queira que não! Passa seu olhar por toda a sala, imaginando que ao menos Lucy apoiaria a gravidez, por ser a mais velha e de alguma forma já estar acostumada com suas mães anunciando que teriam mais filhos, sem mencionar que era bem próxima a Rachel, e se ela realmente apoiasse a gravidez, poderia convencer os outros que também o fizessem. Isso; tinha que ter Lucy do seu lado ou estaria literalmente perdida. "As crianças já decidiram quais filmes querem assistir?" Pergunta, torcendo para que Emily e Alice não escolhessem o que diziam ser o filme preferido delas, Frozen. Sua maravilhosa sobrinha Beth um dia tivera a excelente ideia de mostrar para as gêmeas o seu filme favorito na infância, e agora suas filhas adoravam Frozen, assistindo a cada oportunidade que tinham e cantando Let It Go a todo o momento. Jura que ainda tinha pesadelos com aquela música ao ser obrigada pelas gêmeas a brincar fingindo ser o Olaf, enquanto Ems era Elsa e Alice era a Anna. Ah, era realmente irônico pensar que o resto do mundo a via como uma profissional séria e respeitada, enquanto suas filhas a viam como uma excelente intérprete de personagens infantis. E isso a fazia amar ainda mais sua vida, era a prova de como podia separar muito bem estes dois mundos, o seu mundo familiar, aquele mais importante em sua vida, onde era uma esposa e mãe, a verdadeira Quinn que vivia o mais normal possível, levando uma vida completamente domesticada ao lado de sua família, e o mundo da fama onde era uma atriz mundialmente famosa e respeitada, conhecida por seus filmes de ação, drama e comédias inteligentes, formando com Rachel o casal mais premiado do show business.

Olha rapidamente à suas estatuetas, ao longo dos anos ganhara mais dois Oscars de melhor atriz protagonista, além de três Golden Globes, dois People's Choice e alguns prêmios independentes. E no ano passado ganhara um Oscar de melhor atriz coadjuvante, o que a colocara na lista de maiores vencedores, se igualando a Katharine Hepburn com o total de quatro estatuetas, perdendo apenas para Meryl Streep que ganhara mais duas nos últimos quatorze anos, sendo que ambas foram indicadas pelo filme que fizeram juntas sobre um drama político, onde Quinn ganhara como protagonista e Meryl coadjuvante. Ainda se sentia como algo surreal saber que era uma atriz tão prestigiada, que seu nome era visto como grandioso, que diretores, produtores e atores pediam para trabalhar com ela, enquanto parecia ter sido há pouco tempo quando sua agente tinha que ligar para seus contatos implorando para colocá-la no elenco, lhe dando qualquer papel por menor que fosse. Volta à atenção a sua maior conquista, a sua esposa, abraçando-a e apertando-a contra seu corpo.

"Vamos começar com um filme de aventura escolhido por Liam, e escolheremos os outros com votação." Após muitas discussões entre as crianças, começadas por Charlotte e Emily que tinham grandes dificuldades para concordar em algo, Rachel deixara a decisão de qual filme iriam assistir primeiro nas mãos de seu filho, que escolhera um lançado recentemente em formato digital para compra. E conseguira fazer com que todos concordassem com a ideia de votarem nos seguintes filmes, fazendo Emily prometer a não chorar se o filme que ela queria assistir não ganhasse, até porque seus filhos mais velhos e esposa não aguentavam mais assistirem os mesmos filmes de princesas da Disney durante as tardes de cinema.

"Mommy, vocês estão demorando!" Reclama Emily, gritando de algum lugar próximo a sala.

"Aposto que elas estão se beijando... Eca." Escutam Charlotte comentar.

Rindo silenciosamente, a cantora se afasta, dizendo. "Será melhor eu fazer logo essa pipoca. Por favor, quando for à sala de cinema, veja se tem refrigerantes no freezer de lá, se não tiver, peça para alguém buscar na cozinha." Segura o rosto de Quinn entre as mãos, fazendo-a se inclinar para lhe dar um curto e apaixonado beijo. "E mais tarde podemos começar a praticar o que você tinha em mente." Dá uma piscadela sedutora, referindo-se ao comentário anterior de sua esposa, dando meia volta e saindo da sala com um sorriso nos lábios, deixando uma loira excitada e engolindo sua sugestão de pularem o cinema e simplesmente irem para o quarto resolverem esse assunto.

Droga, por que tinha concordado com essa tarde de filmes?!

X

Horas depois, seus filhos haviam acabado de jantar, quando conseguira reuni-los na sala da família, principal sala de estar da mansão. Parada no meio desta, ao lado de sua mulher, observa silenciosamente a cada um deles sentados em um grande sofá branco. "Lucy e Charlotte deixem os eletrônicos de lado, eu preciso dizer algo sério a vocês." Chama a atenção delas, o que havia com essas crianças de hoje que não conseguiam largar seus celulares e iPads nem por um minuto?! Era algo assustador, já tivera que ameaçar por diversas vezes tirar os eletrônicos delas para conseguir fazer com que a obedecessem.

Olhando a suas mães e percebendo como ambas tinham expressões sérias, Emily engole em seco, se lembrando do que acontecera com o seu colega de classe quando os pais dele disseram que precisavam conversar. "Vocês vão se separar?" Pergunta com seus olhos se enchendo de lágrimas. "Por favor, não mommy, não mama. Eu prometo obedecer, eu prometo nunca mais pular da piscina, eu sou ser boazinha, mommies, eu vou ser uma menina obediente."

"Não vamos mais ser uma família?" Assustada pelo choro de sua gêmea, Alice sente seu coração se acelerar e vontade de chorar também, abraçando sua irmã de lado e escondendo seu rosto atrás do corpo de Ems.

"Meninas o que isso?! Eu jamais vou me separar de sua mommy, vamos ficar casadas para sempre. Vocês não se lembram quando contei que o meu amor pela mommy Rachel está aqui para ficar, para sempre e sempre, como na nossa música?! Então, eu estava dizendo a verdade, e essa será a verdade por toda a eternidade." Explica Quinn desesperada ao ver suas pequenas chorando, como puderam chegar a esta suposição tão rápido quando apenas afirmara que tinha algo sério a dizer?!

"Alice, Emily, a mama está certa." Diz Rachel, se aproximando e se ajoelhando em frente às duas. "Nós não vamos nos separar nunca, nos amamos demais para isso. Vamos ficar juntas até quando formos velhinhas com cabelos brancos e bengalas, e mal podermos escutar o que dizem." Consegue arrancar um sorrisinho de Emily, que limpa suas lágrimas, satisfeita com as respostas. Dá um leve suspiro ao ver que Alice, continuava atrás de sua irmã, escondida para que não pudessem vê-la chorar. Seu coração se quebra com a imagem de sua tímida filha, e novamente seus hormônios fazem seus olhos se encherem de lágrimas, mas consegue segurá-las. "Alice, nunca deixaremos de ser uma família, não importa o que aconteça, Quinn e eu sempre seremos suas mães e Lucy, Liam, Charlotte e Emily sempre serão seus irmãos. E vamos para sempre amar você, amar nossa família. Não precisa ficar triste, meu amor, muito menos chorar." Acaricia a cabeça morena de sua pequena, que lentamente sai de seu esconderijo, limpando todos os vestígios de seu silencioso choro. A oferece um dócil sorriso. "Sua mãe e eu temos uma coisa boa para dizer a vocês, eu prometo."

"Mais um típico dia na casa Fabray, onde tudo se transforma em um verdadeiro drama." Charlotte tenta aliviar o clima pesado. Cruza os braços, evitando pensar em um divórcio. Embora fosse mais fácil seu tio Kurt e tia Santana virarem orgulhosos heterossexuais, casando-se e tendo cinco filhos juntos, do que suas mães se divorciarem, não gostara de como se sentira ao ver sua irmã perguntando se elas iriam se separarem.

Limpando a garganta, Quinn tenta controlar a situação agora que suas gêmeas haviam se acalmado. Aquele era para ser um momento feliz, de celebração pela chegada de seu bebê, não um tão dramático. Como se algum dia fosse capaz de se divorciar de Rachel, por favor, amava esta mulher mais do que tudo, esta mulher era sua vida! Rachel volta a se posicionar ao seu lado, lhe dando um beijo na bochecha esquerda, e se sentindo encorajada pela demonstração de afeto, declara. "Agora que tudo foi aclarado... Nós temos notícias. Excelentes notícias!" Gesticula com as mãos, dando um grande sorriso, voltando ao seu estado entusiasmado.

"Eu vou ganhar um presente, mama?" Pergunta Emily, esquecendo-se de sua tristeza anterior.

Seus filhos mais velhos soltam uma gargalhada, e a atriz responde. "Dependendo da forma como você ver, então sim, Ems, você ganhará um presente." Deposita uma mão sobre o ventre de sua esposa, sentindo-se emocionada, finalmente chegara a hora que tanto esperara. Poderia gritar aos quatro ventos que engravidara Rachel, que tinha mais um pequeno Fabray a caminho, que mais um bebê tão sonhado por ela anos atrás se tornaria em sua realidade. Respira fundo, logo dizendo em voz alta com toda empolgação que sentia. "Nós estamos grávidas!"

Silêncio. Um longo silêncio é o que recebe pela parte de seus filhos.

Franzindo o cenho desentendida, afinal estivera preparada para qualquer reação menos para esta, a cantora pergunta. "Vocês não vão dizer nadar?"

Lucy é a primeira a se recuperar do choque que fora ter suas mães falando que aumentariam a família, quando mencionada família já era grande, direcionando o olhar a sua mommy. "De novo?" Arqueia uma sobrancelha em um gesto sério, como não se cansavam de engravidar?! Como podiam ter tantos filhos?! Não a leve a mal, ama seus irmãos mais que tudo no mundo, mas quatro irmãos mais novos era o suficiente para qualquer adolescente.

"Não. Não. Não..." Charlotte repetia a palavra como um mantra. Não estava preparada para ter que aturar bebês chorando de madrugada, ou a qualquer hora do dia, atrapalhando seu precioso sono novamente, como fora com as gêmeas, que tinham um quarto ao lado do seu. Era um excelente momento para pedir abrigo na casa de seus avôs ou se mudar definitivamente para lá.

"Vamos ter um bebê?" Alice pergunta docilmente, alternando o olhar entre suas mães e o repousando sobre a barriga de sua mommy. "Eu posso brincar com ele?" Dá um pequeno sorriso, seria uma irmã mais velha agora, mal podia esperar para ajudar cuidar do bebê. Será que ele demoraria muito para nascer? Uma vez sua mommy Rachel dissera que um bebê nasce depois de nove meses, mas quanto tempo demora nove meses? Quantos dias e horas? Olha a seus dedos, começando a contá-los, mas logo para, pois só sabia até o número dez.

"Mama, você disse que era um presente! Isso não é um presente. É um bebê. E eu não vou dividir meus brinquedos com ele." Comenta Emily, cruzando os braços defensivamente. Só dividia os brinquedos com sua irmã gêmea e mais ninguém. E que graça tinha brincar com um bebê?! Nenhuma, pois eles só choravam e choravam.

"Eu realmente espero que seja um menino desta vez." Liam alega, olhando diretamente a sua mãe Quinn. Seria legal ter outro garoto na casa, alguém que pudesse lhe fazer companhia quando suas irmãs decidissem levá-lo a beira da loucura com todas aquelas conversas sobre compras, maquiagens, roupas, meninos, etc.

Deus, por que seus filhos tinham que agir desta maneira? A loira mais velha coça sua nuca nervosamente, teria sido melhor simplesmente não ter contado nada a eles e deixarem descobrirem por si sós ao ver a barriga de Rachel crescendo cada vez mais ou ter aparecido um dia com o bebê já nascido, revelando que era o novo membro da família. Seria mil vezes mais fácil do que lidar com essa bagunça. "Ok – hum – como eu ia dizendo, estamos grávidas e eu não poderia estar mais feliz por realizar o meu maior sonho de ser mãe novamente ao lado do amor da minha vida..." Olha a sua esposa que permanecia calada desde a explosão das crianças. Droga, ela parecia pensativa, será que estava aborrecida? Rachel não podia sofrer emoções demais ou faria mal para o bebê!

"Vocês já não têm filhos o suficiente? Cinco é um bom número." Insiste Lucy, interrompendo sua mãe de continuar com o discurso.

"Eu pensei que iriam parar nas gêmeas." Afirma Charlotte, indicando as suas irmãs mais novas.

"Eu pensei que iriam parar em você." Liam rebate, lançando o olhar a sua irmã do meio.

"Eu pensei que seria filha única." A filha mais velha olha seriamente a Quinn.

Cansada por tal comportamento, a atriz declara perdendo a paciência. "Bem, vocês terão um irmão ou irmã daqui alguns meses, assim que se acostumem. Vocês podem nos apoiar, ajudando em tudo o possível para que sua mãe tenha uma gravidez tranquila, retribuindo o imenso cuidado que ela tem com todos nós diariamente, demonstrando-a o amor que sentem por ela e por nossa família, inclusive pelo bebê que tem o mesmo sangue que vocês, ou podem agir como crianças mimadas, como crianças que no momento sinceramente não reconheço, e continuarem com todo este drama desnecessário, chateando não só a mim, como também sua mãe grávida e fazendo o bebê se sentir como um indesejado nesta família, algo que ele certamente não é! Nenhum filho meu é indesejado, vocês não sabem o que passei nessa vida até conseguir tê-los, não sabe quantas noites passei em claro sonhando com cada um de vocês, planejando o que faríamos juntos, planejando esta vida que têm hoje, e eu não admito que frustrem meus sonhos de aumentar a minha família, não admito que critiquem a mãe de vocês e eu por termos mais filhos, e certamente não admito que chateiem meu bebê!" Termina gritando, com a veia em seu pescoço dilatada por tanta agitação. Respira ofegante por ter falado tudo sem pausas, jamais falara assim com as crianças antes e começa a se sentir mal por isso, mas admitia ter sido necessário neste momento. Fizera aquilo que Rachel sempre lhe dissera para fazer, assumir o controle da situação, impondo limites, pois aquele comportamento era realmente inaceitável, uma coisa era um ciúme inicial, uma possessividade de suas mães, mas outra completamente diferente era fazer sua esposa se chatear e seu bebê parecer indesejado.

"Quinn, meu amor, se acalme." Murmura, passando a mão pelas costas da mais alta. Jamais a vira tão exaltada, e sabia que as crianças se assustaram pelo comportamento da mãe. Apesar de que se sentira contente ao vê-la defender o bebê com tanta veemência, seus filhos não eram pessoas horrorosas que rejeitariam um bebê, ainda mais sendo a irmã ou irmão mais novo deles, só precisariam de um tempo para digerir a notícia e se acostumarem com a nova realidade. Desvia o olhar aos seus filhos, que permaneciam calados, observando Quinn como se temessem um novo ataque verbal. "Eu sei que foram surpreendidos com a notícia, mas não foi uma decisão recente. Sua mãe e eu já estávamos conversando há meses sobre aumentar a família, afinal ter um filho não é nada fácil, como tudo na vida é preciso de uma dedicação extrema, e estar realmente preparado, não só financeiramente, mas também mentalmente para dar vida a uma criança. E sua mãe e eu nos sentimos preparadas, todos sabem que amamos cada um de vocês incondicionalmente, amamos nossa família, mas ainda temos muito amor para dar, e é por isso que decidimos que teríamos mais um filho. Queremos dar a este bebê um amor incondicional, cuidar dele, ensinando-o importantes lições, assim como ensinamos a vocês e esperamos quê possam passar estas mensagens à frente, posteriormente aos seus filhos, netos, bisnetos. Nós estamos ensinando vocês a serem pessoas do bem, pessoas que vão fazer a diferença por menor que esta venha a ser, amando e respeitando o seu próximo e mostrando que o amor está acima de tudo, que o amor é a cura, a resposta."

Lucy abaixa a cabeça, arrependida por seu comportamento. Sabia como cada gravidez, cada nascimento, cada filho representava a verdadeira felicidade de suas mães, principalmente de sua mãe Quinn, e ambas só quiseram compartilhar aquele momento que deveria ser especial com eles, seus filhos, mas acabaram agindo de maneira egoísta e desapontando-as. Umedece seus lábios, levantando o olhar e desculpando-se. "Eu sinto muito pelas coisas que disse. Vocês são as melhores mães do mundo e merecem ter quantos filhos quiserem. E claro que vou apoiá-las, mommy eu estarei aqui para o que for preciso, e mama eu sinto muito se fiz soar como se o bebê fosse indesejado, não era minha intenção. Eu serei uma irmã mais velha melhor para o bebê a partir de agora, e parabéns, eu fico feliz por vocês de verdade." Sorri honestamente, embora não se sentisse confortável pensando que seria quatorze anos mais velha que seu novo irmão, aprenderia a lidar com a situação. E sabia que com o tempo, amaria o novo integrante de sua família.

"Eu também apoiarei vocês. E, por favor, se vocês puderem colocar o bebê no quarto mais distante do meu, ficarei muito grata. Já sofri o suficiente acordando de madrugada com choros quando as gêmeas eram pequenas." Charlotte diz, provando como era realmente uma filha de sua mãe loira, que até quatro anos atrás tivera problemas para acordar durante a madrugada para pegar as gêmeas e levá-las a suíte master para Rachel amamentá-las, ou simplesmente dar a mamadeira a elas. O sono de Quinn ainda era algo precioso, a casa podia estar pegando fogo que ela continuaria a dormir, e Charlotte Hailey era da mesma maneira.

"Eu vou apoiá-las." Asseguram Liam e Alice ao mesmo tempo, logo se olham e sorriem cúmplices.

Emily suspira pesadamente, não gostando da ideia de ter um novo bebê na casa, mas sabendo que tinha que aceitá-lo e ser uma boa irmã. "Eu também vou, mas ainda não vou dividir meus brinquedos."

"Obrigada crianças, isso significa muito para nós." Rachel olha de lado a Quinn, que agora tinha um pequeno sorriso contente nos lábios direcionado aos seus filhos. A abraça, colando seus corpos, passando a observar as crianças que já se distraiam com conversas sobre o novo membro da família. Era em momentos como este que se perguntava como tivera tanta sorte na vida, tinha o amor e apoio de seus pais, de seus sogros, cunhados e sobrinha, tinha uma família com uns filhos que eram sua verdadeira paixão, que mesmo nos momentos difíceis se mantinham unidos, que mesmo com todas as discussões ainda tinham a humildade de pedirem perdão, demonstrando irmandade, demonstrando o amor que sentiam um pelo outro, e ainda tinha uma incrível mulher como sua esposa, uma verdadeira companheira, em um casamento mais sólido impossível. Claro, a vida nem sempre era fácil, ainda mais para um casal com filhos, e Quinn e ela estão longe de terem o casamento ou família perfeita, pois nada é perfeito neste mundo. Elas tinham seus momentos difíceis no casamento, na vida familiar, discussões – longe das crianças, afinal nenhum pai ou mãe deveria deixar suas crianças escutá-los perder o controle –, onde em muitas vezes sentira vontade de fugir, nem que fosse por um dia e ter algumas horas inteiras só para si e seus pensamentos, sem responsabilidade alguma, mas nestes momentos ambas tiravam um minuto para se lembrarem do motivo por estarem juntas, do porque se casaram e decidirem ter filhos, se lembravam do que as mantinham juntas após todos estes anos e porque deveriam continuar desta maneira, trabalhando como um time, afinal em um casamento, em um relacionamento qualquer, deve se trabalhar para que dê certo. E por mais que estes momentos difíceis existissem, sabia que nunca faltaria motivação para Quinn e ela continuarem a viver este amor. Um amor que está aqui para ficar, nada pode apagar.

Quinn deposita um beijo sobre a testa de sua esposa, rindo ao escutar os nomes que eram sugeridos por seus filhos. Não, jamais colocaria o nome de Elsa se fosse uma menina. Fecha seus olhos, apertando Rachel no abraço, descansando sua cabeça sobre a dela. E por aquele breve segundo todo o barulho causado pelas crianças desaparece, e seus pensamentos a levam há dezessete –quase dezoito – anos, quando vira sua mulher pessoalmente pela primeira vez na sala do apartamento de sua melhor amiga. Um momento que parecia pertencer à outra vida, não só pela personalidade reservada da morena, mas por Quinn ter visto-a e não ter sentido nada além de uma atração. Entendia que naquele dia eram completas estranhas, e que não fazia ideia de que estava em frente ao verdadeiro amor de sua vida, mas a Quinn Fabray de hoje era incapaz de olhar a Rachel e não sentir este intenso amor. A alguns meses de completar quinze anos de casadas, Rachel Fabray ainda conseguia tirar seu fôlego com apenas um sorriso, uma carícia, era capaz de fazer seu coração se acelerar com apenas o som de sua voz e por estar próxima a ela, ainda tinha o poder de fazê-la extremamente feliz ao dizer um eu te amo, como se fosse à primeira vez que o escutasse. E entre altos e baixos, alegrias e tristezas, não havia um dia sequer que se passasse e Quinn não tivesse a certeza que um amor como este era único, uma verdadeira raridade e eterno.

OUR LOVE IS HERE TO STAY.


Wow, nem acredito que finalmente consegui terminar este epílogo - mais de 20 mil palavras - e postá-lo. Eu sinto muito, muito mesmo por toda esta demora, mas a faculdade e vida frustraram meus planos todas às vezes que tentava escrever. Enfim, um começo de epílogo bem político, isso é o resultado de estudar matérias políticas e depois escrever, mas bem, espero que tenham gostado dessa família que tanto amei escrever, levarei para sempre em meu coração cada um destes personagens. OLIHTS demorou demais para ser concluída, dois anos hein, jamais imaginei que demoraria tanto para escrevê-la, tinha planos de no máximo em oito meses terminá-la quando comecei a escrever, mas posso afirmar que se tivesse sido assim, esta fic não seria nem metade do que é hoje, para terem uma ideia a fic já teve dois finais diferentes no plano original e quando estava escrevendo o capítulo quinze mudei tudo, todo o rumo da coisa, algo pelo que sou muito grata. Fico super contente com este resultado final, amo demais esta estória, é a que chamo de minha obra-prima, aqui encontrei minha verdadeira escrita, me transformei em uma verdadeira autora, me arriscando sem temer em lidar com temas difíceis, mas que estão no cotidiano de muita gente, aqui me encontrei! Escrevendo-a, dando vida a este mundo e a estes personagens tão marcantes para mim, consegui lidar com algumas questões pessoais, lidar com diversos problemas e sentimentos que haviam dentro de mim antes não explorados, além de ter recebido mensagens de leitoras que se identificaram com a personalidade de Rachel e que através da leitura conseguiram criar coragem, se sentiram inspiradas a irem atrás do que queriam, e vocês não fazem ideia de como isso é gratificante a um autor, afinal a escrita é isso, ao embarcar em um novo mundo, o mundo do desconhecido, o leitor deve crescer junto com o personagem, compartilhando emoções, e não há nada mais bonito, pois estes personagens se tornam nossa verdadeira companhia por algum tempo. Quero agradecer a cada um de vocês por terem feito parte desta estória, deste mundo maravilhoso, obrigada a minha incrível beta que chegou já quase no final da coisa, mas me ajudou bastante em momentos decisivos, aturando meus surtos como autora perfeccionista. Obrigada por lerem, pelas reviews, por todas as palavras de incentivo, pelos surtos - meninas do Twitter -, obrigada a todos por terem me ajudado a fazer OLIHTS, simplesmente obrigada! E até uma próxima (Que será em The Bet, e sim, voltarei a postá-la em breve), não esqueçam de comentar, dizendo o que acharam desta família, deste epílogo.

Se querem que eu continue a escrever Faberry, sabem o que devem fazer... Reviews.

XxBre.