Boot Camp

Por: Snowdragonct

Tradução: Aryam



N/T!

Olá! Aqui é a Aryam McAllyster, do Grupo de Traduções GW, tudo bom?

Sou a tradutora de Boot Camp, Lawless Hearts, Los Herederos de Low e várias outras que já foram postadas no xyzyaoi e outras ainda no aguardo da estréia do site para serem postadas.

Vim aqui dizer que para facilitar minha vida, estou transferindo todas as minhas traduções para a minha conta do ffnet, Aryam McAllyster, elas passarão a ser atualizadas *apenas* na minha conta. Não vou tirar nenhuma fic do perfil do Grupo de Traduções e também não sai do Grupo. Este será o último capítulo a ser atualizado por aqui, os seguintes já continuarão na minha conta, normalmente. Tentarei atualizar mais constantemente.

Fiquei muito tempo sem entrar no perfil do Grupo por várias razões pessoais. Estou agora num momento bem conturbado da minha vida, estou me mudando para outra cidade, faculdade, trabalho, vários cursos extracurriculares, enfim, não quero justificar a demora para as atualizações (me desculpe, de qualquer forma), mas para mim se tornou um grande inconveniente administrar dois perfis quando posso ter muito bem apenas um. Perdi a senha e foi um parto para encontrá-la novamente, junto com o e-mail do grupo; não é algo que posso deixar anotado por aí para qualquer um pegar e meu computador é compartilhado. Além do mais, a cada capítulo postado, preciso repetir que não sou o "Grupo" e "não, não sou a Illy", sou a Aryam. Não é algo que me chateie, mas acaba sendo cansativo, pois faço questão de responder (ou no mínimo agradecer) *todos* os comentários que recebo.

Desculpe mesmo o inconveniente, espero não estar sendo um estorvo.

Obrigada pela compreensão e por acompanhar as traduções minhas e do Grupo.
Abraços!

~Aryam McAllyster


Comentários, como sempre, respondidos no final.



Campo de Treinamento

Capítulo Nove: Sutilezas

Sábado de manhã ocorreu normalmente até o fim do café, e logo em seguida o capitão apareceu para fazer os anúncios semanais.

"Essa manhã, ao invés de classes, terão tempo livre para lavanderia e limpar os alojamentos," falou para todos. Avaliou calmamente o cômodo. "É de minha experiência que um ambiente limpo e ordenado é essencial para planejar missões. E a partir da semana que vem, teremos alguns exercícios de planejamento. Quero seus quartos arrumados, suas meias enroladas e roupas perfeitamente dobradas nos baús." Seu olhar negro se estreitou. "Haverá uma inspeção à tarde e o time com o alojamento mais sujo vai limpar o banheiro... centímetro por centímetro, até os cantinhos dos azulejos."

"Ai," Duo murmurou, encarando suas mãos limpinhas. "Sem mais trabalho doméstico pra mim! Lavei pratos para.... bem... por um batalhão."

Tudo o que ganhou com sua piada infame foi olhares descontentes de seus colegas, e suspirou, voltando seu foco para o sucrilhos.

Após a refeição, retornaram para os quartos, tiraram a roupa de cama e recolheram os uniformes sujos, juntando tudo e levando para o prédio da lavanderia.

"Ei, Yuy... Não cheguei a tomar banho ontem à noite... depois de trabalhar na cozinha o dia todo. Se importa se eu pegar uma chuveirada e encontrar vocês depois?" Duo perguntou.

"Não sozinho, Maxwell... leve Winner com você."

Duo não gostou da idéia, jogando um olhar desconfiado para Quatre. "Heero... já te falei, sou bem capaz de me defender. Dei uma sova no Austin, não dei?"

"Ninguém vai sozinho," Heero continuou inflexível.

"Mas Quatre não quer..."

"Eu vou," o loiro afirmou.

Duo o encarou raivoso. "Não precisa."

"Já disse que vou!" Quatre se irritou, retribuindo o olhar com uma raiva incomum ao seu caráter.

Heero olhava confuso de um para outro e Trowa esperava na porta com os braços cheios de roupa suja. Quatre entregou sua pilha de panos para Heero. "Por que vocês dois não vão na frente? Preciso de um minuto com Duo."

Heero deu de ombros e saiu, Trowa em seus calcanhares.

"O que quer, Winner?" Duo interpelou. "Pensei que preferisse ficar vestido perto de mim, considerando o que sou."

"Duo... você não entende e nem me deu uma chance para explicar." Quatre encarou de volta com a mesma força.

"Não há o que explicar," Duo se resignou. "Abri minha boca grande quando não devia. E não importa o quanto eu repetir que nunca daria em cima de um hetero ou de um cara que não está interessado, você nunca mais vai ficar confortável comigo de novo."

Quatre rangeu os dentes. "Merda, Duo! Dá pra me ouvir?"

Duo piscou, abobalhado de ouvir um xingamento saindo da boca do loiro.

"Eu só fiquei surpreso quando você se revelou de modo tão casual, toda a minha vida precisei ser cuidadoso pra quem admitia algo assim."

O queixo do rapaz de trança caiu, entendendo o sentido das palavras do outro. "Quer dizer que você...?"

"Pois é," Quatre falou baixo. "Eu."

"Oh," Duo conseguiu dizer estarrecido, sua raiva se esvaindo no mesmo instante. "Certo." Esfregou a nuca, enrubescendo. "Cara, me sinto muito idiota," comentou com um leve sorriso.

"Por quê?"

"Oras, eu assumi algo completamente oposto... que você reagiu daquele jeito porque... bem, você sabe."

"Eu não sabia como responder... e você não me deu tempo para pensar," Quatre ressaltou.

"Acho que não." Duo sentou-se na beira da cama de Heero, passando a mão na franja. "Acredito que te devo desculpas. Desculpe por ter ficado na defensiva."

"Tudo bem," Quatre o assegurou. "Eu devia ter dito algo mais do que 'oh'."

"Ajudaria," o de trança admitiu. Olhou para Quatre timidamente. "Acha que podemos ser amigos de novo?"

"Nunca deixamos de ser," Quatre sorriu feliz. "Mesmo amigos têm desentendimentos, Duo."

"É, acho que têm." sorriu travessamente. "Então tudo bem em vigiar a retaguarda um do outro?"

"Como você disso, você e eu somos bonitos demais para estar aqui," Quatre sorriu de canto. "Anda... para os chuveiros e ajudar nossos tão sérios colegas a terminar de lavar a roupa."

Ambos pegaram uniformes limpos, toalhas, sabonetes e xampus. Estavam quase nos chuveiros comunais quando uma voz os fez parar.

"Maxwell, Winner!"

O par parou, virando para encarar o carcereiro Kushrenada. Duo automaticamente ficou tenso, olhando de soslaio para seu amigo. Imaginou, por um segundo, se Chang não teria mudado de idéia e decidido mandá-lo embora afinal de contas.

Claramente Quatre pensou o mesmo, pois ficou ombro a ombro com seu companheiro de trança, determinado a apoiá-lo.

"Está tudo bem com vocês?" perguntou o homem, olhando de um para outro.

"Tudo, senhor," Quatre respondeu baixo.

Duo apenas encarou o odiado chefe da guarda, aqueles olhos fulvos semicerraram. "Nada a declarar, Maxwell? Isso é novidade," comentou sarcástico. O olhar do homem recaiu nas toalhas e roupas carregadas pelos garotos. "Estão a caminho do chuveiro?"

Nããão, imagina! Um sorriso irônico alcançou os lábios de Duo.

"Sim senhor," Quatre respondeu educadamente, olhando rapidamente para Duo com um quê de pânico. Não lhe dê uma desculpa, Duo... por favor! "Hum... temos que ajudar nossos companheiros com a lavanderia," explicou. "Precisamos ir andando."

"Ah, sim, claro." O diretor analisou Quatre especulativo. "Posso antes conversar com você em particular, Winner?" Virou-se para ver a expressão surpresa no rosto de Duo. "Se nos dá licença, Maxwell."

O rapaz de trança ficou boquiaberto e tentou bolar alguma resposta que não lhe trouxesse problemas.

"Vá!" ordenou Kushrenada.

Duo piscou e lançou um olhar questionador para Quatre. Diretor ou não, não pretendia desertar seu amigo.

"Tudo bem," o loiro deu de ombros. "Pode ir. Apenas... tenha cuidado."

"Pode deixar," o jovem de trança respondeu se afastando lentamente, ainda olhando por cima do ombro vendo o carcereiro conduzir Quatre para o seu escritório. Assim que a porta se fechou, correu para o prédio da lavanderia para encontrar seus colegas de time.

Quando derrapou virando uma esquina, todos se viraram para ele surpresos, e decidiu se deter, olhando a sua volta envergonhado. Todos os internos estavam ali, usando as várias máquinas de lavar, ainda mais ou menos agrupados em seus respectivos times. Duo finalmente encontrou Heero e Trowa no canto, do outro lado, e foi de encontro a eles.

"Qual o problema, Du-o?" Austin chamou maliciosamente quando o jovem passou por ele.

"Nada que te encher de porrada não resolva," Duo rosnou sem interromper o passo. Estava fora do alcance de Austin antes de ouvir uma resposta e segurou o ombro de Heero e Trowa, puxando-os para uma conferência. "Hei, Kushrenada nos abordou a caminho dos chuveiros... levou Quatre para uma espécie de 'conversinha'," falou franzindo o cenho.

"O que o diretor poderia querer com Quatre?" Trowa perguntou, seu olhar se focando em Heero de imediato.

"Como eu saberia?" o líder fez uma careta, virando-se para a porta como se esperasse o loiro aparecer por ali a qualquer momento.

"Ele não pode estar com problema," Duo insistiu. "Ele não fez nada de errado. Nunca se meteu em confusão, nem uma vez sequer."

"Ao contrário de você," Heero não resistiu de comentar.

"Há-há. É, ao contrário de mim," Duo admitiu.

"Talvez o pai dele reconsiderou em tirá-lo daqui," Heero teorizou, jogando o resto da roupa suja na máquina e apertando o botão para ligar.

"Como assim?" Duo perguntou. "Reconsiderar? Quer dizer que o pai dele o deixou na prisão de propósito?"

Trowa murmurou um palavrão. "Está se intrometendo de novo, Maxwell."

"Estou preocupado," Duo rebateu.

"É por isso que mal fala com ele desde ontem?"

Duo virou-se para o companheiro de olhos verdes. "E você com isso, Barton? Quatre e eu tivemos um pequeno desentendimento. Só isso."

"Ele disse que você estava puto com ele."

"Estou – estava," Duo corrigiu e rugiu em frustração. "Olha, estando bravo com ele ou não, não quero que nada de ruim aconteça com ele, ta legal?"

"Se preocupar não vai adiantar," Heero declarou asperamente, sentando-se num banco que ia de ponta a ponta no local. "O melhor que podemos fazer é esperar aqui. Assim ele vai saber onde nos encontrar."

Duo bufou. "Desculpe por me preocupar com alguém," resmungou, jogando suas roupas e a toalha no banco e caindo ao lado de Heero.

"Você tem um jeito engraçado de demonstrar," Trowa murmurou de volta, sentando do lado oposto do líder do time.

"Vai se foder, Barton! Pra sua informação, Quat e eu já fizemos as pazes," Duo rosnou.

"Qual foi o problema entre vocês?" Heero perguntou, erguendo uma sobrancelha de modo curioso.

Duo rodou os olhos. "Não é da sua conta, Yuy."

Trowa sorriu malicioso, um brilho penetrante no olho verde visível por debaixo da franja. "Briga de casal?" perguntou baixinho.

Os olhos de Duo se arregalaram, e então fulminou o mais alto mortalmente. "Só pra constar, Barton, Quatre e eu somos apenas amigos. Bons amigos." Estreitou os olhos, sorrindo de canto. "Com ciúmes?"

Foi a vez de Trowa lançar um olhar mortal, mesmo com um leve rubor subindo nas maçãs de seu rosto. "Não tenho motivos pra ter ciúmes de você, Maxwell."

"Mas do Quat tem, não tem?" Duo provocou.

"Essa conversa já foi longe demais," Heero falou sem rodeios, mandando um olhar azul severo para o de trança. "Pare, Maxwell."

Duo parou, momentaneamente atemorizado pela intensidade no olhar do líder. Por um ou dois segundos, ficou sem palavras, mas então, sua sagacidade retornou e retrucou o olhar com firmeza. "Me obrigue."

Os olhos azuis tremeluziram e algo próximo a um sorriso malicioso tocou os lábios de Heero. "Oh, eu poderia," falou num sussurro que fez o coração de Duo vacilar.

O jovem de trança tentou interpretar a expressão do outro e se encontrou totalmente perdido. Não conseguia entender se ele estava brincando, provocando ou ameaçando. Mas tinha uma certa certeza de que não estava flertando. Mas que merda!

Soltando um suspiro frustrado, Duo se levantou recolhendo suas coisas para tomar banho. "Vou esperar por ele lá fora. Nunca chegamos aos chuveiros."

"Espere pelo Quatre," Heero comandou. "Não saia por aí sozinho."

Duo rodou o ollhos. "Sim, mamãe Yuy."

"Me chame assim de novo e morra," Heero avisou calmamente, observando Duo bater os pés e bufar de raiva.


Quatre seguiu o carcereiro até o escritório, nervosamente olhando em volta. Sentia quase como se entrasse em uma realidade alternativa; o cômodo era tão elegantemente mobiliado que parecia completamente fora de contexto num reformatório. Tapetes importados, grande mesa de carvalho, duas espadas cruzadas dependuradas acima da porta; parecia mais a sala de um acadêmico rico do que de um administrador de prisão.

"Ah, gosta de espadas?" perguntou o diretor, seguindo o interesse do loiro.

"São... muito interessantes, senhor," Quatre falou com certo desinteresse. Voltou-se para o moreno em expectativa.

"Sente-se," Kushrenada encorajou, mostrando a cadeira na frente da mesa.

Quatre se afundou no estofamento de couro macio, analisando cuidadosamente o homem alto.

O diretor sentou-se no canto da mesa, perto de Quatre, inclinando-se para frente, atencioso. "Sei que não conseguiria falar livremente lá fora, perto de Maxwell. Achei que uma conversa particular seria mais fácil."

"Sobre...?"

"Está mesmo bem, Winner?" Treize gesticulou amplamente. "Quero dizer, vindo de onde veio... para um lugar como esse." Fixou um olhar preocupado no garoto. "Deve ser muito difícil pra você."

"Hum... um pouco," Quatre deixou escapar, imaginando o que o carcereiro queria com ele.

"E ser enfurnado com o tipinho do Maxwell..." Kushrenada acrescentou. Olhou intensamente para Quatre. "Ele não... te ameaçou ou algo do tipo?"

O homem soava quase esperançoso e Quatre ficou na defensiva. "Pelo contrário," respondeu rápido. "Duo é um bom amigo."

"Ah, um amigo." O homem sorriu indulgente. "Ele certamente consegue ser charmoso quando quer." Os olhos caramelo se fixaram afiados nos azuis gentis. "Sabe que é tudo falsidade, não é?"

"Senhor?"

"Acredito que Maxwell não lhe contou porque foi encarcerado." O diretor Kushrenada se levantou, indo até a janela gradeada. Contemplava o pequeno jardim fechado atrás de seu escritório. "Então me deixe te informar." Voltou-se novamente para Quatre. "A primeira vez que o prendemos, ele era suspeito de assassinato."

"Duo?" Quatre ficou boquiaberto, espantado, a imagem sorridente de Duo apareceu em sua mente. "Não pode ser."

"Eu fui o policial que o prendeu, Winner. É verdade... recebemos denúncias de uma série de invasões. Uma resultou em assassinato. Quando pegamos Maxwell, o modus operandi encaixava perfeitamente."

Quatre franziu o cenho.

"Claro que o defensor público apelou para sua idade e beleza e conseguiu sua liberdade," o diretor deu de ombros, jogando as mãos pra cima num gesto de rendição.

"Então não foi condenado."

"Não. Ele se safou."

Quatre observava inquieto o homem de ombros largos, lembrando a si mesmo que este era o homem que fez Duo ativar a defesa da cerca de perímetro. Apesar do seu tom de voz interessado, ele era capaz de muita crueldade.

"Você parece aflito," falou com um sorriso gentil. "Posso providenciar uma mudança de alojamento, talvez..." Sua testa se contraiu. "Claro, Chang tem a palavra final, e por qualquer razão ele parece inexplicavelmente tolerante com o passado de Maxwell." Fixou seus olhos fulvos no rosto de Quatre. "Estou perturbado que talvez ele espere por algo... desafortunado... acontecer antes de levar Maxwell a sério."

Quatre raciocinava furiosamente, tentando entender aonde o diretor queria chegar. "Tenho certeza de que o capitão Chang não colocaria ninguém em risco."

"Oh... certamente não de propósito," Kushrenada cantarolou, balançando a cabeça pesarosamente. "Ele é um idealista, Winner. Tenta ver o melhor nas pessoas." Seus olhos se semicerraram. "Mas no caso de Maxwell, ele está muito enganado."

"Acho que não," Quatre comentou baixo.

"Ah é?" o tom de Kushrenada era mais frio. "Você acha que sabe como lidar com o verdadeiro Duo Maxwell?"

"Acho sim!" Quatre o assegurou. "E ele não é um assassino."

O carcereiro resfolegou cético. "E você sabe disso depois de menos de uma semana com ele, é?" Seu rosto ficou sombrio. "Maxwell e eu nos conhecemos a mais de cinco anos."

O raciocínio veloz de Quatre fez as contas. "Está dizendo que ele matou alguém quando tinha doze anos?"

"Como eu disse, nunca provamos... mas ninguém mais foi acusado do crime. Foi Maxwell... escreva o que eu digo.

Os olhos azuis encararam Kushrenada com um traço de descrença.

"Vejo que não quer acreditar," suspirou o diretor, encobrindo sua irritação com paciência.

"Mesmo que eu acreditasse, não há nada que eu possa fazer," Quatre deu de ombros, ansioso para terminar essa conversa.

"Ah, mas tem sim," Treize insistiu. "Tudo o que tem que fazer é me dar algo para usar contra Maxwell e posso mandá-lo para L2, onde é o lugar dele."

"Quer que eu te ajude a armar pro Duo..."

"Não! Não 'armar' pra ele. Mas com certeza ele fez algo... vamos dizer... que o incriminaria. Não quebrou alguma regra?" Suas sobrancelhas se uniram numa expressão carrancuda. "Ouvi que ele mandou outro garoto para a enfermaria ontem."

Os olhos de Quatre se arregalaram percebendo a verdadeira razão de toda a conversa. O diretor Kushrenada queria uma desculpa para mandar Duo para a cadeia... qualquer desculpa. E isso fez o loiro duvidar das acusações. "Foi apenas um incidente na aula de artes marciais," Quatre contou como se não fosse nada. "Estavam demonstrando uma técnica e Duo calculou mal." Ainda não perguntara para o amigo o que transcorrera entre ele e Austin, mas fez uma anotação mental para se lembrar de fazê-lo, assim que pudesse se livrar do vingativo carcereiro.

"Maxwell não calcula mal," resmungou Kushrenada.

"Mesmo?" Quatre perguntou com falsa confusão. "Como ele foi pego então?"

O homem hesitou, encarando quase acusatoriamente Quatre. "Foi preciso de um trabalho bem cuidadoso para finalmente montar um caso contra ele. Nunca o pegamos por assassinato... mas por todo o resto. Furto, agressão, falsidade ideológica, invasão, posse de bens roubados..." Fez uma pausa dramática. "Preciso continuar?"

"Talvez precise me explicar o que isso tem a ver comigo," Quatre sugeriu, a voz cortante.

"Tem tudo a ver com você!" o homem se exaltou, tornando-se frustrado. "Não percebe o perigo que está correndo?"

"De Duo?" Quatre perguntou diretamente, quase rindo da cara do homem.

"Sim, por causa de Du- Maxwell! Ele é um assassino." Os olhos do diretor estavam enlouquecidos. "Se visse o corpo... tinha mais de quarenta facadas, Winner. Quarenta! Quer ser o próximo?"

"Claro que não, mas você-"

"Então preciso da sua ajuda!" Treize andou de um lado para o outro na frente da janela, até finalmente se voltar para o garoto. "Ajude a me livrar de Duo Maxwell!"

"Como eu estava dizendo..." Quatre continuou, seu tom se tornando frio como um iceberg. "Não acredito que Duo me machucaria ou a qualquer outra pessoa."

"Seu ingênuo idiota!" O carcereiro analisou Quatre. "Seu lugar não é aqui, Winner. Claramente você é melhor do que isso. O que um garoto como você está fazendo com uma sentença de prisão pendurada sobre a cabeça é além da minha imaginação."

"Acredito que tenha a ver com o fato de eu ter quebrado quase tantas leis quanto Duo," Quatre replicou, sua ira dando-lhe atrevimento. "Agora, terminamos ou essa conversa tem algum objetivo?"

"Tem um objetivo. Se me ajudar a me livrar de Duo Maxwell, vou me assegurar para que não vá para a prisão de L4." O diretor tornou-se predatório ante o tom desafiador de Quatre.

"E se eu não quiser?"

O carcereiro deu de ombros, dando as costas para a janela e cruzando os braços. "É difícil prever o que poderia acontecer." Olhou para trás, rangeu os dentes no que poderia se passar por um sorriso se Quatre não soubesse melhor. "Você é uma graça de pessoa, Winner. Uma sentença seria... infeliz... para você."

"Não posso te ajudar," Quatre disse firmemente. "Posso ir agora, senhor?"

"Não seja estúpido, Winner. Maxwell gastou toda sua vida miserável roubando e se prostituindo nas ruas de L2. Ele não vale à pena proteger."

"Vale para mim." Quatre ficou de pé, indo para a porta.

"Marque minhas palavras, Winner, confie suas costas para o Maxwell e encontrará uma faca fincada nela!"

"Vou correr o risco," foi a resposta do loiro antes de sair rapidamente. Suas mãos tremiam, respirou fundo tentando se acalmar a caminho do prédio da lavanderia.

Duo o viu cruzar o campo e correu a seu encontro, olhos índigo acesos de preocupação. "Quat! Você 'ta legal?" Segurou o amigo pelos ombros, notando a palidez no rosto.

"Estou bem, Duo."

"Mas o que ele queria?"

Quatre concedeu um pequeno sorriso cansado. "Basicamente, queria saber se você fez algo que te dê uma passagem só de ida."

"Eu?" Duo perguntou com a voz aguda. "Era sobre mim?" Seu rosto ficou branco e seus braços caíram. "Mas..."

"Não se preocupe, Duo. Eu disse que você é um bom amigo e que ele está totalmente errado sobre você."

O jovem de L2 recuperou sua pose. "Com certeza adiantou muito," zombou sarcasticamente. "Desculpe por isso, Quat. Espero que ele não cause problemas para você."

"Vai ser difícil ele conseguir," Quatre desprezou. "Afinal, ainda faço parte da família Winner." Ele apertou as roupas que ainda segurava. "Vamos tomar banho. Preciso mesmo de uma chuveirada depois de conversar com o Kushrenada."

Duo sorriu de canto. "Sei como é." Pegou suas coisas e se juntou ao amigo. Enquanto caminhavam, pendeu a cabeça para o lado. "Você se foi por um tempo. O que exatamente ele tinha pra dizer?"

"Ele perguntou se eu tinha medo de você... se você fez algo contra as regras." Quatre balançou a cabeça. "Ele começou todo amigável, como se estivesse preocupado comigo." Sorriu levemente. "Eu sabia que não era o caso. Não era sincero. Tenho um sexto sentido para... bem, sentir as intenções das pessoas."

"Sério?" Duo o observou curioso. "Tipo... ler mentes?"

"Empatia," Quatre corrigiu. Deu de ombros, ficando com o rosto rosado. "Sei que soa estranho..."

"Não!" Duo falou rápido. "Não estranho. Já ouvi falar disso." Tentou acalmar o amigo. "Só que nunca conheci alguém com esse dom."

"É como eu soube desde o primeiro dia que posso confiar em você," o loiro revelou. "Mesmo ontem... sabia que você estava mais magoado do que com raiva de mim."

Duo corou, olhando para o chão. "Não saia contando isso por aí," implorou. "Sou um rato de rua de L2. Você não deveria conseguir ferir meus sentimentos."

"Seu segredo está a salvo comigo," Quatre sorriu. "Maria-mole."

"Ooo... sai dessa," Duo riu. Abrandou seu humor quando chegaram finalmente ao banheiro e colocaram seus uniformes nos armários antes de se aprontarem. "Kushrenada disse algo mais?" perguntou, sem olhar para o amigo.

"Ele tentou me convencer de que você era capaz de assassinato," Quatre admitiu.

Duo prendeu a respiração, virando-se de repente para o loiro. "Ele ainda acredita nisso, é?" Balançou a cabeça. "Não fui eu, Quat. Você tem que acreditar em mim."

"Acredito," Quatre nem pensou duas vezes, tirando a camisa e torcendo o nariz para a sujeira dela. "Olhe para esse uniforme... como conseguimos ficar tão imundos?"

"Obstáculos," Duo suspirou. Soltou o cabelo e passou a mão pelos fios para ficarem lisos. "Ei, Quat. Obrigado por não acreditar nele."

"Sem problemas." Quatre franziu o cenho. "Mas se quer saber, ele realmente acredita que foi você, Duo. Ele não está fingindo te odiar."

"Eu sei," Duo admitiu. "Não importa quantas vezes eu jure que não tenho nada a ver com a morte... ele ainda tem certeza de que fui eu." Sua expressão se tornou uma carranca. "Tenho meus defeitos, Quat... Posso correr e me esconder, mas nunca minto." Ergueu o rosto com um curto curvar dos lábios. "Esse é o meu jeitão. Mas Kushrenada não consegue acreditar que sou inocente."

"Eu acredito," Quatre afirmou.

"Obrigado." O jovem de cabelos compridos hesitou. "Pode me fazer um favor? Não conte para Yuy e Barton."

"Por que não? Não seria melhor saberem que o chefe da guarda ainda está tentando te encurralar?"

"Eu preferiria que não." Pediu. "Não há nada que eles possam fazer e não quero eles se perguntando se K tem razão. Você confia em mim só porque pode... sentir... que sou sincero. Eles podem não estar tão inclinados a acreditar em mim."

"Entendo," Quatre solidarizou. "Acho que por enquanto podemos manter isso entre nós. Quero dizer, sendo realista, não tem muito que o K pode fazer a não ser que você desrespeite a lei. E mesmo assim, você responde para o capitão Chang primeiro, então ele que toma a decisão."

"É... valeu, Quat."

"Quando precisar."

Entraram debaixo d'água, mantendo as costas um para o outro por cortesia à privacidade, enquanto aproveitavam não ter mais ninguém por perto. Após se limparem, secarem e vestirem, retornaram para encontrar os outros companheiros de time.

"Ei, a propósito," Duo falou a meio caminho. "Acho que Trowa está de olho em você."

Quatre se voltou para ele espantado. "Trowa? Eu?"

"É, ele ficou todo nervosinho comigo por ter brigado com você ontem," Duo riu com a lembrança. "Ele achou que nós... éramos... um casal."

"Ta bom!" Quatre exclamou irônico. "Tenha dó, Duo. Você deve tê-lo interpretado errado. Duvido até que ele seja gay, e mesmo que fosse, por que se interessaria em mim?"

"Aw, não me venha com essa, loirinho," Duo provocou. "Você, meu amigo, é uma beleza... com esses olhos azuis piscina e cabelos dourados..."

"Achei que não fazia seu tipo."

"Só porque é um ótimo amigo." Duo falou. "Mas você foi o primeiro que me chamou a atenção no ônibus, bonito demais para não notar." Deu uma piscadela. "Você é muito doce e inocente para eu investir."

"Ah... você gosta do tipo perigoso?" tentou adivinhar.

Duo deu de ombros. "Não tenho certeza se é bem um 'tipo' que gosto, mas sei do que gosto quando vejo."

Heero e Trowa saiam do prédio com os braços cheios de roupas limpas quando se aproximaram. "Maxwell, por que não nos contou que ele estava de volta?" Heero exigiu saber.

Duo estremeceu de leve com o tom sério. "Estávamos prestes a fazer isso," um tom defensivo crepitava em sua voz. Fixou-se no olhar desconfiado do líder.

Quatre lançou um olhar para seu amigo, um sorriso divertido no rosto.

"Quê?" o jovem de trança reclamou.

"Oh... nada," Quatre respondeu alegremente. "Conversamos mais tarde," acrescentou.

"Sobre?" Duo perguntou novamente.

"Seu tipo," o loiro sibilou baixinho quando estavam a uma distância segura dos outros.

Os olhos índigo se viraram de modo acusatório para os azuis claros. "Não vamos não!" rosnou de volta.

"Vamos sim."

"O que estão fofocando?" Trowa se intrometeu.

"Não é da sua conta," Duo despistou arrogantemente, gostando do olhar venenoso nos olhos verdes em sua direção. Te falei, Quat, ele está com ciúmes! Pensou orgulhoso.

"O que Kushrenada queria?" Heero perguntou, focado em Quatre.

O cotovelo de Duo cutucou a cintura do loiro para lembrá-lo do acordo.

"Ele queria... fingir estar preocupado comigo," Quatre explicou vagamente. "Acho que o nome Winner o deixou com um senso de obrigação ou algo do tipo, deve pensar que pode conseguir status se me proteger."

Heero ergueu uma sobrancelha. "Ele acha que você está em algum tipo de perigo?"

"Bem, estou cercado por criminosos," o loiro brincou.

Duo gargalhou. "Uau... Olha a tomada falando do nariz de porco!"

Quatre riu também e o jovem de cabelos compridos jogou o braço nos ombros de seu amigo num gesto de companheirismo, enquanto os quatro voltavam para os alojamentos. He, morra de inveja, Tro'.

Continua...



Resposta aos comentários:

Simca, fofos mesmo! Obrigada por continuar acompanhando!

DW03, de nada! Eu que agradeço por ler e comentar. Que bom que está gostando! Demorei para postar o capítulo, então tinha que ser bem feito, ainda bem que deu tudo certo. O Austin merecia uma surra mesmo (seria ótimo ver o Heero dando uma sova nele XD), já começa a rolar um clima entre Heero e Duo, mas tem muita coisa pra rolar ainda. A história do Quatre é revelada aos poucos mais para frente; é bonitinha a interação dele com o Trowa, mas o moreno começa a ficar meio mala (pelo menos é o que eu acho, a partir desse capítulo como você deve ter lido...). Mas estou empolgando demais e daqui a pouco solto um spoiler XD Obrigada por acompanhar essa fic!

Gidy a hobbit, espero que a fic supere suas expectativas! Hum... do Heero ser mais velho do que parece? Bom, acho que posso dizer que não (não se preocupe, não tem nenhum mistério sobre isso na história), ele tem a mesma idade dos outros garotos. Isso será explorado mais para frente na história, mas ele tem 17, se tivesse mais de 18 não poderia estar num reformatório, mas a amizade dele com Chang é de infância (o Wufei que é muito novo para ser capitão, ele é prodígio). "Anjos da lei"? Caramba, essa veio do fundo do baú! O Johnny Deep ainda era moleque XD

Lis Martin, eu tardo, mas não falho, moça! Não perca as esperanças, não vou abandonar minhas traduções ^_~ as interações entre os personagens ficam cada vez melhores e mais interessantes, não perde por esperar. Também achei isso! Pega mal que todo o time WIng seja gay, mas numa prisão vários homens acabam tomando gosto por outras preferências (assim como marinheiros, por ficarem presos só com homens por muito tempo). Mas sim, parece um pouco forçado que todos os quatro acabem sendo genuinamente gays (acho que estou filosofando demais XP)... Abraços e obrigada por comentar!

Tenshi Oni, demorei a traduzir esse capítulo por simplesmente não ter tempo na vida (e outros problemas pessoais), mas não por abandono! Não se preocupe, que tentarei atualizá-la com uma certa constância. Espero que ache a história melhor a cada capítulo. Obrigada por ler e comentar!