Saí daquela sala o mais rápido possível. As coisas já não estavam dando certo para mim, não precisava de mais alguem me insultando ou me tratando mal. Acho que o professor Snape ainda ouviu os meus soluços.
Entrei na torre da Grifinória e tentei passar despercebida por todos os que estavam acordados, inclusive Rony e sua namorada imbecil.
– Aahh Mionezinha voltou...- disse Lilá com deboche. Passei correndo por eles.
Já no quarto eu dei de cara com Gina. Ela estava sentada em sua cama que era ao lado da minha me esperando.
– Até enfim você apareceu Mione, eu estava preocupada, você não nos deixou entrar naquela maldita sala. Você está bem?.- ela perguntou preocupada.
– Não Ginny, não estou nada bem por dentro. Mas eu tenho que sair daqui o mais rápido possível...- eu disse apressada para que não desse vontade de chorar mais.
– Mas o que? Do que você esta falando Hermione?..- ela perguntava sem entender.
– Olha, depois eu explico tudo numa carta. A gente se fala por cartas Gina. Avise o Harry também, mas o Ronald não ok? E falando nisso, cadê o Harry?
– OK...- ela confirmou..- O harry já foi dormir, mas... Vem! Eu vou te ajudar a arrumar suas coisas..
E então paramos de conversar e eu coloquei roupas suficientes para dois meses. Nada muito importante, além dos meus livros, que é lógico que tive que colocar um feitiço indetectável de extensão na mala.. E pronto! Agora eu só queria sair dali.
– Obrigado por ter me ajudado Gina. Agora eu preciso ir. A gente se fala depois.
Dei um abraço nela, coloquei um feitiço desilusório na mala e a levitei. Quando desci já não tinha mais quase ninguém no salão, então pude sair com mais calma.
Desci as escadarias do castelo que eu tanto conhecia e que amava.
Desde o primeiro ano eu sempre fui fascinada por aquele lugar e de uns tempos pra cá eu não queria mais sair de lá.
O clima foi ficando mais sombrio e mais carregado e enquanto isso eu dava um adues bem curto mentalmente para Hogwarts até que cheguei às masmorras.
Parei a frente da porta do escritório do mestre de poções e não precisei bater duas vezes.
– Que bom que não se atrasou Granger...- ele disse mais frio do que nunca, sua figura austera me dava medo as vezes...- Vamos, entre.
Eu adentrei o local e percebi que tudo era muito escuro, tudo trabalhado no preto, como tudo o que pertencia a ele.
Eu não queria irritá-lo, mas eu precisava perguntar.
– Mas senhor, como vamos sair de Hogwarts?
Ele se virou imediatamente para mim com uma expressão severa no rosto.
– Vejo que não consegue ficar calada não é mesmo!?
– Só estou querendo saber...- eu disse baixo..- Sei que não podemos aparatar em Hogwarts.
– Digamos que ser um espião duplo para Dumbledore tem seus privilégios...- ele disse com um sorriso torto no rosto.
Eu abri e Fechei a boca, mas preferi não dizer mais nada.
Ele parou um pouco a frente da sua mesa de trabalho e ficou me olhando, eu o olhei de volta. O que ele queria!?
– O que está esperando garota? Venha até aqui para podermos aparatar...- ele disse e eu fiquei meio receosa, nunca havia chegado perto de um homem, principalmente se fosse aquele morcego antipático.
Me aproximei devagar até ficar do seu lado. Ele depois passou seu braço por minha cintura sem se importar com a minha reação. Senti novamente arrepios, mas esses passaram por todo meu corpo e suas mãos frias pararam no pequeno espaço que existia entre a minha blusa escolar e a saia, aí mesmo que eu estremeci. Ele deu um sorriso maroto.
– Não se preocupe Granger, eu não fico com crianças.
Confesso que aqui doeu um pouco. Mas não deu tempo de pensar, por que logo depois da sua fala, tudo começou a girar e eu sentia como se algo estivesse me puxando.
Quando paramos os pés bem firmes no chão eu olhei para frente e dei de cara com um enorme e antigo casarão. Parecido com o daqueles filmes trouxas, mal assombrados.
A fachada da grande casa fazia qualquer um pensar que estava abandonada, ela era sombria e me dava arrepios.
– Vamos entrar logo Granger, antes que alguem nos descubra..- Snape sibilou e nós começamos a subir um pequeno lance de escadas que tinha ate que chegassemos na porta.
Em frente a casa também tinha uma grande arvore, seca e de aparência morta.
– Que lugar é esse?..- eu perguntei sem perceber.
– Aqui não Granger, espere até chegarmos dentro da casa.
Snape abriu a porta com um pouco de violência e eu agora permanecia calada. Mas quando adentrei o local minha boca se abriu em um perfeito "O".
O que de horrível e assustador a casa tinha por fora, tinha de belo, confortável e elegante por dentro.
Ele começou a recitar feitiços de proteção assim que fechou a porta, ventava muito frio lá fora.
– Pronto, aqui você ficará nesses dois meses e antes que você venha me interrogar, essa é a mansão Prince, é a casa que era da minha família, mas agora é minha e é só isso que você precisa saber...- ele disse ríspido.
– Sim senhor. Ah! Senhor, só mais uma pergunta. Onde fica o meu quarto para que eu possa me instalar melhor?.- eu disse meio nervosa com o que ele poderia me responder.
–Aah! Esqueci de dizer. Pedi a Dumbledore para que Dobby ficasse com você já que eu nem todo tempo vou estar aqui e você não pode ficar sozinha.
Ele estalou os dedos e uma criaturazinha dos olhos verdes apareceu em nossa frente todo sorridente como sempre.
– Senhora Granger, que prazer em rever a senhora, Dobby está aqui para lhe fazer companhia e lhe servir...- o pequeno elfo dizia contente.
– AhDobby, obrigado. É um prazer revê-lo também...- eu dei um sorriso fraco.
– Agora eu tenho que voltar para a escola, amanhã de manhã eu volto para lhe passar informações e coisas que você precisa saber..- Snape disse já indo em direção à porta.
– Obrigado professor..- eu disse trêmula.
– Só mais uma coisa, os feitiços de proteção já estão ativos também.
E assim ele se foi, nem se deu ao trabalho de me de dizer um "de nada". Por que ele me odiava tanto assim?
Me virei para o elfo conte te que estava a minha frente tentando esquecer do meu professor de poções e de tudo o que eu havia passado naquele dia.
– E então Dobby. Me mostre o meu quarto.
– É pra já senhora.
