P.O.V - Autora
Severo havia saído de seu escritório a passos largos deixando Dumbledore sozinho com seus pensamentos.
Ele caminhava pelos corredores da mansão até chegar em seus aposentos.
Ele nunca fez questão de tanto lixo, tanto que seu quarto era modesto, mas é claro, possuía conforto.
Uma grande cama ao centro, com um guarda-roupa em uma cor marfim e duas poltronas ao canto junto, com uma escrivaninha cheia de seus frascos de poções pessoais. Algumas até bem raras.
Severo tirou a capa que o cobria quase por inteiro e se dirigiu ao banheiro para tomar um banho.
Se sentia sujo depois de estar tão perto daqueles monstros que eram os comensais de Voldmort.
Se ele não era um também? Claro que era, mas não era igual aos outros. Não sentia prazer em matar e fazer o mal. Não pertencia aquele mundo de crueldade, no qual por anos foi forçado a atuar por um bem maior.
Mas agora tudo era diferente. Ele estava livre de certa forma. Não era mais um servo fiel de seu mestre louco pelo poder. Ele era apenas Severo Prince Snape, um aliado da Ordem da Fênix que iria lutar junto ao lado do bem para vencer a guerra e ter um pouco de paz para o resto de seus dias. Se é que viveria muito.
O moreno tinha suas dúvidas.
Enfim!
Tomou um banho quente demorado para relaxar e foi exatamente isso que aconteceu. Ele saiu do banheiro totalmente relaxado, calmo. Muito diferente de como estava quando conversava a pouco tempo em seu escritório com Alvo.
Foi então que alguém veio a sua mente. Hermione! Ele queria saber como ela estava.
Severo não era idiota, tinha visto muito bem que Potter havia percebido o jeito que a loira ficara preocupada assim que ele se juntou a Draco no andar de cima junto com os comensais.
E esperava que o jovem Grifinório não tivesse desconfiado de alguma coisa.
[...]
Saiu do quarto direto para o quarto de Hermione, mas tudo o que encontrou após bater e abrir a porta sem permissão foi um espaço vazio com uma cama totalmente arrumada e nada parecia estar fora do lugar.
Onde será que ela está?
Perguntou-se assim que novamente estava no corredor preste a descer a escadaria central da casa.
Onde mais Hermione poderia estar se não na biblioteca não é mesmo?! Que tonto eu sou.
Falava silenciosamente consigo.
Rumou então para onde sabia que acharia sua Grifinória. Só não sabia que a encontraria com alguém.
P.O.V - Hermione Granger
Apenas coloquei minhas coisas no meu quarto. Novamente fui acompanhada até ele por Dobby, meu anjinho do bem , ou melhor, meu elfinho do bem.
Depois disso sai e fui para o lugar onde mais me sentia bem, a biblioteca.
Entrei naquele espaço maravilhoso e desejei novamente o livro sobre Horcruxes. Eu precisava ver mais algumas coisas, qualquer detalhe que eu podesse usar ou que tivesse deixado passar despercebido.
Ele veio flutuando até a mim. Sua capa era velha e empoeirada, mas não me importava muito. Fiquei ali folheando-o por vários minutos, não sei ao certo se tinham sido horas, mas nem percebi o tempo passar.
Nada de novo!
Minha consciência disse como se eu já não soubesse.
Devolvi então o livro para o seu lugar é sentei-me na poltrona confortável que havia ali na esperança de que ninguém aparecesse para interromper aquele silêncio bom que eu nunca mais havia experimentado.
Era bom às vezes ficar sozinha. Mas em Hogwarts isso quase nunca era possível e agora que eu estava ali deveria aproveitar.
Meus pensamentos me levaram então para tudo o que nós tínhamos passado aquela noite. O perigo, o desespero e a adrenalina, tudo voltou ao meu corpo como se eu estivesse novamente naquele cenário.
Hogwarts havia virado um campo de batalha e eu tinha a impressão de que aquela não era alguma vez.
Lembrei-me de Severo e do quanto ele foi corajoso. Ele estava correndo mais perigo agora que Você-Sabe-Quem sabe que ele era um espião e que tudo não passou de uma farsa para dar informações para a Ordem.
Claro que eu estava a admitir que Draco também havia me surpreendido quando concordou em participar de tudo o que fizemos. Ele tinha agido melhor do que combinamos no plano.
O rosto do Sonserino veio a minha cabeça. Ele tinha nos lábios aquele sorriso torto que tanto conquistava as garotas de Hogwarts.
Tire isso da cabeça Hermione!
Sacodi a cabeça para afastar esses pensamentos e recostei-a novamente no encosto da poltrona.
Devo dizer que os Prince tinha um bom gosto inquestionável.
Fechei os olhos levemente deixando que meu corpo relaxasse, mas foi então que eu ouvi a porta se abrir e meu corpo se levantou em resposta.
– Granger?..- os olhos de Malfoy estavam surpresos, mas logo ele abaixou a cabeça e pude perceber um sorriso triste.- Eu deveria ter imaginado que você estaria aqui não é senhorita sabe-tudo?
– Não tenho culpa se gosto de estar rodeada de livros Malfoy.- eu disse relaxando um pouco mais e me encontrando na pequena mesa atrás de mim.- O que faz aqui?
– O mesmo que você, vim tentar relaxar.
Ele disse olhando para uma estante que tinha livros sobre poções raras.
Bem a cara de Severo!
Ele estendeu a varinha para um livro de capa grossa que se encontrava em cima da última prateleira.
– Accio..- ele não terminou de falar o feitiço convocatório pois eu o interrompi.
– Não precisa disso! Basta desejar.
– Pra quem chegou agora você já sabe bastante sobre esse lugar.- ele disse assim que o livro flutuou até suas mãos pálidas e longas.
– Bom, não é a primeira vez que eu venho aqui.- eu disse simplesmente.
Mas ele pareceu desconfortável com aquela revelação. Fechou a cara em uma carranca que me fez arrepiar.
– E o que veio fazer aqui antes?..- falou deixando o livro de mão, o qual voltou para o seu lugar e ele veio andando em minha direção ameaçadoramente.- Diga Granger!
– Não te devo satisfações Malfoy..- eu disse olhando fundo em seus olhos cinza.
Ele já estava a pouco centímetros de mim.
– Pelo que sei, uma aluna não tem motivo nenhum para vir a casa de seu professor.- ele estava quase rosnando.
O que afinal estava acontecendo ali?
– Está com ciúmes?.- minha voz saiu mais em tom de gozação.- Sinto muito, mas não temos aquela química.
Gargalhei vendo a expressão de Draco ficar mais raivosa.
– Me diga, por que eu teria ciúmes de uma sangue-ruim insuportável?
A voz dele saiu um pouco alta demais.
Eu geralmente não me importava mais com os xingamentos dele, mas aquilo me pegou de surpresa e foi como se eu tivesse levado um soco no estômago.
– Não me chame assim sua doninha albina.- eu gritei de volta.
Então, em um movimento rápido ele rompeu o espaço que existia entre nós e colou meu corpo ao dele. Me colocou contra a parede daquele espaço ficou a me encarar por uns instantes.
– O que você está fazendo comigo Granger?..- essa pergunta eu realmente não havia compreendido.
Na verdade, eu não estava fazendo nada, mas eu sabia o que eu queria que acontecesse com Draco. Eu queria que ele tivesse uma nova chance de ser feliz, queria que ele podesse trilhar outro caminho.
Nos olhos eram um no outro e eu consegui por uns segundos me perder naquela tempestade cinza.
O rosto do garoto era tão belo que eu entendi então por todas morreriam para ficar com ele.
Os cabelos loiros platinados caindo na testa. Os olhos azuis e os lábios finos e rosados. Rosto harmônico. Tudo nele era atraente.
Minhas mãos estam em seu peito, como se eu tivesse forças o suficiente para afastá-lo, mas eu não tinha e nem podia fazer isso.
– Me diga sua maldita sangue-ruim!..- ele estava implorando.- O que você está fazendo comigo?
Agora eu via uma tristeza quase incurável naquele olhar.
– Estou salvando você!
Então encostei meus lábios aos dele iniciando um beijo. Eu senti algo molhado em meu rosto e então entendi que ele estava chorando, mas dessa vez era de verdade.
O beijo de Draco era diferente do de Severo, era calmo e lento. Não era doce, mas sim quente.
Suas mãos estavam em minha cintura e as minhas estavam indo ao contro dos seus cabelos loiros e sedosos.
O Sonserino explorava cada canto da minha boca e aumentava o contato entre nossos corpos, como se esperasse muito tempo por aquilo.
– Hermione..- ele sussurrou entre beijos curtos que ele dava sobre meus lábios e depois em minhas bochechas, descendo até o pescoço.- Eu odeio você.
Dei um sorriso, sentindo meus pelos se eriçarem.
– Consigo ver todo o seu ódio Draco.
Então ele parou o que estava fazendo e me olhou novamente nos olhos, logo depois veio uma coisa que eu não esperava. Ele me abraçou.
Só então pude olhar para a porta e perceber que não estávamos sozinhos.
Droga! Severo!
Os olhos do mestre de poções estavam longe. Como se não estivesse mais ali, como se não quisesse lembrar do que tinha acabado de ver.
Eu o vi sair da porta e então sai do abraço do loiro também, que ficou meio sem entender o por que.
– Desculpa Draco. Nós começamos depois.
[...]
Sai correndo pela mansão inteira a procura de Snape.
Onde será que você está Severo? Droga!
Parei então em frente ao quadro da mãe dele. Ela continua com a mesma roupa de época e sem se importar com quem passava ali ou não.
– Senhora Prince? Pode me dizer se o professor Snape passou por aqui?..- eu estava ofegante por causa da pressa.
– Ah queria que bom que está aqui novamente..- ela já iria começar com todo um papo furado.
– Por favor! Só me diga pra onde ele pode ter ido? Já o procurei na casa quase toda.
– Bom, há um lugar onde ele costumava ir quando o pai dele tinha suas crises de violência ou quando queria apenas pensar na vida. Último quarto do último andar. Da pra ver melhor o céu de lá.
– Muito obrigado.
Então sai em disparada novamente para onde a matriarca da família Prince havia me dito para ir e eu esperava encontrar-lo lá.
