Já era finzinho de tarde quando Hermione havia saído dos aposentos de Severo. O sorriso que ela carregava nos lábios era perceptível a quilômetros, afinal, tudo parecia estar se acertando entre eles dois.

Ao caminhar lentamente pelo corredor ela se lembrou que algo estava faltando. Ela precisava ter uma conversa com o jovem Malfoy para esclarecer a situação toda, não queria que ficasse um clima estranho entre eles e nem que o garoto perdesse o pouco de confiança que havia depositado na Grifinória.

Apressou o passo então em direção ao último quarto do corredor, o mais isolado e deu graças a Merlim por não ter ninguém passando ali naquela hora.

Passou por uma, duas, três, quatro portas até chegar na que queria. Deu duas batidas leves como se não quisesse incomodar e logo a porta foi aberta.

– Granger!.- o loiro disse com uma ansiedade contida. Parecia que ele não esperava que a loira fosse fazer aquela visitinha.

– Draco, posso entrar para conversarmos?..- ela perguntou olhando os lados para ver se ainda não havia ninguém no corredor.

– Claro! Entre.

Ele deu passagem então para que Hermione adentrasse o quarto em que ele estava hospedado.

Não era tão grande quanto o dela, era bem simples na verdade e ela se perguntou o porquê de Draco Malfoy escolher o quarto mais simples da mansão.

– Sente-se.- ele disse apontando para a pequena poltrona que havia ali perto da cama.

– Não, obrigado! Vim apenas para esclarecer algumas coisas.- o garoto deu de ombros e ele próprio se sentou na cama. Parecia curioso para saber o que a loira tinha a falar.

– Então diga de uma vez.

– Draco, eu sei que aquele beijo que aconteceu entre nós na biblioteca deve ter significado algo pra você.- a garota deu uma pausa criando coragem para continuar.- Mas foi algo impensado, foi um impulso e eu não deveria ter feito aquilo. Eu sinto muito se te fiz pensar algo que não era, eu só queria que soubesse que eu ainda posso ser sua amiga se você quiser.

Hermione terminou a falar meio temerosa. Esperava que Draco aceitasse bem, queria que ele aceitasse bem esse "fora" que ela estava dando nele. Ela não poderia machucar Severo novamente, mesmo sabendo existir um mínimo sentimento pelo loiro sonserino.

– É por causa dele não é?!.- ele perguntou amargo. Ainda estava sentado em sua cama, de cabeça baixa, mas mesmo assim Hermione podia ver a raiva em seu rosto.

– Ele quem Draco?

– Do Snape, do meu padrinho, do seu professor.- ele cuspiu as palavras. A voz arrastada agora se assemelhava a de um certo mestre de poções.

– Eu não sei do que você está falando.- a loira disse arregalando um pouco os olhos e tentou não encarar Malfoy assim que ele lhe direcionou um olhar frio.

– Não minta pra mim Hermione.- um choque percorreu o corpo da Grifinória. Nunca o nome dela havia saído tão gélido dos lábios de alguém.- Eu vi você entrando no quarto dele hoje mais cedo.

Um pulso forte deu-se no coração dela, não adiantaria negar agora. Ele sabia! Afinal o que ela iria usar como desculpa para ter ido aos aposentos de seu professor e ficado lá por horas?!

– Draco por favor me entenda, eu não quero que você fique assim por minha causa. Eu não quero fazer isso com você, mas não há outro jeito. Sim! Eu amo Severo e agora você sabe.

Hermione já estava tremendo sobre o olhar do garoto. Ela não queria que aquilo estivesse acontecendo, mas era necessário.

– Eu confiei em você. Por que está fazendo isso comigo agora?..- ela observou os olhos cor de tempestade marejarem e aquela raiva que ele possuía tornar-se dor.

Droga! Ela havia partido seu coração, como podia fazer aquilo com seu Sonserino?

– Eu sinto muito, realmente sinto por você Draco! Mas se isso te serve de consolo, eu não te usei, eu sinto algo por você, mas eu amo Severo.

O loiro se levantou da cama apoiando-se na estrutura do dossel, parecia estar sem forças para enfrentar aquilo tudo. Levantou o rosto fino e bonito em direção a Hermione.

– É isso que dá confiar em sangues-ruins. Saia daqui Granger, me deixe sozinho!.- a voz dele era como um trovão.

Hermione entendeu que ele estava magoado e que queria privacidade naquele momento, então apenas olhou nos olhos de Draco novamente e, com os olhos marejados também, ela saiu batendo à porta.

[...]

Depois de andar apressadamente rumo ao seu dormitório Hermione não sabia ao certo o que pensar. Ela estava confusa consigo mesma, não duvidava sobre seus sentimentos por Severo e muito menos do que iria fazer, mas de alguma forma ela estava confusa e sem direção.

Na verdade, nem sua vista a ajudava agora, ela chegava a não enxergar nada. Tudo ficou escuro de repente e ela sentindo-se um pouco tonta se jogou no chão.

Colocou as mãos na cabeça e se encolheu no canto esperando tudo passar.

Ela detestava se sentir fraca, detestava machucar quem amava, detestava ser tão confusa.

– Por que?!..- foi o que ela perguntou a si mesma e ao nada que lhe rodeava.

Sua visão estava voltando ao normal, porém agora seu coração palpitava e ela estava ofegante demais.

– O que esta acontecendo comigo?

Foi então que ela ouviu uma voz vindo ao seu encontro. Viu o vulto magro e incrivelmente bonito tentando acolhe-la em seus braços.

– Hermione, o que aconteceu?

– Harry! Eu, eu..- a falha na sua voz denunciou seu nervosismo..- Eu não sei!

– Eu vou te levar para o seu quarto.- foi só o que o moreno disse antes da loira apagar.