Boot Camp

Autora: Snowdragonct

Tradução: Aryam


Nota da tradutora: Dia da publicação das fics do Desafio Amores Possíveis foi adiada! Por favor, olhem o blog por mais detalhes (link no perfil do Desafio), mas agora as fics ficarão disponíveis aqui mesmo no FFnet dia 27 (domingo) de junho. Não percam!


Campo de Treinamento

Capítulo Onze: Dia de Visitas

O dia seguinte foi o primeiro dia de visitas permitido no Acampamento Peacecraft. Após os exercícios matinais e café-da-manhã, o Oficial Carter se aproximou de Quatre e Trowa.

"Pelo jeito vocês dois têm companhia agendada," ele falou com um sorriso, balançando a lista dada pelo capitão Chang.

Quatre sorriu secamente. "Que irmã será..."

"Talvez todas as vinte e nove venham," Duo provocou no caminho de volta para os alojamentos. Virou-se para Trowa e Heero. "Acham que eles deixam isso tudo de gente entrar?"

Heero deu de ombros, continuando a estudar atentamente o movimento da trança de Duo enquanto andavam. Era uma enorme distração.

"Trowa?"

"Como posso saber?" o mais alto respondeu áspero.

Duo olhou de soslaio para Quatre, sorrindo maliciosamente. "Qual o problema dele?"

Até parece que não sabe. O loiro deu de ombros. "Ninguém vem te visitar? E a sua amiga Hilde?"

"Nah, ela e o Howard nunca poderiam pagar a passagem do ônibus espacial para vir para cá," Duo respondeu. Um leve sorriso apareceu em seu rosto. "E eles são o mais próximo de uma família que tenho."

"Então venha conhecer minhas irmãs," Quatre ofereceu.

"Deixa pra outra hora," o rapaz de trança recusou. "Não encana, Quat... Yuy e eu teremos o quarto só pra nós. Muito espaço. Ele vai poder ter um encontro romântico com sua queridinha," comentou, referindo-se ao laptop pelo apelido que lhe dera. "E eu posso me aconchegar com um bom livro." Apesar de que seria muito melhor me aconchegar com um tal líder gostosão de olhos azuis. Suspirou.

"Eles não ficarão por muito tempo. Podemos jogar basquete depois ou algo assim."

"Legal, pode ser."

Quando chegaram no quarto, Heero sentou-se em sua cama com um livro grosso; Duo pegou uma revista em quadrinho enviada por Hilde e se jogou em seu colchão.

Quatre e Trowa pentearam os cabelos e se conferiram se usavam uniformes limpos e passados. Quinze para meio-dia estavam prontos para saírem.

O loiro parou antes de passar pela porta. "Vai ficar bem, Duo?"

"Ah, claro," o rapaz de cabelos longos respondeu, fazendo pouco caso sem interromper sua leitura. "Vá se divertir."

Após a porta se fechar, Duo suspirou pesadamente. Fechou seu gibi e espiou abaixo de sua cama.

"E você, Heero? Não vai para a sala de visitas?"

"Não," respondeu com firmeza, continuando a ler seu livro sobre história e tática militares.

"E se a garota que te escreve no papel de carta rosa chiclete aparecer?" provocou.

Duo ouviu o que pareceu ser um resmungo aborrecido.

Sorrindo malignamente, tentou fazer contato visual com Heero. "Não gosta da 'Senhorita Rosa Choquei, Perua'?" pressionou, inclinando-se na beirada da cama, esforçando-se para ver o rosto do líder. Sua trança caiu, quase acertando a nuca do outro. "Ou você não gosta de garotas e ponto?" Duo arriscou com um astuto brilho no olhar.

Heero virou-se para cima rapidamente, um discreto rubor no rosto. "Não é da sua conta," rosnou.

Duo riu, e ganiu quando Heero agarrou sua trança e puxou. Um jovem assustado tombou de sua cama, esparramado deselegantemente aos pés do líder.

"Ah... merda," arfou, tentando recuperar o ar. "Já entendi a mensagem." Virou-se para os olhos azuis vagamente entretidos, e sentiu um rubor de timidez dominar as maçãs de seu rosto.

"Baka," Heero falou baixinho, a voz profunda e suave mandando arrepios na espinha de Duo. Caramba... uma voz pra se ouvir entre os lençóis.

O jovem de cabelos compridos suspirou, lutando para ficar de pé e bater as mãos na roupa, olhando atentamente para qualquer outra coisa menos a cabeça com cabelos bagunçados, mais uma vez enfiada no livro. "Babaca," murmurou sem muita convicção. Pois é, aqueles olhos azuis escuros deixavam difícil odiar o cara, não importando o quanto ele era um idiota.

O jovem de cabelos trançados escalou mais uma vez no beliche, alongando-se e folheando inquieto seu material de leitura descartado. "Que tédio," suspirou novamente.

Ouviu-se uma forte batida na porta e o Capitão Chang colocou a cabeça para dentro do quarto. "Yuy, trate de vir para a sala de visitas, agora!"

Heero o encarou surpreso. "Não tenho nenhuma família, Chan-uh-Capitão."

"Mas você tem uma visita," Wufei afirmou com uma expressão entre sorriso e careta. "Relena."

"Ooo-!"Duo cantarolou alegremente, ousando olhar para a cama debaixo. "A Senhorita 'Papel Choquei, Perua' em pessoa! Que sorte, Heero!"

"Já estou indo, Chang," o líder respondeu entre os dentes.

Wufei assentiu com a cabeça e fechou a porta.

Duo ostentava um sorrido de orelha a orelha, olhos violeta cintilando travessos. Ele engoliu um comentário irônico, sabendo que sua expressão transmitia a intenção.

Heero se levantou e se virou, ficando quase cara a cara com Duo. "Só vou dizer uma vez, Maxwell," falou com uma voz falsamente suave. "Detesto tudo o que é rosa. Se você sequer pensar na palavra 'rosa' novamente, omae o korosu!"

Duo piscou. "Omae o-quê?"

"Eu vou te matar," traduziu, olhos azuis a meros centímetros dos índigo.

"Ah," Duo reconheceu. "Entendido." Seu olhar caiu sem querer para os lábios de Heero e sua garganta secou. Ele engoliu com dificuldade e passou a língua pelos próprios lábios. "Sem mais, hum, essa cor," prometeu.

"Hn," O líder resmungou, assentindo brevemente com um cabeceio, virou-se e fechou o livro.

Duo soltou a respiração que prendia.

Então, enquanto Heero se adiantava para a porta, parou, virando-se para encontrar o olhar levemente extasiado do companheiro. "Entediado?" perguntou, lembrando-se da proclamação anterior. Jogou o grande livro para o rapaz de trança. "Leia isso em vez das bobagens em quadrinho," sugeriu.

Duo pegou o volume pesado, observando-o com cautela. "Será que não vou precisar de palavras mais simples e mais figuras?" perguntou com o tom sério. "Já que eu sou, em suas palavras, um 'baka', ou seria um 'idiota'?"

A centelha nos olhos azuis poderia ter sido surpresa como divertimento. E não continham nenhum traço de provocação quando se direcionaram a Duo. "Você não é um idiota, só age como um. Não espere que eu seja enganado com o seu teatro."

A postura de Duo era defensiva, sua expressão neutra, encarando de volta o outro rapaz, repentinamente apreensivo por ter revelado que sabia um pouco de japonês. Tinha a impressão de que Heero já enxergara através de sua máscara de bobo da corte.

"Chang vai ficar puto se eu não me apressar," o líder falou de repente. Girou e foi até a porta.

"Hei, obrigado," Duo agradeceu, erguendo o livro pesado. "Parece mesmo... intrigante."

"É, você pode até aprender alguma coisa."

"Oh, eu vou..." Tão logo a porta foi fechada, Duo descartou o livro e pulou da cama. Espiou pela janela, certificando-se de que Heero se direcionava para o salão de visitas, e sorriu maquiavelicamente. "Vou aprender sim. 'Tá na hora de uma espionagem," murmurou convencido, tirando um grampo de seu cabelo, e ajoelhou-se no baú de Quatre.

Levou apenas segundos para ele, habilmente, abrir o baú. "Heh. Melhor jeito de conhecer alguém."

Ele inspecionou entre alguns uniformes do campo de treinamento, cuecas e meias perfeitamente arrumadas, um blusão e uma jaqueta, e um estojo com coisas de banheiro. Debaixo, uma pilha de livros... um sobre estratégia de xadrez e outro sobre famosos cenários de batalhas. Ótimo... outro fanático militar no grupo. Havia também algumas fotos de Quatre com algumas garotas, Duo imaginou serem as irmãs, pois se pareciam muito. Além disso, apenas apostilas de estudo e cadernos de nota. Mas quando o jovem arrumava os objetos para apagar as pistas de sua invasão, encontrou um pequeno urso de pelúcia com um bolo de cartas de L4. Parou por um segundo, tentado a ler uma ou outra, mas decidiu deixá-las onde estavam. Sentia que já conhecia bem seu amigo e não sabia quanto tempo levaria para seus colegas voltarem. Queria ainda checar os outros dois.


Após deixar o alojamento, Heero foi revistado pelo segurança, sendo sujeitado a uma busca completa, e só então lhe foi permitida a entrada.

"Heero!" Relena exclamou em deleite, sorrindo quando ele sentou-se na sua frente do outro lado do vidro os separando. "Oh, parece que você perdeu peso. Não estão te alimentando bem?"

"A comida é boa," retrucou asperamente. "Por que está aqui?"

"Oras, para ver como você está, é claro." Ela o via com adoração. "Afinal de contas, nós nos conhecemos desde o ginásio, somos praticamente família."

"Estou bem," respondeu simplesmente. "E agradeço se não voltar."

"Mas... por quê?" seu lábio inferior tremeu.

"Porque não somos família. Não somos nem amigos. Mal somos conhecidos," declarou friamente. "E tenho planos e objetivos para alcançar aqui. Essa missão é mais importante do que suas visitas de caridade."

Os olhos da garota se arregalaram.

"É por isso que está aqui, não é?" Heero perguntou mais calmamente, mas ainda mais ameaçadoramente. "Publicidade. 'Relena Peacecraft visita o Acampamento Peacecraft'. Me diga que não tem a imprensa te esperando para uma entrevista assim que sair daqui."

O rubor a denunciou. "Por ter sido a iniciativa política do meu pai ter criado esse centro de detenção juvenil, minha visita aqui vale uma notícia." Ela ficou ansiosa. "Mas não vou dizer quem visitei!"

"Tenho certeza que seus advogados explicaram que você não tem escolha a não ser deixar meu nome de fora, já que esse é um centro de detenção juvenil," Heero falou com uma pitada de zombaria. "Não volte, Relena." Ele se ergueu e deu as costas, pedindo ao guarda que o deixasse sair.

Enquanto o guarda abria o portão, Heero deu uma olhada nas repartições ao longo do corredor e viu Quatre conversando com uma garota de idade próxima – sem dúvida uma dos vários parentes – e Trowa estava de frente a uma garota de cabelos curtos castanhos. O jovem mais alto de olhos verdes parecia desconcertado, franzindo o cenho e balançando a cabeça no meio da conversa.

"Hn. O que será isso?" Heero se perguntou indo embora.

Mas no seu caminho através do complexo, Wufei apressou-se para fora do prédio de administração, chamando seu amigo com um gesto. "Venha, Yuy, precisamos conversar. Logo terão um exercício de sobrevivência e quero sua opinião em algumas provas."


Enquanto isso, no alojamento...

Duo quase acabara de investigar os pertences de Trowa, achando tudo tão inofensivo e genérico quando os de Quatre, quando encontrou um envelope grudado no fundo. "Ora, ora, ora... O que temos aqui?" ele cautelosamente arrancou, percebendo estar aberto. Considerando o fato como um convite, abriu por completo. "Uau, cacilda!" sibilou, derrubando várias pílulas na palma da mão. "Puta merda." Apressadamente guardou-as novamente e, com dedos trêmulos, recolocou o envelope em seu lugar, cuidando para parecer como se nunca tivesse sido tirado dali.

Fechou o baú, trancou-o e sentou-se, passando a mão na franja. Que tipo de pílula Trowa escondia e por quê? Duo não fazia a menor idéia, mas sabia que receitas de remédios precisavam ser aprovadas pelo médico do acampamento, significando que os medicamentos eram ilegais e o dono poderia ser mandado para a prisão. O rapaz de L2 não queria ter nada a ver com isso. Na verdade, não queria nem saber disso e decidiu esquecer que viu algo do tipo.

Duo virou-se para o baú de Heero, hesitando. Guardara o melhor para o final. Demorou-se um momento conferindo a janela, viu o complexo ainda vazio e aproveitou a chance.

Por entre os uniformes, meias e cuecas, apenas encontrou de início alguns livros; um de armamentos modernos e um de matemática avançada.

"Cha-to," Duo cantarolou de forma monótona, tirando os livros do caminho e pegou o caderninho no qual vira o líder do time escrever no dia anterior. "Ah... que tal uma espiada nas reflexões de Heero Yuy?" Abriu o caderno para encontrar uma teia de escritas em caracteres japoneses. Mesmo falando algumas poucas frases na língua, ele ficava completamente perdido quando o assunto era a leitura. "Merda. Faz sentido." Sentou-se nos calcanhares, sorrindo de forma brincalhona, deslizando o dedo pela coluna de escrita. "Hmm, posso inventar. O que o meu pedaço de mau caminho teria a dizer? 'Querido Diário, hoje cheguei ao Acampamento Peacecraft e conheci o cara mais lindo, cativante, inteligente de todos..."

"DUO MAXWELL!" uma voz irritada se exaltou.

O jovem de olhos índigo soltou o caderninho e se arrastou para trás com um ganido assustado, parando quando suas costas encontraram a parede. Ergueu o rosto para encontrar Heero no batente da porta, braços cruzados e com uma perfeita expressão de assassino.

"Eu, eu só...!" Duo gaguejou inutilmente, rosto vermelho de vergonha. "Curioso! Estava curioso!"

"Então invadiu meus objetos pessoais para, o quê? Me espionar?" Heero se aproximou, olhos se semicerrando. "O Diretor te colocou nessa?"

"O quê? Não!" Duo rebateu, vergonha dando espaço para raiva. "'Tá me zoando? K me odeia."

"É o que você diz... mas nunca vi prova."

"Você viu o hematoma no meu rosto. O objetivo de vida do K é me mandar para ver o sol nascer quadrado em L2."

"E ele pode muito bem fazer isso," Heero acrescentou. "Você acabou de quebrar uma regra do acampamento, sem mencionar várias leis."

Duo empalideceu notavelmente. "V-você não diria... pra ele, d-diria?"

"Por que não?"

Bem, colocando dessa forma, era difícil encontrar uma razão. Ele engoliu em seco, tentando controlar seus nervos e suas mãos. "Hum... porque somos colegas?" tentou.

Heero bufou ironicamente. "Colegas não fuçam nas coisas uns dos outros, Maxwell. Não somos 'colegas'. Não somos nada!" Duo não conseguiu interpretar o que via em seus olhos; podia ser mágoa, frustração ou pura raiva.

Contra a parede, Duo tentou ficar de pé, palmas abertas na superfície atrás de si. "Não somos companheiros de time?"

"Novamente, Maxwell, colegas de time não espionam uns aos outros. Eles trabalham juntos, por um bem comum."

Duo baixou a cabeça. "Nunca estive em um time, Heero. Nunca." Engoliu novamente em seco, recusando-se a olhar para cima. "Acho que a gangue de órfãos que eu andava em L2 era assim, mas mais como família. Nosso único objetivo era encontrar comida... sobreviver. E depois que eles morreram... bem, sempre tive que tomar conta de mim mesmo ou pelo menos tentar. E isso significa encontrar o que puder sobre as pessoas a minha volta, para poder me proteger delas."

"Atacar antes de ser atacado?" O tom de Heero era menos ácido, mas ainda frio.

"Não!" Duo discordou rapidamente. "Não estou tentando 'atacar' ninguém..."

"Nem o seu 'pedaço de mau caminho'?" Heero rebateu.

Os olhos índigo se arregalaram, o rosto pálido se enrubesceu furiosamente. "V-você ouviu? Uh... modo de falar... só isso. Hum... por quanto tempo ficou na porta?"

"Não tente mudar de assunto, Maxwell." Seria isso um quê de divertimento em sua voz?

"Que assunto?"

Heero ergueu uma sobrancelha. "O assunto do que eu deveria fazer com você por ter te descoberto se enxerindo nas minhas coisas."

Duo tentou desesperadamente ler a expressão na face do rapaz estóico, procurando uma pista se era seguro tentar fazer uma brincadeira e esquecer tudo ou não.

Bem, quando todo o resto falhar, sempre sobra a sinceridade.

"Desculpa," pediu baixinho, deixando de lado a postura de confronto. Encarou o outro inseguro. "Heero... me desculpe. Eu deveria ter ficado longe das suas coisas, independente do quanto está na minha natureza investigar. Só, por favor, não conte para o Diretor. Eu, eu não quero ir para a cadeia. A de verdade." Seus olhos claros cheios de real temor. "Faço qualquer coisa... não me entregue."

"Qualquer coisa?" o líder perguntou, a face ainda neutra.

Deus do céu! Esse cara tem alguma expressão?

O rapaz de trança manteve o rosto erguido, decidido. "É, qualquer coisa." Ele não tinha idéia no preço que Heero podia estipular pelo seu silêncio, mas Duo ponderava ser melhor testar a sorte com o jovem de olhos azuis do que com o carcereiro vingativo.

O líder se aproximou do rapaz de cabelos compridos, este ainda pressionado contra a parede. Olhos azuis perfurando os índigo. "Tem tanto medo da prisão?"

Duo assentiu com a cabeça, levemente acanhado. "Fala sério, Yuy. Olha pra mim. Acha que eu teria alguma chance?" perguntou francamente, uma pontada de amargura na voz.

"Com o seu cérebro?" Heero perguntou retoricamente, tão perto agora que mal se tinha um pé de distância entre os dois. "Você sobreviveria, Maxwell."

Duo fechou os olhos, o estômago dando nós. "Então vai contar," concluiu, odiando como sua garganta se apertou e como engasgou fazendo-o quase soluçar. Meninos não choram, lembrou a si mesmo.

"Não, não vou," a resposta foi tão suave que Duo mal ouviu. Uma mão afastou sua franja e dedos deslizaram pelo seu rosto.

Então é isso... Heero não vai contar para o Diretor... mas tem que ter uma... compensação. Agora fudeu, Maxwell, você o desejava tanto... Cuidado com o que pede.

Duo engoliu em seco mais uma vez e se obrigou a não se mover. Afinal de contas, ele mesmo afirmara 'qualquer coisa'.

"Baka," foi dito como repreensão.

Nesse momento, vozes do lado de fora os interromperam. Heero deu um passo para trás, virando-se quando Quatre e Trowa entraram. Ambos pararam, notando a porta aberta e lançaram expressões confusas para seus colegas de time.

Duo sabia ostentar culpa pelo corpo inteiro e se empurrou da parede, ignorando os recém-chegados e se dirigindo ao banheiro bruscamente. Quando passou por Heero, parou. "Promessa é dívida, Yuy. O que quiser, só diga quando," murmurou insinuante.

Os olhos de Heero se arregalaram e deu meia volta a tempo de ver Duo desaparecer quando fechou a porta com surpreendente falta de veemência.

"Eita... o que interrompemos?" Quatre perguntou, erguendo uma sobrancelha.

"Nada," o líder respondeu franzindo o cenho, agachando-se diante de seu baú e distraidamente arrumando o conteúdo antes de fechá-lo firmemente. Foi até a cama de Duo, pegou o livro descartado e finalmente se jogou em seu próprio colchão, voltando a ler.

Trowa olhou para Quatre, este deu de ombros, e se acomodaram em suas respectivas camas para relaxarem um pouco.

No banheiro, Duo abriu a torneira para cobrir qualquer barulho e sentou-se contra a parede, o rosto enterrado nas mãos. Não sabia o que doía mais: a culpa de ter sido pego bisbilhotando ou de ser um completo covarde pelo que estava disposto a fazer para ficar fora da cadeia.

Continua...


Resposta aos comentários:

'Deiisoca, aqui está outro capítulo! Espero que goste. Obrigada por comentar, fico feliz em saber que continua acompanhando. *abraços*

DW03, oi! Pois é, Trowa e Quatre prometem ainda muitos empecilhos para começar alguma coisa entre eles... Se fosse fácil não teria graça, não é? E Duo adora rir a custa dos outros, então já viu...

As coisas entre Heero e Duo estão começando a esquentar. O Jason, coitado, não tem como competir com o Heero, né?

Obrigada por comentar! Espero que continue gostando da fic! *abraça*

Tenshi Oni, aqui está a atualização, como pediu ^_~ fico feliz em saber que gosta tanto dessa fic! Eu adoro ela também, me divirto bastante traduzindo e espero que curta também. Obrigada por ler e comentar!