- Vai me dizer o que pretende fazer Granger?...- a voz de Draco Malfoy se fez em um tom natural assim que os dois entraram no dormitório da Grifinória que ficava nas masmorras.
- Primeiro você tem que me contar o que estava fazendo na Sala Precisa.
Hermione se sentou em sua cama olhando para o loiro que mexia em um objeto em cima de um criado mudo.
Ele respirou fundo e deu um suspiro. A voz de Draco começou a sair um pouco mais baixa do que quando entraram no quarto.
- O Lord das Trevas me deu uma missão, ele quer que eu mate Dumbledore. Estão planejando invadir Hogwarts e eu preciso concertar aquele armário que você viu na Sala Precisa. Vários Comensais da Morte vão sair do armário sumidouro e tocar o terror na escola se alguém não impedir...- ele terminou de dizer aquela frase de maneira sugestiva para a loira.
- Então, você já é um deles não é?!..- a expressão de derrota no rosto de Hermione era visível e aquilo foi como uma pontada no peito de Draco.
- Não me olhe assim Granger! Eu não tive escolha. Ele ameaçou torturar e matar minha mãe.
Uma lágrima apareceu escorrendo pela pele branca do rosto do Sonserino.
- E ele vai fazer isso se eu não concertar esse maldito armário e matar O velho caduco.
Agora ele passava as mãos pelos cabelos loiros, não mais incrivelmente arrumados, nervosamente.
- Calma, nós vamos dar um jeito, mas eu vou ter de falar com o Harry e você vai ter de falar tudo isso para Dumbledore também.
- Você ficou maluca?...- Draco gritou um pouco alto demais e logo em seguida percebeu a sua alteração e voltou ao normal..- Assim que o Lord descobrir que eu contei os planos dele para aliada do Santo Potter ele mata minha mãe e vem atrás de mim também, sem falar que ele vai atacar a escola de qualquer jeito, estando Dumbledore vivo ou não.
Agora Hermione via o desespero nos olhos do loiro. Ela se levantou da cama e caminhou até a sua frente. Draco apenas a observava, fazia algum tempo que ele já se sentia atraído por ela, sentia alguma coisa a mais que o ódio que fingia ter.
Ele ficou parado enquanto a Grifinória pegava seu braço esquerdo de levantava a manga comprida da camisa dele que cobria quase todo seu braço, deixando de fora apenas uma pequena parte do seu pulso.
Ela levantou a manhã quase que por completos viu ela lá. A marca negra. A marca que era o símbolo de um louco com obsessão pelo poder. Ela contrastava tanto com a pele pálida do garoto, era como uma marca entranhada que nunca mais sairia dali.
Hermione passou os dedos por cima daquele desenho infernal e sentiu a maciez que era Draco. Ele era cheiroso, macio e bonito, qualquer garota de Hogwarts mataria para ter um encontro com ele em Hogsmead, mas ELA estava ali com ele!
Naquele minuto ela levantou os olhos para olhar nos dele. Tão profundos, azuis cor de tempestade. Tempestade essa que Hermione adoraria tentar acalmar, por que ela sabia que Draco era incontrolável se quisesse.
Aliás, ela sabia que qualquer bruxo ou bruxa poderia ser grande, bastava apenas querer libertar a sua força interior.
- Vamos dar um jeito nisso tudo..- ela disse sussurrando sem desviar os olhos dele.
A proximidade dos dois era muito interessante. Os corpos pareciam estar atraídos e em transe. Ela não conseguia explicar o que estava acontecendo, mas só sabia que não deveria sair dali ou quebrar o contato visual.
Sem parar de tocar o braço do Sonserino ela foi se aproximando mais, assim como ele também o fez até pararem novamente respirando descompassadamente sem ao menos terem feito algum tipo de esforço.
De repente, um barulho surgiu quebrando o silêncio bom que os dois haviam construído entre eles.
- Mas o que está acontecendo aqui?...- a figura de severo Snape se encontrava na porta parado, perplexo. Traição? Na altura do campeonato ou devo dizer na altura da guerra?
Hermione soltou o braço de Draco e os dois se afastaram rapidamente. O loiro praguejava mentalmente a chegada de seu professor, que também era seu padrinho.
A loira só abrira a boca mas nada saiu. Palavras era o que lhe faltava na hora. Mas o que estava acontecendo com ela?!
- Professor? O que faz no meu quarto uma hora dessas? E quem lhe deu permissão para entrar assim?...- finalmente saiu alguma coisa da boca da Grifinória, mas saiu um pouco mais grosseiro do que realmente queria falar.
- O que estou fazendo no seu quarto Granger? Simples! Eu ouvi um grito que parecia ser de raiva vindo daqui, queria ver o que estava acontecendo. Agora você te que explicar o que o senhor Malfoy está fazendo aqui no seu quarto a altas horas da noite.
- Padrinho acalme-se! Não é nada disse que você está pensando. Sei que gosta da Granger, mas eu não ia fazer nada com ela. Aliás, ela já sabe da minha missão, foi isso que eu vim fazer aqui no quarto dela. Você não queria que eu dissesse a ela que eu tenho que matar Dumbledore no meio dos corredores não é?!
A voz de Draco foi ouvida dando uma desculpa, na verdade era justamente aquilo que eles estavam fazendo, mas um clima diferente invadiu aquele quarto e havia baguncado tudo.
- Entendo, e você veio pedir ajuda justamente para Granger?
- Você não me ajudou muito não é mesmo Snape?...- a voz de Draco agora era um pouco raivosa...- Pelo menos sei que Hermione vai tentar me ajudar.
Uma carranca maior ainda se fez no rosto do mestre de poções. Que intimidade era aquela com a sua Grifinória? Eles iam mesmo se beijar se ele não os tivesse interrompido?
- Maldição!..- praguejou Snape.
- Será que dava pros dois pararem com essa discussão idiota. Não estamos aqui para disputar quem vai ficar comigo ou não, nosso objetivo é unir forças e ajudar uns aos outros...- foi só o que Hermione disse olhando de um para o outro.
[...]
-
- Ah! Bom dia, Hermione..- o garoto de cabelos escuros curtos sentava-se agora ao lado da garota na mesa da Grifinória.
O café da manhã já estava servido quando Taylor chegou. Ele agora mantinha uma boa amizade com Hermione sabendo que era só isso que ele poderia ter dela.
- Bom dia Tay! Você vai para as pesquisas hoje à noite não é? Não vai me deixar sozinha com Snape, por que só pela cara dele na mesa dos professores vejo que ele está com um humor do cão, e olha que o Fofo deve ser mais simpático que ele...- ela deu uma risada e observou o garoto não entender a referencia.
- Fofo? Quem é fofo...- a expressão de Taylor fez Hermione rir um pouco mais.
- Um dia eu te conto essa história..- ela fez uma pausa e depois suspirou, arregalou os olhos como se tivesse tido uma ideia repentina...- Sinto que não vamos passar mais muito tempo em Hogwarts.
E mais uma vez o bruxo brasileiro expressava confusão.
