- Henry larga de lerdeza e corre, anda.
- Eu não consigo respirar, me segura que eu vou morrer.
- Você não vai morrer.
- Não? Tem certeza? Meu coração ta saindo pela boca Ems... Se isso não é um infarto eu não sei o que poderia ser.
- Deixa de drama e continua correndo, não para.
- Ems o que é isso escorrendo pelas minhas costas?
- Suor...
- Ah nemm, isso é o purgatório só pode.
- Vai falar agora que nunca transpirou? Você vive aonde em? Em uma bolha? Como é que você conseguiu entrar na academia, me diz...
- Eu... Eu... Eu não precisei fazer nenhuma avaliação física... puta merda!
- Como não? É procedimento padrão...
- Na época que eu entrei isso não era exigido pra quem não vai a campo.
- Mas você já esteve em campo comigo.
- Pra você ver como tudo tende a piorar... Jesus meu pulmão deu câimbra...
- Isso é impossível Henry, não para de correr, continua. Você tá me dizendo que eu já coloquei a minha vida em risco e você não consegue correr por 10 minutos.
- Que? Tem só 10 minutos que eu to correndo?!
- Na realidade 09 minutos...
- Quanto tempo falta?
- 51 minutos, temos que ir até a praça central e voltar, se você for capaz de fazer isto mais rápido...
- Já estou no meu máximo colega... força a barra não.
De onde estávamos eu conseguia ver Regina e Ruby mais a frente. Não queria perder aquela disputa, mas era pouco provável que Henry conseguisse chegar aos 20 minutos, que dirá ir até a praça e voltar.
- Vamos Henry, desiste não...
- Não dá Ems, eu não to sentindo a minha panturrilha.
- Isso é normal, daqui a pouco passa.
- Senhor dos mega bytes, dai me forças...
- Oiiii?!
- Que foi? To pedindo ajuda aos superiores.
- Senhor dos mega bytes?Que diabos é isso.
- Cada uma com sua crença Ems, o meu é o Senhor dos mega bytes...
- Ok... Você a cada dia mais consegue ficar mais estranho.
- Chega Ems, não aguento mais não. Minha bunda ta toda suada, minhas costas, meu rim tá doendo, nem sabia que meu pâncreas era capaz de sentir tanta dor.
- Henry não tem como o seu pâncreas estar doendo...
- Acredite ele está, pra mim não dá, parei.
Quando olhei pro lado Henry estava largado na calçada com as pernas abertas e as costas no chão.
- Você é um fresco sabia?
- Que seja, serei um fresco na mordomia do chão.
- Henry temos que ganhar das duas, não estou afim de aguentar Ruby se gabando por ter vencido.
- Você realmente está com raiva dela...
- Não estou com raiva, a Ruby apenas me irrita às vezes.
- É por causa da Regina?
- Não...
- Eu estou correndo há horas em uma disputa patética e você vem me dizer que a Regina não tem nada a ver com isso?
- Você não está correndo há horas têm 15 minutos Henry, para de drama.
- Cada um percebe o tempo a sua maneira. Você vai continuar negando e me fazendo gastar o pouco de oxigênio que no momento eu consigo obter ou vai dizer logo o que está acontecendo.
- Ok. Promete que não conta pra Ruby?
- Minha boca é um tumulo.
- Eu acho que a Regina está usando a Ruby pra me fazer ciúmes enquanto isso a Ruby está pensando que vai pegar a Regina.
- Você acha ou tem certeza?
- Certeza... Ela deixou bem claro antes de começar a corrida.
- E pra isso precisamos ganhar essa tal corrida?
- De certa forma sim.
- Me dê um bom motivo pra fazer isso...
- Você poderia zoar a Ruby depois, além de ajudar a sua amiga aqui.
- Já me ganhou no primeiro argumento, chama um taxi.
- Taxi? Pra que?
- A corrida tem regras? Qual foi o combinado?
- Bom, tínhamos que nos encontrar daqui uma hora na porta do prédio da Regina, e implicitamente teríamos que ir até a praça e voltar neste período de tempo.
- Só isso?
- Sim, por quê?
- Porque você não me disse isso antes? Chama logo um taxi que já estamos em desvantagem.
- E o teste físico?
- Eu me viro Ems, se é pra deixar a Ruby com raiva qualquer coisa vale.
Fiz o que Henry falou, fiz sinal para o táxi e entramos dentro dele. Eu ainda não tinha entendido o que ele estava planejando fazer.
- Boa Noite (taxista).
- Boa Noite moço, ta vendo aquelas duas mulheres ali na frente? (Henry).
- Sim, o que tem elas?
- Cola nelas por gentileza (Henry)
O taxista olhou pelo retrovisor sem entender o que significava aquilo, mas obedeceu. Quando nos aproximamos das duas, o motorista colocou o veículo lado a lado com elas. Henry abaixou o vidro do carro e começou a colocar em prática seu plano.
- Corre bunda de tanajura...
As duas olharam para a direção do carro, eu só consegui abaixar a minha cabeça dentro do veículo.
- Henry... Que merda é essa? (Ruby).
- Isso? (Henry falou mostrando o taxi), isto sou eu ganhando de vocês. (risos).
- Como assim? Isso não vale você está roubando...
- Não, não estou. Não tinha nada escrito a respeito de fazer o trajeto de carro.
- Oficial Henry, desça já desse carro e corra como todo mundo (Regina)
- Com todo o respeito Coronel, cada um ganha da forma que pode. Toca o carro ai taxista, que eu quero vê-las comendo poeira.
O motorista acelerou e eu resolvi levantar a cabeça. Não acreditava naquilo, eu estava dentro de um carro, disputando uma coisa que eu já nem sabia mais o que era.
- Moço, eu acho que as suas amigas pegaram outro taxi ali atrás.
- Ah não, ta brincando comigo...(Emma)
Olhamos pelo vidro traseiro e no carro de trás estava Ruby e Regina. O que era pra ser um simples treino se transformou em uma disputa e agora uma corrida de carros.
- Moço te pago 20 a mais pra você não deixar elas ganharem (Henry).
- Eu não posso fazer muito, estamos em uma via pública com limite de velocidade, não vou arriscar perder a minha licença por uma disputa dessas.
- Ems, me dá sua carteira.
- O que você vai fazer com ela.
- Me dá logo, anda.
Entreguei minha carteira com medo do que ele fosse capaz de fazer.
- Moço ta vendo esta insígnia aqui?
- O que tem ela?
- O que tem ela?! Ela significa autoridade e eu estou mandando você acelerar e não deixar aquele veículo te ultrapassar.
- Mas...
- Mas nada, senta o pé nesse acelerador agora.
Henry estava fora e si, colocou a cabeça pra fora do taxi e começou a gritar com as meninas que estavam no veículo de trás. Antes que ele provocasse um acidente o puxei pela blusa.
- Você tá maluco? Isto está indo longe demais.
- Estou ótimo, nunca imaginei que correr pudesse ser tão divertido Ems...
Henry se soltou e voltou a gritar pela janela do carro.
- Moça... ? Seu amigo está bem?(taxista)
- Não... (Emma)
- Ele é sempre assim? (taxista)
- Espero que não. (Emma)
- Devo continuar? E se eu for multado? (taxista)
- Tem como você seguir a lei e tentar dar a volta na praça e voltar por esta mesma avenida, sem ser ultrapassado pelo outro carro? (Emma)
- Posso tentar... (taxista)
- Ótimo. (Emma)
- Porque ele está fazendo isso? (taxista)
- São anos de abuso, ofensas e zoações acumuladas. Acredite até mesmo um nerd tem seu momento de loucura.
Contornamos a praça com o taxi de Ruby colado na nossa traseira. Henry não tirava a cabeça da janela, em alguns momentos batia na lateral do veículo como se isso fosse estimular o taxista a andar mais rápido.
Ao que parece às meninas não estavam dispostas a arriscar tudo pra vencer esta disputa. Assim que chegamos à porta do prédio de Regina, Henry desceu do carro, pagou o motorista e se preparou pra zoar Ruby pela derrota, não demorou muito e o taxi das meninas encostou.
- Henry isso não vale, você trapaceou (Ruby).
- Não converso com perdedoras (Henry).
- Abaixa essa mão se não eu corto ela fora (Ruby).
- Uiiii segura que ela está nervosa, sabe perder não é?!
Regina se aproximou de onde eu estava e nós duas ficamos olhando aquela discussão ridícula no meio da calçada. Depois de tamanha adrenalina eu merecia sentar, comer algo, aqueles dois não iam parar de brigar até que o dia raiasse.
- Ei vocês ai, vão ficar ai na rua ou vamos pra algum lugar comer?
- Eu vou comer o melhor amendoim desta cidade, borá pro Rumple (Henry).
- Henry não me deixa falando sozinha... Volta aqui (Ruby).
Eu e Regina começamos a caminhar, com os dois malucos atrás. Os dois se detestavam, mas não viviam um sem o outro.
