Boot Camp
Snowdragonct
Tradução: Aryam
Nota da tradutora: Sim, dois capítulos em apenas uma semana, acreditem se quiser! Que orgulho de mim mesma XD Mas isso tem um motivo, e o motivo é... você! Minha querida amada e fofolucha leitora!
Pois é, senti que chegou a hora. Eu queria agradecer de verdade, de coração, as leitoras (e leitores também, sem sexismo!) que acompanham, não só essa história, mas todas as minhas fics e traduções, que comentam e me apoiam. E quer saber? Isso vale também para as 'leitoras invisíveis', que não se pronunciam.
OBRIGADA!
Percebi que tenho as leitoras mais legais e adoraveis do mundo. E digo isso por todos os comentários que já recebi até hoje, inclusive na conta do Grupo de Traduções.
Você, que está lendo isso, é demais. Espero que goste do capítulo tanto quanto eu gostei de traduzir e postar para o seu deleite.
Quero salientar que esse capítulo é dedicado a todas que acompanham essa história.
Um abraço bem apertado e tenha uma excelente semana.
Campo de Treinamento
Capítulo Doze: Jogados aos Cachorros
Duo não se dera conta de quanto tempo se passou, mas quando ouviu uma leve batida na porta e a voz de Quatre, suspirou; levantou-se e desligou a torneira.
"Você está bem, Duo?" o loiro perguntou novamente.
"'Tô," respondeu curtamente, dando a descarga para fazer parecer ser a razão de ter ficado tanto tempo ali.
"Carter está nos esperando... para uma caminhada," Quatre continuou através da porta. "Heero e Trowa foram na frente."
Duo respirou aliviado e abriu a porta. "Me diga que a caminhada é opcional."
Quatre riu. "E lá se tem alguma coisa opcional nesse lugar?" Seus olhos azul-esverdeados analisaram o rosto do amigo. "Você está horrível. Tem certeza de que está bem?" ergueu o braço como se quisesse sentir a temperatura do amigo, mas este recuou.
"Estou bem, Quat," foi até o seu baú e procurou uma jaqueta para levar.
"Algo aconteceu enquanto estávamos fora?" Quatre pressionou. Sentou-se na beirada de sua cama. "Você sabe que sou... empata. E agora o tumulto de emoções que você está passando é inacreditável."
As costas de Duo ficaram tensas, virou-se para fulminar o amigo com os olhos. "Fiquei fora da minha cabeça, Winner."
"Não estou nela," respondeu. "Não é como se eu tivesse escolha, Duo. Emoções fortes invadem o meu espaço, eu querendo ou não."
"Foi mal," murmurou o rapaz de trança. Abrandou-se. "É só a típica baboseira Maxwell-Yuy, sabe?" deu de ombros. "Não se preocupe."
Quatre assentiu compreensivo. "Se precisar conversar, sabe que estou aqui pra você, 'tá?"
"Claro que sei," Duo respondeu, conseguindo formar um fraco sorriso. Sentiu-se ainda mais culpado por ter invadido a privacidade do loiro, ainda mais do que dos outros dois; ele lhe fora amigável e aberto desde o primeiro dia. Certamente não tinha motivos para se proteger do rapaz gentil de L4. "Você é um bom amigo, Quatre."
"Você também."
Duo se refreou de bufar incrédulo, sabendo não poder se explicar depois. Ao invés disso, jogou um braço ao redor dos ombros de Quatre num gesto familiar e seguiram para fora.
Heero e Trowa esperavam com o Oficial Carter perto do escritório de Wufei quando chegaram.
Duo não olhou para Heero. Não conseguia. Manteve-se atento a um lugar neutro entre Heero e o Cabo.
"Que bom que estão todos aqui," Carter deu uma olhada n o escritório. "O Capitão deve vir logo para desativar as tornozeleiras, aí poderemos sair do território da prisão para caminhar até o lago."
Quatre o observou com curiosidade. "Por que nós?"
"Chang quer que eu faça um reconhecimento do terreno para um exercício de sobrevivência preliminar, e decidiu que eu deveria levar vocês já que demonstram potencial."
"Potencial?" Duo murmurou, virando-se para o Cabo. "Carter, é pedir demais pra eu imaginar o Capitão Mal-Amado Chang usar essa palavra na mesma frase que tenha o meu nome."
"Seu nome não estava nela, Maxwell," Wufei respondeu friamente, saindo de seu escritório no momento certo. "Mas sim o Time Wing."
Duo estremeceu. "Mas que mer-. Será que alguém pode me dar um tiro e acabar logo com isso?" pediu exasperado. "Dá um tempo!" sua expressão tornou-se aflita quando encarou o Oficial chinês. "Aposto como desrespeitar um oficial está na lista de regras em algum item...?"
"Naturalmente," a resposta saiu suave e perigosa. Wufei sorriu selvagem, atirando um olhar predador para o Cabo Carter. "Não posso evitar de me perguntar, onde será que ouviu uma frase dessas, Maxwell?"
O Cabo enrubesceu, dividindo o desconforto com Duo. "Não tenho faço a menor idéia, senhor."
A expressão de Wufei deixava claro que o soldado não estava enganando ninguém, e voltou sua atenção para Duo. "Deixaremos isso passar dessa vez, Maxwell. Mas preste atenção no que fala daqui em diante ou vai descobrir que trabalhar na cozinha não é nada."
"Sim senhor," Duo respondeu, completamente abatido.
"Agora, vamos neutralizar esses equipamentos bárbaros para poderem seguir minhas ordens." Com um aparelho manual, o Capitão desativou o mecanismo de choque das tornozeleiras, deixando apenas a função do localizador. "Assim está bom. Traga-os de volta antes do jantar, Carter."
"Sim senhor."
"E Carter?"
"Senhor?"
"Não os ensine mais nenhum apelido criativo do seu campo de treinamento, ouviu?"
"Sim senhor."
Wufei retornou para o seu escritório, enquanto Carter e os quatro jovens iniciavam sua jornada ao desconhecido.
No meio da tarde, já há vários quilômetros morros acima, encontravam-se na beira de um lago entre montanhas florestadas.
"Uau," Quatre expressou sua admiração. "Esse lugar é maravilhoso."
"É o lago Peacecraft... uma das represas de água mais puras do estado," Carter tagarelou como se lesse de um panfleto turístico. "Vêem as montanhas daquele lado? É ali que o nosso querido Capitão quer fazer o exercício de alpinismo."
"E como chegaremos lá?" Heero perguntou, erguendo uma sobrancelha.
"Canoas," Carter sorriu. "Acredito que o plano do Capitão Chang seja fazer vocês carregarem as canoas até aqui, atravessar o lago, e escalar as montanhas."
Duo grunhiu. "Eu sabia. Eu sabia. Quando entramos na estrada de terra, eu devia ter me atirado pela janela do ônibus!"
O Cabo o olhou com divertimento. "Não vai muito com a cara da natureza, Maxwell?"
"Pelo amor de Deus, eu cresci na periferia de uma colônia espacial!" Duo exclamou.
"Vai dar tudo certo," Carter o assegurou. "Eu mesmo fui um rato de colônia, mas depois do treinamento do Capitão Chang, eu consigo sobreviver em qualquer lugar."
"Ele é tão bom assim?" Heero questionou, perguntando-se quanto tempo levou para Wufei estabelecer sua reputação.
"O melhor."
"Mas ele só tem... o quê... dezenove?"
"Quase vinte," Carter o corrigiu. "Pelo que eu ouvi, ele graduou precoce do colegial, entrou na Academia e se formou em dois anos... Teve sua primeira promoção aos dezoito... monitorou em campo de treinamento por um ano... e se tornou o Capitão mais novo aos dezoito. Ele é um fenômeno."
"Parece um maníaco," Duo notou.
"Mas um bom maníaco," Carter insistiu. "Ele nunca pede para fazermos algo que ele mesmo não possa fazer. Ele trabalha tão duro quanto qualquer um de nós."
Heero deu um sorriso vago. Ao parecer, Wufei não mudara nada desde seus tempos de infância. Ele era ambicioso, focado e determinado ter sucesso. E ele também era o homem mais nobre que Heero conhecera.
Duo notou o sorriso saudoso do líder quando deixou seu olhar passear, sem querer, na face que tanto o fascinava. Mas quando os olhos azuis se voltaram para ele, o jovem de trança desviou o rosto bruscamente, engasgando silenciosamente ao pensar no preço a ser pedido por Heero em troco de seu silêncio.
É... Você só pode culpar a si mesmo, Maxwell. Seu imbecil.
"É melhor voltarmos," Carter deu de ombros. "Já conheço bem esse lado do lago e quando chegarmos ao acampamento, o jantar vai estar pronto."
Deram meia volta e retornaram pelo mesmo caminho, Carter liderando, seguido por Heero, Trowa e então Quatre e Duo.
Em algum momento durante a caminhada, Heero se demorou até estar andando perto de Duo. Queria conversar com o jovem de trança... para clarificar a conversa interrompida. Percebia estar sendo evitado pelo outro rapaz. Mas não era da natureza de Heero Yuy evitar o confronto ou abafar o assunto. Gostava de resolver tudo da maneira certa.
Duo percebeu a proximidade do líder e seus ombros se enrijeceram. Ele não queria estar nada próximo do outro agora... não até se conformar com a bagunça na qual se metera. Não falhava em ver a ironia da situação. Observara o rapaz de descendência asiática, sonhara acordado e fantasiara com ele... e agora só queria estar o mais distante possível. Queria recuperar seu equilíbrio... a sensação de segurança e controle... antes de lidar com Heero.
"Maxwell...?"
Ergueu o rosto abruptamente surpreso, seu olhar passou direto de Heero e encontrou Quatre o encarando. Ah... abençoado seja meu querido empata! É claro que ele sentiria meu desespero.
"Hei, Heero, Carter falou que ouviu algo estranho por entre os arbustos lá na frente," Quatre interrompeu o líder.
Talvez o empata tenha confundido os sinais. Que se dane a empatia!
Heero adiantou-se, alcançando Carter rapidamente; Trowa e Quatre se aproximavam, tentando ouvir o que o soldado detectara.
Um baixo rosnar chamou a atenção e os cinco pararam, observando a volta, preocupados.
"Às três e meia [1]," Heero sussurrou, lentamente se virando para a direção indicada.
Ao pé de uma clareira, quatro cães de guarda da cadeia rosnavam mostrando os dentes, pêlos eriçados.
"Merda!" Carter murmurou o xingamento.
"Está armado?" Heero perguntou.
"Só com uma arma de pequeno calibre no coldre na perna."
"Quantos tiros?"
"Um cartucho tem dez."
"Hum... a conversa deve estar boa," Duo interrompeu falando baixo e apressado, "mas o que vamos fazer?"
"Não demonstre medo!" a voz de Trowa se sobressaiu, equilibrada e calma.
"Claaaaro," Duo sussurrou. "E... como?"
O cão maior se aproximava, rosnado constante. Estava mais perto de Quatre, este virou-se para Trowa com olhos arregalados.
"Não se mexer?" perguntou quase num sussurro.
"Não. Se. Mexa." Trowa deu um passo na direção do cachorro, fazendo o animal virar-se para ele com atenção.
"Se pular em Barton, pegue sua arma," Heero pediu para o Cabo em voz baixa. "Vou tentar ganhar tempo." Ele se preparou para intervir a qualquer momento.
"Shhh..." Trowa tentou acalmar, nunca tirando os olhos do cão. Continuou firme, enquanto o animal se aproximava, e o encarou com firmeza. "Fique!"
"Ele está falando com a gente ou com os cachorros?" Duo perguntou para Heero.
"Cale a boca, Maxwell!"
"Não se mova... fique... cale a boca..." Duo rodou os olhos. "Vocês são muito mandões."
"Quieto!" três vozes sussurraram irritadas.
Trowa, sozinho, continuava se movendo de modo quase imperceptível, em silêncio, na direção dos cães ameaçadores. O jovem esticou a mão, não quebrando o contato visual com o líder da matilha, e contraiu os lábios imitando um rosnado. Ele fez um som gutural e se aproximou até ficar ao alcance do animal. "Senta."
Por incrível que pareça, o cachorro recuou um passo, pendeu a cabeça para o lado, e sentou-se. Os outros, resignados, seguiram o exemplo.
"Bom garoto," Trowa elogiou, relaxando e deixando o focinho cheirar seus dedos. "Viu? Amigo... bom garoto."
Duo deixou escapar um longo suspiro. "Podemos nos mexer agora?"
"Ainda não," o rapaz de olhos verdes avisou, fazendo carinho entre as orelhas do animal. "Eles são treinados para responder a movimentos. Corra, e te atacarão. Lute, e te atacarão."
"Posso respirar pelo menos?" Duo pergunto com um leve tom de zombaria.
"Puta que pariu, se formos devorados por sua culpa, eu mesmo te arregaço, Maxwell!" Heero ralhou rispidamente.
Trowa se colocara no meio da matilha, permitindo a todos eles que o cheirasse, antes de tentar acarinhá-los. Mas rapidamente, todos os quatro estavam em cima dele, caudas balançando e línguas para fora, enquanto aprovavam o rapaz.
"Eu não acreditaria se não estivesse vendo..." Carter comentou impressionado.
"Eu gosto de animais," Trowa deu de ombros, de joelhos fazendo cócegas nos cães.
O som de vozes, gravetos sendo quebrados e apitos, interromperam o silêncio e vários guardas da prisão apareceram. Os cachorros se viraram e correram para seus tratadores latindo um cumprimento.
O Diretor Kushrenada estava com eles, sua voz agitada. "...Imperdoável! Se esses animais feriram alguém..." Ele parou ao ver os quatro rapazes e Carter paralisados na clareira.
O Cabo se adiantou, os tratadores colocando coleiras nos cães, e o carcereiro se manteve boquiaberto em espanto.
"Cabo, o que está fazendo aqui? Alguém se feriu?"
Duo instintivamente se colocou atrás de Heero quando os quatro se juntaram a Carter na frente do Diretor.
"Não, senhor," Carter respondeu, lançando um olhar desconfiado aos animais, os quais pareciam ansiosos para alcançar os rapazes outra vez. "Graças ao Barton." Ele apontou para Trowa, este se aproximara do cão líder e passava os dedos entre o pêlo como se o examinasse.
"Barton?" O carcereiro girou para fixar o olhar fulminante no jovem. "O quê? Como?" ele gesticulou debilmente. "Esse animal é treinado, garoto. Cuidado!"
Trowa ergueu o rosto distraído. "Está tudo bem. Ele sabe que não vamos fugir, então não vai atacar." Ele levantou-se, encarando o Diretor. "Mas este animal precisa de cuidado veterinário, senhor. Ele tem algumas chagas no pescoço." Seus olhos verdes fulminaram o homem segurando a coleira. "Alguém usou uma coleira de espinhos nele?"
"Apenas para treinamento," o tratador respondeu, sustentando o olhar raivoso.
"Você sabe que não pode puxar a corrente quando ele está usando uma dessas, não é?" Trowa perguntou. "Ou prendê-lo com ela. Parece que alguém usou para deliberadamente machucar o cão...!"
"Escute aqui, seu moleque..."
O Diretor interveio suavemente, erguendo uma mão elegante. "Pode parar, Lorenzo. Leve os cachorros para o canil e descubra como eles fugiram." Percebeu a expressão irritada de Trowa. "Eu mesmo vou chamar o veterinário assim que voltar para o meu escritório." Ele pousou uma mão amiga no ombro do rapaz. "Obrigado por me informar sobre a condição do cachorro."
Trowa sorriu de leve. "Obrigado por tomar conta dele, senhor."
Duo soltou um som estrangulado atrás de Heero, e o olhar do Diretor voltou-se para ele. Um sorriso zombeteiro tomou conta dos lábios do homem antes dele voltar-se para Carter.
"Sinto muito por esse terrível incidente, Cabo. Não tenho idéia de como os cães fugiram, e eu não estava ciente de que ninguém saíra do acampamento."
"Trouxe os rapazes para ver o lago," o soldado explicou. "Ordens do Capitão, ele desativou o mecanismo de choque nas tornozeleiras."
"Ah, entendo." O olhar frio do carcereiro focou em Duo novamente, presunçoso, e o rapaz o encarou de volta com ódio óbvio. "Que bom que ninguém se machucou."
"Vai voltar para o acampamento, soldado?" Kushrenada perguntou.
"Sim, senhor. Ainda mais depois desse pequeno incidente." Carter riu de nervoso.
"Eu os acompanho." O Diretor se pôs ao lado de Trowa, iniciando uma conversa sobre cachorros. Continuaram papeando pela caminhada.
Carter e Heero ficaram no centro, Duo e Quatre atrás.
"O que acha que o K está aprontando?" Duo cochichou para o amigo.
"Não sei," Quatre respondeu franzindo o cenho. "Nada de ruim..."
Duo bufou. "Nada vindo daquele homem é bom," garantiu.
"Talvez ele só goste de cachorros também."
"Quem, Kushrenada?" Duo ironizou. "Até parece, Quat. Ele 'tá aprontando alguma." Franziu o cenho, tentando descobrir o que era. Então pisou em algo mole e olhou para baixo com nojo. "Aw... cara..."
Quatre não conseguiu segurar o riso ante a expressão miserável no rosto do amigo, enquanto este tentava limpar o cocô de cachorro na grama.
Uma vez no acampamento, o Diretor chamou: "Cabo, Barton tem algum compromisso agora? Ele expressou um interesse em ver os canis." Sorriu indulgente. "Um companheiro amante de animais."
"Yuy?" Carter repassou a pergunta.
"Vamos pegar algo para jantar e voltar para os alojamentos estudar um pouco," o líder deu de ombros.
"Estudar?" Duo confrontou. "Num domingo?"
"Contanto que Barton volte antes de as luzes serem apagadas, está tudo bem," Carter assegurou o carcereiro.
"Vou me assegurar de que ele coma algo," o Diretor prometeu. Kushrenada e Trowa foram embora, em direção ao canil, enquanto Carter e os outros se dirigiram aos alojamentos.
"Vou reportar o incidente ao Capitão Chang," Carter informou-os. "Ele vai querer saber como aqueles cachorros saíram daqui tanto quanto eu." Estavam parados no meio do campo, e o Cabo deu a Heero uma expressão pensativa. "Se oferecer para distrair os cachorros para eu sacar a arma foi um plano bem ousado, Yuy." Sorriu amarelo. "Tenho que admitir, você tem colhões, garoto." Deu um tapa no ombro de Heero e saiu para o escritório de Wufei.
"Oh, pelo amor de D..." Duo rodou os olhos ao reparar a expressão convencida que Heero lançava para ele. "Se manca, Yuy." O jovem de trança recuperava um pouco de compostura ao redor do líder do time, especialmente quando tinha motivos para provocá-lo.
"Pelo menos eu não estava escondido num canto," Heero falou num tom superior, encarando Duo com desdém. "Precisa trocar as calças, Maxwell?"
Os olhos violeta se arregalaram. "Ah, vai se foder, cara!" Ele se precipitou para Heero, com toda a intenção de enforcá-lo, mas Quatre segurou-o pelo braço.
"Calma, Duo! Ele só está tirando onda. Ignora!" o loiro interferiu, e lançou a Heero um olhar raivoso repreensivo. "E como o líder do time, Yuy, você não deveria ser mais maturo?"
Heero rebateu com outro olhar fulminante, dando-lhes as costas para entrar no quarto.
"Heh." Duo se admirou. "Essa foi muito boa, Quat. Obrigado."
"Disponha."
Ao invés de entrarem, sentaram-se nos degraus para Duo limpar o resto da sujeira de cachorro para não espalhar pelo chão todo. Esfregou a sola com um graveto tentando alcançar por entre as frestas. "Sabe, Quat, às vezes a minha sorte é..."
"Uma merda?" Quatre perguntou retoricamente com um sorriso no canto dos lábios.
Duo o encarou de soslaio. "Eu ia dizer 'ruim'. Mas acho que 'merda' é mais apropriado nesse caso."
O loiro mostrou os dentes com um sorriso largo, que caiu quando viu Austin e seus companheiros indo para o vestiário. "Bem que podíamos ter um monte disso para deixar na frente do quarto do time Chase..."
"Aw, é... podíamos pegá-los quando estivessem saindo apressados para a calistenia," Duo concordou. Seus olhos lentamente se acenderam com um brilho diabólico. "Hei... Quatre... Bolei um plano perfeito!"
O árabe pareceu cauteloso. "Para quê?"
"Para dar o troco em Austin e seus lacaios."
"Duo..." o tom era carregado com preocupação.
"Nah, é perfeito!" o rapaz de cabelos compridos insistiu. Ele se apegava à idéia.
"Você quase foi mandado para L2 nem dois dias atrás, Duo. Você não pode se dar ao luxo de ser pego quebrando mais regras."
"Então não seremos pegos!" Duo asseverou.
"No plural?"
Olhos índigo pareceram implorar. "Por favor, Quat! Pelo menos me escute, é perfeito! E só estaríamos quebrando uma regra pequenininha, e ninguém vai nos pegar, prometo!"
"Eu sei que vou me arrepender," Quatre suspirou. "Manda..."
Duo detalhou o plano, completo com histórico e uma descrição vívida. O loiro se encontrou acreditando que fazia sentido.
"Uau... você realmente elaborou a coisa toda," Quatre refletiu. "Quando teve esse surto de inspiração?"
"Agora mesmo," Duo deu de ombros, finalmente tirando o último rastro de fezes da bota. Sorriu amplamente para o amigo. "Você me inspirou."
Os olhos esverdeados rodaram. "Quando vamos executar esse seu plano infalível?"
"Essa noite... depois de checarem se estamos na cama." Duo abriu um sorriso maligno. "A lua está minguante, então teremos luz, mas não demais. E segunda de manhã ninguém acorda completamente alerta. É o momento perfeito."
Quatre respondeu com seu próprio sorriso perverso. "Conta comigo."
Continua...
[1] É comum para os americanos (principalmente no exército) a se referirem a direções pelo horário de acordo com a posição dos ponteiros num relógio (desculpem, mas não sei se essa prática é comum no exército nacional ou qual seria seu equivalente. Se alguém souber, por favor!).
Nota extra da tradutora: Será que só eu achei que o Carter soou como um total fan-boy ao recitar o currículo do Wufei? Já basta o Heero arrastando asa para o chinês...
Resposta aos comentários:
DW03, também achei bom o Duo já não pular na cama nu só de ter a possibilidade de transar com o Heero. Não só por ele querer algum envolvimento, mas por ele ter se sentido humilhado mesmo. Acho que o personagem seria bem mais pobre se fosse tão superficial assim (e a história acabaria bem mais rápido XD).
O Trowa é um personagem que me deixa tensa o tempo todo. Ele tenta relaxar, mas não consegue, e acaba pisando em ovos ao redor de todo mundo. É, essa fic tem mesmo muitas intrigas que são resolvidas aos poucos. Mas tudo é explicado, não se preocupe!
Você é muito fofa por sempre ler! Eu é que tenho que te agradecer pelos comentários! Obrigada mesmo! São mais importantes do que imagina, e deliciosos de ler! *abraça*
Tenshi Oni, caraca, talvez a melhor fic de GW que leu? Nossa, já valeu a tradução! *sorrindo de orelha a orelha* Se ficou curiosa, só posso aconselhar a continuar lendo ^_~ mas desde já revelo... lemon? Teremos. Quando? Aí já é demais XD Beijos! Obrigada pelo comentário!
Maimai! Que comentário mais lindo! Obrigada! Mesmo, mesmo. Eu sei bem o que quer dizer. Fics eu só leio as que traduzo e escrevo, mas não consigo largar o osso que é 1x2 e brincar com esses rapazes do universo Gundam Wing. É bobo, eu sei, mas é gostoso, não tem muita explicação. Fico feliz mesmo por ter se sentido assim quando leu esse capítulo; são coisas assim que, apesar de eu fazer isso porque quero, fazem valer a pena. *abraça* Beijão! Espero que goste de mais esse capítulo!
