Carambas! Eu estava atrasada, atrasada, atrasada. Depois do dia de aulas, eu, Harry e Gina tínhamos ido para a beira do Lago Negro para ficar olhando o céu e pensando na vida.

Rony havia voltado para o castelo dizendo que tinha de arrumar umas coisas suas.

Tomei apenas um banho rápido e voltei a me arrumar normalmente. Olhei no espelho e estava tudo em ordem.

Saí do quarto e andei pelo corredor escuro e gelado das masmorras. Graças a Merlin era só mais essa detenção que eu teria com Snape e depois poderia ficar livre dele.

[...]

Dei dois toques na porta e ele a abriu para que eu entrasse.

– Boa noite Granger..- eu realmente estranhei, não pelo fato de ele ter me dado boa noite, mas pelo tom que ele usou. Não era mais aquele tom de indiferença e desgosto, era um tom leve , aveludado e até um pouco ansioso.

– Boa noite professor..- eu apenas disse..- O quer que eu faça hoje?

– Você não terá detenção hoje.- ele disse sentado agora na sua cadeira e apoiando os cotovelos sobre a pequena mesa. Os cabelos lisos caídos nos ombros e seus olhos negros quase brilhando.

Franzi o cenho em uma expressão confusa.

– Se não vou ter detenção, posso ir embora?..- eu perguntei

– Não!..- sua resposta foi rápida e brusca demais...- Eu preciso conversar uma coisa com você..- ele regulou o tom de voz novamente.

– Sinto muito senhor, mas creio que não temos nada para conversar a não ser se for assunto do nosso trabalho de pesquisas ou a detenção..- eu disse com o coração apertado, aquilo estava sendo torturante. O que ele queria afinal?

Passou-se segundos e o silêncio ainda permanecia entre nós até que ele o quebrou.

– Bom, então pode ir embora Granger, se é o que você quer!..- ele estava penetrando a minha alma com os olhos, havia um pouco de tristeza a mais naquela noite.

O tão temido mestre de poções parecia estar se rendendo a algo.

– Boa noite senhor..- foi só o que eu disse, me virei e caminhei até a porta até tocar na maçaneta.

– Hermione!

Só poderia estar ficando maluca. Ele havia chamado o meu nome de uma forma desesperada, como se quisesse que eu ficasse ali o resto da noite.

Me virei para ele esperando que ele dissesse alguma coisa.

– Sim senhor?!

– Eu te amo!..- ele ainda gaguejou essa pequena frase.

Agora sim eu não estava acreditando. Ele disse mesmo isso?!

Uma lágrima rolou pelo meu rosto. E minha boca se abriu e fechou sem dizer nada. Até que tive algo pra dizer.

– Que tipo de brincadeira está tentando fazer comigo agora professor? Já não basta o tanto de vezes que me humilhou e que disse que não sentia nada por mim, uma simples pirralha, e agora vem dizer que me ama?! Espera que acredite?..- eu perguntei já um pouco alterada.

– Não estou brincando. Acha que eu perderia o meu precisoso tempo fazendo brincadeiras de crianças?!.- ele perguntou chegando um pouco mais perto.

Eu relaxei um pouco mais no meu lugar e meu coração ao mesmo tempo começou a bater mais rápido.

– Então por que isso agora? Se realmente me ama, por que não disse antes?

– Eu só não queria dar o braço a torcer Gran-Hermione..- ele se corrigiu.

Fiquei um momento analisando e em silêncio.

– Eu não sei direito o que fazer..-abaixei minha cabeça tentando raciocinar.

– Shiii!..- ele colocou o dedo indicador sobre meus lábios, agora eu podia sentir o seu cheiro forte de ervas, era tão bom! E eu não havia percebido quando ele tinha chegado tão perto..- Eu também não.

Só senti meu lábios sendo cobertos por outros igualmente quentes e ágeis, retribuí da mesma forma, rápido e urgente como se nós pecisássemos daquilo mais do que nunca.

Suas mãos passeavem pelas minhas costas e as minhas por seus cabelos lisos, ele trilhou alguns beijos pelo meu pescoço até nos separarmos com as respirações descompassadas e depois de passar segundos olhando nos meus olhos, ele fez uma coisa que eu não esperava, apenas me abraçou forte. Eu ainda não sabia o que fazer.

– Deixa eu te mostrar que eu sou diferente e que eu posso ser melhor?..-a voz rouca dele soava em meus ouvidos.

Minhas pernas ficaram bambas de repente, ele me desarmou com esse pedido.

– Eu não sei, você é meu professor e isso não é certo. O que Dumbldore e os outros diriam se soubessem que eu estou me relacionando com o meu professor? E o Harry? Ele vai surtar e não vamos nem falar do...- mas ele não me deixou terminar.

– O Weasley? Não me diga que você ainda se importa com aquele idiota que só te fez sofrer Hermione?!

– Ele, apesar de tudo, é meu amigo ou era. Eu não sei na verdade, ele pareceu mudar..- eu disse incente.

– Ora Granger! Use a razão, ele não é seu amigo e deixe que os outros falem o que quiserem, quanto a Dumbledore saiba que ele mesmo me incentivou a dizer a você o que eu sentia, e sobre o seu amiguinho Potter, posso dizer que eu não me importo muito com a reação dele..- ele já havia me soltado e agora estávamos um de frente para o outro.

– Está bem Snape, mas não faça eu me arrepender de ter te dado essa chance..- eu dise tentando parcer séria.

– Pode me chamar só de Severo.

– Sim Severo..- eu disse testando aquela nova fra de chamá-lo e corei levemente.

Ele continuava com a mesma pose do tão temido mestre de poções, mas agora estava mais leve e pareceu-me loucura novamente por ter pensado que vi um pequeno sorriso em seus lábios finos.

– Se quiser pode ir, sua detenção já acabou..- ele disse apontando para a porta.

– Tudo bem, hoje foi um dia cheio!..- eu disse me retirando da sala, mas voltei antes de fechar a porta para dizer algo a ele...- Eu gosto de você Severo, agora faça eu te amar..- dei uma piscadela e um sorriso simpático enquanto eu o via sentado em sua mesa novamente com um sorriso malicioso no rosto.

Fui para o meu dormitório com um sorriso na boca. Não sei se meu envolvimento com ele já era um namoro ou coisa parecida, não sabia se iria dar certo, afinal é do Snape que estamos falando, mas faria valer apena o tempo que passaríamos juntos.