Boot Camp
Por: Snowdragonct
Tradução: Aryam
Desculpem pela demora, mas aqui está. Espero que gostem de mais um capítulo!
Super obrigada e um grande abraço apertado para quem mandou comentário *_*
Jubs-AF; Maho Malfoy; Dark Wolf 03; Tenshi Oni.
Campo de Treinamento
Capítulo Dezesseis: Suspeitas
Na manhã seguinte, Capitão Chang vistoriava os destroços da parede da pista de obstáculos; Diretor Kushrenada ao seu lado.
"A única explicação lógica," dizia o Capitão, "é que alguém tenha soltado os parafusos." O oficial da Academia de Mobile Suits encarou o carcereiro. "Acredito que os internos não tenham as ferramentas necessárias."
"O que está sugerindo, Chang?"
"Estou sugerindo que alguém da sua prisão tem rancor de um dos detentos ou quer ver o fim da Iniciativa Peacecraft." Como se eu não soubesse quem...
O carcereiro se ergueu completamente, com expressão de aristocrata. "Para a sua informação, Chang, a Iniciativa Peacecraft falhará sozinha. Não precisa de ajuda. É um plano falho do começo ao fim." Seus olhos castanhos claros se estreitaram. "E sinto-me ofendido pela insinuação que algum dos meus sabotaria seus brinquedos." Ele apontou para os alojamentos. "Deveria procurar entre seus pequenos delinqüentes para esse tipo de vandalismo... e, acredite em mim, a falta de ferramentas não faz a menor diferença para eles." Deu de ombros. "Talvez quisessem agitar a rotina."
"Ou talvez alguém não aceite o progresso que eles estavam fazendo," Wufei acusou não muito discretamente.
"Está passando dos limites, Chang." Kushrenada o encarou enraivecido. "Mais uma insinuação que meus guardas ou eu tenhamos algo a ver com isso e entrarei em contato com o Alto Escalão para dizer-lhes que seus delinqüentes estão descontrolados e precisam ser transferidos para cadeias onde serão propriamente supervisionados."
"Talvez em uma 'prisão de verdade' os guardas possam, pelo menos, manter os cães de guarda controlados ao invés de tê-los atacando inocentes," rosnou o oficial chinês, olhos negros se estreitando.
"Essa conversa acabou," o diretor anunciou, dando meia volta.
O Capitão Chang suspirou, virando-se para o Tenente Li que chegava.
"Esse aí parecia querer puxar os cabelos," murmurou o instrutor de artes marciais, sorrindo para seu superior.
"... ou arrancá-los," murmurou Wufei de volta. "Como está o resto das instalações?"
"Não tem mais nada com defeito, mas não custa revisar tudo de novo."
"Muito bem. A pista de obstáculos ficará interditada pelo resto da semana enquanto a reconstruímos. Os outros soldados levarão os rapazes para uns obstáculos 'naturais'. Tem bastante terreno irregular para caminhar e escalar que serão bons desafios. Farei o anúncio no almoço."
~SEPARAçÃO~
"Valeu!" Duo comemorou após Wufei sair da cantina. "Sem obstáculos pelo resto da semana."
"Você não o ouviu, Maxwell?" Heero perguntou como escárnio. "Ele não estava falando de caminhadas para olhar a paisagem... mas de marchar escalando a montanha." O líder balançou a cabeça. "Você vai implorar pelos obstáculos amanhã."
"Há!" Duo replicou. "Aposto cinco pratas que não."
Heero calculou. "Não devia fazer apostas, Maxwell. Não é muito sortudo."
Duo encontrou os olhos azuis por um momento e abaixou a cabeça, lembrando-se repentinamente do risco que tomou e se deu mal quando tentou vasculhar os baús. E o olhar que recebeu do líder o sugeria que ele pediria pelo pagamento logo. O rapaz de trança focou sua atenção em outra coisa, ansioso para evitar um confronto. "Ei, Trowa... você vai visitar os cachorros hoje?"
O jovem de olhos verdes se surpreendeu. "Sim, por quê?"
"Eu... gosto do Nanashi," Duo revelou baixinho, quase envergonhado.
"Mesmo?"
Olhou para Trowa e deu de ombros. "Mesmo. Só porque não cresci num circo não quer dizer que não gosto de animais."
"E a comida deles," Quatre acrescentou com um sorriso.
"Tá bom... aquilo foi desespero," Duo respondeu. "Se já comeu algo de latas de lixo, é capaz de comer quase qualquer coisa."
Quatre o olhou com genuína aflição. "Fez isso mesmo?"
Duo assentiu, deslizando um dedo na beirada do prato. "É, você deve achar isso bem revoltante." Virou-se para Heero, que tinha uma expressão carregada. "Né, Yuy?"
"Acho triste," o líder afirmou calmo, levantando-se e recolhendo sua bandeja.
O jovem de trança o observou, perguntando-se se captara pena na voz do outro. E, por alguma razão, aquilo o enfurecia mais do que se tivesse escutado um sermão. "O que é triste, Yuy, é sua incapacidade de relaxar!" falou. "Posso ter crescido nas ruas, mas tenho um senso de humor!"
Heero não olhou para trás, mas colocou a bandeja no balcão e saiu.
"Ele estava tentando ser solidário," Quatre
Duo se irritou ainda mais. "Acha que quero a solidariedade dele, Winner? Não quero!"
"Belo senso de humor, Maxwell," Trowa zombou.
"Vai se foder," Duo retorquiu.
Quatre franzia o cenho, percebendo vários sentimentos conflitantes em Duo. Desde domingo, o rapaz se tornara uma montanha-russa de emoções. Havia momentos nos quais ele estava em seu estado normal e caloroso... mas num instante, tornava-se defensivo e amargurado. O árabe empata se frustrava com o constante tumulto. "Ei, Trowa, Duo, não vamos discutir. Ninguém quis fazer você se sentir rebaixado, Duo. Tá?" Colocou uma mão no braço do amigo, o qual recuou de leve e lhe lançou um olhar atento. "Acho que Heero nunca pensou como deve ser crescer sem um teto pra morar. Ele só não sabe bem medir as palavras quanto a isso."
Duo fechou a cara. "Ele não sabe medir as palavras quanto a nada," murmurou, a raiva esvaecendo aos poucos.
"Por que não vem visitar Nanashi comigo e com o Trowa," Quatre convidou.
Trowa observou Duo tenso e ocorreu ao jovem de L2 que o moreno alto não queria compartilhar a companhia de Quatre. Sorriu convencido. "Oras, Quat, que boa idéia." Levantou-se, casualmente jogando um braço ao redor dos ombros do amigo loiro.
Trowa pegou suas coisas e a bandeja de Quatre, carregou-as até o balcão, sem olhar para as palhaçadas do rapaz de trança. Sabia exatamente o que Maxwell estava fazendo. Só não sabia se era apenas uma brincadeira para Quatre também ou se o loiro realmente tinha afeição por Duo que ultrapassasse amizade. E isso o incomodava mais do que gostaria de admitir.
Quando os três chegaram ao canil, o adestrador treinava Nanashi, tentando fazer o grande filhote atacar o homem vestido com borracha própria para a atividade.
"Vai, seu vira-lata idiota!" o homem provocou, brandindo um cassetete como se atacasse o adestrador.
Nanashi simplesmente o circundou cauteloso, cauda balançando, língua para fora.
"Pega ele, Sem-Nome!" ordenou o adestrador. "Vai, defenda!"
O cão sentou-se, pendendo a cabeça para o lado e latindo uma vez como se perguntasse 'por que'.
Trowa grunhiu.
"Arrisco dizer que não era bem isso que ele tinha que fazer," Quatre suspirou.
"Está muito longe," Trowa confirmou infeliz.
"Não está indo muito bem, não é?" Kishrenada perguntou, atrás dos garotos.
Duo afastou-se, alerta, olhos índigo faiscando.
Mas o diretor parecia ignorante ao garoto de L2, colocando-se ao lado de Trowa e pousando uma mão em seu ombro. "É um belo cachorro, não é, Barton?"
"Com certeza," o moreno concordou, balançando a cabeça.
"É uma pena que ele seja tão amigável." Olhou de soslaio para Trowa. "Talvez você possa trabalhar com ele. Costumava treinar com leões, não é?"
"Sim, senhor."
"Talvez com sua experiência com animais perigosos possa achar um jeito de trazer sua natureza protetora."
Duo rodou os olhos e trocou um olhar com Quatre.
"Adoraria tentar," Trowa respondeu, olhos verdes acesos.
O carcereiro assentiu. "Ótimo. Vou pedir aos adestradores que te dêem o necessário... E vou ver se Chang te dá um tempo livre." Abriu um sorriso amarelo. "Mas não acho que o bom Capitão seja meu fã."
"Somos dois," Duo soltou, sem conseguir se conter.
"Maxwell," cantarolou Kushrenada, finalmente o encarando. "Só porque você está com inveja das habilidades de Barton, não tente arruinar isso para ele."
Os olhos índigo se arregalaram ante a acusação. "Arruinar? Como o fato de eu te odiar tem algo a ver com o Trowa?"
"Não quero que ele tenha que escolher entre eu e você," o homem deu de ombros.
"Não tem disputa," Duo rebateu. "Você é um saco de merda e eu não."
"Duo, cala a boca!" Trowa mandou. Ele não queria que o diretor mudasse de idéia só porque Maxwell era linguarudo.
Ferido pelo tom curto e grosso, Duo o encarou enraivecido. "Vai pro inferno, Barton! Eu falo o que eu quiser." Seus olhos se estreitaram. "Falando nisso, eu vou pra onde quiser também. Você e Quatre se divirtam... Vou estar no alojamento com Yuy." Girou nos calcanhares e se retirou.
O diretor o assistiu e balançou a cabeça com pesar. "Lá se vai um rapaz muito perturbado," suspirou. "Barton... e você também, Winner... Quero que tomem cuidado com ele." Seu sorriso era indulgente, enquanto Quatre se encolerizava silenciosamente. "Sei que Winner gosta de ver o bom em todos, Barton. Mas temo que ele esteja errado quanto a Maxwell. Tome conta dele."
"Farei isso," Trowa concordou, não encontrando os olhos azuis-claro que o perfuravam acusatoriamente.
"Bom."
~SEPARAçÃO~
Enquanto isso, a caminho dos alojamentos, Duo lembrou-se que não queria ficar a sós com Heero mais do que com Kushrenada. "Merda," murmurou, parando e se perguntando para onde ir.
"Ei, Duo..."
"Jason!" O rapaz de trança sorriu aliviado. "Cara, que bom te ver!"
"Sério?" Ele abriu um sorriso sincero. "O que houve?"
"Aw... Tro' e Quat estão no canil com Kushrenada... então eu quis ir pro quarto, mas o Yuy está lá..." Duo deu de ombros, desiludido.
"Problemas com o time?"
"Por aí."
"A aula de artes marciais só começa em meia hora. Quer dar uma volta até lá?" Duo hesitou, e Jason riu. "Prometo me comportar," assegurou.
O rapaz de cabelos compridos conseguiu sorrir em retorno. "Eu também." Mas encontrando a expressão carinhosa do outro, estava tentado a jogar a cautela pela janela e fazer o que Yuy provavelmente pensava que ele já fazia. A única coisa que o impedia era saber que os sentimentos de Jason eram genuínos, e não queria dar-lhe esperanças se não tinham um futuro. "Já falei que você é um bom amigo, Jase?"
"Acho que sim," Jason respondeu tranquilamente, indo para a pista onde passaram horas nas corridas matinais. "Quer falar sobre a tensão entre você e Heero?"
Duo bufou. "Você viu como ele é, Jase... metido, arrogante... impossível."
Jason riu, balançando a cabeça. "Ele tem motivo pra ser arrogante, Duo. É inteligente, atlético, bonito..." Deu de ombros. "Se eu não tivesse tara por cabelo longo, até pediria pra você me arranjar."
O queixo do jovem de trança caiu e se espantou com o amigo. "Quer dizer que só gostava de mim pela trança?" perguntou fingindo-se ofendido.
"Gosto... no presente, Duo," corrigiu. "E não, não é só o cabelo."
"Ah é?" continuou travessamente. "Mas eu não tenho os olhos azuis da cor do mar... ou o físico atlético..."
"Ou a... personalidade encantadora?" Jason falou sarcástico e riu. "Eu cagaria de medo de cantar o Yuy. Boa aparência de lado, ele é meio assustador."
Duo sorriu de canto. "Eu diria até 'perigoso'."
Jason olhou para Duo com suspeita. "Por que eu tenho a impressão de que não sou o único a achar Heero Yuy atraente?"
"Ah, caramba, quem não acha?" Duo deixou no ar. "Mas como você disse, ele pode ser... intimidador." Sorriu mais. "Quem quer arriscar a vida pra se dar bem?"
"Com Heero Yuy?" Jason especulou. "Eu tentaria."
"Você é tão volúvel," Duo provocou, brincando. "Dois dias atrás era eu... agora Heero..."
"Ainda é você," o jovem afirmou seriamente.
As maçãs do rosto do rapaz de cabelo comprido se avermelharam, olhado para o chão. "É gentil da sua parte, Jase, mas..."
"Eu sei, Duo," cortou rápido. "Nós dois precisamos nos focar agora." Olhou para o outro longamente. "Só não se assuste quando eu te procurar se um dia voltarmos para L2... fora da prisão pelo menos."
Duo sorriu. "Seria bom ser livre outra vez."
"Com certeza."
Deram mais algumas voltas até precisarem voltar para a aula de artes marciais.
No momento que passou pela porta, Duo sabia que devia esperar o pior. Heero, Trowa e Quatre o esperavam na arquibancada. Suspirou quando se aproximou deles, esperando pela tirada de Heero. Mas o líder não disse nada.
Erguendo uma sobrancelha, sentou-se ao lado do rapaz de olhos azuis, esperando. Após alguns minutos, virou-se para ficar de frente para ele. "Vá em frente, Yuy."
"Em frente aonde?"
"Grite comigo por ter saído sem te avisar," Duo explicou.
"Não sou sua babá, Maxwell," Heero respondeu calmo. "Te falei naquele dia, se algo acontecer com você, não venha chorar pra mim."
"Não vou," Duo encerrou. Seu olhar passou de Heero para Trowa. "Se divertiu a valer com seu miguxo diretor?"
"Vai se foder, Maxwell."
~SePaRaÇãO~
Na aula de artes marciais, eles estavam aprendendo autodefesa, mas dessa vez o Tenente Li decidiu separá-los em pares diferentes. Duo ficou com Quatre na primeira metade e gostou da expressão invejosa de Trowa quando jogou seus braços ao redor do loiro num "ataque".
Até ele perceber que Trowa estava com Heero, e não foi tão divertido. Felizmente para ele, o alto de olhos verdes não percebeu ter a oportunidade de descontar o ciúme.
"Ah, merda," murmurou quando ficou de frente ao seu novo opositor.
Heero tinha um pequeno sorriso feral no rosto. "Lembra daquela noite que sugeri que você estudasse, Maxwell?"
"Lembro," respondeu com cautela.
"Está prestes a descobrir por que."
A primeira técnica a ser praticada era um simples bloqueio. Mas Heero continuava a acrescentar movimentos extras desafiando Duo a improvisar, testando seu conhecimento da matéria.
"Nada mal," o líder reconheceu, após uma série de contra-ataques. "Que tal aquela que você errou na sexta?" sugeriu, sorrindo enquanto escorregava os braços ao redor de Duo. "Faça comigo o que fez com Austin e eu esfrego o chão com a sua cara, Maxwell," advertiu.
Duo relaxou contra ele, girou o rosto ficando a milímetros de distância do líder. "Faça o que Austin fez e não terá a chance," falou suavemente.
"Quer dizer, isso?" Heero provocou, deslizando um dedo pelo pescoço alvo.
Os músculos de Duo ficaram rígidos, mas ao invés de reagir, sua respiração falhou, a vontade era de fechar os olhos e aproveitar a sensação. Droga, por que tinha que ser tão bom quando Heero fazia? "É, isso..." De repente, lembrou-se que não deveria estar gostando do "ataque" e começou com o movimento defensivo visto no livro.
Contudo, Heero o antecipara, mudando seu agarre e rapidamente chutando atrás dos joelhos do seu oponente. Caíram no futon com o líder por cima e Duo efetivamente preso embaixo.
"Ah, que merda, Yuy, não é assim que é pra fazer!" Duo grunhiu, a voz abafada pelo chão acolchoado.
"Acha que um agressor de verdade vai seguir o manual?" Heero provocou. Seu humor convencido se esvaiu quando Duo se contorceu debaixo dele e percebeu a posição na qual estavam.
"Me solta, Yuy," ordenou com esforço.
"Por quê? Está gostando demais?" O líder sussurrou na orelha do outro, antes de soltá-lo e se levantar.
Duo se ergueu de uma vez, o rosto quente, e estava à beira de um confronto quando o Tenente Li fez a chamada para trocarem de oponentes. O rapaz de trança se viu contra Trowa e logo aprendeu a não subestimar o ágil artista circense. Agradeceu por isso, já que mantinha sua cabeça ocupada e longe de Heero Yuy.
~SEPARAçÃO~
Horas depois, após o jantar e uma tarde na biblioteca trabalhando na internet, os quatro seguiram para o alojamento. Passaram pela comum rotina de freqüentar ao banheiro, escovar os dentes e, no caso de Duo, pentear o cabelo. Este terminou quando todos os outros já estavam deitados em suas camas, e escalou a sua cansado. Mas quando sua cabeça atingiu o travesseiro, percebeu haver algo lá.
Sentou-se de supetão, imediatamente pensando se o time de Austin encontrara um modo de vingança contra a pegadinha. Entretanto, apenas uma barra de proteína deitava lá, ainda na embalagem. Com a face confusa, Duo a pegou a barra e olhou em direção ao beliche da outra dupla. "O que é isso?" ele exibiu o petisco.
Ambos do outro lado deram de ombros e Duo ouviu uma leve tossida abaixo.
"Yuy?" Abaixou a cabeça, a trança balançando no ar como sempre fazia. "Qual é a do lanchinho noturno? Sem querer ser ingrato, mas..."
"Para emergências. É melhor para você do que biscoitos caninos," Heero explicou baixo, olhando para ele com verdadeira preocupação com a qual Duo não pôde se zangar.
Encararam-se por um momento, tentando decifrar o enigma que era Heero Yuy. O cara podia ser um perfeito babaca na maior parte do tempo, mas às vezes era... tão... zeloso. O rapaz de trança suspirou profundamente, franzindo o cenho. "Obrigado," respondeu, o tom igualmente suave, deitando-se de costas e jogando a barra em seu baú. Em minutos, estava dormindo.
~SEPARAÇÃO~
Duo acordou sentindo os braços sendo segurados acima da cabeça, pressionados contra o travesseiro por mãos tão fortes quanto o aço em seu pulso. O peso do corpo em cima do seu o prendia no colchão... podia sentir o membro rijo pela coberta enrolada em suas pernas. Abriu a boca para gritar, e uma boca o silenciou com um beijo forte o suficiente para machucar seus lábios... uma língua forçou seu caminho e lutou por dominância contra ele. Não conseguia respirar... não conseguia se mover. Quando tentou se debater, a dureza roçou contra a sua própria fazendo-o gemer entre o beijo numa mistura de prazer e pavor. Então, a boca o deixou e, enquanto procurava por ar, arfando... sentiu uma respiração em seu rosto.
"Você disse... qualquer coisa..."
Duo acordou com um ofego, quase batendo a cabeça na parede ao lado da sua cama. Arfava como se tivesse corrido uma maratona, suor escorrendo pelas costas e molhando sua franja. Só um pesadelo.
"Maxwell?"
Heero... merda! Por que ele?
"Bem." Sua voz saiu entrecortada. "Estou bem." Passou uma mão pelo cabelo úmido.
O colchão rangeu e sentiu uma presença sólida ao seu lado. "Você não parece bem."
"Estou bem!" afirmou novamente, apesar de a voz hesitar na segunda palavra. "Merda!" xingou, jogando as pernas para o lado e deixando-se cair. Sem mais palavra, foi para o banheiro, batendo um joelho num dos baús e xingando de novo. Encontrou a porta no escuro e entrou, fechando e trancando-se lá. Sem ligar a luz, ligou a água fria da pia e jogou no rosto, tentando lavar o pânico junto com o suor. Só um pesadelo...
Debruçou-se na pia, tentando controlar a respiração. Era a terceira noite seguida na qual se encontrava acordado. Nas outras, estiveram muito inquieto para dormir, incapaz de afastar os pensamentos emaranhados. Ou adormecia e acordava apenas uma hora depois, os nervos a flor da pele sem conseguir descansar mais. Mas essa noite... o sonho. Fora real demais para apenas deixar de lado e praticamente ainda sentia o agarre violento nos pulsos e o beijo brutal nos lábios.
Encostou a cabeça na parede, engolindo um soluço frustrado. Maxwell imbecil. Palhaço de merda. Você o deixa te afetar demais... Ele te pegou quebrando as regras e agora ele manda em você. Qualquer coisa. Você disse que faria qualquer coisa. E mais cedo ou mais tarde, ele vai querer que você pague. Um riso curto e amargo escapou, bateu a cabeça no azulejo tentando colocar algum senso nela.
Ouviu uma batidinha na porta. "Maxwell. Você está bem?"
Vá embora. Só vá embora.
"Duo?"
Fechou os olhos, engolindo em seco. Não me chame assim. Fique com Maxwell. Deixe ser impessoal, Yuy. Será melhor assim. Não finja que se importa. "Estou bem. Me deixe em paz."
O outro lado da porta ficou silencioso e, após alguns minutos, Duo ousou achar que o líder voltara para cama. Desligou a água e procurou por papel toalha para secar o rosto, sentia-se mais controlado a cada segundo. Mas esperou longos momentos antes de abrir a porta e tatear seu caminho de volta para o beliche.
"Está doente?" uma voz sussurrou.
Devia saber que Heero não deixaria barato tão fácil. "Não... só não conseguia dormir." Esperou, seu lado cínico esperando Yuy dizer algo sobre o acordo. Afinal, estavam mais ou menos sozinhos... os colegas de quarto aparentemente ainda dormindo após a conversa.
"Precisa de alguma coisa?"
Preciso da minha sanidade de volta. Liberdade condicional. Talvez um perdão do governador.
Duo suspirou. "Não, Yuy. Estou bem. Estarei bem." Preciso que pare de fingir que se importa, caramba!
Subiu na cama, sentindo a umidade do suor no travesseiro. Virou-o, usando o outro lado, e se esticou para encarar a escuridão na sua frente pelo resto da noite. Sabia que o sono não viria outra vez.
Continua...
